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História O Segredo de uma Promessa - Capítulo 5


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Notas do Autor


E vamos de atualização pra ajudar a se distrair nessa quarentena!
Inclusive, se cuidem, ok? 🖤

Capítulo 5 - Cinco


Fanfic / Fanfiction O Segredo de uma Promessa - Capítulo 5 - Cinco

POV Henrique

 

Mais uma manhã que acordo e imediatamente consigo sentir cada cheiro que vem da cozinha... eu amo cozinhar mais que tudo nessa vida, mas reconheço que já ter o café da manhã preparado quando acordo é um dos meus privilégios favoritos.

Como cheguei tarde ontem a noite, meu pai já estava dormindo, então não tive como conversar com ele sobre Antonella, apesar de ter quase certeza que ele não iria se opor... sabia que ele estaria presente no café da manhã, pois aquele horário era praticamente sagrado para os Aranha Fogaça, então aproveitaria aquele momento.

Após a minha higiene matinal, desci e fui ao encontro dos meus pais, na cozinha.

[...]

- Bom dia! – Henrique se aproxima da sua mãe, beijando o topo de sua testa, e dá alguns tapinhas de leve nas costas do seu pai.

- Bom dia, filho! – Eles respondem, na mesma hora. Todos começam a se servir e ele aproveita o momento.

- Pai, ainda tem uma vaga de estagiário aberta no seu restaurante daqui?

- Agora não mais, filho. Um rapaz chamado Edson se candidatou e ficou com a vaga. Por quê?

- Porque uma amiga minha tá precisando de uma vaga pra pegar experiências variadas, pra no futuro abrir o próprio restaurante.

- Quem?

- Antonella. Eu a conheci no evento de gastronomia semana passada. - Diante dessa afirmação, Luísa, que já estava atenta à conversa, começou a achar tudo aquilo muito estranho e resolveu perguntar, já não muito satisfeita com a situação.

- Então você conheceu essa menina semana passada, e essa semana já quer contratar ela pra trabalhar com o seu pai?

- Não é como se eu não a conhecesse, mãe, relaxa pô. - Ele responde já um pouco irritado com o questionamento de sua mãe, que apenas o observa, tentando entender as entrelinhas daquela conversa. - A gente conversou bastante desde o evento até agora, e além disso ela me ajudou ontem no Cão Véio e vi que dá conta do recado. Ela trabalhou melhor e mais rápido que os meninos que já trabalham lá faz tempo... então o que eu pensei era que tanto ela como o Edson, que já que estão estagiando, poderiam alternar os dias. Um dia no Cão Véio e outro no seu restaurante, assim eles pegariam experiências nas duas áreas e nos ajudariam. O que você acha? - João ouve a proposta atentamente e, de fato, a ideia lhe parece muito boa.

- Por mim tudo certo, Henrique. Eu ia dizer que precisava fazer um teste com ela primeiro, mas se ela já trabalhou com você e deu conta do recado, eu confio em você. Por mim não tem mais nenhuma questão em relação a ela, mas preciso fazer a proposta pro Edson primeiro. Hoje falo com ele e, se ele aceitar, amanhã eles já podem trocar. - Henrique suspira aliviado diante da aceitação do seu pai.

- Obrigado, pai! Vai ajudar muito ela!

- Por nada, filho!

João responde, realmente satisfeito com a proposta de Henrique e despreocupado com a qualidade do trabalho de Antonella. Luísa, por outro lado, continua achando tudo muito suspeito. Pra ela não fazia o menor sentido ele estar querendo ajudar tanto uma pessoa que mal conhece. Eles terminam de tomar o café juntos, e Henrique sai primeiro, então Luísa aproveita para falar com João.

- Presta atenção direito nessa menina.

- Prestar atenção em quê, Luísa?

- Não sei... não tô com um bom pressentimento em relação a ela.

- Ai Luísa, para! Você cisma com toda mulher que se aproxima do Henrique!

- Você não acha nem um pouquinho estranho que ele esteja movendo céus e terra pra ajudar uma pessoa que ele acabou de conhecer?

