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História O Vampiro de Trieste - Capítulo 58


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Capítulo 58 - Inimigo invisível - parte 2


Fanfic / Fanfiction O Vampiro de Trieste - Capítulo 58 - Inimigo invisível - parte 2

II

Estava tomando um chá com tranquilidade, escutando a vida tediosa de Svetlana como esposa de um contador ali naquela cidade, enquanto Dmitri tinha direito a tomar um banho e provavelmente tinha esperanças que as mulheres se entendessem. Ele não parecia muito disposto a brigar com a irmã de novo, mas ela não parecia querer um problema na sua vida. Tinha se redesenhado. Escapado dos problemas, criado uma vida normal. Não queria se lembrar do passado, mas da infância com Dmitri ela falou.

Pelo rumo da conversa, parecia que a esperança de Svetlana era que Karolina fosse quem tivesse tirado o seu irmão caçula do mundo do crime. Deixou que ela continuasse pensando assim, era melhor que tivesse esperanças no momento. Enquanto eram bem recebidos, e podiam estar discretamente em um lugar onde ninguém a conhecia. Um lugar apenas com humanos. Mas sabia que a escuridão chegaria, e que não era como se estivessem realmente sozinhos.

Ela os deixou dormir ali, contando uma história convincente de que estavam de passagem, e o marido engoliu isso, sem desconfiar muito, se fechando de novo em copas para trabalhar no seu escritório. O único quarto de visitas, Svetlana deixou a ela, e colocou o irmão em um colchão extra no meio da sala. No dia seguinte teriam que seguir viagem, pensava Karolina, não queria estragar uma chance de reconciliação, já que parecia que esses dois eram a única família que restava um ao outro, mas era perigoso demais ficar e ser notado.

Tinha notado que a família ali tinha adquirido um gato de rua, e não fazia muito tempo, como dizia Svetlana, mas tinha mais outros dois ou três buscando esse lugar de aconchego e comendo e bebendo de qualquer coisa que ela oferecia na parte de trás do pátio, e fugindo para o resto do bairro durante o dia. Era o primeiro que tinham conseguido domesticar, diziam, e apareceu ali a pouco menos de 10 dias. 

Karolina estava sem sono. Levantou-se, enfiou o casaco por cima do pijama, e abriu a porta da sacada. Escutava um tic tic de patas, e via ao longe um gato escalando pela janela, sem perceber bem o seu formato. Não era muito diferente do gato da universidade, pensou saudosa. Ficou com medo que caísse da beirada da janela no pulo que deu até a sacada. Mas veio tranquilamente, deixou-se ser acariciado, e sentou-se ali.

Ela o observava pensando que coincidências não existiam. Esse era o seu gato da universidade. O que estava fazendo a dois mil quilômetros de lá, esperando pacientemente na casa da irmã de Dmitri, para quando aparecessem providencialmente, em meio ao caminho para um trabalho determinado por Constantina. Não existiam muitas cabeças capazes de ligar todos esses pontos.

- Não acredito… Disse dando dois passos para trás, e preocupando-se, levando a mão para as costas e sentindo que estava desarmada totalmente. 

- Não existem coincidências - dizia uma voz conhecida e ela via que aquela névoa escura era familiar também - Não sei o que é mas se estivesse armada lhe dava um tiro. É o que pensou, certo?

- Aleksander… Depois da surpresa do instante, um suspiro de alívio, embora uma parte de si dissesse que se ele não a tivesse entendido bem, poderia ser uma conversa perigosa.

- Como poderia ter coragem de pensar em atirar em um pobre gatinho perdido? É cruel… Disse ele fazendo um gracejo. Tudo estava bem, pensou ela relaxando.

- Não vou pedir como chegou até aqui porque imagino - disse ela sendo um pouco mais prática - Mas, você não acha que abandonou a sua parte na coisa toda…

- Beatrice já percebeu que tem alguma coisa errada. Está se preparando para alguma coisa - começou Aleksander - Izabel está colocando todos que pode atrás de você, ela não aceita ter falhado em uma coisa pré determinada. Só vai desistir de corrigir tudo quando perceber que não tem mais solução. Vai um pouco de tempo. Eu estava morrendo de tédio com Beatrice. Falei com Sasha e com Constantina, e voilà.

