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História O Silêncio do Seu Amor - Capítulo 19


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 19 - Tempo, Notícias e Perdões


Fanfic / Fanfiction O Silêncio do Seu Amor - Capítulo 19 - Tempo, Notícias e Perdões

5 meses depois.

O vento gelado entrava pela casa, balançando as cortinas de tom amarelo claro da porta de correr na sala. Dentro da casa ouvia-se apenas Maluma num volume baixo, já que mesmo que a casa estivesse isolada de toda a movimentação do centro da cidade, havia respeito pela natureza e também pela criança e os dois animaizinhos que dormiam no sofá.

Guadalupe volvió a dormir con Saturno y Nube, Jimin — Rosalina riu baixo ajudando o grávido a sentar-se na poltrona ao lado. — Mejor colocar ela na cama — comentou. — Já volto, precisamos alimentar esse bebés — sorriu e o Park apenas assentiu, apoiando os pés sobre a cadeira com almofadas.

As mãos cobertas pelo moletom branco, acariciava com carinho a barriga de cinco meses. Cinco meses havia se passado e muita coisa aconteceu. Sánchez, depois da luta, foi procurar por Jeongguk e quando viram os dois lutadores eram grandes amigos. Rosalina quando soube de si e de sua gravidez, passava o dia todo o paparicando e enchendo de mimos. Jeongguk vez ou outra tinha um pouco de inveja da amizade entre Rosalina e Park, temia pelo seu cargo de papai e namorado bobão pelo grávido e os bebês, mas era sempre acalmado pelo loiro. Loiro, até mesmo a cor do cabelo estava mudando pela falta de tintura a cada dia que passava o loiro ficava mais apagado e as poucos aparecia os fios castanhos claros. Também havia sua mãe, pois antes de tantas mudanças teve que conversar com ela e acabou brigando pela forma que queria comandar sua vida dizendo que ele não podia levar tudo aquilo para frente, nem mesmo o namoro com o Jeongguk. Sorte que a briga só não ficou pior, pois Jeongguk e Wolf haviam chegado no apartamento no momento da discussão, apaziguando a situação toda. A casa que fora passada para seu nome, Jeongguk e Jimin fizeram uma visita para saber onde colocariam e qual quarto escolheriam para si, já que na casa tinha quatro quartos sendo dois suítes, mas acabou que Jimin escolheu o quarto dos fundos onde havia uma pequena varanda em direção a piscina. A mudança ocorreu três semanas depois, mas mesmo que tivessem longe da mídia e de toda aquela correria do centro, Jimin passava muito tempo sozinho e fora nesse momento que Sánchez, Rosalina e Guadalupe vieram passar alguns dias na casa do casal, mas acabou que ficaram por mais tempo e Rosalina era de grande ajuda e companhia em toda as consultas ao médico. Jimin morria de medo de hospital, mas pelos bebês, fazia um esforço. Durante o tempo que se passou Jeongguk havia lutado mais e conseguido outros bons particionadores junto de uma melhora excelente na sua carreira. Jimin ficava feliz toda vez que via o sorriso do mais novo, sorriso esse que mais se assemelhava de um coelho, mas toda vez que comparava ele com o animalzinho negava dizendo que era um humano e não teria como ser e ter um sorriso de coelho, só que não passava nem dez segundos para ele próprio se chamar de coelho.

— Jimin? — Rosalina balançava a mão na frente do rosto distraído do Park, que quando percebeu deu um pequeno pulinho pelo susto. — Anda muy distraído brincou. — Pensando no Jeon?

Park corou com a pergunta, mas não teria como negar, ainda ele estando mesmo pensando no namorado. Namorado. Ele queria que fossem mais que aquilo. Rosalina por não entender a língua de sinais, tivera que aprender a esperar para que o grávido digitasse no tablet que carregava para todo lugar. Quando terminou de escrever entregou o aparelho para a amiga ler.

