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História O som do teu amor - Capítulo 3


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Notas do Autor


eu demorei um pouco mais com esse cap, mas, bem, ele está aqui!
eu não escrevo nada com tensão sexual há muuuuito tempo (eu tive um burnout com esse tipo de au depois da minha fic na outra conta), então talvez nem tenha ficado tão bom? anyway, vamos ler o cap

Capítulo 3 - Capítulo Três


“Jiang Wanyin? Você está me ouvindo?”

Demorou um certo tempo para Jiang Cheng piscar de volta para a realidade e de repente notar que estava parado no meio do pátio encarando o céu nublado que parecia cada vez mais fechado. Ele não normalmente perdia o foco dessa forma, mas desde que passou a falar com Xichen sempre acabava perdido em certos pensamentos acerca de besteirinhas que ele não deveria alimentar. Sabia que a culpa dessa nova mania não era exatamente do outro, mas não conseguia evitar dizer a ele que talvez toda sua falta de jeito fosse contagiosa e que por causa disso mal conseguia prestar atenção nas coisas à sua frente. 

Quando direcionou seu olhar a Xichen, logo notou que ele não era o único que o fitava curioso. Várias pessoas em volta deles, que provavelmente ou conheciam sua fama de mal educado ou conheciam a bondade do Lan, os encaravam ligeiramente nervosos. Com um suspiro cansado, Jiang Cheng arrumou sua franja atrás da orelha e ignorou as pessoas, passando a andar em direção ao seu bloco com Xichen logo atrás. Ele tinha dito ao mais velho para que eles não se falassem muito na faculdade — mais porque isso traria uma má fama para ele do que qualquer coisa, mas não que fosse admitir tal preocupação —, entretanto acabou percebendo muito cedo que Lan Xichen era tão teimoso quanto si, portanto não adiantou de nada.

“O que você quer?” perguntou assim que estavam longe o suficiente, colocando as mãos no bolso.

Por algum motivo, Lan Xichen se espantou ao ser dirigido a palavra por Jiang Wanyin. O quê? Ele achava que o mais novo não tinha o percebido sua presença? Era quase impossível deixar de notar um cara extremamente alto e bonito assim caminhando atrás de si, ainda mais alguém completamente desastrado como ele. Xichen podia não notar, mas pisava ligeiramente duro toda vez que andava e os chaveiros em sua bolsa faziam um som engraçado quando se encontravam, quase como uma melodia tirada diretamente de um personagem fofo que ele veria em algum jogo ou algo assim. Toda vez que perambulava pelos corredores, quando queria saber se ele estava por perto, bastava se atentar ao som dos chaveiros. De certa forma, era o som deles que o mantinha tão focado no mundo real quando precisava de uma âncora longe de seus pensamentos. 

Se o seu amor pudesse ser ouvido, qual som o seu faria?

“E-Eu queria saber se você não quer jantar lá em casa hoje?” Lan Xichen perguntou ao alcançar seu passo.

Jiang Cheng o fitou com uma sobrancelha erguida em dúvida, quase como se estivesse questionando a sanidade do mais velho. Eles estavam nessa relação bagunçada há um tempo agora, mas ainda não pareciam realmente próximos como as pessoas normalmente ficam depois de um mês. Enquanto Lan Xichen era provavelmente a única pessoa da faculdade que Jiang Cheng não imediatamente empurrava para longe ao falar com ele, isso não automaticamente significava que eles eram amigos — até porque, novamente, o mais novo não achava seguro colocar esperanças em absolutamente nada que já tivesse sido meramente contaminado com a sua presença. Não que as respostas curtas ou esquivas nada sutis empurrassem para longe Xichen, mas o mais velho precisava admitir que no começo desse relacionamento deles às vezes sentia-se desencorajado.

Felizmente, por sorte do destino ou não, Lan Xichen começou a notar que certas respostas do mais novo eram simplesmente mecanismos de defesa para esconder a vergonha ou a felicidade. Por algum motivo, Jiang Cheng não se permitia aproveitar totalmente das coisas boas oferecidas, ora reagindo terrivelmente desconfiado, ora negando de forma grosseira qualquer coisa. Perceber isso o deixou um pouco triste, mas também o impulsionou a ser mais direto e mostrá-lo com clareza que não, Lan Xichen não queria se aproveitar de um momento de fragilidade dele ou, não, que Lan Xichen não achava que ele merecia ficar se odiando por coisas que já tinham acontecido. Jiang Cheng era uma pessoa complicada e nunca escondeu isso, ele só não esperava que Xichen procurasse entendê-lo.

