História O Tempo - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


(não tô gostando de nada que escrevo aaaaaa)

Capítulo 1 - Imaginação


Encostei o rosto no vidro da janela da sala de aula no último andar do prédio. A professora falava, falava, falava tanto, mas eu era incapaz de captar qualquer mensagem relacionada à matemática. Ah, é tão complicado... E quanto mais ela falava, mais eu sentia meu cérebro formando novos nós. E novos nós, novos nós, novos nós... Até sentir a minha cabeça reclamar de dor.

Foi então que lá em baixo, no pátio vazio, eu vi o Tempo sorrindo pra mim. Sorri de volta, mas depois percebi que Guilherme me observava sorrir. Não me olhava torto, não dizia nada. Somente olhava.

— O que tanto olha lá embaixo? O que está vendo? — Perguntou-me curioso.

Poderia não o responder, já que nós nunca nem conversamos, mas não queria que pensasse que sou grossa.

— Não vejo nada, estou imaginando. Imagino o Tempo. Não o tempo das horas ou o tempo chuvoso ou ensolarado ou frio, mas o Tempo que conta nossas horas. Não é como se ele fosse a morte, porque ele não vem nos buscar, ele vem pra nos avisar ou somente conversar e sorrir pra gente. 

— Imaginando? — Arqueou a sobrancelha.

— Sim. Eu o imagino um homem alto, bem alto, bastante alto. Têm os cabelos bem grisalhos e a barba também. Não é propriamente velho, quer dizer é, mas ele é até bem fortinho e bonito. Ao invés do coração, ele carrega um relógio de parede no peito. Alguns parafusos já estão até enferrujados e ele usa um chapelão azul assim como o terno e as botinas de jardinagem. As luvas estão rasgadas, o dedo indicador parece sangrar. É provável que ele tenha se machucado com algum espinho. A escola é cheia, cheíssima de canteiros e o Tempo deseja veemente sugar o mel das flores. Ele é como eu.

Guilherme debruçou-se sobre a minha carteira. Assustei-me com a ação e o menino olhava-me admirado. Ele sorriu e apontando pro meu rosto, disse:

— Olha, você têm sardinhas!

— É... Bem, eu tenho sardinhas.

Desviei o olhar envergonhada.

— O Tempo diz alguma coisa?

— Diz muito.

— O quê?

— Temos muito tempo.

Sorrimos simultaneamente.

— Mas se você está só imaginando, significa que ele não existe, certo?

— Não! Ele existe sim. Se posso vê-lo e tocá-lo na minha cabeça, ele é real assim como as coisas que posso pegar. Se posso pegar esse lápis, é porque ele existe e está aqui comigo. A mesma coisa com o Tempo, a mesma coisa com os meus desenhos: se os desenhei, é porque os vi e se os vi, eles existem. Não importa se só pra mim... E se posso lhe ver e tocar, Guilherme, é porque você existe e está aqui, mesmo que não comigo. No entanto, não faz diferença e nunca fez. Eu sou só mais uma maluca com pensamentos sem sentido algum e que ninguém entende.

— Você é diferente de qualquer outra pessoa que eu já pude conhecer.

— E isso é bom?

— É sim. Eu lhe digo isso porque também sou considerado "diferente" e louco aos olhos dos outros. O engraçado é que os outros, para mim, são loucos. Eles sorriem do mesmo jeito, falam do mesmo jeito, andam do mesmo jeito, fazem tudo do mesmo jeito. Bom é ser diferente e louco. — Sorriu-me sincero.

O sinal bateu e eu fui pra casa. Depois daquele dia nunca mais vi Guilherme. 



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