- Não, não acho. Henrique é esperto. Se ele diz que ela é capaz de fazer o serviço, é porque ela realmente é. E você precisa parar de inventar motivos para desconfiar de quem se aproxima dele.

- Tudo bem, João. Só faz o que eu tô dizendo e fica atento. Tenho certeza que alguma coisa vai acontecer... - Diante da insistência da mulher, João apenas suspira e resolve mudar de assunto. Sabia que ela era super protetora e que queria o bem de Henrique, mas muitas vezes passava do limite e ele se perguntava até que ponto era saudável ela interferir na vida do filho. Resolveu deixar o assunto para depois.

 

[...]

 

Henrique chega ao hotel e Antonella, ansiosa que era, já estava a sua espera, e o recebe com um doce abraço. Ele aproveita aquele momento para aspirar o cheiro do cabelo dela, que ainda úmido, exalava um perfume muito particular, que ele amava.

- Bom dia! Como você tá?

- Estoy bien. Esperando que podamos encontrar una bonita casita.

- Eu também espero. Dei uma olhada rápida ontem e acho que tenho ideia de alguns lugares. Tá pronta? - Ele pergunta, estendendo para ela o tão familiar capacete.

- Estoy! - Ela o coloca e sobe na moto, abraçando-se à cintura do tatuado, que segue o caminho que havia planejado.

Após olharem duas casas, que Antonella achou lindas, porém muito grandes para ela morar sozinha, se encaminharam para a terceira. Em uma rua bem movimentada, em frente a uma pequena quitanda, estava uma casinha simples, mas, de cara, encantadora: com um pequeno jardim na frente, com vários pés de rosa plantados, que ela amava. O dono, um senhor de idade, estava esperando por eles aguando as plantas. Ao ver Henrique e Antonella se aproximarem, ele sorri e estende a mão para os jovens.

- Olá! Como estão? - Eles retribuem o aperto de mão e Antonella responde:

- Bien, gracias!

- Meu nome é Rafael, e eu sou o dono da casa.

- Me chamo Henrique, e ela Antonella. - Eles se cumprimentam mais uma vez com sorrisos.

- Venham, por aqui. A casinha é simples mas sempre foi cuidada com muito amor. Tenho certeza que vocês dois vão adorar!  - Eles se entreolham, sem graça, diante daquela afirmação.

- A casa não é pra nós dois, é só pra ela. Eu tô só ajudando...

- Ah... entendo. - Seu Rafael, com a sabedoria que trazia com a idade, sabia que, no fundo, não estava errado e que aqueles jovens tinham alguma coisa especial. Mas diante do “choque” evidente na face de ambos, notou que eles ainda não haviam percebido isso. Então resolveu mudar de assunto. - Perdão.

- Todo bien. - Ela responde, ainda um pouco constrangida e evitando contato visual com Henrique. Seu Rafael continua.

- Bom, aqui nesse cômodo temos uma sala e a cozinha americana, ali estão os dois quartos e mais ali atrás uma área de serviço. Como pode ver, ela já está quase toda mobiliada, só precisa de um colchão e de utensílios de cozinha. Perfeito para a senhora.

- Señora no, por favor. Me puedes llamar usted.

- Como? - O senhor pergunta, pela primeira vez confuso com o espanhol da mulher.

- Pode chamar ela de você, não de senhora. - Henrique a ajuda com a tradução, e ela agradece discretamente com um sorriso. Ainda estava se acostumando com aquilo, e era grata por ter Henrique para ajudá-la.

-  Entendi, então a casa é perfeita para você! - Seu Rafael conclui e eles continuam olhando cada cômodo da casa, e Henrique percebe pelo semblante de Antonella que realmente a agradou.

- Você gostou, né?

- Sí, me gusto mucho! Creo que me quedaré con esta casa.

- Ela é linda mesmo. A sua cara. - Ambos sentem a face enrubescer diante da frase de Henrique, mas seguem sem fazer comentários sobre e sem se encarar. Após olharem detalhadamente a casa, retornam para a sala, onde seu Rafael aguardava.

- La casa es muy bonita, me encantó!

