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História O Touro e a Rosa - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Contém cânone pertencente a Saintia Sho

Capítulo 1 - Capítulo único


Hoje o dia está chuvoso, parece meio triste. Estamos aqui, à iminência da Guerra pela qual
nossa existência foi definida ainda na era mitológica. Todas as vezes é a mesma coisa: chove,
lembro de você, não consigo simplesmente tirar da memória aquele dia mais que especial.
Todas as vezes, inclusive, parece até que ouço sua voz nitidamente.

— Aldebaran! – de início eu não reconhecia a voz de timbre doce e firme e sempre me assustava
quando olhava para trás e via aquela criatura pequena. Tá que perto de mim todos são
pequenos, mas no auge dos seus 17 anos, ainda que praticasse muita atividade física seu corpo
era esguio, parecia frágil. Nos meus 15 anos, eu era muito bobo, bem mais encorpado, mas já
havia aprendido de uma forma não muito agradável que jamais deveria subestimar Peixes.

— Diga, Afrodite.

— Ora, parece que enfim não se assusta mais quando me ouve chamar seu nome – disse – o
que deseja ao chegar na casa de Peixes?

— Gostaria de ter com o Grande Mestre. Preciso pedir autorização dele para uma ação
particular. – respondi cordial como sempre pensei que fosse. Depois de um tempo, você
mesmo me havia dito que eu havia ficado cordial com o tempo, e que na verdade antes eu era
só um grande bobo.

— Sinto muito, meu caro, mas infelizmente não poderei deixar que passe no momento. O
Grande Mestre me solicitou que não permitisse a subida de absolutamente ninguém pelas
próximas duas horas. – aquilo para mim havia soado estranho, e hoje eu até tenho as minhas
suspeitas do que poderia ter sido. Saga poderia estar em crise tentando segurar Ares, ou ele
poderia estar tramando algo pertinente a dominação da Terra. Bom, hoje eu jamais saberei.

— Poxa, mas preciso com muita urgência, e não queria descer tudo novamente. Será que não
me deixaria subir? Prometo aguardar nas escadarias.

— De jeito nenhum. Ordens são ordens. – e ele me desmontou. Respirou fundo e me respondeu
— Olha... Sei que gosta de flores, e eu estava indo cuidar de algumas das minhas roseiras. Se
quiser, pode me acompanhar, já que devo levar mais ou menos esse tempo para cuidar delas.

Aceitei a proposta, e por que negaria? Sempre gostei mesmo de flores, nunca me importei de
negar isso, e Afrodite parece que gostava de dividir esse momento com alguém que apreciasse
essa atividade.

Ele me emprestou algumas ferramentas, e tentou não me deixar fazer muito com as mãos, já
que não havia luvas para as minhas. Mesmo assim eu sempre gostei tanto de mexer com a
terra que eu só evitava colocar a mão nos espinhos que o resto ele fazia. Foi uma tarde bem
agradável que passamos juntos e eu simplesmente não consegui deixar passar. Quando deu
meu tempo, me despedi e fui até o Grande Mestre para fazer minha solicitação. Na volta, lá
ainda estava ele entretido com outros arbustos.

— Afrodite? – comecei tímido.

— Oi! Diga. – Ele se sobressaltou, mas continuou a mexer nas rosas negras.

— Posso continuar a te ajudar? – ele para e se vira totalmente para mim, sorrindo

— Claro, venha.

Havíamos então começado ali uma amizade singular. Sempre que eu podia, perguntava se
podia ajudá-lo com as flores e ele sempre me autorizava. Comecei a tentar cultivar um
pequeno canteiro com flores diferentes na minha casa, seguindo as instruções dele, que às
vezes aparecia em Touro para ver como estava indo. Nem sempre nos víamos, por causa de
nossos compromissos, mas sempre que podíamos estávamos lá ajudando um ao outro.