"Estava e ainda estou pensando nele, mas também pensava em outra coisa." — ela leu levantando o olhar curioso para o amigo que possuía um tímido sorriso nos lábios. — Que tipo de coisa, Jimin? — O aparelho fora devolvido para o Park, mas para responder aquilo, não era necessário digitar, pois apenas com gestos Rosalina entenderia e quando os fez, um tanto envergonhado, a mulher teve de colocar a mão na boca para não gritar de alegria. — ¡Mi amigo quiere casarse! Soltou dando uns pulinhos pela sala. Saturno que dormia todo enrolado e exprimido por Cloud, abriu um pouco o olho para logo em seguida esconder as orelhas entre o corpo peludo. — Quero ser madrinha do seu casamento! — Pediu ao parar de pular olhando para o Park que tinha as mãos no rosto, tentando cobrir a vergonha, mas era impossível quando se tinha Rosalina no mesmo lugar. — Quando vai pedir? E quem vai pedir? Ah! Eu estou muito ansiosa para esse dia! Lembro de quando mi marido me pediu em casamento, ah, fora perfeito! — sorriu para o nada e Jimin apenas negou sorrindo junto. — Una vez disse-me que Jeon foi quem te pediu em namoro, certo? — o grávido assentiu. — Usted poderia fazer o pedido de casamento! Posso ajudá-lo também — Park levou o olhar para as mãos sobre a barriga, sempre Jeongguk tomava as decisões e dava os primeiros passos, mas com apoio seu. Jeongguk também o apoiava em tudo, mas não tinha coragem suficiente para fazer as coisas. Isso precisava mudar e foi olhando para as próprias mãos que pegou o aparelho e digitou rapidamente sua resposta mostrando a tela para a mulher que leu com um grande sorriso nos lábios. — "Quero me casar com o amor da minha vida, me ajuda?" 

Ela iria ajudar e Jimin teria o melhor casamento de toda a sua vida, mas antes de iniciar qualquer coisa, precisava fazer o grávido comer algo, pois já passava da hora.

[...]

Jeon, es hora de irse a casa! — Sánchez gritou da porta do vestiário. Jeongguk ainda treinava sem diminuir a velocidade, estava aperfeiçoando uma sequência de chutes e socos que uma vez derrubou o francês numa luta importante. — Chico grande, déjalo para mañana. Estoy cansado, quiero ver a mi Rosalina!

Estou indo! — disse Jeon ao parar o que fazia. — Só espere que preciso de una ducha antes de irmos! — anunciou descendo do tatame enquanto tirava as bandagens.

— ¿Hablas español ahora? — riu e Jeongguk negou indo em direção ao vestiário para se lavar.

O banho não fora demorado e quando saiu secando os cabelos, estes que agora estavam compridos e que quando tinha que lutar era necessário prendê-lo, mas quando não precisava deixava o solto. Jimin, seu namorado o apoiou quando disse o que acharia se deixasse seu cabelo crescer. Toda manhã, acordava com Jimin brincando com seus cabelos ou enrolando alguma mecha nos dedos. Seus cabelos são macios. Era o que sempre usava como desculpas, mas bem sabia que Jimin tinha um certo fraco por seu cabelo comprido da mesma forma que possuía um fraco pela bunda do namorado. Aquilo era um monumento. Uma obra arte que Jeongguk tinha a capacidade de tocá-la. Terminando de se arrumar, caminhou em direção a saída, onde Sánchez o aguardava, com sua mochila no ombro. O carro dos lutadores os aguardavam no estacionamento ao lado, poderiam muito bem ir eles próprios dirigindo, mas todo fim de treino eles estavam muito cansados para pôr a mão no volante e dirigir exigia muita atenção.

