História 'O Sole Mio - Capítulo 11


Escrita por: e gabsmatos

Postado
Categorias Rick and Morty
Personagens Morty Smit, Personagens Originais, Rick Sanchez
Tags Aluno, C-137cest, Dark, Darkfic, Drama, Fluffy, Incesto, Long, Longfic, Morty, Morty Smit, Morty Smith, Musica, Musical, Novela, Professor, Rick, Rick And Morty, Rick Sanchez, Rickorty, Romance, Sap, Song, Songfic
Visualizações 108
Palavras 3.381
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Harem, Hentai, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Poesias, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shounen, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Self Inserction, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Preparem os corações antes de ler isso. É sério.

Xoxo

Capítulo 11 - Solo II


Fanfic / Fanfiction 'O Sole Mio - Capítulo 11 - Solo II

O mundo é composto por regras e sistemas, cujo único propósito é manter as coisas funcionando. A sociedade é um grande mecanismo movido às engrenagens da ordem e do bom senso. Leis e ditos servem para regar a grande e frondosa árvore do sistema, e em sistemas, Rick era excepcional. É assim que funciona, é assim que ele era, e seu único compromisso era se manter fiel naquilo.

Hoje era um daqueles dias em que Rick acordava antes do despertador, mesmo que tenha ido se deitar tarde. Seu corpo conseguia descansar em poucas horas, e ele pensava nisso como uma dádiva que lhe dava mais tempo útil durante o dia. Fitava o teto, deixando que seus olhos se adaptassem a escuridão enquanto sentia a doce carícia da manta sobre seu corpo desnudo. Deixou que um suspiro lhe escapasse dentre os lábios finos, baixando seu olhar e encarando o próprio tronco. As marcas na pele já não mais lhe incomodavam. Levou uma de suas mãos até seu peito, brincando com um chumaço de pelos azuis que cultivava bem no topo.

A verdade que Rick não queria admitir, era que não estava bem descansado. Tentava em vão convencer-se disso mas sabia que a razão era outra. Se o seu cérebro havia despertado seu corpo tão cedo, não tinha relação alguma com seu relógio biológico, mas sim com a preocupação que martelava em sua mente, como se estivesse se esquecendo de algo, algo valioso. Tentava reconstituir sua rotina em sua cabeça, averiguando seus compromissos, imaginando se não havia se feito desatento para algum deles. A primeira coisa que veio a sua mente, no entanto, não foi seu cronograma na escola ou suas tarefas incompletas, e sim a frase que lhe foi dita ontem, com a voz fina e já tão conhecida e que até agora não saia de sua mente.

 

“Eu me apaixonei pelo senhor, professor.”

­               

Cerrou os punhos, como se apertasse entre os dedos seu próprio coração. Como um garotinho tão patético podia lhe causar tantos problemas? Ainda mais com uma paixão tão chula? Era coisa de adolescente, os hormônios borbulhando e o pensamento de que se havia encontrado nele a pessoa ideal sem mal alcançar a maioridade. Morty havia apenas inventado aquilo tudo em sua cabeça, Rick bem sabia. Talvez o garoto nem fosse capaz de diferenciá-lo a uma de suas duplicatas. Assentiu suavemente com a cabeça, como se concordasse com o próprio pensamento, afirmando novamente para si mesmo que não havia perdido o controle da situação.

O próximo passo seria lidar com aquilo tudo, o que lhe fez imaginar como seria o andar das coisas depois do ocorrido. A reforma da sala era só mais uma desculpa para que pudesse tirar um tempo para si, colocar sua cabeça em ordem. Seria bom para ele, ou pelo menos, era o que ele pensava. Manter-se longe do menino para que ele pudesse também pensar e organizar essa paixão adolescente, ou esquecer-se dela. Indiretamente até o estava ajudando. No fundo, Rick amava lecionar, e ouvir Morty tocando com a mesma autonomia que ele um dia tocara era o salário de seu trabalho árduo ― tirando o próprio salário, que nem era tanto assim. Rick temia ter se equivocado em sua decisão. Novamente apertou seus pelos do peito, como se se arrependesse da forma que agiu. A imagem de Morty chorando assaltou sua mente e por alguns segundos pensou empatizar-se com o que o menor sentia.

