História O segredo do Kazekage - Capítulo 8


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Kakashi Hatake, Kankuro, Matsuri, Mei, Naruto Uzumaki, Personagens Originais, Shinki, Shizune, TenTen Mitsashi
Tags Gaara, Mistério, Naruto, Romance, Shinki
Visualizações 139
Palavras 5.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


"Você consegue imaginar um momento em que a verdade correu livre
O nascimento de todos nós
A morte de um sonho
Mais perto do limite

Esta história sem fim
Paga com orgulho e fé
Nós todos ficamos com pouca glória
Perdidos no nosso destino

Não, eu não estou dizendo que sinto muito
Um dia, talvez nós nos encontraremos novamente (...)

Eu nunca vou esquecer
Eu nunca vou me arrepender
Eu vou viver a minha vida..." (Closer to The Edge - 30 Seconds to Mars)

Capítulo 8 - O trato


Gaara

"Gaara você enlouqueceu? Já não tem problemas demais, para no que devia ser uma simples viagem de trabalho, estar no meio do chão de um quarto de hospital, beijando outra mulher? Do lado do seu filho!?". Se minha mente pudesse se materializar, ela com certeza me daria um belo tapa na cara. 

Está certo, eu não devia ter correspondido, e não, eu não vou colocar a culpa na fraqueza que sentia no momento, tampouco estou me referindo apenas a que se devia a falta de chakra e aquela horrível sensação de agonia por estar naquele lugar fechado. 

A verdade era que meu psicológico estava muito mais fraco que meu corpo e isso já vinha sendo assim, desde bem antes de minha chegada à Konoha. Não foi a toa, que eu acabei me afastando de todo mundo, por tanto tempo.   

No entanto, talvez, dizer que eu “correspondi”, também não seja um "termo muito correto"... Não me faltou só força para afastá-la, me faltou coragem, principalmente.  

Tinha um "que" de confusão e desespero, muito nítidos permeando seu ato, que me impediram de frustrá-lo, ao mesmo tempo em que seu beijo era lento, calmo, doce... E triste.

Como eu sabia que era triste? Simples, eu podia sentir suas lágrimas molhando meu rosto. Não muitas, era sutil, porém impossível de "não notar". 

Da para compreender com isso, o “por que” eu não fui capaz, “por que” não pude afastá-la? 

Eu conseguia imaginar perfeitamente o que passava em sua cabeça, o motivo suas lágrimas. Eu não estava só a beijando naquele instante, minha percepção do contexto me fazia estar praticamente dividindo com ela seus sentimentos. Toda a dor e confusão... 

Com certeza ela não esqueceu o Neji, não depois da forma como eu vi que a simples menção do nome dele ainda a abalava, horas atrás, quando Shinki o citou no jantar. Então, eu não tinha a menor pretensão de que ela estivesse fazendo aquilo somente “por mim”.  

No fundo, era realmente fácil imaginar o “porque” ela estava fazendo aquilo.

Porque em todos esses anos após a partida dele, permanecer sozinha deve ter sido difícil, apesar dela não aparentar ser o tipo de pessoa que demonstra “esse tipo de coisa”, sobretudo, vendo todos ao seu redor começarem a “formar pares” e constituir família. E claro que essas pessoas, seus amigos, vendo-a “ficar para trás” em algo que consideram tão bom, a devem ter enchido ao longo desse tempo de conselhos clichês sobre “seguir em frente”.

Também acreditava que o fato de justamente “ela” ter sido designada para “me escoltar”, apesar da aldeia realmente estar “meio vazia”, com a maioria dos “membros célebres” dos clãs importantes em falta, tinha muito “dessa ideia”. Opinião que eu fortalecia toda vez que me lembrava do olhar de Shizune e dos outros Kages para nós, logo depois que eu achei o Shinki.

Não me foi complexo ter empatia por ela, essa “pressão”, devia ser realmente horrível de se conviver...

Considero a Tenten, alguém muito forte, mas por experiência própria, mais uma vez, não importa quão forte você seja, ninguém é totalmente imune a sofrimento e confusão. E há um limite para o que qualquer ser humano pode suportar conflitando em sua mente e em seus sentimentos... Acho que aquilo significava que ela simplesmente havia esbarrado no dela.

E era tão notório, que ela já vinha suportando muito peso, por tanto tempo...