Durante todo o percurso, ficou ouvindo Sánchez cantarolar uma música coreana, que logo Jeongguk soube que seu amigo cantava muito mal. Seu celular estava sendo uma distração, rolava a página de notícias para cima procurando por alguma coisa que chamasse sua atenção e foi o que aconteceu quando leu "Kim DongSun" no título. Não gostava nada do outro desde a vez que bateu em seu namorado, por sorte nada aconteceu, mas mesmo assim, possuía uma certa antipatia pelo lutador mimado. Abrindo o link da notícia, bufou indignado pela foto da capa e pelo conteúdo descrito na coluna abaixo. Novamente DongSun estava esbanjando seu dinheiro, entrando numa outra briga na frente de uma boate fora do país. Não entendia muito bem como em tão pouco tempo o outro havia ganhado tanto dinheiro, mas desconfiava que não era nada "justo" o tal dinheiro. Na foto mostrava DongSun sendo segurado por seguranças e pela forma, já dava para entender que estava sendo colocado para fora do local.

Idiota — murmurou fechando a página para ir até sua galeria de fotos, nem mesmo abriu direito as fotos que logo um sorriso brotou em seus lábios. Era uma foto de Jimin dormindo na poltrona da sala com uma mão segurando o livro e a outra apoiada em sua barriga, ambos estavam ansiosos pela chegada dos bebês e nem mesmo sabiam o sexo, mas de uma coisa sabiam e que o pequeno seria muito amado pelos papais. 

Es muy bonito — comentou Sánchez olhando de soslaio para o aparelho nas mãos do Jeon, que ao ouvir o comentário bloqueou a tela rapidamente. 

— É, ele é bonito, mas é meu namorado! — disse em defesa. 

Jeongguk não admitia, mas era um grande ciumento, ainda mais com Jimin estando grávido e também não era só ele o ciumento. Jimin podia ser considerado um perigo quando estava com ciúmes, somente com o olhar Jeongguk sentia-se terrivelmente atingido pelo namorado. Jimin sabia bem como colocar medo num campeão de MMA.

Y Rosalina es mi esposa. ¡Deja de ser tonto, Jeon! — rebateu dando um tapa leve na nuca do mais novo.

— Ei! — Massageou o local atingido. O motorista só sabia rir do jeito dos dois, não conseguia agir como adultos, era sempre daquela forma e às vezes até pior. 

Mais alguns minutos na pista até entrarem numa estrada e em poucos segundos estavam pegando a pequena estrada de cascalhos da casa, Jeongguk amava muito morar naquele local junto de Jimin. Quando o carro parou, desceu do veículo com sua mochila no ombro e foi até a porta que se encontrava fechada por já estar um pouco tarde. Sánchez vinha logo atrás resmungando por tropeçado na escada, ainda não havia se acostumado aos dois degraus da entrada. Jeongguk teve de segurar para não rir, pois sabia que apanharia do mais velho se o fizesse. Adentrando a casa e vendo Rosalina sentada no sofá com uma bacia de pipoca em mãos, cumprimentando rapidamente, correu para o andar de cima onde ficava seu quarto.

Rosalina, mi amore! 

Jeongguk sabia que se ficasse ali, seria uma vela ambulante para o casal. Sánchez e Rosalina conseguia ser mais melosos que Jimin e ele. Continuando seu caminho em direção ao último quarto, passou pelo corredor com algumas fotos suas penduradas era uma mais linda que a outra, ainda mais tendo Jimin nelas. Ao que finalmente chegou no quarto, sorriu por ver Jimin dormindo com uma das mãos apoiadas em sua barriga. Encostando a porta e deixando a mochila na poltrona junto do casaco, se aproximou indo até a cama e com cuidado sentou-se ao lado do grávido. Jimin estava a cada dia mais lindo e mesmo estando naquela fase, não conseguia acreditar que tinha o mais velho em sua vida e que havia tido a chance de fazer e ser parte daquilo. Acariciando os fios compridos que um dia foram loiros, sorriu ao ver o nariz franzido um pouco. Podia passar o tempo que fosse, nunca deixaria de amar o jeito que o nariz do namorado franzia quando incomodado. Descendo a mão para a barriga, sorriu ao lembrar que no dia do seu aniversário de vinte e cinco anos, quando foram Jimin e ele na consulta receberam a notícia de que eram gêmeos, mas não sabiam se seria um casal, duas meninas ou dois meninos. Preferiam descobrir tudo na hora. Foi o melhor presente que poderia ter recebido em seu aniversário, agora estando no mês do aniversário do mais velho, Jeongguk, planejava com cuidado a festa que seria apenas para eles e seus amigos. Claramente senhor Park iria estar presente também, ainda mais sendo seu sogro que tanto amava. 

