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História O simples ato de sentir - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Sim, eu sou boiola por coreanos, chineses e agora por tailandeses. Se eu começo a shippar duas pessoas, automaticamente eu quero escrever com elas, então, tá aqui, 6K de Bright e Win.
A fanfic também tá postada no Wattpad: https://t.co/lSgiPWPptI. Lá também vou postar fanfics com eles, (postei aqui no Spirit só pra deixar registrado o meu carinho por esses dois, já que essa conta é muito importante pra mim) então não deixem de me acompanhar no Wattpad também, sim?
Pra quem for ler, boa leitura!

Capítulo 1 - Único


Bright estava ansioso. Andava de um lado para o outro pelo chão quase brilhante do apartamento onde morava, com as mãos ora na cintura, ora nos cabelos castanhos. Win chegaria em alguns minutos, para ficar dois meses com o melhor amigo. O rapaz estava de férias da faculdade, e Bright não perdeu tempo em pedir para que eles passassem um tempo juntos. O apartamento era enorme, e Bright se sentia solitário. Além do mais, ele e Win eram amigos há décadas, que se afastaram com a mudança de Bright para outra cidade, quando precisou ser transferido do local de trabalho.

Não sabia exatamente o motivo de estar nervoso em encontrar Win. Talvez porque sempre fora apaixonado por ele. Win sempre foi encantador. Fofo, sorridente, divertido — o oposto de um Bright quieto.

Antes que pudesse se acalmar e agir como uma pessoa madura, ouviu batidas na porta e o coração falhou uma batida. Sabia que não era apaixonado por Win como antigamente. A distância fez esquecer-se daquele sentimento, mas, de alguma forma... Win mexia consigo, embora agora, provavelmente ele estivesse namorando, afinal, ele era um universitário à procura de experiências.

Suando frio, Bright abriu um botão da camiseta e passou novamente as mãos pelos cabelos lisos, levando os fios para trás. Arrastou os pés descalços até a porta e respirou fundo antes de abri-la. Naquele momento, decidiu que não importasse o que sentisse por Win, não perderia a amizade dele. Se abrisse a boca e declarasse todo o seu amor, não tinha dúvidas de que Win sairia correndo. Conhecia o mais novo o bastante para saber que ele não era o maior corajoso do mundo. O garoto era sentimental e frágil, e não se apegava a ninguém. Evitava ao máximo ter um coração partido.

Quando Bright abriu a porta e viu um Win sorridente, com uma mala enorme e uma mochila nos pés, sentiu como se o ar sumisse dos pulmões. Win tinha uma beleza peculiar que deixava Bright bobo. Ele era fofo, mas sabia ter uma expressão sensual de vez em quando.

— Oi. — O sorriso ainda estava lá, e Bright tomou coragem para abraçar Win sem parecer muito desesperado por um contato depois de tanto tempo afastados um do outro. O abraço foi apertado e Bright inspirou o perfume doce que Win usava. Não era fã de perfume doce, mas aquela era uma exceção. — Uau, alguém sentiu saudades.

— Senti mesmo. — Foi o que Bright respondeu, ainda agarrado a ele. Ficou aliviado quando Win retribuiu o abraço na mesma intensidade. — Ficar anos sem você foi uma tortura.

Win desviou o olhar e soltou uma risadinha. Bright se afastou e o observou, ouvindo o que Win tinha a dizer.

— Também senti a sua falta.

Win pegou a mochila e Bright pegou a mala de rodinhas. Entraram no apartamento, então, com Win puxando assunto. Bright ainda estava nervoso, o coração fraco, as pernas bambas. Não conseguia agir como uma pessoa normal ainda, então deixou que Win conduzisse a conversa.

— Então quer dizer que você mudou de cidade e ficou rico?

Win se jogou no sofá e Bright se sentou no braço do estofado, engolindo em seco. Pensou por alguns segundos na sua situação patética. Gostava de Win há muito tempo, e agora, ele com vinte e dois e Bright com trinta, as coisas continuavam iguais. Nem parecia que tinham se afastado. Estava mesmo disposto a disfarçar a enorme paixão platônica que sentia por aquele rapaz.

— Eu trabalho demais, só isso. E como anda a faculdade?

— Tirando as crises fodidas de ansiedade que ela me causa, está tudo ótimo. Achei que desistiria do curso no primeiro período, mas, só falta um ano pra formatura. É difícil de acreditar.

— Você é um garoto inteligente, claro que não desistiria.

— Não sou mais um garoto, sabe disso, não sabe?

— Agora eu sei. — Falou, por fim, levantando-se do sofá antes que a conversa seguisse um caminho perigoso. Não estava pronto para saber que Win tinha crescido e estava tendo experiências sexuais ou qualquer outra coisa parecida.

Sem olhá-lo nos olhos, Bright pegou a mala e chamou Win com a cabeça para que mostrasse o quarto onde ficaria.

— O apartamento é bem grande, então você vai ter um quarto enorme só pra você.

— Caramba... e eu achando que ficaria em um quarto de hóspedes qualquer.

Bright riu, achando graça de como Win fazia piadas com tudo.

