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História O sufoco de uma dúvida (KakaYama) - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Conheçam o Matsuri e tirem suas próprias conclusões sobre ele.
Esse capítulo é bem reflexivo mas tem momentos que me ajudaram a pensar no rumo da história. Eis aqui então!

Boa leitura!

Capítulo 10 - A troca, o encontro e o convite.


Fanfic / Fanfiction O sufoco de uma dúvida (KakaYama) - Capítulo 10 - A troca, o encontro e o convite.

Distanciamento - esse é o maior problema de um shinobi em relação a sua vida amorosa. Porque efetivamente, o senso de dever de dois homens pode obliterar as tentativas sucessivas de aproximação que suas agendas permitem. Para além de todas as dificuldades ainda havia a linha tênue entre o que é assédio moral ou não dentro desse quadro. Porque Kakashi tinha plena noção de que esse distanciamento soava abusivo, e ele se sentia um lixo por ser incapaz de abandonar sua própria chance de felicidade ao lado de alguém, embora soubesse que fez o certo. A situação injusta não foi colocada por ele.

O homem a assumir o posto de Yamato era Matsuri, ou como Kakashi chamava secretamente, "aquele idiota do caralho". Dentre os homens mais distintos da Anbu, ele mantinha um bom histórico de missões completas, mas suas habilidades de supervisão de segurança não eram conhecidas o suficiente. Circundando as suas fichas Kakashi suspeitou de seu ponto fraco. Era essencial que os demais Anbu se dessem conta do maior defeito do designado para a tarefa, mas o Rokudaime duvidava disso. Dentro da instituição, alguém com senso de liderança poderia ser uma benção ou uma maldição - cabia à própria Anbu compreender e distinguir o bom e o mau líder. Voz ativa nem sempre salvava um companheiro.

Passados 15 dias de mudança de posto, a paciência de Kakashi já começava a se esvair, lentamente.

"As mudanças que aquele..."

"Idiota do caralho?" Yamato concluiu, divertido, na mesa do café da manhã enquanto tomava seu chá de gengibre e comia algumas sementes temperadas.

Kakashi suspirou em concordância, sabendo que já havia contado aquilo. Terminou de ferver a água de seu chá e se sentou com alguns bolinhos de arroz a frente de Tenzō. "Qual é a necessidade de eu ter guarda costas 24 horas por dia? Isso é ridículo, Tenzō!"

Yamato achava graça do ódio de Kakashi. Ele estendeu a mão para fazer carinho nos dedos que seguravam a alça da caneca de seu antigo Senpai. Apesar das reclamações, era gostoso dividirem o café da manhã, para variar. Com a mudança dos horários por conta do treinamento de Naruto raramente eles se viam na parte das manhãs, pois Tenzō saía cedo. Ainda era difícil conter a animosidade de Naruto.

"Ele sabe o que faz, Senpai", limitou-se a responder. Kakashi lançou-lhe um olhar de tédio, soltando os dedos da alça da caneca e entrelaçando-os nas pontas dos dedos de Tenzō.

"A estratégia dele é um meio de seccionar a Anbu. Não deveria ser assim. Isso é muito semelhante com o que Danzo fazia na Ne, só não é escondido. Essa ideia de subordinar líderes de supervisão que ficam a mando dele o coloca como uma autoridade dentro das equipes de Anbu."

Yamato ouviu com atenção, e realmente era bastante semelhante da conduta de Danzo em alguns aspectos. Conscientemente ou não, a estratégia de Matsuri era guiada por uma pretensa autoridade que ele impunha como supervisor, e de alguma maneira fazia com que toda a Anbu se relacionasse com sua escala de supervisão do Hokage. Como supervisor de guarda, ele usava a autoridade do cargo para criar escalas de agentes que precisassem fazer relatórios diretos para ele. Ou seja...

"É uma maneira de tirar a Anbu da minha supervisão direta", o Hokage murmurou num tom bem baixo. Ele não poderia analisar com precisão o quanto daquilo era intencional ou maldoso, mas após algumas semanas de análise percebeu que a maneira como os relatórios passaram a ser elaborados era muito mais sucinta e evasiva.

Seja pelo afastamento do cargo ou pela fama de linha dura que Matsuri possuía, Yugaō confirmou nas semanas seguintes que as coisas haviam se normalizado. Yamato continuou reportando o progresso de Naruto e realmente confiou na palavra de Kakashi. Eles resolveriam aquilo juntos. Pacientemente, eles continuaram alternando as noites nas raras vezes em que conseguiam combinar os horários. Até as quartas-feiras de passeio pela vila foram comprometidas. Resiliente, o Rokudaime acrescentou de maneira tímida antes de esconder o rosto na caneca: "Sinto sua falta na guarda".