Enquanto se mantinha apreciando seu namorado dormir serenamente, acabou tendo sua atenção desviada pelo seu celular que tocava dentro da mochila e mesmo a contragosto foi até a mochila pegar o aparelho, mas ao ver de quem se tratava, ignorou voltando para cama vendo os olhos sonolentos do grávido em sua direção.

— Meu amor, dormiu bem? — perguntou vendo o Park assentir enquanto se ajeitava para ficar sentado na cama.

"Quem era, Kook-ssi?" Jeon poderia muito bem dizer que não era ninguém importante, mas da forma que seu relacionamento se encontrava, não podia mentir e estragar tudo.

— Era minha mãe, mas já foi e quero deixar isso de lado — O Park negou. — Ji?

"Devia atender e ouvir o que ela tem a dizer, Kook, sei que não gosta da ideia, mas já está mais do que na hora de resolver as coisas, não?" Jeon olhou para o lado pensativo. Não sabia o que sua mãe queria, mas devia ouvi-la e realmente estava na hora de ajustar as coisas. 

Estava construindo uma família e precisava aprender a lidar de forma adulta com as situações, mesmo sendo meio cabeça dura, iria acatar o que o namorado recomendara para si.

— Tudo bem. Irei ligar para ela, mas vou fazer isso amanhã, pois agora quero te mimar um pouco antes que volte a dormir de novo — sorriu e Jimin corou ao que Jeongguk se aproximou indo se acomodar ao seu lado. 

Apenas com um olhar entre  os dois para que o mais velho se afastasse para que o lutador pudesse se acomodar atrás de si, gostava de tê-lo ali, ainda mais podendo receber o carinho na barriga e as massagens nos ombros. Jeongguk tinha uma habilidade e tanto com aquelas mãos e Jimin apreciava aquilo. Ficaram conversando sobre algumas coisas da casa e os bebês, até Jeongguk rir baixo ao ver que o mais velho havia dormido em seus braços. Não querendo acordá-lo, apenas se ajeitou apoiando a cabeça na cabeceira da cama e os braços na barriga do namorado em forma de proteção. E foi naquela posição que ambos dormiram.

[...]

Uma taça com vinho e uma música clássica tocando baixo no celular ao lado, até mesmo parecia um velho apenas aproveitando ou apenas apreciando aquela noite um tanto fria pela garoa que caía lá fora. Kim TaeHyung, estava afastado de tudo e de todos há dois meses, pois havia discutido com Noah e DongSun pelo jeito que vinham o tratando e pela forma que falavam do Jeon e seu namorado. Não entendia quando e nem em qual momento começou a mudar seus pensamentos, talvez havia sido quando Jimin fora agredido por DongSun ou por ter ficado preocupado mas, sabia que muita coisa havia mudado e não podia mais "concordar" com Noah e DongSun. 

DongSun.

Era sua culpa DongSun ser daquela forma e também era sua culpa por ele ter "crescido" na mídia da noite para o dia. Havia criado um "monstro" perdendo total controle, já nem mesmo tinha, mas o pouco uma conseguia segurar fora por água abaixo depois da discussão. Um longo suspiro ao que a música parou quando deu lugar para o toque do celular, era Noah tentando conversar consigo e como das outras vez, rejeitou a ligação se levantando logo em seguida. Tinha passado tempo demais pensando e se deixando levar pelas conversas de Noah e DongSun, já estava mais do que na hora de ir atrás de Jeongguk e Jimin para conversar, pedir perdão e mudar o seu jeito. Pegando suas chaves, carteira e o celular seguiu rumo a saída do apartamento, iria até onde o ex morava e somente sabia daquilo por uma informação de terceiros de quando ainda estava ao lado dos outros dois. Descendo pelo elevador, ajeitou os fios azuis um tanto desbotados pelo tempo, precisava pintar o cabelo, porém, numa outra cor.

