1. Spirit Fanfics >
  2. O Sol da Primavera >
  3. Flores da primavera

História O Sol da Primavera - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Opaaa chegou o domingão xD

Boa leitura!

Capítulo 4 - Flores da primavera


Domingo era sinônimo de preguiça e comidas gordurosas, pelo menos para Izuku, todavia aquele dia seria uma exceção graças a certo loiro de olhos ferventes.

Ah, os lábios do ômega ainda se lembravam dos beijos que trocaram no dia anterior, também se recordava muito bem dos toques em sua cintura e de algumas mordidas em seu pescoço.

Felizmente, Katsuki tivera o cuidado de não o marcar ou sua mãe o teria interrogado.

— Ainda vai se meter em encrenca se continuar sonhando acordado.

A voz do alfa chegou aos seus ouvidos, trazendo-o de volta a realidade com um belo sorriso em seu rosto. Seria vergonhoso se o loiro soubesse quem era o culpado por seus devaneios, por isso apenas assentiu e se aproximou, entrelaçando as mãos.

— É uma mania. — justificou.

As bochechas coradas o deixando ainda mais lindo na visão de Katsuki, que tratou de sorrir e começar com os flertes.

— Posso te ajudar com isso, Sunshine.

O esverdeado riu e o casal passou a andar, as mãos unidas deixando claro para qualquer um que aquele ômega estava muito bem acompanhado, embora não tivesse o cheiro tão pouco a marca alheia.

Detalhes esses que Katsuki passou a noite remoendo, afinal quando seria o momento adequado de oficializar aquele peculiar relacionamento?

Com a sua mentalidade de um adolescente de dezesseis anos, parecia cedo sugerir marcá-lo, porém a ideia de envolver Izuku com o seu cheiro era deveras tentadora.

Talvez antes devesse pedi-lo em namoro, quer dizer, o loiro gostava bastante do outro, gostava o suficiente para sentir saudades quando estavam separados e se pegar pensando no outro a cada momento do dia.

— Para onde estamos indo, Katsuki?

— Vou te ensinar a comer. — provocou, mostrando a cesta em sua mão livre.

— Um piquenique!

A animação do esverdeado fora bem maior do que o alfa esperava e, obviamente, que o seu peito se estufou de orgulho. Desse modo, o restante do caminho foi tomado por uma conversa agradável, na qual Katsuki contava sobre os seus dons culinários, exibindo-se para um ômega que o olhava entusiasmado.

Os olhos esmeraldas brilhando como joias raríssimas, encantando o maior e fazendo o seu coração queimar, é, ele gostava mesmo daquele garoto cheio de sardas.

— Não sou muito bom na cozinha. — confessou entristecido. — Uma vez fui fritar um ovo e quase coloquei fogo na casa.

Katsuki gargalhou ao imaginar a cena, vendo o menor inflar as bochechas, parte envergonhado parte revoltado com a reação alheia.

— Cozinhar é difícil, poxa. — defendeu-se.

— Tem razão, Sunshine. — o loiro se segurou para não puxa-lo para um beijo e prosseguiu. — Mas cantar também é e nisso você é fera.

Se havia algo que Izuku amava era ser elogiado, logo trocando a expressão birrenta por um grande e bobo sorriso, as bochechas agora coradas ao passo que seu coração batia mais rápido.

— Aquele parece um bom lugar.

O alfa apontou depois de alguns minutos que haviam chego ao parque, e com a aprovação do outro, puseram-se a arrumar o local.

— Deixe-me ver o que há dentro, Katsuki!

Pediu, fazendo dengo ao que o alfa mantinha a cesta longe de si, insistindo que havia uma ordem e que a manteria para não estragar a surpresa.

— Isso é maldade! — choramingou.

Então se jogou de costas contra a toalha, não se importando em parecer uma criança birrenta, afinal estar com o loiro permitia que Izuku se comportasse daquele jeito à vontade.

— Vai me agradecer mais tarde, acredite.

No fundo, Izuku sabia que o maior provavelmente estava certo, ainda assim não podia deixar de ficar frustrado, já que ser curioso era um de seus, considerados por si, defeitos.

— Vai ficar todo largado aí ou vai me dar atenção, arbusto?