- Tédio? Você não pensa que conseguimos nos esconder se a quantidade de gente for suficiente para transformar uma fuga discreta em piquenique, certo? Disse ela pensando que agora não tinha ideia do que Aleksander tinha em mente.

- Não sabe como é horrível estar com Beatrice. Mesmo que eu a ame, de fato nosso casamento terminou a séculos, mas ela nunca vai admitir me dividir com o mundo. - disse ele fazendo um gracejo - Não se preocupe, não posso seguir o seu caminho agora. É mais útil que procuremos pelos antigos, alguém deve saber a origem de Beatrice, e logo, um modo de acabar com ela.

- Você é um deles, se não sabe… - começou Karolina pensando em duas direções simultaneamente. Um ponto era a respeito de como se livrar de Beatrice, o outro, que guardava para si como dúvida, era aquela pontada de “sentir-se a outra” depois de ouvir que Aleksander ainda amava Beatrice. Não sabia como lidar com isso, mas esperava que não transparecer isso no rosto nem no falar - Isso significa que ela é mais antiga que você. Como espera que encontremos alguém que se lembre disso e seja de antes do império romano, e que seja menos perigoso que você para ter uma conversa?

- Não significa que ela seja mais antiga - disse Aleksander - significa só que eu não obtive essa informação durante a minha vida. Mas é provável que os antigos a tenham. Não tenho esperanças em ninguém com a idade de Izabel ou menos. Seriam lendas urbanas.

Ele parou de falar um pouco. Pela expressão que tinha ela sabia que tinha deixado transparecer que não se sentia confortável com Beatrice, e com tudo isso. Ele sabia o que tinha dito, e parecia intencional, pensava enquanto sentia aquela carícia que não a tocava na face, um momento de contemplação. 

- Você precisa superar a ideia de que seria como Karen agora. - disse ele vendo que ela se surpreendia e alargava o olhar, realmente, era nisso que estava pensando, ainda tinha dúvidas sobre o que estava realmente fazendo da sua vida e com tudo ao seu redor - Pode parecer absurdo ou cretino da minha parte. Não se limite por essa moral toda. Eu não tinha intenção de viver uma prisão emocional com Beatrice, e não tenho nenhuma intenção de viver isso com você. Isso vale para você também. 

- De onde está vindo essa ideia? - Pediu Karolina desconfiada. Podia entender o que ele dizia, e isso parecia um cheque em branco para tudo, mas de traição na sua vida tinha tido uma bela cota. - É dizer que você não pretende iniciar um relacionamento sério depois que tudo isso passar ou que pouco se importaria se eu...

- Eu imaginei que você estaria ainda pensando no que te aconteceu há dois anos, e uma parte do seu cérebro não está gerenciando bem o que você vai fazer da sua vida agora. - disse ele cutucando-lhe a testa - Não, não significa que eu não te considere seriamente, ou não imagine o mesmo, e você sabe disso. Significa dizer que eu confio em você, e que você não é minha prisioneira. 

- Eu nunca pensei que veria um relacionamento como uma prisão - disse ela um pouco chocada com as próprias conclusões. Sabendo que no momento ele estava com a esposa, era difícil imaginar que em todo aquele ano não estivessem vivendo mais ou menos normalmente, até o limite do que poderia pensá-los como normais. Mas no fundo, não se sentia enciumada ou frustrada por isso, não era como ser traída inesperadamente. - E eu não espero que seja um prisioneiro para mim. Mas, como se sentiria me vendo com outra pessoa? Já pensou nisso?

- Pouco me importa que você nutra ou não sentimentos por outros seres humanos ou não, enquanto existir confiança de que você está comigo. - disse ele rindo, tranquilo, e ela percebia como era mal resolvida todo esse tempo, enquanto ele tinha a serenidade de simplesmente continuar a levar a vida como bem parecia - Pouco me importa se tenha dois ou três ou dez outras existências que encontre únicas no mundo e ame, ou que simplesmente se divirta sem compromissos. Eu vivi a minha vida assim, e não passei um dia entediado. Até que o casamento arruinou a minha viagem eterna pelo mundo.

- Depois de viver tanto, você deve ter ficado um pouco demente… Disse ela rindo, de fato, não tinha como se sentir ofendida com isso. O que ele dizia, mesmo que uma parte de si rejeitasse como imoral, era a salvação de qualquer relacionamento. Confiança. E nunca se entediar.

