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História O Segredo do Coração - Capítulo 27


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Capítulo 27 - Familiar


No dia seguinte, Rodrigo e Geovana acordaram:


-Rodrigo, eu estou morrendo de fome! Por que não fomos jantar como Ravana ontem?


-Não sei. Estávamos tão cansados que nem nós lembramos de comer. Falando nisso, se Ravana comer um cachorro quente ela vai pro estomago de quem? Ou a gente divide o mesmo estômago? Perguntou Rodrigo.


-Que nojo Rodrigo! Provavelmente ela tem 2 estômagos...mas espere, por que estamos falando sobre isso?! Vou ligar Pra Minerva vir buscar a gente e avisar ao Senhor Carlos que vamos nos atrasar, ou então, nem chegar ao trabalho. Falou Geovana discando um número.


-Alô? Perguntou Minerva.


-Minerva, aqui é a Geo. Acho que você percebeu que o Rodrigo não voltou pra casa ontem.


-Sim,mas ele sabe se virar. Você devia ligar para sua mãe, ela que é super protetora.


-Bem, o fato é que precisamos de ajuda. Pode pedir pro Sr.Carlos vir buscar a gente? Aproveita e explica pra ele sobre tudo.


-Tudo?Tudo o que? 


-Uns homens nós levaram direto para PE. Achamos que eles queriam dinheiro, mas nossos  bolsos continuam os mesmos desde quando saímos de casa. E quando acordamos, o Rodrigo estava com um curativo.


-Certo, estou começando a ligar os pontos.Me mandem a localização mais precisa e vamos agora mesmo!


-Obrigada Minerva.


-Aliás...não...a madrinha de Rodrigo mora aí em Recife, seria bom vocês ficarem lá.Sei o endereço de cabeça. Rua da Soledade N 27 C.


-Ótimo, vamos pra lá agora mesmo. Bom dia Minerva, até daqui umas 3 ou 4 horas. Disse Geovana desligando o celular.


-Espera, pra lá onde? Perguntou Rodrigo.


-Casa da sua madrinha. Ela me deu o endereço certinho.


-Nem sabia que tinha uma madrinha. 


-Parece que sim.


-Então, vamos precisar da Ravana de novo. O recepcionista vai estranhar se ver nós dois separados.


 Geovana concordou com a cabeça, então eles fizeram um aperto de mão especial e logo sumiram, restando apenas Ravana no quarto.


-Espero que essa madrinha tenha muita comida. Estamos, ou melhor, estou faminta. Disse Ravana se levantando da cama e indo em direção a  porta. Ao abrir a porta se depara com o recepcionista:


-O seu amigo não veio. Indagou.


-Ele ficou doente ontem a noite, daí  não pode vir.


-Mas, por que eu escutei voz de homem dentro do seu quarto? Não era a sua, certo? Nem sei se você é um homem ou mulher.


-Primeiro que eu estava falando com meu pai no telefone.Segundo, que eu sou não-binário. Nem homem, nem mulher.


-Certo, certo.O dinheiro pela sua noite aqui? 


-Aqui está. Espero que tenha um bom dia.Disse Ravana ironicamente. Ao sair do hotel, Ravana foi para uma rua que estava vazia, espiou para ver se havia alguém por perto, e se desfez, trazendo Rodrigo e Geovana de volta.


-Aquela desculpa do pai foi boa, Geo!


-Bem, foi quase isso que aconteceu, a única diferença é que estava falando com sua mãe. Disse Geovana a Rodrigo se gabando.


  Eles andaram por alguns minutos até que chegaram a uma casa de tamanho médio. De dois andarem, com uma varanda  que permitia ver o primeiro andar. Não era muito grande, mas tinha um tamanho certo pra umas duas pessoas. Aparentemente estava trancada.


-Oh de casa!Gritou Geovana pro andar de cima.Que tinha o número 27 C.


-Olá bom dia.Saiu um homem de cabelos ruivos do primeiro andar.


-Oi! Eu queria saber se é ali que mora uma mulher sozinha? Perguntou Rodrigo.


-Vocês devem estar atrás da Rose não é? Perguntou o homem simpático.