Não, Rick jamais errava em alguma coisa. Talvez não fosse um mar de rosas para ele, é claro, mas com certeza seria benéfico para seu pupilo. Era provável que Morty se chateasse no começo, talvez até chorasse, mas isso era mais do que natural de se reagir após a rejeição. Com o tempo, esse sentimento se dissiparia, tão rápido quanto chegou, e as coisas voltariam ao normal. Rick daria suas aulas, e o garoto se tornaria um músico quase tão habilidoso quanto seu mestre. Ênfase no “quase”. Sua missão estaria cumprida enquanto educador sem ressentimentos ou mágoas, afinal a relação entre eles dois era estritamente profissional e jamais deveria passar desse limite.

Ouviu, ao fundo, o despertador tocar, lhe indicando que não tinha mais tempo para se perder em devaneios. Levantou, correndo a língua dentre os lábios, sentindo sua boca ressecada. A abstinência do álcool logo lhe assombrava, mas por enquanto, deixou isso passar. Permitiu que seus pés o levassem em passos vacilantes até o toalete, onde poderia finalmente sentir uma boa dose de água quente caindo sobre seu dorso, o despertando para a realidade.

Estas eram horas em que o corpo de Rick o lembrava de sua idade, era como se ele pudesse sentir suas juntas roçando umas nas outras. Correu os dedos entre as mechas azuladas de seu cabelo, desta vez molhadas e esponjosas. Dentre os filetes de água que escorriam feito pequenas cascatas por seu rosto, sua mente divagava fora do azulejo das paredes. Novamente se pegou pensando em como Morty estaria agora, se havia ficado magoado, ou se faltaria à escola hoje. Talvez tivesse sido muito duro com o pequeno no bosque, mas no fim, este era seu jeito. Era duro com as pessoas para fazê-las aprender, e isso sempre lhe funcionou muito bem. As pessoas lhe tratavam assim, e foi assim que ele cresceu e chegou a se tornar professor. E para Rick, Morty tinha que aprender que o que sentia era um erro e o professor não faria parte dele. Talvez não sendo muito piedoso pudesse acabar com qualquer tipo de esperança que ele tivesse e as coisas poderiam seguir normais. Mesmo contudo enxergava muito potencial naquele Morty enquanto músico e nisso não poderia falhar em ajuda-lo.  

Por um breve momento, sua respiração falhou, quando as peripécias de sua mente trouxeram de volta à tona lembranças que Rick preferia esquecer. Quando o conheceu pela primeira vez, quando percebeu o quanto o menino se esforçava para melhorar, sua inquestionável obediência e dedicação, o quanto ele parecia feliz quando o dava atenção, até as pequenas falhas do mais novo ele pôde se lembrar. Com tantos pensamentos nostálgicos, puxou novamente o ar até seus pulmões, cobrindo o rosto com as mãos enquanto tentava se acalmar. Aquele menino estava fazendo-o ficar realmente sem controle dos próprios pensamentos, mas por que? Se até algum tempo atrás sua presença era tão sem importância como qualquer outro Morty... Tomou para si a maior quantidade de ar que seus pulmões poderiam suportar, soltando lentamente pelos lábios entreabertos, numa tragada no nada. Fechou os olhos. Inspira e expira.

Morty não era um problema, e Rick precisava se convencer disso. Tinha vários assuntos a serem resolvidos, maiores e mais urgentes, e deveria ocupar sua mente apenas com o que realmente importava. Lembrava de uma frase que lhe fora dita durante a infância: “O dia tem vinte e quatro horas. Tempo de menos para escrever uma ópera e tempo demais para fazer um soneto”. Era isso, não tinha tempo a perder. Tinha um longo dia pela frente e não queria desperdiçá-lo com suas próprias paranoias. Deveria aproveitá-lo da melhor maneira possível. Deveria cumprir seu papel.

Desligou a água, logo sentindo o ambiente gélido lhe arrepiar os pelos. Enrolou a toalha sobre a cintura, cobrindo sua nudez enquanto caminhava de volta até o seu quarto. Ele tinha que se controlar, não podia se perder em devaneios tão rápido, nem tão cedo. Pôs-se a ordinariamente começar a enxugar as gotas de água que se apegavam à sua pele. O carinho da toalha contra seu corpo, o frio lhe gelando a espinha, era nisto que precisava se concentrar. Isso era real. Preocupações eram apenas pré-ocupações. Deveria se concentrar no presente, e Morty não estava nele.

