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História O Vampiro de Trieste - Capítulo 56


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Notas do Autor


Foto: orla de Trieste à noite.

Capítulo 56 - Bom demais pra ser verdade - parte 4


Fanfic / Fanfiction O Vampiro de Trieste - Capítulo 56 - Bom demais pra ser verdade - parte 4

IV

- Como assim ela não está no país? - Começou Bonny depois de ter chegado ali com uma pulga atrás da orelha, e instintivamente ter encontrado Jean-Pierre sozinho em casa a escrever um artigo para o jornal onde trabalhava como se não tivesse problema nenhum, e depois de forçá-lo a chamar Karolina ter ouvido aquilo. - Você não só estava escondendo de mim que ela teve um tilt de memória de novo… Está ajudando ela! Dizia furiosa circulando pelo ambiente e pensando em como poderia resolver isso, não só administrativamente, para a comunidade, mas a causa de Beatrice e Aleksander, que perceberiam logo o que estava acontecendo.

- Sim, eu a ajudei. E também Aleksander - disse Sasha suspirando profundamente, não tinha como lidar pacificamente com Izabel nessa situação, seria uma noite difícil - E Mirna. A situação mudou, você não pode simplesmente dar um reset em tudo facilmente.

- Claro que não posso dar um reset facilmente agora - esbravejava sem rumo mentalmente, gostaria de esganar Sasha, por ter escondido isso, por ter toda essa calma, e por fazer parecer que ela era a última a saber, e parecer incapaz de lidar com isso - Se tivesse me dito que tinha algo estranho antes do tilt não estaríamos agora com ela desaparecida onde Judas perdeu as botas e um monte de coisas para deletar e reajustar quando a recuperarmos.

- Não vamos recuperá-la agora. - disse Sasha categórico - Ela percebeu que você vai querer deletar tudo de novo, e isso não está nos seus planos atuais.

- Não me importam os planos atuais dela - disse Bonny furiosa - ela se torna um risco para a comunidade desse jeito. Beatrice vai pirar, e não só Aleksander, mas também o nosso pescoço estará a risco em uma briga que não temos como vencer.

- Você não escuta. - resmungou ele irritando-se - Qual é o seu plano maravilhoso, “última a ficar sabendo”?

- Você sabe. Não precisa provocar a minha ira para piorar as coisas. Respondeu ela atirando uma carta à parede de pedra, e desaparecendo dentro dela, que permanecia ali, em branco.

Ele sabia, claro. Bonny caçaria Karolina como uma ameaça à segurança da comunidade. Todos os envolvidos de qualquer forma nesse submundo estariam prontos para matá-la. Beatrice estaria livre para fazer o que quisesse nesse pandemônio. Estava prevendo que se não acontecesse alguma coisa de impactante nos próximos dias, teriam problemas. Bonny não voltaria atrás, Beatrice faria o ato seguinte na sua vida, como se fosse uma grande tragédia grega em curso no palco, e Aleksander estaria fora de combate. Isso era uma certeza, pensou ele, sabia que Aleksander só tinha conseguido se livrar de Beatrice antes por causa do elemento surpresa. Agora não tinha essa chance.

Tinha que decidir que movimento faria, e de preferência, esse movimento não poderia colocar Bonny em risco. Embora ela mesma já fosse um perigo para si mesma em qualquer situação normal. Colocou um casaco, enfiou os sapatos e saiu de casa. Passou pela orla do porto, procurando por uma presença que lhe pudesse animar. 

Parou no caminho para oferecer petiscos aos gatos que tinham sido retardatários e perdido o banquete de sobras do mercado de peixe fresco. E como essa parte do porto cheirava mal, pensava. Mas, isso era natural que pensasse, nunca gostou de peixe mesmo. O mar não era o tipo de ambiente onde se sentia bem.

- Você sabe que eu odeio gatos… - resmungou Sasha acariciando a cabeça de um gato amarelo que se aproximava desconfiado - Mas talvez pior que isso seja o cheiro de peixe cru. 

- obrigado pela parte que me toca. - Disse aquele vulto que girava para mais longe e sentou-se comodamente em um dos bancos da orla, pouco iluminado, deixando de ser gato. - A quê devo o prazer de te ver fora de casa em uma noite como essa? Disse Aleksander olhando para a noite sem lua. 

- Com toda certeza não é o tédio, como parece ser o seu caso - disse Sasha sentando-se e vendo a lâmpada bruxulear no poste próximo. - Temos um problema. 

- Algo me diz que tem a ver com Karolina - resmungou ele - onde ela está?

- Não sei - disse Sasha vendo-o mudar totalmente de expressão, para a exasperação, ele confiava que Sasha sempre saberia onde ela estava aparentemente - E não creio que descobriremos fácil.

- O que quer dizer com isso? O que aconteceu exatamente? Pediu Aleksander apressado.

- Ela te disse que está trabalhando com a sua advogada ultimamente? A mafiosa russa bonitona? Pediu Sasha vendo que aparentemente ele não sabia ou não tinha se dado conta.

- O que isso significa exatamente? Você fechou os olhos para uma situação perigosa como essa? O que pensa que está fazendo, Sasha, meu amigo…

- Tudo isso… Era bom demais pra ser verdade. Esse tempo de stand by entre os problemas que deveríamos resolver e empurramos com a barriga - disse Sasha suspirando - Karolina recuperou as informações que Izabel deletou sozinha, e rápido demais para que eu pudesse decidir uma linha de ação diferente e corrigir isso. Antes de te fazer saber disso ela já tinha entrado em contato com Constantina, ou vice-versa, essa parte não sei quem iniciou tratativas. Mas o fato é que ela sobreviveu sozinha envolvida com eles até agora. E eu acho que sei porque ela escolheu fazer isso.