— Cuidado, Bright, posso me acostumar a morar aqui e ser bancado pelo meu amigo rico.

— Não é uma má ideia. — Murmurou, andando com pressa.

Chegando ao quarto, Win se surpreendeu. O lugar era grande, em tons marrom e azul marinho. Em cima da cama de casal havia várias almofadas e um travesseiro. Era tudo muito moderno. Se deitou na cama sem pensar duas vezes, sentindo-se com sono de repente. Bright o observou de longe, parado na porta, de braços cruzados e com um sorrisinho de canto. Estava adorando a ideia de ter o amigo ali consigo. Chamá-lo para passarem um tempo juntos tinha sido a sua melhor ideia em anos.

— Você quer dormir um pouco?

— Acho que sim... — Confessou, manhoso, se espreguiçando na cama. Tirou o All Star amarelo dos pés e se encolheu. — Obrigado por isso, Bright.

— Isso o que, exatamente?

— Por ainda ser o Bright de sempre, o meu melhor amigo, o cara educado, sério e gente boa. E agora com dinheiro.

Sorrindo sem graça, Bright apagou a luz e se despediu.

— Descanse. Vejo você depois.

Win dormiu e sonhou com lembranças envolvendo a si mesmo e Bright quando eram mais novos. Bright ensinando Win a andar de bicicleta, Win confessando que beijou pela primeira vez um garoto, Bright ficando furioso e sumindo por dias depois da confidência. 

 

(...)

 

— Sabe o que eu sonhei?

Estavam jantando. Win havia acordado há pouco tempo e Bright pediu comida no restaurante preferido.

Bright o olhou, desconfiado, e levantou uma das sobrancelhas. Estava mais confortável naquele momento, depois de tomar um banho relaxado e colocar uma roupa leve.

— Você sonhou? Sério? Você nem dormiu tanto.

— Sonho sempre que posso. Quer saber o que foi?

— Claro.

— Lembra do meu primeiro beijo? Com um garoto da escola? Você ficou puto e parou de falar comigo por uma semana. — Sorriu arteiro, nem ao menos percebendo um Bright congelado. — Até hoje eu não entendo o motivo de você ter ficado tão furioso. Eu era mais novo e você mais velho, e você nunca tinha beijado alguém. Foi esse o motivo?

Não era aquilo. Bright havia ficado com raiva porque era apaixonado por Win e ele simplesmente beijou outra pessoa.

— Não foi nada disso.

— Você nunca me falou... só pediu desculpas e esquecemos o assunto. Por acaso foi... ciúmes? — Provocou, observando em como Bright estava sem jeito, de cabeça baixa e comendo em silêncio.

— Eu pedi pra esquecermos o assunto.

— Depois de tantos anos, você ainda quer esquecer isso? Pelo visto isso mexe com você.

Mudar de assunto parecia uma boa opção. Win tinha uma boa lábia, e Bright duvidava da própria capacidade em se manter de boca fechada sobre seus sentimentos.

— Vai sair com o seu amigo hoje à noite? Ele se mudou pra cá também, não?

— Sim, e sim. — Respondeu, terminando de comer. Limpou as mãos no guardanapo e apoiou os braços na mesa. Ficou encarando o melhor amigo, ainda de cabeça baixa, engolindo a comida. O observou com calma, e reparou em como ele havia mudado. Estava mais adulto. Os cabelos para trás, com alguns fios caindo pela testa, o rosto cansado e ainda bonito. Mais cedo, usava uma camiseta azul de botões, e Win achou que nunca fosse ver aquele cara tão charmoso. — Tem algo de errado com você.

— Como assim? — Perguntou, enfim o olhando.

— Tem alguma coisa te incomodando?

Por alguns segundos, Bright pensou se falar que gostava daquele rapaz em sua frente era uma boa ideia. Se, não tivesse a certeza de que Win pegaria suas coisas e iria embora na mesma hora. Ele não era fã de relacionamentos, de sentimentos, ou de qualquer coisa romântica. E pior: não gostava de Bright do mesmo jeito que Bright gostava dele. 

Todo santo dia se perguntava como não conseguia esquecer Win. Teve outras experiências e pessoas em sua vida, mas a mente e o coração sempre voltavam para um certo alguém sorridente que adorava ser engraçado.

— É o cansaço. — Mentiu. — Agora, com as férias, vou melhorar a minha cara de enterro.

— Espero. Então, hm, eu vou sair mais tarde. Você... não quer ir?

Bright negou, rápido, levantando-se da mesa. Tirou a louça suja e não se deu ao trabalho de olhar o rosto decepcionado de Win.

Win queria que ele tivesse aceitado o convite. Aproveitar a companhia de Bright era o seu plano. Era louco pela amizade dele e por ele.

— Hoje foi o meu último dia de trabalho, então eu estou bem cansado. Vá e se divirta.

— Nós vamos beber pra caramba. Vai ser divertido.

— Só... toma cuidado. — Pediu, receoso. Qualquer passo em falso poderia arruinar a relação perfeita que tinha com Win. Se demonstrasse um pouquinho que fosse do amor que sentia... não teria volta. — Por favor. Não beba muito, e... cuidado. Sério.

