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História O SEGREDO NA FLORESTA: A Origem - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Oi's pessoal! Espero que esteja tudo bem com vocês!
Mais um capítulo para vocês! Espero que gostem! <3

Capítulo 4 - "Suvaco Seco"


Fanfic / Fanfiction O SEGREDO NA FLORESTA: A Origem - Capítulo 4 - "Suvaco Seco"

-Eu quero ir nos dardos. – Joui diz animado.

-Sem problemas em competirmos. – Cris olha para o Brúlio.

-Ahahaha vamos então? – Brúlio sorri animado e puxa uma mesa para perto e senta-se já com o braço pronto na mesa.

-Se você quebrar meu braço, vou ficar bem triste. – diz Cristopher se aproximando.

Liz se aproxima de Ivete, que parece bem interessada na competição, pede uma dose de Whiskey e se senta perto de César e Elena. Joui se aproxima também e pede um café expresso.

-Aqui não servimos café. – Ivete olha confusa para o ginasta.

-Uma água então. – Joui refaz o pedido ligeiramente decepcionado.

Como Ivete estava mais atenta à disputa entre Cristopher e Brúlio, a dona do bar apenas vai até a geladeira, pega a garrafa d’água e a arremessa para Joui, que pega a garrafa tranquilamente, sem sequer olhar o objeto vindo em sua direção, em seguida dá um longo gole.

César, por sua vez, vai junto com Thiago para mais pra perto da mesa para assistir a queda de braço, enquanto Elena, Liz e Joui observam atentamente Brúlio e Cristopher do balcão.

-Vai ser você mesmo, gringão? – Brúlio pergunta.

-Olha para eles... – Cristopher aponta para seus companheiros. – Acha que algum deles vai conseguir fazer isso?

-Ei! – Joui reclama, mas é ignorado.

Cristopher se senta e coloca seu braço contra o do Brúlio. Em seguida um dos membros da gangue se aproxima e começa a fazer a contagem.

-3, 2, 1... Vai! – ele diz.

Nesse exato momento é possível ouvir a mesa rangendo. Cris e Brúlio começam a disputa de força. Os braços de ambos tremiam no início e pareciam imóveis, até que Cris começou a ganhar a vantagem.

Enquanto isso, César pega seu celular e começa a filmar.

Em seguida, Brúlio faz mais força impedindo Cris de avançar mais com o braço, e lá ficam os dois, um impedindo o outro de avançar.

-Sem virar a mão, caralho! – Brúlio reclama.

Nesse momento, Joui também começa a filmar com seu celular.

-Não estou virando a mão... – Cris olha confuso para o motoqueiro.

-Vai Sr. Cris! – Joui começa a torcer.

Brúlio recupera rapidamente a vantagem que Cris havia conseguido inicialmente sobre ele e agora estão empatados. A veia do braço do Brúlio estava tão sobressalente que poderia estourar a qualquer segundo.

-Isso tá muito empolgante. – Joui se vira animado para Liz e Elena que observavam a disputa também.

Nesse mesmo momento, uma enorme animação tomou conta de César.

-Vai, pai! – ele grita empolgado.

Cris e Brúlio continuam emparelhados, ambos vermelhos e com veias sobressalentes no rosto, pescoço e braços. A torcida de César teve um efeito contrário do que ele desejava, Cris acaba se distraindo com seu filho e neste momento Brúlio aproveita para usar toda a sua força, vencendo o duelo.

-Filho, pelo amor de Deus... Cala a boca! – Cris grita para César.

-Eu tava torcendo! – César grita de volta inconformado.

-Foi... Muito fácil... – Brúlio diz entre suspiros. Estava nítido que ele estava quase infartando.

-Agora é minha vez. – diz o membro de tapa-olho abrindo a jaqueta e mostrando os dardos guardados nela. – Quem que vai comigo?

-Eu! – Joui grita animado e se apressa até ele.

-É o seguinte, a distância vai ser daqui de trás da mesa. – Gregório explica.

