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História O segredo entre nós - Capítulo 24


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Notas do Autor


Espero que gostem é até agora o cap mais longo. O capítulo é a segunda parte da visão do César, escrito por mim <3

Capítulo 24 - A verdade de um homem - Parte 2


Fanfic / Fanfiction O segredo entre nós - Capítulo 24 - A verdade de um homem - Parte 2

A verdade de um homem é em primeiro lugar aquilo que ele esconde. Aquilo que poderá nunca ser descoberto. Porque o homem, venera principalmente a mentira. E a verdade, é sempre esquecida ao longo dos tempos, ficando apenas dentro do nosso subconsciente, se tornando uma farsa de certo modo também. A verdade e a mentira, são em realidade similares, apenas com crenças diferentes ou lados diferentes descritos da mesma memória ou acontecimento. Uma parte da história que nunca saberemos se será genuína ou uma lenda falaciosa, pela qual alguém esconde uma parte de si. Uma parte de seus sentimentos escondidos, suas emoções obscuras, suas paixões perante indivíduos que conhece. Ou então, uma parte da sua memória. Do seu consciente. Do seu verdadeiro ser interior. Porque o esconde? Porque, afinal, quem iria acreditar em uma verdade que parece estar dissimulada com a tristeza de uma ilusão? A resposta é ninguém. Porque a mentira é tão abundante no cosmos, que mais ninguém sabe ou reconhece a verdadeira veracidade do homem. Por isso, o homem a esconde. A encobre. 

A pergunta anterior de Joui fica a pairar durante um momento pelo salão organizado da casa de Doutor. Fico a refletir olhando para o vidro embaçado da janela à minha frente, que aduz o exterior da casa azulada, com um ambiente agradável e imaturo, coberto de árvores esverdeadas ao redor de um caminho de solo arenoso. A situação que consigo ver nesse cenário, é uma pequena discussão entre Thiago e Liz, que não durou muito tempo. O desentendimento acabou por terminar com Thiago a sair a passos largos e lépidos,  para uma zona distante e fora do meu alcance. Liz fica paralisada por momentos, vendo o seu amado se desarvorar para longe de si, correndo para longe de si, deixando-a sozinha, apenas com os seus pensamentos tempestuosos que se alastram a mil em sua mente, em seu coração incapaz de sentir após as palavras duras e falaciosas do homem que ama. Vejo seus olhos demonstrarem a tristeza que sente em formato de ínfimas lágrimas, que caem lentamente pelo seu rosto rosado até ao caderno aberto que tinha em mãos, a tinta de palavras escritas anteriormente começa a se dissipar, formando uma grande mancha de tinta negra na folha pautada. Para além de perder suas emoções, perdeu suas anotações sobre o caso.

-Sim, ele gosta, em demasia até - respondo à questão de Joui ainda a ver a cena em choque, porque ele diria isso a ela? Porque em vez de se confessar, falar, demonstrar, gritar o quanto a ama, o quanto tem sofrido por não a ter ao seu lado, ele gesticulou palavras de ódio e puro ciúme. Olho para a situação e depois para Joui - Vamos, parece que a Liz precisa de nós neste momento, vamos dar um apoio - digo na minha preocupação. Nunca fui de me dar com pessoas do calibre de Liz, mas desde o dia em que falamos ambos no bar, naquela manhã gélida após o enterro dos Gaudérios, eu aprendi a me aproximar dela, a ter uma amizade com ela. Ela me ajudou, então eu a irei ajudar em um momento que ela não está com bom astral. 

Ao abrir a porta que dava para o exterior da casa, encontro Liz sentada nas escadas tortas de madeira do edifício. Seus dedos finos passavam pelas palavras manchadas, enquanto seu rosto continha rastros de lágrimas, seus lábios fechados, sem qualquer tipo de sorriso, o que dava uma expressão fria a ela. 

Joui se aproxima, atrás de mim, a passos curtos até à Liz, a abraça e fica em silêncio com ela em seus braços. Até o silêncio ser quebrado pela mesma, que afasta Joui um pouco dela 

-Ei, está tudo bem, apenas vamos até à taberna, o Ajudante não queria ir? - ela solta um dos sorrisos mais falsos que eu alguma vez vi. Dou um suspiro ao a ver caminhar sem nós. Eu olho para o Joui antes de a seguir. 

Chegamos ao local, à Taberna. Era um edifício mais descontraído feito de madeira escura, a entrada estava aberta e olhando para dentro, podia-se ver vários Luzidios comendo e bebendo, em mesas circulares. O ambiente era bom, animado e quente. Ao entrar, Liz avistou Porteiro e se sentou com ele, penso que seja para fazer o seu novo inquérito. Já nós, eu, Joui e Arthur, nos sentamos em uma das mesas livres, perto de onde o Thiago estava com um senhor de roupas extravagantes avermelhadas, que media com uma grande fita alaranjada as medidas de Thiago, que não parecia ligar para o que o homem faz. As marcas eram diferentes, parecia que um sol radiante nascera na frontal de sua cabeça. Era um homem frenético, mesmo tendo uma aparência vetusta, pelos cabelos e barba branca e extremamente magro. Diria que era o homem que tratava das roupas de todos desta cidade. 

-Céus - Eu digo analisando todo o espaço onde estamos

-César - Joui diz e capta toda a minha atenção - Eles vão se entender, não é? 

Eu ia responder mas Thiago nos interrompe se sentando ao nosso lado 

-Que faces são essas meus queridos? - ele fala olhando bem para nós. Joui apenas desvia o olhar e eu assim o faço, olhando para Liz e Porteiro que pareciam estas a se divertir naquela conversa, nunca tinha visto Liz solta desse jeito, acho que está a aprender a se comunicar de melhor forma com os cidadãos. Ou então é apenas uma farsa, uma máscara para ser mais confiável. Deixo escapar até um sorriso com esse pensamento. É bom ver isso, gostaria de um dia também aprender a ser confiável. Thiago também olha por algum tempo para o mesmo local que eu

-Então, como estamos? - ele diz a ver que não o teve nenhuma resposta vinda de nós 

-Estamos de que forma? - Joui exclama confuso 

-Com Santo Berço. Eu e a Liz achamos alguns pontos e eu vou, depois daqui, conversar com alguns indivíduos - ele fala sério e desvia o olhar de Liz 

-Certo, entendi - Joui pensa - Ah, pode apontar que eu não senti nenhum efeito perante a "pedra da cura" 

Eu vejo Thiago a apontar tal informação e eu pego a caneca com a qual ele escreve e finjo analisá-la. Era uma caneta banal, porque haveria de ter interesse nela? 

-Vai nos contar o que aconteceu Thiago? - sou direto no assunto que estou curioso 

-Desculpe, não entendo, o que aconteceu? - ele faz essa pergunta e vejo Joui fazer uma expressão engraçada 

-Porque você falou aquilo para a senhorita Liz? Ela gosta de você. Ela não ficou nada bem com o que foi dito. Você foi muito bruto. Parece que você não se importa com ela. A senhorita Liz é alguém muito especial e não merece ser tratada desse jeito! - ele fala determinado na sua teoria 

-Vocês ficaram nos observar? Não tem mais nada para fazer além disso?! - Thiago fala a suspirar - Nós estamos no meio de uma missão! O que eu poderia fazer? - ele fala mas eu vejo sua expressão mudar 

-Isso vem ao caso agora? - digo a rir pousando a caneta na mesa - Vá lá Thiago! 

-Ir lá fazer o que?! 

-Falar que você gosta dela, não se preocupe, não é tão difícil quanto parece, por exemplo eu e o César demos certo - Joui fala com uma grande convicção e com um sorriso. Eu o olho, como assim "demos certo"? Eu olho para Thiago à espera da sua resposta ou qualquer ação, ele fica tímido. 

-Ele sabia que você gostava dele Joui, estava escrito bem aqui - ele aponta para a testa dele - Eu não posso fazer isso. Não agora. Nós precisamos investigar, não é Arthur? - vejo o Arthur fazer um sinal com a mão, com o seu polegar para cima, com um prato raso à sua frente com uma espécie de manteiga em cima de uma manteiga?! 

-Depois não se admire se ela começar a amar outro alguém - digo e volto meu olhar para Liz novamente, reparo que ela caminha até nós se despedindo do Porteiro com um simples aceno de mão 

-Penso que temos praticamente, quase tudo, o que precisamos! 

-Temos? - Thiago questiona Liz 

-Não sei o que você procura, Thiago, mas eu sei o que eu quero - ela é meio seca e vê o Ferreiro - Lá vamos nós - ela fala a caminhar até ao homem alto. Eu rio com a expressão do Thiago neste momento 

-Eu acho que devia tentar - Joui ri - Ah, e já agora, eu não sabia que era tão perceptível - ele fala com uma certa raiva mas depois sorri 

-Meu Deus parece que nunca se apaixonaram - Thiago fala revirando os olhos 

-Em que conclusão chegamos? - pergunto a observar os dois enquanto Thiago retira o caderno e indica alguns de seus apontamentos 

-Bom, eu estou a tentar ver à quantos anos Santo Berço existe. Talvez uns quinhentos anos? Penso que sim. Eu falei com o Tecelão - ele aponta para o homem de roupas extravagantes que estava anteriormente com ele - E parece que eu tenho algumas referências das inspirações dele para certas roupas. Mas ainda é vago o tempo. Temos alguma nova informação? 

-Não, nada, mas eu e o César podemos ver a cidade. O que acham? - Joui propõe. Eu hesitei no início mas logo concordo. Talvez ajudasse na investigação mesmo. 

-Tudo bem, por mim - respondo, mas o foco voltou para uma pergunta de Arthur, que recebe outro prato com uma comida estranha. Foi servido por um senhor baixo e forte, sua pele tinha um tom de cinza mais nívio, suas marcas desciam os olhos até às suas bochechas e uma outra que rodeava o topo de sua cabeça sem cabelo. Tinha um bigode volumoso e acastanhado, que se movia para cima e para baixo a cada passo que dava. Após servir Arthur, ele vai até à um balcão igualmente baixo e permanece lá. Os meus olhos voltam ao foco original. Arthur. 