Sem dúvida, somos mais influenciáveis e temos mais dificuldades de ver as coisas com clareza quando estamos tão perdidos e fragilizados, quanto era possível e até fácil compreender que ela estava. É nesse momento em que nos questionamos até o que geralmente pareceria óbvio e esses “conselhos da maioria”, depois de muito repetidos, começam a nos influenciar e passamos a precisar saber desesperadamente se eles estão certos, ou a dúvida se torna um “peso a mais”, quando já não temos estrutura para aguentar mais nada.

Com a base nisso, em minha opinião, aquele era um ato que ela estava tomando em maior parte "por ela mesma".

Friso “maior parte”, porque sabia que jamais poderia ter certeza absoluta sobre suas ideias sem que a própria me contasse, podia ter algo a mais ou a menos do que meus palpites alcançavam, porém de fato me parecia bem nítido e real as intenções dela com aquilo, mesmo que talvez nem ela soubesse “se explicar” naquele momento.

Acredito que ela só precisava saber se era mesmo capaz de “algo assim”, só precisava descobrir como se sentiria, se mudaria alguma coisa ou não...

Por que sempre parecia mais fácil entender a vida e os dilemas dos outros do que os meus próprios?

O caso era que justamente por acreditar que a entendia, não achei correto pará-la. Todos esses anos, tantas pessoas em Konoha e ela parecia nunca ter tentado nada do tipo antes, para naquele momento confiar em mim. Justamente em mim... 

Eu podia não saber os motivos de ter sido escolhido, mas definitivamente não seria a pessoa que desonraria seu voto de confiança. 

Aquilo certamente deveria ter durado um pouco mais, se o barulho de uma sequência de objetos metálicos caindo, não tivesse nos sobressaltado, fazendo com que nos separássemos, para olhar na direção do som. 

Uma bandeja de acessórios médicos havia caído de uma cômoda. Até aí nada demais, se não fosse o fato de que era fisicamente impossível que ela tivesse "caído sozinha", sem nenhuma intervenção. Na verdade pelo local onde foi parar e a forma como os objetos dentro dela se espalharam, parecia mais que algo ou alguém, tinha "varrido" a cômoda com o braço, derrubando tudo o que tinha em cima. 

Como se só isso já não fosse estranho o suficiente, logo após a queda da bandeja, teve início uma sucessão de acontecimentos que antes daquilo, eu pensava só serem possíveis em histórias de terror. 

Shinki acordou devido ao barulho, deu uma analisada rápida, ainda com a expressão sonolenta, a sua volta, mas não fixou seus olhos em nós e sim na direção onde antes estava a tal bandeja. Ficou uns segundos em silêncio encarando fixamente aquele ponto, olhando para cima, como se encarasse alguém razoavelmente alto. Balançou a cabeça como se assentisse ter entendido alguma coisa, a porta se abriu sozinha, calmamente, porém antes de se fechar Shinki comentou: 

_ Por favor, não vá muito longe, tá? Vai ficar tudo bem, eu juro... 

Só uns dois segundos depois dele ter dito, a porta se fechou, tão calmamente quanto havia se aberto, como no tempo exato de uma reverência rápida, por exemplo. 

"Que diabos foi isso? Ele estava conversando com um fantasma? Isso é sério?", as perguntas estavam praticamente estampadas na meu rosto, enquanto eu tentava quase com desespero encontrar uma explicação racional pra aquilo.

Tinha que ter uma explicação melhor, do que as aparências inspiravam...   

Vê-lo acordado me fez colocar de lado a fraqueza e todo o mais. Pus-me de pé da melhor maneira que consegui, Tenten fez o mesmo, a expressão ainda mais lívida que a minha. Aproximei-me da cama e antes mesmo que eu pudesse dizer uma mísera palavra, ele disparou em tom de repreensão.

_ Pai, por que está sempre se metendo em confusão? 

Há de se admitir, que ouvir uma pergunta dessas do próprio filho, não é a coisa mais agradável do mundo, para dizer o mínimo... Mas ele estava coberto de razão, só me restava abaixar a cabeça para a madura miniatura de gente que ajudei a colocar no mundo.

_ Se quer mesmo saber, eu não faço ideia Shinki... Acho que os problemas devem gostar de mim. – Respondi sinceramente, o que poderia muito bem, ter sido retórico. 