— Pode deixar. Esqueceu que eu não sou mais um garoto?

Ainda assim, Bright ficou preocupado, ainda que Win fosse inteligente e responsável — e tivesse tantas outras qualidades. Bright mentiria se dissesse que não gostava de cada uma delas.

 

(...)

 

Antes de sair do apartamento para se encontrar com o amigo, Win piscou para Bright, que sentiu o coração apertar. Poderia ser uma paranoia sua, mas Win parecia saber que Bright era um bobo apaixonado, e por isso, fazia de tudo para provocá-lo e deixá-lo louco, até chegar ao ponto de se ajoelhar aos seus pés e se declarar, coisa que definitivamente não aconteceria, pois Bright sabia se controlar muito bem.

Quando Win se foi, arrumado e cheiroso o bastante para que o perfume ficasse em todo lugar, Bright se sentiu sufocado com o que estava sentindo. Com o amigo próximo de novo, estava difícil manter-se longe e não o encher de carinho. Quando estavam separados, era mais fácil.

Começou a se perguntar se chamar Win para passar as férias consigo havia sido mesmo uma boa ideia.

 

(...)

 

— Sabe... conversei por mensagem e ligação durante anos com o Bright, e nunca percebi em como ele mudou.

— Ele amadureceu, Win.

— Não, não é isso. Ele... parece triste.

O amigo respirou fundo, desviou o olhar, bebeu mais, e pensou no que responderia. Claro que sabia pelo que Bright estava passando. Sabia que ele era louquinho por Win desde quando Win começou a se tornar um homem, a ganhar corpo, a engrossar a voz. Era difícil não se apaixonar por uma pessoa com uma áurea gentil.

— Não sei. — Mentiu. Não iria se intrometer. Se Bright quisesse falar sobre o que sentia, fosse na hora certa, e pela sua própria boca. — Deve ser coisa da sua cabeça, quer dizer, vocês estavam afastados há anos, certo? Ele pode ter mudado.

— Ele... está bonito.

O outro segurou o sorriso. Não deu certo, e Win percebeu, socando leve o ombro alheio.

— É só um elogio.

— Por que se defendeu? Eu falei alguma coisa?

— Não, mas pensou.

— Talvez.

Pensou em dizer que Win havia ficado mexido não por causa do tempo afastado do outro, mas porque gostava de Bright também, mas era medroso demais para admitir que sentia algo por alguém.

Os rapazes conversaram e beberam o resto da noite, matando a saudade da amizade. Win pensou todos os minutos em como queria que Bright estivesse ali com ele.

 

(...)

 

Win chegou aos tropeços no apartamento de Bright. Os olhos estavam embaçados. Nem sabia direito como havia chegado ali. Lembrava-se do amigo mais sóbrio que si, o colocando no táxi e o levando ao portão do prédio, e depois se despedindo.

Bright provavelmente já estava dormindo, então tentou não fazer barulho, até que viu uma luz acesa, vindo do quarto dele. Andou até lá, feliz pelo amigo ainda estar acordado. Queria conversar com ele, falar que sentiu saudade dos dois juntos.

Chegando lá, a porta estava aberta, e Bright lia um livro quando percebeu Win parado na porta. Fechou o livro imediatamente e sentou-se na cama. Àquela altura o coração batia forte.

— Chegou mais cedo do que eu esperava.

— Achou que eu só voltaria amanhã de manhã?

— Achei. — Riu. — Você é jovem, e jovens gostam de chegar de manhã em casa.

— Falando assim você até parece um idoso, Bright.

Depois de rir, se dando conta que desde que Win chegou estava se divertindo mais do que o normal, perguntou:

— Precisa de alguma coisa?

Parando para pensar e observar Bright, Win viu que mesmo com uma roupa de moletom, ele ainda continuava charmoso. Talvez fosse os cabelos sempre sedosos ou o rosto maduro. Ou os olhos firmes em si. Win gostava de ser observado daquele jeito. Bright o observava como se Win fosse a única pessoa no mundo.

— Preciso de um banho. E dormir.

— Tem um banheiro no seu quarto, e outro no corredor. Você escolhe.

— Tem um aqui?

— Aqui?

— No seu quarto. Sabe, lembra quando dormíamos juntos? Senti falta disso.

Bright sabia que era louco por Win, mas era difícil entender as sensações que ele causava em si. Só com uma simples conversa, olho no olho, e voz baixa, podia sentir o corpo pegando fogo, e nem era o calor, já que o ar condicionado do quarto estava ligado, era só... uma coisa de Win. E era tão difícil manter o controle. Tão difícil não imaginar cenas com ele e Win aos beijos.

— Eu lembro. — Foi sincero. Lembrava-se de muitos momentos que viveu com aquele rapaz. — Não vou me importar se quiser dormir comigo, por tanto que tome banho. Você está com cheiro de álcool.

— Bebi tanto que não sei como estou em pé.

— E vai conseguir tomar banho sem cair no chão, bater a cabeça e desmaiar?

— Acho que sim. — Deu de ombros, despreocupado, torcendo para que no fundo, Bright se oferecesse e cuidasse de si.