O ômega se sentou e fingiu estra magoado com o apelido “maldoso”, porém Katsuki e sua pinta de gala logo consertaram a situação com uma de suas famosas cantadas.

— Não faz essa carinha que eu gamo, Sunshine.

Com uma gargalhada, Izuku cedeu aos encantos do parceiro, e tão logo iniciaram um diálogo amigável sobre o passado, visto que o esverdeado queria saber mais sobre a vida alheia.

— Minha mãe ficava louca. — comentou sem tirar os olhos do outro. — Não podia me ver saindo de casa que já achava que eu iria cometer um crime.

— Posso compreender o que ela sentia.

Provocou, mordendo o lábio inferior ao que via uma veia saltando na testa do loiro.

— Tá querendo dizer o que com isso?!

— Você tem cara de mau, Katsuki.

Respondeu, terminando o segundo ou talvez terceiro lanche que o loiro havia lhe oferecido.

— Mas cozinha como uma divindade. — finalizou com um elogio, ouvindo-o rosnar.

— Só por isso vai ficar sem a sobremesa. — ditou, apertando-lhe a bochecha sardenta.

Izuku protestou, mas fora prontamente ignorado, tendo de apelar para uma barganha que, infelizmente, também não dera certo.

— O que eu tenho de fazer para você me perdoar e me deixar provar o doce que está ali dentro? — perguntou da maneira mais dócil possível.

— Surpreenda-me. — sorriu de canto e cruzou os braços.

Cautelosamente, o esverdeado estudou o alfa por breves segundos e então decidiu se aproximar, andando sobre os joelhos até que os narizes se tocaram. Depois respirou fundo, não sabendo ao certo como lidar com a agitação de seu coração, mas ainda assim prosseguiu com o seu “plano”.

— Ne, Kacchan, d-deixa eu provar, por f-favor.

Já fazia uns dias que havia pensado naquele apelido para o maior, contudo nunca tivera a oportunidade de testá-lo, por isso sentiu-se um tanto quanto exposto ao que não obteve reação alguma do outro.

Envergonhado, o de fios verdes fez menção de se afastar, porém Katsuki lhe segurou pela cintura e o puxou para ainda mais perto, obrigando o ômega a segurar em seus ombros devido a repentina mudança.

— Diga de novo. — a voz grave e de tom forte surpreendera a ambos.

Vendo a confusão no olhar alheio, Katsuki teve de acalmar o seu lobo antes de repetir, sabendo que aquele calor que ardia em suas veias não era normal, tão pouco seguro.

— Como você me chamou...

Soltou por fim, encantado com a beleza única de Izuku, desde os olhos esmeraldas que brilhavam como as mais belas estrelas até o sorriso infantil envolto por bochechas rosadas e pintadas de sardas.

Era uma obra de arte.

— Kacchan. — repetiu.

Inconscientemente se acomodando no colo do alfa, sentindo os dedos alheios dedilharem a sua cintura em uma carícia morna, passando-lhe conforto. Também sem notar, suas mãos pequenas e levemente delicadas faziam um cafuné na parte de trás da cabeleira loira, amansando um lobo que até então era dito como indomável.

— De novo.

Pediu uma vez mais, suas emoções nublando a sua mente ao passo que os lábios se tocavam.

— Kacchan. — disse em um sussurro, o olhar totalmente perdido nos carmesins alheios. — Kacchan.

Katsuki teve de engolir um rosnado antes de beijar aquele que lhe tirava a sanidade, provando da maciez de seus lábios e da doçura de sua boca. Era bom, tão bom que em pouco tempo se tornara um vício.

Seu lobo queria tomá-lo ali mesmo naquela toalha de piquenique, mas o alfa se conteve, embora fosse um trabalho excepcionalmente difícil dada a pressão das coxas roliças de Izuku em suas pernas.

Ou do modo como ele timidamente rebolava sobre si, indicando que Katsuki não era o único com dificuldades para se controlar. Felizmente, a parte racional do loiro o alertou do quão perigoso aquele descontrole poderia ser para o seu ômega e, apenas por este motivo, ele os separou.

— Você conseguiu, Sunshine. — ofegante e sorridente, o loiro comunicou. — Ganhou a sua recompensa.