_ Meu amigo está muito bravo e chateado com vocês... – Ele expressou estendo seu olhar de reprovação a nós dois, e vi Tenten engolir em seco mediante a informação, ficando quase pálida, piscou os olhos uma dezena inteira de vezes.

"Coitada, se ela já estava confusa antes", não pude evitar de pensar.

No entanto eu me sentia sem força alguma, para brigar com ele sobre essa história do Neji no momento. 

_ Você parece bem... E já que parece ter tudo sob controle, pode esperar uns minutos... – Lhe sentenciei sério, mas sem toda minha firmeza habitual, antes de me virar pra Tenten. – Você pode olhá-lo pra mim um pouco? Juro que vou tentar não demorar. 

_ O que vai fazer? – Ela rebateu direto, sem rodeios ou formalidades, porém seu olhar dizia claramente um "desculpa por perguntar". Acho que a "Tenten altiva" que eu vi uns instantes atrás, estava adormecendo no meio do barulho de toda aquela informação ecoando em sua mente. 

Não a culpo... Eu queria poder ter tempo e uma situação melhor para falar direito com ela, sem precisar "passar por cima" do que acabou de acontecer. No entanto o máximo que consegui fazer, foi olhar pra ela de forma cúmplice e compreensiva, brevemente. 

_ O que já devia ter feito há um bom tempo. Vou pedir ajuda as enfermeiras com a questão do chakra. Elas devem conseguir dar um jeito de eu poder me refazer mais rápido, do que provavelmente vou conseguir fazer sozinho, nesse quarto fechado. – Expliquei. 

_ Entendo... – Ela devolveu olhando para o Shinki de maneira meio insegura. Parecia não se sentir muito a vontade ou preparada para ficar sozinha com ele. Mesmo assim, balançou a cabeça afirmativamente. Também compreendo, conheço meu filho e sei que ele não faz questão nenhuma de parecer simpático ou amigável. No fundo ele era só uma criança, por mais maduro que fosse e era até muito doce... O problema estava em achar esse fundo... – Pode ir tranquilo. – Tenten concluiu. 

Acenei com cabeça a ela com gratidão e me curvei para o meu filho lhe dando um beijo na testa. Novamente, antes que eu pudesse me pronunciar, pedir que não desse trabalho a Tenten, ele foi mais rápido. 

_ Vai sair, né... Acho melhor levar a areia com você... – O conselho saiu risonho, quase uma provocação. Ele definitivamente, vinha passando tempo demais com meu irmão... 

_ E do que exatamente eu deveria ter medo? Do seu amigo imaginário? – Rebati no mesmo tom, sem resistir em entrar no jogo dele. – Está mesmo me subestimando? 

Ele deu uma risada muito gostosa e eu percebi de soslaio que Tenten nos encarava desentendida. Provavelmente imaginava que ele deveria estar "bravo", não brincando comigo. E conhecendo-o bem, eu sabia que ele realmente estava.

Eu tinha consciência de quando e onde eu o desagradava, porém assim como minha esposa, ele não tinha o costume de "me enfrentar" com frequência, apesar ambos gostarem de deixar bem claro suas opiniões. 

_ Ele não é imaginário, já disse e você já sabe. Nem brigou comigo até agora por causa disso... – “Por que ele tinha que ser tão esperto?", de fato aquilo foi tão estranho, que eu estava começando a me ver sendo forçado a lhe dar, pelo menos, o benefício da dúvida. 

Afastei-me enfim para sair e quando já estava abrindo a porta, ele me chamou novamente. 

_ Pai... Eu não vou contar nada pra mamãe, tá? 

Levar um soco na cara doeria menos... 

Suspirei pesadamente e rebati sendo muito sincero e ignorando o fato de Tenten estar ali, justamente com o propósito de anotar mentalmente cada informação pessoal relevante que deixássemos escapar. De vez em quando fica tão insuportável guardar tantos segredos, que eles acabam escapando em pequenas partes. 

_ Não vou te pedir para mentir ou guardar mais segredos do que já faz Shinki. Pode contar o que quiser pra sua mãe, além do mais "sobre isso", sabe que eu não me importo. 