Win estava bêbado, verdade, embora o efeito estivesse passando aos poucos. Ainda assim, o que estava sentindo e querendo não tinha nada a ver com o álcool em seu corpo, e sim com o desejo que tinha de ter Bright por perto cada segundo.

— Se quiser ajuda, me chama.

O mais novo assentiu e saiu do quarto, voltando minutos depois com uma roupa limpa e a escova de dentes. Não estava 100% bêbado, mas ainda estava, e andou cambaleando até o banheiro. Bright, observando a cena, sentiu um pouco de pena, sabendo que Win não tomaria um banho decente naquele estado, então levantou-se da cama, com um suspiro e o corpo suando frio. Sempre sentia aquele tipo de coisa quando estava prestes a se aproximar de Win.

Quando Bright chegou ao banheiro, se encostou na parede e cruzou os braços, tentado a rir. Win estava tentando tirar o casaco, enrolado.

— Se você não é capaz de tirar a própria roupa, quem dirá de tomar banho sozinho.

— Eu pedi a sua ajuda. — Reclamou, abafado, desistindo de tirar a peça.

— Não em voz alta.

Win bufou e tentou tirar a roupa novamente, sem sucesso. O rosto estava coberto, então não conseguia ver Bright sorrindo divertido, caminhando devagar até o amigo, pronto para ajudá-lo.

Parado atrás de Win, Bright se perguntou se deveria tocá-lo na cintura. O casaco já estava na altura das costas, não tinha motivo para colocar a mão boba em outro lugar, mesmo que a pele de Win parecesse macia. Quando percebeu, a ponta dos dedos tocou a cintura dele. O corpo ficou tenso no mesmo momento, enquanto Bright se encantava em tocar a pele que realmente era muito macia.

Espalmou as mãos por toda a cintura, sem muito juízo. Ele arrastou elas até em cima, tirando o casaco preso. Depois, Win continuou de costas, e Bright caiu em si. Se afastou assustado.

Win, aéreo, não se importou em tirar o resto da roupa na frente do amigo. Arrancou os jeans junto com a peça íntima e Bright não conseguiu tirar os olhos do corpo musculoso. Ainda cambaleando, Win andou até o box, mas estava tão tonto que bateu o nariz no vidro. Rindo, Bright andou até ele, preocupado de verdade.

Sorrindo, Win olhou Bright e disse:

— Nunca mais eu vou beber.

— Vou fingir que acredito. Entra aí. E se prepara que eu vou deixar a água bem gelada.

— Ah, não!

— Ah, sim!

Resmungando frustrado, Win entrou no box e abraçou os próprios braços com frio.

— Vamos lá, Win, o banho vai te deixar melhor.

Tremendo de frio, Win pulou para baixo do chuveiro, com a água gelada doendo nos ossos. Esfregou o rosto e o cabelo, e quando percebeu, sentiu-se mais sóbrio. Saiu da água e se encostou na parede gelada, tentando controlar a respiração, de olhos fechados. Os abriu segundos depois, enxergando Bright o encarando.

Bright não conseguia disfarçar quando os olhos batiam em Win. Achava ele tão lindo que era difícil agir normalmente, principalmente naquele momento, quando Win estava nu. Os olhos desceram por todo o corpo dele, sentindo o rosto esquentar mais do que deveria. Foi só quando percebeu que estava sendo encarado que parou de olhá-lo dos pés à cabeça e o olhou apenas nos olhos.

— Gosto quando você me olha assim. — Disse Win, sorrindo pequeno.

— Assim como?

— Como se eu fosse a única pessoa no mundo. Me olha com tanto cuidado e carinho. Pode ser coisa da minha cabeça, mas...

— Não é. — Rebateu, mais do que rápido. — Você é especial pra mim.

Win abriu o sorriso.

— É recíproco. E saiba que é uma honra ser encarado por você.

— Hm? — Entortou a cabeça, confuso. Percebeu depois de se mexer que a respiração estava descontrolada.

Win abaixou a cabeça.

— Você mudou tanto, Bright... é um homem agora, um homem mais adulto, mais velho, e mais bonito. A última vez que eu te vi, você usava jeans rasgados e tênis que precisavam ser lavados.

Bright estava se controlando ao máximo para não cometer uma loucura. Se tivesse a certeza de que aquilo era um sonho e depois seria como se nada tivesse existido, avançaria em Win e o beijaria até que ficassem sem ar.

Perdido naquele clima intenso, Bright percebeu depois os passos que havia dado. Estava dentro do box agora, como se Win o chamasse apenas pelo olhar ou pela voz.

Saber que Win o achava bonito deixou Bright pensativo — além de quente e pronto para ter uma ereção ali mesmo. Se o amigo o achava bonito, se tinha dito em voz alta todos aqueles elogios, era um sinal. Sinal de que se sentia atraído por ele. Tinha algo recíproco ali. O problema, porém, fora que Bright não se lembrou que Win estava bêbado, que provavelmente só estava carente e havia falado tudo aquilo porque o cérebro não estava funcionando da melhor forma. Verdade ou não, Win segurou o seu pulso e o puxou para mais perto. Os corpos ficaram colados e Bright sentiu frio com o corpo alheio molhado e gelado junto a si. As mãos imediatamente foram levadas novamente à cintura de Win, a ponta dos dedos passando pelas costas, de baixo para cima, enquanto não tirava os olhos dele.