- Um pouco sim - disse ele fazendo uma careta - mas só um pouco. O resto é senso de humor.

Sorriu, e ficou tranquila por um tempo que não contava, em um terno abraço. Essa tranquilidade lhe fazia bem. Mas, a roda do mundo se moveria, e rápido. O telefone de Aleksander vibrou no bolso do casaco.

- Diga o que houve, Sasha?

Ela não ouviu o que ele disse, mas serviu uma frase e Aleksander desligou o telefone.

- O que houve? Pediu Karolina preocupada.

- Beatrice desapareceu. - disse ele com uma expressão frustrada - Ela percebeu que estamos brincando com ela. Você tem que se manter indetectável, agora, temos um inimigo invisível. Disse ele aparentemente irritado com isso, passando a mão no rosto sem dizer mais nada e curvando-se sobre o balcão.

- E, o que vai fazer agora? Disse ela sem saber se continuavam a procurar por informações e preparar-se para o que viria, ou se as coisas tinham mudado.

- Agora… - disse Aleksander erguendo-se com uma expressão de criança que tinha ideias - Deixe os problemas para depois, tudo segue, com cautela. Agora vamos pregar uma peça no nosso pequeno Dmitri.

- Não sei o que tem em mente, mas não recomendo. - disse ela com expressão de que alguma coisa não andava bem - Ele viu o que aconteceu no bunker…

- Como assim? Ninguém saiu vivo de lá fora você. Disse ele seguro da informação.

- ele não estava lá - disse ela suspirando - eu acidentalmente o fiz entrar naquela memória. Digamos que isso foi uma experiência perturbadora, ele não sabe de nada do que existe no escuro.

- Bem, o melhor jeito de resolver isso é enfrentando o problema. Disse ele sinalizando para ela o que pretendia fazer.

Ela fechou a porta do balcão, e desceu as escadas para o primeiro andar, no meio da sala via que Dmitri não estava exatamente dormindo. Girou a lateral do sofá e aproximou-se.

- Ah, é você… - resmungou ele sonolento - Você vai dirigir amanhã, precisa dormir. Disse, desobrigando-se disso, estava exausto e não conseguia pregar o olho.

- Não esperava trazer pesadelos para você… Mas, isso vai terminar logo. Disse ela gentilmente, e ele notou que ao final tinha algo estranho na voz dela. Na expressão. 

A pouca luz que vinha da rua não lhe permitia entender bem que tipo de expressão era aquela, mas lhe parecia ameaçador. Isso terminaria, não, a menos que estivesse morto… Esse pensamento lhe dava um calafrio vendo a expressão séria que Karolina fazia. Uma névoa escura vinha girando no ar e descendo as escadas, circundando-a, e isso lhe fazia sentir aterrorizado. Estava morto. Pensou, imediatamente.

Aquela imagem de terror do desconhecido o fez levantar-se em um salto, e pegar a arma ao lado do colchão escondida entre o sofá e o tapete. Suas mãos tremiam, e não sabia realmente se resolveria atirar contra ela. Era um demônio.

- Você sabe que isso não vai funcionar, Dmitri. Disse uma voz que há muito não escutava, e via Aleksander à sua frente, solidificando-se, e tirando-lhe a arma das mãos trêmulas.

- Eu sei que seria mais fácil se fossem alucinações. Disse Karolina colocando as mãos nos ombros de Dmitri que deu um salto, não tinha sequer percebido que ela tinha saído de onde estava, e se colocado às suas costas.

Aleksander não resistiu e começou a rir. E assim se foi a tensão no ar. Karolina sabia que terminaria desse jeito, e suspirava pesadamente empurrando Dmitri contra o sofá onde caiu sentado desajeitado, sem saber como reagir, ou o que fazer. 

- Desculpe por isso, - começou Aleksander que continuava a rir, vendo que o rapaz não sabia o que fazer ou dizer - Se acalme você não vai morrer hoje.

- Isso não tem graça. Resmungou Dmitri encolhido no lugar onde Karolina o arremessou, vendo que aqueles dois pareciam tranquilos, mas não sabia se conseguia se sentir assim depois do que viu. E compreendia porque Aleksander era um nome que abria tantas portas com Constantina. Ela também tinha medo da morte afinal.

 



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