Eu respondi sem coragem de olhá-lo de diretamente, observando-o apenas de soslaio, reprisar minha forma anterior de suspirar, se distrair brincando de correr os dedos pela pelúcia, que ainda segurava como se sua vida dependesse disso, enquanto que com o semblante franzido em certa tristeza, me devolveu uma nova frase, cuja qual achei novamente, que qualquer tipo de golpe teria sido menos doloroso. 

_ Devia... Ela se importa... Ela te ama. Eu amo a mamãe e não gosto quando ela fica triste... 

Definitivamente aquela não era uma pauta que eu gostaria, e principalmente, nem poderia me estender, com nenhum dos dois presentes naquele quarto. E essa é a parte da minha vida que mais vinha sendo dolorosa de lidar. Eu queria muito poder sentar ao lado dele e dizer que as coisas não eram exatamente como pareciam, explicar que o “mundo dos adultos” não era simples como a forma com que ele enxergava tudo... Definitivamente, essa era a coisa que eu mais queria fazer dentre tudo no mundo. Mas não podia... Ainda não...

Guardar e conviver com aquilo me dilacerava, no entanto fraquejar não era uma opção a qual eu poderia me dar ao luxo. Então engoli minha dor, minha culpa e minha tristeza com amargor. Sei que a maioria dos pais jamais faria aquilo, contudo eu nunca quis mesmo ser convencional.

Abaixei a cabeça, encarando meus próprios pés. Shinki tinha consciência do quanto aquele gesto era importante, pelo tempo que passava ao meu lado enquanto eu trabalhava no escritório, podendo ver o que significava quando alguém se reportava assim. E principalmente, porque jamais havia me visto curvar a cabeça pra ninguém.

Eu acredito que não são títulos ou hierarquia que fazem de alguém importante. Isso é variável. E ser meu filho, fazia dele a pessoa mais importante do mundo pra mim. Se existia alguém que merecia minha reverência, esse alguém com certeza era ele.

_ Eu realmente sinto muito, por não conseguir evitar, decepcionar vocês sobre isso. Mas não existe ninguém que consiga ser perfeito em tudo... – Disse, porém esperei que ele respondesse para reerguer o rosto.

_ Tudo bem pai, o senhor tenta. É por isso que a gente continua te amando.

Ouvir isso também foi como levar uma espécie de tapa, mas daqueles que a gente fica até orgulhoso de receber. Levantei os olhos para ele sem conseguir evitar de sorrir meio de lado, muito sem graça. Perguntava-me se ele sabia do quão assertivo era em me manter de pé, sobre tudo, mesmo quando a angústia era tão grande, que eu até desejava desabar.     

Não consegui dizer mais nada. O que queria mesmo fazer, era correr até ele, dizer que ele era muito mais do que eu merecia e apertá-lo em meus braços até o mundo acabar. Mas até lá, eu ainda tinha muito o que fazer. Então apenas deixei uma reverência simples e rápida para cada um e os deixei pra trás.

Confesso que quando cheguei ao corredor, parei uns cinco segundos antes de começar a andar e olhei para todos os lados. Não fazia ideia do que estava esperando e no fundo, me senti completamente insano, procurando um fantasma. Só por “desencargo de consciência”, me permiti pensar alto: “Eu juro que não tenho a menor intenção de competir com você, que a propósito, devia estar descansando em paz...”. 

É... Se minha intenção era parecer inocente, não deu certo... “Por Kami, o que eu estou fazendo?”.

As luzes do corredor piscaram umas três vezes assim que eu acabei de pensar e uma chegou a estourar. Engoli em seco e me arrisquei a continuar andando. Pus as mãos nos bolsos e por fora, eu talvez parecesse normal... Indiferente... Interiormente, entretanto, admito que estava me questionando, como seria brigar com um fantasma que em vida, era um gênio do clã Hyuuga...

Shinki tinha razão. Se aquilo era real, então eu devia de fato, estar com a minha areia. Do contrário, nem minha mãe me salvaria dessa vez.

Apesar de a tensão ter feito aqueles poucos metros parecerem quilômetros, cheguei ao posto das enfermeiras intacto, com exceção do motivo inicial que me fez procurá-las e a sensação de estar ficando ridiculamente louco.

“Ótimo, só o que me faltava agora era ficar paranoico sobre a vida após a morte. Isso não pode ser real, não pode ser real...”.    

Tenten

Gaara fechou a porta atrás de si e eu só percebi que estava sem respirar, quando Shinki chamou minha atenção.