Win esticou o braço para diminuir a água do chuveiro, e então sorriu com malícia.

— Não podemos gastar tanta água.

— Me acha mesmo bonito? — Perguntou, a insegurança começando a aparecer.

— Sempre achei.

Bright ainda fazia um carinho nas costas do amigo, e depois que ouviu aquilo, os dedos pararam no fim das costas e ele abriu as mãos, descendo até espalmar nas nádegas, apertando. Ao mesmo tempo, Win abraçou Bright pelo pescoço, roçando o nariz de leve pela bochecha dele. Dando mais um passo, Bright o apertou com mais força e o encostou na parede.

Observar as expressões de prazer que Win fazia era o paraíso para Bright. A cabeça encostada na parede, os cabelos molhados, as bochechas vermelhas, o sorriso maldoso...

— Bright... — Chamou Win, manhoso. — Toca em mim.

Win abriu a boca quando foi tocado na intimidade, não fazendo barulho. Fechou os olhos e aproveitou o carinho no membro, sentindo o olhar de Bright em si, se aproximando cada vez mais, até que decidiu beijá-lo. Um selinho demorado somente, depois puxou o lábio com os dentes até que se soltasse sozinho.

Minutos depois, Win chegou ao seu limite e Bright se viu ofegante. Como se nada daquilo houvesse acontecido, Win, ainda com um sorriso maldoso e satisfeito, abriu o chuveiro novamente e terminou de tomar o seu banho. Confuso, Bright saiu do box para se enxugar e, sem dúvidas, bater uma punheta para o melhor amigo. Estava tão duro e dolorido que poderia chorar.

Seguiu para o quarto de Win, já que o rapaz estava em seu banheiro e dormiria ali, na sua cama. Entrou e trancou a porta, querendo se esfregar em alguma coisa. Arrancou todas as roupas e se jogou na cama, de bruços. Se esfregou no colchão até se sentir satisfeito, imaginando Win embaixo de si.

Não era um homem que se tocava daquela forma com frequência, mas quando acontecia, Win sempre estava em seus pensamentos, e agora, depois do contato íntimo que tiveram, tudo se tornou mais intenso.

Mais calmo e sonolento, Bright arrumou a cama e tomou um banho, vestiu um pijama limpo, e voltou ao seu quarto, onde Win já estava dormindo em sua cama, usando uma boxer preta e nada mais. O observando de perto, perguntou-se se era uma boa ideia dormir com ele, na mesma cama, ao lado dele, depois do que fizeram. Win, provavelmente, teria uma amnésia durante a madrugada, mas Bright... Bright se lembraria de cada detalhe, e não fazia ideia de como lidar com aquilo no dia seguinte.

Deitando-se no colchão macio para dormir, devagar, sem movimentos bruscos, se deixou respirar, aliviado, olhando a escuridão ao seu redor. Foi então que refletiu. Tinha chamado Win para passar dois meses consigo, e estava agindo como um idiota. Com medo, triste, calado. Não estava aproveitando como deveria a visita do melhor amigo, por puro pavor. Estava na hora de colocar um fim naquele Bright covarde. Precisava aproveitar a amizade de Win, antes que algo ruim acontecesse, antes que ele fosse embora, antes que se afastassem novamente por mais alguns anos, ou para sempre.

 

(...)

 

Quando Win acordou, a cabeça doía tanto que ele mal conseguia abrir os olhos. A cabeça pesava, embora o corpo estivesse relaxado como nunca. Se perguntou o que tinha feito na noite passada para se sentir tão bem. A última coisa de que se lembrava, era do amigo o deixando no portão do prédio.

Lembrando de Bright, abriu os olhos e se viu em um quarto que não era o seu. Preocupado, se levantou apenas com a boxer no corpo e o cabelo apontando para todos os lados.

Se arrastando pelo chão gelado do quarto, logo estava na cozinha. Viu Bright na mesa, quieto, o olhar longe, com uma xícara de café nas mãos. De repente, se sentiu tímido em aparecer daquele jeito para Bright, sem saber o motivo. Voltou ao seu quarto, então, e vestiu uma bermuda. Apareceu para o amigo se sentindo mais decente.

Bright o olhou daquela forma penetrante que começava a deixar Win sem jeito demais.

— Bom dia, Win.

— Bom dia...

— O que pretende fazer hoje? Beber até esquecer o próprio nome?

Win fez uma careta, indo até a cozinha para ver se tinha algum suco na geladeira. O pegou quando achou e voltou para a mesa, começando a se servir.

— Eu não lembro de absolutamente nada do que aconteceu ontem. Acordei na sua cama e nem sei como fui parar lá.

A risada que Bright deu foi de pura decepção.

— Do que você está rindo? Não tem graça. Minha cabeça não para de doer e é estranho não lembrar das coisas que eu fiz.