-Onde passamos a noite? 

-Talvez no carro? Ou no hotel de Carpazinha? - ele fala sem dar opção à cidade em que estamos 

-O Ajudante nos levou ao Hotel para isso - Arthur fala para Thiago

-Bom ponto Arthur - digo a rir 

-Precisamos mesmo de dormir em Santo Berço? Eu tenho um certo receio quanto às criaturas noturnas - ele diz Cruzando os braços 

-Ninguém é obrigado a permanecer em Santo Berço - o Ferreiro regressa junto com Liz, ele exclama rindo ao ouvir nossa conversa - Mas quem não vai querer ficar? Se as criaturas são o problema, não se preocupe, elas só vêm à noite e se você estiver no Hotel nada irá acontecer! 

-Por tanto lá existe proteção? - Thiago pede uma confirmação 

-Mas é claro que sim! 

-Desculpe Ferreiro, ele faz demasiadas perguntas - Liz diz até meio irritada por ver que restavam estragando seus planos e teorias. Thiago ri 

-O pior, é que ela tem razão - ele sorri olhando para a Liz - Mas eu também faço. Se não se importar, gostaria de saber mais sobre os cristais - ela olha para Thiago e depois volta o olhar para o Ferreiro - Que tipos de cristais têm em Santo Berço? E o que fazem? - ela fica concentrada e eu assim o faço 

-Temos os esverdeados, que são utilizados para curar os ferimentos. Os vermelhos, que emitem calor. E os azuis que emitem frio - o homem responde pausadamente, o que deu tempo para eu decorar tudo direito. Liz agradece e volta a se sentar à escrever no seu caderno de couro. Enquanto isso, o homem de antes, aquele Luzidio de marcas de sol na face, começou a nos tirar medidas tal como fez com o Thiago, foi um trabalho rápido e com pouca conversa, eu mal tomei atenção. Apenas sei que o Thiago veio até mim 

-Posso sisar seu amado, por um tempo, Joui? - ele pede amigavelmente. Olho para a face dele com uma sobrancelha arqueada "amado"? Eu não admiro nada que seja ligado ao amor, mas se for por Joui, tudo bem 

-Sim. Eu vou ver. Ah, talvez a fazenda? - Joui sai com seu rosto avermelhado. Eu solto um suspiro e olho para Thiago 

-Claro Thiago, claro - digo a sorrir de lado já sabendo no que iria dar. Ambos caminhamos até ao exterior - Posso saber porque você me chamou? - pergunto um tanto curioso, mesmo já tendo uma teoria do que seja. 

Vejo que estamos a caminhar perto daquele centro rodeado de estátuas, com uma fina neblina. Fico a olhar para o local pensativo perante tudo, até que ouço Thiago em um tom alterado. 

-Vamos andar pela cidade. Se não eu irei me atirar ao pescoço daquele Enfermeiro da próxima vez que chegar perto de Elizabeth! Ah! Que raiva! Porque ela tinha justamente de gostar dele?! Sinceramente o que ela viu em mim? - Ele se expressa nervosamente enquanto eu o encaro tentando procurar as minhas melhores palavras 

-Sabe que ela gosta de você, não é? Eu não sei o que ela viu em você, mas Deus! Acho que ela está dopada quando fala de você - digo me lembrando de algumas vezes em que o assunto era Thiago. Eu o vejo corar, ao ver isso dou um sorriso de lado 

-Eu não sabia que ela falava de mim. Então, pode me dizer o que ela fala? - ele pára e me ouve interessado no assunto 

-Você nunca a ouviu bêbada, pois não? - Eu rio por um tempo antes de continuar - Ela diz que você é alguém especial, que sempre a fez sentir bem em momentos complicados, que você sempre ficava bonito mesmo com tubos de oxigênio agarrados ao corpo. Que você é engraçado. Ela fala variados elogios. Um segredo, ela fala enquanto dorme quando está muito cansada. Pena que você a está a machucar - concluo meio sádico. Thiago fica quieto, parecia ter um mal estar 

-Eu sei - ele diz olhando o infinito 

-Ela está ruim - digo a me lembrar de seus olhos vazios - Depois de você falar com ela ainda à pouco. Nunca pensei ver alguém tão lógico assim! Enfim, o que viu nela? - pergunto-lhe a ver que com a minha afirmação ele fica pior, mas mesmo assim, continua abatido 

-César - Eu o vejo morder o seu lábio inferior - Eu me sinto um prestável, eu não sabia! Ah, o que vi nela? - Ele pensa - Penso que a companhia dela é muito importante, é reconfortante ter alguém por mim a tanto tempo. Ela analisando os documentos, é mais do que uma simples e bela imagem - ele suspira e o vejo viajando - Mas, me responda a uma certa questão, você odeia aquela espingarda do Joui não é? 

-E é assim que você a perde, não mude de assunto. Continue a falar - digo a ver que se ele continuasse ignorando o que falo, assim o fará com a Liz - Eu não odeio a espingarda, é apenas uma arma - digo até meio sarcástico 

-César, eu sei que ela não repara, mas eu menti para ela. Eu não sei se algo entre nós daria certo neste momento. Achei que não fosse real, mas ela está mal! Ela não dormiu! Ela tem se afastado de mim! Eu não queria isso, eu não sabia que ela ia ficar assim, mas o que está feito está feito

Eu o olho achando estranho o que fala, penso algo que poderia melhorar o humor pessimista dele 

-Não a culpe! Você também não tinha reparado em seus sentimentos este tempo todo! - dou um sorriso malicioso - Vamos jogar a um pequeno jogo? Vou te dizer uma dada situação e você me diz como se sentiria, fisicamente e psicológicamente, também o que você faria - eu penso em uma situação que daria um choque no Thiago. Um choque de realidade. De uma realidade que ele deseja - Imagine a Liz, em um salão de festas decorado com faixas por todo o local, onde ela vestia um vestido vermelho, seus cabelos soltos dando em seus ombros, ela olha para você com um sorriso em seus lábios - acabo por ficar em silêncio à espera da sua resposta. Ele sorri colocando a sua mão esquerda no meu queixo pensando, até que ele me olha com olhos de viajante. Um viajante que atravessou por um mundo repleto de sentimentos únicos 

-Eu iria estar congelado, com um sorriso obtuso em meus lábios. E por dentro, estaria quente, um calor formidável. Eu seria feliz naquele momento. Sentiria um arrepio aprazível. Eu estaria muito mais contíguo dela - consigo ver que suas bochechas salientes ficam totalmente avermelhadas e que um riso escapou de seus lábios - Ela estaria tão bonita. Ela usa maquiagem? - ele me questiona ainda viajando em sua mente fantasiosa 

-Se você quiser que ela tenha, então ela terá - digo ainda o olhando interessado no que ele fala sobre a Liz 

-Oh céus! Ela me mataria assim! - ele quase desmaia à minha frente e eu começo a pensar que ele é completamente insano. Quem diria que este homem apaixonado diria palavras tão duras à sua amada - Eu a convidaria para dançar ao meu lado no salão, com um copo em minha mão. Eu diria o quanto ela estava linda naquela noite, mais do que ela é naturalmente aos meus olhos. Iria querer ficar próximo dela, de seu corpo, de sua alma. Eu sentiria felicidade dentro do meu corpo porque a ter ao meu lado, minha barriga iria ludibriar por tal momento. Eu me imagino usando um terno negro com uma camisa rubia para combinar com seu vestido carmim. Nós dançaríamos por horas, até ao amanhecer do dia posterior. Quem sabe, seríamos nomeados rei e rainha da noite. E com essa nomeação, no momento dessa nomeação - ele me parece animado agora me contando a sua fantasia - Eu penso que falaria para ela tudo. Tudo o que sentido em relação a ela. Tudo o que ela me faz sentir. Mas, uma pequena questão, nós estaríamos em um relacionamento? O que mais teria nesta história? 

Eu tento imaginar tal situação. Me colocar no lugar do Thiago. Em um lugar de alguém perdidamente apaixonado, alguém mentiroso que não sabe falar algo tão simples quanto "Eu te correspondo em seus sentimentos" 

-Não, você estaria como está neste momento. Ela a te amar e você apenas a se negar perante tais sentimentos. Nesse salão onde ambos estão a dançar, vocês encontram Isaac lá, mais alguns homens e outras mulheres. O salão era de um hotel sofisticado. Agora o resto, você imagina - dou um sorriso para ele e o vejo incomodado por ter exclamar o nome de Isaac. Ele solta um grande suspiro 

-Eu iria agarrar a mão dela e sairia com ela a noite inteira, porque nesse momento eu poderia falar para ela… - ele trava um pouco - Como eu me sinto. Eu não ia deixar aquele enfermeiro se aproximar dela! Eu iria ter o coração dela, apenas para mim! - eu dou um passo para trás ao ver o Thiago se tornar muito possessivo - Eu não sei mais… Merda! Eu não sei! Aquele enfermeiro deve de saber dançar lindamente, eu não sei dançar! Como a iria impressionar?! - ele é agressivo nas palavras que saem de sua boca, mas como algo imediato, ele muda de expressão para uma mais depressiva - Eu não sei o que fazer Cesinha. Não teria como, não sei, preparar um jantar para ela? Pelo menos eu sei cozinhar - vejo que sua confiava foi embora. Apenas restou aquela pele sentimental dele. A parte frágil e substituível dele. 

-Posso ser sincero? Esperava outra coisa vindo de você - dou um sorriso malicioso. Aquela fama do Thiago, eu tenho que usar isso para escarnece-lo, quem saiba isso até anime neste momento. 

-Mas César… - ele diz a ver o meu tom de voz e me olha com os seus olhos nos meus - Eu não sinto como se fosse apenas esse ato carnal, eu não quero apenas copular e nunca mais aparecer. Eu realmente quero fazer algo honesto, algo digno dela. Mas eu não sei! - ele parece entrar em crise - Ah! Eu não sei César! Talvez ver um filme? Mas é algo tão banal… 

Eu rio um pouco mas logo o vejo querer derramar lágrimas por seus olhos 

-Sim, você diz isso, mas mais tarde quero ver o que será esse relacionamento. Mas tenha calma Thiago, ela se mataria para ter você, para quê todo esse esforço? 

