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História O Trote - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Coréia Outra Vez


– Kookie? – é minha mãe.

– Oi, mãe. – estou no telefone

– Eu dei uma passada aí no shopping. Vi você entrando no cinema com seu amigo, queria saber se está tudo bem.

– Não falta nenhuma parte do meu corpo! – dou risada – Conte a verdade, por que me ligou?

– Seu pai quer conversar com você, sobre... você não desgrudar de Jimin.

Um nó se forma em minha garganta e sinto falta de ar.

– Ele só é meu melhor amigo! – digo com dificuldade.

– Quando voltar da escola resolvemos isso. Aparentemente seu pai viu alguma coisa...

Agora eu não consigo responder mais nada.

– Filho?

– Tenho que ir pra sala, tchau. – desligo.

Eu estou com medo. Minha garganta está trancada, não consigo lanchar, não consigo beber água, não consigo dizer nada. Estou suando mais em imaginar a conversa do que dar três voltas correndo pela quadra.

– Kookie? – Jimin me chacoalha.

– Oi...

– O que tá acontecendo? Você nem se trocou ainda!

– Me trocar? Pra quê?

– Educação física?!

– HOJE É QUARTA? – pergunto surpreso.

– É! – ri.

Parece que vou mesmo correr três voltas pela quadra.

– Não me sinto bem, acho que não vou participar! – aviso Jimin.

– O que aconteceu?

– Meu pai está estranho, quer conversar sobre a gente...

– A gente? – arregala os olhos.

– Sim! Aparentemente viu alguma coisa!

– Aí meu Deus! – exclama colocando a mão na testa e depois coçando a nuca.

– Acho que essa era a sensação ruim de domingo passado... – tento fazê-lo lembrar.

– Será?

                             ***

Sala de estar, casa.

Acabei de chegar, parece que meu pai ainda não está em casa. Subo ao meu quarto e está tudo revirado, tudo no chão. Levanto algumas coisas do chão e coloco no lugar até escutar meu nome ser chamado:

– Jeon Jungkook! – é meu pai, nesse horário.

Desço as escadas e meu pai está vermelho de raiva.

– Venha aqui. – ordena.

Vou até ele de cabeça baixa, ele está sentado na poltrona da sala.

– Tem algo que queira me contar?

– Na verdade não. – digo

– Eu tenho. – diz firme.

Minha mãe está encostada no batente da porta observando a cena de longe.

– Eu vi você e seu... amiguinho Jimin! – grita fazendo cara de nojo ao mencionar Jimin.

– E qual é o problema? Ele é meu amigo oras!

– Não fale assim comigo! – bate forte em sua coxa.

– Desculpa!

– Vi você e ele fazendo coisas que amigos não fazem... agora me conte.

Eu definitivamente estou morto. Ele vai me matar agora mesmo, aqui na sala. Começo a suar, não sinto minhas pernas, meus dedos tremem e minha garganta está fechada.

– CONTE! – grita e eu sinto meu corpo todo fraquejar.

– Eu namoro com ele... ele é meu namorado.

– Você é gay? – diz algo calmo pela primeira vez nesse diálogo.

– Não... sou bissexual.

– Você sempre teve jeito de viado! – começa a aumentar o tom – Sempre foi um boiolinha.

– Não é assim, pai. Eu posso me apaixonar tanto por meninos quando por meninas...

– Você acha que isso é bom? – meu pai cospe as palavras.

– Esse sou eu!

Ele levanta bruscamente da cadeira me fazendo cair de susto.

– Você é sujo! – grita me levantando pelo braço.

Começa a depositar socos por todo meu corpo. Dá tapas fortes em meu rosto e eu não consigo nem sequer chorar.

Ele diz palavras sujas enquanto desconta sua raiva. Minha mãe está apoiada no batente da porta, nos olhando sem interfirir.

Meu pai dá o último soco quando eu caio. Minhas pernas amolecem e me fazem cair.

