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História O Super Humano de NeoCity - Capítulo 2


Escrita por: e LadySharingan-


Capítulo 2 - Parte II: O Treinamento


O Treinamento

Kun já foi acordado de diversas formas na sua vida, mas aquela era a primeira vez que ele era acordado por um gato lambendo-o. Isso o deixou com um humor péssimo, ainda mais com Hendery colocando o bichano em cima da mesa pra tomar leite.

— Não o olhe assim, ele estava sendo carinhoso. — Hendery comentou, percebendo o olhar mortal que o homem dava para o animal, que não parecia nem se importar. 

— Deixe essa bola de pêlos longe do meu quarto, sim? — finalizou, dando atenção a sua refeição. 

Os dois comeram em silêncio, um com uma cara fechada e outro estranhamente — não tão estranhamente —, animado e visivelmente ansioso. Hendery estava nervoso por aprender algo desse porte. Ele se sentia dentro dos quadrinhos que adorava ler. Não era como se quisesse ser um super-herói ou justiceiro, até porque tudo tinha suas consequências e aquilo o amedrontava. Felizmente, ele se sentia bem, estando com Kun e podendo aprender com ele o que quer que ele fosse lhe ensinar.

Após a refeição, os dois foram para a sala. Kun começou a preparar o lugar, arrastando a mesa de centro e abrindo mais espaço. Colocou um tapete e, como uma finalização, acendeu alguns incensos.

— O que é tudo isso? — Kun perguntou, estranhando o cheiro forte dos incensos. 

— Seu primeiro dia de treinamento. Agora sente-se. 

— Que tipo de treinamento é esse em que vou sentar no chão? — Hendery resmungou enquanto sentava sobre o tapete. 

— Isso se chama meditar, é algo importante para conseguir controlar e entender melhor seus poderes.

— Qual é, eu sei controlar meu poderes. — Kun ergueu as sobrancelhas pra ele, fazendo-o suspirar, derrotado. — Só achei que a gente já ia p’ra ação. 

— Não faça biquinho, isso é estranho vindo de um homem adulto. — Hendery ignorou-o, fazendo um bico ainda maior. — Bem, primeiro você vai precisar fazer exercícios de respiração. Isso ajudará a canalizar sua energia no centro do seu corpo, no caso estômago. Vamos começar. 

Hendery se endireitou na posição lótus e pousou as mãos no joelho. Começou com o inspira e respira. 

— Isso. Na hora de inspirar tente segurar o ar e soltá-lo mais devagar. — Ele fez da maneira explicada, inspirando e respirando. Isso durou mais alguns minutos até Kun caminhar até à porta. 

— Ei, ‘tá indo onde? — Hendery perguntou.

— Eu vou precisar sair e você vai ficar assim fazendo a mesma coisa até eu voltar.

— Espera, quê? — reclamou o mais novo.

— Isso que você ouviu, e se eu fosse você não sairia da posição, porque eu saberei se o fizer! 

Hendery não pôde protestar muito. Voltou à posição que estava antes, mesmo a contragosto, e continuou com o exercício, ainda que suas ações agora estivessem mais brutas pela feição emburrada, que ele demonstrava de olhos fechados. Kun saiu pela porta, dando leves risadinhas. 

Saiu do prédio e passou a caminhar pelas ruas. Tinha combinado com um ex-colega de faculdade de se encontrarem num lugar ali perto, um grande casarão abandonado que ficava no fim de uma rua e um pouco mais afastado dos prédios e comércio, tendo apenas mato  à sua volta e um grande campo, que as pessoas usavam para jogar bola. 

De frente para a casa estava Ten já o esperando. Mesmo que Kun fosse uma pessoa reclusa, era quase impossível não acabar ficando amigo do Chittaphon. Os dois criaram um vínculo forte, ainda mais porque encontraram um no outro o apoio e um lugar para contar seus segredos.

— Quanto tempo colega! Aliás, te vi na TV esses dias, tava um gatão. — Ten deu um sorriso malandro. Adorava tirar sarro de Kun; ele se irritava muito fácil com pequenas provocações

— Não comece com isso. — Bufou — Ainda está precisando de alguém p’ra alugar esse lugar? 

— Sempre. Você sabe como o povo se assusta fácil com qualquer coisa que envolva pessoas mortas. 

Os dois seguiram para dentro da casa — era algo que Ten herdara de seus falecidos avós. Como era grande demais, ele pensou que alugar seria melhor, mas ninguém parecia realmente interessado. 