-Eu sei que ela não está bem. Que ela perdeu noites de repouso, pensa nisso César, eu a conheço! Ela deve estar muito mal, eu queria poder a compensar um pouco, sabe a minha imbecilidade, mas eu não quero dessa forma, servindo apenas para sexo na visão dela- ele aperta os olhos - No final eu queria tentar ter um relacionamento sério. Sabe, a Liz não é alguém que eu queria não ver quando chega a manhã. Ela é especial para mim, ela sempre estava lá para mim e comigo. Apenas pense nisso César, eu quero, desta vez, fazer direito 

-Você? Algo sério? - eu digo um tanto quanto espantado - Acha que ela não irá querer depois você desse jeito? - digo mesmo para o provocar, mas foi uma tentativa falha, ele apenas ficou pior e mais depressivo 

-Posso confessar que estou com muita dor em meu  coração e alma. Mas, agora é a sua vez - ao ouvir isso fico à espera de que situação ele me daria - Te darei a mesma situação. Imagine que estão em uma praia à noite, com uma festa e concertos a acontecer nessa mesma praia. O Joui está usando um calção de praia branco, provavelmente, ele já te deu a sua blusa, então ele está sem nenhuma blusa naquela noite. Bom, neste momento é com você - ele diz a rir. Uau. Seu humor muda rapidamente não é?! 

-Ah, seria ótimo! - eu fico animado e o olho - Como eu sou péssimo a dançar e eu nem iria querer passar vergonha à frente dele ou de qualquer um, eu o levaria para olhar as estrelas e o ensinaria as constelações enquanto falávamos sobre algum ta banal que saiu nas notícias da manhã daquele dia - ele se recorda do relacionamento do pai e da mãe dele - Depois disso... Eu não sei, eu me empolgaria demais e o levaria para a minha casa para o ensinar a jogar LOL tal como ele tanto me tem pedido desde que o meu pai falou sobre isso - ele ri com as memórias - Eu… Ficaria um pouco envergonhado pelo facto dele estar sem camisa, mas tudo bem, afinal eu namoro com esse cara não é? Não vejo o mal, mesmo que eu não o fizesse - eu rio meio envergonhado mas me mantendo como eu sempre fui - Eu me sentiria o homem mais sortudo do mundo por o ter ali comigo, minha mente iria sossegar ao saber que ele não desistiu de mim mesmo com todos os defeitos que tenho, eu ficaria falando com ele toda a noite e não o deixaria dormir, com medo de que seria um sonho. Eu o abraçaria e não o deixaria ir embora… Cara… seria um dia tão legal, sabe? Acho que nunca iria conseguir ser tão feliz em um dia banal sem ele - digo apaixonado sempre o olhando. Como eu virei tão ingénuo por alguém? - Aprendeu como se faz? - dou um riso vejo Thiago a bater palmas com as suas duas mãos. 

-Eu nem sei o que falar César, foi realmente algo muito maravilhoso, eu confio em você. Eu normalmente não sou de fazer coisas assim, românticas, então, a partir deste momento, você será o meu conselheiro. Se algum dia você precisar de conselhos sobre - ele faz um gesto audacioso com as suas mãos - Você sabe, eu poderei os dar. Mas acredito que você vai fazer bem, meu filho é bem sortudo em ter amado você - ele agora parecia refletir em minha fala - Estrela, uh? Como eu nunca pensei nisso? Isso me lembra de meu pai. Eu vou levar isso como uma lição, para pensar em algo melhor 

-Espero que melhore porque, céus, pobre Elizabeth - digo a rir - Você ainda é o homem que só faz sexo, se lembre disso - digo a colocar as minhas mãos nos bolsos das minhas calças, enquanto caminho 

-Eu também me vejo apenas assim também César - paro ao ouvir Thiago decepcionado com ele próprio - Mas eu espero que isso ajude - ele vem até mim colocando a mão esquerda em meu ombro - Você é um homem bastante romântico, mas não precisa se preocupar, o Joui não vai sair do seu lado e com sorte, ele não puxa este meu lado - ele ri - Como você reagiria a isso a uma investida? 

-Acabei de te derrubar no meu próprio jogo e você ainda me pergunta isso? Não tem esse direito. Agora vá aprender direito o que é ser um bom namorado e primeiramente, como planeia contar para ela o que sente? Quanto mais tempo demorar, mais pessoas iram querer ela. Ela é bonita, inteligente, diferente.Quem não iria querer ela? 

Digo tirando isso da minha cabeça. Até eu poderia me apaixonar facilmente pela Liz, pena que as nossas personalidades são um pouco distintas, para não falar que existe o Joui, um homem pelo qual durou dias para me apaixonar por ele. A sua personalidade cativante e sempre positiva é um grande contraste para com a minha personalidade mais mórbida e séria que sempre tive. Aliás, nem sempre. A partir do momento que meu pai desapareceu da minha vida e após minha mãe falecer, eu me tornei frio, inexpressivo, sem sentimentos, apenas um corpo que uma vez teve alma e um coração puro e cheio de sentimentos. Ainda me questiono na calada da noite se isso foi o certo a se fazer, se eu realmente deveria ter me tornado essa pessoa impiedosa e egoísta. Por um lado, meu lado racional, foi a melhor escolha que poderia ter, assim serei mais sério e calculista. Mas pelo lado sentimental, que agora sei que ainda tenho, eu me sinto muito mal por pensar que irei ser essa máscara que eu mesmo criei para as pessoas que eu amo. E isso me faz enjoar de mim mesmo. 

-Eu não sei, eu quero apenas falar, talvez no quarto dela no hotel? Ou em algum lugar bom e bonito. Talvez a sua ideia das estrelas seja uma boa ideia, quem sabe ou… Ah, o que você acha? - acordo do meu coma de pensamentos. Vejo Thiago a pedir minha opinião, ele parecia ao meu olhar nervoso e confuso. Eu dou de ombros 

-Quando ela estiver concentrada a analisar os documentos, tal como nos filmes românticos que a minha mãe via - dou um riso - Seria bom, já que você se empolga tanto a ver a Elizabeth a analisar os documentos enquanto ata o cabelo e mordendo o lábio carnudo dela - eu falo em um t provocativo e o vejo petrificar e ficar completamente vermelho enquanto viaja nas entrelinhas das minhas palavras 

-Olha, eu deixo passar. Seria uma situação ótima na verdade.as será que dá para observar as estrelas do Hotel? 

-Não faço ideia, mas é isso que vamos descobrir - digo com um sorriso 

-Eu vou tentar hoje à noite. Se não der certo, eu irei fazer um plano B. Mas eu só quero ver a Liz aceitar sair comigo… 

-Tenho certeza que sim. Boa sorte a tirar a Liz do quarto enquanto investiga os documentos da missão - eu sorrio de lado e apenas continuo a caminhar para a frente sem olhar para atrás 

-Não me irei preocupar com isso, sei que você me irá ajudar qualquer coisa - ele diz a rir - E se você precisar ajuda com o meu pequeno, pode contar comigo - ele faz essa promessa para mim 

-Duvide que consiga. Não irei ajudar nisso, você sabe. Eu odeio te dizer não, mas… O que você sente tem que dizer e isso é um trabalho que se deve fazer sozinho - e como por magia vejo a Liz saindo da taberna correndo- Antes que aquilo aconteça - eu indico a situação que acabei de ver. Thiago fica para baixo e retira seu sorriso do rosto 

-Eu só desejo morrer - diz a suspirar 

-Culpa sua - após dizer eu rio - Você a rejeitou e aposto que você se apaixonou primeiro que ela - digo conhecendo mais ou menos o Thiago e a Liz - Se morrer aí, é que fica sem ela 

-Eu vou ter que aguentar o Isaac seduzindo a Liz - ele fica desconfortável - O pior de tudo, é que ela gostou dele, eu não sirvo para isto César, eu quero muito mas ela não deve me querer neste momento. Não mais - ele encara o solo arenoso onde caminhamos lado a lado - Nós dois tínhamos uma promessa de não nos apaixonarmos entre nós, equipa. O Veríssimo também tem essa regra zej tentei esconder. Mas eu só sou um pedaço de merda. Eu sinto raiva disso. 

-Bem. A Liz poderia dizer para ele parar mas como eu disse, está a partir para outro - vejo que a conversa iria demorar, então me encosto em uma parede de uma casa perto do local onde estamos - Sabe Thiago, ela não tem cara de gostar de um médico bonitão de olhos verdes e cabelos escuros. E mais uma vez, ressalta a noite que ela se confessou para ti, não é como se ela te fosse esquecer em um abrir e fechar de olhos. Você consegue entender isso? 

-Eu vou tentar! Tentar não mata, o máximo que poderá ter é uma chapada em meu rosto ou um olhar torto - ele parece se encorajar a si próprio 

-Boa sorte Thiago - digo a pegar o meu ombro - Seja rápido - dou esse aviso e começo a caminhar novamente até onde o resto da equipe se encontra. Uma espécie de labirinto. Espero por Thiago que me segue, mas o vejo ir até à casa do Doutor, penso que tenha ido atrás da Liz e possivelmente cometer um homicídio por puro ódio. A vítima? Enfermeiro.

Os minutos se passaram e sinto alguém correr até mim. Joui, eu dou um sorriso e logo avisto os meus outros companheiros. 

-Ei! Thiago e Liz! Vamos para o labirinto! - digo a indicar aquela parte central da cidade inundada de branco. Todos começam a se aproximar, alguns Luzidios também, com faces interessadas no que irá acontecer. Vejo a Liz acenar para nós e ficar meio receosa e Thiago pisca o olho para mim. 

-Labirinto?! 