Sentindo a garganta apertar, Bright se levantou e lavou a xícara, depois parou ao lado do amigo, abaixando-se. O rosto ficou próximo do rosto de Win, que o encarou.

— Você vai se lembrar.

— Como tem tanta certeza?

Bright deu de ombros, gostando do novo personagem que criou. Só precisava decidir se ser o Bright de antigamente e provocar Win até ele se render e se apaixonar por ele da mesma forma era um bom plano.

— Vou fazer você lembrar. — Respondeu, beijando a bochecha do amigo demoradamente, saindo da cozinha logo em seguida.

Win tinha certeza de que nunca havia recebido um beijo de Bright. Um abraço sim, um aperto de mão, mas nunca um beijo. E gostou daquilo, mesmo que não quisesse gostar. O problema não era só com Bright, era com todo mundo. Gostar de alguém trazia complicações, e Win não era bom lidando com problemas.

 

(...)

 

Win estava na praia com o amigo. Não eram lá os melhores caras para surfar, mas se tornava um bom passatempo quando se divertiam. Cansados, sentaram-se na areia e aproveitaram o sol.

— Como passou a noite? — Perguntou, tentado a rir.

— Pra ser sincero, não lembro de muita coisa. Lembro que você me deixou onde o Bright mora, e depois... acordei, na cama dele.

— O quê? — Virou bruscamente a cabeça, encarando Win. — Você acordou na cama dele? Por quê?

Win o encarou de volta, estranhando a reação alheia.

— Hã... sim. Qual é o problema? Dividíamos a mesma cama na adolescência.

— Agora é diferente.

— O que quer dizer com isso?

— Nada. Esquece.

Os dois pegaram mais algumas ondas e despediram-se um do outro.

Quando Win chegou ao apartamento, Bright cochilava no sofá. Sorrindo com a visão, decidiu ir tomar banho em silêncio. Quando o amigo acordasse, pediria para fazerem algo legal, apenas os dois.

No banheiro do quarto em que estava hospedado, não encontrou a sua toalha. Procurou pelo quarto, e nada. Foi até o banheiro de Bright, e quando entrou lá, teve um momento de déjà vu, como se já tivesse passado por ali. Já que estava ali, tomou banho ali mesmo, trancando a porta. Não se sentiria confortável se Bright o visse nu.

Na metade do banho, com a água quente deixando Win relaxado, ele encostou a testa na parede e deixou que a água caísse pelas suas costas. Fechou os olhos e percebeu que a sensação que estava sentindo não era boa. Era uma merda não conseguir se lembrar das próprias lembranças. Perturbado, Win abriu os olhos e virou-se, a água morna agora caindo pelo peitoral, descendo pela barriga. As mãos passaram pelos cabelos e em algum momento um flash veio à mente. Flash de cenas que ele não sabia ter vivido, mas aparentemente, viveu. Era muito forte para ser um sonho ou uma vontade, porque sentiu o que imaginou. Foi então que entrou em pânico. Arregalou os olhos.

Disposto a encarar Bright nos olhos e perguntar o que tinha acontecido na noite passada, ele terminou o banho, se vestiu e esperou Bright sentado no sofá da sala, ainda muito sensível — no sentido mais sexual possível. Não negou em nenhum momento o quanto queria Bright o tocando e o beijando novamente.

De repente, ficou apavorado em encarar Bright nos olhos e simplesmente falar com ele. Quando pensou em correr e se trancar no próprio quarto, já era tarde.

— Você chegou. — Cumprimentou, sorridente. Estava gostando daquele novo Bright que preferia aproveitar a amizade de Win sem medo algum. — Está vermelhinho.

— Sim...

— Quer me contar como foi o seu dia?

— Fiquei na praia, surfei... e... eu... quis que você estivesse lá. Não sei se você percebe esse tipo de coisa, mas... hã... eu sinto a sua falta.

— Eu estou aqui agora.

— Agora, mas e depois?

— Win... — Bright riu, realmente achando graça. Sentou-se perto dele e a mão foi direto para a nuca vermelha pelo sol, massageando. A expressão de puro pânico em Win era cômica. — Nós sempre vamos estar juntos.

— Vou ficar mais perto de você a partir de agora.

— Eu não vou reclamar.

Win estava quase um gatinho manhoso, prestes a fechar os olhos e se aninhar no colo de Bright. A mão dele era firme e a massagem era prazerosa demais. Ainda podia contar com aquele olhar penetrante em cima de si que o deixava tímido. Nunca ficou envergonhado perto de Bright, e da noite para o dia, estava agindo como um garotinho bobo na puberdade.

 — Eu... — Engoliu em seco, criando coragem para não se entregar totalmente àquele carinho tão gostoso.

— Estou ouvindo.

Win estava longe, porém. Os dedos de Bright subiram, adentrando os fios pretos. Win pendeu a cabeça para trás no mesmo segundo, fechando os olhos, deixando os lábios entreabertos. Encarando toda a cena, Bright lembrou-se do beijo e da mordida. Queria ter feito muito mais. Sentir a língua dele na sua, por exemplo.

