História O Sol e os seus Jungkook's - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Flex, Jikook, Jimin!bottom, Jimin!tops, Jkjmcornos, Jungkook!tops, Jungkookbottom!, Kookmin, Namjin, Ódio, Taegi, Traição, Vhope, Yoonseok
Visualizações 108
Palavras 3.998
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


obrigada pela menina que usou
a tag no twitter irra 🤗🌸

#primaveracorna

trailer e playlist abaixo

Boa Leitura!

Capítulo 4 - 03. pequenos passos.


Dor.

Eu sentia dor em todo o meu corpo, como se várias agulhas estivessem pinicando em torno da minha pele. Os lenços finos de papel tinham terminado, e as feridas inúteis sobrepostas ao lado do meu nariz o faziam arder como o inferno. Só tinha uma fatia de torta de limão no meu colo, e o meu suco de maracujá estava sumindo do copo envidraçado na minha mão direita. E eu, fisicamente estava um caco. Podre.

Hoje completaria uma semana sem Sungwoo. Uma semana sem os seus afagos que eu jurava serem verdadeiros e completos de carinho. Uma semana sem os nossos beijos que eu jurava refletirem do mais belo amor possível. Uma semana em que metade de mim (ou quase toda) tinham sumido. Desaparecido, como uma pétala sendo arrastada pelo vento.

Taehyung tinha sido a minha única companhia juntamente de Yoongi nesses dias, mas principalmente Tae. Todas as manhãs eu ficava com Jihyun e ela fazia algum tipo de piada que noutras circunstâncias me faria rir como um doido, mas no meu estado recente só me deixava mais amuado. Durante as noites, o meu melhor amigo trazia algum tipo de filme de comédia ou terror com o propósito de me fazer esquecer pelo menos um pouco de que eu tinha sido traído e afogado numa maré de sofrimento insuportável. E a única coisa que fazia era segurar o choro para não parecer um bebê ridículo com meus vinte e três anos.

Puff, como eu era patético.

Porém deixando isso de lado, Jihyun estava péssima, e eu por dentro sabia que a culpa era minha. Depois das piadas embaraçosas que ela conta, ela sabe que eu irei continuar prendendo o choro para só então, na hora de ir dormir, eu acabar com mais um pacotinho de lenços. E tinha sido sempre assim durante o resto da semana. Como um ciclo onde o sentimento predominante era a tristeza e o sofrimento.

Eu gostaria parar de sentir.

― No que tanto pensa, Jimanji? ― Taehyung perguntou, com aquele estúpido apelido que me dera. Sinceramente eu nem gostava do filme "Jumanji" mas ele achava altamente incrível juntar o meu nome com o do filme. Mas tudo bem, porque eu futuramente teria um ainda melhor pra ele.

― Nada demais. ― respondi dando de ombros, não sem antes revirar os olhos em desdém.

― Ela vai ficar bem.

― O quê? ― perguntei sem entender.

―  A sua tia, ela ficará bem, por isso não se preocupe tanto. ― suspirei, não queria ter aquela conversa no momento. ― A culpa não é sua por estar sentindo o que sente. Jihyun gosta demais de você, se não fosse o caso ela não ficaria na cozinha chorando.

― E-ela está chorando? ― questionei com pesar na voz. Eu odiava quando ela chorava.

Tae assentiu levemente com a cabeça.

― Sim, afinal como não choraria? Você está trancado em casa à uma semana inteira somente comendo a sua torta de limão e molhando os travesseiros. Não desabafa nada sobre aquele assunto, e fica segurando o choro o tempo inteiro na frente dos outros quando poderia muito bem, você sabe...― pausou. ― ...molhar outras blusas sem ser as suas.

Senti o meu corpo banhar em culpa mais uma vez.

― Não é necessário, Taehyung.

― Tudo bem. ― suspirou cansado, sabendo que não adiantaria nada tentar ter uma conversa comigo sobre a traição de Sungwoo.

Esse...bastardo.

O acolchoado da minha cama desceu gradativamente à medida que Tae se sentava nela, sorrindo ao que erguia dois tipos de filmes nas mãos.

― Então qual vai ser dessa vez? 'A Ressaca' ou 'O purgo' ?

Revirei os olhos denovo.

― Que pergunta idiota. Ressaca, serio?

― Hm, olhando assim nem parece que ama uns clássicos. ― sorriu denovo erguendo uma sobrancelha.

