História O Silêncio e a Tempestade - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Alta Fantasia, Aventura, Colegial, Dragão, Fantasia, Fantasia Medieval, Fantasia Urbana, Fogo
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Palavras 1.306
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Contando Segundos para as Férias


— C-como? — Meg hesitou e pisou para trás sem perceber. — Ela ligou? O que ela queria?

— Falar com você, é claro — a avó suspirou e deu de ombros. — Quer prestar mais atenção nesse telefone? Por que foi mesmo que te demos aquele treco?

A repreensão da avó a pegou de surpresa, antes até mesmo que Meg soubesse o que dizer. Ainda mais porque, na verdade, seu celular não tinha tocado ou vibrado em momento algum durante a tarde.

— Mas, vó, ela não me ligou. Meu telefone não tocou.

Por mais que ela tentasse se explicar, sua avó não parecia estar muito disposta a ouvir. Não que as conversas naquela casa costumassem ser muito diferentes — ainda mais quando se travata desse assunto.

— Aposto que você não ouviu de novo porque estava com a cabeça na lua, como sempre! É sempre assim, ainda mais quando você se junta com aqueles seus amigos. Já passou da hora de aprender a prestar atenção no mundo — dona Locasta se interrompeu, balançando a cabeça, e voltou a encarar a neta — mas não vamos mudar o assunto.

Meg engoliu a seco sem saber o que fazer com as palavras entaladas na sua garganta. O assunto tinha ido e vindo antes que ela pudesse até mesmo entender direito o que estava acontecendo, mas dona Locasta nunca se apegava a esses detalhes.

— Certo — Meg assentiu. — O que ela queria?

Dona Locasta limpou a garganta e continuou olhando para Meg como se analisasse cada uma de suas reações, mesmo as mais sutis. E então, sem aviso algum como já era seu costume, ela deu a notícia que caiu como uma bomba aos ouvidos de Meg:

— Ela e o seu pai vão te buscar depois da aula amanhã para passar o final de semana com você. Sua outra avó alugou uma casa de praia para o verão, e eles querem aproveitar o seu primeiro final de semana de férias.

— C-como?

Meg sentiu seu estômago gelar e se revirar outra vez. Por que ninguém tinha lhe dito nada antes?

— Amanhã? Já? Assim? — ela questionou, ainda atordoada pela surpresa. — Não pode ser na semana que vem?

— Eu já disse para eles que você vai. São os seus pais, Meg, passar mais tempo com eles vai ser bom.

— Mas…

— Morgana Lunare.

Nome inteiro, sem apelidos junto com o sobrenome. O assunto estava encerrado e Meg sabia disso. Ainda mais quando sua avó usava aquela voz; não era brava ou exaltada, e sim firme o suficiente para fazê-la entender o recado.

— Ok — ela finalmente concordou, ainda que a contragosto. — Então é só esperar eles aparecerem quando a aula acabar?

— Isso mesmo. Vá logo tomar um banho, você está cheia de areia da cabeça aos pés.

Meg apenas se virou e se fechou no banheiro sem dizer mais nada. Sozinha e com os pensamentos acelerados, ela alcançou o celular no bolso da calça e encontrou exatamente o que esperava: nenhuma mensagem, nada de notificações, sem ligações perdidas e também sem mensagem de voz alguma. Não havia traço algum de nenhuma tentativa de comunicação da parte de ninguém.

Nem mesmo de sua mãe.

***

Era estranho ver como as coisas podiam mudar de repente, e numa intensidade assustadora. Antes, Meg mal podia esperar pelo começo do verão e das férias; agora, cada segundo que o relógio contava parecia puxar uma infinidade de dúvidas para cada vez mais perto.