Se sentiu no direito apenas de mordê-lo novamente. Um beijo parecia íntimo demais naquele momento, quando Win estava sóbrio.

Bright se acomodou melhor no sofá, apoiando o joelho no estofado, se inclinando para perto do rosto de Win, que abria os olhos lentamente e entendia aos poucos o que estava acontecendo. Não deu para trás. Era bom demais o olhar de Bright em cima de si. Aquele olhar cheio de desejo.

Os lábios de Bright se abriram e os dentes branquinhos puxaram o lábio inferior do rapaz mais novo, leve do jeito que havia acontecido na noite passada. A cena fez Win se recordar mais uma vez do banho.

Bright não só mordeu, mas chupou e soltou o lábio dele, não parando de encarar Win, que parecia imerso no próprio prazer. Estava arrepiado, a mente em branco, querendo mais do que tudo que Bright fizesse mais consigo.

— Eu me lembro do que aconteceu ontem. — Disse Win, de repente. Bright se afastou imediatamente, e Win soltou um riso pelo nariz. — Não precisa se afastar.

— Desculpe. — O Bright covarde havia voltado. Sentiu medo em perder a amizade de Win para sempre. — Você... sem roupa... você... precisava de ajuda... eu... não consegui... sabe, me controlar.

Win se sentou melhor, encarando Bright, achando graça do nervosismo dele.

— Não quero que se sinta culpado só porque eu estava bêbado. Eu devo ter provocado. Me fala, eu fiz ou disse alguma coisa?

— Hã... você... pediu que eu te tocasse... lá embaixo.

— Eu sou um sem-vergonha.

Bright riu, aliviado.

— Bright, eu não sei o que é isso que está rolando com a gente, mas é bom. Me lembrei do que fizemos ontem e... só de pensar... caramba. Você tem alguma noção do que está causando em mim?

— Isso porque você não sabe o que você causa em mim.

Win juntou as sobrancelhas, e Bright se arrependeu do que disse. Não queria falar sobre o que sentia, não agora quando o amigo ainda parecia confuso.

— Eu vou dormir um pouco, está bem? — Bright se levantou, sentindo-se triste. Pelo que parecia, Win estava gostando do que tinham, da parte sexual e somente. O conhecia o suficiente para saber que ele não misturaria sentimentos com tesão. — Se precisar de alguma coisa, estou no quarto.

— Só mais uma coisa. — O mais velho se virou, sem muita vontade de ouvir a próxima decepção. — Eu estou gostando disso que está nascendo entre a gente e não quero que acabe de uma hora pra outra.

Bright tentou disfarçou o sorriso, em vão, claro. Win sorriu junto com ele.

 

(...)

 

— Anda, desembucha. O que está rolando com você? Sei que tem alguma coisa porque você nunca deixou de sair comigo pra ficar vendo filme com o Bright.

— Eu só quero passar um tempo com ele. Se você está com ciúmes, sinto muito, mas ele é o meu melhor amigo.

— Acha mesmo que eu estou com ciúmes? Sai fora, Win. Não fuja do assunto. Quer que eu pergunte ao Bright o motivo da sua mudança? Querendo ficar em casa? Logo você? Você adora sair de casa. Acho que o amadurecimento chato do Bright está te contaminando.

— Não é nada disso.

— Então o que é?

Estavam almoçando em um restaurante na beira da praia depois de surfarem, e Win passou toda a manhã resmungando de como preferia estar em casa com Bright, ou de como queria que Bright estivesse com eles. E o rapaz nem se deu ao trabalho de disfarçar o quanto estava mais feliz. O amigo, esperto demais, percebeu que algo havia mudado na vida de Win. Curioso, não hesitou em perguntar na lata o que estava acontecendo.

— Estão mais próximos do que nunca.

— É, porque amigos se aproximam mais do que o normal depois de passarem anos afastados um do outro.

— Quer saber? Vou embora.

Win segurou o pulso do amigo antes que ele se levantasse e realmente se mandasse.

— Espera.

— Hm. — Ainda estava irritado, mas voltou a se sentar.

— Eu e o Bright estamos... sendo carinhosos um com o outro. Nos beijamos e... ele tocou em mim... lá embaixo.

— O quê? — Sussurrou, abrindo um sorriso. — Desde quando?

— Desde o dia em que passei dos limites com o álcool.

Ao contrário do que Win pensou, o amigo ficou animado. Um pouquinho preocupado, porém.

— Precisam conversar sobre isso, Win. Com diálogo, sem mordidas na boca, ou mãos bobas.

 

(...)

 

Sozinho na cozinha, preparando uma pizza para o jantar, Bright percebeu que Win passou o dia quieto e trancado no quarto. Queria chegar nele e perguntar o motivo daquele silêncio, mas estava apavorado. Talvez Win estivesse arrependido. Grunhindo, Bright andou até o quarto e bateu na porta. Se arrependeu por alguns segundos, e antes que pudesse dar a volta e se trancar no próprio quarto, Win apareceu. Estava tão lindo com as bochechas coradas.

Houve um silêncio tão constrangedor que Bright definitivamente se arrependeu de ter ido atrás para uma conversa.