Enquanto o membro da gangue explicava como seria a disputa, Ivete pula o balcão e se aproxima para ver melhor, estava nítido que ela estava se divertindo com aquilo e o pessoal se reúne envolta para observar o jogo. Elena, por sua vez, continua sentada no banco tomando seu Whiskey. Liz vai para perto do alvo e fica recostada no balcão.

-É questão de pontos. – continua Gregório. – Vamos arremessar cinco dardos, quem fizer mais pontos, ganha.

-Ok, parece justo. – Joui sorri. – Prazer, Joui.

-Sou o Gregório. – ele se apresenta. – Gregório Gonovich.

-Pelo amor de Deus, sai daí menina! Se alguém errar pega em você! – Cris grita para Liz que parece não dar ouvidos a ele.

Joui e Gregório disputam par ou ímpar para decidir quem começa, Joui vence e é o primeiro a começar. Ele se concentra e se prepara para arremessar, ignorando as piadas de tiozinhos que Cris e Brúlio faziam um com o outro. Joui acerta o alvo num local próximo do meio e consegue 3 pontos.

-Boa sorte aí. – Joui sorri claramente provocando o oponente.

Gregório se concentra, assopra o dardo e faz um pequeno truque com o dardo antes de arremessar para se exibir, o que faz com que ele se atrapalhe um pouco no arremesso, e erra completamente o alvo.

-Meninaa sai daí! – Cris grita novamente para Liz. – O menino é ruim, vai pegar em você!

Dessa vez, Liz escuta Cris e sai do balcão e vai para perto do Thiago. Enquanto isso César está filmando tudo.

Joui, ainda convencido do seu primeiro lançamento, arremessa novamente, só que dessa vez o dardo vai em direção aos copos da Ivete, justamente onde Liz estava antes do Cris pedir para que ela saísse dali.

-Hahahah Sorte de principiante, era só a primeira. – Gregório debocha e já arremessa seu dardo, sem sequer mirar, desta vez ele acerta, mas nas bordas, o que dá apenas 1 ponto.

Joui, ainda confiante, tenta arremessar o dardo por baixo da perna, para se exibir e acaba acertando o teto, colocando-o em uma situação bem ridícula.

O pessoal em volta começa a rir do ginasta, até mesmo Elena dá um sorriso discreto ao ver o dardo no teto. Depois volta sua atenção para o velho desmaiado perto do balcão, tinha alguma coisa errada com ele. Alguma coisa nele fazia com que sua pele, onde possuía as marcações que a fizeram ter raiva do pai e odiar ainda mais o mundo paranormal, se esquentasse levemente. Como um instinto de que aquele velho aos trapos poderia ter algo a ver com o sobrenatural, ou era apenas o Whiskey. Permaneceu em silêncio encarando o velho.

-Que que é isso? Eu estou jogando com uma criança de 12 anos?! – Gregório diz um pouco irritado. – Pelo amor de Deus... – ele olha para o dardo grudado no teto e começa a rir.

-Tá bom, desculpa. – Joui diz com as bochechas vermelhas. – Vou ir sério agora.

-Olha como se faz, pirralho. – Gregório lança novamente e acerta na borda, dando mais 1 ponto.

Joui se concentra e arremessa sem gracinhas dessa vez e acerta bem no meio do alvo, mas o dardo cai, anulando o ponto.

-Kuso! – Joui reclama.

Gregório ri aliviado e arremessa o dardo mais um vez, acertando novamente a borda. Agora estavam empatados.

-Mas que diabo! – reclama frustrado.

Joui respira fundo e lança seu último dardo. Ele consegue acertar onde Gregório estava acertando, na borda, conseguindo apenas 1 ponto.

-Kusoo!- Joui reclama novamente.

Gregório se concentra e abre um sorriso largo ao ver que tinha o poder de ganhar. Ele, assim como Joui, acerta com tudo o dardo no meio do alvo, mas este também cai no chão, anulando o ponto.