_ A senhora está ficando roxa...

Soltei o ar que nem devia estar segurando com força e comecei a tentar não parecer tão “desamparada” quanto eu realmente estava.

“Por Kami, o que você fez sua louca?”, minha razão me açoitava a mente e do fundo do meu coração, eu só queria me encolher num canto e chorar. Ter que ficar sozinha com Shinki naquele momento me parecia uma tortura e era a última coisa que eu queria estar fazendo. Sentia que não conseguia me mexer, me afogava em culpa só de pensar em olhar diretamente pra ele.  

Gaara parecia ter lidado bem com tudo, estava mais abalado pela própria falta de chakra, pela fobia e por algum tipo de problema pessoal, o tal mistério cuja minha missão era descobrir, do que pelo que acabara de acontecer entre nós. Nunca em toda minha vida, odiei tanto seu ar “desafeiçoado” e sua postura formal, não conseguia fazer a menor ideia do que ele pensava a respeito. O que fazia com que eu também me questionasse, como ia conseguir olhar pra ele quando tudo isso se acalmasse e tivéssemos que voltar pra casa e completar aquela maldita missão.

Anotava mentalmente com grandes ressalvas, para nunca mais seguir um conselho da Mizukage. Aquilo não ajudou em nada, eu me sentia traindo o Neji e usando o Gaara. Mas como eu poderia trair alguém que estava morto e com quem nunca tive oficialmente nada enquanto vivia, além dos meus próprios desejos reprimidos?

A fala do Shinki sobre a mãe e aquele pequeno “show sobrenatural” no final, só me deixou mais confusa e despedaçada.

Aquilo era real? Era mesmo o Neji? Se fosse, o que quis dizer? Ele ficou chateado em me ver com o Gaara? Por que? Nunca me deu ou demonstrou brecha para “esse tipo de atenção” em vida, por que demonstraria em morte? Estávamos todos delirando? Aquilo era algum tipo de genjutsu? Quais as chances daquilo ser mesmo real? Eu queria ou não que fosse?

Estava tudo girando em minha mente. Eu precisava que algo me chamasse e prendesse a realidade desesperadamente, porque já me sentia desorientar, quase uma sensação de desmaio, como se caísse num buraco escuro. Mais uns segundos naquela bagunça mental e meu cérebro e meu peito com certeza iriam explodir.

Acho que se todo mundo tem um limite, eu estava de fato, muito próxima do meu. 

A voz do Shinki e sua pequena mãozinha envolvendo a minha e me puxando para perto, me forçando a sentar na cama ao seu lado, fizeram mais uma vez, a função de “me salvar” e me “trazer de volta” naquela noite, que parecia não querer terminar.

_ Agora a senhora está branca demais... É pra gritar um médico? – Aquela vozinha fina de criança, tão preocupada, acabou conseguindo mais efeito em me arrancar um sorriso sincero, apesar de ainda quebrado por meus dilemas, do que qualquer outra coisa teria.

_ Não está com raiva de mim? – Perguntei confiando que de alguma forma, ele deveria ter visto o que aconteceu entre mim e seu pai, pelo jeito que falou com Gaara antes dele sair, apesar de ter parecido que só despertou depois que a bandeja caiu.

Aquele dia estava longe de fazer sentido...

Parecia-me um pouco absurdo que ele não estivesse, porque uma vez que era só uma criança e demonstrava tanto apego e amor à mãe e ao pai, ficando triste por mencionar uma “rusga” entre eles, era natural que se virasse contra qualquer um que aparentemente, “tentasse de se interpor a família que ele conhecia”.

Se beijar o pai dele não era exatamente isso, eu não sabia mais o que era. 

_ Não. – Ele respondeu muito rápido e seguro, de um jeito “indiferente”, que lembrava tanto o Gaara, que por um segundo eu quase me confundi sobre com quem estava falando. – Mas posso te dar um conselho?

Ele se embolou tanto com a palavra final que eu quase ri abertamente, de tão fofo que era, porém como ele já tinha demonstrado que gostava de ser levado a sério, me contive como pude, apenas assentindo com a cabeça.

_ Não goste do meu pai... Você sabe... Como namorado. Ele é muito complicado e só trás problemas.

Cheguei a arregalar os olhos, tamanha minha surpresa com a fala do menino.