-Eu quero ir também! - Joui fala animado ao meu lado. Eu fico desconfiado com o Ferreiro que nos acompanha 

-Então nós vamos Jouki - digo meio analisando toda a situação 

-Eu não vou nem que me obriguem! - Liz já fala do jeito revoltado dela 

-Eu até iria - Thiago diz - Mas acho que vou ficar em terra. Enquanto Joui me empurra até uma das entrada do grande labirinto, onde pude ver uma estátua decapitada e em mau estado, seu mármore estava completamente sujo e com musgo agarrado em algumas partes de suas vestimenta lisas e sem qualquer traço de realismo. 

-Ah! O labirinto! Ninguém até hoje encontrou o centro - ao ouvir a voz irritante do Ajudante a dizer tal coisa, minha mente começa a criar mil teorias sobre o que poderia estar no centro do labirinto obscuro ao qual Joui me faz quase entrar 

-Se divirtam! - desta vez é Ferreiro a exclamar enquanto ri - A lenda da cidade diz qje no centro habitam os cinco guardiões, que estão à espera de alguém digno - ele indica a estátua destruída que eu tinha visto. Então as estátuas representavam os supostos guardiões? Todos ficamos com um certo receio no nosso interior, ao ver isso Ajudante nega com as duas mãos formando um "X" 

-Não se preocupem! É totalmente seguro!

-Se vocês não vão, eu vou! - Arthur diz animado correndo para dentro do labirinto. Acompanho o Arthur com o meu olhar, mas a neblina era bastante densa, chegou a um momento que eu não consegui o ver mais, isso me preocupa. Isso me dá pavor. Seria como desaparecer em um lugar gélido, solitário e branco. Eu veria apenas branco na minha morte. 

-Esse é o espírito! - Ferreiro grita para o Arthur - Se vocês dois não vão - ele indica o Joui e depois me indica - Eu vou! - ele corre também para dentro do labirinto com ajudante ao seu lado. Eu volto a minha atenção para a Liz vendo o Thiago caminhar até ao labirinto também 

-Você vai? - ela o questiona em dúvida 

-Eu apenas ia observar como ers no interior, não vou entrar… A não ser que você queira ir, você quer - Thiago diz a oferecer a sua mão a ela. A Liz hesita mas acaba por agarrar a mão de Thiago que a olha com um olhar surpreso, segurando a mão dela com firmeza, como se não a quisesse deixar ir embora. As suas faces pálidas, começaram a ganhar cor e seus lábios formaram sorrisos ínfimos. 

-Então vamos por aqui - ele a leva para uma das entradas. A do lado da minha e do Joui. A Liz explica um pouco sobre a neblina e fala o quanto o ambiente está gélido, após a sua fala, começo a sentir realmente o frio na minha pele. Um arrepio se sucedeu 

-Você está com frio? - Joui me questiona enquanto se aproxima de mim. O que trás um pouco de calor ao meu corpo mera até confortável isso. Anuo com a cabeça 

-Sim, mas eu fico bem, não deve demorar muito até sair ou achar o centro 

-César… - ele diz baixo a pensar algo. Talvez no que falar, não sei, até hoje não aprendi a ler mentes, apenas a ler ações e palavras. 

-Sim Joui? - digo a arranjar coragem com um longo suspiro e acabo por entrar fechando os olhos enquanto sinto a gélida neblina atravessar meu corpo, enquanto sinto o contraste do calor da mão de Joui, que acabei por agarrar para não o perder de vista. Nunca que iria deixar o Joui se perder no meio de um labirinto indecifrável, em uma cidade repleta de mistérios e seres extraordináriamente inauditos.

-Não vamos ficar tão separados xeu não consigo ver nada à minha frente. Ah! O que você é o Thiago falaram? Vocês ficaram por muito tempo fora, apenas vocês dois. 

Eu solto um suspiro, tentando achar os olhos que tanto gosto de olhar, mas não os acho com tanta neblina 

-Elizabeth Webber - Apenas digo isso 

-Ah sim. Imaginei que fosse esse o assunto - ele fala sem emoção e segura a parte de trás da minha blusa, ao ver que eu largo sua mão em um caminho mais estreito. 

-Sim, finalmente confessou - digo a rir 

-Sério? - sinto surpresa em seu tom de voz - E o que ele disse? Eu deveria ter ido! Eu e o Arthur fizemos uma coroa de flores para a senhorita Liz, para ela se animar. Mas me diga, o que ele falou - agora que ele me fala, me recordo de ver a Liz com uma coroa improvisada com pequenos ramos e folhas verdes, com ínfimas flores de variadas cores, passando por roxo, azul, branco, verde e amarelo, que combinavam com o negro de seus cabelos. 

-Ele está apaixonado, mas ele é um completo idiota, não entende nada de romance, tenho pena da Liz - Eu rio 

-Eu achei que ele soubesse bem, já que sai com muitas pessoas, isto de acordo com a senhorita Liz. César… Você gostaria de receber algo? Como flores ou talvez chocolate? 

Ao ouvir isso eu fico em choque. Que tipo de pessoa ele acha que sou? Uma pessoa que só se contenta com presentes e coisas sólidas? Nunca seria esse alguém. Pensar que ele acha que sou esse tipo de pessoa me coloca em choque 

-Ah… Não - digo a voltar a olhar para a frente e voltando a caminhar - Não gosto de coisas físicas sem serem fotografias - digo a lembrar da pulseira de Joui, a suposta pulseira perdida, que está com a Liz ainda, penso que teremos que lhe devolver logo, para que ele não chore mais por causa disso. Afinal a pulseira é a representação de seus amigos 

-Eu entendo. Fotografias são bem devotado! Uma Polaroid na sua mão seria o seu maior desejo agora, não é? - ele ri e eu nego com a cabeça - Eu também acharia ótimo registrar os momentos. O que você iria fotografar se conseguisse uma Polaroid? 

-Sim, isso mesmo - começo a pensar - Não sei ao certo… 

-Eu acho que sei algumas fotografias boas, eu tenho no meu celular algumas. Já fazia um tempo que não as vejo. Mas eu você estiver interessado eu poderei te mostrar. É bem legal saber que você também gosta! 

Eu dou um riso pelo entusiasmo dele perante algo tão simples quanto gostar de fotografias. Após ele falar, eu começo a ver uma luz, era a saída! Eu corro para conseguir um pouco do calor do sol inexistente da cidade. Quando me vejo fora daquele labirinto horrendo eu consigo finalmente respirar um pouco de ar puro sem neblina 

-Penso que todos gostem de fotografias. Impossível alguém não gostar - dou um riso e finalmente consigo ver a face do Joui nítida. 

-Ei! Isso não é verdade! Eu que gosto mesmo, acho que imortalizar momentos é até pessoas - ele até pega no celular e começa a ver algumas fotografias - Eu fico feliz que também goste 

-Se você o diz, quem sou eu para discutir? - Digo a olhar para ele arqueando uma das minhas sobrancelhas. 

Reparo que Thiago e Liz voltam os dois de mãos dadas e eu já dou um sorriso de lado. Liz com o moletom do Thiago vestido, eu estranho isso é logo chamo o Joui para olhar para a mesma situação que eu também. 

-Joui! Olha a Liz! - digo a rir da cara de apaixonado do Thiago ao ver a Liz com a sua roupa. Houve uma troca de palavras entre eles e terminou com um beijo na testa da Liz vindo do Thiago, depois disso, ambos saem andando lado a lado 

-O que você fez para este milagre acontecer? - olho para o Joui que me questiona com um sorriso 

-Falamos e eu o coloquei a imaginar a Liz de uma forma que eu sei que ele gostaria - digo ao conhecer demasiado bem os meus amigos homens. Mulheres com vermelho é algo que dá gozo a eles. 

-Sim, mas o que importa é que deu certo! Bate aqui! - ele eleva uma mão até mim e eu bato com a palma da minha mão 

-Ai, estes dois já deveriam estar juntos à tempos! - digo até meio revoltado com a atitude que Thiago teve perante a Liz, mas tudo se resolveu certo? 

-Sim! Acho que a minha coroa abençoou a Liz - ele diz com uma certa esperança - Que bom, não quero atrapalhar eles então, você tem alguma coisa para tratar disto? - ele mostra a palma de sua mão coberta de pequenos ferimentos. 

-Bem, precisamos de alguns utensílios para isso - digo a me encorajar, não era a minha melhor habilidade, a medicina. Dou um leve beijo na mão ferida dele - Não seja como eu - digo a indicar as minhas mãos ainda enfaixadas com ligaduras, desde aquele dia que o Joui foi para o hospital por minha culpa, eu não paro de as usar. Agradeço à Liz por ter cuidado de mim. Vejo que Joui fica com as suas bochechas rosadas, o que lhe dava uma expressão amorosa. 

-Certo! Cuide de mim César - ele diz a sorrir e eu aceito esse desafio 

-Então vamos - digo a puxá-lo até ao edifício azulado, onde antes estávamos. A casa do doutor. Vejo que está vazia, então aproveito para vasculhar toda a casa e encontro a mala de Isaac, que tinha roupas, documentos e protocolos médicos e uma pequena maleta com material de medicina. Dou um sorriso vitorioso -Perfeito! Sem cristais. Apenas não diga ao Doutor - digo a rir e começo a tratar de suas feridas. Desinfecta e coloco uma faixa limpa. Não ficou como eu esperava, mas eu também não me chamo Liz para tratar de alguém em ótimas condições. Para alguém que não entende de medicina, estava ótimo. 

-Eu não falo, é o nosso segredo - ele comenta a fazer um sinal de silêncio, colocando um de seus dedos contra os seus lábios semi abertos - Sempre a cuidar de mim, não é Doutor Cohen? - ambos rimos 

-Claro que sim, meu caro paciente Jouki - digo a arrumar tudo o que tirei da maleta, deixando como estava anteriormente, Joui tenta me ajudar também 

-César, já que gosta de fotografias, você gostaria de procurar um bom lugar para nós tirarmos algumas? Podemos fazer isso enquanto investigações, como prometemos para a senhorita Liz 

-Tudo bem, parece uma ótima ideia! Vamos! - digo até um pouco animado, à muito que não tinha um tempo sossegado com alguém que realmente gosto. "Perder" meu tempo com ele, é a melhor parte do dia até hoje. Iria fazer isso para o ver sorrir também. Eu posso estar cansado por ter dormido mal a noite e por ter sido um dia a descobrir o desconhecido. Mas eu iria conseguir aquele sorriso que tanto gosto! 

