1. Spirit Fanfics >
  2. O Sol Já Nasceu Lá na Fazendinha >
  3. Agro é tech, agro é pop, agro é tudo

História O Sol Já Nasceu Lá na Fazendinha - Capítulo 4


Escrita por: e Ddaenguk


Notas do Autor


Olá, depois de um tempinho eu voltei. zuwbsusjs. Acabei me perdendo no tempo.

Esse capítulo está um pouco curtinho, cinco mil palavras aproximadamente, mas espero que vocês gostem, de coração.

Boa leitura!

Capítulo 4 - Agro é tech, agro é pop, agro é tudo


Fanfic / Fanfiction O Sol Já Nasceu Lá na Fazendinha - Capítulo 4 - Agro é tech, agro é pop, agro é tudo



Era definitivamente, para o loiro, o pior dia desde que fora obrigado a embarcar num ônibus fedorento, enferrujado e velho para Busan e ter que ficar na fazenda dos Jeon's por conta de sua maldita aposta perdida. Seria a pior experiência que estava tendo em todos os seus anos já vividos, e não eram poucos.


Obviamente era culpa dele mesmo por querer se achar e pensar que o Min iria ficar consigo.


A lua cheia ainda clareava o céu da madrugada, que estava escuro, com poucas nuvens e um vento fraco abafado, que fazia o menor desejar se matar e nunca mais voltar àquele lugar que mais parecia um ninho de mosquito, do que uma casa. O calor ainda se fazia presente naquele cômodo pequeno e monótono; aliás, era verão. 


O quarto não era aconchegante, muito pelo contrário, era pequeno e tinha teias de aranhas grudadas nos quatro cantos do recinto, o homem-aranha deveria ter dado uma passadinha ali e deixado sua legião para habitar aquele lugar. Havia um pouco de poeira no chão, que havia de acumulado, formando uma areia estranha por não ser regularmente varrido e principalmente estava tudo bagunçado. Suas paredes eram tingidas em um branco fosco que também não estava totalmente branco por não ser retocado e por ter marcas de pisões na parede. Parecia que tinha acontecido a terceira guerra mundial naquele lugar, ou alguém fora possuído, ninguém podia negar.


 Mas no fim, não podia reclamar de absolutamente nada, havia perdido a aposta e iria cumprí-la como sempre fez com outras. Apesar que se arrependeria de ter perdido seu precioso tempo, sendo que não iria aprender absolutamente nada em alguns dias. O Kim iria lhe pagar, e ele tinha absoluta certeza disso.


Havia conhecido Kim Taehyung por seus pais, que insistiam em apresentar o menino mais velho a sí, para que perdesse de vez a timidez que tomava-lhe conta; e pelo jeito foi uma terrível ideia, que o fez sair da linha de um jeito absurdo e perder o foco em sua carreira de modelo.


 Era isso o que seus pais pensavam. 


Mas, na verdade, ele só havia mostrado uma pequena parte do rancor que guardava em seu peito: ele tinha sido afastado de seus avós, de seus antigos amigos, de sua faculdade, de si mesmo. 


Passou a frequentar boates com Kim Taehyung e mais dois amigos apresentados por ele e a dar trabalho a seus cuidadores, que apesar disso, apenas estavam obcecados com seu próprio dinheiro em busca de uma alta hierarquia social. Era o que eles mais tinham de sobra: dinheiro. Tinham tanto dinheiro e pouco amor no coração.


Não ligavam certamente para as coisas que o modelo passava, mas odiava que ele sujasse o nome da família envolvido com tantas besteiras e atitudes infantis.


Apesar de ser um baladeiro e drogado, o mais velho loiro, Taehyung, era deveras uma pessoa boa. Fazia faculdade de engenharia, tinha notas altas e era esforçado, cuidava de seus amigos e amava animais. Confiava todos os seus segredos mais profundos, engraçados e ridículos para o garoto que era considerado anormal por ser tão extrovertido. O Kim era mestre em fazer amizades, adorava animes e dançar no karaokê que ficava na rua de baixo de seu apartamento. 


