História O Segredo da Rosa - Capítulo 3


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Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Sebastian Michaelis
Tags Black Butler, Demonios, Demons, Drama, Kuroshitsuji, Sebastian, Sebastian Michaelis
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Palavras 1.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - O Diário


Por muito tempo, errei. Em meio ao pecado, me criei. 
Na terra, renasci. Meu maior erro, talvez, foi te amar.
Tão profundamente, que hoje, já não posso te esquecer.
Era tudo para mim, e das cinzas renasceu.
Tormento sem fim, o azul de teus olhos ainda me persegue.
Se pudesse sonhar, você também estaria lá
só para me atormentar.

...

Tempestades sucediam dias comuns, e o vermelho dos olhos de Sebastian ficavam escuros quando estavam para acontecer. Ciel já havia notado este pequeno detalhe no mordomo. Seu sentido demoníaco lhe permitia saber quando algo de ruim estava para acontecer, mesmo que nunca soubesse se seria um desastre natural, ou apenas um arranhão no joelho de um dos empregados por conta do trabalho desastroso que executavam. Desta vez, seria pior. Um desastre emocional.
O demônio, toda noite, se trancava em seu quaro após seus afazeres para escrever, com sua pena, em um pequeno diário. Tomou este hábito quando os dias começaram a fazer sentido, e o tempo lhe recaiu sobre a consciência. Sendo um ser eterno, milenar, o tempo não era nada além de um pequeno incômodo. Uma pedrinha no sapato que não significava nada, mas que para os humanos, era tudo que tinham na vida. Suas datas de validade, como em um pedaço de carne que precisa ser preservado antes de ser ingerido.
No diário, poesias. Poemas sentimentais, e dramáticos. Sem conotação sexual, apenas um amor infindo, contínuo, que lhe atormentava o coração duro feito pedra, rachado e esmigalhado. 

Em um compartimento escondido na gaveta, um fundo falso, era onde escondia seus mais profundos pensamentos e sentimentos. Poemas trágicos e profundos. 

"No princípio, era tudo escuridão. 
No início, era tudo paz. 
Da mais perfeita calmaria, para a tormenta.
Pandemônio."

Contava sobre sua origem, e seus medos. "Um demônio com medos?", você deve estar se perguntando. Sim, com medos. Temores, e amores. 
Quando pensou que perderia seu jovem mestre para uma queda no navio, ou com a doença na floresta dos lobisomens. Teve medo de nunca mais ver o azul de seus olhos, ou tatear seu corpo durante os banhos. Teve medo de não ouvi-lo mais reclamando das suas atitudes, ou dando broncas. 
Como um humano como este conseguiu tomar totalmente sua atenção? Foram o azul de seus olhos. 

De alguma forma, Ciel sabia sobre o diário. Em noites frias, quando caminhava sonolento até o quarto do demônio, o encontrava escrevendo. Quando pedia para que dormisse consigo, sabia que durante a noite, ele caminhava sorrateiro até o próprio quarto. Como se escrever fosse a única forma que ele encontrou para se livrar dos maus pensamentos e da dor. A dor de saber que não pode fazer nada para salvá-la do seu destino, e que, quando viu o shinigami chegar, não conseguiu impedi-lo de levar sua alma para longe. Um lugar que jamais poderia alcançar. 
O paraíso. 
Dizem que Deus tem um plano para todos. E o praguejou, por dias à fio, por seu destino ser este, fadado à dor e o sofrimento de nunca mais poder tê-la em seus braços. 
Nem mesmo o fogo do inferno foi tão quente e tão ardente quanto o fogo daquele dia, e lá estava ela, destinada à morrer ao lado de seu esposo. O homem quem ela amou e escolheu para viver, e morrer ao seu lado. 
O odiava mais que tudo. Mas a amava o suficiente para não se intrometer em suas escolhas. Demônios não tinham esse poder. O poder de interferir no bem mais precioso que deus deu aos humanos: O livre arbítrio. 

Era tarde da noite, e escrevia em seu diário. Tarde da noite, e o mordomo, impossibilitado de se dar ao luxo de dormir, escrevia para espantar seus males.
Suas lembranças perdidas, por pouco, quase esquecidas.
Quando a encontrou em um baile de máscaras. Quando ainda era humano.

Por mais difícil que seja de acreditar, Sebastian Michaelis, o demônio conhecido por sua sedução e tamanha beleza, já fora humano. Um conde na juventude, abonado de bens materiais e uma noiva. Deveria ter por volta dos seus 20 anos quando encontrou a misteriosa loira no salão, e a chamou para uma dança. 
Ao som do mais novo compositor da época, Tchaikovsky, dançaram por horas à fio. Jamais esqueceria o quão quente era o corpo da moça de branco, muito menos, o quão doce era o odor de seus fios. Crisântemos brancos, era ao que cheiravam. 
Em um traje de época, puxou-a de costas contra seu corpo, e a envolveu em seus braços. A face rente ao pescoço da jovem, pressionou o nariz contra sua pele, e a cheirou. Desejou gravar seu cheiro, trancado nos confins do subconsciente. Movimentou o corpo, grudado ao dela, de um lado para o outro ao som do violino. Foi a melhor noite de sua vida, a melhor que teve em vida. 
E foi quando se descobriu apaixonado por ela, que seu sonho acabou. 

No inferno, eles não lhe ensinam boas maneiras. Quando se morre, e desce, eles não lhe ensinam como se portar perante aos humanos. Eles lhe torturam. Por anos, décadas, milênios. Arrancam qualquer pudor, qualquer resquício de humanidade que você ainda possa ter. E pior ainda: Lhe tiram suas memórias. Deixam apenas a pior parte, como um bichinho de estimação que morreu tragicamente, ou uma perda dolorosa. Deixam traumas, medos e decepções, frustrações, à fim de lhe fazer enlouquecer. E quando finalmente enlouquece, quando se esquece de quem era quando vivo, eles lhe colocam para trabalhar como escravo. 
Você pode ser um carcereiro, um soldado, ou guarda. Assistindo, dia após dia, novas almas que chegam para serem torturadas e corrompidas até que se tornem apenas escuridão. 
Seu pecado foi ser ganancioso. À Mamon, sua alma foi entregue. E lá, ele cuidou-a muito bem. 

...  

- Sebastian? - Chamou-o, folheando alguns contratos e propostas que estavam sobre a mesa-

- Sim, my lord? 

- Acha que vamos conseguir? - Ao largar as folhas, olhou para o demônio. Podia sentir, sobre si, o azul céu que eram os olhos do menino- 

- Conseguir o que, senhor? 

- Minha vingança. 

Por alguns segundos, o demônio parou. Agora, fora ele quem havia ficado sem ter o que dizer, sem saber como... Contar, ou quando contar. Mas se o fizesse, sabia. Tinha certeza do que aconteceria.
Teria de comer sua alma, e vê-lo partir. Olhar seus olhos apagados, opacos, e saber que a culpa também era sua. 

- Não sei, senhor. Mas sei que não sairei do seu lado até lá. 

Ciel riu. O desdém estampado na face, e voz.

- Fala isso por causa do contrato. 

E era verdade. Mas no fundo, sabia também ser mentira.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentários e críticas construtivas são sempre bem-vindas.
Obrigado por ler.


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