-Nãaaaao! – Gregório berra frustrado. – Puta que pariu! Que diabo! -começa a praguejar.

Joui comemora a vitória bem animado e recebe um High Five de Thiago e Liz, o que o deixa ainda mais empolgado.

-Ganhamos uma no braço de ferro e vocês ganharam outra no dardo. – Brúlio olha para eles. – Estamos empatados. – ele coloca a mão dentro da jaqueta e é possível ouvir um som metálico, em seguida ele puxa uma magnum e coloca na mesa.

-Quem vai? – pergunta tirando as balas da arma, deixando apenas uma. Elena observa Brúlio atentamente enquanto ele manuseia a arma e depois volta sua atenção para o copo de Whiskey na sua frente.

-Ah eu não vou. – César se adianta.

-Eu vou. – diz Liz.

-Não vai mesmo. – Thiago a impede de ir até a mesa e se apressa até o Brúlio. – Eu vou.

-A gente está falando sério, pessoal? – Joui olha confuso ao redor.

-Vocês são frouxinho é? – Brúlio olha para Joui.

-Não sou frouxinho, só não quero morrer. – o ginasta olha pra ele.

-Não, Thiago. – Liz olha pra ele. – Você não... É a única família que me resta.

-Não se preocupa. – Thiago sorri para ela. – Tá tudo bem.

-Desse jeito vão me infartar. – Cris olha para Liz e Thiago e depois para o Brúlio.

-Estamos fazendo isso em troca de ouvir uma história?! – César olha descrente para Thiago.

Joui sai de perto da mesa e vai para o outro lado, recusando-se a olhar para aquela cena.

-Não faz sentido isso! Sai daí Thiago... Tirar a vida para ouvir uma história! – César diz indignado.

-Sim... Sai daí, menino! – Cris grita para Thiago.

Thiago, já sentado na cadeira de frente para o Brúlio, coloca a arma na cabeça e puxa o gatilho.

*click*

Nada acontece.

-Hahahah é disso que eu gosto. -Brúlio ri pega a Magnum de Thiago e mostra que não havia bala nenhuma, tudo não passou de um truque com as mãos, a bala que ele aparentemente tinha colocado na Magnum mais cedo, na verdade estava escondida entre os dedos. – Só queria ver se vocês tinham coragem, nunca iria matar alguém aqui no bar da Ivete, ainda mais pessoas que não fizeram mal algum. – ele continua rindo.

-Vocês não tinham percebido? – Elena olha para o grupo, que se vira para ela com os olhos arregalados.

-Se você sabia disso deveria ter falado! – Liz olha para ela muito irritada.

-Se de fato houvesse algum perigo, eu com certeza não estaria só bebendo aqui. – Elena dá de ombros.

 Liz, um pouco trêmula, sai do bar para tomar ar por alguns instantes. Aquela situação, justo com Thiago, foi muito estressante para ela.

-Vocês queriam saber sobre o Dr. Lunático, não é? – Brúlio sorri. – Venham, sentem aí. – ele gesticula para as cadeiras. – Ivete, traz uma rodada de Whiskey pra todo mundo por minha conta.

Liz e Joui voltam para perto do pessoal. Joui foi para junto do Gregório jogar sinuca e Liz foi para o balcão, ao lado de Elena. Thiago vira o shot de Whiskey em uma só golada e já pede outro para Ivete.

-Quem é aquele velho ali caído no balcão? – Cristopher aponta para o velho que continuava desmaiado.

-Aquele ali é o véio louco. – diz Brúlio. – Ele aparece aí as vezes. A Ivete cuida dele porque parece que ele não tem mais ninguém, né... Também não tem língua... Mora aí pelas ruas né...

-E quando foi que ele apareceu pela primeira vez? – Elena perguntou interessada.

-Sei lá... Acho que faz cerca de três ou quatro meses. – Ivete responde.

