1. Spirit Fanfics >
  2. O Segredo na Floresta >
  3. The things we lost in the fire

História O Segredo na Floresta - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Aviso : Esse é um capítulo mais tristinho mesmo, e pode haver alguns gatilhos.
Contém spoilers do último episódio
Espero que gostem

Capítulo 2 - The things we lost in the fire


Fanfic / Fanfiction O Segredo na Floresta - Capítulo 2 - The things we lost in the fire


Pov Liz

Eu não conseguia acreditar que tinha perdido mais de 20 anos em um piscar de olhos, bom um piscar  de olhos na visão de meus amigos, eu achei que perderia a cabeça , cada vez que mais um dia se pasasava sem que eu pudesse fazer algo para impedir que minha vida se esvaisse assim por meio de meus dedos. 

Quando fui libertada tudo que eu queria fazer era abraçar meus amigos, mas nem isso poderia, eu precisava lutar, lutar de novo, por algo que agora nem me fazia mais sentido. Até que o meu  pior pesadelo começa a se concretizar na frente de meus olhos .

Tudo aconteceu muito rapido, só vejo o Thiago correndo determinado em direção ao monstro, e meu coração para por um momento.


_NÃOOOO_ o grito sai rouco de minha garganta devido os anos sem usar minha voz, tento correr em sua direção mas Joui me impede me forçando correr para fora da caverna, apenas deixo ele me levar para fora, sentindo que uma parte dentro de mim havia morrido, no momento que Thiago desceu seu dedo no botão do detonador.

Do lado de fora sinto minha garganta queimar com toda aquela fumaça, paramos assustados, vendo todos os cidadãos de Santo berço queimando em fogo, entro em choque.


"Isso tudo é nossa culpa, é tudo minha culpa".


_Que bom é poder ver árvores_ falo sem pensar e percebo que Joui se espanta ao meu lado, as árvores ardiam em fogo dando ao céu uma tonalidade de laranja.


Após isso eu obrigo meus pés a segui-los, e a viajem de Santo berço até o bar da Ivete é apenas um borrão em minha mente, eu não tinha forças para falar nada, eu queria apenas desligar. Me sinto dormente e desolada.

Alguém pede a Ivete se poderíamos fazer um túmulo para Thiago ali, Vejo todos eles se despendindo em sua lápide improvisada, ando até ela devagar parecendo um zumbi, todos as conversas e barulhos em volta de mim soam apenas como zunidos distantes.



Me ajoelho em frente ao seu túmulo e retiro do bolso interno do meu jaleco um cantil, um óculos que estava com as lentes quebradas e por último pego o relógio de bolso que Thiago usava, quando olho para o pequeno objeto dourado.


"Eu perdi todos eles, eles estão mortos, por que eu fui estúpida e insuficiente, eles morreram por minha culpa"


Toda Aquela dor reprimida volta a meu peito, começo a chorar desesperadamente. Abraço o relógio contra meu corpo e sinto meu corpo tremer, estou chorando de soluçar agora.

_AAAA_ deixo o grito rouco sair rasgando minha garganta


_COMO PODE ME DEIXAR TAMBÉM _ estou socando o chão de seu túmulo agora, com muita raiva, meus dedos atingem algumas pedras soltas mas não me importo, continuo socando e gritando, com a face ensopada de lágrimas.


_ERA PRA VOCE TER ME LEVADO COM VOCÊ _ estou tirando tudo do peito agora._EU TE FALEI QUE EU NAO TENHO NADA ALEM DE VOCÊ


Não escuto passos, mas alguém me abraça por trás, apertando meus braços e tentando segurar minhas mãos, continuo soluçando e chorando, e em alguns momentos paro de resistir e desmonto meu corpo naqueles braços, da pessoa que se mantém em silêncio apenas me segurando e aguentando meus golpes.

_Eu jurei que sairia apenas com você_ minha voz saí quebrada e isso sai como apenas um sussuro cheio de lágrimas.
_Eu falhei com você... com todos

Para minha surpresa quem me segurava era Cesar, sinto que seu rosto estava molhado de lágrimas também, e apesar de eu ter parado de resistir completamente, ele ainda me segurava.


_Ele sabia o que estava fazendo_ Cesar diz e percebo que sua voz está rouca e emocionada. Eu não consigo tirar meus olhos do chão, presa em todos aqueles que eu havia perdido.




Pov Joui

Olhava pela janela do carro, chorando silenciosamente por Thiago Sensei.


"Eu vou honrar sua memória Sensei"


Pensando nisso curvo a minha cabeça em respeito a sua morte, e limpo minhas lágrimas olhando para os cabelos brancos de Liz Senpai e sinto por sua juventude roubada, mesmo ela estando de costas consigo sentir que ela estava mal, pior que nós.

Presto minhas homenagens no túmulo de Thiago e deixo ali um dos pingentes da minha pulseira .Deixo o meu pingente, e mantenho o de meus amigos na pulseira ainda, seco as últimas lágrimas.



"Thiago Sensei, eu prometo que vou melhorar, por você."


Digo isso e me afasto indo para junto de Cesar, quando vejo, Liz já está chegando no pedaço marcado de terra. Onde já tinha uma moeda de Arthur, marcando-o como um funeral digno de um Galderio-Abutre, e apesar de não podermos ve-lar seu corpo, no fundo eu sabia que Thiago Sensei ficaria feliz com isso.

