História O sem casa - Capítulo 3


Escrita por: ~

Visualizações 15
Palavras 4.583
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Romance e Novela, Saga, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu sei que desta vez eu não me atrasei para postar, na verdade, fiz o milagre de fazer isso cedo sendo que estou totalmente atarefada. Haha, não sei como eu consegui escrever tudo isso de palavras em uma folha de papel e depois reescrever no computador tão rápido, foi só uma semana sendo que eu demoro mais do que isso para poder produzir alguma coisa... Achei até que iria passar muito mais do que isso! Então sem delongas espero que gostem do que eu postei! Ainda não foi corrigido, então tenham paciência!

Capítulo 3 - Between houses


Ele abre os olhos, talvez por que na sua mente tudo não passava de um sonho, o qual nunca desejaria acordar, estava tão perfeito naquele local, tinha até mesmo um amigo. Primeiro, espreitou com leveza o lado de fora do seu sonho, ainda adormecido voltou a fechar os olhos e processar as informações que havia curtamente coletado, depois finalmente levantou admirado, uma energia e alegria contagiante espalharam por todo o seu corpo tomando-o por completo. Tateou com prazer as cobertas sentindo a textura macia do cobertor grosso e branco de sua cama, tocou os travesseiros novos e peludos, ao fim, deixou os pés pisarem com delicadeza no chão áspero do seu quarto, o friozinho correu por todo o seu corpo causando um arrepio delicioso neste. Sorriu como uma belíssima criança que acabara de ganhar presentes faria enquanto olhava as cortinas esvoaçarem com o ritmo calmo das lufadas de vento que a noite jogava contra elas. Andou com cautela até a janela observando tranquilamente o lado de fora do local. A floresta era fracamente coberta por um véu branco da luz da lua, a qual brilhava refletida nas suas íris avermelhadas. Por algum motivo Anna sentia certo remorso quando observava os seus olhos, lamentando por serem daquela forma. Não compreendia o que ela dizia, mas lembrava-se de ela sempre comentar a palavra “Olhos azuis como os de um Potter” — Dizia Anna como se fosse algo devastador. Mordendo os lábios puxou silenciosamente uma das cadeiras para perto da janela, onde se debruçou um pouco para encarar melhor tudo.

Realmente, Hogwarts era faiscante. Nunca se imaginou ter aquela grande sorte e no dia seguinte iria rumo a sua sala de aula, a primeira de futuramente várias, seria o melhor aluno daquele colégio, faria a diretora deseja-lo como os professores desejaram, mostraria que Minerva havia feito uma boa escolha ao poupar ele. Certamente, achava empolgante a ideia de estudar com outros seres que não fossem uma coruja-da-neve. Piscou algumas vezes sentindo o coração acelerar e o nervosismo fluir.

Foi como uma tapa a chegada da realidade e da razão na sua mente. Nunca havia entrado em uma escola, ou se encontrado com outro ser que não fosse uma coruja falante. Comumente, animais não produzem ruídos, mas Anna era especial a seu ver. Se errasse em algum assunto seria punido? Como seria a punição? Com garras sendo cravadas fundo no seu ombro já lastimável? Ou teriam deveres e detenções infinitas para copiar ou recitar? Passaria mico? Talvez! E se não se socializasse? Nunca havia aberto a boca a nenhum estranho. O mundo parecia conspirar contra o garoto, jogando mil e uma teses para não ser feliz nem por um segundo.

Um pouco de suor escorreu pelo seu rosto quanto estava chorando assustado, soluçando em silêncio e tremendo com se houvesse visto o bicho-papão. Encolheu-se mais ainda abraçando os joelhos e deixando as lágrimas rolarem sem rumo sobre suas bochechas já rosadas.

 

— Hey, você está bem? — Perguntou o menino deitando-se lateralmente e pondo a mão para sustentar o corpo naquela posição. Ao notar as pequenas tremedeiras do menino concluiu o que estava acontecendo, ficou assustado com aquilo. — Está… — Hesitou, mas prosseguiu limpando a garganta. — Chorando?