-Mas então vocês querem saber sobre o Dr. Lunático, não é? – Brúlio se vira para o pessoal. – É a lenda mais famosa aqui da região. – ele começa a falar.

Enquanto isso, César vai para o balcão, perto de Liz e Elena, e começa a observar o “véio louco”, em seguida se vira para as meninas.

-Vocês não acham suspeito ter um velho todo machucado desmaiado aqui no balcão e todo mundo achar normal? – ele pergunta.

Liz concorda e dá algumas cutucadas discretas no velho, sem reação alguma.

-Algo me diz que ele pode estar envolvido com alguma coisa paranormal. – Elena fala de forma que apenas Liz e César são capazes de ouvi-la.

-Por que você pensa isso? – César pergunta curioso.

-Não sei dizer, como você disse é muito suspeito. – ela dá de ombros.

-Isso não é o suficiente para dizer que ele tem algo a ver. – Liz se vira para ela.

-Sim, mas também não podemos descartar a possibilidade. – diz por fim.

-Como eu tava dizendo... Sobre o Dr. Lunático – a voz do Brúlio ressoa pelo bar. – Há muitos anos, lá para 1920 por aí tinha um médico aqui na região que se chamava Virgulino. Morava numa casa perto da floresta aqui na região... Naquela época Carpazinha nem era formada ainda. Aí as pessoas passavam perto da casa dele e ouviam gritos, gente pedindo socorro... – ele faz uma pequena pausa dramática para dar um suspense. – Aí o pessoal que morava perto decidiu se juntar para ver o que tava acontecendo né, invadiram a casa do médico e descobriram que o desgraçado torturava a esposa e a filha. Deixava as duas presas no porão e ficava injetando coisa. Coisa de médico né... – diz aparentemente confuso. – Maluco, doido da cabeça né...

-Sim, com certeza. – diz Thiago.

-Lunático... – comenta César.

-Na época, o povo ficou tão revoltado quando acharam as mulheres né que enterraram ele vivo na própria casa. – Brúlio continua. – E nunca mais se ouviu falar das mulheres ou dele né... Mas isso aí aconteceu há muitos anos, o pessoal fica dizendo por aí a lenda né... Se você estiver perdido na região durante a noite você vai ouvir a risada do doutor e aí ele vai te levar para a casa dele e fazer experimento com você igual fazia com a mulher e a filha. E adivinha só – ele faz outra pequena pausa dramática. – Teve um rapaz aí recentemente que morreu e sumiu justamente filha e esposa dele, igual na lenda... – ele fala com a voz um pouco mais baixa na tentativa de deixar o clima mais tenso. – Ô Ivete – ele volta a falar normalmente – Não eram aquele pessoal que veio aqui no bar comprar uma água? – Brúlio olha pra ela.

-Sim, eram eles mesmo. – a dona do bar confirma. – Vieram na noite que desapareceram... Tanto é que fui eu quem encontrou o carro dele abandonado ali e chamei a polícia.

-Encontrou ele aonde? – perguntou Thiago.

-Encontrei ele no chão estirado mesmo. Tava jogado no chão com três facada.

-Que loucura... Foi aqui perto que você encontrou? – Thiago pergunta novamente, claramente interessado.

-Na estrada mesmo, dez minutos daqui. – diz Ivete.

-Obviamente não é coisa de Lunático nada... É os Assombrado esses arrombado. – Brúlio diz. – Deve ter matado ele pra roubar as coisas dele né...

-Você poderia falar para a gente onde fica essa casa aí da história pra gente ficar longe né... – Cris diz.

-Do Dr. Lunático? – pergunta Ivete.

-É, pra gente ficar distante né... – Cris diz rapidamente.

-Ninguém sabe onde fica. – diz Brúlio. – Falam que é na região, mas ninguém nunca encontrou. Foi abandonada né... Mas eu sei muito bem que não foi porcaria de Dr. nenhum... Foram os Assombrado esses arrombado, que ficam pegando os motoristas, roubando e matando por aí. Esses filhos da puta... – era nítido o desprezo nas palavras de Brúlio.