Começamos a caminhar lado a lado, sem muita conversa, descemos a rua da casa do Médico e logo houve uma questão de Joui 

-O que deveríamos registrar primeiro? 

-Para mim tanto me faz para ser sincero - digo a dar de ombros, o que faz o Joui se aproximar de mim 

-Você prefere mais tirar fotografias a pessoas, paisagens ou objectos? 

-Pessoas, mas neste caso paisagens. Este "mundo" será destruído brevemente, então vamos levar também imagens para o Veríssimo - digo com o meu maior sarcasmo, enquanto imundo o som com o meu riso. 

-Ótimo! Que tal nós pegarmos uma visão dali? - ele aponta para o bosque da aprovação, onde o Ajudante nos levou mais cedo, onde encontrar Cibele. Eu anuo e vou até lá com ele. Tento ver o meu celular para conseguir tirar as fotografias mas estava a ficar sem bateria, então eu o desligo por precaução. 

-Parece uma boa paisagem - digo com um sorriso no rosto. Reparo que Joui tenta posicionar a câmera do seu celular, para conseguir tirar uma fotografia em um bom ângulo, o que foi um ato falho, o celular estava pendendo para a direita e ele tremia as mãos, o que iria fazer a imagem não ficar nítida. Decido o ajudar nesse trabalho, o posicionando melhor é dando umas técnicas de como não ficar com uma imagem tremida por causa das nossas mãos tremidas. Após um tempo e algumas imagens tiradas de um plano repleto de árvores com seus troncos cortados, Joui mostra uma das fotografias que tirou e eu acho ótima. A imagem estava com uma qualidade única 

-Está muito boa Jouki! - digo orgulhoso do meu pequeno

-Foi com a sua ajuda. Onde poderemos ir agora? O que você acha? - ele passa o seu celular para as minhas mãos e eu tento pensar num bom local. Algo minimalista, mas ao mesmo tempo bonito 

-No labirinto. As estátuas são bonitas, mesmo que decapitadas ou quebradas. Podemos ver onde raios os outros foram também - digo a rir 

-Tudo bem - sinto um pouco de ciúmes em seu tom, mas eu irei ignorar isso. Aquilo que eu mais odeio, é ciúmes, não ter confiança. Digo, confiança em mim. Eu sou alguém confiável, não? 

Voltamos à nossa caminhada até a uma das estátuas, desta vez, tinha um de seus braços partido e caído ao lado do grande cubo pelo qual a estátua se mantém de pé, com um ar triunfante na parte que restou de seu rosto, vestia uma espécie de bata científica, parecida com a da Liz. Observo o local para tentar encontrar um bom ângulo, mas meu pensamento é interrompido pelo Joui e as suas questões 

-César? Se você pudesse passar vinte e quatro horas com alguém, quem você iria querer passar esse seu tempo? 

Eu dou um longo suspiro com essa questão. A falta de confiança e a insegurança de Joui dava cabo da minha mente, eu queria explodir cada vez que ele dizia tais palavras. Cada vez que emitia tais questões tolas e inseguras 

-Eu passaria ou com você, ou com Thiago

-Comigo?! - eu sinto a alegria do local que estou. Céus Joui, o seu otimismo sempre ganha não é? 

-Sim, porque não? - digo a olhar neste momento para o labirinto, pensando o quão misterioso é. 

-Achei que iria querer ficar com algum parente. Mas se eu sou especial desse jeito para você, fico feliz. Muito feliz! Eu também passaria um tempo com você, assim como agora - ele diz em um tom ousado e eu o vejo se posicionar ao lado de uma estátua, a examinando com o olhar 

-Não precisa ficar assim - Eu dou um riso - Eu sei disso, não sou cego para não entender que você gosta de estar comigo 

-Você sempre nota? Desde quando? - ele volta até mim e tenta calibrar a câmera que tenho em mãos 

-Está escrito bem aqui - digo a apontar para a testa dele enquanto rio 

-É sério que eu sou assim tão aparente? - ele cora com o contato e fica sorrindo 

-Sim é! É não fui o único a notar - digo a rir e vejo a imagem que Joui tirou - Essa ficou muito linda! Está melhorando 

-Me mostre sua magia - ele diz a se referir à arte da fotografia, ele me devolve o seu celular - Quero ver como você iria fazer. Estou até curioso - ele dá um sorriso de canto como um desafio. Ah mas eu aceito! 

Peço ao Joui para voltar novamente para o lado da estátua e fazer uma pose. Eu tiro muitas fotografias dele, porque o Joui não parava de dizer "mais uma?", ele seria um ótimo modelo pelos vistos. 

-Ei! Eu tenho uma proposta! Que tal a próxima fotografia, estar eu e você pousados na fotografia? - ele faz uma cara amorosa, quase como que implorando para mim tal coisa. Acabo por fazer uma cara de dúvida, mas eu aceito a ideia. Caminho até à estátua e sento aos pés da mesma, coloco um de meus braços à volta do pescoço do Joui e dou um sorriso simples. Ao terminar a sessão de fotografia, recebo um beijo na minha bochecha

-Obrigado por compartilhar comigo esta tarde - ele diz sorrindo. Eu paralisei a minha mão no local onde ele me beijou. O contacto ainda era algo pelo qual não me era agradável, mas o de Joui não era nada ruim. Isso me fez sorrir, esse pensamento era reconfortante. Era algo novo para mim. Era como se eu consegui aceitar contacto humano novamente sem sentir nojo de eu próprio. Sem sentir que eu não mereço esse tipo de carinho. Mas o Joui sempre está lá, ele sempre me deu esse contacto, sempre me deu essa oportunidade de mudar isso em mim, de tentar aceitar novamente carinho, toque, amor. Por isso e por outras diversas razões, eu sou completamente apaixonado por este homem de olhos perfeitos. Aquele olhar. Aquele maldito olhar. O que ele faz comigo quando eu o encaro? Eu me sinto tão fútil e exposto, tento ser eu próprio, mas eu me sinto tão exposto quando ele me olha. Quando seus olhos encontram os meus. Quando os olhos dele paralisam em mim. Eu poderia gritar neste momento e dizer quanto eu o amo, mas eu não posso. Tenho que me manter na minha personagem, o homem racional incapaz de sentir amor ou acreditar que é amado. Um dia, quando estiver preparado emocional e racionalmente o suficiente, eu irei dizer tudo o que sinto por palavras, mesmo que seja algo difícil a se fazer, ele merece. Ele merece tudo e mais alguma coisa. Eu não consigo deixar de sorrir ainda mais, meus lábios estão doendo de tanto sorrir já, em apenas um dia. 

-De nada - após dizer isso eu ouço sons de passos apressados e consigo ver a Liz correndo sem parar - O que aconteceu desta vez?! - digo até meio alterado pelo choque, vejo que Joui partilha também esse sentimento 

-Vamos ver? - Joui questiona e logo temos, Thiago a correr atrás da Liz desesperado - Sim, definitivamente nós temos que ir lá! Vamos certo? - ele fica confuso 

-Acho melhor irmos - digo é tomo um susto com a presença repentina de Arthur, que apareceu do meu lado confuso - Arthur? Acho que aconteceu algo, quer vir? - tenho a sua confirmação, então pego nos braços de ambos e os levo comigo, pela direção onde os outros dois correram a alta velocidade. Tinha que acontecer algo para estranhar o único momento que eu estava a ter paz? O único momento onde eu poderia estar com o Joui?! Não consigo esconder um pouco da minha revolta, mas ao mesmo tempo, sinto preocupação. Novamente isto? Mais uma discussão, posso apostar minha vida nisso. 

-Discussão - o Arthur diz a complementar o meu pensamento. 

A Liz começa a entrar em uma crise, suas mãos moviam-se como ela se fosse atacar, ela se bate com a raiva que sentia. Ataque de raiva. Insegurança. Vou até ela e a abraço de forma a prender os seus braços, ela se debate mas eu a iria segurar 

-Se lembra o que me disse naquela manhã? - digo com o tom mais calmo que consigo, falo alto para a minha voz soar por entre o choro exagerado de Liz - Vamos para o hotel - digo a lhe prender o cabelo por trás da orelha para poder olhar para a face dela melhor. Lanço o meu olhar para Joui e Arthur e vejo que um deles entende o que quis dizer 

-Cuidem da senhorita Liz para mim? Eu preciso confirmar se o Thiago está bem - o Joui diz já a sair dali. Eu começo a caminhar com a Liz, a levando segurando os ombros dela. Arthur me segue. Liz, ainda confusa e deprimida, fica nervosamente a ler os apontamentos que fez em seu caderno de couro, ou melhor, o caderno de Daniel, até que ela pára perto de uma cerca 

-Podem ir, eu fico a ver um pouco mais os apontamentos. Preciso de um pouco de ar fresco - ela diz a limpar os seus olhos avermelhados por causa do choro

-Vamos ficar aqui com você, porque a cidade é grande e não quero que fiquemos separados - digo a negar aquela ideia de Liz, nunca que a iria deixar sozinha neste estado. Eu sei bem o quanto uma pessoa em sofrimento pode fazer a si própria. Ela precisa de apoio. 