— Tomara que Jeon me escute — sussurrou ao olhar o próprio reflexo no espelho. Quando as portas se abriram, caminhou até o Jipe preto logo a frente e ao adentrar o veículo, segurou com firmeza o volante soltando um longo suspiro para logo em seguida dar a partida e sair a garagem. 

Só esperava que eles não sentissem incomodados por uma visita fora de hora e bem inesperada. Estava tudo indo tranquilo no percurso, mas ao passar pelo cruzamento, sendo que o sinal estava livre para ir, seu carro fora atingido com brutalidade pela lateral esquerda fazendo com que capotasse por algumas vezes até parar na calçada onde o corpo do ex lutador ficou preso em meio às ferragens e tombado para frente em cima do volante.

[...]

Era bem tarde da noite quando Jeongguk despertou. Jimin havia saído de seus braços para dormir melhor na cama, preferia que ele continuasse consigo, mas sabia que se ficasse poderia ter uma provável dor nas costas ou algo pior. Sorrindo ao ver seu namorado todo enrolado nos cobertores, que também lhe olhava um pouco sonolento, não resistiu em acariciar os fios desbotados do mais velho. Entretanto, quando estava para se acomodar ao lado do grávido seu celular tocou com uma notificação, no momento que pegou o aparelho em mãos deu uma rápida lida no nome do contato vendo que se tratava de Wolf, mas ao abrir a mensagem estranhou por ler aquilo.

"Wolf: Jeongguk, liga a televisão ou procura pelos sites de notícias!"

Não tardando, ligou a TV do quarto e Jimin que estava ao lado não entendeu o que acontecia, mas ao que ambos viram a repórter anunciar no plantão, se assustaram com o que ouviam.

"Kim TaeHyung, ex lutador do MMA, acaba de dar entrada ao Hospital do centro de Seul em estado grave. O ex lutador sofreu um acidente de carro nesta madrugada. Os oficiais prenderam o jovem alcoolizado que bateu no carro do ex lutador. Voltaremos em breve com mais notícias sobre a situação de Kim TaeHyung."

Quando a notícia se encerrou, Jimin desligou a TV e olhou em direção ao mais novo que possuía em seu rosto um semblante de surpresa e medo. Algo difícil de ver em Jeongguk e tocando com cuidado o braço desnudo, onde agora possuía uma tatuagem de dragão que simboliza força e sabedoria, atraindo a atenção do Jeon para si. Nada precisou ser dito, apenas com olhares Jimin conseguia entender o que se passava na cabeça do lutador.

Confusão e medo.

Ele estava confuso por não saber se mesmo que TaeHyung tivesse feita tanto coisa contra si e seu namorado, estaria pensando de forma errada, pois naquele momento sentiu "pena" pelo que aconteceu ao Kim e tinha medo de que o pior acontecesse.

[...]

Era de manhã quando Jimin acordou sem Jeongguk ao seu lado, mas ao bater a mão ao lado vazio da cama encontrou um bilhete com a caligrafia do namorado.

"Ji, Wolf veio cedo me buscar para resolvermos as coisas da próxima luta que vou ter daqui dois dias. Não queria te acordar por conta do que vimos ontem e por você estar dormindo tão bem. Rosalina disse que te acompanharia na faculdade, tudo bem? Saiba que eu te amo muito, ok? Tenha um bom dia, amor!

PS: Irei ligar para minha mãe na hora do almoço e aproveito para te buscar."