Também foi de grande ajuda que ele por acaso se encontrou com Wei Wuxian ao acompanhar Jiang Cheng para casa e eles trocaram algumas experiências. Apesar de Wuxian ter uma personalidade completamente diferente de Wanyin, ele era capaz de entendê-lo — provavelmente porque o conhecia desde muito novo e era família —, e cada coisa que Xichen o contou passou a aumentar cada vez mais o sorriso no rosto do homem mais novo que si. Mais tarde, quando perguntou porque ele ficou tão feliz por todas as tentativas falhas de Jiang Cheng de empurrá-lo para longe, Wei Wuxian apenas riu e contou que seu primo provavelmente não o queria longe de forma alguma, mas também não tinha o egoísmo necessário para pedi-lo para ficar perto. 

“A-Cheng sempre vai ser assim. Quando ele fica bêbado e deixa tudo cair, costuma dizer que é alguém amaldiçoado, que as pessoas não podem ficar perto dele muito tempo ou vão ser infelizes e todo tipo de coisa depreciativa.” Wei Wuxian suspirou, parecendo soturno apesar do sorriso no rosto “Não entenda mal esse sistema de proteção dele, se meu primo realmente não te quisesse por perto, acredite, ele teria deixado tão claro que você não iria ousar se aproximar. Mas com você ele faz o quê? Reclama e faz bico? Isso é coisa de criança, Xichen-ge, não leve a sério. Se ele não gostasse de você, então por que te deixaria levá-lo para todos esses lugares, ou mandar mensagens demais…” Xichen corou levemente com a insinuação, fazendo Wuxian rir “Ainda restam alguns muros pra você derrubar, mas A-Cheng é… Ele é uma pessoa incrível, ele só não consegue ver ainda.”

De certa forma, ele apenas disse o que Lan Xichen já sabia, mas ouvir de uma pessoa realmente próxima de Jiang Cheng tudo isso o fez ficar sorridente pela semana inteira, coisa que certamente foi notada pelo próprio — mas, porque talvez soubesse que perguntar o deixaria envergonhado, preferiu ignorar completamente. 

“Hum… Jantar na sua casa?” repetiu, confuso. Lan Xichen apenas assentiu “Você finalmente cansou de mim e quer me matar? Eu bem desconfiei que seria por veneno. Muito elegante, muito sexy...”

Lan Xichen fez uma careta.

“Sim, Jiang Wanyin, um convite formal para o seu assassinato. Você prefere peru ou lagosta?” resmungou, vendo-o soltar um risinho “Eu posso não cozinhar como você, mas certamente sei fazer algo gostoso.”

“Se você diz.” murmurou, sua expressão se tornando mais relaxada ao que o fluxo de pessoas foi diminuindo conforme avançavam no bloco “Você vai me servir álcool?”

“Por quê? Acha que não aguenta minha presença muito mais tempo sóbrio?” retrucou, ainda que, no fundo, torcesse para que não fosse isso.

Foi a fez de Jiang Cheng fazer uma careta.

“Esse pessimismo repentino todo... Você puxou de mim? Eu realmente sou uma influência terrível em você. As pessoas fariam fila para comer um ovo que você fritou no asfalto e o prestigiado Lan Xichen diz que sua presença é intolerável, o quão engraçado!” rolou os olhos “Eu perguntei porque eu posso levar um vinho, se você beber.”

“Ah…” assentiu “Você poderia ter sido mais claro.”

Jiang Cheng fez um som insatisfeito, algo como um ‘tsc. Lan Xichen notou muito cedo que ele nunca permitia ninguém falar mal de si mesmo, mas quando era com ele, oh, Jiang Cheng tinha muito a falar se o assunto era degradar sua própria pessoa. 

“Mil perdões, sua majestade, meu nível de comunicação social é extremamente baixo porque, não sei se vossa senhoria percebeu, eu tenho literalmente um amigo.” fitou-o com impaciência.