-Penso o mesmo que o César - tenho reforço de Arthur, que coloca os seus punhos fechados nas ancas, Liz nega com a cabeça e parece se lembrar de algo 

-Eu já volto. Prometo não me perder e voltar o mais rápido possível - ela diz rápido e com um movimento lépido ela atira o caderno para os meus braços e corre. Fico confuso ao ver a situação. Mas aproveito e vejo o que tem nas páginas anosas do caderno. Passo os meus dedos pela figura simétrica cravada a vermelho e penso que símbolo poderia ser. Um símbolo esotérico? Não sei, mas era interessante, certamente iria pesquisar mais sobre. Abro as páginas e consigo ver vários rascunhos a tintas coloridas de criaturas que nunca vi antes, tirando algumas que infelizmente tive a alegria de as ver à minha frente e as combater. Existiam centenas, milhares talvez, tinham ao lado a sua caracterização e a forma de ataque, um pouco da sua história. Fico interessado, mais e mais interessado, mas foi um erro ter continuado a ler as páginas. Para além de bestiário, parecia ter sido também um lugar de refúgio para Hartmann. Digo, não se assemelha à letra arredondada da Liz, logo teria que ser do seu antigo dono, Daniel Hartmann. Ao ler as páginas, vejo o quão perturbado ele estava com a missão, os erros que pensa que a equipe cometeu, o desejo que ele sentia pela bebida, os seus arrependimentos, suas histórias em excertos e acima de tudo, os sentimentos que sentia por Liz. Pelas palavras e fotografias que encontrei fixadas às páginas, consegui perceber o porquê que a Liz se incomoda tanto quando o passado é trazido à conversa. Porque Daniel é seu passado. Um passado que infelizmente durou pouco. Um passado que ela não queria dar por terminado. Sinto o meu coração parar ao pensar nisso. Eles se amavam, mas não poderiam mais ficar juntos. Literalmente, eles foram a representação de "até que a morte nos separe" e isso me coloca a pensar o quão a Liz ficou com trauma. Por isso que ela sempre quer proteger Thiago. Porque ela já perdeu demasiadas pessoas amadas. Como eu. Eu sei o que ela sente. O desejo egoísta dentro de nós que sempre nos puxa para baixo e pede para que nós sempre escolhamos o que mais nos importa, que no caso, é a pessoa pelo qual partilhamos um grande sentimento. Eu daria minha vida por Joui, tal como ela daria a sua pelo Thiago. Por Daniel. Acabo por sair desse pensamento e retirei uma imagem da antiga equipe deles. "Equipe Veríssimo", um nome não muito original, vou ser honesto, mas ao menos tinham um nome para a sua equipe. Fico paralisado a analisar o sorriso de Thiago e de um outro homem que tinha uma expressão confusa, usava um moletom amarelado que contrastava lindamente com a sua pele negra. Liz e Daniel sem olhar para a objetiva da câmera, com olhares vazios e sérios, as expressões deles me davam arrepios. Ao pensar que eu me tornei assim como eles, frio, calculista, sem conseguir olhar para a objetiva com medo de ser julgado. Temos algo em comum e isso é confortante saber. Saber que não estou sozinho nesta maresia de medos, traumas, perdas. 

Fecho o caderno e fica a digerir tudo o que eu consegui descobrir. Logo a Liz apareceu e tirou o caderno de minhas mãos, o que me fez esconder a fotografia que eu tirei em um dos meus bolsos. Após a sua ação, Liz atira para nós algumas armas sem ser de fogo, eu estranho, mas não me incomoda nada, a minha arma tinha um estilo incrível, com detalhes a negro em uma superfície biforcada a lilás escuro com um elástico fino a prender cada uma das pontas. Era uma fisga bonita, uma arma de mira, parece que a Liz me conhece bem. 

Não demorou muito até a minha atenção mudar de lugar. Um som de um sino estridente começou a soar por toda a cidade. Não consigo entender qual é o objetivo mas logo entendi. A noite certo? Era isso que o Porteiro nos indicou quando chegamos a Santo Berço. 

Uma espessa neblina apareceu repentinamente, inundando os nossos olhares de branco. 

-Thiago e Joui! - ouço uma voz feminina, a voz de Liz de certo, preparo a minha nova arma e tento formar um plano rápido em minha mente 

-Vamos procurá-los - digo determinado ao mesmo tempo que preocupado com ambos. Não iria deixar mais ninguém ficar para trás. Não iria nunca mais sofrer essa dor da perda. Nem fazer os outros a sentirem. 

Seguimos um caminho, mas estávamos todos sem rumo, sem visão. Pelo caminho encontramos algumas criaturas peculiares. Existiam uns que tinham aspecto de espectros, seu material anatômico era a própria neblina, o que fez a batalha mais interessante e confusa, eles se petrificaram quando queriam atacar uma vítima. Uma outra criatura que eu mais gostei de combater, uma espécie  lobo com o seu dorso esticado, sua pelugem negra o que facilitava ver por onde andava, seus olhos eram um vermelho brilhante e seus dentes caninos pontiagudos, era um desafio atacá-los. E por fim, um cavalo enorme, negro também, no lugar da sua cabeça saia tentáculos viscosos que sempre tentavam nos agarrar, para não falar das coices que doiam quando eram bem dadas no peito ou braço. Eu e a Liz lutamos lado a lado, posso me gabar a dizer que éramos uma ótima equipe, mas estava preocupado com o Arthur, que estava desorientado e perdido no meio da batalha 

-Ei, Arthur, procure por eles, eu e a Liz te damos cobertura. Os leve para o hotel, lá é seguro. Nós dois lá estaremos - digo é vejo que o Arthur concorda com o aceno rápido de cabeça e volta a correr por um caminho estreito. Volto a minha atenção para as criaturas que nos atacam, eu tento de tudo para me proteger e eu o consigo fazer, mas a que custo? 

-É impossível ver alguma coisa aqui, mal vejo você! - a Liz diz no desespero dela - Joui! - ela diz a se lembrar dele, ela tenta correr mas eu a seguro. Ela ia correr mais perigo ainda, ela estava em um estado lastimoso, coberta de sangue e ferimentos. Eu nego  

-Vamos nos livrar das criaturas. Eles estão seguros, confia em mim uma vez na sua vida Elizabeth!

-Tudo bem, mas vamos por outro local, tem que existir um caminho que as criaturas não estão desse jeito e nesta quantidade - ela diz a limpar o sangue que escorria pela sua face e caindo no chão de cansaço. Dou um suspiro e indico as minhas costas 

-Vem, sobe aqui - eu a ajudo a colocar-se em uma posição melhor - Vamos dar uma volta por entre as casas. Você não consegue andar desse jeito, vamos - digo a ver um caminho mais calmo para nós atravessarmos. Passamos por várias casas, caminhamos pelo redor da cidade até chegarmos ao hotel, tivemos algumas lutas, mas as criaturas estavam mais fracas, possivelmente os guardas de Santo Berço andaram a combater com eles. Mas ao menos, conseguimos chegar em segurança. Tento sempre falar com a Liz para que ela não apague, por toda a perda de sangue, ela não teve sorte nesta batalha. Ao entrar vejo o Joui em boas condições, o que me alivia, Arthur também. Já Thiago, estava agarrado à sua perna, mas quando ouviu o som da porta do hotel, ele veio a correr até à Liz 

-Liz! - ele grita e ele a tira das minhas costas desesperado, ele a abraça com toda a força que pode - Vamos cuidar de você! - ele diz e fica meio paralisado a ver tanto sangue a escorrer pelo corpo dela. Sinto alguém me abraçar no meio dessa cena. Joui, dou um sorriso e fico o abraçando, ele coloca um lenço que retirou do seu bolos no meu pescoço que estava ferido. O hoteleiro aparece com uma expressão de choque vendo o estado da nossa amiga, retira logo do seu balcão vários frascos minúsculos com pequenos fragmentos de cristais verdes 

-Estás bem! Estás bem! - eu digo a comemorar e o apertando mais no abraço. A minha preocupação quanto a ele se foi neste momento - Me diz que você não se machucou ou se colocou em perigo - digo sério para ele já o conhecendo o suficiente. Joui adora se colocar em perigo, apenas porque o Thiago também é assim. Ele nega com a cabeça. Ao menos hoje ele não se colocou em perigo. Ao menos um dia! 

A nossa atenção foi direccionada para a situação crítica da Liz, que se encontro nos braços do Thiago. Vejo que Joui está em choque, pedindo auxílio ao Hoteleiro que está tentando organizar todos os suprimentos para ajudar a cuidar da Liz. 

-Não desaparece assim de novo! Eu já ia realmente atrás de vocês dois, o Joui tentou ir mas eu tive que mantê-lo em segurança - Thiago diz a tentar cuidar da Liz - Você sabe… Bom, me deixa te ajudar - o seu tom sai desesperado 

-Eu sempre, sempre, irei proteger vocês, nem que seja em troca da minha vida - a Liz diz com uma expressão triste e me recordo das páginas de seu caderno, eu agora entendo o motivo porque ela é assim - Obrigada por o manter seguro. Eu não preciso de ajuda - ela diz agora seca, mas Thiago volta a insistir 

-Como é que usa estes cristais?! - ele questiona a indicar um dos frascos com o cristal verde. Ao ouvir isso, Joui vai até ao Hoteleiro perguntar como que se usam os cristais 

-Use luvas - ele diz rapidamente - Ou um pano, você iria desperdiçar o potencial do cristal se manter o contacto com a mão 

-Obrigado senhor! - ele volta até mim e passa um cristal em meu ferimento, segurando o cristal com o lenço com o qual estacou meu sangramento anteriormente. 

-Obrigado - digo grato, mas ainda achando estranho a forma com que o cristal cicatriza a minha ferida. Não bastou muito para uma discussão se instaurar pelo grande salão do hotel. O Joui tenta oferecer a sua ajuda à Liz, que estava com uma agulha e linha na mão, mas não correu muito bem. 

-Não, Joui, lamento - ela diz a rasgar a manga da sua jaleca, para fazer algumas faixas e as coloca nos seus braços e pescoço feridos - Não vou usar mais nenhum cristal! Já usei um e foi para proibir vocês dois - ela diz a apontar para Joui e Thiago - De usarem, mas vó és são mais teimosos que eu! Eu estou bem! Estou a coser as feridas. Agora me deixem! - ela diz em um tom chateado 

-Agora não é hora disto - Thiago diz de cabeça baixa e depois levanta seu olhar na minha direção - Me ajuda nisto, eu te suplico 

Eu o olho incrédulo. O que ele pensa que eu posso fazer?! 