— Não é nada, volte a dormir, senhor Steven. — Soluçou limpando o rosto com as mangas brancas da longa blusa que mais parecia um vestido que blusa em seu corpo pequeno. — Na verdade, só me responda uma coisa.

— Sim…

— Como devo me portar na sala de aula?

— Como um aluno normal. — Falou simplório, em sua mente aquilo era completamente simples, já havia visitado salas e salas de aulas, conhecia poucas e boas, mas ao fim lembrou de que estava falando com alguém diferente. Viu o menino se encolher timidamente, provável que estivesse envergonhado com algo. — Você nunca entrou em uma antes? — Perguntou surpreso, porém nem tanto, viu a mesma reação e um pequeno soluço fraco.

— A segunda opção é a que mais me descreve nesse momento, senhor Steven.

— Sem formalidades, Anthony, não sou um velhote como a diretora Minerva. — Falou sem qualquer pudor. — Quero dizer, não aparento ser um velho, certo? — Brincou, mesmo que no fim ainda estivesse com certo nervosismo, era um chapéu e antigo.

— Não, não parece, mas…

— Sem “Mas…”. Somos amigos e ponto. Respondendo a sua pergunta: Aconselho-lhe a ser uma pessoa educada, que preste atenção e seja atento aos trabalhos, ou seja, uma pessoa dedicada.

— Entendo. Como a Anna ensinou. — Balbuciou.

— O quê?

— Nada. Boa noite, senhor… — Logo um olhar zangado do outro o fez parar imediatamente e corrigir a fala. — Quero dizer, Steven, boa noite, Steven!

— Boa noite, Anthony!

 

O nascer do sol tocava com cores fortes e quentes quase todos os cantos da grande escola. O menor já estava de pé arrumado para o primeiro dia de aula, acordado pelos pigarreares constante da ave aprisionada no poleiro de ouro aprontou-se em uma velocidade absurda. Não havia deixado de sorrir nem por um minuto, o fato de estar em uma nova escola, ou melhor, na sua primeira escola lhe deixava extasiado, arfante e cheio de contentamento, não havia aquela desculpa de “Hoje é segunda-feira” fizesse chuva ou sol estaria estudando com alegria. Arrumou a gravata branca e a típica capa preta, escovou os cabelos rebeldes semi-ondulados que adoravam lutar para se manterem na mesma posição, assim fizeram até o menino desistir. Arrumou as mangas e finalmente cutucou o colega de quarto. Steven dormia serenamente com um fiozinho de baba escorrendo pelo canto da boca, esboçou um pouco de nojo, mas novamente começou a cutucar este tendo como respostas poucos movimentos e baixos resmungos. Desistindo, andou até a gaiola puxando-a pela grade e abrindo a porta próxima aos dedos do amigo. Vira Anna feliz ouriçar as penas e mordiscar prazerosamente cada dígito até fazer o outro acordar de solavanco ao ponto de cair da cama e tirando pios contentes e uma despreocupada gargalhada do novato.

Viu-se desorientado no chão, completamente dolorido nas mãos. Nunca dormiu, foi uma ótima sensação, mas quando começava um cenário maravilhoso sentia o seu nome sendo chamado e seu corpo ser cutucado levemente, não queria aquilo, desejava permanecer naquele belíssimo lugar chamado sonho. Levantou encarnado chateado o semblante divertido do garoto, que na noite passada chorava agora sorria livre, viu-se sorrir e puxar o travesseiro e, fazendo a questão de ser o mais babado, tacando-o no rosto do amigo.

 

— Hey, eu acabei de me arrumar! — Resmungou de forma muito parecida com um sonserino.

— A culpa não foi minha se você me atacou com essa ave louca.

— Não chame Anna de doida. — Rosnou cheio de si. — Nunca!

