História O Segredo da Rosa - Capítulo 4


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Categorias Kuroshitsuji
Personagens Ciel Phantomhive, Sebastian Michaelis
Tags Black Butler, Demonios, Demons, Drama, Kuroshitsuji, Sebastian, Sebastian Michaelis
Visualizações 15
Palavras 2.034
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, LGBT, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - Chuva da Lua


...

"Em um dia chuvoso, eu estava em um jardim
Indiferente, torna-se audível - o som de uma corda, enquanto eu me confio à este corpo.
Rosas vermelhas, vamos esmagá-las se o sonho dele continuar
A neve do inverno, o fogo da lareira
Respiração sonolenta sem desaparecer, vamos esconder este corpo.

Aa, se esse tempo quente parar, vou guardá-lo na memória e continuar olhando apenas para você.

Aa, se esse dedo está tocando seu cabelo
Como o fio de uma aranha, apenas docemente, mas dolorosamente.

A lua desaparece na floresta profunda
O castelo enevoado, a voz de uma pessoa.
Se essa vida se degradar, vamos fechar os olhos.

Aa, se a suave luz da lua brilha sobre nós, os fragmentos da mentira se escondem onde fizemos uma promessa.

Aa, a bela aparência do contrato mais uma vez, hoje à noite leva esse coração profundamente a se desviar.

O vento que passa por trás de um beco estreito... Deixou para trás os sussurros do tempo, apenas nossos corações se abraçarão sem serem partidos.

Aa, mesmo que o mundo não cumprimente o amanhecer, que suas cicatrizes sejam perdoadas e cobertas.

Aa, desejando... Se esses sentimentos forem concedidos, a chuva de luz meu corpo deve tocar, e será completamente destruído."

Tsuki no Ame - Kuroshitsuji

- Não, Lucius! Não podemos! - Mesmo que dissesse "não", a jovem loira sequer tentava impedi-lo de lhe guiar sob a luz do luar-

- Não seja tola, claro que podemos! Quem irá nos impedir? Seu pai?! Ou sua irmã? - Rindo, segurava cada vez mais firme da mão alheia. Puxava-a por entre as árvores, em meio à floresta, levando a moça até uma clareira. Aberta, era iluminada. Banhada pela luz do luar, intensa, revelava uma toalha de mesa e uma cesta. Ao meio, uma garrafa de vinho e duas taças.-

- Oh, Lucius... Você não...

- Surpresa! -Acabou por sorrir. Era belo seu sorriso... Brilhante, radiante como sua animação e excitação para o momento. Abraçou o corpo delicado por trás, apoiando o queixo em seu ombro, pressionando-a contra si- O que você achou? Gostou?! -beijou-lhe o pescoço, afastando o colar de pérolas para mordiscar-lhe a pele- Aqui, ninguém poderá nos interromper.

O azul dos olhos da moça inundaram-se em lágrimas de alegria, e surpresa. Mas seu coração doeu profundamente pelo que tinha que contar-lhe. Naquele momento, preferiu afogar-se em felicidade. Não queria estragar o sorriso dele... Era tão bela a forma com que sorria. Seus olhos castanhos claros, como um campo vasto no meio da primavera. Sua pele queimada do sol, contrastando com o escuro de seus cabelos negros... Lucius Collins era o sonho de qualquer mulher.
Bem sucedido, um conde com poder e influência. Mas, para ela, nada disso importava... O que mais lhe atraía nele, por mais difícil que fosse enxergar, era seu bom coração.
Conseguia ver sua alma através de seus olhos infantis, e consigo, era tão brincalhão quanto um pivete do meio rural.
O queimado de sua pele reluzia, e a cor, o toque, o gosto... Era como pêssegos maduros. 
Havia se viciado no sabor de sua pele, de seus lábios, de sua língua. Jamais havia provado tão doce saliva quanto a dele, que fazia seu baixo ventre formigar enlouquecidamente.

Infelizmente... Seus pais, aparentemente, não eram à favor de tal relacionamento. A mão de Lucius já estava prometida à outra mulher, e a sua, agora, à de outro homem. E sabia, de uma forma dolorosa, que ele jamais aceitaria isso.
Por isto, preferiu embriagar-se nas últimas horas que tinham juntos. Nos últimos momentos que podiam estar livres para se terem, e serem quem verdadeiramente eram: Duas crianças apaixonadas, se negando à vida e às responsabilidades da vida adulta.