-Se ela for minha madrinha,então sim...Você é amigo dela? 


-Sim,elas também pagam aluguel para mim. Ela trabalha naquele restaurante ali perto.


-Ok moço! Obrigado! Disse Rodrigo simpático.


 E ele e Geovana desceram um pouco a rua até chegar a um pequeno estabelecimento.


-Rodrigo?-Perguntou Geovana analisando a situação.-Você percebeu que ele falou "elas" logo em seguida falou ela? Ou ele se confundiu nos termos  ou...


-O que?  Você acha que ela seja uma fusão?  Perguntou Rodrigo rindo.


-Talvez...


-Não seja boba, eu fui o único que minha mãe fez experimentos.Mas se ela for uma fusão, eu ia ficar feliz de saber que não  sou o único esquisto que faz isso. Bom, só tem um jeito de descobrir. Disse Rodrigo entrando no restaurante.


-Olá bom dia!Nós servimos apenas almoço.-Disse um rapaz jovem de aparelho no balcão

.
-Estamos procurando a Rose, ela está aí? É importante.Explicou Geovana.


-Claro,só um minuto que eu vou chamar ela.


Ele,saiu e logo voltou com uma mulher gorda e grande, vestindo roupas de cozinheira.


-Bom dia!O que vocês querem? Disse a mulher com um tom meio grosso.


-Eu sou filho da Minerva! Você é minha madrinha certo? 


-Não acredito...Rodrigo!É você! Disse a mulher se alegrando.-Eu peguei você no colo quando era apenas um bebê pequeno. Como anda a louca da sua mãe? 


-Menos louca eu acho. Vocês não se falam? 


-Apenas em épocas festivas, aquela bruxa parece que não gosta de falar comigo.


-(Dá pra entender o por quê, quando eu ficar velha espero não ser tão sem noção assim). Pensou Geovana.


-Madrinha,nós não jantamos ontem,nem tomamos café da manhã hoje...podemos  comer algo em sua casa?  Perguntou Rodrigo com o estomago roncando.


-Claro,claro.Vocês jovens tem que comer muito! Estão em fase de crescimento. Aliás, gostei da sua namorada.


-Senhora,somos só...-Tentou dizer Geovana, sendo interrompida:


-OH RITAAAAA!Gritou Rose.


-Oi amor o que houve? Perguntou uma mulher mais magra que Rose,mas ainda gordinha.De pele morena.


-Dê a chave de nossa casa para meu afilhado e sua namorada.


-Aqui está!Disse Rita,colocando nas mãos de Rodrigo um chaveiro.


-Obrigado Madrinha!Até mais tarde...


-Espere aí! Não esqueça de dar "abença"! Daqui a pouco fechamos a loja para conversar com vocês.Interrompeu Rose  novamente.


-O que é "abença"? Perguntou Rodrigo.


-Meu Deus!Minerva não sabe criar um filho não?! Falamos "abença" pra um parente mais velho,pra ele pedir a Deus pra nós abençoar, tanto nas despedidas ou nas chegadas.Em toda a Paraíba se usa "abença"!


-Oh,claro, abença madrinha?

 
-Que Deus te abençoe! Agora vão logo,se não vocês vão ter que ficar para  o almoço! Apressou Rose.


-Meu Deus,um minuto com essa mulher parece horas! Disse Geovana  ao saírem do restaurante.


-Ei!Ainda é minha madrinha

.
-Sinceramente,meus pais nunca me pressionaram a dar "abença".Exclamou.


-Talvez eles e a minha mãe não sejam tão religiosos quanto a Rose.Explicou Rodrigo, chegando na casa e abrindo as portas. A casa era cheia de decorações caras, porém tinha muita louça pra lavar e outras bagunças. A cama  de casal, usada por Rita e Rose estava arrumada pelo menos.


-Que ambiente estranho!Bom, combina com sua madrinha pelo menos. Não sei como a Rita aguenta uma esposa dessa. Argumentou  Geovana.


-O que há de errado com você? Desde que conheceu ela não para de criticar!


-Olha, dá pra perceber quem é ou não um bom parente e ela com certeza, não é. Quem que gosta de parente que vive reclamando? 