 

Aquela coragem e atrevimento, aquela fumaça destreza que só os da casa dos grifos tinham o fez ter os olhos brilhando. Iria abrir a boca para anunciar ter encontrado a casa correta para o menino quando viu o mesmo se arrumar de uma forma delicada e peculiar, arrumando-se com delicadeza e pomposidade, buscando perfeição como a casa adversaria fazia. O mundo só brincava com sua cara dando falsas pistas do local onde aquele menino pertencia. Rosnou internamente pondo-se de pé e aportando-se para o primeiro dia de aula, quanta tristeza, em uma pura segunda-feira o que custava chover dentro do castelo?

Tentou dar o nó da gravata, mas apenas conseguiu outro emaranhado de tecidos. Já estava irritado com aquilo, por si, andaria daquela forma mesmo, mas como deveria dar exemplo aos outros, principalmente, ao novato iria tentar fazer um nó de gravata até conseguir mesmo que demorasse todo o ano letivo — O que no fundo esperava que acontecesse —, no fim, Anthony acabou o ajudando a fazer aquilo, o mesmo ficou com um sorriso debochando do outro.

Correu junto deste até o Salão Comunal pondo-se para sentar como o de praxe na mesa dos professores, como exigido pela diretora, no último dia a mesma conversava mais com ele, sempre em busca de uma resposta para a sua simples e sem resposta pergunta: Quem era Anthony? Conversava com cuidado, perguntava simples sempre escondendo as segundas intenções. Quando pensou em aumentar o ritmo notou que já era tarde, logo teria alguns assuntos para resolver, falar com ele e atrapalha-lo no primeiro dia de aula e logo após uma noite conturbada seria lamentável. Levantou-se liberando todos os alunos para suas respectivas salas e foi-se embora.

 

— Vamos logo! — Resmungou o garoto puxando o amigo pelo braço e arrastando-o com toda a força.

— Espere um pouco, Anthony... — Respondeu Steven sôfrego enquanto corria tentando acompanhar o ritmo acelerado do menor.

— Vamos nos atrasar por sua culpa. Havia dito para comer rápido.

— Mas comer é tão bom!

— Estudar também é.

— Só para você! — Sussurrou.

— O que disse?

— Nada!

 

Logo eles entraram na sala a mistura dolorosa entre os grandes rivais, Grifinória e Sonserina, deixava o ar do lugar totalmente tenso, as duas casas mantinham um duelo acirrado de olhares penetrantes e faiscantes. Passou pelo pequeno corredor entre as mesas buscando com o olhar a melhor para ficar, ao achar arrastou seu amigo para próximo de si, não ousaria sentar com outras pessoas de outra casa ou teria confusão. Não notava, mas a atenção estava virada toda para si, dito no O Profeta Diário ser o primeiro e mais especial aluno, especulações sobre sua origem ou como foi parar em Hogwarts inundava as páginas e títulos dos jornais todos os dias comprados e contemplados por milhares de pessoas. Certamente, tomou uma fama, a qual nem sabia que existia. Sonserinos cochichavam freneticamente fazendo elogios ou escarnio do menino, a boa aparência, sua ereta postura, os cabelos negros e rebeldes semi-ondulados, sua pele branca e muito cuidada ao ver deles aquele garoto deveria ser da casa deles, grinfinórios se indagavam se ele realmente deveria ser da casa das cobras, aqueles olhos avermelhados que pareciam transbordar de coragem e destreza os cativavam completamente e os fazia concluir que seria um desperdício. Meninas suspiravam sem ar apontando todas as qualidades que ele tinha e os garotos já maquinavam um futuro trote para pregar nele.

 

— Bom dia, alunos! — Saldou a novíssima professora. Com cachos ruivos escorrendo rumo ao busto e olhos esverdeados, rosto redondo e cheia de pintinhas. — Sou a nova professora de Preparo de Porções, visto que, infelizmente, vocês perderam o antigo. — Lamentou.

— Quem era o antigo professor? — Questionou inclinando-se para Steven.