Por horas, brincaram na grama. Beberam vinho, e comeram frutas. De morangos exóticos, à uvas e pedaços de maçãs verdes. Por horas, foram genuinamente felizes, correndo pelo campo com os pés descalços, sentindo a brisa e o frescor que o vento perfumado de terra úmida lhes proporcionava.
Pega-pega pela clareira, o vestido erguido e as calças com bainhas dobradas. Risos, e abraços... Beijos quentes, e corpos rolando por sobre a toalha. 
Impulsivamente, já estavam à se tocar.

Sabe... 
Nem mesmo o inferno, com seus milênios de anos que passavam em apenas alguns dias terrenos, eram capazes de apagar da memória do demônio, o calor do corpo de sua amada.
E agora, fadado ao frio e à escuridão de noites sem luar, consegue se lembrar como se fosse ontem o momento em que tomou-a como sua. Que marcou-lhe o corpo, e entregou-se de vísceras e alma à ela. A marca da besta.

Remexeu-se na cama, uma, duas, até cinco vezes. E os pensamentos não lhe deixaram. Não iam embora, não importasse o que fizesse.
Suspiros e ofegos, suas unhas arranhando-lhe as costas desnudas, suadas. O vestido erguido até metade de seu corpo, e as pernas envoltas de sua cintura, apertando-o contra seu corpo como se desejasse fundi-los. Como se quisesse juntar-se à sua carne, criando um único ser uníssono. 
Manchou-se de sangue, e suor. Não apenas seu próprio sangue, escorrendo, gotejando as costas onde as unhas com tanta ternura lhe rasgavam a pele, mas também, do sangue dela, se contorcendo e arqueando o corpo violentamente abaixo de si. 
Lágrimas escorriam seus olhos, e por mais que perguntasse se desejava que parasse, ela implorava que não o fizesse. Implorava que continuasse, que a possuísse. Suplicava que fosse sua, e somente sua, pelo resto da eternidade.
Com soluços e gemidos, tomou-lhe seus lábios para si, segurando-a pela nuca, erguendo sua cabeça para que a beijasse ternamente enquanto se punha entre suas pernas sedentas.

Naquele momento, foram um só. Por longos minutos de dor e prazer, enfim, seus corações abraçavam-se, esquentando um ao outro.
Os músculos, antes tensos, agora sequer tinham forças para levantar, e jovem, inteiramente envergonhada por tamanha perversão, tentava esconder as bochechas coradas enquanto acariciava os cabelos do homem deitado em seu peito.
O vestido totalmente desajeitado, alças caídas pelos ombros e um dos seios quase à mostra.
O moreno apenas... Deitou-se com a cabeça no peito da jovem, e envolveu-lhe a cintura com os braços. Estava exausto, e seus níveis de seratonina, elevados.

E foi quando ela resolveu, antes de irem embora. Antes de ele à devolver para seus pais, lhe contar que dentre um mês, iria se casar com outro. Um também jovem e nobre conde, mas que, diferentemente de Lucius, fora aceito por sua família.

...

Queria se lembrar como havia morrido. Se foi um suicídio, ou uma briga de bar. Mas sabia que, se tivesse sido suicídio, não seria um demônio e sim, um Shinigami. Então podia descartar esta alternativa, claro.
Mas... Se não se matou de desgosto, morreu de quê? Talvez uma picada fatal de abelha? Tinha quase cem por cento de certeza que não. 
Poderia ter bebido até cair, e ser atropelado por uma carruagem. Ou, quem sabe, ter sido morto por ser um noivo adúltero. Gostaria de nunca ter descoberto, na realidade. Seria menos humilhante pensar que morreu com dignidade, se jogando de uma ponte, ou com um tiro na boca.
O inferno, com sua contagem de tempo diferente da terra - o que são dias na terra, se tornam anos no inferno- pode ter apagado muitas coisas de sua memória. Mas parece que os humanos amam uma fofoca, e adoram guardar jornais com notícias extravagantes de invasões à domicílio, e assassinatos em legítima defesa.

Lucius Collins, a piada do século, agora, Sebastian Michaelis: O piadista do ano. O mordomo dos mordomos. O orgulho da mansão.
Não era à toa que se sentia tão incomodado com cães.

...

Escreveu em seu diário, suas mais profundas lembranças. Não desejava se esquecer novamente do seu passado, e sabia que isso era possível. Lutava todos os dias contra seu lado demoníaco, para que pudesse preservar o pouco de humanidade que lhe restava. As memórias ajudavam a saber que um dia, já foi humano. Ajudavam a manter os pés no chão, e saber quais eram seus deveres, e o mais importante: Ajudavam a controlar a fome insaciável que sentia.