“Esse amigo seria eu?” perguntou Xichen, os olhos ligeiramente arregalados.

O mais novo o fitou imediatamente, logo fazendo uma expressão meio irritada, as orelhas super vermelhas. Ele soltou um som de insatisfação pessoal, andando na frente. Lan Xichen reprimiu um sorriso, correndo para alcançá-lo.

“Eu não tenho costume de beber, mas, se você quiser, pode levar o vinho.”

“Tem certeza? Eu posso levar suco de caixinha também, para paladares mais refinados como o seu.” resmungou, ainda envergonhado.

Xichen riu “O vinho está ótimo.” checou seu relógio, suspirando “Eu tenho que ir, minhas aulas começam daqui alguns minutos. Eu vou te mandar uma mensagem mais tarde com o endereço, certo? Você pode ir lá pra casa às sete.”

Jiang Cheng assentiu como confirmação, vendo-o acenar e sumir pelo corredor. Quando Lan Xichen já estava longe, o homem soltou um suspiro, tentando ignorar a sensação quentinha dentro de seu peito ao vê-lo tão sorridente.

***

“Ei, sinta-se em casa.” Xichen sorriu, abrindo a porta e aceitando a garrafa de vinho assim que ela foi empurrada em seus braços. Ele inspecionou o rótulo, mas honestamente entendia muito pouco sobre bebidas alcoólicas, então não iria saber se a marca era cara ou algo assim “Obrigado pelo vinho.”

“Cortesias da vida.” Jiang Cheng meramente murmurou, tirando seus sapatos antes de entrar na casa do mais velho.

Era um apartamento grande o suficiente para uma pessoa, mas por causa de sua mobília mais minimalista e espaço bem planejado parecia um lugar bem mais sofisticado e limpo. As cores predominantes eram branco e um azul bem claro, combinando com os móveis de madeira que complementavam o espaço de forma a deixá-lo mais aconchegante. Não que Jiang Cheng realmente tivesse bons exemplos para ensiná-lo sobre decoração, afinal seu apartamento com Wei Wuxian parecia uma boca do inferno com todos os experimentos que ele fazia pra lá e pra cá, entretanto ele já tinha perdido tempo no Pinterest olhando fotos de quartos dos sonhos, o que lhe dava uma ideia geral do que era esteticamente aceitável e do que certamente não era. 

De alguma forma cada pedacinho daquele apartamento gritava Lan Xichen, como se ele fosse uma extensão do lugar, uma forma ambulante daquele espaço. Era engraçado pensar que o homem refletia tanto a sua casa, ao aconchego do seu lugarzinho no mundo e como isso o fazia vê-lo de forma muito mais convidativa. Se isso se aplicasse a si também, não queria nem imaginar como as pessoas o viam — alguém bagunçado, com cheiro de café e bitucas de cigarro.

“Nota para decoração da casa?” Xichen perguntou, sorrindo. Só então Jiang Cheng notou que estava encarando o lugar em silêncio.

“Sete de dez só porque não tem nada roxo.” acompanhou-o até a cozinha, vendo Xichen manear a cabeça para trás, rindo abertamente.

“Azul claro é minha cor favorita, Jiang Wanyin, mas se você prometer que vai aceitar outro convite para vir aqui eu coloco algo roxo.” o fitou com um sorrisinho, fazendo o outro rolar os olhos, sem jeito.

Sutil.” disse apenas, observando-o rir novamente.

O cheiro de comida vindo da cozinha era agradável, fazendo Jiang Cheng inconscientemente sorrir minimamente. Lan Xichen o dissera inúmeras vezes que não era um bom cozinheiro, mas o mais novo acreditava que não havia nada que ele não pudesse fazer se colocasse um pouco mais de esforço do que o normal. Admirava-se, entretanto, que ele ainda não tinha colocado fogo em nada, afinal pelas histórias que ouviu Xichen realmente não era uma pessoa muito acostumada a fazer tarefas domésticas. Bom, pessoas perfeitas não existiam, Jiang Cheng realmente não soube porque ficou tão chocado ao ouvir que ele não tinha muito talento quando se tratava de cozinhar ou colocar as roupas para lavar.