Tenzō sorriu com a confissão, mas com o coração meio apertado pela agonia do namorado.

Apesar de tudo, Kakashi adorava ver como a nova função trazia alegria para Yamato e como Naruto havia conquistado a afeição daquele homem, e ele realmente percebera o quão sincero era o laço de Tenzō com sua antiga equipe. Eram seus filhos crescidos, metaforicamente falando, e Kakashi não deixava de se sentir minimamente paternal em relação ao Time 7.

No final das contas eles estavam, literal e figurativamente (sempre que podiam), com as calças arriadas. Com essa ideia de ter um guarda 24 horas por dia, não havia como a Anbu toda não saber que de fato eles estavam juntos. Era bom, porque os rumores de especulação acabaram; era ruim porque as fofocas cresciam. Só de pensar no quão invasivo era saber que a alguns metros de distância havia um usuário de Byakugan para monitorar o fluxo de chakra do Hokage enquanto ele transava com seu namorado, a sensação de desgosto subia pelo peito. Os dois se sentiam absurdamente expostos.

No entanto, havia coisas positivas. Uma vez que o trabalho não era mais um problema, eles podiam finalmente se despreocupar com quem sabia ou não da relação além das confirmações de Shikamaru e Gai.

Falando em Gai, as Kunoichis dos Times 7, 8, 9 e 10 inventaram uma confraternização de equipes, o que significava basicamente que todos os homens, com exceção de Rock Lee, compareceriam à força. Ainda que Kakashi não fosse entusiasta desses encontros, era uma maneira agradável de rever seus amigos e conhecer a pequena Mirai. Uma vez que Sai foi convidado a mando de Ino, Yamato também poderia participar como ex-capitão interino do Time 7.

Aconteceu na churrascaria que Asuma levava seus Genin para comemorar as missões, como uma forma de homenageá-lo. Naruto e Hinata foram os primeiros a chegar e quando Yamato se aproximou conseguiu ouvir Hinata dizendo:

"Mas não cabe todo mundo no Ichiraku". Era admirável a paciência que Hinata tinha, aquele olhar sereno, o sorriso no rosto. Exaltava sua beleza, definitivamente.

"Faz dias que não como um Ramen". Ele mantinha um semblante meio emburrado, como se fosse algo essencial para sobrevivência.

"Nós podemos passar lá depois, então", ela sugeriu num tom de voz apaziguador, se apoiando no ombro de Naruto.

O olhar de alegria de Naruto retornou junto com aquele sorriso que rivalizava com o Sol. Ao ver Yamato se aproximar, ele sorriu e acenou. Aos poucos todos foram chegando, e para a surpresa de ninguém, Kakashi se atrasou um pouco mais que algumas horas. Kurenai e Gai fizeram companhia para Yamato na "mesa dos professores" enquanto o Hokage não chegava e a atenção era toda do bebê. Gai fez a gentileza de se acomodar ao lado dela para deixar o espaço ao lado de Yamato livre.

"Seria mais fácil fechar o local para esse tipo de evento", Kurenai comentou sorridente enquanto balançava um chocalho para Mirai.

"Duvido que em algum momento não tenhamos que apartar uma briga. Sakura já ameaçou bater em Naruto duas vezes", e atrás deles conseguiam ouvir um "Baka!", gerando risada em toda a mesa.

Após alguns minutos Kakashi chegou e se alojou no lugar separado para ele. Naruto virou-se:

"Kakashi-sensei, toda vez que eu te vejo espero a oportunidade de usar o chapéu de Hokage e o senhor nunca usa. Onde ele está?"

"Você não vai usá-lo antes do tempo, Naruto" Yamato interrompeu com um tom de voz descontraído. "E a julgar pela sua dificuldade em conseguir ler pergaminhos de tratados, vai demorar bastante até o seu tempo chegar"

"O Shikamaru vai me ajudar com isso" ele disse inabalável se virando para frente de novo, mas Shikamaru não parecia ciente disso, a julgar por sua cara de espanto.

Passadas algumas horas e 2 tábuas de churrasco devoradas por Chouji e algumas bebidas ingeridas, a noção de espaço pessoal começou a se tornar turva. Gai sussurou a história de quando Lee desenvolveu o Punho Bêbado, e em pouco tempo estavam todos contando alguma história boba de missões.

Por uma ou duas vezes Kurenai estranhou os olhares longos que Kakashi lançava para o rosto de Yamato, ou quando, logo ao chegar, eles dividiram o copo de bebida antes de o pedido de Kakashi aparecer. Em determinado momento enquanto Kurenai trocava sua bebê no banheiro, Kakashi estendeu a mão para ajustar a blusa de Tenzō torta no queixo. O corpo de Yamato ficou tenso e ele olhou de soslaio para o Hokage.