_ Mas... Vocês parecem se dar tão bem, se gostarem tanto. Por que está falando assim dele? – Talvez eu não devesse estar entrando naqueles assuntos com a criança, no entanto, já que estávamos ali... Talvez ele fosse me ser um aliado melhor do que o Gaara na missão de extrair informações, mesmo que fosse muito sujo pensar dessa forma e eu estivesse bem longe de querer pensar nessa tarefa amarga naquele momento.    

O fato era que eu tinha que admitir irrefutavelmente, de uma vez por todas, que também queria saber que porcaria de mistério era aquele, que cercava o homem mais poderoso da Vila da Areia e aquela criança aparentemente excepcional a minha frente, por mim mesma, de forma pessoal, independente da missão, que para falar a verdade eu só queria terminar de qualquer jeito, que pudesse aliviar o lado do Gaara perante a aliança.

Não me interessava que eu ainda não tivesse descoberto o que era, eu tinha plena convicção de ele não podia ser culpado de algo grave ou ruim. Afinal, era uma das melhores pessoas que a minha geração conheceu, um dos melhores pais que eu já vi e um homem muito valioso para o mundo ninja. Meus mentores me ensinaram a ser justa, Konoha inspira essa honra, então eu deveria fazer o que achava certo. E eu achava certo inocentá-lo.

E no fim, me parecia mesmo que contra a aliança ele não havia feito nada. Ele não dera até ali, nenhuma brecha que o indicasse ser um traidor. Parecia sim, perturbado, triste, misterioso, mas com algo pessoal, não político. Se eu já suspeitava disso no começo, agora, depois de ver a forma culpada como ele olhou para o filho e presenciar essa última conversa que tiveram, juntando com todos os outros pedacinhos de informação que fui reunindo até ali. O “problema” dele, definitivamente parecia ser só o casamento.

No fundo eu torcia para que fosse, porque isso me parecia muito mais simples de explicar, do que as suspeitas de conspiração dos outros Kages.

Toda essa história vinha me fazendo divagar muito ultimamente, voltei de mais esse mergulho em meu inconsciente, quando Shinki respondeu.

_ Eu amo meu pai, ele é o melhor do mundo pra mim. Mas o que eu disse é verdade, ué... Eu amo ele assim mesmo, só estou te avisando.

_ Você diz isso, porque ele não é “legal” com a sua mãe? Eles brigam muito? – Me sentia uma psicóloga de primeira viagem, tentando fazer uma criança se abrir.

Ele só acenou que sim com a cabeça. Quase partiu meu coração, ver a forma como o assunto parecia deixa-lo triste, mas agora que eu cheguei até ali, tinha que ir até onde desse.

_ Como você sabe? Eles brigam na sua frente? Sobre o que eles brigam?

_ Eles tentam não brigar na minha frente, mas às vezes eu escapo do meu tio pra escutar ou eles ficam tão bravos, que começam a brigar primeiro e só depois se lembram de me mandar sair.

Eu quase não entendi direito, de tão baixo e embolado que ele falou em sua maneira infantil, carregada de lamento. Encarava os próprios dedos, eu queria coloca-lo no colo, mas não me sentia muito segura sobre a reação dele.

“Tadinho... Gaara, o que está fazendo...?”, eu me perguntava silenciosamente num monólogo interno.  

_ Shinki, sobre o que eles brigam? – Repeti com cautela a pergunta que ele deixou passar.

Não me sentia nada bem pressionando-o e sabia que corria o risco do Gaara descobrir isso e eu poderia perder sua consideração e sua amizade para sempre. Ele estaria completamente em sua razão nesse caso, como pai era óbvio e mais do que correto, que protegesse o filho em primeiro lugar, algo que honestamente eu acreditava que podia ser um belo motivo para ele estar guardando esse tal segredo. No entanto, ainda era melhor que eu investigasse, do que os outros Kages... Calculava pensando na “falta de sutileza” do Raikage, entre outros tantos fatores...   

_ Eu não posso falar disso. – Ele endireitou a postura e falou até mais firme.

_ Por que? Seu pai te pede para não falar? Ele falou antes de sair que já te pediu para mentir e guardar alguns segredos... – “Nossa Tenten, você é tão sutil... Kami sabe mesmo o que faz, tem de fato, um bom motivo para você ser a solteira- sem filhos da turma”, meu eu racional me sacudiu repreensivo. Tentei parecer despretensiosa, mas provavelmente falhei nesse intuito.