— Um cara chato, não gostaria de conhecer aquele homem. Um homem horrível, isso sim. — Falou lembrando-se do dia quem foi escolher a casa dele. Aquela cabeça cheia de piolhos, a rude fala daquele menino ainda vinha a sua mente.

— Entendo. — Respondeu calmo.

 

ϟ

 

Os dias em Hogwarts eram assim, Anthony acordava, comia, estudava, comia e voltava para os estudos. Sempre com um sorriso largo nos lábios concluía suas obrigações. Minerva continuava a interroga-lo cada vez mais incessantemente, estava de certa forma vendo que algo não estava correto com aquele menino, desde sua entrada a constante perseguição de alguns bruxos contra a escola e outros locais parou sem deixar rastros. Havia alguma peça faltando no seu quebra-cabeça imaginário. O chapéu já nem se preocupava mais em descobrir algo de errado com o garoto, estava sempre provado que ele era uma boa pessoa e nada, além disso, e para tirar as constantes duvidas da mulher a visitava em alguns momentos para responder perguntas cada momento mais estranhas e sem sentido. Anthony era um simples menino que acreditava nas teorias trouxas sobre átomos, ilusionismo e outras besteiras explicáveis dos humanos descrentes de magia.

Puxou com delicadeza a pena e fazendo outra anotação no caderno quase todo rabiscado, já usava as bordas deste de tanto desgastar as outras folhas. Steven o olhou mudando o semblante para careta, nunca vira alguém ir contra o livro de Preparo de Porções ou fazer alguma mudança nele. O menor reparou no rosto curvado do amigo e aproveitando a oportunidade pintou o nariz deste com a tinta da pena. Espantado apenas notou o amigo rindo baixinho voltando a remexer o caldeirão no sentido horário para depois movê-lo no sentido anti-horário, cinco vezes de um jeito, seis do outro.

 

— Anthony — Chamou Steven lendo a receita. —, por qual motivo não colocou o nabo de rato ainda?

— Colocarei ao final desse remexer de panela.

— Mas já era para ter sido colocado.

— Já pode colocar... — Afirmou parando lentamente de remexer. —, agora!

— Oh, funcionou! Impressionante! Como fez isso?

— Foi só um pouco do uso da química como aliada, isso foi realmente muito simples de ser feita. Mas eu acho que foi algo mais aleatório que pensado e repensado, não precisei usar muito minha mente.

— Parece tão complexo e chato... — Resmungou.

— Mas não é! — Respondeu baixinho. Logo vira a professora passar por algumas mesas e levantou as pequeninas mãos até o mais alto que pode deixando as mangas pretas escorrerem pelo seu braço curto. — Acabamos!

— Oh, deixe-me ver então. — Comentou alegre. — Vejo que tem um ótimo talento para preparo de porções, rapazinho. Dez pontos para Gri.. Sonse... Quero dizer, de qual casa você é?

— Err... Ele não tem casa. — Comentou Steven envergonhado. — Dê os pontos a Casa sem casa.

— A Casa sem casa? — Refletiu. — Um nome bem peculiar... — Brincou. — Pois bem, dez pontos a Casa sem casa! — Sua voz ecoou por toda a torre deixando todos os alunos escutarem em bom e alto som tudo o que ela havia dito. Ao fim, liberou todos ainda estalando a boca com a língua e repetindo a frase que fora lhe dada. — A Casa sem casa... Que interessante.

 

Toda a turma havia começado a arrumar os materiais escolares no mesmo instante em que foram liberados. Anthony arrumava tudo com calma, sem pressa para sair, gostava de ficar o bom tempo naquele local, aparentava ser de bom estilo e conseguia captar a essência calma que ele lhe oferecia. Steven estava ficando irritado com o fato de desejar sair e não poder. Queria sair daquele local chato de aula e poder comer, dormir e experimentar um pouco do momento que um adolescente normal tem. Debruçou-se sobre a mesa mostrando o seu total incómodo e finalmente notou que o menino estava com um sorriso estampado no rosto, um pelo sorriso de escarnio que só uma pessoa conseguia reproduzir muito bem, mas não lembrava quem era.