-Esses aí quem são? – pergunta Thiago.

-É a outra gangue né. – diz Gregório depois de encaçapar uma bola. Estava vencendo Joui ao que parece.

-Ainda acho que não poderiam entrar aqui, Ivete. – Brúlio olha pra mulher.

-Não tem o que eu fazer né... – suspira.

-Faz sentido a Ivete deixar porque ela precisa sobreviver né... – comenta Cris.

-Pior do que isso né... Eles sustentam esse bar aqui. – diz Ivete.

-Mas vocês são legais, tenho certeza que nenhum deles vão querer fazer nada demais com vocês. – Cris olha para Brúlio que começa a gargalhar.

-Você não sabe metade da história... – ele ri.

-Eu quero saber metade da história. – Cris olha para ele.

-O líder deles, o Rodolfo, era da nossa gangue. A gente criou os Gaudérios juntos né... – Brúlio começou a contar a história. – Só que aí ele era meio psicopata, meio assassino né... A gente era jovem, guri né... Ficava metendo o louco... Até já roubei já, mas nunca matei. Nunca, nunca. Mas ele gostava... Tinha sede de sangue. E não deu mais, uma hora ele quis matar e eu não deixei. Nem fodendo, não na minha gangue. E aí ele criou a dele e nós ficamos com a nossa.

-Rapaz... Esses Assombrados aí, não quero papo com eles porque já vi que eles não estão pra brincadeira não. – diz Thiago.

-Os arrombado, né. – Brúlio ri. – A gente chama eles assim, né Murilo? – ele cutuca o membro da gangue que fez a contagem na queda de braço.

-É, é... – Murilo ri.

-Ainda bem que a gente conheceu vocês né... – diz Elena do balcão. – Falando nisso, gostei das motos que vi no estacionamento. São de vocês?

-Sim. – Murilo sorri orgulhoso.

-Compraram por aqui na região mesmo? – perguntou.

-Nah, aqui não vende isso, aqui em Carpazinha e região mal vendem carro, quem dirá moto. – ele ri.

-Droga... – Elena murmura para si, apenas Liz e César escutam.

-Verdade, que bom que conhecemos vocês... – diz Thiago. – São mó simpáticos...

-A gente gosta de moto, mas não quer dizer que somos arrombados que nem eles né... – diz Brúlio.

-Falando em moto, se tu quiser dar uma volta de moto comigo... – Murilo olha para Elena esperançoso e com um sorriso meio tímido. Dos membros da gangue, Murilo era o que parecia mais novo, parecia ter por volta dos 23 anos. Tinha o cabelo grande e os olhos verdes.

-É, quem sabe né... Ver se a gente fica pela região... – ela desconversa.

-Claro, claro. – ele sorri se sentindo vitorioso.

Enquanto Brúlio contava sobre os Assombrados, a porta do bar fez barulho e dois brutamontes carecas vinham na direção do balcão. Ambos usavam uma jaqueta de couro com uma caveira num formato meio fantasmagórico estampada. Eles parecem estar embriagados.

Eles se aproximam do velho que estava com a cabeça sobre o balcão.

-Olha quem tá aqui! – um deles diz com uma voz esganiçada e risonha, em seguida, empurra o velho para o chão, derrubando-o. Nesse momento o velho acorda, completamente assustado, e começa a gemer com dor.

-Ou... Manda a garrafa pra nós aí logo, caraio. – o outro careca olha para a Ivete, que fica quieta e entrega a garrafa para ele em silêncio.

O primeiro careca, que derrubou o velho, vai em direção ao rádio e liga um metal pesado e coloca no volume máximo.

Os membros da gangue dos Gaudérios olham para os dois com desprezo.

-Ó quem tá aí... Só falar nesses filhos da puta que eles aparecem... – Brúlio comenta com Cris, que estava ao seu lado.

Liz, receosa com os dois grandões que chegaram no bar e estavam no balcão, se afasta um pouco e fica mais perto de Elena e César.