Quanto mais próximo ficava do jovem mestre, mais ele lhe evitava e mais faminto se sentia. 
Faminto de atenção. Afeto. Faminto de sensações, e emoções. Faminto de vida, de sentir-se vivo novamente, como se sentia quando estava com ela.
Mas é claro... Os sonhos não duram para sempre, e logo os pesadelos estão à bater em sua porta, pedindo, clamando para que possam entrar e desgraçar suas noites de sono.

Nunca duvidou do potencial que os empregados carregavam consigo, -o que era mentira, já que precisava ficar se lembrando, dia após dia, que havia um motivo para eles estarem ali e que eram bons em alguma coisa. Restava encontrar as anotações onde dizia no que eram bons, também- mas um deles, em especial, se superou drasticamente.
Sempre quieto, apenas à observar em seu canto, Tanaka olhou, dia após dia, a aproximação do mordomo para com seu jovem mestre.

As noites em que Ciel ia até o quarto do maior para lhe importunar por culpa dos pesadelos, pedindo que ficasse consigo no quarto pra que pudesse dormir... E as atitudes estranhas que Sebastian tomava quando estava sozinho, como escrever por horas à fio quando não tinha nada para fazer. O modo com que olhava, com ternura, para o jovem mestre quando este lhe dava as costas, orgulhoso como sempre, para seguir seu caminho em meio à morte e destruição... Era como se pudesse ouvir o coração inativo do demônio palpitar pelo garoto. 
E isto era mais do errado, era um crime hediondo.

Ele, o mordomo dos Phantomhive, com borboletas no estômago e brilho no olhar pelo conde, seu dono? Conhecia Ciel o suficiente para saber que a única coisa que ele tinha por Sebastian, era gratidão e, no máximo, admiração por seus talentos e postura impecável. 
Incomodado com a situação e o que via na mansão, resolveu investigar por conta própria o quarto do mordomo enquanto este realizava seus afazeres diários. E o que encontrou, após revirar seu quarto, nas páginas daquele diário... Lhe fizeram vomitar todo chá verde que ainda tinha no estômago, incrédulo com o que seus olhos cansados de viver liam.

Era horrenda tamanha traição. E mais ainda: o que ele dizia naquelas páginas... Sobre Ciel. Sobre sua servidão. Sobre a "jovem". Seu passado. Levou toda história de inferno, e contrato, como uma metáfora para o que ele pudesse ter passado... Ouvia dizer que dias na prisão eram como anos. Talvez o inferno de que ele tanto falasse, fosse atrás das grades pelas coisas que se passavam em sua mente obscena.

Após horas lendo o diário, quando o moreno finalmente retornou ao seu quarto, bastou que abrisse a porta para que encontrasse o mais velho sentado sobre sua cama.
Em silêncio, ele ergueu-se e caminhou, com o diário em mãos, até o mordomo. E à sua frente, olhando fundo em seus olhos vermelhos vibrantes, empurrou o diário contra seu peito. O nojo estampado em suas feições, nas mais jovens rugas.

- Você tem uma semana para se afastar do Jovem Mestre, ou eu mesmo irei providenciar que ele saiba de cada palavra escrita nesse... Antro depravado que você chama de diário. -Cuspiu a palavras, como se fosse difícil até mesmo olhar para a cara do demônio.-

Sem que desse tempo dele responder, Tanaka deixou o recinto, se encaminhando até o próprio quarto.
"Uma semana"... Como? Estava preso à ele pelo contrato. Se Tanaka contasse, ou pior, se si próprio contasse à Ciel o o conteúdo do diário, jamais poderia voltar à vê-lo novamente. Seria obrigado à devorar sua alma, e não conseguiria suportar a ideia de não vê-lo mais. De não poder tocá-lo mais. 
Ele era tudo que tinha. Tudo que havia sobrado. Não era como se pudesse jogar tudo fora agora, por culpa de um... Velho morrendo à cada novo passo.

Ele havia lido. Talvez, lido o diário inteiro, vai saber? Mas agora, ele sabia da verdade. E seu mundo, ali, caiu.
A verdade não estava mais morta e enterrada com seu corpo em algum lugar, ou escrita em páginas facilmente queimáveis. Agora estava guardada, implantada em uma alma viva.

Mas não por muito tempo.


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Comentários e críticas construtivas são sempre bem-vindas.
Obrigado por ler.


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