Então permitiu que o outro voltasse a se sentar na toalha, demorando-se com a cesta a fim de lhe dar um pouco de privacidade para se recompor, afinal era nítido o quanto aquele breve momento mexera com ambos.

— Esse é de chocolate com maracujá. — explicou, entregando-lhe algo semelhante a um cupcake.

— O-Obrigado. — agradeceu sem jeito.

Eles, provavelmente, teriam comido em silêncio, todavia Izuku não estava disposto a permitir que algo tão bom fosse estragado por causa da sua ingenuidade e timidez.

Então se pôs a falar, primeiro elogiando o sabor do doce e elevando o orgulho de um alfa já muito exibido, o que fez Katsuki falar de si e de suas conquistas culinárias por longos minutos.

Tempo esse que o esverdeado aproveitou para observá-lo, admirando o quão esbelto o loiro era e concedendo a si mesmo a liberdade de sentir o seu cheiro, era muito forte, ainda assim de nenhum modo lhe desagradava.

O loiro era o tipo de jovem que não tinha nada a ver com aquele ômega, ele era meio rude e tinha a boca bem suja, além de se portar como um delinquente na maioria das vezes.

E ainda assim, Izuku havia se apaixonado, não era de seu interesse saber quando ocorrera ou se duraria para sempre, pelo menos não ali enquanto o tinha ao seu lado.

Falando mal da mãe ou xingando o primo por ser tão irritante embora fosse nítido o quanto os amava.

— Aquela velha ingrata vive pegando no meu pé.

Finalizou com um resmungo, voltando-se ao ômega e ficando surpreso com o olhar carinhoso que lhe era direcionado.

— A sua família parece divertida, Kacchan.

O alfa não pôde deixar de se entristecer com aquelas palavras, já que sua mãe, embora chata por natureza, nunca o obrigara a ser aquilo que não era. Teve de engolir em seco e forçar um sorriso, contendo a vontade de convidá-lo para fazer parte da sua família.

Como seu parceiro, é claro.

— Eles são irritantes, isso sim. — revirou os olhos, gostando do som da risada do esverdeado. — Quer provar mais um?

Izuku prontamente assentiu, sabendo que se tratava dos doces, permitindo-se ser a criança sem responsabilidades ou problemas que o alfa o deixava ser.

Entretanto, nem por um segundo se quer, o ômega deixou de se perguntar se um dia seria tão importante na vida de Katsuki, e só Kami-sama sabia o quanto desejou que a resposta fosse sim.

#

O esverdeado tinha os olhos no céu estrelado enquanto sentia a mão do alfa aquecer a sua, estavam a poucos minutos da sua casa e apesar de ser o fim daquele encontro, nada no mundo poderia estragar a sua felicidade.

— Ne, Kacchan, podemos ir ao parque de diversão no sábado que vem?

Katsuki que andava de maneira descontraída, imensamente satisfeito por ter passado o dia com o ômega, passou a fitá-lo e uma vez mais sentiu o coração queimar em seu peito.

— Seu pedido é uma ordem, my lord.

Provocou com uma imitação forçada do Sebastian de Kuroshitsuji, fazendo o outro rir e encostar a cabeça em seu ombro. E seguindo o instinto de seu lobo, o loiro depositou um selar em sua cabeleira ao mesmo tempo em que soltava a sua mão para abraçá-lo pela cintura.

Estava mais do que óbvio que aqueles dois eram um casal, quer dizer, para qualquer um de fora não restava dúvidas, todavia a insegurança de Izuku junto da falta de experiência de Katsuki aparentemente os deixariam naquela posição de amigos por certo tempo.

Não que tivessem pressa, mas era de fato frustrante sentir algo tão intenso por uma pessoa e não saber como proceder. Afinal seria tão errado que o seu alfa o desejasse? Ou que o seu ômega se sentisse tão carente sem o outro por perto?

— Até amanhã, Kacchan.

Com um resmungo, o loiro permitiu que Izuku o abraçasse antes de começar a se afastar, porém acabou o segurando contra si por mais alguns segundos, fungando o seu pescoço para gravar em cada uma de suas células o cheiro alheio.

— Mal posso esperar para vê-lo amanhã, Sunshine.

Só então o deixou sair de seus braços, vendo-o caminhar todo envergonhado e virar para fitá-lo uma última vez antes de atravessar o portão do jardim, foi então que um raio pareceu cair e romper as barreiras que os protegiam do mundo.