_ Ele pede mesmo, a gente faz “uns tratos” às vezes.  Mas isso, ele não sabe que eu sei. Se você contar eu vou dizer que é mentira, e meu pai acredita em mim, sabe...

“Que garotinho inteligente...”, tive que me render ao elogio, apesar dele estar claramente me ameaçando e tentando “jogar” comigo.

Lembrei rapidamente do que Gaara fez no corredor com aquele médico abusado e quase ri pela segunda vez naquela conversa. Essa “classe assustadora” para lidar com as pessoas... “Céus, ele é inegavelmente filho do Gaara”, concluí me sentindo óbvia. 

A questão era, filho do Gaara, “com quem”?

E também acabou ficando claro, que o menino parecia estar tentando proteger a família por conta própria, tanto quanto o contrário. Era-me um empecilho, mas não podia negar que era um ato lindo. Peguei-me honestamente pensando: “Fico sozinha o resto da vida se não for para ter uma família cúmplice assim...”. 

Bom, se ele queria jogar... Talvez desse certo.  

_ Então, seu pai não sabe a parte em que você ficou bisbilhotando escondido, não é? Disse que está acostumado a “fazer uns tratos”... Quer fazer um comigo? – Nem preciso comentar novamente, que eu me sentia a pior pessoa do mundo fazendo aquilo, preciso?

Ele torceu a expressão desconfiado. Por Kami, não importava o que ele fizesse, ficava tão fofinho de qualquer jeito... Mesmo emburrado. Coloquei uma meta a mim mesma naquele instante: “Antes desse menino voltar pra casa, eu tenho que apertá-lo, ou não me chamo Tenten”.

_ O que você quer? – Ele perguntou primeiro, antes de confirmar ou negar. Muito sábio...

_ Quero saber quem é a sua mãe. – Respondi de imediato, quase afobada, tamanha curiosidade. – E você, o que quer em troca?

_ Nada. Não tem trato. Eu não vou entregar minha mãe. – Ele cruzou os braços e virou o rosto de lado, muito bravo, mas ainda dava vontade de esmagar suas bochechas.

_ Entregar? Por que, ela fez algo errado? – Rebati de pronto, não querendo lhe dar tempo para pensar.

Ele arregalou os olhos e depois os espremeu como se percebesse o que tinha feito, que tinha falado demais.

_ Achei que fosse preferir saber sobre o seu “amigo” que morreu... – Ele virou o jogo direitinho, danado. Senti minha estabilidade ir pra o espaço. Percebendo isso ele seguiu, habilidosamente estratégico. Se aquele era mesmo, o futuro sexto Kazekage, a aldeia da Areia estava verdadeiramente muito bem. – Eu te ajudo com isso, mas mostro só uma foto da minha mãe, não vou falar mais nada dela e você me ajuda com o monstro. Certo?

Sério? De tudo o que ele podia pedir, pede logo isso? Não passou pela cabeça dele nem um instante, que se eu já conhecesse a mãe dele, uma foto já me daria bastante informação? Bom, no fim eu estava negociando com uma criança, não é? O que eu esperava? Era coerente que sua maior preocupação fosse aquela.  

_ Te ajudar, como? – Achei melhor me certificar “do que” eu estava me comprometendo, antes de enfim me comprometer em definitivo.

_ Meu pai não acredita em mim sobre o monstro e nem sobre o seu amigo, porque ele não quer ver, mas pode ver você, então acho que vai acreditar no que contar. – Balancei a cabeça indicando que estava ouvindo com atenção e que ele podia concluir. – Então, o monstro só aparece de noite, depois que eu estou dormindo e meu amigo disse que só o meu pai pode dar um jeito. Ele explica pra você e você explica pra o meu pai e faz ele acreditar que é verdade.

Quase dei um nó no cérebro.

_ Espera... Como você sabe do monstro, se está dormindo quando ele aparece? E como eu vou conversar com alguém que só você vê? – Devolvi tentando encontrar uma lógica, ao mesmo tempo em que me sentia maluca por estar tentando entrar no mundo de uma criança tão pequena, como se fosse concreto.