 

— Pare de brincar, vá logo! — Resmungou sentindo risos e cochichos ecoarem até seus ouvidos. Meninas atrás deles apontavam e riam baixo deixando algumas garotas envergonhadas. — Está notando as meninas nos olhando? — Sussurrou cheio de si.

— Quais? — O menor se colocou a procurar as meninas que formam mencionadas. — Aquelas?

— Não é assim que se age. — Brigou baixinho. — Sim, são elas. Estão falando sobre nós e provavelmente uma delas gosta de um de nós.

— Não vejo como amor, são apenas hormônios sendo liberados e causando isso que chamamos de amor. E convenhamos, não haveria nada de interessante em namorar agora, tenho coisas melhores para fazer: Estudar.

— Só você para transformar algo tão mágico em uma coisa tão trouxa.

— Não me venha com essa, Steven. Convenhamos, amor é apenas uma sensação criada, sequer há uma explicação lógica para esta palavra, o mais próximo que temos é paixão que consideramos um amor temporário. Tudo não passa de hormônios interagindo a estímulos cerebrais. — Resmungou terminando de arrumar seus pertences e bater nas vestes tirando a poeira. Sem falar nada ele anda apressado saindo de perto da sua mesa e indo até as escadas onde, sem querer, acaba por ficar frente a frente com uma garota ruiva de cabelos um pouco cheios.

— Ah! O-oi, Anthony! — Sussurrou corando mais um pouco. Suas bochechas puramente vermelhas brilhavam com a pequena luz que atravessava da janela.

— Olá!

 

O chapéu riu da situação pondo-se ao lado do seu amigo, colocou as mãos sobre os ombros deste tentando transpassar confiança ao mesmo. Finalmente falou. — Desculpas pelo meu amigo, Anthony aqui, donzela, mas acho que ele não queria assustar você. Sabe como são os meninos…

—Não muita tão descaradamente. Apenas topei com ele sem segundas intenções, foi algo do acaso. Jamais teria a coragem de faltar com honra a uma pessoa, principalmente uma menina. — Falou firme tirando o braço do amigo. — Desculpas, moça, por quase ter caído em você.

— Não foi nada! — Respondeu timidamente.

— Bom, vou almoçar. Vamos, Steven! — Falou andando lentamente e dando de ombros o que a menina havia lhe falado, ela era perda de tempo na sua mente.

— Qual o seu nome, docinho?

— Err…

— Steven! — Rosnou da porta tirando um gracejo do amigo.

 

Uma atitude nobre de grifinórios. Ha! Já nem ligava mais em contar ou colocar uma classificação nele. Se fosse possível colocaria uma placa dizendo em grandes e góticas palavras pendurada ao redor do seu pescoço e dizendo: “Com erro, sem casa, não irritar”, mas como as pessoas sentiriam mais vontade de perguntar, eram curiosas não poderia fazer nada contra, decidiu não fazer nada disso, deixar do jeito que estava parecia a melhor solução. Andou tentando acompanhar a velocidade do menor. Como um ser de pequena estatura conseguia andar rápido? Eles caminharam rumo ao Salão Comunal onde todos já arrumavam suas comidas em seus pratos. Anthony seguiu calado até o seu típico acento ao lado do amigo. Todos cochichavam baixinho contando o sobre o que dizia no O Profeta Diário. Não contava essa parte para a diretora, sabia que se chegasse aos seus ouvidos mais do que deveria usaria contra e colocaria o menino em uma das casas, sebe se lá qual — Grande erro! — Pensava o chapéu eu imaginar aquela cena, além de que sem Anthony não poderia seguir mais como um aluno, nem dormir ou comer. Minerva como sempre os encarava buscando com o olhar informações sobre o comportamento do menino, no entanto, nada encontrava apenas sorrisos contentes do aluno.