"O que?" O Rokudaime indagou, abaixando sua mão e pousando a cabeça nela.

"Na frente das crianças?" Ele cochichou num tom brincalhão. A julgar pelas bochechas, ele começou a ficar alegre com a bebida.

"Não me importo com isso"

Yamato piscou, confuso. "Não?"

"Eu quero estar com você, não me importo com quem sabe... E Sakura não para de nos olhar desde que parei do seu lado. Shizune deve ter dito algo a ela".

"Certo", ele aquiesceu dando um gole na sua bebida, meio envergonhado. Não dava para esconder a felicidade de, após esses três meses, poderem confirmar aquele amor para quem mais importava: seus amigos. Não que eles quisessem esconder. A essa altura da noite todos já haviam tirado suas conclusões - menos Naruto, claro.

Embora não gostasse desses simbolismos, foi uma noite agradável para Kakashi. Era uma pena que eles tivessem que ir embora, talvez até chegasse mais cedo na próxima. Eles se despediram de todos e Yamato percebeu quando Ino cutucou Sakura com o cotovelo e elas cochicharam alguma coisa. Ele notou também quando a lanterna imaginaria na cabeça da Naruto acendeu e ele compreendeu o que elas estavam insinuando. A julgar pelos relatos de Kakashi, a união do Time 7 era implacável quando:
1) Queriam ver o rosto de Kakashi;
2) Queriam saber sobre a vida pessoal dele;
3) Lutavam para salvar o mundo ninja.

Do lado de fora, sem aviso prévio, Kakashi passou o braço pelas costas de Tenzō e descansou sua outra mão no bolso. Eles aproveitaram os poucos passos em direção a casa de Yamato em silêncio, se olhando nos olhos com ternura antes de escutarem um grito vindo da entrada da churrascaria, agora escancarada. Naruto gritava enlouquecidamente coisas incoerentes.

Kakashi olhou para trás só para se certificar de que não havia causado uma síncope nervosa no garoto. "Acho que ele está passando mal"

"Estou pensando em faltar o treinamento amanhã", Tenzō confessou enquanto empurrava as costas de Kakashi para fazê-lo andar mais rápido.

"Se fizer isso ele vai aparecer na sua casa. Ou na Torre Hokage me procurando".

Yamato gemeu sabendo que, se tratando de Naruto, aquilo realmente era possível. Teria que lidar com o bombardeio de perguntas amanhã. "Isso não é justo, Senpai".

Óbvio que na manhã seguinte Yamato levou uma hora completa para explicar a Naruto que: sim, ele e Kakashi estavam juntos; não! Não estavam juntos desde sempre, fazia apenas poucos meses; não! Eles Não estavam morando juntos; não! Não era uma pretensão perpetuar ao clã Hatake; sim! Ele já namorou mulheres; não! Não podia ser padrinho do casamento, pois não havia casamento nenhum; sim! Ele gostava de Kakashi desde antes da Guerra.

Assumir uma relação abertamente era algo impensável para Kakashi. No entanto, lá estava ele, publicamente comprometido com seu Kohai. A Anbu sabia. Seus amigos sabiam. Os anciãos sabiam. E por mais que quisesse se sentir plenamente satisfeito com essa situação, ele sentia que ela era fruto de sua covardia. Matsuri era insuportável e não devia estar onde estava. Não era uma questão de afinidade, ele nunca ligou para isso. Era uma questão de senso de dever. Era uma questão de honra que Yamato retomasse seu posto - honra como Hokage por não se deixar manipular pela Anbu, por não deixar o homem que ele amava ser sabotado. Odiava vê-lo como uma donzela indefesa que precisava de proteção, ele não precisava disso e Kakashi sabia desde que tentou ter seu Sharingan retirado, ainda na Anbu.

Bastava apenas a oportunidade para ajeitar toda essa situação desastrosa. E ele a esperou pacientemente como um bom shinobi, enquanto via, dia a dia seu afastamento gradual de Yamato aumentar, até não conseguirem se ver por duas semanas completas. Nesse meio-tempo, a carta chegou. Ele escreveu um bilhete breve e endereçou para a casa de Tenzō:

"Em três semanas, casamento da filha do Daimyo do País da Água. Considere-se liberado de sua tarefa temporariamente.

Hatake Kakashi."


Notas Finais


Espero que vocês tenham sentido ranço do Matsuri e suas ações assim como eu hahaha
Como sempre, totalmente aberta a críticas.
Obrigada por lerem até aqui!


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