Para Jimin, a vida baladeira era demais, a curtição era uma forma de lazer que ajudava muito para que não enlouquecesse de vez. Todas as porcarias e apostas perdidas eram apenas um disfarce para esquecer a vida cruel e desajeitada que tinha. Estava cansado de ser esquecido por todos, de ser rejeitado e menosprezado.


Todo o dia ele morria de uma forma diferente na mente de uma pessoa. Estava na hora dele começar a matar.


Acabou não rejeitando a vida baladeira, esquecendo dos compromissos e felizmente dos problemas que acabavam consigo.


E novamente, como se fosse parte de sua tão exaustiva rotina, acordou em um só pulo, sem sono, abrindo a janela de madeira clara antiga com dificuldade. Vendo a paisagem à sua frente, admirado, sorriu vendo os morros altos em sua vista e os passarinhos piando.


O sol ainda não havia saído e pelo jeito demoraria a acontecer. Então se encostou no parapeito da varanda e observou mais ainda a escuridão que assolava aquele momento. Passou as mãos nos olhos e seguiu para o banheiro, onde se lavou rapidamente para não acordar o boiadeiro e saiu da casa, ouvindo o barulho das árvores balançando por conta do vento.


Pegou seu celular do bolso, o qual havia sido roubado escondido de Jungkook, e retratou a paisagem, sorrindo fraco. Com os ombros lateralmente encostados na porta do sobrado, ficou quieto apreciando a vista, esperando o tempo passar. O céu estava um pouco mais claro, mas ainda demoraria a chegar o sol.


O tempo é nosso principal inimigo.


Sentiu uma mão fria tocar-lhe no ombro solto e quase deu um grito de susto, fazendo com que pulasse e olhasse para trás, observando o boiadeiro com uma cara amassada e com os olhos cansados vidrados em si.


— Acordou cedo… — resmungou baixo, o moreno robusto. — Aconteceu algo? — perguntou coçando a nuca, logo se espreguiçando.


— Não. Por que aconteceria? — respondeu rapidamente, voltando a olhar para fora, dando as costas para o outro.


— Ok. — deu de ombros e desapareceu, provavelmente indo a cozinha, preparar o café de ambos.


Continuou ali, vendo os minutos se passarem depressa, esticou os pés no chão e encostou novamente as costas na parede, era a segunda vez que se sentara, esperando o momento de colocar a mão na massa e trabalhar.


Sentiu o cheiro do café puro, recém-feito e relaxou um pouco, apesar de não gostar do antes dito. Foi em direção a mesa, comendo em silêncio, fazendo com que o Jeon estranhasse toda sua inquietação. Ele era tão animado e reluzente, mas naquele dia estava para baixo.


— Vá nos dois canteiros regar suas mudas, Jimin. — ouviu o moreno falar de costas para si, lavando a louça sem pressa.


— Sim. — respondeu ríspido, o que era estranho e sumiu da vista do outro, que se sentiu incomodado pelo clima tenso.


— Quando chegar, iremos na ala dos animais, estaremos esperando você. — gritou para que o loiro escutasse, o que escutou, mas desejou morrer mais um vez de preguiça.


Já o menor, se encaminhou sem pressa para o canteiro, distraindo-se com o céu, que agora estava em um degradê absoluto em um tom amarelado com azul.


Estava inquieto e sabia disso. 


Havia tido mais um de seus pesadelos que sempre lhe deixavam para baixo e triste, precisava urgente espantar aqueles sentimentos negativos e esquecer, como sempre fazia nas festas.


Observou seu canteiro pequeno e mal feito ao lado de outro, que havia pequenos morangos maduros pendurados. Achou um regador vermelho a poucos metros e o pegou, correndo para um tanque de água e o enchendo, logo voltando e irrigando toda sua extensão. Sem pressa, fez o mesmo no canteiro orgânico, nem se lembrara do que havia plantado ali, mas sabia que tinha que regar.


Afastou seus pensamentos negativos voltando para o sobrado, o qual encontrou os dois outros jovens sentados no mesmo banco do dia passado com suas violas. 


— Vocês não se cansam de tocar? — perguntou desanimado, sentando-se na grama, de costas para os dois.