— Izumi, minha filha querida!

A voz da matriarca fez o ômega pular no lugar, a insegurança lhe acertando um tapa em cheio na face enquanto seus olhos se voltavam para a mais velha.

— O-Okassan. — respondeu com um pequeno sorriso.

— Estava preocupada com a sua demora. — a mulher lhe deu um forte abraço, só então notando as vestes alheias. — Já não te falei para jogar fora essas roupas feias?

Katsuki, que estava de espectador e ainda sem ser notado pela Midoriya, piscou indignado com o jeito da senhora.

— Eu te comprei tantos vestidos bonitos, Izumi.

Falou chateada e o coração do ômega se apertou, porque por mais que odiasse fingir ser uma garota, nada mais o machucava do que ferir a mãe.

— Não queria sujá-los no parque.

Mentiu, apertando as mãos em punhos e silenciosamente desejando se jogar contra o peito de Katsuki, talvez assim a humilhação fosse menor.

— Entendo. — ela o avaliou mais uma vez antes de sorrir. — Na próxima me chame que a mamãe te ajuda a escolher uma roupinha adorável e que não te impeça de brincar.

Sentiu os olhos marejarem de vergonha, imaginando o que o loiro estaria pensando, mal sabia Izuku que o mencionado queria mais do que tudo tirá-lo de perto de sua própria mãe.

Além de, é claro, gritar umas boas verdades para aquela mulher que estava destruindo o seu ômega, quem sabe pudesse chamar Mitsuki para ajudá-lo nisso.

Fervendo de ódio e rosnando por dentro, Katsuki não conseguiu aguentar nem mais um segundo parado, marchando para longe antes que cometesse um erro. E ao vê-lo partir, o esverdeado se sentiu esfriar, como se toda a felicidade de mais cedo tivesse sido sugada para fora de seu corpo.

O grito ficou preso em sua garganta enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto, e sem explicar nada, correu para dentro de casa, buscando pelo conforto de seu quarto

Embora soubesse que o único capaz de confortá-lo já não estava mais ali.

Agarrado ao travesseiro e jogado em sua cama, Izuku passou a noite em claro, a mente nervosa torturando-o com a possibilidade do alfa nunca mais querer olhar em sua cara.

Queria tanto entender o motivo da fuga de Katsuki... talvez ele tivesse enfim compreendido aonde estava se metendo. Sorriu em meio à lamúria, tentando se convencer de que ainda havia esperança, afinal é dita como a última a morrer.

As horas foram se passando e com o raiar do sol, o de fios verdes avisou a matriarca que estava indisposto e se recusou de ir à escola, encolhendo-se no cobertor que fora o seu único companheiro naquela noite conturbada.

Mas lá no fundo, Izuku gostaria de ter tido coragem de enfrentar o seu medo para que pudesse verificar com os próprios olhos se a tal esperança permanecia viva.

Felizmente ou não, a saudade lhe apertou o peito e tão logo o silêncio de seu quarto se tornou sufocante, obrigando-o a se levantar. Vagarosamente, o ômega tomou um banho quente, tentando limpar a sensação de inquietação, porém não demorou a aceitar que o único capaz disso estava a quilômetros de distância.

Desse modo, viu-se indeciso sobre o que fazer a seguir, qual ação tomaria para apaziguar o próprio coração, no fim, optando por escutar o lobo em seu interior. Esse que o mandava ir atrás daquele que lhe roubava o ar, mas também lhe trazia segurança.

Não mentiria, o medo ainda vibrava em suas tensões nervosas, ainda assim se obrigou a abrir o guarda-roupa e tentou não se demorar ali, puxando um dos vestidos novos que a sua mãe havia comprado.

Era uma peça preta estampada com pequenos girassóis, tornando impossível não se recordar do apelido carinhoso que Katsuki insistia em usar para falar consigo.

Pegou-se sorrindo bobo, e notando como o coração parecia mais calmo em seu peito, Izuku respirou fundo e se aprontou com agilidade. Agora em uma mistura de ansiedade com saudade e com um objetivo muito bem formado em sua mente, o menor se pôs para fora de casa.