- Que bom que você gostou. Mas tenho uma condição, caso vá ficar aqui. - Henrique e Antonella focam toda a sua atenção para ele naquele momento. - Você vai precisar cuidar do meu jardim. Minhas flores são muito importantes pra mim, e eu já não tenho mais a saúde que gostaria para dar tanta atenção a elas... é fundamental que elas sejam bem cuidadas enquanto você estiver aqui. Você faria isso?

- Claro que sí! Será un placer cuidalas! Las rosas son mis flores favoritas!

- Ótimo! Então agora sim podemos acertar os detalhes. - Ele fala, apontando para o sofá, e os três se sentam para discutir valores e todo o resto. Finalizada essa parte, já eram quase 11h da manhã, e Henrique a deixa de volta no hotel para que ela se arrume e eles se encontrem novamente no Cão Véio, dessa vez para trabalharem juntos.

 

[...]

 

Chegando a hora do serviço, pontualmente Antonella estava no Cão Véio. Fogaça vem ao seu encontro com um pequeno pacote nas mãos.

- A sua dólmã ainda não tá pronta, então enquanto isso você fica usando esse avental, tá bom? Pelo menos já protege a sua roupa e te identifica como funcionária.

- Ok. - Ela coloca o avental, a touca e vai pra cozinha acompanhada de Henrique, que chama toda a equipe para apresentá-la.

- Bom, a maioria de vocês já conhece, mas vou apresentar hoje oficialmente: essa é Antonella, uma grande amiga, e vai trabalhar com a gente a partir de hoje aqui na cozinha.

- Hola! - Ela fala, com um largo sorriso, muito tímida, porém com a mesma quantidade de empolgação.

- Como vocês podem perceber, ela não é daqui e ainda tá aprendendo português, então quando forem falar com ela tentem ser o mais claro possível e tenham paciência também pra entender o que ela vai falar. Agora vamos cumprimentar nossa nova colega de trabalho!

Então, um a um, os funcionários a cumprimentaram, seja com apertos de mãos ou sorrisos. Henrique gostava de fazer isso com todos os funcionários novos, para que eles não se sentissem tão deslocados ao chegarem em seu restaurante. Com Antonella ele estava tendo o cuidado a mais de falar sobre o idioma, pois não aceitaria nenhuma gracinha em relação a isso.

Terminados os cumprimentos, todos foram às suas praças e o serviço ocorreu da melhor maneira possível.

À noite, ao finalizarem o expediente, Fogaça recebe um telefonema de seu pai e imediatamente procura Antonella para dar a notícia.

- Ei, tenho uma coisa pra te falar. - Ele diz, assim que eles chegam ao escritório.

- Que passa?

- Meu pai acabou de me ligar: tá tudo certo com o outro funcionário dele, amanhã vocês já podem começar a alternar os turnos!

- En serio? Que maravilla, Henrique! – Ela responde, realmente empolgada com a nova possibilidade de trabalho.

- É sim! Mais tarde vou te dar umas dicas pra você não chegar lá perdida.

- Ok!

- Você vai começar a levar as suas coisas pra casa hoje mesmo?

- Sí, porque no tengo muchas cosas, así terminará rapidamente.

- Então vamos... a gente passa na minha casa pra eu pegar o carro pra ficar melhor pra carregar tudo e vai pra lá.

- Ay, Henrique... no es malo para ti?

- Como assim?

- Me temo que estoy siendo abusada y te pido demasiado.

 - Ué, mas você nem me pediu nada... fui eu que ofereci ajuda. Não vai me atrapalhar em nada, pode ficar tranquila. – Ela ouve aquilo, um pouco relutante, mas diante do sorriso sincero de Henrique ela sente que realmente está tudo bem.

- Entonces está bien... pero si es demasiado dime, ok?

- Ok, se for demais eu digo. Mas agora pode sossegar que tá tudo certo, tá bom? Vou pegar o seu capacete.

 

[...]