 

— Gostei mais da aula sobre plantas que tivemos hoje, foi emocionante ver aquelas plantas ressonarem com gritos estrondosos enquanto os tirávamos da terra.

— Achei que tivesse gostado mais da aula de Preparo de Porções que essa aula chatinha de plantas sendo replantadas. — Resmungou a professora em falso tom de lamento. Gostava de conversar com aquele menino, era completamente inteligente e fazia um bom acompanhante, conhecia as diversas coisas, era o aluno que precisavam na escola.

— Foi a segunda melhor, Senhora professora! — Falou enchendo a boca.

— Quer dizer que tem o dom com as plantas? Excelente! — Afirmou outro professor sorrindo vitoriosos enquanto cutucava a comida. Os olhos esmeralda combinavam com os cabelos loiros e lisos. — Fico contente que aprecie mais minha matéria que as de mais. — Brincou.

— Espere só ele ter aulas de feitiços. — Comentou uma mulher com um sorriso divertido nos lábios. — Vai achar melhor que a de todos.

— Não acho isso… — Retrucou o loiro.

— Eu tenho certeza!

— “Se desse para ter certeza de alguma coisa quanto a esse garoto eu não estava aqui sentado e tentando saber qual era a casa perfeita pera ele. Se nem sua casa se sabe imagine isso.” — Pensou o chapéu.

 

Minerva apenas acompanhava aquela disputa, mesmo a base de brincadeira, era loucura disputar por um aluno preferido daquela forma. Algo irônico e interessante, o menino parecia não ligar muito com o fato de ser ou não ovacionado pelos outros, principalmente, pelos professores. Foi quando olhou direto nas íris vermelhas do menino prendendo-se no vermelho constante que atravessavam sua alma. Reconhecia aqueles olhos em algum lugar só não sabia onde. Piscou algumas vezes voltando à realidade, havia até mesmo esquecido de respirar, notou ainda estar na mesa e Anthony conversava com outra pessoa já sorrindo contente. Levantou-se e chamou Steven para acompanha-la até sua sala. Chegando o esperou sentar para poder começar a falar.

 

— Notou algo de diferente? — Questionou deixando de lado um pouco da delicadeza. A verdade era que estava ficando assustada, era como se um pesadelo muito antigo tivesse retornado para atormenta-la. Aqueles olhos avermelhados a fizeram ficar fora de si, era como se tivessem mandado um alerta para o seu cérebro dizendo simplesmente PERIGO.

— Diretora. Relaxe, tudo bem? Não há nada de errado com ele. É só um garoto comum, que anda querendo impressionar a você e mostrar que está agradecido por tê-lo deixado ficar. Ele anda estudando freneticamente, às vezes até me preocupo com isso, dizendo que deve muito a você e que precisa fazer a porte dele como aluno.

— Como assim, senhor Steven?

— Ele apenas está buscando impressioná-la por ter o deixado ficar, ele quer mostrar que pode ser bom, “O menino que deseja”. — Encurtou irritado por ele não ter o compreendido.

— Entendo. Mas, algo me fala que há algo de errado nessa história toda. Ele tem tido algum comportamento anormal? —O outro revirou os olhos e negou. — Fala coisas sem sentido, ou enquanto dorme? — Outra negação. — Conversa só? Recusa amizades ou contatos? Causa problemas?

— Sabia que você faz muitas perguntas desnecessárias? — Zombou sem humor algum, provocando-a. Sem o grande Dumbledore ela aparentava não saber agir, ainda estava se acostumando com o mundo de diretora e isso o deixava com vontade de rir. — Ele não provoca. — Comentou verdadeiro e sorriu. — Nem fala sozinho, apenas quando ele está tentando lembrar os ingredientes que se deve colocar dentro da porção. — Falou lembrando-se do quão engraçado achava ficar olhando o menino contanto nos dedos o que era para ser feito. — E nem recusa amizades, só não sabe iniciar uma, já que ele é muito tímido.