-São eles? – Cris se vira para Brúlio.

-Sim, esses são só dois, mas tem muito mais... – o grandão barbudo responde.

O careca que estava no rádio volta para o balcão e fica bem ao lado de Elena. O outro, que estava com a garrafa, cospe no chão e depois olha em volta para o pessoal no bar.

-E quem são esses aqui hein? – abre um sorriso amarelo. – Carne nova no bar, huh? – continua sorrindo de um jeito macabro. – Quem é essa gostosa aí? – ele olha para a Liz.

-Aquela ali eu não sei, mas essa gostosa aqui... – o careca que estava ao lado de Elena se aproxima ainda mais e recosta no balcão, ficando totalmente encurvado sobre a garota, encarando-a como se ela fosse algum tipo de refeição saborosa. Elena, por sua vez, fica em silêncio ainda tomando sua bebida, ignorando completamente a existência daquele verme ao seu lado.

-É nova aqui? – o primeiro careca ainda continua mexendo com a Liz. – Vem cá sentar no colo do papai, vem. – abre ainda mais um sorriso maquiavélico.

-Ah não, filhos da puta... Vocês não vão mexer com esse pessoal não. – Brúlio logo se adianta. – Eu gosto de vocês. – ele olha para Cris.

-Gostei dos olhos... – o cara do lado da Elena chega ainda mais perto. – E dos peitos. – ele abaixa a cabeça em direção ao suéter dela. – Aposto que são enormes se tirar esse pano aí. – ele pega o copo da mão da garota e toma o resto do Whiskey.

Elena, que até então se manteve quieta, encara o careca ao lado dela, bem irritada.

-Ô seus arrombado, seus filhos da puta! – Brúlio grita para eles. – Vocês é depois da meia-noite. – ele se aproxima dos dois carecas.

-Se continuar me olhando assim eu apaixono. – o careca ignorou Brúlio e sorriu de forma dissimulada para Elena e estendeu a mão para tocar no cabelo da garota. Antes mesmo que ele conseguisse tocá-la, ela rapidamente segura sua mão e a vira para trás, quebrando o pulso dele completamente.

-Arrggh, porra! Sua vadia! – o careca olha com fúria para ela. – Olha o que você fez com a minha mão! – ele reclama com dor.

-Vou fazer muito mais se tentar me encostar mais uma vez. – Elena olha para ele de forma fria. Apenas pela forma como ela quebrou a mão dele, o careca sabe que ela é forte.

Nisso, Thiago saca sua Magnum e aponta para o careca com o punho quebrado, mas Brúlio abaixa a arma dele.

-Não usamos armas no bar. Aqui não. – Brúlio olha de forma séria para Thiago.

César se aproxima de Elena e fica na frente da Liz.

-Ah, mas era isso que eu queria mesmo. – o careca que estava com a garrafa na mão começa a rir. – Ô Jorge, para de ser frouxa e ficar chorando por causa da mulherzinha. – ele olha para o outro careca que se contorcia de dor ao seu lado, em seguida coloca a soqueira. O careca que estava com o punho direito quebrado pega uma faca com a mão esquerda.

Elena se mantém ali parada, pronta para a briga, apenas com as mãos.

Joui, ao ver as garotas ameaçadas e o Thiago agindo, começa a ir em direção ao balcão, onde estavam os dois carecas, Elena, César e Liz.

O cara que estava com a soqueira vai para cima do Brúlio, que estava mais perto, e acerta com tudo na boca dele, que cambaleou um pouco com o golpe, mas ainda estava de pé, com o sangue escorrendo no canto da boca.

Nesse mesmo momento, o que estava com a faca vai para cima da Elena bem veloz, que talvez por ter bebido demais ou por não estar esperando aquela velocidade, é um pouco lenta em desviar da faca, fazendo com que ela recebesse o golpe de raspão. No suéter azul é possível ver um fino rasgo, de onde sai um pouco de sangue.