Talvez por Lan Xichen ser muito gentil e inteligente, ou por ele ser muito paciente e prestativo, ou talvez até fosse o sorriso terno e os olhos doces, mas Jiang Cheng tinha certa imagem dele que estava em constante destruição ao que se aproximaram. Claro, sabia que ele era alguém desajeitado por natureza, as pessoas sempre comentavam pelos corredores o quanto ele tinha historinhas engraçadas sobre tropeções ou afins, contudo nem mesmo isso fora capaz de deixá-lo com uma impressão diferente do que a que todos viam: que ele era o cara perfeito, o homem dos sonhos. Agora que eram ligeiramente próximos, entretanto, percebia os vários defeitos de Lan Xichen que por algum motivo não realmente o tornavam odiável ou simplesmente ruim — era como era, uma parte dele, algo que não fazia sentido tirar porque o completava.

E Jiang Cheng aceitava cada um deles, mesmo os irritantes. E, bom, isso era algo esquisito para si, afinal ele sempre teve um pavio curto e geralmente os outros o perturbavam muito facilmente com suas manias desgastantes. Suscetível a raiva, um dos seus maiores defeitos. Mas Lan Xichen não o irritava. Lan Xichen apenas sorria, pedia desculpa e tentava melhorar, uma energia pura que realmente queria o melhor para todos em volta.

“Você tem essa regra de não falar enquanto come, não é?” questionou antes de começarem a se servir. Xichen assentiu, sorrindo um pouco preocupado. Com um suspiro, Jiang Cheng assentiu “Não me olhe assim, eu não estou aqui pra reclamar dos seus costumes na sua casa. Perguntei pra não ser mal educado.”

O mais velho sorriu verdadeiramente dessa vez, parecendo satisfeito "Jiang Wanyin é tão prestativo.”

Shhh.” resmungou “Sem falar, lembra?”

Xichen apenas riu, assentindo “Certo, certo.”

Lan Xichen o trazia um sentimento de pertencer que Jiang Cheng achava intoxicante. Alguns minutos na presença do mais velho e sorrir não se tornava tão difícil assim.

Eles jantaram em silêncio, aproveitando da comida que felizmente Lan Xichen não tinha queimado ou algo do tipo. Não era nada refinado ou extremamente chique, mas, honestamente, talvez foi justamente por isso que Jiang cheng gostou tanto da comida — quando feito com carinho e dedicação, tudo podia ficar perfeito. Yanli era a que mais vivia por esse lema em sua família, colocando esforço em cada coisa que fazia, em cada relacionamento, cada momento de sua vida; era por isso que Jiang Cheng sentia que era impossível não amar alguém como a sua irmã, uma pessoa bondosa de coração e alma. Só naquele momento, ao ajudar Xichen a colocar as louças na pia depois de terem terminado de jantar, que notou o quanto eles dois eram parecidos. Eles o passavam a mesma sensação de segurança, de ser cuidado por alguém realmente bom.

Depois de convencer Lan Xichen que iria lavar a louça ele querendo ou não, provavelmente tendo facilidade nisso ao ter elogiado a comida várias vezes, o deixando tímido, Jiang Cheng retirou sua jaqueta de couro e a colocou em cima da cadeira em que estava sentado, puxando as mangas de seu casaco de manga comprida para elas não molharem. O mais velho ficou ao seu lado, fitando seu braço tatuado com curiosidade. O deixou fazer isso por quanto tempo ele sentisse necessário, notando que entre eles agora já não havia mais a necessidade de conversar para manter o espaço. Eles estavam confortáveis um com outro, sim. Isso soava tão absurdo para Jiang Cheng quanto o fato dele deixar Xichen o encher o saco todo dia com todas as mensagens que ele mandava narrando como fora seu dia, o que fez ou deixou de fazer e como conseguiu outro machucado no dedo.

“Você tem mais…?” ele questionou baixinho, tocando seu braço com sutileza.

Os dedos quentes de Xichen tracejaram sua pele com cuidado, como se ele tivesse medo de quebrá-lo em pedaços se agarrasse muito forte.