Vejo ela se ajoelhando, e quero ajudá-la a passar toda essa dor, mas sei que ela precisa de seu espaço próprio, então ela começa a tirar items de seu jaleco, congelo no lugar, quando ela tira o relógio dourado, eu entendo tudo.



"Liz Senpai não perdeu apenas Thiago Sensei"


Olho paro o lado, e Cesar também está prestando atenção nela, consigo ve-lo cerrar o maxilar ao ve-la demonstrar suas emoções. Nunca avíamos visto ela demonstrar algo. Cesar-Kun parecia confuso e ao mesmo tempo preocupado.

Eu consigo sentir a dor a dela, junto com a dor da perda de meu Sensei, eu sinto dor por ela. Liz já estava chorando copiosamente e aquele som parte meu coração e sinto meus olhos se encherem de lágrimas.



  "Liz Senpai por favor não se machuque mais"


Observo a cena se desenrolar, e de repente ela está gritando, gritando toda sua dor para fora. Era como se eu estivesse levando vários socos no peito. Não conseguia ver ela sofrer assim, cubro minhas orelhas com as mãos e fecho meus olhos.

_Eu não consigo assistir isso_ digo rapidamente e me afasto em passos largos


"Joui! Seu inútil! Deveria ajudá-la em vez de fugir assim"



Mas eu não conseguia, eu havia perdido um pai mais cedo, e agora estava prestes a perder a última figura paterna que tinha e não aguentaria  presenciar dessa vez.




Pov Cesar


Voltei dirigindo o carro pois ninguém mais estava em condições para isso, todas as janelas estavam fechadas, mas eu ainda sentia o vento congelante batendo em meu rosto, trazendo novamente aquela sensação aterradora de frio. Com Thiago morreu mais uma chama dentro de mim.


"Chutar portas não será o mesmo sem você"



Penso enquanto estaciono o carro, no Bar da Ivete, observa a velha vir correndo com lágrimas nos olhos abraçando o Arthur e cheia de perguntas sobre que o que havia acontecido.


Me despeço do Thiago no túmulo que improvisamos para ele. Nos últimos dias ele tinha se tornado um irmão para mim, o irmão que nunca tive, não estava pronto para deixá-lo ir mas era a única coisa a ser feita e sempre o admiraria por tudo que fez.

Me afasto do túmulo e ando até Joui que parecia triste e pensativo, Liz que até agora parecia estar em um estado de transe se aproxima do túmulo, eu nunca tinha a visto daquele jeito. Eu me arrependo de todas as vezes que a chamei de insensível, pois percebo agora que ela era dessa jeito apenas para se proteger e nos proteger.

A próxima cena é apenas dolorosa, escuto Joui cuspir algumas palavras sobre não conseguir ver aquilo e vejo que ele sai de perto. Lembro da noite que meu pai morreu e como ela foi a primeira a me apoiar mesmo com todas as farpas trocadas. Ando até ela determinado, e abraço seu corpo, segurando suas mãos que já estão sangrando de tanto socar o chão e as pedras.

Aperto ela contra meu peito tentando oferecer conforto e apenas aguento a seus solavancos e soluços, sem dizer nada, começo a chorar com ela, silenciosamente. Eu estava ali por ela, por que ela não tinha mais ninguém por ela.

Consigo ouvir sua voz acaba, sussurrando como sobre tudo aquilo ser culpa dela, e sentia a sinceridade dolorosa em sua voz. Ela nunca iria se perdoar, assim como nunca me perdoei pela morte de meu pai, e por não tê-lo amado suficiente. Olho para o túmulo ao lado, que tinha uma cruz meio torta, feita pela mesma garota que agora eu segurava.


"Pai...cuida bem do Thiago aí em cima"




Pov Liz

Em algum momento durante todo os gritos e lágrimas, uma garrafa de whisky tinha sido entregue a mim, abro a mesma e Olho para ela.


"Mãe... Eu falhei novamente...essa vai ser a garrafa mais dolorosa que vou beber para pagar essa minha promessa"


Ainda ajoelhada no chão, falo alto, mas não para o César que estava no chão ao meu lado, mas sim para mim mesma.

_Eu não vou voltar, nunca mais _ pelos olhos alarmados de César, ele sabe que eu não estava me referindo apenas a ordem.

Ergo a garrafa saudando O túmulo de Thiago

_Para tudo... tudo que perdemos no fogo_ pronuncio com dificuldade as palavras sentindo as lágrimas voltarem as olhos.

Viro a garrafa o mais rápido que consigo, sentindo a garganta arder, com o corpo fraco demais o álcool faz seu efeito mais rápido do que nunca, e quando estava quase terminando a garrafa sinto meu corpo cair para frente e meu rosto cair na terra, eu sabia que iria apagar, só estava torcendo para que não acordasse mais. Para que não tivesse como decepcionar mais ninguém.


O Título de "Equipe E" não fazia mais sentido.






Notas Finais


Agradeço a todos que comentaram no ultimo capítulo ❤ o feedback de vocês realmente me ajuda a continuar


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...