_ É que está tudo bagunçado quando eu acordo e tem sempre uma “sombra estranha” que da muito medo e eu me sinto muito mal... Eu já tentei não dormir para pegar ele, mas ele não aparece de jeito nenhum quando eu estou acordado... – Devia dar medo mesmo, porque ele se arrepiou só de falar e olha que até ali eu achava que quase nada poderia desmontar a postura do garoto. Exceto a figura do pai, talvez.  – E você não viu a porta e a bandeja mexerem? É só dar um jeito do seu amigo mexer alguma coisa pra você entender o que ele fala...

Engoli em seco pela lembrança daquilo. Foi realmente assombroso e era uma bela prova a favor de seu argumento, uma vez que era bem difícil contestar, se até eu estava inclinada a acreditar. Ponto pra ele, mais uma vez. Incrível como crianças conseguem ver facilidade em tudo, é uma pena que tenhamos que perder isso quando crescemos.

Estendi a mão pra ele, selando o trato. Só esperava não me arrepender. Meu novo aliado podia ser pequeno, mas não devia ser subestimado de jeito nenhum. Entendi naquele minuto, porque o Gaara sempre parecia “desmontar” quando via aquele sorriso. Era mesmo encantador e contagiante, impossível não sorrir de volta.

“Ter um filho deve ser mesmo incrível...”, não pude evitar imaginar.

_ Agora que temos um trato, posso pedir um favor? – “Com criança não se pode dar intimidade, não é?”, cheguei a sentir receio, mas não tive como dizer que não.

Então ele esticou o bracinho puncionado, me mostrando que estava um pouco inchado. De tanto que ele se mexeu falando comigo, com certeza tirou aquela agulha do lugar. Mudei de ideia no mesmo instante: “Shikamaru tem razão, ter filhos pode ser bom, mas também é problemático”. Tinha que admitir que entendia a confusão na qual Gaara estava, se seu problema era com a família...

Eu já estava de pé pronta para chamar a enfermeira, quando ele simplesmente puxou agulha e esparadrapo com tudo, mordendo os lábios e franzindo o rosto, calando a dor que deve ter sentido.

_ Não conta pra o meu pai... – “Ah, esse é o favor...”, concluí correndo pelo quarto para encontrar um algodão e pressionar o local da punção para estancar o ferimento que ele causou com seu ato impulsivo.

Acho que o Gaara definitivamente, não é o único que tem facilidade para atrair confusão e problemas...

Bom, a sorte estava lançada, que fosse o que Kami quisesse a partir dali. 


Notas Finais


No que será que vai dar isso?
Eu já estou tendo uma gastrite nervosa de ansiedade pelas reações de vocês! hahaha

Me permitam usar esse espaço para enaltecer o quanto vocês são maravilhosos meus bebezinhos da titia!!! <3 <3 <3

Meu Deus, eu estou verdadeiramente chocada com a resposta positiva de vocês. Todo dia me espanto com os comentários e com as views, eu realmente não esperava que essa fic que começou como um sonho doido que eu tive numa madrugada dessas, fosse acabar sendo bem sucedida. Meu maior e mais grato muito obrigada por todo esse carinho! Se eu pudesse juro que ia na casa de cada um de vocês com uma pizza e enchia de abraços, por favor, saibam do quanto me fazem felizes! <3

Obrigada mesmo, por tudo, boa semana meus amores e beijos de luz! <3 o/
Até a próxima! =)

Ps: Vou aproveitar o espaço aqui também, para divulgar duas fics pra vocês (olha eu já tentando compensar minha ausência até o próximo capítulo kkkkk). Saibam que a recomendação não veio de "trato" ou "troca" e nem é pelo fato de que as autoras são donas do meu coração, mas sim porque realmente amei o trabalho e acho merecido que tenham todo o alcance possível, então vou gritar para o mundo mesmo! \o/ Ficaremos super felizes se quiserem dar uma chance! <3
Boa sorte com as histórias suas lindas e mais uma vez, parabéns pelas obras incríveis! Vamos trocar amor nesse fandom e enaltecer o que tem de melhor sim! <3

Fic 1 (oneshot SasuSaku) - https://spiritfanfics.com/historia/finalmente-dele-8261037

Fic 2 (Longfic ShikaTema) - https://fanfiction.com.br/historia/730603/Protection (não consegui encontrar aqui no Spirit, então foi o único link que eu tinha do Nyah! mesmo... Sorry people, juro que procurei horrores...)


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