— Está pensando em ficar com ela? Saiba que p’ra você faço até um descontinho. 

— Estou precisando de um lugar espaçoso para treinar uma pessoa, aqui é perfeito. 

E era mesmo. Apesar de ser um andar único, tinha um porão e era extremamente espaçoso, com poucos cômodos. Ao que tudo indicava, os avós tinham construído mais para ser um salão de festas do que uma futura mansão. 

— Todinho seu, amigo. A gente acerta as contas depois, mas agora me conte mais sobre isso de treinamento. Virou o Charles Xavier agora, é? Vai montar seu próprio X-Men? 

— Eu ainda não sei como fui ser seu amigo. — Kun abanou a cabeça negativamente, mas no fim não aguentou e deu umas risadas — Na ponte, acabei entrando em contato com um dos humanos e bem, ele acabou voltando da morte e virando minha responsabilidade. Estava pensando em transformar este espaço em uma mini academia, talvez? Precisamos perceber o que o garoto sabe fazer além de destruir as coisas. 

— Que furada, ein amigo, de super-herói falido para babá. Mas fique tranquilo, a gente arruma durante essa semana. Como não precisa de nenhuma obra pesada, vai ser de boa. — Ten disse, analisando novamente o grande salão. 

Os dois combinaram de se encontrar nos outros dias e já comprar os equipamentos que iriam precisar. Voltando para a casa, Kun encontrou um Hendery no mesmo lugar, meditando. Parecia realmente concentrado no que fazia. 

— Veja só, parece que fez exatamente o que eu pedi, bom trabalho! — Bateu palmas, assustando-o, e ele levantou apressado.

— Ainda bem que chegou, eu tava morto de ficar sentado aqui. Você viu, certo? Me comportei bem, não? — Comentou ansioso pela resposta. 

— Ver? Ah! Fica tranquilo, eu tava blefando. 

— O quê? — Gritou. — Eu fiquei horas aqui achando que estava sendo observado, não acredito. — Caiu no chão, pronto para aceitar a morte lenta de ter sido enganado. 

— 1 a 0 p'ra mim — Pensou Kun depois de todo o drama do mais novo. — Fique tranquilo, já arrumei um lugar para que possamos começar a outra parte do treinamento. — Comentou logo em seguida, fazendo com que Hendery se mostrasse mais animado com isso. 

Eles teriam um longo caminho pela frente.

As duas semanas seguintes foram extremamente trabalhosas. Kun vivia fora, junto com Ten, fazendo a reforma, e Hendery ficava em casa, hora meditando e hora acabando com a dispensa, o que fazia com que Kun tivesse sempre que ir no mercado comprar mais coisas pro estoque. 

— A gente já chegou? — Hendery perguntou pela décima vez. Estava no banco de trás do carro enquanto Kun dirigia até ao local de treinamento. 

— Não me faça matá-lo, garoto. — Disse, já irritado com aquilo, e o outro só pôde soltar um riso. Estava com os olhos tapados e extremamente ansioso. No dia anterior tinha sido avisado que a academia deles estava pronta e estava animado para começar a entrar em ação. — Ok, chegamos, vou te ajudar a sair do carro e assim que eu disser que pode, você tira a venda. 

Ele acenou com a cabeça, enquanto escutava Kun sair do carro e abrir a porta ao seu lado. Pegou a mão dele e saiu do carro. Os dois andaram um pouco até ouvir o barulho de uma porta abrindo e foi puxado cuidadosamente para dentro. Assim que ouviu o comando, tirou a venda e viu o lugar. Era simples, mas bem organizado, com equipamentos bem reforçados. 

— Como não sabemos ainda o poder da sua força, eu reforcei tudo o máximo que pude para que não tenhamos nenhum problema. Mas, na dúvida, se algo quebrar, teremos para repor sem problema. Gostou?

— Se eu gostei!? Isso tá incrível! Quando começamos? — Hendery se mostrou completamente afobado enquanto andava pela sala, olhando tudo que podia.

— Se quiser, agora. — Uma nova voz surgiu e de um outro cômodo surgiu Ten — Prazer, você deve ser Hendery, certo? — Hendery acenou positivamente enquanto se aproximava dele — Eu sou Ten, aluguei o espaço p’ro Kun e vou ajudar vocês no que precisarem. 

— Ele por acaso… Sabe sobre… Aquilo? — Hendery perguntou para Kun, curioso. Ten só soube rir da pergunta.