Seu último contato com a sua própria mãe tinha acontecido há algumas semanas, através de mais um telefonema intermediado pela avó. Naquele dia, como sempre, sua mãe lhe falou sobre todos os planos incríveis que estava fazendo para todo o tempo que pretendia passar com a filha. E, ironicamente, um final de semana na praia não tinha aparecido em momento algum entre eles. Um dia no cinema, um almoço no parque, até mesmo possíveis caminhadas pelo final de tarde (para ajudar a garota a perder peso, é claro, já que esse era um dos assuntos favoritos de todos da família) e outras ideias semelhantes até foram citadas, porém nunca se concretizaram, como Meg já imaginava. E, mesmo que sua mãe tivesse aparecido, ela provavelmente passaria mais um final de semana enfiados dentro do apartamento apertado onde seus pais moravam, assistindo qualquer coisa que estivesse passando na TV e tentando aguentar o cheiro insuportável de cigarros que parecia ter se grudado nas paredes da sala.

E agora, de repente e sem nenhum aviso, os planos estavam feitos. E ninguém, nem mesmo sua avó, parecia se importar com a sua opinião ou os planos que ela própria poderia ter para esse final de semana de praia. Às vezes, viver em uma estrutura familiar como aquela não parecia ser muito diferente de um jogo de pingue-pongue, e as idas e vindas deixariam qualquer um tonto e desnorteado.

Os outros alunos já estavam contando os segundos para o sinal da última aula do ano, até mesmo seus amigos, e o professor de matemática tinha desistido de qualquer conversa séria desde a aula retrasada, de qualquer forma. Oliver andava de um lado para o outro da sala de aula sem fazer esforço nenhum para se conter.

— Agora sim eu e o meu irmão vamos conseguir zerar aquele jogo! — Ele comemorou consigo mesmo dando um soco no ar. — Aquele chefe vai ver só!

Melissa soltou um risinho abafado e ajeitou os óculos em seu rosto.

— Eu só quero adiantar um pouco a minha leitura… — ela sussurrou mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa, mas Ísis a ouvia sem sequer piscar. — Nem acredito que acabou! Não aguento mais pensar em prova, exercício, teste e trabalho. Qual foi o último livro que eu li, mesmo?

Seu suspiro desanimado deixou bem claro que já fazia algum tempo. Enquanto isso, Ísis passou a olhar para Meg, que passou o último dia de aula anormalmente quieta depois de dividir as novidades com os amigos. Seus olhos acinzentados pareciam ser frios para quem não a conhecia, mas Meg já sabia bem que ela estava ao seu lado, apoiando-a. Só esse final de semana… só três dias. Quem poderia saber como seria? Talvez acabasse sendo divertido, mesmo que a praia não fosse a sua primeira escolha ou seu passeio favorito. E, depois desses três dias, ela ainda teria todo o resto do verão para fazer o que bem entendesse com o seu tempo. Mesmo sem usar palavras, ela sabia que era isso que o olhar firme e confiante da sua amiga estava tentando lhe dizer em silêncio.

Na verdade, Meg achou melhor nem tentar ter aquela conversa em voz alta porque era quase impossível tentar falar qualquer coisa entre as comemorações dos seus colegas de turma:

— Um minuto! — Uma voz ecoou ao fundo da sala.

— Acabou!

— Acabou!

— É isso aí!

O oitavo ano nem tinha acabado oficialmente ainda e já parecia uma lembrança distante, e Meg não tinha conseguido nem comemorar ainda.

— Falta pouco agora!

— Vamos fazer uma contagem regressiva?

— Isso!

— Vamos!

As vozes se misturavam sem que ela nem mesmo tentasse reconhecê-las. Será que o nono ano seria muito diferente disso?

— 30, 29, 28, 27…

Pensando bem, a voz de Oliver era bem distinta entre as outras. Talvez porque ele estivesse gritando bem do lado do seu ouvido, ou talvez porque ele estivesse mais cheio de energia do que qualquer outra pessoa ali.

— 18, 17, 16, 15…

Bom, não havia como mudar o que já tinha sido decidido. Talvez um final de semana como aquele realmente ajudasse a família a se entender melhor, não? A praia não era o seu destino favorito, mas um banho de mar até que não cairia tão mal assim…

— 9, 8, 7…

Os gritos se tornaram mais fortes e a animação era quase contagiante. Três dias não eram muito tempo. O que poderia acontecer de tão grave?

— 4, 3…

O sinal finalmente tocou e ninguém esperou pelo fim da contagem.



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