— Bom dia para você também, pequeno Jimin. Acordou estressado? — Namjoon riu pelo loiro não ter respondido, logo dedilhando as cordas e sorrindo para Jungkook sugestivo. — Podemos dedicar uma música para que você se alegre? — perguntou e o outro deu de ombros, olhando o sol aparecer pelas montanhas. 


Desviou o olhar e se colocou sentado de frente aos dois, que se comunicavam com o olhar. Eles tinham uma conexão imensa, era o que o loiro achava. Talvez em outra vida fossem irmãos, ou primos, talvez.


Esperava que a música que eles fossem cantar o deixasse alegre, porque por Deus, estava muito desanimado.


Ouviu as cordas finas serem dedilhadas e logo Namjoon iniciar um solo, enquanto o Jeon ficava de base.


Jimin achou aquele toque familiar, então avistou as orbes escuras do moreno mais novo lhe observando apreensivo, enquanto o outro olhava as cordas, totalmente focado.


De que me adianta viver na cidade, se a felicidade não me acompanhar?


Iniciou os dois, cantando suavemente e logo sorriu, apesar que a música era uma realidade e tanto para si.


— Essa eu sei! — gritou um pouco alegre, cortando e soltou a voz, cantando junto com os outros dois que negaram, rindo.


E literalmente, do que adiantava a luxuosa vida que tinha em Seul se a felicidade que tinha quando ficava na casa de sua avó não lhe acompanhava?


Se lembrava que seu avô cantava sempre essa canção no final das tardes, alegrando toda a família e dando mais um motivo de preferir a vida no campo.



Adeus, paulistinha do meu coração, lá pro meu sertão, eu quero voltar. Ver a madrugada, quando a passarada, fazendo alvorada, começa a cantar. Com satisfação, arreio o burrão, cortando estradão, saio a galopar. E vou escutando o gado berrando, o sabiá cantando no jequitibá. 


Havia descoberto mais uma coisa no segundo dia em que estava naquele lugar: adorava as músicas que cantavam e os toques melodiosos que as violas faziam no silêncio da manhã.


Era uma boa, a fazenda era longe de tudo e não havia pessoas para reclamarem que o barulho estava alto demais, ou reclamar que não gostavam daquele estilo musical.


Por Nossa Senhora, meu sertão querido.

Vivo arrependido por ter te deixado, esta nova vida aqui na cidade, de tanta saudade, eu tenho chorado. 


A saudade imensa que sentia de sua avó e de seu avô, havia batido como nunca antes nos últimos anos. E sim, desde que resolvera morar de vez com seus pais na capital tudo havia ido de mal a pior e sabia bem disso. 



Aqui tem alguém, diz que me quer bem, mas não me convém, eu tenho pensado.

Eu fico com pena, mas esta morena, não sabe o sistema que eu fui criado.

Tô aqui cantando, de longe escutando, alguém está chorando com o rádio ligado. 


O toque maravilhoso das cordas da viola eram incríveis, sua sorte era que cantava um pouco bem e aquele feat não estava ruim. Pelo contrário, estava ótimo.


 Por isso, ligou a câmera do celular, vendo o olhar raivoso de Jungkook que tocava, por conta de ver o objeto que antes estava escondido em suas coisas e colocou para gravar os dois. Vendo o moreno suspirar.


Que saudade imensa do campo e do mato, do manso regato que corta as campinas. Aos domingos ia passear de canoa, nas lindas lagoas de águas cristalinas. Que doce lembrança daquelas festanças, onde tinham danças e lindas meninas. 


E sim, dizia mais uma vez em seu pensamento que sentia falta da casa de sua avó, mas não sentia-se triste. 


Observava os olhos calculosos do Jeon para si, sentindo-se intimidado pelos olhares nada discretos que ele lançava em sua direção.


Eu vivo hoje em dia sem ter alegria, o mundo judia, mas também ensina. Estou contrariado, mas não derrotado. Eu sou bem guiado pelas mãos divinas. 


Talvez, se existisse um Deus, Jimin gostaria de saber se ele estava consigo passando por tudo aquilo e, se aquela situação, era um destino cravado em uma página amassada, feito tudo por ele.



'Pra minha mãezinha já telegrafei e já me cansei de tanto sofrer. Nesta madrugada, estarei de partida, 'pra terra querida que me viu nascer. 