Ao mesmo tempo em que trancava o portão, conferiu o celular intocável desde o dia anterior, surpreendendo-se com as mensagens e chamadas perdidas do loiro e do melhor amigo.

Aparentemente, Katsuki fora a procura do bicolor para ter notícias de si, e saber disso fez o seu coração esquentar e seu lobo ronronar, o de fios verdes sentiu como se fosse a esperança batendo em sua porta.

Estava para conferir as mensagens do alfa quando seu rosto se ergueu, o cheiro característico do mencionado chegando aos seus sentidos, e lá estava ele, virando apressado a esquina próxima a sua casa.

Quando os olhares se encontraram, ambos pararam de se mover, o que não durou muito dada a saudade que os lobos sentiam, sendo Katsuki o primeiro a se mover.

Diminuindo a distância entre eles em passos longos e rápidos, amassando o ômega em seus braços, temendo que ele pudesse fugir de si. Contudo, Izuku também o apertou contra si, os olhos lacrimejando de imensa felicidade, porque não havia sido abandonado.

Talvez fosse bobeira se deixar abalar por tão pouco, afinal eles mal se conheciam e o esverdeado já se sentia tão dependendo, era ridículo e ainda assim, não conseguia se arrepender por ter cedido a ele.

Por ter permitido que aquele alfa ocupasse um lugar tão grande e tão importante em seu mundinho.

— Nunca mais faça isso! — de maneira um pouco mais rude do que o normal, ele o repreendeu. — Sumir assim e depois me ignorar!

— Eu sinto muito. — pediu com sinceridade.

— Você tem ideia das merdas que passaram pela minha cabeça quando você nem mesmo visualizou as minhas mensagens?

Eles se afastaram para que assim pudessem conversar adequadamente, apesar de Katsuki querer agarrá-lo e nunca mais soltá-lo.

E era nítido o quão aflito o alfa estava, seus braços ainda tremiam do nervosismo que passara por todo a manhã até conseguir escapar do colégio para poder vê-lo.

O comportamento alheio realmente surpreendeu Izuku, visto que ele imaginou coisas bem diferentes, e diante disso, acabou por também expor os seus receios.

— Pensei que estivesse com nojo de mim.

Confessou, vendo o olhar alheio vacilar antes de se tornar feroz.

— Preste atenção, Izuku.

Os dedos do alfa lhe ergueram rosto, nada forte o suficiente para feri-lo, mas com a pressão necessária para mantê-lo imóvel.

— Não era hora de eu estar falando nisso, mas agora você vai me escutar.

O esverdeado nunca o havia visto tão sério antes, Katsuki podia ser bem intimidador quando queria, concluiu e ainda assim não se sentiu ameaçado.

— Eu gosto de você... gosto de verdade, beleza?!

Era a primeira vez que o alfa se confessava e, por causa da insegurança, demorou-se com as palavras, aproveitando-se da coragem de seu lobo para deixar mais do que claro aquilo que sentia pelo ômega de fios verdes.

— Eu penso em você todo dia. — sentiu as bochechas ferverem, ainda assim continuou. — Principalmente quando tô sozinho.

Disse em um murmuro quase inaudível, logo voltando a falar alto na inútil tentativa de disfarçar o que havia acabado de contar.

— Q-Quer dizer... só um idiota não ficaria pensando em você.

Afrouxou o aperto no queixo alheio, só então notando como colocar todas aquelas emoções para fora o estavam ajudando, desse modo, prosseguiu.

— Você é lindo e tem o sorriso mais fodidamente encantador que já vi. — citou sem pressa, passando a acariciar o rosto sardento. — E só Kami-sama sabe o quão viciado eu sou pelo seu cheiro!

De olhos arregalados e face avermelhada, o ômega não soube como reagir ou ao menos o que dizer, seu coração batia tão rápido que pensou estar tendo algum tipo de ataque de ansiedade.

Mas logo se convenceu de que o seu lobo estava, mais uma vez, certo e que aquela sensação ardente em seu peito e o formigamento em sua barriga só podiam significar uma coisa.

— Eu gosto de você também, Kacchan.

E então sorriu, o sorriso mais verdadeiro que um dia já fora capaz de dar, percebendo o quão estúpido fora ter passado as últimas horas se autodestruindo em sua cama.