-Elena, vem pra trás de mim. – César puxa a garota para trás dele e fica na defensiva. É até surpreendente a força que ele usa para puxá-la, pois não parecia que ele fosse capaz de fazer isso tão facilmente como ele fez.

Brúlio, ao tomar a porrada, já volta com tudo e dá um soco no rosto do que o havia atacado, este também é pego em cheio e cai com tudo no chão, inconsciente. O careca da faca não nota seu companheiro caído e continua atacando, dessa vez vai no César, que consegue desviar rapidamente da faca, deixando o cara com uma abertura enorme. Elena, que agora estava atrás do César vê a abertura e aproveita para ataca-lo com um chute. Ela acerta. Bem no estômago, é um chute simples, mas qualquer pessoa que vê pode perceber que é um golpe de alguém que luta, não apenas uma pancadaria sem fundamento, nisso, com o chute, o careca é arremessado para longe dela e cai perto do Brúlio, ainda com a faca.

É possível perceber que o cara ficou com falta de ar por causa do chute, mas ele rapidamente se coloca de pé e percebe o amigo caído perto dele.

-Caralho... – César olha para Elena. – Da próxima vez me avisa que eu fico atrás de você. – ele volta para o lado dela. Enquanto isso, Liz se abaixa e pega um canivete que ela tem guardado na bota.

Cris, ao ver o cara da faca se levantando, aproveita para dar um soco em cheio no rosto dele, mas ele consegue desviar e acerta Cris com a faca, cortando profundamente o braço do gringo.

Joui, ao perceber que não conseguiria alcançar Liz e os demais no balcão devido a grande confusão e quantidade de pessoas aglomeradas ali, pula pelo balcão, fazendo algumas acrobacias e chega atrás do cara da faca fazendo uma cambalhota sem as mãos, aproveitando todo o movimento para desferir um chute por trás, mas não consegue.

César sai do lado das garotas e corre até a mesa mais próxima. Pega um copo que estava na mesa e arremessa em direção ao cara da faca, mas o arremesso sai um pouco errado devido a toda adrenalina da situação e o copo vai em direção ao balcão, quebrando-se contra a madeira.

-Ô caralho, cuidado aí! – Ivete grita para César.

-Foi mal! – ele grita de volta e já se prepara para pegar outro copo.

Thiago, como foi impedido de usar a arma, pega a cadeira mais próxima e se prepara para acertar o cara da faca, mas Cris, uma enorme muralha, está na sua frente e ele não consegue passar, ao perceber isso, Thiago pega uma garrafa e a quebra, deixando a postos uma garrafa quebrada na mão, preparado para usá-la, caso necessário.

O cara da faca, com dor e raiva, vira-se para Cris e tenta acertá-lo no meio do abdômen, o grandão tenta se desviar, mas não consegue e acaba sendo atingido na costela.

Brúlio, ao ver Cris sendo atacado, puxa Cris para trás dele. Ao fazer isso, a faca que estava enfiada no gringo, continua enfiada e vai junto com ele. Agora o cara da faca não estava mais com uma faca.

Murilo e Gregório dão a volta para cercar o cara.

Joui tenta dar uma rasteira no cara, mas ele consegue pular, ele tenta chutar de volta, mas não consegue, o ginasta é muito ágil.

Liz, com seu canivete, se aproxima do cara por trás e pula sobre ele, atingindo a faca na nuca, que entra só até a metade. No susto, o cara dá uma cotovelada em direção a Liz, mas não consegue acertar.

César novamente atira um copo em direção ao cara e dessa vez acerta, fazendo com que o copo se quebre no rosto dele e fiquem diversos cacos grudados ali.

Agora que Cris não estava mais na sua frente, Thiago conseguiu ir pra cima do cara com a garrafa, mas este desvia e aproveita para contra-atacar, acertando em cheio a boca de Thiago, que começa a sangrar na hora.