Aquela música parecia ter sido feita para si. E se não estivesse ali, em Busan, com certeza pensaria em voltar ao escutar essa música. E faria de tudo para encontrar onde seus avós moravam e poder matar a saudade que estava dos mais velhos.


E sim, já estava cansado de tanto sofrer por besteiras que faziam questão de puxar o menino para baixo. Estava decidido que iria botar a mão na massa e aproveitar o tempo que estava ali para refrescar sua mente e matar a saudade de sua infância e talvez, mais tarde, visitar seus avós antes de voltar para a cidade grande.



Já ouço, sonhando, o galo cantando, o inhambu piando no escurecer. A Lua prateada clareando a estrada, a relva molhada desde o anoitecer. Eu preciso ir pra ver tudo ali, foi lá que nasci, lá quero morrer.


Apesar do campo ter suas coisas negativas, como os mosquitos que lhe atormentavam, a falta de sinal para internet, não ter shoppings, festas, seus amigos e as comidas que queria, tinha a paz, que quase todas as coisas antes ditas não lhe davam direito.


O lugar era calmo, a não ser pelas máquinas trabalhando na plantação de dia e os animais fazendo barulho; era silencioso de noite quando ia dormir, sua insônia havia sumido e não estava pensando tão negativo como pensava antes.


Uma coisa lhe deixava atormentado: Sabia que tinha visto o Jeon em algum lugar, mas não se lembrava de onde. Ele ainda estava em suas memórias, por mais que fosse lá no fundo delas. Era claro que conhecia o moreno de algum lugar, mas não se recordava direito.


Ainda iria se lembrar dele.


[...]


Seguia o moreno atento ao que ele dizia e explicava, seu dia já começara a pouco tempo e estava disposto a terminar o mais rápido possível para poder ficar livre e relaxar um pouco.


— E, pela primeira vez, entramos na parte da fauna! — O mais novo gritou, empolgado, assustando o outro que perdeu a postura séria que insistia em manter. — Bem-vindo, pequeno Jimin, a aquicultura! — gritou estridente e apontou para os lagos que ali haviam.


Jimin sorriu, desejando querer dar um mergulho e aliviar a tensão que o sol das 7h, mesmo fraco, lhe trazia. Era óbvio que iria esquentar, já que o dia começou abafado, com o vento noroeste que batia forte em seu rosto. Era um vento quente, tão quente que já lhe deixava cansado.


— Antes de tudo, irei explicar basicamente o que são esses grandes lagos que temos aqui: são tanques em que criamos organismos aquáticos — falou alto, para que o outro escutasse e prestasse atenção. — Criamos todo tipo de coisa aqui, crustáceos, plantas aquáticas e etc. Porém, apenas iremos ver a parte dos peixes, que é menos complexo do que os antes citados. — respirou fundo ao sentir o menor mais perto de si. 


— Isso é sério? — perguntou fingindo desinteresse.


Adorava peixes, tanto em seu prato, quanto ainda vivos.


— Sim, Park — resmungou, revirando os olhos, fazendo o mais forte negar com a cabeça. — O que iremos fazer aqui, senhor resmungão, é observar os peixes. E trocar eles de tanque, pois colocaremos outra espécie aqui e o tanque lá da frente está vazio. — explicou, se afastando para que o loiro pudesse ver os peixes se movendo e pulando na água cristalina.


— E por que não coloca os outros no tanque do fundo? — perguntou, arqueando uma sobrancelha, tentando permanecer sério, o que o Jeon não se aguentou, soltando uma risada baixa.


— Não combina com você. — falou ainda rindo, enquanto passava as mãos em sua face. Jimin sério era algo que não conseguia distinguir: era engraçado, estranho e sem sentido, tudo misturado.


— O quê? — perguntou, com um bico nos lábios, tentando entender aquela crise de risos do outro, que esfregava ainda mais as mãos no rosto.


— Você tentando ficar sério. É ridículo, pode parar, eu não aguento! — respirou fundo, tentando se recompor, estava instigado com tudo isso. 


— Aigoo! — resmungou alto, rindo também. — Não consigo ficar sério. 