Se tivesse ao menos uma única vez olhado para o aparelho telefônico já teria sabido que o loiro ainda se importava consigo e, consequentemente, não teria demorando tanto para ir ao seu encontro.

— Desculpe por tê-lo preocupado. — pediu de novo, ainda sorrindo quando o alfa lhe revirou os olhos. — E obrigado por ter vindo me procurar.

— É só não fazer essa merda de novo.

Resmungou, mantendo a carranca para não parecer tão facilmente influenciado, quando na verdade estava abobado pelo bonito sorriso que ainda pintava os lábios alheios.

— Eu prometo.

Disse por fim, colocando-se na pontinha dos pés para depositar um beijo na testa do maior, vendo-o piscar duas vezes antes de voltar a fitá-lo com seus ferventes olhos carmesins.

— Tá brincando com fogo. — avisou, esquecendo-se da sua tentativa de ainda parecer bravo e acabando por sorrir.

O ômega se colocou ao seu lado e as mãos logo se uniram, os dedos entrelaçados em um aperto agradável e, sem demora, o casal se pôs a caminhar.

— Ne, Kacchan, ainda teremos a nossa uma hora juntos do dia?

Indagou timidamente e embora já soubesse a resposta, Izuku não deixou de se animar ao ouvi-lo dizer:

— Tá achando que vai ser só uma hora?! — esbravejou, rindo logo em seguida. — Hoje você é meu pelo resto do dia, Sunshine.

E se Kami-sama permitisse pelo resto de sua vida.

#

Como tinham mais tempo do que o usual, a dupla optou por ir até o jardim botânico Koishikawa, e foi só quando estavam dentro no trem praticamente vazio que Katsuki de fato notou as vestes do outro.

Era um vestido muito bonito de coloração escura e enfeitada por girassóis, Izuku não usava a costumeira meia-calça, permitindo que o alfa finalmente pudesse ver o quão claras e bonitas eram as suas pernas.

— Parece que é o jardim mais antigo de Tóquio. — o de fios verdes explicou enquanto mantinha os olhos na janela. — Faz parte de uma universidade.

— Hmm... — murmurou em resposta, ocupado em admirar certo ômega. — Esse vestido... você ficou lindo nele.

Por algum motivo, sentiu necessidade de elogiá-lo, talvez para reafirmar o quanto gostava de si, indiferente da roupa que usasse ou do modo que se portasse.

E Izuku não pôde deixar de sorrir envergonhado, olhando para os próprios dedos que brincavam entre si, logo vendo os pés alheios bem próximos aos seus. Mordeu o lábio inferior, contendo a ansiedade que o mandava erguer o rosto e quem sabe permitir-se ser beijado.

— Ainda bem que esse vagão tá vazio.

Agradeceu ao que erguia o menor pelas coxas, guiando as suas pernas para que se enrolassem em sua cintura antes de forçar as costas alheias contra a parede levemente gélida devido ao funcionamento do ar-condicionado.

O ômega tinhas as bochechas rosadas e sorria timidamente enquanto notava a maneira predatória que Katsuki o cercava, acabando com a distância entre os rostos para provar de seus lábios uma vez mais.

Com suspiros e gemidos baixinhos, o casal se beijou por longos minutos, preciosos segundos de bocas famintas e mãos atrevidas, pois além de roubar-lhe o ar, o alfa também se aproveitou para agarrar as nádegas fartas.

Tudo por cima do vestido, é claro, visto que Katsuki não queria ter de se separar do ômega para ter de arrancar os olhos de algum engraçadinho que o estivesse observando.

Já o esverdeado, ainda lhe parecia acanhado para ousar tocar-lhe de maneira mais audaciosa, então teve uma ideia, guiando a canhota de Izuku até a sua nuca e logo em seguida a destra, visto que ambas estavam estáticas em seu peito.

Não demorou para que o lado animal de Izuku compreendesse a intenção do alfa e se soltasse, deslizando as mãos pelo pescoço do parceiro e o arranhando, tudo isso enquanto tinha os lábios sugados e mordiscadas pelo loiro.

Quis rosnar contra a boca de Katsuki, todavia sua boca fora tomada de novo, dessa vez em um ósculo mais quente e de, literalmente, tirar o fôlego. Pelo menos, foi o que o ômega pensou enquanto sentia selares em seu pescoço ao passo que recuperava a respiração.