-Eu não posso obrigar a Liz a nada! Ela é adulta! Eu que você se importa com ela, todos nós que estamos nesta sala também! Mas não significa que temos que obrigá-la a isto! - digo com uma certa revolta dentro de mim. Tento respirar para me acalmar - Desculpa - digo agora mais calmo, eu realmente precisava de ter calma nestas horas. Liz olha para toda a situação e vai até Thiago, colocando-se de joelhos à sua frente, agarrando no queixo dele com a sua mão delicada, fazendo-o olhar para ela, mantinha seus olhos vazios 

-Calma, respira. Eu vou ficar bem, por favor eu preciso de ter o meu Thiago ao meu lado. O Thiago calmo, que brinca com as situações mais complicadas, aquele homem que luta ao meu lado como ninguém, aquele que aceitou fazer parte da minha vida. Por favor - ela termina a sua frase inclinando a cabeça para baixo, Thiago apenas suspira olhando para ela, sem desviar seu olhar 

-Me deixa te ajudar com os ferimentos, eu prometo ficar calmo. Afinal, nós tivemos que pagar uma grande percentagem de vergonha horrível hoje, apesar da curiosidade, eu não posso para uma Artista erótica para terminar meu dia com você de cama, de novo

Ao ouvir isso e fico um pouco confuso e tento pensar o que ambos fizeram esta tarde. Como eu gostaria de ter visto essa cena icônica. Os dois pousando para um quadro erótico?! O Thiago deve estar exagerando, não é possível. A Liz nunca iria pousar, muito menos para um quadro com esse tema. 

-Eu sei, mas eu estou bem, já me cuidei - a Liz diz a se afastar de Thiago - Esse quadro - ela ri - Eu vou o queimar quando estiver em nossas mãos 

Agora sim a curiosidade subiu em mim. Eu queria ver esse quadro. Não sou um apreciador de arte em tela ou escultura, mas esse quadro eu irei admirar cada detalhe, eu iria usar isso ao meu favor. 

-Podem para nós - digo em um tom mais tranquilo para aliviar o clima, ao ver o pesar que vai no salão. 

-César, não! Vocês que podem pousar para mim, queria ver os dois em uma situação como esta, que eu fui colocado com a Liz - ele diz a sorrir olhando para ela, como um homem sonhador que ele nunca foi, mas que se tornou, ao acordar do sonho que a Liz o transmitiu 

-Eu fui modelo hoje também! - o Joui diz animado e ouço o riso feminino da Liz 

-Certo. Por favor, salvem o César dessa situação - ambos rimos 

-Oh! Sim, por favor! Ah, Thiago, não finja que não sabe do que falo - digo ao ver que ele mal demonstrou para a Liz o que sente, ele a irá perder e causar ainda mais sofrimento para ele. Mas ele não ouve as minhas palavras. Os meus conselhos. Ficamos todos em silêncio por um tempo examinando a Liz, com medo que ela desmaie ou que se magoe a se tratar, mas a própria coloca um ponto final ao silêncio 

-Bem, eu vou para o meu quarto - ela diz a se levantar. Penso que irá examinar novamente os documentos. Me despeço com um sorriso e aceno de cabeça a vendo partir, caminhando pelo longo corredor de paredes de madeira até sair do meu campo de visão. Thiago, com um ar desesperado, vem até mim, demasiado próximo eu diria 

-César, acho que tudo deu errado! Eu achei que iria conseguir tirar uma boa informação, mas a Artista nos obrigou a fazer isto! - ele diz se referindo ao quadro, eu penso - Eu tentei descontar. Dar um ver para ela de como eu me sinto, mas eu acho que saiu demasiado ruim! Ela me odeia agora! - ele fala com muito desespero e passa seu olhar para o Joui, que falava com o Arthur sobre as fotografias que tiramos os dois hoje- Joui! 

-O que foi Thiago? - ele diz calmo 

-Eu disse que ia dar errado - digo até meio sarcástico com a situação. O Thiago tapa a minha boca para eu parar de falar tal coisa 

-Me ajuda também, Joui! Você me disse tudo aquilo hoje! - mais uma conversa que eu não ouvi, começo a pensar que eu escolho os piores momentos para sair de perto do Thiago ou do próprio Joui 

-Thiago, é como eu disse anteriormente, eu nunca planejei um encontro ou fui convidado para ir a um, então, não tem como eu te ajudar com isso. Dê um tempo para a senhorita Liz se recuperar da batalha de hoje - vejo a face de Joui mudar para uma de curiosidade - Vocês estavam sem roupa quando posaram para a Artista? - eu arregalo os olhos e tento procurar a reação de Thiago que fica corado ao extremo 

-Não! Não, digo não! - ele diz muito nervoso e nega desajeitadamente - A Liz ainda estava com um vestido, mas eu estava sem camisa, de acordo com a artista, seria um "Despertar carnal e emocional" Eu tive que ficar quase beijando o pescoço da Liz - ele diz cobrindo a sua face vermelha com as mãos. Ele estava embaraçado, com vergonha. Eu acho incrível! Digo, nunca o Thiago visto deste jeito, o lado sentimental do Thiago é um lado interessante de ser explorado. Eu rio demais agora 

-E isso é ruim? Aposto que você estava amando esse "despertar", por outras palavras… - eu ia dizer o que penso mas vejo que o Joui estava ali e devido permanecer calado - Você queria Thiago, confesse 

-Eu não sei o que eu faria se visse eu e o César em uma situação assim - o Joui diz envergonhado tapando sua face como Thiago 

-Vocês acham que eu deveria tentar me confessar para ela ainda hoje? Eu queria falar com ela sobre - Thiago diz com preocupação 

-Sabe - eu começo a dizer - A minha teoria então se torna certa… Analisando os documentos - digo ai me lembrar do qual ele ama a imagem de Liz desse jeito - Cabelos bagunçar os, caneta em seus lábios, dedos a passear entre as folhas finas e velhas dos documentos - digo a sorrir de lado e recebo um soco de leve em meu ombro dr Thiago 

-César! 

-Sim, Thiago? - digo e vejo Joui se afastar de nós confuso, permanecendo ao lado de Arthur 

-Eu iria ser um incômodo agora se eu falar com ela o que sinto não é? Digo, neste exato momento. Eu a quero levar as estrelas - ele diz viajando em seus pensamentos e direciona o seu olhar para o hoteleiro que estava a separar algumas chaves de quartos para nós - Neste hotel existe algum local onde dê para observar as estrelas senhor? - ele questiona com uma certa esperança 

-Ah, sim! - o hoteleiro diz animado agora - No andar de cima, existe um lugar, porque me questiona? - vejo que o Thiago ignora o Luzidio e me olha animado 

-Eu a iria incomodar não iria? César eu quero falar agora para ela! - após a sua fala eu só consigo suspirar. Esqueçam o que eu disse. O lado sentimental dele é horrível. A insegurança dele está a inundar tudo o meu ar 

-Oh… Certo - parece que o Thiago entendeu o que o meu suspiro significa. Ao menos isso. Thiago caminha pelo mesmo corredor da Liz, pegando uma das chaves, ele iria falar com ela, menos um problema. Joui bem até mim 

-Vamos passar um tempo só nos? - ele diz a indicar o Arthur também 

-Pode ser? - digo sem entender a situação e consigo ver o ânimo de Joui aumentar em formato de sorriso 

-Ótimo! Onde você irá dormir esta noite, César? - ele diz a puxar o meu braço até ao local onde está o Arthur 

-No meu quarto? - dito a achar estranha a questão, pego em uma das chaves que o Hoteleiro colocou em cima do balcão. Mostro o número da chave ao Joui  que ri e fico ainda mais confuso 

-Claro que sim, eu estava a perguntar apenas o número do seu quarto. Ah - ele diz a pegar a última chave que restou - Não ficamos no mesmo andar que - ele fica com uma expressão triste - Bom, agora não importa, vamos ver os nossos quartos? 

-Eu posso apresentar o Hotel! - eu tomei um susto com a vinda repentina do Hoteleiro atrás de nós três - Vocês ainda não o conhecem. Nem sabem as regras. Sim, existem regras 

-Sim, claro vamos - digo achando estranho um hotel ter regras. Começamos os três, digo os quatro a caminhar pelo corredor que antes passaram Thiago e Liz, era um corredor bastante pequeno, mas amplo para a frente. As portas dos quartos eram também feitas de madeira resistente com uma fechadura dourada, o número do quarto, escrito em uma placa simples, estava pendurada em um pequeno parafuso discreto. No chão, existia um tecido avermelhado com alguns detalhes a outras cores escuras, que abafava o som que a madeira fazia a cada passo que dávamos. Ao chegar no final do corredor, à nossa direita, conseguimos ver um outro corredor mais comprido com mais quartos. 

-Eles são um casal? - o Hoteleiro começa a falar e eu o olho com uma sobrancelha arqueada - Não podem dormir juntos, mesmo em casos de casais, não é recomendado aqui. Regras são regras. Mas não posso fazer nada se resolverem o fazer. Preciso de falar algumas regras. É importante - ele diz a mostrar os quartos e nos leva a subir umas escadas inclinadas que se encontram à esquerda do corredor pelo qual caminhávamos anteriormente. Após subir, um terceiro corredor bifurcado apareceu. O Hoteleiro continua a mostrar o seu hotel com orgulho - Se à noite vocês escutarem uma voz de uma pequena garota que bata à sua porta, perguntando pela mãe. Vocês não são a mãe dela por isso não abram a porta. Se ouvirem um ruído de aspirador de pó, não tenham a curiosidade de abrir a porta. Não existe energia elétrica na cidade, muito menos um aspirador. Não saiam de seus quartos durante a noite, nunca, nem para respirar, nem para fazer duas necessidades, nem para socorrer alguém! - ele diz bem sério agora e eu entendo bem a mensagem 

-Mas… - o Joui diz tímido ao meu lado - Porque não podemos sair do quarto? - ao ouvir isso eu fico desiludido, como este homem é curioso! 