“No quadril, nas costelas.” assentiu, não fitando-o. Por algum motivo, mesmo que a pergunta fosse pessoal demais, Jiang Cheng deixou-se responder “E na coxa.”

Xichen assentiu, as orelhas levemente avermelhadas. Jiang Cheng sorriu de lado ao ver a reação de certa forma tão inocente dele, envergonhado por uma insinuação, por algo que sequer tinha visto. Apenas para não deixá-lo curioso — afinal, sabia que ele ficava ansioso quando era privado de certas coisas, exatamente como uma criança —, levantou seu casaco de forma que ele pudesse ver a tatuagem na costela. Era uma pena preta simples, com o jeito minimalista de todas as suas outras tatuagens e alguns detalhes em roxo, sua cor favorita. Timidamente, como se nunca tivesse sentido outra tez quente como a sua contra os dedos, Xichen tracejou o desenho como se ele estivesse cravado em uma obra de arte impecável. O olhar tão complacente fez Jiang Cheng perder uma batida em seu coração, a respiração mudando ligeiramente o passo.

“Segura o casaco.” pediu baixo, vendo Xichen assentir, os olhos agora tão escuros encarando-o com obediência.

Abaixou ligeiramente sua calça e cueca, mostrando a tatuagem no quadril. Era um desenho de linhas bagunçadas que formavam duas pessoas, dois corpos enrolados, juntos como um. Era a representação do contato que ele sempre desejou desde adolescente, de ter alguém o segurando pelo quadril e marcando os dedos em cada pedaço de pele possível apenas para ele admirar no dia seguinte e ficar suspirando. Jiang Cheng certamente era mais carnal do que emocional, ao menos no lado de fora. Ele se envolvia em uma noite e deixava o corpo falar de saudade, apenas para no dia seguinte ir embora e voltar a se reprimir em uma mente que apenas tinha memórias capazes de prendê-lo mais ainda. Sua liberdade era ilusória e sufocante. Mas Lan Xichen tornou-se uma presença constante em sua vida e ali estava Jiang Cheng deixando vê-lo cada parte de si.

Se isso não era fragilidade, Jiang Cheng não sabia mais como poderia deixar claro que já estava fadado a se machucar no momento que decidiu que precisava salvar Lan Xichen de um futuro onde ele não estava mais presente.

“É tão lindo…” o mais velho sussurrou, tocando timidamente, o mero passar de dedos causando arrepios em Jiang Cheng.

Às vezes ele se perguntava se tinha salvado Lan Xichen porque ele merecia uma chance de estar vivo ou se era porque Jiang Cheng gostava de vê-lo segunda de manhã na aula que compartilhavam dando-lhe um bom-dia sorridente mesmo que nunca respondesse.

Wanyin.”

Às vezes concluía que era por causa dos dois motivos. Em outros dias, se achava muito egoísta e pensava que tinha feito tudo por causa de si mesmo.

“De novo…” sussurrou, fitando Xichen com os olhos igualmente escuros, a boca seca “Diz meu nome de novo.”

Era sempre Jiang Wanyin. Era sempre formal. Mesmo que Jiang Cheng dissesse que não era problema, Lan Xichen sempre o chamaria de Jiang Wanyin. Ele nunca percebeu como isso era mais uma barreira entre os dois.

Wanyin.” Xichen se aproximou, apertando seu quadril, roubando um suspiro surpreso seu “Wanyin, Wanyin, Wanyin…”

Jiang Cheng nunca sentiu o aperto no coração por alguém chamá-lo pelo nome de cortesia, mas Lan Xichen sempre fazia tudo parecer muito importante, especial e íntimo. E ele estava tão perto agora, o calor de seu corpo irradiando em direção ao de Jiang Cheng, envolvendo-o com tanto cuidado que era quase pecaminoso como seus olhos ficavam voltando para o pescoço dele e cada pedaço que ele poderia beijar. Não tinha notado até então o quanto podia se tornar refém de sua atração, de como ela facilmente o intoxicava dessa forma. Claro, com Lan Xichen sempre teve a parte carnal — ele prestava atenção na beleza alheia, como o físico dele era atraente, como os toques eram confortáveis contra seu corpo; a atração sempre esteve ali, mas Jiang Cheng a enterrou com suas preocupações.