― Eu não gosto.

― Mentiroso! Você baba ovo toda vez que assiste Friends!

― Mas Friends é Friends, Taehyung! ―tentei esconder o sorriso que se apossou da minha face. Maldito, como sabia tanto sobre mim?

― Eu te conheço bobinho.

― Tá. ― cruzei os braços resmungando internamente. E então o moreno deitado ao meu lado ergueu as duas sobrancelhas em explícita confusão enquanto examinava um canto bem distante do meu quarto, perto do banheiro.

O acompanhei no olhar e congelei, visualizando a minha sacola branca com a câmera que tanto trabalhei para dar a Sung.

― O que vai fazer com ela? ― murmurou me fitando atentamente, a sua expressão tentando me transmitir conforto enquanto eu segurava o choro novamente como tinha sempre sido.

Foram noites em branco juntando dinheiro, foram empregos nunca fixos me esgotando a todo o momento, foram manhãs sem comer direito com medo de trocar os horários dos meus trabalhos diferenciados, e tudo isso para quê? A resposta estava ali, igual ao pedaço de cartão. Distante.

E tudo bem que tudo isso eu não fizera por Sungwoo, eu trabalhava para sustentar a mim mesmo e a Jihyun. Ela não poderia me sustentar para sempre assim como também não me poderia abastecer na sua casa a toda hora. Eu era um adulto e precisava de viver como um. Com meu próprio apartamento e um emprego decente que me fizesse ficar por mais de um mês.

Jihyun uma hora ou outra iria embora, assim como qualquer pessoa que estivesse viva. E o pensamento de a perder e ficar sozinho para sempre, me assustava.

Tinha medo.

― Eu não sei… ― sussurrei tentando não vacilar na voz. Me levantei receoso em direção à sacola, e examinei o pedaço de cartão como se fosse a coisa mais rara que pudesse existir. E então eu a peguei, estranhando de imediato ela parecer leviana. Parecer não, ela de fato, estava.

― O que foi? ― o moreno perguntou tentando decifrar o meu comportamento quieto.

― Pega. ― lhe entreguei o saco.

Taehyung a tirou lentamente da minha mão, me encarando como se fosse algum tipo de bicho de sete cabeças, e então enroscou a pequena argola onde se segurava a sacola e a ergueu.

― Não entend- oh! ― abriu a sua boca surpreso, tanto como eu. ― Isso não deveria estar pesado? Você não comprou uma câmera Jimin?

― Eu comprei Tae! ― retirei rapidamente o pedaço de cartão dos seus dedos, e a coloquei no meu colo, me sentando novamente ao lado do meu melhor amigo, suspirando fundo. O suor estava se acomulando ao redor da minha testa, e por alguma razão desconhecida eu apertei as minhas unhas ao redor do colchão vermelho. ― Alguma coisa está errada.

E se eu tivesse sido roubado? Não não, e se a senhora da caixa trocou a minha câmera por alguma coisa mais leve que uma pena e ficara com o dinheiro? Ah, isso seria roubo também. Eu tinha sido roubado? Meu deus!

― Abre logo essa porra, eu tô nervoso! ― Taehyung esbravejou do nada me fazendo pular do lugar onde estava, deixando a sacola cair no chão novamente. ― Seu imbecil, para de gritar! ― resmunguei colocando a minha palma sob o coração sentindo as batidas absurdamente aceleradas.

Foi quando examinei o chão do meu quarto, que a minha respiração pareceu parar. Porque aquilo não era a minha câmera cara que estava ali, de jeito nenhum. Era uma caixa de veludo, preta e quadrada, algo bem pequeno para ser do tamanho de alguma tecnologia.

― Não estou entendendo nada...― ele bufou irritado. ― Você ia pedir o Sungwoo em casamento seu idiota? ― me engasguei com a sua estupidez profana, e acertei um soco certeiro no seu braço esquerdo. ― Ai!

― Vai se fuder, eu não comprei isso. ― suspirei desesperado. Porque essas coisas só aconteciam comigo? Não bastava ter perdido uma boa parte da minha facilidade, tinha perdido minha câmera e consequentemente meu dinheiro. Bonito Jimin.

Me agachei pra pegar no pequeno objeto com o propósito de devolver a atendente da loja e exigir um pedido de desculpas ou uma devolução. Caso ela recusasse eu chamaria a polícia, simples assim.