Apanhei tudo isso por amar. Meu pai me espancou, não que fosse a primeira vez que ele me bate... mas foi a primeira vez que apanhei tanto assim.

Levanto com muita dificuldade e tento subir as escadas. Sabe quando levanta rápido demais e acaba sem enxergar por alguns minutos? Isso aconteceu comigo quando consegui segurar no corrimão. Caí batendo a cabeça em um dos degraus.

– Vai tirar ele do caminho? – ouço minha mãe dizer.

– Não.

Eu poderia morrer ali. Se eu tivesse chegado a óbito ali não haveria remorso algum, nem de minha mãe, nem de meu pai.

Demoro a conseguir levantar. Começo a levantar e a subir as escadas.

Vou ao banheiro e tomo um banho frio, tento tirar as marcas com água, mas sabemos que é impossível.

Saio do banho sem me importar em molhar o carpete. Deito na cama semi-nú, vestindo apenas uma cueca. Amanhã eu não vou conseguir levantar.

– Você vai pra Coréia morar com seu tio, imundo. – meu pai passa e bate a porta.

Ótimo, serei obrigado a me despedir de meus colegas outra vez, terminar meu namoro, dar adeus a Joyce e recomeçar com uma língua totalmente diferente! Que porre!

Lágrimas começam a escorrer, penso nos seis e especialmente na nossa amizade.

Adormeço.

Acordo com o celular despertando, como desconfiava, estou totalmente dolorido. Me troco com dificuldade. Acabo optando por roupas mais fáceis de colocar, coloco uma camisa social branca e minha calça jeans de sempre. Coloco meu tênis e estou pronto.

Mochila nas costas, apesar de estarem doloridas, a mochila está leve feito pena. Estou levando apenas meu estojo hoje, não pretendo fazer muito.

Desço as escadas e vejo minha mãe na cozinha.

– Quando eu vou pra Coréia?

– Amanhã a noite. – responde friamente.

– Que horas?

– Sete horas. – não olha pra mim.

– Da noite?

– Da manhã.

– Sou descartável? Eu sou?

– Jungkook, vá pra aula.

– Então vocês vão me jogar na Coréia. Vão gastar uma puta de uma grana pra me mandar pra Coréia só porque eu amo alguém? 

– Chega! – levanta da mesa.

– Que ótimos pais vocês são! Eu amo vocês! – ironizo

– Jeon, seu pai decidiu isso sozinho.

– E você não interfiriu! Você permitiu.

– Vá pra aula.

– Adeus mamãezinha querida! – mando um beijo no ar pra ela.

Saio de casa e subo a rua. Jimin está lá em frente sua casa, me esperando.

– Ooi amor! – me abraça.

– Oi Minnie – abraço de volta.

– Olhe seu rosto! Está cortado! Foi seu pai?

– Olha, Jimin... – tento pensar em como dizer mas acaba saindo palavras avulsas – Eu cheguei e agora eu vou... eu vou morar na Coréia e...

– Jeon?! – me chacoalha – Respira! Diga outra vez. 

– Eu vou pra Coréia amanhã! – finalmente digo.

– E quando volta? – começa a andar em direção a escola.

– Não vou voltar. – Sinto meus olhos embaçarem.

– Como assim? – me olha.

– Vou morar com meus tios.

– Mas... por que?

– Sabem que a gente namora, não me querem mais aqui... acho que vamos ter que terminar.

– Jungkook você está me magoando. – olha pra baixo – Não diga isso!

– Jimin, – paro de andar e o faço parar ficando de frente pra ele – eu amo você mais do que um dia amei a mim mesmo. – olho nos olhos dele – Eu vou sentir sua falta, eu queria ficar aqui com você, queria poder ficar bem com o meu namorado... as pessoas são más. – lágrimas escorrem por mais que eu tente segurá-las – Essa foi a melhor parte da minha vida. Você foi a melhor coisa que me aconteceu e você mal sabe o quanto eu esperei pra te comprar alianças. Eu quero que entre na sua cabeça que eu amo muito você!