Naquele breve momento de fragilidade, no segundo que permitiu que Lan Xichen o conhecesse mais um pouco, os seus desejos egoístas e famintos, uma rachadura abriu em seu escudo e de repente tudo que ele enxergava era Lan Xichen. Sua mente ficava repetindo o nome dele, recuperando o momento exato do toque, de como os dedos se fecharam contra sua pele, em cima da sua tatuagem extremamente sensual de duas pessoas fazendo esses mesmos atos que Jiang Cheng desejava tanto, e isso parecia tão íntimo, tão deles. Ele não era uma pessoa que mantinha segredos de seus irmãos, mas naquele momento, encarando os olhos de Lan Xichen passearem pelo seu corpo com algo por trás do brilho dourado, Jiang Cheng teve a certeza que não conseguiria falar sobre tudo do jantar.

“Xichen.” sussurrou, vendo como o corpo dele tencionou e então chegou mais perto.

Se eu cair, será que ele me segura?

“Wanyin.” ele repetiu, mais firmemente, mais perto, mais contato, mais força…

Mais.” Jiang Cheng quase não se ouviu dizer isso.

Lan Xichen levou sua outra mão até a nuca de Jiang Cheng, os rostos tão próximos agora que bastava um passo à frente e eles estariam juntos, conectados. Mais. Agora ambos duvidavam que tinha como voltar atrás, de qualquer forma. 

“Você é lindo, Wanyin.” segredou, os lábios raspando contra os dele, os olhos procurando naquela tempestade violeta alguma coisa que o dissesse que estava invadindo, que deveria ir embora.

Mas quando Lan Huan empurrava, Jiang Cheng sempre respondia com ainda mais intensidade — naqueles olhos, ele encontrou um desejo tão impuro contra o próprio que sentia. Eles não eram nem um pouco balanceados, divergiam em muitos pontos, entretanto respondiam um ao outro com facilidade. Porque era fácil. Se Lan Huan queria um pedaço, Jiang Cheng, acostumado a sempre oferecer mesmo sem perceber, entregava a peça inteira, bastava o mais velho pedir com jeitinho. Desde que o salvou já sabia — havia mostrado fraqueza, havia sucumbido a um desejo, havia interferido na ordem das coisas; e se Lan Xichen quisesse, ele continuaria o fazendo de novo e de novo. Porque se entregar nunca foi algo que Jiang Cheng pudesse evitar uma vez que ele permitia alguém chegar perto, e Xichen estava por todo o lado em seu corpo agora.

Quando aconteceu, não teve a sensação do peito queimando de calor pelo primeiro amor ou qualquer coisa do tipo. Não teve fogos de artifício ou borboletas em seu estômago. Foi cru e bagunçado, Xichen o empurrando contra a bancada da pia e Jiang Cheng gemendo baixinho contra a boca dele. Porque, honestamente, os dois não eram o tipo de pessoa que pensava bonito sobre atos sexuais — eles não acreditavam em amor, não acreditavam que de algo vindo de desejos tão sujos pudesse surgir o tal do belo do amor. Mas eles acreditavam no corpo, no suor e nos gemidos, por isso o beijo foi puramente uma resposta de toda essa comoção que estavam segurando desde a primeira fagulha; no primeiro toque acidental e inocente, que em seguida tomou o pensamento deles.

Quando se separaram, os lábios de Jiang Cheng estavam vermelhos pelas mordidas que o lado possessivo de Lan Xichen deixou.

Mais. Mais. Mais. Mais. Mais.

E quando sentaram-se na varanda para beber o vinho que Jiang Cheng tinha trazido, não tinha nem rastro do que fizeram na cozinha tirando uma coisinha que deixaram para trás.. 

“Oh, esse vinho é gostoso.” Xichen comentou, fazendo Jiang Cheng rolar os olhos.

“Claro que sim, eu que escolhi.”

Metade da louça ainda estava suja. Quando Lan Xichen foi lavá-la no dia seguinte, ele sorriu e mandou uma mensagem para Wanyin perguntando se ele não queria vir jantar em sua casa novamente na semana que ainda iria começar. 


Notas Finais


eles só ficaram nos beijos (agressivos, mas beijos)


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