Mas, novamente, nada pareceu a meu favor. Quando eu abri aquele pequeno pedaço de raridade, eu também perdera as minhas esperanças de achar qualquer coisa que fosse.

A minha câmera não estava ali, mas sim um colar extremamente magnífico. Sem alguma pedra preciosa, era somente um fio com um pingente de sol. Um sol bem pequeno e mesclado em tons amarelos e alaranjados.

― Ok, agora eu acredito que isso não é seu. Você odeia o sol. ― Taehyung comentou baixinho, talvez porque a situação do momento fosse tensa demais para ambos. ― Não tenho nenhuma mensagem por trás tipo aquelas coisas de filme? Ou um botão com uma fotografia? ― perguntou examinando novamente a 'preciosidade' nas minhas mãos.

― Me deixa ver. ― pediu, e eu assenti tentando acalmar as dores que começavam a se intensificar ao redor da minha cabeça. Eu realmente precisava descansar.

― Ei, olha isso! ― o moreno gritou novamente, arrancando um olhar de repreensão da minha parte pelo susto novo. ― Deixa de ser frouxo, tem uma frase aqui. ― resmungou.

― Então leia palerma! ― esbravejei, e Taehyung deu um suspiro antes de se pronunciar.

― Uh…ok, calma, você tá me fazendo pressão! ― suspirou.

― Vai logo!

― Ok seu chato! ― estava começando a perder a paciência. ― Aqui diz…

"Se lembre que você é só mais uma flor
que deixa um campo completo.
E se for um girassol, me deixe
ser o sol que lhe ajudará a crescer."


― Certo… ― respondi coçando desajeitadamente a nuca. ― Pelo menos não fui roubado, eu acho. ― murmurei para ninguém em especial.

Taehyung ainda não tinha dito nada sobre a frase do colar, o que me fez arquear uma sobrancelha em desconfiança.

― O que foi? ― perguntei.

― Jimin, tem um nome aqui no lado. ― sussurrou com tanta calma que o meu corpo tremeu em nervosismo. ― Quem é Jeon Jungkook?

.

"O som da porta batendo fez com que Jihyun entendesse que Jimin tinha chegado a casa mesmo depois do horário previsto. A mulher com cabelos laranjas correu na sua direção com os braços bem abertos num 'boa tarde' suave, com o propósito de cumprimentar Sungwoo tambem e desejar um feliz aniversário para os dois.

Não foi isso que acontecera.

Jihyun não enxergou Sungwoo, mas somente um Jimin destroçado, pálido, e imerso em sofrimento. Sem pensar duas vezes, ela correu e o enrolou no seu abraço de urso, numa leve deixa para que Jimin chorasse tudo o que quisesse chorar. Mas ela não sabia que o loiro já tinha chorado mais que o suficiente naquele dia.

Park a largou sem querer  parecer muito brusco, lhe deu um beijo calmo na bochecha e se desvencilhou dos seus dedos que lhe apertavam nas costas, e se dirigiu à cozinha.

― Onde está a torta de limão, Tia? ― perguntou, a voz tão podre e o olhar tão desesperador, que foi o possível para Jihyun sentir longos apertos no coração.

Ela apontou tremendo para o segundo armário do lado da geladeira, e Jimin o pegou juntamente de um suco de maracujá. Procurou na pequena mesa posta algum papel para limpar o nariz, e encontrou lenços semi acabados. Os pegou tambem, e então se dirigiu ao quarto, onde se trancaria por mais de uma semana. E se a vida permitisse, o resto dos seus anos tambem.

Jihyun não conversou com ele, apesar de saber o que tivera acontecido somente nas suas reações. E naquela noite, enquanto ela chorava fazendo o jantar, e se sentava na cadeira comendo sozinha, ela orou para que tudo na vida de Jimin desse certo a partir dali."

.

Jungkook Jungkook Jungkook

Como que raios eu tinha um colar de Jeon Jungkook perambulando em meus dedos? Como era possível o destino gostar tanto de brincar com a minha cara assim?

Não fazia sentido nenhum, nenhum mesmo. Eu não me lembrava de ter pego alguma coisa do moreno, tampouco ele tinha pego algo meu.

Eu fincava as unhas de maneira rude nas minhas próprias coxas, enquanto tentava me recompor no meu próprio acolchoado. A voz de Taehyung me parecia bastante longínqua agora que parecia estar tendo algum tipo de crise, contando que não parava de tremer a cada segundo.