-É...mas,olha pelo lado bom!Ela sabe fazer uns bolos como ninguém! Disse Rodrigo pegando um pedaço de bolo.


 Demorou mais ou menos uma hora para que Rita e Rose chegassem em casa. Já era quase 14:00 da tarde.


-Boa tarde!Então meu filho, vai me explicar que "mulesta" de história é essa? Disse Rose,chegando em casa.


 Então,Rodrigo contou detalhe por detalhe(mudando um pouco as partes que envolviam Ravana), como ele e Geovana haviam parado ali em Recife

.
-Não acredito!Como Minerva pode ser tão desatenta com o filho dela?? Só imagino o pior quando penso que você ficou com ela esses anos todos.


-Prima, prima...não é educado falar dos outros quando eles estão escutando. Disse Minerva, chegando e abrindo a porta. Do lado de fora estavam Carlos e Kevin dentro do carro.-E sim ,posso não ter sido uma boa mãe no começo, mas agora sei  que Rodrigo sabe muito bem se cuidar sozinho e mesmo assim, faço de tudo por ele.


-Minerva,  você continua a mesma velha rancorosa de sempre.Onde está Noah?Esse sim era meu  preferido.


-Preferido de todos,até fugir com um bandido há 26 anos. Falou Minerva séria.


-Mas será que ninguém dessa família sabe se comportar?


-Chega!Para de cuidar das nossas vidas e vá cuidar da sua, prima.Rodrigo só teve contato com você porque ele estava aqui, eu não deixaria você falar com ele nunca!


-Se eu tivesse a guarda do Rodrigo, seria uma mãe muito melhor! Deixaria ele ver os avós, os primos... Disse Rose.


-Avós? Primos?! Mãe, o que ela está falando?Você me disse que eles estavam mortos! Disse Rodrigo assustado e irritado ao mesmo tempo.


-Meus tios estão mortos sim, mas os pais de seu pai continuam vivos! Disse Rose,se sentindo satisfeita.


-Rose...Você prometeu pra mim que não iriamos falar deles para o Rodrigo...Cochichou Minerva.


-Ele precisa saber, Minerva. Rodrigo, meu anjo. Volte a Paraíba ,mais precisamente em Lagoa Seca, no asilo "Lar da Sagrada Face". Contou Rose, com uma voz suave que ela não tinha.


Ficou um silencio por um tempo.Rita e Geovana olhavam para o chão como se fosse a coisa mais interessante a fazer. Minerva e Rose se encaravam com ódio nos olhos e Rodrigo encarava Minerva como se ela fosse um dos piores monstros da Terra.


-Geovana. Vamos pro carro. Próxima semana iremos ao Lar da Sagrada Face. Esperamos  por você no carro mãe.Disse Rodrigo com uma voz seca.-Madrinha, Abença.


-Que Deus te abençoe meu querido! Disse Rose. E Rodrigo e Geovana saíram da casa e foram direto pra o carro.


-Preferia que o capeta abençoasse ele, do que por você. Disse Minerva ,observando Rose.-Mas, vou te dar  uma dica: Sempre tem tempo de mudar.


-O que quer dizer? 


-Quero dizer que de louca, eu passei pra misteriosa, pra depois virar uma mãe carinhosa. Demorou, mas aprendi. Se você quer que os outros te respeitem, Rose. Deveria respeitar mais os outros e ser mais educada. Aprenda com sua esposa, ela sabe o momento de falar e o momento de calar a boca pra não falar bosta.
  Tudo bem, você fez certo em dizer a ele. Afinal, uma hora ou outra ele ia  saber, mas, por favor...quando nós nos encontrarmos de novo. Quero ver você como uma pessoa melhor.


Rose respirou fundo.  Minerva a deu um abraço e uns beijos  na bochecha de Rita e logo foi embora.


 Essa foi a pior  reunião familiar dos tempos.


-Carlos!-Disse Minerva ao entrar no carro.Abaixe o volume do rádio,tenho que conversar muito com o Rodrigo no caminho de casa.


E assim saíram, deixando o clima quente de Recife para trás.



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