— Isso é bem óbvio. Olha essa cara, toda fofa e com um bico desses nos lábios, é uma gracinha! — disse e logo quis se matar, pelo o que disse. 


— Então você me acha uma gracinha, Jeon Jungkook? — seus olhos se formaram em dois risquinhos em seu rosto, o que fez o Jeon suspirar novamente. — Então que tal se pegarmos? — pronunciou, fazendo com que Jungkook caísse na real e negasse com a cabeça.


— Esqueci que você é um tarado! — respondeu, sentando-se na sombra de uma árvore, para se proteger dos raios solares. — Voltando a tudo o que eu havia começado a dizer, trocaremos de tanque porque meus pais ligaram e simplesmente mandaram, já que os encarregados disso avisaram que os peixes que irão chegar são mais importantes do que esse que está aí.


— Acho que sou esses peixes. — Uma gargalhada alta foi ouvida e logo o mais novo sorriu com a situação, achando triste ao mesmo tempo.


— Vamos pegar eles e levar para outro tanque. Você vai adorar segurá-los — cutucou o menor, vendo ele partir para cima de si, lhe batendo, irritado. — Começando nossa pequena aula, irei explicar a diferença entre os peixes. — Se acomodou no tronco da árvore, observando Jimin ao seu lado, atento. — Diferente de nós, em alguns animais são muito difíceis diferenciar o sexo deles, mas existem algumas características que podem ser aplicadas e aí, você pode saber se é fêmea ou macho. — se levantou e acenou com a mão para um homem que antes estava no tanque com uma rede parecida com a comum de pesca. 


O homem apareceu rapidamente, entregando o peixe de cor cinza ao mais novo que agradeceu, se curvando. O peixe começou a debater-se em suas mãos, segurou um pouco mais forte e se agachou na altura do Park.


— Os ossos pélvicos são mais abertos nas fêmeas e mais fechados nos machos, está conseguindo ver essa estrutura aqui? — perguntou, apontando para a cabeça do peixe. — Os machos tem a cabeça mais arqueada que a das fêmeas, dessa forma, podemos diferenciar assim. Mas é nem sempre é correto. — explicou, levantando-se com o peixe nas mãos. 


Jimin se levantou e começou a andar junto a si, em direção ao outro tanque.


— Você sabia que os peixes podem mudar de sexo? — perguntou e riu, ao ver a expressão nada bonita do Park em seu rosto.


— Como assim?! — gritou ensurdecedor, assustado com possibilidade de comprar um peixe e ele simplesmente mudar de sexo. Era algo extraordinário para si e nunca havia ouvido falar de algo parecido. — Isso é meio estranho, mas tudo bem.


— Calma, são apenas 15% dos peixes mudam de sexo. Li uma vez que algumas espécies são ao mesmo tempo transexuais e gonocóricas: incluem indivíduos que são sempre machos — ou fêmeas — e indivíduos capazes de trocar de sexo.


— Meu pai do céu! — gritou ainda surpreso.


— Para de ser preconceituoso, Jimin! — deu um tapa com a mão que estava vazia no outro, que observou antes o peixe nela.


— Mas não tô falando disso! Estou dizendo que isso é impressionante e estou chocado, mas também vou ficar muito triste mesmo se eu não tiver um peixe agora. Eu não ligo se ele vai mudar de sexo, eu simplesmente quero um peixe e se ele virar macho, o problema é dele, vou continuar a chamá-lo de bebê.


— Deixa para lá essa história, não queremos discutir isso, você sabe que é muito estranho colocar nomes em peixes  — resmungou decepcionado com o outro, que ainda parecia surpreso. — Voltando, os peixes que temos aqui são tilápias e iremos colocar pescadas nesse tanque. 


— Não ligo, se eu tivesse um peixe, acho que teria o nome de Dori, ou Nemo, para mim dá 'pra usar em fêmeas e machos, você não acha? — perguntou. — Esquece, continue sua explicação! — respondeu, pedindo para que o maior continuasse.


— Temos muitos tanques, competindo com a fazenda dos Kim's, somos a maior produção de peixes daqui de Busan, você sabe — piscou o olho esquerdo, convencido. — Bora colocar as mãos na massa?! — gritou, empolgado por poder ensinar o outro, que era bastante mimado e estava na hora de sair de sua própria bolha.