— Compreendo! Por hoje é só.

 

ϟ

 

Caminhava calmo rumo ao quarto, de barriga cheia e com a típica capa preta que esvoaçava conforme os seus passos. Gostava da sensação fraca de poder que emitia. — “Sonserina, ato de Sonserina” — Falava o seu amigo Steven ao vê-lo agir desta forma. Relembrou do dia que comentavam felizes, à noite, sobre as respetivas casas e seus significados na escola. Não se taxava de nada, nenhuma lhe agradava, pareciam lobos famintos buscando algo para saciarem a fome enlouquecedora que eles tinham pelos novos alunos. Sacudiu a cabeça tentando mudar o pensamento, algo menos assustador. Lembrou-se, por fim, de Anna, sua amiga, soltou um chiado baixo e acelerou os passos indo ao encontro dela, porém antes de sequer chegar perto um grupo de meninos o empatou de passar. Talvez tivessem chegado primeiro, sorriu casto e tranquilamente, com todo o respeito, deu passagem para eles e tentou os contornar sem atrapalha-los, antes de conseguir dar um passo a frente o menino mais alto se pôs na frente o empurrando e fazendo-o cair, seus livros foram juntos fugindo de seus bracinhos e caindo no chão em um baque só. Até tentou pegar um dos livros, se não fosse pelo fato de os meninos a sua frente, trajados com o uniforme da Grifinória, não os tivesse chutado para longe.

 

— Olha o novato deixa as coisas limpinhas. — Zombou recebendo risadas. — Ainda deixa o livro arrumadinho com capa e tudo, tem até mesmo um caderno de anotações, que trouxa.

— Concordo!

 

O garoto se encolheu no chão exasperado, arrastou-se um pouco para longe, mas logo bateu de costas nos joelhos de outro, o qual riu e zombou de sua desgraçada fuga. Choramingou internamente sentindo-se logo em seguida ser levantado e posto de cabeça para baixo, os outros riram de sua humilhação e apenas conseguiu tentar se encolher mais um pouco amedrontado. Precisava relembrar um feitiço, qualquer deseja. Foi quando lembrou que alguém apareceu.

 

— O que estão fazendo com o novato? — A voz ecoou pelo corredor tirando espanto dos garotos. — Vão me responder ou não? — Exigiu ríspido.

— Foi só uma brincadeira, Tiago, só isso.

— E que tal brincarmos disso na sala da diretora?

— Não! — Responderam assustados. — Desculpas, vamos sair daqui. — Gritou.

— Obrigado! — Falou o garoto do alto.

— Por qual motivo está agradecendo se ainda está aí em cima? — Brincou. — Liberacorpus! — Gritou estendendo os braços e pegando o novato. — Você é menor do que imaginei, senhor Anthony. Sou o...

— Tiago Sirius Potter, da casa da Grifinória, um aluno bem conhecido. — Comentou automaticamente colocando-se de pé e batendo as vestes.

— Como sabe disso?

— Você é uma das pessoas mais comentadas e desejadas da escola pela fama, beleza, nome e pelo seu pai. Todos falam de você não tem como não saber quem é ou não é aqui.

— Ah, sei! Isso é completamente chato!

— Entendo.

— Você não é uma dessas pessoas que deseja se tornar meu amigo apenas pelo renome, certo?

— Ah, claro que sou! — Ironizou. — Não vejo motivos para eu me tornar amigo de alguém que só tem nome. Só por você ser filho do Harry Potter não significa que seja como ele, digamos que magnifico como o seu pai. Você é só filho dele e nada além disso, tem muito que me impressionar para ganhar minha amizade.

— Destruiu os meus sentimentos. — Brincou.

— Quais? — Retrucou pondo-se a caminhar rumo ao seu quarto.

— Você é legal. Uma pena que não seja da minha casa para podermos conversar livremente. Seria muito bom tê-lo como um amigo.