— Ele sabe e sobre você também. Pode ficar tranquilo, ele é de confiança. — Respondeu.

— Então é um prazer! — Hendery abraçou o novo amigo, que retribuiu. 

— Então, vamos começar? — Kun perguntou.

A primeira hora foi cansativa. Hendery não conseguia utilizar sua força, dava pra perceber o seu medo em pegar nas barras ou até mesmo na hora de socar o saco. Isso fazia Kun ficar angustiado.

— Certo, vamos tentar assim. — interrompeu o treinamento, fazendo Hendery focar a atenção nele. — Você precisa de confiança. Todas as suas ações são carregadas de medo, isso faz com que você não controle e nem consiga entender até onde vai. — Se aproximou, tocando-o nos ombros — Lembre-se das meditações, é assim que você vai conseguir controlar. Inspire e respire. — sussurrou. Hendery fechou os olhos, fazendo exatamente o que ele falava — Agora você vai bater naquele saco delicadamente, depois forte e vai aumentando.

Ten e Kun se afastaram e Hendery fez exatamente o que Kun lhe disse. Bateu, bateu e bateu e no último soco colocou toda a força que conseguia, fazendo o saco sair do lugar e bater na parede, criando uma cratera. 

— Uou, isso foi demais. — Ten apareceu com uma espátula na mão e uma animação no rosto. 

— Está vendo, você conseguiu. — Kun lhe deu um sorriso, fazendo Hendery sorrir pra ele também.

— Graças a você. 

— E com essa melhora, vamos todos descansar e comer lasanha! — Ten veio com a travessa na mão e colocou na mesa improvisada que  tinha arrumado. 

Os três se sentaram, aproveitando aquele momento de paz e felicidade. 

Á noite, os dois chegaram no apartamento, sendo recebidos por Nono — ou bola de pelos, como Kun o chamava. Hendery o pegou, fazendo agradinhos e uma voz infantil que fazia Kun revirar os olhos por tamanha “tolice”. Este foi para a cozinha, colocando mais comida e água nas vasilhas, e depois foi até a geladeira pegar um pouco de água fresca. 

— Foi um dia longo, né? Você tem de descansar bastante, amanhã vou te dar uma folga. — Kun disse, se sentando na mesa da cozinha. 

— Você acha que logo estarei pronto para sair por aí e chutar umas bundas? — Hendery perguntou, se sentando na outra ponta da mesa. 

— Olha, eu acho que não teremos bundas chutadas. — Kun suspirou — Tudo isso é apenas para você controlar seus poderes, não é pra você sair por aí salvando o mundo.

— Espera, tá querendo dizer que a gente pode fazer a diferença, mas o melhor é ficar de braços cruzados? — Hendery se mostrou revoltado com tudo aquilo. 

— Você não entenderia, é muito novo para isso, mas a Terra já tem seus heróis e não é a gente. Por isso eu te digo, utilize apenas quando for realmente essencial. — Kun levantou, e quando estava prestes a sair, Hendery se pronunciou.

— No dia da ponte, também tinha heróis lá, fazendo o trabalho deles e mesmo assim você foi e me salvou. Sei que guarda arrependimentos, mas ainda assim, você foi e fez o que era certo. Sendo essencial ou não, não deveríamos guardar o que temos apenas para a gente. — abaixou a cabeça — De qualquer forma, usarei apenas quando for essencial, não se preocupe. 

Kun foi para o quarto com a fala de Hendery na mente. Era difícil para ele pensar da mesma forma. Sabia como os humanos eram e como as responsabilidades eram enormes naquele mundo. 

Depois daquela noitem, eles tiveram mais algumas semanas agitadas e produtivas. Hendery começou a saber controlar melhor sua força e agora estavam querendo saber se ele tinha mais alguma coisa além da super força. 

— Será que eu posso voar? — Perguntou animado.

— Não se anime muito, acho que você já apresentaria alguma coisa sobre vôo se pudesse. — Kun respondeu, fazendo Hendery fazer um bico. — O que lhe disse sobre bicos? — Como sempre ele ignorava, fazendo um bico ainda maior de propósito. 

— Que tal você ir voando até à padaria ‘pra mim? — Ten perguntou pra Hendery, estendendo umas notas de dinheiro. — Só comprar uns pães, porque aqui acabou. 

— Sem problema Ten, já volto! — Se despediu, saindo da academia e seguindo caminho para a padaria que tinha a algumas quadras dali. 