Foco, Rick. Pensou consigo mesmo. O que havia acontecido com Morty não era nenhum evento casual, mas mesmo assim, Rick sentia estar dando mais importância a isso do que realmente deveria. Talvez estivesse se importando mais do que o próprio garoto. Pela primeira vez percebeu que estava colocando alguém acima dos próprios problemas, algo que a muitos anos já não acontecia, por ninguém ser digno o suficiente de tirá-lo de seu eixo. O que teria ele de diferente dos outros que passaram por sua vida?

Vestiu seu corpo desnudo, ajustando impecavelmente o uniforme de professor em si, desde a bata longa que lhe cobria até os tornozelos até o lenço com o símbolo da escola lhe caindo sobre o pescoço. Penteou os cabelos de forma igualmente perfeita, dividindo as mechas milimetricamente no centro, até que não houvesse um único fio rebelde a levantar-se no índigo que cobria sua cabeça. Em sua mente, seguia seu próprio conselho: Não pense sobre isso. Deveria focar em sua rotina, e apenas isso. Seguindo-a, não teria tempo para se distrair em frivolidades, e tudo lhe correria bem.

Era incrível como as coisas fluíam quando as fazia da maneira correta. O banho de outrora lhe parecera uma eternidade, mas agora o tempo corria-o tão rápido que que já estava preparando seu café da manhã, ritual este que precedia sua ida até o trabalho. Despejava, com uma de suas mãos, a massa de panquecas sobre a frigideira, deixando que a outra se encarregasse de agarrar seu cantil, ocupando em abstê-lo de sua sobriedade. O cheiro de fritura pela manhã não lhe agradava tanto, mas fazia parte de seu sistema, além de que valeria a pena pelo resultado. Eram, sem dúvida, o ápice da sua manhã. O sabor nostálgico agregado com a levedura do álcool era o que lhe despertava. Ao terminar sua refeição, podia finalmente dizer que estava pronto para começar seu dia.

Pegou suas coisas apressadamente, caçando no molho de chaves pendurado ao lado da porta de entrada qual delas lhe daria a tão esperada liberdade. Estava apressado, mais do que o normal, como se fugisse de algo. No fundo, ele realmente estava fugindo, mas parecia que quanto mais seus pés corriam, mais inútil era seu esforço já que o que fugia estava dentro de si mesmo e não fora.

Quando finalmente espetou a chave dentro da fechadura, foi como se a trava em sua mente girasse simultaneamente, ligando o motor que dava estopim a pertinácia que tinha contra si mesmo, pensando o que não devia mesmo quando não queria. Seus pensamentos voltaram para o garoto, e Rick novamente sentiu a culpa pesar em seus ombros. Estava parando de raciocinar com a razão e começando a pensar com a emoção, e isso era deveras perigoso para alguém que como ele, por anos manteve sempre a cabeça no lugar e o coração fechado, lacrado e sem sentir. Isso podia ser um grande impecílio para sua ordem, então começava a imaginar rotas de escape, que talvez pudessem ter feito a situação melhor. Uma resposta menos fria e desconversada, ações menos calculadas, menos rapidez em fugir dali, talvez quem sabe até um sorriso de canto de boca teria impedido de fazer o menino esvair-se em lágrimas. Como pôde ser tão apático?

Não, não era isso que lhe incomodava ― não num todo ― mas sim sua própria vontade de fazer diferente. Algo dentro dele estava mudando. E o Morty havia sido o estopim pra isso ocorrer, por mais que ele resistisse em aceitar.

Não deixou que aquilo o dominasse. Não tinha tempo para isso, tinha que trabalhar. Era hora de ser um profissional, postura da qual ele jamais vacilava. Entrou no carro, deu a partida, e assim prosseguiu, trafegando pelas ruas da cidadela, cuja paisagem parecia imutável, cheia de homólogos seus e outros que lembravam muito o menino que tentava inutilmente esquecer. Estacionou logo na frente da escola, verificando no relógio sua pontualidade impecável. Bem no horário, como sempre, sem falhas.

 

Antes mesmo de entrar na sala dos professores, já podia escutar as risadas escandalosas e o estardalhaço embriagado matinal, provocado pelo grupo de funcionários, que mais lhe parecia uma corja de crianças. A diferença que piorava tudo era que crianças não bebem e aquelas ali já pareciam bastante alteradas. Soltou um suspiro cansado antes de abrir a porta, se deparando com professores e funcionários, bebendo e gargalhando, reclamando de seu próprio trabalho. Mal haviam notado sua presença, e Rick zelava para que prosseguisse assim.