- Porque ela iria se envolver com o mundo do crime se era contra esse tipo de problema na sua vida? E porque se expor a mais perigo de propósito quando temos tantos problemas… Resmungou Aleksander inconformado.

- Exatamente para se expor ao perigo - disse Sasha vendo que o seu interlocutor parecia pasmo - ela sabe que tem que adquirir experiência para sobreviver a adversidades sem depender de qualquer um de nós, você sabe bem que fora você mesmo, nenhum de nós realmente arriscaria a vida para salvá-la, nós geralmente pensamos primeiro na nossa pele ou de quem é mais próximo de nós.

- Isso parece estúpido, mas não é desprovido de razão. Eu não seria o que sou se não tivesse girado o mundo diversas vezes sob estes pés. - disse Aleksander pensando na sua própria trajetória, mas ela não tinha todo o tempo do mundo para adquirir as mais variadas experiências, ele acabou iniciando com um objetivo, e descobrindo que a viagem era o mais importante em si mesmo, e que parar lhe causava problemas, vide Beatrice - Mas agora você disse que ela está em qualquer lugar, e que não temos condições de encontrá-la. Você sabe que isso é um risco grande demais pra corrermos…

- Na verdade - disse Sasha respirando profundamente e raciocinando por um minuto - é melhor pra ela que não seja encontrada tão cedo. Ela estava em meio a isso, e seja porquê raios, Izabel decidiu que deveria controlar como estávamos, há pouco ela saiu bufando do seu porão, e provavelmente vai caçar Karolina até os confins onde sua rede permitir.

- Ela percebeu que tudo está fora do padrão desenhado nos planos, e não admite que tem que mudá-los, certo? - disse Aleksander rindo consigo mesmo - É uma criança perfeccionista, e não percebe quando perdeu a jogada. Não sabe levar nada na esportiva.

- Bem, você é o pai, resolva. Disse Sasha abanando as mãos expressivamente.

- dê tempo ao tempo, ela vai se acalmar e perceber a bobagem, é pavio curto, não estúpida. - disse Aleksander conformado - Agora, sabendo que ela está fora do mapa, é minha deixa para sumir do mapa e me livrar do tédio com Beatrice.

- Tédio. Se todos os casamentos tivessem problemas como esse. Resmungou Sasha um pouco mais relaxado.

- Bem, o meu problema com Beatrice, fora o fato de ser obcecada e ter alguns gostos duvidosos, principalmente é o tédio - disse ele dando de ombros - não é que eu não goste dela, é que os defeitos superam em muito as qualidades para ser possível conviver. É impossível ser fiel a uma criatura assim.

- Falando a verdade, você era mais fiel a qualquer relacionamento quando não tinha obrigação de ser. É de muito tempo que o conheço. Disse Sasha sem querer desmerecer o que o outro disse, mas consciente de que as coisas não eram assim tão simples.

- Isso também, afinal, quem aguentaria um relacionamento por mais de alguns anos em meio ao tédio e uma prisão mental? - disse Aleksander concordando - E provavelmente isso me faz parecer um cretino. E reacenderia a discussão incômoda que evitei quando conheci Karolina, e ela tinha há pouco se desvencilhado de um relacionamento mais ou menos duradouro por uma situação chocante.

- Dizer assim, ao aberto, que é favorável a não levar a sério um relacionamento, seria dizer nesse mundo que pouco se importa com o conceito de monogamia ou o que entendem por traição - disse Sasha, sabia porque o outro pensava assim, e não podia dizer que não era favorável a uma vida mais desregrada, ele mesmo era caótico - E pelo que sei eu, Karolina viveu algo que para a sua vida certinha poderia ser dito um trauma. Você não resolveu esse problema, nem Mirna ou outras pessoas na vida dela. Ela só esqueceu que isso doía porque teve traumas piores depois de te conhecer.

- Não precisa me dizer que sou o portador da tragédia… - resmungou Aleksander consigo mesmo, e de fato, era o portador da calamidade - Mas, realmente, as pessoas de hoje são escravas de si mesmas, na vida, no trabalho, nos relacionamentos. Como se cada coisa que desejasse fazer fora do normal fosse talvez um “erro” ou algo que te fizesse arriscar perder aquela outra pessoa. Não, impossível, sem um nível alto de confiança não se vai adiante. Mas fazer tudo que se quer da vida em geral implica em infringir os limites morais deste mundo moderno. Eu sei, o meu tempo acabou sepultado em um novo tipo de sociedade que não tolera essa liberdade da alma.

- Você tem um pensamento aberto demais para esse mundinho de gente que vive no máximo um século, com limitações - disse Sasha pensando que as coisas poderiam se desenrolar em outros problemas no futuro, ou poderiam vir a se tornar muito mais simples, passados os perigos mortíferos atuais - Mas não penso que terá condições de fazer Karolina entender isso tão fácil. Enquanto ela não tem esse tipo de experiência por si mesma. Existem pessoas que não sabem separar um relacionamento sério de qualquer outra coisa que pode acontecer, e que não quebra necessariamente a confiança existente.

- Quer dizer - disse Aleksander - Existem pessoas como Beatrice, e existem pessoas como…

- Como Mirna, que pouco se importa - disse Sasha contando nos dedos - como você, que aprendeu a relaxar e viver, ou como eu, ou Jean-Pierre aqui, que pouco se importaria se você tem interesse em Karolina se ela tivesse dado qualquer chance. No fundo, amizade e diversão são uma coisa, algo duradouro é o que eu vejo na tresloucada da Izabel.

- Obrigado por me dizer que não posso confiar em você em se tratando de mulheres. Disse Aleksander, e riram os dois. Não importava. Tinham todo tempo do mundo, certas coisas eram apenas farelos, os problemas importantes bateriam à porta logo.

 



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