Os dois seguiram para o primeiro tanque, conversando normalmente, enquanto observavam o sol da manhã brilhar no céu. Então o Jeon sorriu, antes de olhar para Jimin distraído com o tanque e colocou as mãos em suas costas, o empurrando para dentro da água cristalina. Logo ouviu um grito, vendo Jimin aparecer com o rosto bravo.


— Por que você fez isso? Seu boiadeiro de merda! — gritou bravo, mostrando o dedo do meio, fazendo com que o maior risse.


— 'Tá vendo aquela rede alí no canto? — perguntou, vendo o outro assentir, balançando os pés na água para que boiasse. — Ali estão os peixes, pegue-os e os coloque naquele tanque que eu te mostrei, se terminar a maior parte, me chame. Ontem o senhor Choi separou para ficar mais fácil para você. — viu o olhar furioso do menor para si e novamente, sorriu, dando as costas, ouvindo os gritos bravos e xingamentos.


Já Jimin, estava muito bravo por ter que terminar o trabalho mal feito pelos funcionários daquela família. O que custava já levar os peixes para o outro lugar?


Chegando perto da rede, suspirou ao ver dezenas de peixes ali, amontoados, querendo sair.


O tanque era grande, tinha dimensões não tão iguais e era limpo, o que agradecia, já que tinha medo que as águas fossem escuras e não pudesse ver o que tinha embaixo. Viu uma pequena rede, largada no chão, igual a que o Bob Esponja usava para caçar águas-vivas e sorriu. 


Até que o Jeon não era tão ruim consigo.


Segurou a borda do pequeno lago e se impulsionou para fora, logo ficando de pé e pegando a rede, jogando-a em direção do amontoado de peixes, sentando-se para ter equilíbrio e puxando ao ver que alguns peixes haviam entrado ali. 


Se levantou, com a rede em mãos, com os peixes que se debatiam dentro dela, se encaminhando para o tanque que o moreno havia lhe dito para colocar lá.


Queria terminar aquilo o mais rápido possível.


Colocou a rede com delicadeza na água, vendo os peixes se espalharem, fugindo de si, se levantou e colocou a rede no ombro, se exibindo.


Só não contava que ao olhar para o céu azul, sorrindo, iria tropeçar em cepo de madeira que estava no chão e literalmente voar para dentro de outro tanque, que estava vazio e com muita lama escura nele. Ficou poucos segundos com a cara grudada e logo se levantou, gritando de raiva. Sua cara ficou suja e melecada, fazendo-o se irritar.


Iria ter um longo e exaustivo dia.


[...]



Depois de um longo tempo, o Jeon voltou com sua viola de cor amadeirada, como sempre andava. Passou as horas observando o outro carregando e pegando os peixes, rindo da cara fofa que ele fazia quando o via olhando-o.


Era simplesmente a pessoa mais incrível que conheceu em sua vida, apesar de ser totalmente mimado, irritante e tarado. Adorava vê-lo sorrir ou o pegar desprevenido com alguma piadinha de mau gosto, que na verdade, apesar de lhe deixar desconfortável, era engraçado.


Seus sentimentos eram óbvios desde que se viram pela primeira vez e vê-lo assim, tão perto de si, era muito gratificante. 


— E aí, já cansou? — gritou, observando o menor lhe lançar uma carranca nada legal.


— 'Tá reclamando? — perguntou bravo, segurando a rede com força, para que não caísse e perdesse os peixes.


— Claro que não, paraquedas! — riu ao ver novamente o olhar mortal direcionado para si.


Se levantou da sombra, passando as mãos em sua calça jeans, tentando limpar a areia que ali havia ficado. Passou as mãos sedutoramente no cabelo, colocando-o de lado para que lhe desse um ar confortável, já que estava calor.


— Venha aqui, irei te mostrar um negócio. — pediu e o loiro fez menção de largar o objeto que estava em suas mãos, mas foi impedido por pares de mãos fortes, que seguraram a madeira que apoiava a rede.


— Então agora você veio me ajudar? — perguntou logo se afastando.


— Nossa, o que aconteceu com seu corpo, caiu na merda de novo? — riu tentando tocar o menor, que lhe deu um tapa rápido. 


