História O Terceiro Filho - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Boyxboy, Crime, Lemon, Lgbt, Policial, Romance, Yaoi
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Palavras 1.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Um Funeral (Parte 3)


LUKE

A cerimônia no cemitério não seria pública, por isso, mais de uma vez, tive que me identificar aos seguranças contratados para manter os repórteres e os curiosos longe.

O sol da já não aquecia, o frio começava, cada vez mais, a se impor, nos empurrando para o inverno. Nas mãos, eu segurava o sobretudo de Matt, pois até onde eu sabia, ele não levara para a mansão, agasalhos suficientes para enfrentar a estranha onda gélida que caía sobre a tarde.

Continuei por entre as estátuas de anjos. Os olhos cinzas destes seres de pedra pareciam observar quem quer que caminhasse em seu meio, pareciam condenar qualquer um simplesmente pelo fato de viver.

Era tão sufocante que baixei a cabeça para as criaturas melancólicas e apurei o passo.

A aglomeração de pessoas vestidas de preto, diante ao mausoléu da família Romano quase repelia minha aproximação. Era mórbido demais, triste demais, no entanto eu já ficara muito tempo ausente, encerrado em casa, tentando a todo custo esvair a cabeça e me abstrair do que acontecia.

Quem dera... As horas sozinho não adiantaram muito, a sensação estranha continuava me perseguindo a tal ponto que a única coisa que me restara fora pegar o metrô e ir até o cemitério, acompanhado da culpa constante que gritava o dever de me fazer presente desde o início.

Todo mundo vai um pouco longe demais as vezes...

Localizei Matt entre Angie e Stanley, muito concentrado enquanto alguns seguranças erguiam o caixão fechado do carro fúnebre... O cortejo acabara de chegar, eu não estava tão atrasado.

Ok, na verdade eu estava... Preferi ignorar completamente a existência das outras solenidades funerárias em nome da sanidade proposta pela solidão momentânea em casa.

Fiquei um pouco afastado dos outros. Não pretendia atrapalhar o luto de ninguém. E ao longe, observei cada uma das ações tomadas, ouvi cada uma das palavras de consolo ditas por um padre e quase caminhei até Matt no momento em que o vi escorar a cabeça no ombro de Angie para se esconder.

Suspirei e continuei a absorver todas as coisas que iam se passando. Ritual por ritual, até que os seguranças voltassem a carregar o caixão, agora para dentro do mausoléu, onde Rodrick ficaria, ao lado da lápide dedicada a sua esposa.

Houve uma comoção estranha, ninguém sabia direito o que fazer, alguns sádicos erguiam um pouco os olhos para a parte interna da construção, enquanto as netas do falecido e seus três filhos, formavam um único grupo, juntos na entrada da cripta, abraçando uns aos outros.

Carrie não se colocara ao lado de Stanley, afastara-se do marido e da filha, trazida às pressas de Nova York para a ocasião, segundo o que eu ouvira na noite anterior. Se Carrie não estava entre os Romano, decidi que eu também não fazia parte do que acontecia e permaneci em meu lugar.

Depois deste último rito, as pessoas começaram a dispersar. Tomaram seus rumos, algumas em grupos, outras sozinhas e Matt teria partido junto a seus dois irmãos, se Angie não tivesse tocado seu ombro e olhado em minha direção, denunciando minha presença ali...

No momento em que os olhos escuros dele focaram em mim, comecei a caminhar em sua direção, arrependido por não ter ficado o tempo todo ao seu lado, como deveria ser.

Só quando parei diante de Matt, pude avaliar seu estado com precisão: As olheiras fundas, a incomum palidez doentia junto ao semblante fechado davam a impressão de que ele não era a pessoa com a qual eu convivia.

— Eu trouxe seu casaco, está frio...

Entreguei a ele o agasalho, Matt agradeceu de uma forma quase impossível de ouvir e em seguida, vestiu o sobretudo.

Por longos segundos, ficamos quietos, sem trocar nem mesmo um olhar. Angie, Stanley e os demais se tornaram figuras distantes e além dos mortos ao nosso redor, éramos os únicos ali, entre o verde do gramado e o cinza das lápides.

— Você ligou para a escola? — ele perguntou, provavelmente para espantar o constrangimento.

— É, eu disse que vou ficar dois dias fora, hoje e amanhã — respondi ao passo que começávamos a andar em direção aos carros.

Me aproximei aos poucos, até parecer que um alfinete ligava a manga de meu blazer ao casaco de Matt. Foi neste momento que ele tocou minha mão, com um receio estranho de segura-la.

Olhei para seu rosto, não conseguia lembrar da última vez em que o vi tão sério.

— Você pode trabalhar amanhã, se quiser, eu não me importo! — deu de ombros.

Ele ainda desviava seus olhos de mim.

"Já chega, Matt... Você venceu, acabou a briga, por favor, só pare com isso." Pensei, sem externar o apelo em voz alta.

Voltamos ao silêncio, no entanto, ele transformara os toques receosos e espaçados nos meus dedos em um jogo repetido diversas vezes... Impaciente, tomei sua mão e a segurei com força. Matthew parou de caminhar neste instante e eu fiz o mesmo.

— Matt... — eu o soltei.

Coloquei minhas mãos ao redor de seu rosto, implorando que ele ao menos olhasse para mim, mas, relutantes, os olhos escuros continuavam a me evitar... O que eu precisava fazer para conseguir firmar a paz?

Beijei seu rosto e recolhi suas lágrimas silenciosas com os lábios.

— Matt... — chamei mais uma vez.

Já considerava desistir, quando ele cedeu e me abraçou, primeiro sem dedicar nenhuma intensidade, mas conforme o tempo passava, ele se agarrava mais a mim e se escondia em meu peito, até eu presumir que, enfim, a briga acabara de vez.

Diante a seus gestos mais complacentes, passei a declarar, ao pé de seu ouvido, alguns pêsames e promessas de que as coisas melhorariam com o tempo, eu ainda não tinha dito uma única palavra de consolo, talvez isso faltasse, talvez ele quisesse ouvir.

Eu realmente acreditava que era o certo, que resolveria ao menos o que concernia a nós dois.

— Eu precisava de você... E você não estava lá — ele me interrompeu, com a voz abafada.

Suspirei pesadamente enquanto Matt se afastava de mim mais uma vez, com gestos frios e com uma expressão que retomava, aos poucos, a seriedade anterior.

— Desde que eu conheço você, este foi o momento que eu mais precisei da sua presença e você sumiu o dia inteiro! — ele não elevava seu tom de voz, permanecia apático.

— Escute... — tentei começar uma retratação, utilizando toda a calma possível como uma bandeira branca ao fim de uma batalha.

— Eu não vou brigar por isso, porque não estou com raiva... Mas eu também não vou conseguir esquecer e muito menos relevar. Eu sempre fiquei do seu lado, Luke! Eu sempre vou ficar...

Após dizer tais palavras, Matt apenas seguiu em frente, sem me esperar e sem olhar para trás, e o pior: Eu não podia, de forma alguma, culpa-lo pelo meu egoísmo.



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