Não poderia ser real. Eu não poderia ter perdido a minha câmera, eu não poderia ter um colar de Jungkook nas minhas mãos, eu não poderia ter sido traído por Sungwoo, e eu não poderia saber que era a causa da dor de Jihyun. Não poderia ser os 'poder', quando na verdade eu era os 'e se'.

Céus, o que estava acontecendo comigo?

― Park Caralho Jimin! ― o maior do meu lado gritou pela quinquagésima vez só naquele final de tarde, me fitando de maneira aterrorizada. Só então percebi que ele segurava os meus pulsos, e que tinha parado de arranhar as minhas coxas.

Ele me balançou em seus braços quando obteve somente silêncio.

― Você precisa pegar um ar, vai passar mal! ― resmungou, me puxando para si, e tentando me colocar em pé. Por sorte, obteu sucesso.

Certo, eu precisava respirar.

― Poderia me deixar sozinho, por favor? ― perguntei. Tae abriu a boca em espanto negando de prontidão com um balançar cruzado de cabeça. ― É sério, eu irei tomar um ar, mas tomarei sozinho.

― Você so pode estar brincando! E se desmaiar ou algo assim? A sua tia foi no mercado, e ela demora ainda cerca de vinte minutos, como pode pedir um favor desses? ― as suas mãos se contorciam à medida em que o seu tom parecia gradativamente mais nervoso e desesperado.

Por deus, eu não iria me matar ou alguma coisa assim. Eu acho.

― Eu colo um bilhete na geladeira, e eu não me irei afastar tanto de casa, ok? Vou andar um pouco até aquela parada de ônibus e depois volto beem rapidinho. Você precisa descansar. ― suspirei, a minha visão começando a escurecer caso não tomasse ar rápido.

Estava tremendo novamente.

― Mas-

― Sai logo, eu preciso ir lá fora.

― Ok.

Ambos caminhamos em direção à porta, não sem eu antes pegar num pedaço de papel amarelo da cômoda e escrever uma pequena anotação para Jihyun, colando de seguida na geladeira.

Quando Tae finalmente iria embora, ele hesitou mais uma vez, me fazendo revirar os olhos em impaciência.

― Se lembre que tem meu número na opção de 'Mais frequentes' e 'Favoritos' tudo bem? Eu consigo roubar a moto do Yoongi se precisar da minha ajuda urgente e- ― o interrompi novamente, prendendo um riso sôfrego.

― Sai logo.

Taehyung murmurou mais algumas coisas nas quais não pude escutar por me sentir cada vez mais zonzo, porém ele retribui o sorriso, me relembrando o minecraft. Por ser quadradinho e viciante.

Era como se um combo de exaustão e peso estivesse caindo sobre mim, me empurrando cada vez mais fundo e me fazendo engasgar na minha própria saliva.  Então esperei o moreno se afastar da minha moradia, para finalmente poder chorar denovo. Dessa vez, saindo de casa após uma semana.

Nessa noite eu iria conseguir respirar. E inundaria a estradas, sozinho, com minhas lágrimas. Onde assim, não machucaria ninguém.

.

Continuava uma merda total.

O fato de conseguir controlar a minha respiração de forma mais regulada não ajudou em nada. Tampouco ter derramado água dos olhos. Do que valia a pena afinal? Olhe só pra mim, um adulto desempregado sofrendo por amor.

Eu sou tão babaca.

Estava começando a ficar cansado das cores repetitivas dos semáforos. O vermelho, verde e amarelo, todos se alternando de quinze em quinze segundos, sendo que a rua praticamente estava lotada e nenhum carro passava por ali. Era tão irritante.

Já faziam cerca de dez minutos desde que eu tinha saído de casa, e confesso que talvez fosse melhor desse jeito. Às vezes era bom tomar um ar puro e enxergar a lua ou as estrelas. O manto escuro encima da minha nuca, era uma das poucas coisas que me relaxava de verdade.

Por isso eu amava a lua e detestava o sol. Qual era a graça dessa bola laranja? Era quente e ardia na sua pele. Você nunca conseguiria enxergar o seu brilho sem usar uns óculos especiais ou então na maioria das hipóteses, ficaria cego. Se tivesse frio, eu pegaria em duas pedras e as friccionaria para fazer calor.