— Tá em casa? – ouço a voz de Afrodite gritar em direção a minha casa no meio do barulho dos
trovões e do forte som da chuva que cai e me ponho de prontidão até a saída de Touro que dá
na subida para Gêmeos, quando o vejo correndo, todo encharcado. Faço sinal para ele entrar e
se abrigar, e logo o coloco para dentro de casa, e procuro uma toalha seca para que ele possa
se secar. Em meio a gargalhadas e espirros, lá estávamos nós conversando e tentando aquecer
o corpo dele ainda sem a necessidade de um banho.

— E você acha que eu nunca estudei sobre o seu país, é? Sei que na sua terra tem uns negócios
bem estranhos, tem uns rios imensos, uns crocodilos diferentes...

— Jacarés... O nome é Jacaré.

— Mas parece crocodilo. E tem uns peixes estranhos também, que andam em cardume e são
perigosos, carnívoros. Esse eu não consigo pronunciar.

— É Piranha

— Pirana

— Piranha

— Piraaaanya... hahahaha – não sei como, mas nessa hora a gente já estava tendo um ataque
de riso absurdo e estava muito perto um do outro. Perigosamente perto. Subitamente a gente
parou, ficou se encarando, e ele disse olhando bem fundo nos meus olhos – soube que ela é
capaz de devorar um boi inteiro em pouco tempo tamanha a sua voracidade.

E a gente se engalfinhou entre beijos, braços, pernas, nossos corpos se juntando e se tocando
de uma maneira que eu nunca pensei que aconteceria, mas também, não me assustava que
estivesse enfim acontecendo, e acho que ele se sentia igual. Não sei o que vai ser daqui pra
frente, nem quero pensar nisso, só sei que quero me ater ao aqui e ao agora.

Apesar de tudo, não sabia ao certo o que estava fazendo, só estava respondendo aos meus
próprios instintos e aos estímulos provocados por Afrodite. Ainda que fosse maior que Peixes e
provido de mais massa muscular, me sentia completamente submisso às vontades daquele
rapaz a minha frente. Tanto que quando ele me empurrou para o chão não hesitei nem por um
segundo, já prevendo o que ele faria comigo. Mas aquele olhar... Aqueles lábios... Aquelas
mãos... Aquele corpo todo simplesmente me incendiava e me inebriava, me tirava do sério e
me impedia de ter qualquer reação. Eu não queria ter reação. Estava torpe, bêbado nas
sensações que ele me provocava. Me beijava, me apalpava, me lambia, me apertava, força na
medida, suavidade quando precisava. Nem vi minha roupa ser tirada do corpo, só sei que se
estava entregue às sensações, passei a me entregar a ele. Sentia seus lábios e seus dedos em
trabalhando todas as sensações que eu nunca havia experimentado até então, e me vi
querendo mais, se viesse dele.

Nada premeditado, porém tudo consensual. Ele me olhou pedindo permissão e eu dei essa
permissão a ele, e ele me tomou. Me ser dele. Me fez arder em brasas vivas, me sentir vivo.
Nunca imaginei, de verdade, que algum dia estaria naquela posição, sendo tomado por um
homem de beleza tão ímpar e personalidade tão singular. Talvez ali, eu fosse o único que o
entendesse e aquilo de certa forma me agradava. Alcançamos um ponto máximo de prazer e
ali ficamos, apenas curtindo um a companhia do outro. Um tempo depois, voltamos a
conversar e a rir como os bons amigos que éramos.

Por várias vezes nos encontramos e por várias vezes conversamos, rimos e dividimos uma
cama, a sua companhia para mim sempre tão fácil e tão agradável.

Hoje estamos aqui de braços atados aguardando que aqueles garotos de bronze consigam
enfrentar Poseidon que ninguém entende como nem porque resolveu atacar agora. Aiolia já
está querendo sair do Santuário, nem que seja às custas de enfrentar Mu, já eu estou
estranhamente calmo. Impaciente, temeroso e preocupado, mas lá no fundo, uma leve paz me
acalma, pois sei que tudo vai dar certo. Pensando direito, sei que essa sensação é o que Seiya e
os outros sempre chamam de fé, e eu tenho fé neles. Eles fizeram milagres acontecerem, e
nesse mesmo milagre você me foi levado.



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