Era um lugar até que simples, mas tinha uma ótima estrutura e chamava a atenção de clientes de diversos lugares, fazendo com que estivesse cheio quase sempre. Foi até ao balcão e pediu alguns pães para a atendendente. Aquele dia estava tranquilo, até ele perceber uma movimentação estranha na entrada. Algumas pessoas entraram na padaria e aquilo ativou o seu sexto sentido — se é que ele tinha algum. Quando a atendente ia lhe passar o saco de pão, ele viu. 

— Abaixe! — Falou pra ela desesperadamente, assim que viu a arma na cintura de uma das pessoas.

— Quero todo mundo no chão, agora! — Uma das pessoas gritou, apontando a arma p’ra cima, fazendo com que todos no lugar se deitassem no piso. O desespero bateu e alguns soltaram gritos de horror. — Isso é um assalto e vocês serão nossos reféns! 

— Que ótimo.  — Hendery resmungou. 

A situação era a pior possível. Todos os clientes e funcionários da padaria estavam num canto do lugar, presos em cordas. Alguns bandidos estavam no caixa, outros no piso superior, do lado de fora se ouviam as sirenes da polícia e helicópteros, provavelmente de algum canal de televisão.

Hendery estava em um conflito; precisava pensar no que poderia fazer. Lembrava-se das palavras de Kun sobre essencial, e aquele momento era essencial, certo? Mas como ele poderia fazer as coisas sem que causasse algum ferido? Ele precisaria pensar e rápido. 

Ele sabia que teria que fazer as coisas num total silêncio, um passo mal sucedido resultaria na morte de alguma pessoa. Lembrou do que Kun dissera sobre conhecer melhor seus poderes,então ele fechou os olhos e inspirou. 

Ele conseguia sentir todas as pessoas; tinha um total de 7, sendo 3 na parte de cima e 4 na de baixo. Tinha uma única chance. Se concentrou o bastante p’ra fazer a comunicação deles não existir mais. Todos não pareceram perceber, então rapidamente foi para trás do balcão que estava do lado e, usando toda sua força, moveu o objeto para proteger todos os reféns como uma barreira. 

Isso foi o bastante para chamar a atenção de todos. Quando ameaçaram atirar ele, já tinha pego um dos caras mais próximos e jogado nos outros três. O quarto tentou sair correndo enquanto falava algo no microfone, mas no fim foi chutado para fora. 

Os policiais que estavam na rua ficaram chocados com o surgimento inesperado do capanga. Aos poucos, eles foram entrando na padaria, e o que viram foi três pessoas amarradas e os reféns já soltos. 

— Chefe! — Um dos policiais veio apressado até ele. — A parte superior está do mesmo jeito, não tivemos nenhum ferido.

— O que diabos aconteceu aqui!? — Em todos os seus anos de profissão nunca algo como aquilo tinha acontecido. — Vamos precisar fazer uma interrogação, arrumem o lugar! — Mandou p’ra todos. 

Quando Hendery entrou na academia ele encontrou um Kun de braços cruzados. Ten apenas correu, o abraçando. 

— Vou deixá-los a sós. — O soltou do abraço e foi para outro cômodo. 

— O que você fez? — Kun gritou.

— Eu fiz o que era certo!

— Você não sabe das coisas. 

— Qual é o problema? Ninguém se machucou, se eu não fizesse nada, pessoas iriam se ferir. 

Kun suspirou, tudo que fez foi pegar o controle e aumentar o som da TV. 

— Ao que tudo indica, a cidade NEO está tendo um surto de estrelismo, ou pessoas que acreditam que possam dar uma de super-heróis. Pois eu lhe digo: não podem. Estivemos sem vocês por anos e não precisamos agora! — O apresentador falava mais algumas coisas, mas Kun decidiu abaixar o volume. 

— E isso não é tudo. — lhe estendeu o celular. — A internet já está falando sobre a possibilidade de você ter machucado alguém. Eu sei o que fez, Hendery. — tocou o ombro dele como uma forma de conforto — Fez o que era certo, mas eles nunca vão enxergar assim. 

Kun saiu, deixando Hendery sozinho. Ele não se arrependia do que fez, mas ficou triste por toda a manipulação. 

 


Notas Finais


Ⓝ NOTAS DO AUTOR
Acho que uma das coisas que foi díficil de escrever foi a parte de treinamento e do roubo, tanto que não soube desenvolver tão bem isso, mas ao menos do roubo eu gostei, foi um momento muito de feeling que só digitei e digitei pensando em como eu poderia colocar ação e no fim o resultado não parece tão mal.


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