Jimin sorriu e se levantou para ir guardar aquele bilhete junto aos demais numa caixa, tinha um carinho especial por cada um deles, visto que, todos foram escritos em momentos aleatórios entre os dois e Jeongguk era muito "romântico" e "brega" quando o assunto era Jimin. Se lembrava bem do dia em que chegou em casa com Rosalina depois de uma longa manhã na faculdade, Jeongguk no meio da sala com um buquê de rosas e uma caixa de chocolate em mãos tentando segurar o choro. Sánchez estava logo atrás vestido de terno com um cartaz escrito "esse idiota te ama!" chorando feito um condenado. Jimin não sabia se ria ou chorava nesse dia, pois um segurando o choro e outro chorando era muito cômico em seu ver. Rosalina só sabia rir do jeito mole do marido, enquanto ele fingia brigar com a esposa por estar o chamando de mole. Se lembrava bem também, que quando aquela noite terminou, Jeongguk e ele estavam na cama comendo doces e outras bobeiras. 

Ao guardar o bilhete, apenas fez o que a rotina mandava para poder ir para a faculdade.

[...]

No carro, tendo um motorista os levando para seus destinos, Rosalina não parava um minuto sequer de falar sobre sua menina e como estava indo a relação dela com Sánchez.

— Ah, Jimin! — se aproximou, como se fosse contar um segredo para o Park. — Quando irá pedir o grandão em matrimonio? — perguntou deixando o grávido um tanto envergonhado, pois era ainda difícil aceitar que poderia fazer aquele pedido. 

Um tanto receoso, pegou o celular e digitou sua resposta nas notas do aparelho virando a tela em direção a amiga logo em seguida. 

"No meu aniversário."

— Isso é maravilloso, Jimin! — a ruiva bateu algumas palminhas e abraçou o amigo que tanto amava. — Podemos ir até uma joalheria e procurar por um anel, o que diz? — Park apenas assentiu e logo o carro parou em frente a faculdade, onde ambos se despediram e foram cumprir com seus deveres.

[...]

Jeongguk estava treinando, pois havia passado uma hora junto de Wolf para que acertasse os detalhes da luta que teria em dois dias. Parando um pouco para descansar, viu na entrada da academia uma pessoa muito conhecida por si entrar. Estava surpreso por ver "ela" ali, visto que, fazia anos que não a via em seu país de origem. Tentava não vacilar a cada passo que a mulher dava em sua direção. Sentia-se um pouco estranho, já que a mulher muito havia mudado em sua aparência, não era mais aquela mulher de porte que vivia nas roupas mais caras e saltos de coleções lançadas. Não era a mesma pessoa, pois as roupas eram simples, desde a saia rodada com flores até a camisa de botões branca. Nos pés, apenas uma sapatilha bege e nada chamativa como antigamente, já os cabelos, estavam presos num desarrumado rabo de cavalo. Não havia maquiagem e nem mesmo os típicos batons vermelhos, somente a cor natural da pele o que deixava o Jeon um tanto admirado por ver aquilo. Quando os passos pararam em sua frente, pode ver melhor as pequenas rugas e os sinais da velhice no rosto da mulher que gerara ele ao mundo.

Faz muito tempo não é, filho

[...]

Jimin estava um tanto cansado pelas aulas de seu curso, ainda mais tendo que fazer duas provas aplicados por dois professores que não gostavam de si, mas ele também não gostava deles. Sentado num banco do jardim onde dava a visão para a rua, suspirou ao levar o olhar para uma árvore à sua frente onde seu segurança se encontrava atento a tudo que ocorria a sua volta. Agradecia mentalmente por seu segurança não ficar sempre em cima de si, gostava de espaço e privacidade.

Privacidade.

Isso era o que menos tinha, ainda mais tendo um namorado famoso na luta. Não que estivesse reclamando, longe disso! Mas pensar que depois que a fama vinha, não poderia mais fazer nada sem ter um segurança por perto. O que era às vezes um tanto assustador para si e pelas crianças que logo viriam ao mundo.

— Ji? — assustou-se com o toque em seu ombro. Estava tão pensativo que nem mesmo viu Jeongguk se aproximar. Levando seu olhar para cima, sorriu ao ver o sorriso do mais novo em sua direção junto da mão que esperava pela sua. — Vamos?