— Por acaso pessoas de outras casas ou sem casas como eu não fazem amizades com outras casas?

— É incomum.

— Quanta besteira. — Revirou os olhos.

— Fale por você!

— Falo e falo ainda mais. Isso é uma completa besteira. Não poder ser amigo de alguém que por ser de casa diferente é uma pura babaquice. — Comentou cruzando os braços e pondo-se contra a porta do próprio quarto.

— Mas você não tem casa então…

— Tenho sei, ela se chama Sem Casa.

— Sei. — Gargalhou. — Falo com você amanhã, senhor Casa-Sem-Casa.

— Oh, claro, senhor Sem-Sentimentos.

— Ha! Ha! Ha! — Zombou sarcástico distanciando-se. — Até, Anthony!

— Até, Potter! — Gritou acenando.

 

Continuou encarando-o já nostálgico até o mesmo sair do local, mesmo assim ficou lá fitando o nada como se ele ainda estivesse ali acenando contente para si, mandando piscadelas enquanto dava passos lentos para trás, na inútil tentativa de prolongar o momento.

 

— Vai ficar quanto tempo olhando para o nada? — Perguntou uma voz calma conhecida assustando o garoto que virou o rosto fitando o dono daquela voz.

­— Steven, é apenas você? Ah, que susto me deu.

— Quem mais seria? — Brincou. — Bom, o que o Tiago veio fazer aqui?

— Ele me ajudou quanto alguns garotos me encurralaram.

— Sei. E por qual motivo não paravam de se olhar e ele mandava piscadelas para você? E ainda tem o fato de quando ele foi embora continuou olhando para lá como se ele ainda estivesse ali.

— Não sei. Acho que me interessei por ele. Parece ser uma boa pessoa, cheia de assuntos para compartilhar, um livro fechado que quero explorar e muito. — Comentou calmo entrando no quarto.

— Tudo bem.

 

ϟ

 

Comentários e múrmuros se espalhavam por toda a escola. No local a única coisa que falava erma das noticias frescas do O Profeta Diário.

Extra, Tiago Potter e Anthony foram flagrados juntos, sozinhos, próximos ao quarto do menino! Pág 6.” — Dizia o pedaço de papel com uma imagem animada dos dois, Anthony com as mãos atrás da costa fechando com delicadeza a porta e sorrindo contente para o Tiago que apenas sorria de volta com uma felicidade indescritível. — “Filho do grande Potter e Menino-Sem-Casa? Pág 4” — Outra imagem, desta vez deles dois um longe do outro sorrindo e mandando acenos animados.

Muitos os incriminavam, outros já balbuciavam malicias e alguns se mantinham neutros com aquele boato espalhado para todos. Tiago respondia exasperado a todos os colegas que aquilo não passava de mentira, mas parecia não fazer muita diferença pois seu olhar ia sempre direto para o novato tentando examinar se aquele local próximo aos professores era confortável e longe de comentários maldosos, mas aparentemente nenhum deles estavam seguros, já que o garoto devolvia o olhar sempre perdido e como se pedisse indiretamente por ajuda. Steven e a diretora buscavam uma forma de aquilo para, mas nem mesmo que fosse cortado pela raiz iriam conseguir acabar com aquele assunto, porém não davam total importância a isso, era o de menos naquele momento.


Notas Finais


Agora que o menor conseguiu um novo amigo ele se meteu em uma terrível encrenca por conta desse novo boato que foi espalhado por todo o reino bruxo de alguma relação que ele e seu novo amigo poderiam ter. Está em uma plena enrascada desta forma o jovem Potter, que está mais preocupado com o amigo que com ele mesmo, enquanto o outro parece igualmente afobado com todas as perguntas nas mesas dos professores, os quais tanto impressionou.
O que será do pobre Anthony e do filho do grande Potter? O que será da amizade deles? Por qual motivo o chapéu e a diretora estão tão calmos quanto a isso? Deixem seus comentários dizendo o que acham! Até o próximo capítulo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...