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História O som ao redor. - Capítulo 9


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Notas do Autor


é isso, voltei.
mesma dinâmica de capítulos, mas agora em formato diferente.

Capítulo 9 - Alyanndra III


Alyanndra

 

Nada enxergava além de um grande campo gramado onde seus pés bambos pisavam, seus ouvidos tampouco escutavam algo além de um longo zumbido que a deixava zonza. Demorou a se recobrar de seus sentidos até entender que tinha acabado de matar uma pessoa, que a quilômetros dali uma mãe chorava vendo um filho ser assassinado em rede nacional. “Por mim”, Alyanndra pensou, “Eu que o matei!”.

Ainda paralisada, sentiu um braço puxar-lhe com tanta força que sequer relutou em segui-lo.

—Alyanndra! — Gritou uma voz no fundo da sua mente. Era Bianca — Siga eles dois. Eu cuido dela.

“Dela quem?” se questionou. Rapidamente olhou para o lado e viu um tributo feminino se aproximando de Bianca, carregava uma espada consigo. Correu para a floresta com Andrey, aliado de Bianca; e com Alexandre, seu parceiro de distrito. De relance viu poucos detalhes do confronto das duas, mas pouco tempo depois Bianca adentrou na mata com eles, e ainda muito suja de sangue revelou ter matado a garota.

Depois de tantas alegorias, jantares e pessoas sorrindo, foi ali que a garota se deu conta de que o verdadeiro entretenimento da capital tinha começado: a matança. Era surreal ainda para Alyanndra assimilar toda a situação.

Correram até uma caverna próxima da cornucópia e resolveram se esconder até que o banho de sangue terminasse.

— Eu matei dois — Revelou Andrey. — Uma menina e um menino.

Alexandre rapidamente se encolheu na rocha fria. Alyanndra supôs que ele não tivesse matado ninguém, mas achou indelicado perguntar.

— Eu não sei como eu matei aquele menino — Revelou. ­— Tava tão nervosa tentando achar o Alexandre ou vocês dois. Fiquei muito vulnerável ali.

Bianca revirou os olhos e limpou o sangue de sua faca.

— Vai precisar ser mais forte pelos próximos dias, não vou poder te proteger sempre.

Em circunstâncias normais Alyanndra teria se ofendido, mas concluiu que seria um desperdício de energia debater com seus aliados naquele momento. Ficaram em silêncio por vários minutos, ouvindo o canhão soar e mais jovens serem mortos.

Aproximou-se de Alexandre e viu que o amigo carregava duas mochilas de suprimentos. Sorriu gentilmente e tocou seu rosto. Sabia que ele dificilmente mataria alguém ali, mas mesmo assim seu esforço para protegê-la era louvável.

— Peguei pra gente — Disse ele sorrindo. — Tem comida aí, algumas cordas, sacos de dormir, uma garrafa de água vazia, uns dardos e duas facas que eu peguei na cornucópia.

Doía tanto vê-lo sorrir, não conseguia esquecer-se das palavras proferidas por Snow no gabinete. Apertava seu peito só de pensar em matar Alexandre, era algo que jamais imaginara ter que fazer.

 “É uma prova de fidelidade”, sussurrou Snow em seu ponto eletrônico. Alyanndra disfarçou o pânico.

— Quero pegar um ar. — Disse para o amigo. —Me espera aqui com eles, vou ver se o perímetro tá seguro também.

— Cuidado lá fora. Qualquer coisa grita.

Saiu da caverna e ouviu pássaros cantando. A mata era densa e de difícil acesso, estavam perfeitamente escondidos ali.

— Me explica — sussurrou, tentando não ser captada pelos microfones ou câmeras. — Por que eu?  Por que matar ele? Não era mais fácil simplesmente nos por nos jogos onde alguém nos mataria e eu não teria que trair a confiança de quem eu mais amo?

Sabia que Snow escutava-a e que responderia, era questão de tempo.

Seria fácil demais lhe pedir algo sem que você me provasse ser corajosa antes.”, sussurrou Snow em seu ouvido, Alyanndra arrepiou-se de medo. “Exigi que todos os escolhidos tivessem vínculos com seus parceiros de distrito, e os que não tivessem teriam uma aproximação favorecida pela Capital. Pense querida, matando-o me prova que merece as regalias propostas. Veria sua família sem sequer precisar ganhar.

— Mas a que custo? ­— Alyanndra chorava.

Tem até amanhã para pensar. Dei a Andrey e Bianca ordens para protegê-la, não morrerá até que eu queira. Só não se esqueça de sua família, querida. Sabe o que acontecerá se não seguir cada passo que eu disser.

Bamba, Alyanndra caiu aos prantos em uma arvore próxima de si. Precisava voltar para a caverna, mas estava sem condições de pôr-se em pé. Relutante, levantou e caminhou até o local.

Ainda atordoada, ouviu passos e galhos quebrando. Levantou seu facão e viu uma menina de no máximo 13 anos sair dos arbustos.

—Calma — Disse ela. — Não me mata. Tô fugindo da menina do D1, eu não quero te machucar.

E como machucaria?” pensou, devia ter o dobro de altura da garota. Hesitante, Alyanndra abaixou o facão.

— Quem é você?

— Eduarda. Distrito 12.

— Alyanndra. Distrito 3.

— Eu sei.

Alyanndra franziu a testa.

— Sabe?

— Vi você no teste — A garota sorria, tinha uma cicatriz na testa que sangrava. — Teve ótimas notas, não teve? Todos só falavam de você.

Alyanndra sorriu. Viu bondade na menina e um carinho que há dias não lhe era dado. Sentaram por alguns minutos e conversaram sobre suas vidas em seus respectivos distritos. Sabia que não deveria estar ali, passou muito tempo distraída com a conversa e seus aliados provavelmente já estariam preocupados. Pensou que por estar perto da caverna não houvesse perigo, afinal, o próprio presidente acabara de lhe confirmar o óbvio: Bianca e Andrey eram seus guarda-costas.

Curiosamente, adormeceu ao lado da garota depois de muito conversarem.

Após alguns minutos, porém, sentiu um corpo jogar-se contra o seu e uma faca tocar sua garganta. Era Eduarda.

Alyanndra debateu-se desesperada, a garota parecia agora pesar o dobro de antes, seu facão estava longe e não fazia ideia de como se defender, sequer sabia a motivação do atentado.

— Acha que eu não vi, 3? — Gritou Eduarda, pressionando a faca em sua jugular. — Você matou o Gustavo. Não matou, vadia?

— Eu precisav... — Tentou gritar, mas sua voz não saía. — Eu não sab... — Tossiu. — Que ele er...

— O que você fez já está feito — Eduarda cortou o braço de Alyanndra, a garota gritou quando sentiu a lâmina lhe perfurar. — Sei que você é a protegida do Snow — Furou seu lábio. — Mas quero eu mesmo te matar, e vai ser agora.

Em um estrondo, viu uma silhueta cruzar o campo onde as duas lutavam. Eduarda tentou olhar para trás, mas antes que pudesse se defender, a sombra bateu tão forte em sua cabeça com uma rocha que a garota caiu atordoada.

Rastejando, a sombra terminou o serviço e bateu mais 5 vezes com a rocha sob a cabeça da garota. O canhão soou, Eduarda tinha morrido.

 Ainda em choque, Alyanndra se levantou para ver o rosto de quem a salvara. E para sua surpresa, não era Andrey, muito menos Bianca.

Era Alexandre.

 

 

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