Park apenas assentiu e aceitou a ajuda do namorado. Caminhando lado a lado, tendo logo atrás o segurança os acompanhando, seguiram até SUV preta que Jeongguk viera. Jimin teve ajuda para entrar no banco de trás, já que no carona ficava difícil por conta de sua barriga nada pequena. Quando Jeongguk foi até o banco do motorista, Jimin enfim percebeu que no banco do carona havia uma mulher de cabelos castanhos e sanando todas as dúvidas repentinas sobre a mulher, o mais novo comentou:

— Ji, ela é minha mãe.

Park ficou um tanto surpreso com aquilo, mas ao que a mulher se virou para poder lhe olhar, não pudera conter o pequeno sorriso em seus lábios.

— Espero que não seja um incômodo para meu genro — sorriu e Jimin negou rapidamente gesticulando algo. — Eu…

— Ele disse que não é incômodo nenhum, dona… mãe. — Disse Jeongguk que estava prestando atenção no mais velho.

— Ah, sim. Aliás, peço desculpas por não compreender tão bem a língua de sinais, pois o que aprendi há tempos atrás foi apenas para me comunicar com a Hyunjin — comentou de forma mansa e chateada, pois sabia que devia ter dado mais atenção nessa parte. Não havia cumprido seu papel de mãe corretamente. — Jimin, Jeongguk me disse que vão almoçar fora, mas não deixaria eu ir caso você não aceitasse — riu fracamente. — Sei que não mereço a atenção de vocês, porém, gostaria de almoçar junto de vocês para poder conversar com Jeongguk, tenho muito o que falar e me desculpar.

Jimin olhou para Jeongguk com um sorriso, para logo em seguida gesticular.

"Por mim, tudo bem."

A Jeon olhou em direção ao filho que balançava a cabeça fracamente em negação.

— Ele disse que está tudo bem — disse, ajeitando os fios compridos que caíram sobre seus olhos.

— Agradeço por essa oportunidade, Jimin, não precisa se preocupar com a conta minha, ok? Eu irei pagar, não quero perturbá-los nem nada do tipo e… acho melhor eu parar de falar um pouco, certo? — Jeongguk apenas assentiu e ligou o carro para partirem logo dali. Jimin sorria pequeno com aquilo, não conhecia a outra versão que Jeongguk vivia lhe falando, mas algo dizia que aquela era uma nova versão da senhora Jeon.

O segurança do Park vinha logo atrás num carro do mesmo modelo que o do Jeon, não havia um lugar que o casal fosse para que algum segurança não os seguisse.

[...]

A escolha do restaurante acabou sendo por conta de Jeongguk, visto que, se escolhessem um local "simples" teria muito gente querendo fotos e etc. O local escolhido possuía áreas reservadas para os clientes que procuravam por "privacidade". A comida havia sido pedida e entregue na mesa, Jimin nem mesmo esperou por estar com muita fome, comia um tanto apressado tendo que ser controlado pelo namorado que pedia para mastigar devagar e comer porções pequenas para não haver riscos de engasgar ou algo do tipo. 

— Realmente, seu namorado é muito lindo, filho — comentou de repente, deixando Jeongguk e Jimin um tanto surpresos com o pronunciamento da Jeon. Aproveitando daquela atenção deixou o copo com suco de lado para poder apoiar os cotovelos sobre a mesa, podendo ter mais facilidade para entrelaçar os dedos. — Sabe, filho, nunca fui de te apoiar no início quando ainda era aquele garotinho que ao saber sobre a irmã se matriculou para aprender a língua de sinais. Sinto que esse foi o meu "maior" erro, mas me arrependo por ter feito isso — suspirou alisando com o polegar a própria mão. — Errei também ao ter os deixado para trás só para poder viver minha vida, no entanto, depois que vi a primeira notícia sobre vocês dois, quis poder ter feito parte disso, ter conhecido esse seu lado que nunca fiz questão de ver na época…

— Mãe, não…

— Deixe me falar o que preciso, pois tenho medo de não conseguir essa coragem novamente, filho — sorriu sem graça. — Aquela vez que te liguei foi para tentar consertar meu erro, mas acabei sendo tola e falei aquelas baboseiras todas. Desculpa. Estou tentando mudar desde aquele dia e ontem quando te liguei foi para avisar que estava aqui e queria falar com você, mas você não atendeu e tive que ligar para seu empresário, aliás, não brigue com ele por ter passado o seu local de treino.