Pegou um peixe, que se debatia forte, fazendo Jimin se afastar, dando um pequeno gritinho nada hétero.


— Segura aqui. — pediu e o loiro se aproximou, cautelosamente, pegando das mãos do maior, que ria da cena. O peixe se irritou, lançando o rabo na cara do menor, que caiu no chão junto com o animal.


— Que filho da mãe! — gritou, colocando a mão no rosto, no lugar em que havia levado a rabada. — Para de rir, seu vagabundo! — deu um chute na perna de Jungkook, que ria baixo, tentando disfarçar.


Jimin se levantou e pegou o peixe do chão, segurando-o corretamente, esperando o Jeon continuar seu discurso.


— Esqueci de explicar, você sabe como é a reprodução do peixe? — perguntou vendo que ele não sabia. — Geralmente, a fêmea e o macho liberam seus gametas na água e após a fecundação do óvulo por um espermatozóide, forma-se o zigoto. E nos peixes que são cartilaginosos, a fecundação é geralmente interna, ou seja, o macho introduz seus espermatozóides no corpo da fêmea, onde os óvulos são fecundados. Essa daqui, pelo jeito, é fêmea. — apalpou o peixe e riu, da cara fofa que o menor fazia. O peixe não era grande.


Jimin observou maravilhado o peixe liberar  pequenas bolinhas pretas e sorriu para o Jeon.


— Olha, ele está colocando seus ovinhos na minha mão! — gritou empolgado, chegando perto e cheirando as bolinhas.


Viu o Jeon começar a rir novamente e tentou entender, olhando para a bolinha e a cara de tapado do outro.


— Isso é o cocô dele, Jimin! — o menor ficou envergonhado, querendo colocar sua cabeça na terra. — E antes que pense que a bolsa estourou, é a urina dele.


E definitivamente estava com raiva, o peixe, além de ter cagado, havia mijado em si também.


— Que porcaria! — gritou e jogou o peixe de volta no tanque, lavando as mãos nas águas. — 'Pra que a gente cria isso? Eles nem tem respeito conosco!


— Parece um velho falando, é só um peixe, Jimin! — riu, colocando as mãos no ombro do outro, chegando mais próximo.


Era considerável a diferença de altura, fazendo com que o menor, tivesse que olhar para cima, para que pudesse olhá-lo nos olhos. 


Seus olhos se conectaram e então, Jimin sentiu as mãos ásperas do outro em seu ombro, pesarem um pouco mais. Seu coração acelerou e sentiu a respiração descompassada do maior, então se aproximou mais um pouco, sussurrando:


— Jeon, da galinha eu tiro peixe, do peixe eu tiro a escama, de você eu tiro a roupa e te levo 'pra cama. — disse e quebrou o clima, vendo o maior rir e se afastar, negando.


— Tarado, mesmo! — resmungou voltando para a sombra da árvore que tinha ali perto.


— Era apenas um teste, bro! — Jimin chegou perto. — e você caiu. 


— Acabei esquecendo de novo que você é um tarado. — falou e olhou a paisagem, com um sorriso nos lábios.


— Jungkook, por que criamos peixes? — perguntou aleatoriamente, curioso pela resposta.


— Olha, isso vêm desde muito cedo. Vou apenas mencionar a nossa cultura. Somos caiçaras, pessoas que moram no litoral e bem, é óbvio que quem vive no litoral pesca e era disso que nossos avós viviam, da pesca. — respondeu, vendo o outro assentir e voltar ao trabalho.


O Park continuou a pegar os peixes e trocar de tanque, estava um pouco cansado e com certeza já passava das dez da manhã quando decidiu descansar um pouco mais.


O moreno vinha em sua direção sorrindo, logo lhe puxando e levando para almoçar.


Passaram pelo típico campo minado de esterco das vacas brigando, já que Jimin insistia em não querer comer sua comida.


— Para de ser chato, se você fosse pedir algo, iria demorar mil anos para entregar aqui. É literalmente o fim do mundo e provavelmente apenas amanhã iremos fazer compra. Por enquanto temos que comer o que tem. — disse após pular a cerquinha de sua casa, vendo o Park arrancar as botas do pé e entrar na casa, indo se lavar.