– Eu também, Kookie! – seus olhos estão marejados – Mas se nós nos amamos tanto assim... por que não namoramos a distância?

– Você tem muito o que viver, Jimin. Várias pessoas pra conhecer, muito o que aprender e muitos pretendentes também. – fecho os olhos e respiro fundo – Você tem que seguir em frente.

– Não faça isso, Jungkook... – me abraça antes que eu possa abrir os olhos.

– Eu quero que seja feliz, Minnie. Seja comigo ou com um outro alguém!

Acaricio sua nuca enquanto tento segurar o choro.

– Seja feliz, Jimin. – Seguro seu rosto – Por você.

Ele concorda com a cabeça e fecha os olhos.

Me deixo fechar também. O deixo um beijo quente cheio de melancolia.

Vamos até a escola sem trocar mais nenhuma palavra. Fomos apenas de mãos dadas o caminho todo.

– Eu te amo... – sussurro tão baixo que quase não consigo me ouvir.

– Eu sei... – responde me fazendo arregalar os olhos por ter escutado.

Vamos até a sala.

                            ***

Intervalo, pátio.

Estou juntando coragem pra contar sobre minha mudança, meus olhos se enchem só de lembrar. Uma das lágrimas cai. Taehyung é o que percebe primeiro:

– Jungkook? Está chorando?

– Estou. – digo seco.

– Por quê? – agora é Hoseok quem pergunta

– Vou me mudar outra vez...

– Isso não é problema cara! Vamos te visitar qualquer que seja o bairro! – Seokjin me anima.

– Não vai ser em Los Angeles que vou me mudar.

– Para onde vai? – Hoseok parece preocupado.

– Vou para a Coréia do Sul.

A mesa fica em silêncio.

– Não perceberam o corte no rosto dele? – Namjoon passa o dedo em seu rosto indicando o local.

– Foi meu pai. – solto aos poucos.

– Seu pai??? – Yoongi finalmente esbanja alguma reação.

– O pai dele descobriu nosso namoro. Como vocês vêem, não gostou da notícia. – Jimin explica de uma vez.

– Poxa, Jeon! – Seokjin sussurra.

– Quando você vai? – Namjoon pergunta.

– Amanhã às sete.

– Então você vem amanhã? – seokjin pergunta.

Não quero me despedir, não quero dizer adeus, hoje é meu último dia aqui e hoje vou ouvir suas piadas pela última vez.

– Claro! Amanhã às sete da noite eu embarco. – aviso.

– Amanhã ninguém falta! – Hoseok ordena – Vamos nos despedir adequadamente!

Sorrio por ver que se preocupam.

– Obrigado...

                             ***

Hora de ir pra casa, hora de fazer as malas, hora de dormir cedo ou tentar.

– Tchau meninos! – aceno para o grupinho que está no pátio.

– Tchau Jeon! – Namjoon sorri.

Saio sem esperar por Jimin. Nosso último beijo foi hoje de manhã, nosso último abraço também, assim como nosso namoro foi terminado hoje.

– Adeus meninos... até a volta. – sussurro olhando pra trás.

                              ***

Passei pela sala rápido, nem me dei o trabalho de olhar na cara de Cynthia, aliás, de mamãe.

No meu quarto tiro minha mala que estava debaixo da cama.

Enrolo minhas roupas para que caibam mais. Levo dois pares de tênis com quatro meias dentro de cada pé. Fico um tempo decidindo qual dos meus livros preferidos vou levar. Acabo decidindo levar nenhum deles.

– Então tchau outra vez.

Começo a chorar.

Começo a me lembrar das piadas ruins de Jin;

Dos conselhos de Taehyung;

Dos afagos de Jimin;

Das festas de Namjoon;

Dos sorrisos de Yoongi e;

Da energia de Hoseok;

Vou sentir mais falta daqui do que eu esperava.


Notas Finais


:3


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