— Oi.

— Está com fome? Estou fazendo uma pizza.

— Ah... Sim, estou. Apareço na cozinha daqui a pouco.

Assentindo, Bright virou as costas, mas Win o chamou, a expressão agoniada visível no rosto, como se estivesse com dor. Realmente detestava diálogos.

— Espera um pouco.

— Sim?

Bright nunca tinha sentido o coração bater tão forte. Estava até com dificuldades para respirar.

— Entra aqui.

Ninguém fechou a porta e Bright sentou-se na cama. Win parou em sua frente, com as mãos na cintura.

— Não sei como começar essa conversa.

— Você quer ir embora, não quer?

— É claro que não. — O encarou. Ficou naquilo de olhá-lo e desviar o olhar. — Só preciso entender uma única coisa.

— O que quiser.

— Apenas me escute.

Bright assentiu, nervoso.

— Estou muito confuso. Somos melhores amigos, não somos? Desde pirralhos. Você não era tão pirralho, mas eu era. E... eu amo você, Bright, como o meu melhor amigo, mas... a partir do momento em que começamos a... ficar carinhosos um com o outro... — Respirou fundo, tímido em falar sobre aquilo em voz alta. — comecei a me sentir atraído por você. Isso é estranho?

Bright riu.

— Continue.

Win soltou o ar pela boca, aliviado. Colocou a mão no peito, dramático.

— Tem algum problema em eu me sentir atraído por você? Não sei se pra você, isso é algum tipo de passatempo, se você está fazendo isso por diversão, se é uma coisa que pode acabar a qualquer momento, mas pra mim... não é. Estou gostando disso mais do que eu deveria, Bright, e isso me assusta, porque eu nunca gostei tanto assim de alguma coisa ou... de alguém.

Com a mente confusa, Bright pensou se seus sentimentos estavam finalmente sendo retribuídos.

— Me sinto do mesmo jeito. — Fechou os olhos, brigando consigo mesmo mentalmente. Achava que já estava na hora de se abrir. — Eu gosto de você há muito tempo, Win, mas você sempre foi aquele tipo de pessoa que foge de relacionamentos, que evita a todo custo gostar de alguém, então, eu... só guardei isso pra mim. Mas ficou impossível manter isso em segredo quando você aceitou passar um tempo comigo.

— Gosta de mim? Como assim?

Bright não gostou nada da forma como os olhos de Win estavam assustados.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

Win entendeu. Fazer Bright se declarar em voz alta mais uma vez seria crueldade depois de tanto tempo guardando aquele sentimento.

— Por que nunca... tentou, Bright? Somos amigos há décadas. Por que nunca falou nada? Por que só agora?

— Você era muito novo, não entenderia. Nem eu entendia, na verdade. Era tudo muito complicado, Win. Éramos muito novos. As coisas não dariam certo.

— Você nem ao menos tentou. Como sabe que não daria certo?

Bright deu de ombros.

— Sempre fui covarde. — Abaixou a cabeça, envergonhado. — Conheço você. Eu falaria o que eu sinto, você se afastaria e a nossa amizade acabaria.

O silêncio constrangedor apareceu novamente, mas ao contrário do que Bright pensou, Win não arrumou as malas e foi embora, ou expulsou ele do quarto, ou gritou que a amizade dos dois já era. Muito pelo contrário. Win avançou em Bright e o beijou na boca. Um selinho mais intenso do que qualquer outro. A mão apertou a nuca de Bright e os dedos sentiram os cabelos lisos. Teve vontade de sorrir. E sorriu, se afastando centímetros só para que dissesse:

— Posso ser o cara que corre de namoros ou que evito me apaixonar por alguém, mas você é o meu melhor amigo, Bright, e eu sei que nunca quebraria o meu coração.

— Isso significa que... — Tentou formular alguma frase, mas estava surpreso e emocionado demais para agir normalmente.

— Você entendeu o que eu quis dizer. — Repetiu a frase do amigo, sorrindo feliz.

Bright se sentiu bobo. Estava literalmente emocionado em saber que Win gostava de si do mesmo jeito que gostava dele. Suas mãos pegaram nas bochechas vermelhas de Win e o beijou com calma, ainda com selares, mais leves daquela vez.

— Como vamos fazer isso funcionar?

— Não se preocupe. Falta pouco pra minha formatura. Venho pra cá, ficar com você.

— Não é tão simples assim, Win.

— Claro que é. Você é quem complica tudo. Já está decidido. Só quero te beijar muito agora, e morder você em lugares que você nem imagina.

Para Bright, era difícil acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Mas era real. Estavam mesmo aos beijos, enrolando as línguas e trocando saliva. Tudo aconteceu tão natural que ele se odiou por ter sido um covarde durante todo aquele tempo.

Era tudo tão simples. Tão simples sentir.


Notas Finais


É isso. Quem não viu 2gether, veja e se apaixone. Quem já viu, veja de novo.
Um muito obrigada pra quem chegou até aqui e até uma próxima história!
Agradecimentos especiais à @des_colonizada pela capa perfeita e por ser uma amiga maravilhosa.


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