História O Segredo da Rosa - Capítulo 2


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Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Sebastian Michaelis
Tags Black Butler, Demonios, Demons, Drama, Kuroshitsuji, Sebastian, Sebastian Michaelis
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Palavras 1.052
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Jovem Mestre


No início, era tudo paz. Da mais perfeita calmaria, para a tormenta.
Pandemônio.

As lembranças que rodeavam a pequena mente do jovem mestre eram como traumas de guerra. Se lembrava, perfeitamente, do sangue quente. Vermelho vívido, vibrante, escorrendo. Gotejando pela mesa de pedra, no chão, uma poça de vida e pensamentos que jamais seriam ouvidos ou revividos se formava. Um vinho viscoso e saboroso, o sangue nem tão inocente de uma criança.
O banho lhe atormentou. Remexeu-se na água, e voltou à posição de inércia de outrora.
Em dias frios, sua cicatriz doía como o inferno. Mas em banhos quentes como aquele, a dor aliviava de tal maneira que era quase impossível explicar com palavras. Eram apenas... Sensações.

Seus tormentos de guerra retornaram à mente, uma última vez, para lembra-lo da podridão que era seu corpo. Pelo menos, para si, era como se fosse a pessoa mais impura e nojenta já existente na face da terra.
Não conseguia esquecer seus risos, e gemidos de prazer. Os suspiros de satisfação dos homens arrogantes e putridos, lhe tocando, beijando, marcando, imaculando seu corpo nunca antes tocado de tal forma.
Sentia-se nojento por isto. Como se ainda pudesse sentir a dor, lancinante, em seus ossos e carne pela forma com que se contraía tensamente.
Malditos fossem os humanos e suas perversões sem fim, tão imundos quanto, talvez até mais, que os próprios demônios descritos na bíblia.

Esfregou-se como pôde. Com a força que seus finos braços permitiam, sempre na mesma intensidade. Desejava limpar-se daquela imundície por mais que soubesse que, não importasse o quanto ferisse a própria pele. A sujeira estava impregnada em sua alma e jamais sairia.

- Jovem mestre, terminou seu banho?! - Mey-rin, do lado de fora da porta, estava inquieta. Imaginou que Sebastian não comeria tudo! Mas pelo visto, quando retornaram à cozinha, já não havia mais nada. Nem mesmo o vinho, tendo sobrado como resquício, somente a garrafa.- Senhor Sebastian já deve estar terminando seu jantar!..

Ergueu a mão, mandando-a se calar.

- Não comerei. Fique para você e os outros, ou dê aos lobos, não me importa. Chame Sebastian.

Em tom firme, ordenou-lhe, saindo do banheiro em passos lentos e dolorosos. 
O corpo inteiro doía. Como o inferno, seu corpo doía. 
Se limitou à caminhar até a cama, onde sentou-se e esperou. A garota, notando suas dificuldades mas sabendo de seu orgulho, retirou-se para cumprir a ordem que lhe fora dada.

...

Como esperado, o moreno logo estava à bater na porta antes que pudesse abri-la, e entrar. Olhou o garoto sobre a cama, e com uma rápida olhada por seu corpo, pode entender.
O pescoço avermelhado. Tornozelos e pulsos, a pele quase em carne viva.

- Você deveria parar de se ferir desta forma. -Aproximou-se do armário. Pegou a pequena caixa de medicamentos, e se dispôs de joelhos à frente do menino- Está tentando amaciar a carne para mim?

Com desdém, Ciel mal olhou-o. Manteve a cabeça erguida, focando em detalhes irrelevantes na parede.

- O jantar. Não irei comer.

- Eu soube.

- Pode deixar para os empregados.

- Como quiser.

Um silêncio incômodo tomou conta do ambiente. Sebastian calmamente retirou o robe dos ombros alheios, e deixou somente sua cintura e pernas cobertas. Haviam vergões em tom vivo por toda parte, e locais onde a pele havia cedido. Não conseguia entender tamanha tolice, mas não questionou. Limpou seus ferimentos, e fez curativos por todo seu corpo. Se perguntava se era por isto que o jovem mestre utilizava roupas que lhe cobriam o corpo inteiro, mas não teve curiosidade suficiente para continuar se questionando. 
Pelo menos, não sobre isto.

- Farei um leite com mel para que não fique sem se alimentar. Está em fase de crescimento, precisa forrar o estômago com algo. - Murmurou à ele, recolhendo o que havia usado para tornar a guardar a caixa no armário-

- Não desejo nada, Sebastian. Quero apenas dormir. - Esperou que o mais velho pegasse seu pijama, e retornasse. Observou-o colocar-lhe a peça íntima, seguida da longa e macia camisola feita de algodão. Focou o olhar, desta vez, nas mãos habilidosas do mordomo enquanto abotoava-lhe a camisola-

- Não fora um pedido, Jovem Mestre. -Olhou para cima, de modo que seus olhos vermelhos intensos se encontrassem com o azul cristalino que eram os olhos do menino- Trarei o leite, e então poderá dormir.

Mais alguns segundos, e o silêncio tomou conta do ambiente novamente. Mas desta vez, não era incômodo. Pelo contrário... Era ainda pior.
O horror das gotas brancas escorrendo seus lábios, da garganta ferida e do quadril dolorido fizeram com que Ciel desferisse um tapa na face alheia. Um estalo, e nenhum grunhido sequer, como se já pudesse esperar uma atitude destas. 
Ou não.

- Quem você pensa que é para me dizer o que irei, ou não, fazer?! Que eu me lembre, você ainda me serve, Sebastian!

Ofegante, ele hesitou. Antes que pudesse dizer algo mais, hesitou.
Apertou o lençol onde estava sentado sobre, e mordeu o interior da bochecha. O gosto metálico invadiu-lhe o paladar, e aos poucos, se acalmou.
Quando Sebastian retornou a face ao lugar de outrora, a marca vermelha ainda estava em sua bochecha, junto da marca do anel que o menino carregava consigo.

-... Porquê? -Sua voz saiu mais intensa do que esperava que saísse-

- Porquê, o que?

- Porquê se fere desta forma?... -Quase como se pudesse acreditar que ele realmente se importava, Ciel sentiu suas mãos sendo seguradas pelas do demônio. Seus dedinhos pequenos e finos cobriam apenas algumas partes dos longos e ossudos dedos do mordomo.-

Não tinha o que responder. 
Ficou em choque, sobre a cama, sem saber o que dizer.
Não esperava uma ação destas, ou uma pergunta como aquela. Ele jamais havia lhe feito tal pergunta, e sempre cuidou dos seus ferimentos quieto como um bom servo deveria fazer.
Mas por algum motivo, algo estava diferente aquele dia. E não em um bom sentido, mas de uma forma chata. Como uma dorzinha no peito, incômoda, que nunca passa.

Olhando um nos olhos do outro, pode ver, bem ao fundo, rente à íris, talvez o motivo por tão estranha situação.
Entendeu, por segundos, o que era.

Pandemônio.

...

- Fique comigo esta noite.

- Pesadelos, my lord?

"Pior que isso", ele pensou. "Realidade".


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentários e críticas construtivas são sempre bem-vindas.
Obrigado por ler.


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