A lua era muito mais bonita, de verdade. Ela não só poderia ser uma bola, como poderia ser a letra 'C' de cavalo. Ou a letra 'D' de Dinamarca. Era branca e tinha uma luz leve e bonita. Não machucava. E tinha amigos também, elas eram pequeninas e eram muitas mesmo. Pelo menos a lua tinha uma constelação de brilhos, o sol tinha uma irmandade de nuvens que possuíam formas de pirocas ou de carros. Bela merda.

Me sentia tão derrotado e frágil. Tão chato e melancólico. Eu não era nenhuma flor de estufa, eu era o caralho de um homem bonito e seguro de si. Então porquê?

Porque toda vez que me encarava no espelho eu só enxergava a tristeza e o fracasso? Porque não poderia superar tudo logo de uma vez e seguir a minha vida da maneira que bem entendesse?

Homens também choram, dizia Jihyun.

Eu não queria chorar. Queria sorrir.

Fiquei martelando pensamentos desconexos na minha mente por tanto tempo, que não tinha reparado que tinha chego na parada de ônibus. A luz do poste piscava lentamente, e noutras circunstâncias eu iria correr dali e ir pra casa,  afim de dormir e só acordar em 2030. Porém, como as minhas pernas não permitiram, eu me aproximei.

O meu corpo petrificou com a imagem de quem tinha tomado conta dos meus pensamentos por um longo período de tempo. Os meus lábios secaram e racharam pelas mordidas constantes que eu estava provocando, as minhas mãos começavam a tremer  novamente, e a minha visão se tornou turva.

Jungkook. Jungkook estava ali.

Ele estava ali, com os seus malditos cabelos castanhos e pele bronzeada. Com os malditos olhos fechados e cabeça apoiada no vidro, os fones de ouvido ressoando numa melodia que ele certamente estava amando, já que não parava de batucar com o pé ritmaticamente no chão. Ele estava ali esperando um ônibus numa hora tão tardia. Ele estava ali, com o ciclo cromático todo junto outra vez.

Talvez olhar para Jungkook me entristecesse tanto por me fazer lembrar Sungwoo. Olhar para Jeon fazia aflorar as memórias dele chorando do meu lado, dele chorando e sussurrando o quão amava o seu ex-namorado, ele chorando enquanto fitava o lago enforcado de peixes coloridos e cristalinos.

Olhar para Jungkook doía porque ele era igual a mim.

Com isso, eu não reparei que prendia o choro novamente, mas acabei me sentando ao seu lado, o examinando por milésimas de segundos.

Parecia tão relaxado, tão somente na dele.

― Tá escutando o quê? ― batuquei lentamente o seu braço, e lhe perguntei. O moreno arregalou as orbes ao me fitar, e coçou a nuca meio envergonhado por o ter visto naquele estado. Notei tambem que o seu pé tinha parado de se movimentar no chão.

― Elvis Presley. ― deu de ombros, se recuperando aos poucos do susto.

Sorri.

― Woah, então você é do tipo que curte essas músicas antigas e chatas? ― ele ergueu as sobrancelhas desacreditado. ―  O que foi? Você tem cara de quem prefere Justin Bieber. ― deu de ombros.

Suavemente ele retirou os fones de ouvido das orelhas vermelhas, e os embalou numa bolinha de fios, para depois os guardar na mochila e me encarar devolta.

― Bom, como posso dizer? Nem todos são obrigados a apreciar arte. ― pronto, os dentes de coelho. Ele estava sorrindo. Isso era um avanço.

― Quer mesmo saber o que é arte? Kodaline. Sério, é muito bom.

― Uh, Kodaline é? Não gosto. ― suspirou, e conteve um outro sorriso curto ao se deparar com a minha expressão atual: indignação. ― Mas estou surpreso que escute esse tipo de vibe. O seu rosto grita pra mim que é um fã robusto de Ariana Grande. Ou talvez Green Day. 

― De vez em quando escuto. Nada demais.

O poste de luz tinha se desligado de vez, fazendo com que a escuridão predominante no local nos inundasse.

― Me empresta seus fones? ― perguntei, sabendo o que teria que fazer dali adiante.

Ele me encarou igualzinho a Taehyung, como se eu fosse um bicho de sete cabeças. Mas e se eu fosse? Ninguém ligava.

― Pra quê?

― Você vai ver.