Insaciável. Era desse modo que o loiro se sentia, querendo mais e mais daquele garoto de fios verdes e olhos enormes que roubou todo o seu autocontrole, que vale dizer já não era dos melhores.

— Kacchan. — arfou quando sentiu os dentes alheios se tornarem mais afiados.

Ele iria marcá-lo, pensou Izuku, refreando o seu lado animal e segurando o rosto de Katsuki entre as mãos, concentrando-se em acalmá-lo com o seu cheiro.

— Kacchan. — chamou, mas dessa vez com a voz gentil.

Só então notou como os olhos carmesins brilhavam selvagens e o par de caninos prontos para uni-los para sempre, e seria mentira dizer que não ficara um pouco assustado.

Mesmo assim, o esverdeado respirou fundo, notando que fora um erro ao inspirar os feromônios do alfa que claramente contavam a sua vontade de tomá-lo para si.

— Kacchan. — tentou com um tom mais firme. — Volte pra mim, por favor.

Cerca de dois segundos depois, Katsuki o colocou no chão, mas não se afastou, lutando contra o seu lobo que se recusava a perder aquela oportunidade. E como se compreendesse pelo o que o loiro estava passando, o ômega sorriu antes de dizer:

— Quando formos mais velhos, eu deixo você me marcar, Kacchan.

Dando-se por vencido, o lobo ganiu antes de se acalmar e permitir que o loiro voltasse a si, de início um pouco desnorteado, porém lá estava Izuku com um sorriso enfeitando a face cheia de sardas.

— Foi mal ae... pelo meu alfa. — pediu, meio emburrado meio envergonhado.

A expressão alheia fez o esverdeado gargalhar, acabando com o clima estranho que começava a se formar.

— Sabe, Kacchan, eu gosto do seu alfa.

Confessou, bochechas rosadas e mãos entrelaçadas em frente ao peito, a visão fora adorável até mesmo para o rabugento Katsuki, que pigarreou alguma coisa incompreensível antes de ouvirem o anúncio indicando que a próxima estação era a deles.

— Ele é indomável... assim como você. — comentou ao se aproximar da porta. — Para a sua sorte, eu adoro desafios.

E então lhe estendeu a mão e, sem pensar duas vezes, Katsuki a pegou, caminhando ao seu encontro e ficando ao seu lado. Um leve rubor pintando as suas bochechas ao passo que pensava em uma resposta adequada, algo que o fizesse ter a palavra final.

Entretanto, daquela vez nada veio a sua mente, visto que ela já havia sido tomada por certo ômega de fios verdes, mesmo assim, ele se atreveu a dizer:

— Prometo não o decepcionar, Sunshine.

#

O jardim botânico Koishikawa era de fato lindo e, por ser uma segunda-feira, não estava muito movimentado, embora ainda houvesse alguns alunos andando por ali.

— Uma vez, quando eu era menor, minha mãe disse que me perdeu em um campo de girassóis. — o alfa contou, gargalhando logo em seguida. — Aquela velha é uma irresponsável.

— Você também não deveria ser nenhum santinho. — Izuku provocou, sentindo o aperto em sua mão se intensificar.

— Sou irresistível, porque sou assim, Sunshine. — sorriu de canto, todo pomposo.

E quanto mais tempo passavam juntos, mais eles percebiam o quanto precisavam um do outro, como se um fosse a metade do outro. Era ridículo pensar assim, ambos sabiam, mas era inevitável quando cada ato e palavra parecia ser tão certa quando estavam unidos.

— Ne, Kacchan.

O ômega parou em frente a árvore dita como a mais velha daquele jardim e lhe lançou um olhar carinhoso antes de enfeitiçá-lo com a sua voz.

If I told you this was only gonna hurt

(Se eu te dissesse que isso só iria machucar)

If I warn you that the fire's gonna burn

(Se eu te avisasse que o fogo irá queimar)

Would you walk in? Would you let me do it first?

(Você entraria? Você deixaria eu ir primeiro?)

Do it all in the name of love?

(Faria tudo em nome do amor?)

Assim como da primeira vez que o ouvira cantar, Katsuki sentiu os pelos se arrepiarem ao passo que o coração ardia em seu peito.

