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História O silêncio de uma estação - Capítulo 1


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Notas do Autor


Tô de quarentena, amo CMBYN... Por que não escrever?
Mesmo que eu desista depois, eu preciso fazer o que eu sinto vontade agora *-*
Sem mencionar que é raro encontrar histórias com personagens genderqueer.

Capítulo 1 - (In)Expressão


Fanfic / Fanfiction O silêncio de uma estação - Capítulo 1 - (In)Expressão

Setembro é um de meus meses favoritos: é um mês antes de meu aniversário. Talvez eu tenha aprendido com minha família a gostar tanto de aniversários. Eles me lembram que eu estou crescendo e que ainda há chance de viver. Além disso, em setembro começa o outono. Todos na minha família – que é formada por mim, minha mãe e meu pai – e a Rosa, minha amiga, sabem que outono é minha estação favorita.

As pessoas dizem que outono é uma estação sem graça, sem muito a oferecer. Rosa sempre fala do outono brasileiro negativamente, é claro. É um saco, mas não me choco. Outono se parece muito comigo. É o que meu pai diz. Eu sempre o corrijo dizendo que como já nasci em um mundo onde o outono já existia, na verdade, quem parece com o outono sou eu. Mas ele não me ouve. E eu gosto disso. Gosto de imaginar que algo tão importante para o mundo como uma estação possa se parecer comigo, apesar de não entender muito bem tal comparação.

Meu pai sempre foi muito introspectivo, de poucas palavras. Quase não fala. Na verdade, prefere pensar.

- Ouça – diz meu pai enquanto põe em meus ouvidos uns fones conectados a um aparelho antigo. Ele sempre ouve músicas clássicas nesses fones. Ele se nega a comprar um celular ou qualquer outro aparelho moderno, pois não quer deixar seu walkman de lado. Como argumento: “Memórias não podem ser trocadas”.

Eram lindas as releituras de clássicos que ele fazia em seu piano, também remanescente de sua adolescência entre os anos 1970-1980. E eram essas mesmas releituras que ele me fazia ouvir todas as manhãs. Todos os dias um som diferente do dia anterior. Mas não hoje.

- Essa é a mesma de ontem? Parece muito a de ontem, pai – digo, provavelmente falando um pouco mais alto que o normal, já que meu pai ri e balança a mão calmamente, frente a meus olhos, como se pedisse que eu abaixasse o volume de minha voz aguda.

- É como Liszt tocaria a composição de Bach -  ele diz sério estendendo a mão para recolher os fones de ouvido.

- Bach? – encucado, pergunto.

- Bach – ele ri – Na verdade, faz um tempo que você ouve Bach. Só eram versões diferentes.

Meu pai é assim. Ele acabou de dizer o quanto gosta de Bach, sem nem ao menos dizer.

Um de meus momentos favoritos com minha família eram os que estávamos juntos, reunidos à mesa ou largados no sofá da sala, assistindo filmes, geralmente clássicos dos anos 80 e 90. Eu gosto muito de Back to the future. Meus pais também. Eles dizem que adorariam voltar para suas infâncias, assistirem suas aventuras, verem os caminhos que eles trilharam até chegarem na “linda família que hoje temos”.

Tenho 17 anos. E infelizmente já temo pelo meu futuro. A verdade é que não tenho ninguém senão meus pais e Rosa, minha única amiga. Me pergunto se um dia terei uma família como a que meus pais tem hoje.

- Você é linde, Out. Você só precisa se soltar um pouco mais.

Rosa sempre me elogiou e me colocou para cima, mesmo antes de nos conhecermos pessoalmente. Na verdade, eu acho que, se tivéssemos começado essa amizade off-line, eu teria estragado alguma coisa.

-  Não quero que ninguém goste de mim pela minha beleza – minto. Eu sempre soube que beleza era superestimada pelas pessoas e, por mais que eu realmente acredite que existe coisas mais importantes, não foi esse o motivo de minha fala.

Desde criança, quando comecei a escola, quando comecei a entender um pouco mais sobre mim mesme e, consequentemente, entender um pouco mais do mundo ao meu redor, minha autoestima se tornou uma questão. É simplesmente difícil não me diminuir. Às vezes, eu nem preciso, o mundo faz isso por mim. Por isso, prefiro não imaginar minha beleza como um critério, seria doloroso demais.

- Talvez você precise se conectar um pouco mais com você mesme. Sei lá. – Rosa diz olhando para um lado aleatório do próprio quarto. Ela sempre faz isso quando diz “sei lá”. Mesmo com a sua câmera meio escurecida, consegui perceber sua típica mania através dessa vídeochamada.

- Talvez.

- Por que você não escreve sobre você? Sei lá. – de novo – Escreve sobre sua vida, seus sentimentos. Você já é ótime nisso mesmo!


Notas Finais


É isto.
Elu que está escrevendo a história ok? kkkk
Quis fazer assim por causa do livro, onde a história é narrada a partir das lembranças do Elio, ou seja, em primeira pessoa, com seus pensamentos e sentimentos.

A ideia é demonstrar a vivência monótona da personagem.


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