― Hey, cara! ― Virou o olhar impassível para um colega de trabalho em especial, que sentava á mesa, sinalizando para um assento vazio ao seu lado. ― Eu guardeEEEUGH- guardei um lugar pra você.

Revirou os olhos, se vendo sem escapatória. Era o tipo de contato que preferia evitar, mas que acabava o alcançando cedo ou tarde, não importa o quanto ele corresse. Esta era a parte difícil de seu dia, com a qual ele tinha que lidar.  Aquele Rick, diferente dos demais, parecia ter uma insistência especial em manter laços com ele, em fazê-lo se sentir querido no ambiente de trabalho hostil, não importava o quando seu comportamento em resposta fosse frio ou seco. Não era nenhuma novidade. Todos os dias, sem exceção, Rick sabia que teria um lugar reservado na sala dos professores ― Lugar que ele nem ao menos faria questão de frequentar, se não precisasse das chaves que davam acesso à sua sala.

Tirou do bolso o cantil, degustando o licor que caia entre seus lábios, deixando que o álcool mantivesse sua mente sã. Os barulhos irritantes se tornaram um mero eco ao fundo de seus pensamentos, fazendo seu corpo relaxar sobre a cadeira, como se não tivesse mais peso em suas costas. Apertou os olhos, piscando algumas vezes antes que tudo voltasse ao normal. Sabia que aquilo era um maldito vício, mas mesmo tão correto, não conseguia lutar contra ele.

Suspirou cansado, ajeitando com os dedos os cabelos azulados. Não estava se sentindo confortável, nem um pouco. Estava pronto para levantar e ir embora, quando escutou outra frase que lhe foi dirigida. Esta, sim, lhe interessava.

― A sua sala vai estar pronta depois de amanhã, provavelmente. Você sabe como Ricks são preguiçosos.

Se conteve, continuou sentado, e por um breve momento, sentiu-se aliviado. Logo poderia voltar para sua sala de música, onde poderia novamente tocar e lecionar. O ambiente de trabalho era frustrante, quase como o inferno, e salvo pelos momentos onde podia se dedicar a propagar sua arte, não tinha razão para estar ali excerto sua responsabilidade legal. Dois dias, era tudo o que teria de aguentar. Sorriu aliviado ao pensar nisso.

Seus pensamentos voltaram-se para Morty, o mesmo Morty que lhe atormentava em sua mente durante a manhã. Daqui dois dias além de sua vida como professor voltar, seus encontros com seu pupilo também retornariam consequentemente. Por um segundo assustou-se com essa possibilidade. Como o pequeno estaria passando? Deveria informa-lo sobre a sala agora ou esperar até o último minuto? Deveria evitar falar qualquer coisa sobre o dia anterior? Será que ele voltaria a ter aulas com ele mesmo depois do ocorrido? Como conseguiria olhar em seu rosto sabendo o tanto que deve tê-lo feito sofrer?

Deveria pedir desculpas?

Não conseguia ao menos entender o motivo de sua preocupação. Como um merdinha iludido de catorze anos conseguia mexer com sua mente daquele jeito, mesmo com os dois mal se falando em tanto tempo? Havia ficado louco, insanidade parecia ser a única solução plausível. Estava realmente se perdendo? Se desvirtuando? Sentia-se um tolo e seu sorriso imediatamente se desfez.

Não, talvez ele não estivesse se perdendo. Talvez ele estivesse se encontrando.

― Rick? ― Virou o olhar, encarando o colega de trabalho. ― Você está me ouvindo?

Suspirou pesadamente, contente por ter sido tirado de seus próprios devaneios. Se desculpou educadamente, pedindo para que o colega prosseguisse com a fala, mesmo que não estivesse prestando atenção.

― Bem, isso também significa que você está dispensado de suas obrigações profissionais como professor de música até que ela fique pronta, entendeu? ― Às vezes, até mesmo os Ricks assumiam também um linguajar mais formal no ambiente de trabalho. Às vezes.

                A palavra dispensado martelou mais um tempo em sua mente. Não podia ser verdade, tinha dois dias de... como chamam mesmo?

Folga.

                ― Aproveite sua folga, imbecil. ― Disse o Rick sorridente, como se o professor tivesse ganhado na loteria por ter dois dias livres.