 

Chegando ao hotel, eles recolhem as coisas, que Antonella já havia deixado praticamente arrumadas, e vão levando tudo para o carro. Tinha algumas malas com roupas e algumas poucas caixas com pertences pessoais. Henrique entendeu que a mudança dela talvez tenha sido fruto de uma tentativa de recomeço rápida, pois quando são planejadas normalmente as pessoas levam muito mais coisas do que ela estava portando ali. Porém, mesmo imaginando tudo aquilo, discreto que era, resolveu não perguntar nada sobre.

Ao chegarem à casa que visitaram mais cedo, eles começam a descarregar as coisas. Cada um pegava algum item e levava para dentro... até que Henrique pega uma caixa que não está muito bem fechada e, com o movimento, já dentro da casa, ela acaba se abrindo e as coisas que estão dentro se espalham pelo chão. Fogaça rapidamente começa a colocar tudo para dentro novamente, porém é inevitável ver alguns dos itens: um estojo com vários pinceis, de tamanhos variados; vários frascos de tintas, das mais diversas cores; e algumas telas, que deveriam estar enroladas dentro da caixa, porém se abriram, revelando seu conteúdo; a maioria com pinturas que já estavam finalizadas, algumas poucas em branco e uma que ele percebeu estar sendo pintada atualmente: de uma mulher muito bonita, com olhos praticamente fechados, nariz afinado e cabelos claros presos em um coque baixo, que ele poderia jurar ser parecida com Antonella, segurando delicadamente uma rosa, que estava entre outras rosas de um pé. Olhar para aquele quadro trazia uma sensação de paz e nostalgia, ainda que ele não estivesse finalizado. E ali ele entendeu que Antonella era uma mulher, além de sensível, muito talentosa.

Tudo isso durou uma fração de segundos, e ao ouvir os passos dela se aproximando, ele rapidamente voltou a guardar tudo na caixa. Após finalizarem, Henrique a ajuda ainda a arrumar alguns itens pela casa... até que eles chegam na caixa com as tintas e telas e ele resolve perguntar.

- Você também é pintora?

- No... es solo un hobby. Pinto cuando necesito ocupar mi mente. – Então, um a um, ela começa a mostrar para ele suas telas já finalizadas.

- São todos lindos... parabéns.

- Gracias... Estoy pintando uno ahora en honor a mi madre, pero aún no está terminado... – Henrique a olha e percebe seus olhos marejados. Mas, como quem quer dispersar o pensamento, ela balança a cabeça e continua a falar. – Después de que esté terminado, te lo mostraré. – Diante do que ela falou, de querer mostrar para ele só depois de finalizado, ele não quis dizer que já havia visto o quadro. Então apenas concordou.

- Tudo bem, vou estar ansioso esperando.

Ele a olha, sorrindo, e ela também o olha fixamente. A tensão no ar começa a crescer, e a vontade de beijá-la também. Como se estivessem em um transe, eles começam a se aproximar um do outro até ficarem bem próximos... tanto que suas respirações já se misturavam. Até que, inesperadamente, o alarme do carro de Henrique dispara e eles despertam num sobressalto, correndo até o lado de fora para verificar o que houve. Aparentemente, um gato havia pulado perto de um dos sensores, que foi o responsável pelo disparo. O susto veio de ambas as partes, pois o gato correu e se escondeu atrás de um vaso de plantas de uma casa vizinha.

- Mas que danadinho... foi só o susto mesmo.

- Sí... – Ela responde, achando graça da situação.

- Bom, agora eu tenho que ir... Amanhã eu te ligo pra dar as dicas que te falei e passar o endereço completo.

- Gracias, Henrique... por todo!

- Nem precisa me agradecer. Boa noite! – Ele fala se aproximando e deixando um beijo em sua testa.

- Buenas! Hasta mañana.

E Henrique sai dirigindo e pensando no que (quase) aconteceu... é... parece que a argentina misteriosa estava ganhando o seu coração.


Notas Finais


O quadro na vida real se chama "My sweet rose", de John William Waterhouse, e eu achei a mulher muito parecida com Paola! Aqui tem o link dele terminado: https://i.pinimg.com/564x/90/bd/94/90bd9404ce99eae8ec869bd5cccdf9a5.jpg
E vcs, acharam parecida com ela tb? E gostaram do capítulo?


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