— Sua comida parece de gente velha. — disse rápido, rindo da careta que o mais novo lhe lançou.


— Uma vez, na faculdade, acabei entrando em um relacionamento com uma mulher mais velha — viu a cara do loiro virar para si, estranhamente. — E aí, lembrei de uma coisa que meu pai sempre me dizia — passou as mãos no cabelo, puxando a viola que antes jogara no sofá da sala. — Tem uma música que canta assi- — Jimin o cortou.


— Lá vai… — disse revirando os olhos.


— Não, escuta só. — pediu, dedilhando as cordas. — Tô de namoro com uma moça solteirona, a bonitona quer ser a minha patroa. Os meus parentes já estão me criticando, estão falando que ela é muito coroa, ela é madura, já tem mais de trinta anos, mas para mim o que importa é a pessoa. Não interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa. — Jimin riu com a música, que era um pouco estranha e na voz do Jeon, que apoiava a perna na cadeira e tocava, olhando para si, era mais engraçado ainda. — Menina nova é muito bom, mas mete medo, não tem segredo e vive falando à toa. Eu só confio em mulher com mais de trinta… Jimin lhe lançou um olhar desconfiado.


— Eu tenho vinte e cinco, não vai confiar em mim, garotão? — riu ao ver a careta de desgosto do outro.


Sendo distinta a gente erra ela perdoa, para o capricho pode ser de qualquer raça.

Ser africana, italiana ou alemoa. Não interessa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa. 


— Espero que as panelas desta casa sejam velhas, então. — riu e correu para o quarto, para procurar uma nova roupa.



[...]


Corria novamente com os peixes na rede, colocando-os no tanque e voltando para pegar mais. Queria terminar rápido e ir ver a boiada passando, como todas as tardes, mas, se ficasse até às cinco ali, não ia conseguir ver.


Jeon estava com uma máquina, roçando ao redor dos tanques, vez ou outra observava o menor desesperado em acabar com aquilo de uma vez.


Viu-o se aproximar e passar a mão na cabeça, logo colocando na cintura apontando para a máquina com a cabeça.


— Mano, para que a gente faz esse tipo de coisa? Ser escravo da natureza? — perguntou confuso e viu o Jeon lhe dar atenção.


— Se o campo não planta, a cidade não janta, Jimin. — o moreno observava atentamente o capim-limão alto, que estava sendo cortado em milhares de partículas pela roçadora de cor alaranjada, pesada em mãos, enquanto gritava alto para que Jimin escutasse de onde estava, aproximadamente quatro metros de distância de si. 


O outro lhe lançou um sorriso e mostrou uma joinha com as mãos, dizendo que havia entendido, então, seus olhos pousaram pesadamente sobre si.


O Jeon estava largado, seu corpo, com os músculos bem definidos, estava vestido apenas em uma regata branca velha, uma calça jeans suja e uma bota também preta para que se protegesse, sem contar o óculos de proteção, que lhe davam um ar de roçador.


Jimin ria internamente.


As gotículas de suor, finas, por estar trabalhando no sol terrivelmente quente, escorriam de sua testa para seu pescoço avermelhado, obviamente queimado por conta do sol, o que deixava aquela cena sexualmente tensa. Seu ventre fisgou e então quis deixar de lado aquela situação.


— Agro é tech, agro é pop, agro é tudo, 'tá com Jungkook. — o outro lhe lançou uma piscadela por detrás do óculos, lançando-lhe um sorriso encantador.







Notas Finais


O que acharam do capítulo? Não foi tão descritivo e engraçado, mas prometo que vou tentar nos próximos que vierem.

Deixem as suas opiniões nós comentários, isso me faz com que eu saiba que vocês ainda acompanham.
E claro, não se esqueçam de comentar #Afazendinha se curtiram.

Aqui está o link das músicas que foram tocadas e escritas no capítulo. Escutem se tiverem curiosidades!!!


Música tema da fanfic: https://youtu.be/cjONzZPJONc

Música um: https://youtu.be/LSRMQQF-wnU

Música dois: https://youtu.be/Ig79gywvZEM

Até a próxima!!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...