— Não vou brigar — Jimin acariciou as mãos do namorado, pois estava gostando de vê-lo aceitar aquela conversa sem deixar a raiva aparecer.

— Sabe, eu gostaria de pedir seu perdão e que aceitasse meu perdão, filho, talvez eu não mereça, mas saiba que estou mudando e até meu trabalho abandonei só para ser outra pessoa, uma outra versão Jeon que nunca achei que teria de volta — tombou a cabeça deixando um pequeno sorriso se formar em seus lábios.

Jeongguk não respondeu o pedido, por longos segundos ficou encarando o namorado de forma assustada, pois não imaginava que sua mãe iria fazer aquele pedido e muito menos que mudaria. Soltando um longo suspiro viu Jimin sorrir apertando sua mão, enquanto balançava fracamente a cabeça em aprovação.

— Tudo bem, eu aceito seu perdão e te perdôo, mãe, mas…

— Não precisa dizer mais nada, filho. Não vou ficar te perturbando em nada — disse chorosa, pois estava esperando ser rejeitada ao algo assim, todavia não tinha se preparado para ser perdoada pelo filho. Pegando um lenço da bolsa secou as lágrimas que desciam por sua bochecha. — P-posso te abraçar? — indagou para Jeon, que meio receoso, assentiu e se levantou sendo copiada pela mãe e namorado. Quando ambos estavam frente a frente, a mais velha não esperou mais nada e apenas abraçou com força o filho chorando baixo. — Eu te amo muito, Jeongguk — sussurrou e Jeongguk não pode segurar algumas lágrimas que desceram por sua bochecha teimosamente ao ouvir aquelas palavras, abraçou a sua mãe com mais força, pois aquele tipo de abraço era o que tanto sonhava desde de criança. Jimin que observava mãe e filho, soluçava conforme chorava por poder ser testemunha dos dois e de um momento tão importante para o namorado. Gostaria que fosse minha mãe e eu assim também, pensou. — Jimin, vem cá — pediu chorosa abraçando Jimin e Jeongguk ao mesmo tempo, fazendo com que aquele momento se tornasse especial para os três.

[...]

Os dois dias havia se passado e Jeongguk estava no Japão para a luta, entretanto estava com a companhia de Wolf e seu treinador, já que Jimin não tinha autorização da médica para viajar de avião por conta dos bebês. Os bebês, ansiava tanto para poder ver os rostinhos dos pequenos, mas ainda faltava mais alguns meses para que isso fosse realizado e, enquanto isso não acontecia, aproveitava para poder mimar seu namorado fofinho. Estalando os dedos, se aquecia para mais uma luta que esperava sair vencedor.


Notas Finais


Voltei!

O que acharam do capítulo? Será que vai ter alguém aqui que vai torcer pelo bem do Tae?

Lá vai eu dizer de novo: eu amo o Sánchez kkkkkkk

Tag de interação: #saturnoecloud 🐱🐶

Aproveitando. Sensação Entre Mundos, uma parceria com a @Ggukiechu foi att. Essa fanfic foi inspirada na série Stranger Things e envolve muito mistério, sobrenatural e sobrevivência. Eu sou apaixonada demais por esse plot.
Link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/sensacao-entre-mundos-19747057

Spoiler do próximo capítulo: derrota.

Bom, é isto. Lavem as mãozinhas e se cuidem 💕
Até o próximo capítulo 😘


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