-Por sua segurança, são regras! Se precisar de alguma coisa, basta me chamar, as paredes são finas - ele diz a bater nas paredes e consigo ouvir um som oco 

-É melhor permanecer no quarto mesmo - digo nervoso para o Joui. Eu sei que ele vai tentar sair, a curiosidade dele falará mais alto. O Arthur agarra o braço do Hoteleiro com medo 

-É perigoso mesmo?! - ele diz com os seus olhos bicolores em pavor 

-Mas o que pode acontecer de tão ruim se eu dormir no mesmo quarto que alguém? - o Joui pergunta 

-Bem, se você fizer isso, você trará mais trabalho para mim no caso. Mas eu realmente não recomendo dormirem aos pares, eu sei que quer, mas não - o Hoteleiro explica rapidamente 

-Eu não estava a referir no meu caso! - o Joui se explica nervosamente com as mãos - Eu perguntei caso uns amigos meus queiram - ele termina a esconder o rosto 

-Não se preocupe Hoteleiro, vamos seguir as suas regras - digo já a colocar um ponto final nessa discussão 

-Bom, vamos aqui neste andar ver o resto dos quartos - ele diz a mostrar onde ficariam os nossos quartos. Não posso negar que até eu sinto uma certa curiosidade sobre o que será que acontece neste hotel quando a noite reina os céus. 

Paramos de caminhar quando chegamos à estrada de uma espécie de varanda, onde posso ver o Thiago e a Liz, sentados no parapeito de mármore que existem construído à ponta do espaço, falavam lado a lado, Liz com os seus documentos e Thiago com um olhar apaixonado enquanto falava algo para a mulher ao seu lado, com os seus olhos colocados no céu sem estrelas que Santo Berço tem 

-Alguma dúvida? - Hoteleiro pergunta a ver que nós três estávamos a olhar demasiado para as pessoas que estão na parte exterior. Eu nego com um simples aceno de cabeça lateral 

-Está tudo bem, sem dúvidas - digo já a lançar de novo o meu olhar para a situação da Liz e do Thiago que pareciam falar agora algo mais sério pela pose que ambos tomaram repentinamente. Eu me aproximo e tento ouvir mas sou puxado para dentro novamente pelo Joui. Eu o olho incrédulo 

-Sabe, existe uma palavra chamada "Privacidade". Deixe-os ter isso agora! - ele diz baixo mas com certeza no que diz. Eu ia falar algo para argumentar contra ele mas tenho a visão da Liz passando por mim com seus passos lépidos, limpando seu rosto com as suas mãos. Sinto no fundo do meu ser, que algo inesperado aconteceu, a conversa não foi como Thiago planejou ser. 

-Penso que deve ter acabado não é? - Joui fala abalado agora, vendo a Liz descendo as escadas. Ele se abraça e coloca seu olhar no chão. Eu próprio faço isso. Tento pensar o que poderia ter acontecido. O que poderia ter feito a Liz ter tal reação. 

Devido ir até o local onde Thiago estava paralisado. Analiso o seu estado. Seu rosto continha rastros de caminhos de lágrimas, seu rosto corado, uma expressão confusa e dois de seus dedos tocavam no local entre os seu lábio superior e o início do nariz. 

-O que aconteceu? - questiona já sendo o mais direto possível. Eu o vejo tentar se expressão em palavras, mas nada saia, falava palavras sem sentido ou qualquer contexto. Eu tento entender. 

-Ela, eu, ahm, eu tentei falar - ele diz com o seu olhar inquieto - Eu preciso dormir, descansar um pouco, ela diz que isso me fará bem - ele diz a sair dali no mesmo passo que a Liz saiu. Eu o tento seguir mas não iria valer de nada, ele não iria conseguir falar agora. Nem a Liz. 

-César, o que aconteceu aqui? O Thiago foi rejeitado? - Joui me questiona e eu nego. Não parecia uma expressão de rejeição 

-Parece que o plano dele deu certo, mas ele não disse nada - digo a refletir, a pensar em tudo. Até que algo ocupa a minha mente sem ser este romance que nunca mais começa - Joui, poderá me dar o seu celular para confirmar algo? 

Ele entrega com um olhar duvidoso do que eu vou ver ou mesmo fazer. O celular estava desligado, então peço para o Joui o ligar e colocar a sua palavra passe. Eu ia ver as fotos que tiramos hoje mas algo me chamou mais a atenção. O relógio não estava a contar as horas, estava parado, não funcionava 

-Porque o relógio não está a funcionar? - compartilho a minha questão com eles mostrando para eles o relógio do celular 

-Este lugar deve nos isolar totalmente da tecnologia, você vai ficar bem com isso? - O Joui diz preocupado comigo. Eu o ignoro nessa parte, não é como se eu não conseguisse viver sem um pouco de tecnologia. Retiro o meu celular e o de meu pai e tento ver o relógio de ambos os celulares e realmente não funcionavam

-Algo de errado está a acontecer - digo a desligar os dois celulares que tenho em mãos - É impossível o relógio não funcionar! É uma das únicas coisas que trabalham no seu celular, não precisa propriamente de rede para isso 

-O que causaria o mau funcionamento de um relógio que não precisa de rede? - Joui pergunta com um entusiasmo 

-Bem, existem várias causas de  parar  um relógio de um celular, mas são muitas vezes vírus ou um pequeno Bug no banco de dados de um pequeno cartão existente na composição da placa mãe - digo a explicar com as mãos para dar um ênfase -Mas é improvável isso acontecer! Eu programei demasiado bem a minha placa - digo até com orgulho representando em um sorriso 

-Então deve ser alguma influência do paranormal. Este lugar que estamos pisando, removeu a sua configuração com sucesso - o Joui ri com o Arthur que estava muito calado desde que a Liz confessou ao Thiago seus sentimentos 

-Impossível ser isso - digo a abanar negativamente a cabeça - Veja o seu relógio por favor - digo a mostrar o celular dele já com uma teoria em mente, mas eu não sou o melhor nessa tarefa. Tento abrir as configurações do celular e tento desbloquear o relógio - Está igual ao meu - digo a prender o meu cabelo com as mãos nervosamente - Será que… - eu tenho um clique na cabeça - Preciso de ler um documento que a Liz tem - digo bastante pensativo a devolver o celular de Joui, que me nega 

-Você não está cansado para fazer isso neste momento? Você conseguiu trazer a senhorita Liz em segurança para o hotel, conversou com o Thiago, nós dói tiramos variadas fotografias hoje - ele diz a se aproximar um pouco de mim e eu realmente sinto o cansaço pesar nas minhas costas 

-Eu nunca estou cansado - digo a mentir - Aliás, ela é que conseguiu tirar me de lá, talvez dizer-lhe isto que tenho em mente seja um bom avanço para as teorias dela 

-É demasiado para mim, boa noite - Finalmente a voz de Arthur soou, mas foi em tom de despedida. O vejo entrar em um quarto ao lado do meu e trancando a porta. 

-Penso que também irei - digo cansado a soltar meu cabelo 

-Certo, eu irei te acompanhar - o Joui começa a caminhar ao meu lado - Como foi o dia para você? 

-Cansativo. Melhor descansar - digo a bagunçar os cabelos dele - Boa noite Jouki - digo ao chegar à porta do meu quarto. Agarro na chave que escolhi e a coloco na fechadura, que faz um clique a informar que a porta foi aberta. 

-Boa noite César - o Joui diz a se despedir de mim. Sigo-o com o olhar até o perder de vista após descer as escadas ao lado do meu cômodo. 

Entro no quarto e o examino, como esperado, era revestido a madeira e com uma janela quebrada que deixava escapar um vento gélido da noite. Um armário enorme encostado em uma das paredes frontais pode ser visto, o abro e não tem nada ali dentro, apenas o vazio e alguns cabides de ferro com alguns detalhes a rubio. Para um quarto amplo, a cama era minúscula, com uns cobertores nada quentes e desconfortáveis, com uma almofada que podia jurar que era feita de penas, mas quando a abri, bem, nem quero comentar sobre isso. Ao sentar-me cama, vejo ao meu lado esquerda uma pequena mesa de cabeceira com um candeeiro bonito e elegante, com cristais vermelhos como fonte de luz e aquecimento, eu levo as minhas mão até lá e as deixo sentir o calor para me aquecer. Sentia frio. Sentia medo. Sentia um desconforto. Penso em tudo que o Hoteleiro disse. Aquelas regras, como são estranhas e sem nexo. Mas para prevenir, irei colocar uma espécie de armadilha prendendo a porta, não quero que alguém que não é convidado entre no meu quarto enquanto estou a dormir. Começo a pensar e vejo que a melhor forma seria colocar a mesa de cabeceira contra a porta, com o tapete velho e empoeirado enrolado em cima e ainda, sobre o tapete, coloco o candeeiro para caso alguém tentar abrir a porta, irei escutar o som do candeeiro cair e será mais fácil em perceber o que está a acontecer do outro lado da porta. Quem sabe assustaria quem tentasse abrir. Retiro os ínfimos cristais do candeeiro com um pouco do tecido da minha blusa e os levo até à minha cama, os coloco sobre os lenços na esperança de os aquecer. Depois me deito, olhando para o teto falso com ripas de madeira que poderiam cair em cima de mim em qualquer momento. Os meus pensamentos não param dentro da minha mente. Eu me pergunto várias questões. Questões que eu poderei nunca sair a resposta. Mas é assim que a vida funciona. Eu não sou um organismo feito de tecnologia, seria tão mais fácil se o fosse. Mas, eu sou humano, eu posso sentir dor e amor. Posso me sentir frustrado e feliz. E a verdade é que nada é fácil e alcançável para mim. Afinal, quem comanda o corpo é a mente, nem ele tem força própria para fazer o que deseja. Então, com o desejo da minha mente e talvez pelo cansaço que sinto, sinto os meus olhos fecharem, implorando por descanso. A felicidade que o homem pode alcançar, não está no prazer, mas no descanso da dor. O descanso da vida. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Aqui está o Link da fanart que eu e a Ana fizemos sobre este capítulo <3
-Cenário - Desenhado por mim
-Personagens - Desenhado por Ana

https://www.instagram.com/p/CLhCu_MA2OW/?igshid=z2kjeqwofzcq


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