Hesitantemente ele voltou a pegar na mochila preta que estava no chão e a colocou por entre as suas pernas, abrindo o pequeno compartimento dela e tirando de lá os fones brancos, me entregando de seguida.

Retirei o meu celular do bolso traseiro das minhas calças jeans, e liguei o fio no aparelho, indo em direção ao spotify.

High Hopes.

A voz perfeita de Steve Garringan começou soando numa melodia ritmática que me deixava triste. Entreguei a Jungkook o lado esquerdo do fone, e ele colocou na orelha à medida que os versos soavam perante a brisa de uma noite amena e de um coração quebrado.

It's not that easy... ― murmurei baixinho enquanto balançava suavemente a minha cabeça. A cor avelã dos meus olhos tinham desaparecido à medida que eu os fechava, os meus pensamentos todos embalados numa caixa pequena. Embrulhei todas os problemas dentro de um plástico metálico e enviei todas as minhas inseguranças para pontos distantes. Era eu e a música, era eu e grandes esperanças.

Não sabia se Jungkook estava gostando mas não precisava. Eu podia sentir o balançar do seu braço porque ele raspava no meu.

Eu lembro agora, isso me leva devolta para quando tudo começou

Jeon e eu das três vezes que nos esbarramos, duas permanecemos em silêncio. Ambos não nos conhecíamos, mas de alguma forma eramos como se fossemos a mesma pessoa. Ele era eu e eu era ele.

Mas eu só tenho a mim mesmo para me culpar e eu aceito isso agora

Fomos traídos juntos, choramos juntos. Nos sentimos podres juntos, e também escutámos música juntos. Balançámos juntos. Não duvidava nada do destino por agora, mas talvez me aproximar de Jungkook não fosse tão desesperador assim.

É hora de se libertar, sair e começar denovo

Mas não é tão fácil assim

Pensei que se me encontrasse mais vezes com ele, lembraria de Sungwoo. Tinha medo de que se o conhecesse a dor nunca iria ir embora. Mas na verdade tudo poderia ser o inverso. Nós poderiamos ser grandes amigos do silêncio que se apoiavam por imaginação. E nos relaxavámos sem as vozes.

Kodaline, músicas antigas e talvez um pouco de pop pudesse ser uma combinação boa. Ok, sem o pop.

Kodaline e Elvis Presley.

Eu seria o All I Want do seu Can't Help Falling In Love.

Jimin? ― me chamou, e eu de prontidão deixei que a realidade me consumisse, e retirei o fone de ouvido.  ― O meu ônibus chegou, preciso ir. ― sinceramente eu não sabia porque Jungkook estava vermelho nas bochechas. Mas tudo bem.

Mas eu tenho grandes esperanças

Elas me levam devolta para quando nós começamos

― Hm, certo. O que achou da música?

A sua mão deslizou em direção aos meus dedos, e recolheu o amontoado de fios brancos, os enrolando e colocando na mochila novamente.

― Interessante. Na próxima vez serei eu a escolher. ― deu um sorriso de canto, e o meu coração pareceu palpitar.

Teria próxima vez?

Eu queria ser amigo dele, muito mesmo. Porque estava na hora de chorar em menor quantidade, ou então em maior. Dependeria de ambos. Porque a dor? Era a mesma.

Grandes esperanças

Quando você se liberta, sai e começa denovo

― Irei anotar isso, Jungkook.

― Então trate de anotar, Jimin.

E foi isso. Ele se afastou da parada de ônibus e se aproximou do veículo amarelo gasto com preto. Colocou os pés nas pequenas escadas, e cumprimentou o motorista. Porém quando as portas iriam se fechar uma última vez eu me lembrei de algo crucial.

O colar.

Com toda a energia posta sobre mim, eu gritei na esperança de ele escutar o que eu iria falar. Gritei alto, e duas vezes para ter a confirmação que necessitava. E felizmente ele tinha me escutado.

― Me encontre amanhã às 14:45 no café do lado da padaria.

O vidro embaçado não foi o suficiente para escurecer a visão do seu rosto encostado na janela. Foi com o balanço da partida que os seus cabelos castanhos esvoaçaram em simplitude.

Agora não era nada demais. Ficaria tudo nos eixos. Que se fodesse Sungwoo.

Grandes esperanças

Quando tudo chega ao fim

Mas o mundo continua dando...

Voltas.


Notas Finais




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