Would you let me lead you even when you're blind

(Você me deixaria te guiar mesmo quando você estiver cego)

In the darkness, in the middle of the night?

(No escuro, no meio da noite?)

In the silence, when there's no one by your side

(No silêncio, quando não há ninguém ao seu lado)

Would you call in the name of love?

(Você apelaria em nome do amor?)

Queria falar um sonoro e alto “sim” para cada um de seus questionamentos, mas estava encantado demais para se quer abrir a boca.

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of

(Em nome do)

Era um risco, sabia disso, expor os seus sentimentos mais profundos, confessar ali no meio de árvores e flores que muito mais do que gostava daquele alfa, ele o amava.

If I told you we could bathe in all the lights

(Se eu dissesse que poderíamos nos banhar em todas as luzes)

Would you rise up, come and meet me in the sky?

(Você se levantaria, viria e me encontraria no céu?)

Would you trust me when you're jumping from the heights?

(Você confiaria em mim enquanto estivesse pulando das alturas?)

Would you fall in the name of love?

(Você cairia em nome do amor?)

O ômega queria que ele soubesse e que, principalmente, compreendesse que havia tomado o seu coração.

When there's madness, when there's poison in your head

(Quando há loucura, quando há veneno em sua cabeça)

When the sadness leaves you broken in your bed

(Quando a tristeza deixa você quebrado em sua cama)

I will hold you in the depths of your despair

(Vou te abraçar nas profundezas do seu desespero)

And it's all in the name of love

(E é tudo em nome do amor)

Não havia mais como se enganar ou esconder o fato de que estava perdidamente apaixonado pelo alfa de fios loiros, e que faria de tudo por ele.

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of

(Em nome do)

Envergonhado, mas ao mesmo tempo realizado por ter enfim sido sincero consigo mesmo, Izuku rodou no lugar, fazendo a saia do vestido elevar-se, tornando a imagem a mais bela possível.

E Katsuki, que até então assistia admirado, não pode se conter, pousando uma de suas mãos na cintura alheia ao passo que a destra se encontrava com a outra mão do esverdeado.

I wanna testify

(Eu quero testemunhar)

Scream in the holy light

(Gritar na luz sagrada)

You bring me back to life

(Você me traz de volta à vida)

And it's all in the name of love

(E é tudo em nome do amor)

De olhares conectados, eles dançaram devagar e delicadamente, como se tentassem eternizar aquele breve momento.

I wanna testify

(Eu quero testemunhar)

Scream in the holy light

(Gritar na luz sagrada)

You bring me back to life

(Você me traz de volta à vida)

And it's all in the name of love

(E é tudo em nome do amor)

Ainda completamente cativado pela beleza alheia, o alfa não conseguia proferir as palavras entaladas em sua garganta, como se temesse atrapalhar a melodia ou quem sabe tudo aquilo não fosse um sonho?

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of love, name of love

(Em nome do amor, nome do amor)

In the name of

(Em nome do)

Viu os olhos esmeraldas se fecharem e uma lágrima solitária descer por sua bochecha, então soube que aquilo era real e que aquele calor em seu peito não podia mais ser ignorado.

— Sim. — limpou com cuidado a bochecha sardenta. — Eu faria de tudo por você.

Ah, então era assim que os personagens nos filmes de romance se sentiam? Izuku pensou enquanto sorria, extasiado com aquela sutil demonstração de amor.

E eles não precisavam colocar em palavras, mas compreendiam que havia inúmeros obstáculos que envolviam, prioritariamente, a vida pessoal do ômega. Ainda assim, havia o brilho em seus olhos que indicava o quanto eles estavam determinados.

Porque agora que haviam se encontrado, fariam de tudo para permanecerem juntos.

— Ne, Kacchan, obrigado por ser você. — murmurou, aconchegando-se no peito do maior.

Ao invés de se pronunciar, Katsuki beijou o topo de sua cabeça ao passo que o abrigava em seus braços, dando a resposta que Izuku mais precisava, a certeza de que estaria ali para protegê-lo.


Notas Finais


Fiquei bem soft com esse capítulo, admito >.< finalmente o Izu chamou o Kat de Kacchan :3

E ai, gostaria de saber o que vocês pensam da mama Midoriya?

Música do capítulo: In the name of love – Martin Garrix ft. Bebe Rexha


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...