                Rick, como foi informado, percebeu que não tinha sentido que permanecesse ali rodeado de animais. Poderia finalmente se ocupar com outras tarefas incompletas que tinha acumulado em algum tempo de dedicação incondicional ao trabalho. Por mais que fosse correto ele também não era perfeito, tinha noção disso. Saiu da sala sem ao menos despedir-se do companheiro que sempre guardava seu lugar. Pensava em muitas maneiras de manter a mente ocupada para não pensar em Morty nesses dois dias de ociosidade. Até estava ansioso com isso.

                Ainda perdido em pensamentos olhou em seu relógio. Gastou algum tempo não muito prazeroso naquela sala e pelas suas contas deveria ser o final do primeiro tempo de aula e os Mortys logo invadiriam o corredor onde ele se encontrava para trocarem de sala com destino as suas respectivas matérias do segundo tempo. Sabia que no fundo poderia encontrar-se com seu Morty, caso ele tivesse ido pra aula, e nem saberia. Pensando nessa possibilidade apressou-se para a saída mais próxima antes que algo acontecesse.

                Ao passar pelas pesadas portas da escola percebeu que um Morty, um apenas estava sentado mais adiante, fora da sala de aula. O que estaria fazendo ali sozinho? Ainda por cima matando aula... Ponderou sobre aproximar-se, e por mais que sua natureza fosse curiosa, decidiu que não o faria. Seguiria seu caminho sem interrupções. Estava certo disso até que pensou que aquele ali poderia ser seu aluno. Seu coração, ou o lugar onde ele deveria estar, pareceu receber uma pontada. Seria culpa?

                Decidiu que daria a volta no lugar onde ele estava para poder vê-lo de frente, mas sem ele perceber sua presença, claro. Despretensiosamente andou ao redor do menino. Ao chegar mais ou menos ao seu lado, respeitando mentalmente uma distância que para ele era segura atrás de alguns arbustos. Assim ele pode perceber que ele estava de cabeça baixa, os joelhos junto do corpo e seus ombros balançavam lentamente, como pequenos espasmos. Aquele Morty estava chorando.

                Rick franziu o cenho não compreendendo por que ele estava sozinho e chorando. Ele soluçava dolorosamente, como se algo o estivesse sufocando. O professor poderia jurar que já havia ouvido algum choro parecido com esse, não conseguia se lembrar onde. Mortys choravam todos do mesmo jeito, talvez fosse coisa de sua cabeça. Pegou seu cantil novamente esperando ver alguma reação do menino, se ele voltaria para a escola, ou iria embora. Não pode negar que ficou sentido com aquilo. Por mais que ele tivesse chorado muitas vezes sozinho quando mais novo, aquilo estava mexendo com ele, ainda mais o fato de não poder se aproximar.

                O Morty em questão abaixou as pernas e abriu os olhos olhando para o nada em sua frente. Seu rosto era horrível, olheiras profundas, um cabelo que não deve ter sido penteado e um nariz vermelho e inchado do choro, que contrastava com sua camiseta amarela. Com mais um soluço sem ar, ali Rick teve certeza, aquele era o seu Morty. Seu aluno que estava naquele estado deplorável. Suas paranoias concretizaram-se. Morty agora era um problema.

                Seus olhos arregalaram-se e mentalmente agradeceu por ele não conseguir vê-lo. Quase derrubou seu cantil, tamanho foi o choque. Ficou paralisando enquanto ele levantava-se sem muita vontade, pegava sua mochila limpando os olhos rapidamente e rumava para o lado oposto de onde ele estava, provavelmente para o local onde os Mortys ficavam. Ele ainda soluçava e fungava baixinho, cabeça baixa e mão nos bolsos, como se não quisesse que o mundo soubesse que algo doía dentro dele.

                Rick ficou petrificado na posição que estava, não conseguiu reagir. Algo dentro dele gritava para ir atrás do menino ― por que ele estar como estava era culpa sua ― enquanto outra voz berrava que o problema não era dele e ele não devia intervir. Estava realmente ficando louco... Era assim que a razão e a emoção brigavam entre si? Não era algo bonito de se ver, menos ainda de vivenciar. Ainda em choque rumou até seu carro, incerto se conseguiria dirigir de volta a sua casa sem mais interrupções. Fechou os olhos, apertando as pálpebras com força, escutando a própria respiração ofegante. Com certeza, seria um dia daqueles.


Notas Finais


Eu avisei.

Xoxo


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...