Elena, ao ver a confusão, se aproxima do cara e o ataca, no momento em que ele atacava Thiago. Ela acerta em cheio a costela do careca e, em seguida, aproveita que ele se encurvou e dá um clinch por trás, imobilizando-o.

Cris aproveita que não está sendo atacado e puxa a faca que estava presa em sua costela, apesar de ter sido profundo o suficiente para ela ter ficado presa ali, não foi tão fundo a ponto de acertar algum órgão vital.

-Tá bom, tá bom... Calma caralho. – o careca levanta as mãos para cima em sinal de rendição, uma das mãos estava voltada para trás, era o punho quebrado. – Quer matar também? É só briga de bar, não sabe diferenciar? – ele se volta para Elena, que ainda o pressionava. Ao ver que ele não lutaria mais, ela o soltou.

Liz vai rapidamente para o lado de Cris para tratar os ferimentos. César vai junto, preocupado. Murilo vai para o lado de Elena que observava o careca em silêncio.

Completamente derrotado, o careca se abaixa e puxa o amigo inconsciente pelo braço com a única mão boa, e vai arrastando até sair do bar.

-Tá tudo bem? Tá sangrando... – Murilo olha para Elena.

-Tô bem. – responde rapidamente.

-É bom dar uma olhada nisso aí. – Aponta para o rasgo no suéter de Elena, de onde saíam várias faixas finas de sangue, indicando que o golpe não pegou tão de raspão assim.

-Não é nada demais. Tá tudo bem. – diz e vai em direção a Cris, que estava bem ferido.

-Não se mexe, vou pegar o kit de primeiros socorros. – Liz olha para o estado de Cris e vai correndo em direção ao estacionamento.

Joui fica ao lado de Cris, assim como César e o olha preocupado, depois olha para Elena.

-Você está bem? – pergunta para ela que apenas acena positivamente com a cabeça.

-Aguenta firme aí grandão. – Elena olha para Cris que abre um sorriso de lado.

-Vou ficar bem, gente. – o grandão diz.

Thiago volta a se sentar na mesa e começa a beber, não demora muito e Elena faz o mesmo. Brúlio e os outros dois membros da gangue também começam a beber.

-Vocês não queriam saber quem eram os arrombado? Tá aí. – Brúlio olha para Thiago e Cris.

Liz volta correndo até Cris.

-Vou ter que dar uns pontos... – ela olha para o ferimento. – Não tem anestesia, acha que consegue aguentar?

-Não preciso disso, menina. – Cris começa a rir e levanta a camisa revelando inúmeras cicatrizes. – Pode fazer sem anestesia, já estou acostumado.

O pessoal ao redor olha surpreso para a quantidade de cicatrizes do Cris, Liz principalmente por estar mais perto, em seguida, ela esteriliza os instrumentos que precisa, limpa bem a ferida e começa a fazer os pontos.

A Ivete, após servir as bebidas, pega uma vassoura e começa a limpar os cacos da recente briga.

-Seria uma boa a gente ir para o hotel né? – Liz pergunta enquanto termina os pontos de Cris.

-Concordo. – diz Joui.

-Um hotel aqui por perto só tem em Carpazinha, eu acho. – Brúlio comenta.

-Eu acho que seria bom eu descansar. – Cris diz fazendo uma cara de dor.

O velho que um dos Assombrados derrubou ainda estava no chão, num canto. Ele se levanta e corre para a saída.

Gregório e Murilo voltam a jogar sinuca. Este último ainda olha de relance para Elena com um pouco de preocupação, mas ao ver que a garota estava bem mesmo, volta sua atenção para Gregório, com quem jogava.

-Agora vocês podem falar exatamente porque vieram. – Brúlio olha para o pessoal. - Vocês não são pessoas normais que estão só em uma viagem. Vocês estão armados. Sinto que tem alguma coisa que não estão falando. – ele dá um gole na sua bebida.


Notas Finais


E então, gostaram? Espero que sim!
Até o próximo capítulo!
Beijos de Luz <3


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