História O vampiro, o tigre e o dragão - Capítulo 4


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Categorias EXO
Tags Chen, Fantasia, Harem, Lay, Políamor, Romance, Serienoturnos, Sobrenatural, Vampiro, Xiumin
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Palavras 5.452
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Harem, Hentai, Literatura Feminina, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Espero que gostem 😊
Boa leitura 😊😉

Capítulo 4 - Os Ryvens


Fanfic / Fanfiction O vampiro, o tigre e o dragão - Capítulo 4 - Os Ryvens

 

  Assim que estava mais dentro do corredor, percebi que não estávamos sozinhas. Outra jovem estava ali e me encarou. Ela devia ser um pouco mais nova que eu e bem mais alta, os cabelos intensamente vermelhos brilhavam com as luzes fluorescente e o jeans rasgado e a camiseta de banda demonstravam que era tão despojada quando Nina. Ela deu um risinho diante do meu olhar avaliador.

— Eu sei, sou meio estranha, mas não deixe que isso a intimide, sou um gatinho por dentro, juro. Meu nome é Kristen e acho que já conhece meu irmão Chan.

— Sim. 

  Sorri em retribuição e logo me vi caminhando entre as duas, o corredor era longo.

— Lamento que tenha entrado escondida, é que as coisas estão um pouco tensas no salão principal, então achamos melhor poupá-la da loucura por lá. — Nina pegou minhas mãos e eu senti que a sua não era gelada como a de seu irmão, era quente, bem mais quente que a minha. Meus olhos voltaram-se a nossas mãos entrelaçadas, ela compreendeu e assentiu: — Não sou fria porque sou apenas meio-vampira, minha mãe era humana quando nasci e o gene dela é dominante sobre o do meu pai.

  Eu concordei diante do sorriso sereno e gentil dela. Caminhamos por algum tempo e então entramos em uma área aberta de teto alto, parando diante de uma imensa porta prateada. Nina a abriu e eu deixei o queixo cair, foi impossível evitar, parecia que eu entrava em outro mundo. 

  Diante de mim surgiu um jardim interno vasto e lindo, com fontes borbulhantes, trilhas entre as árvores e flores feitas de pedras minúsculas. O teto era feito de várias lâminas de vidro que deviam se abrir por algum mecanismo. Um corredor em forma de meia-lua levava a outros corredores e, na mureta que cercava o corredor, duas pequenas crianças brincavam com bonecas enquanto três mulheres estavam sentadas em almofadas ao redor conversando. Outras mulheres estavam espalhadas pelo jardim, porém quando ouviram a porta se abrir começaram a se agrupar no corredor e olhar para mim. Elas eram tão diferentes entre si que me senti em uma convenção de nacionalidades, e todas sem exceção eram bonitas, da mais jovem à mais madura.

  Nina quase me arrastou até elas, que sorriam de diversas formas. Uma mulher tão pequena quanto bonita, de olhos azuis e cabelos muito longos de um tom amendoado, deu dois passos até mim e pegou minhas mãos de modo maternal:

— Seja bem-vinda à nossa casa. Sou a primeira esposa e mãe de Lay. Meu nome é Brigith. 

  Seu português era muito carregado e então me dei conta de que também havia conversado em minha língua com Nina e Kristen, elas deviam saber que eu era brasileira, embora o português que usavam era a língua lusitana. As outras não deviam saber o idioma e, para ser mais justa, eu respondi em meu inglês médio:

— O meu é Ellora, muito prazer. 

  Ela sorriu aliviada por eu falar uma língua mais simples e fácil, as outras pareceram aliviadas também, porque uma jovem de pele morena e cabelos cacheados e negros como a noite se colocou ao meu lado:

— Sou Ártemis, quarta esposa do rei. 

— E eu sou Carmen, a terceira esposa, somos quase conterrâneas, querida. Vou gostar de ter uma latina aqui nesta casa que, pelo que já percebeu, é muito eclética. Ryven trouxe o que há de melhor entre as mulheres para seu paraíso particular. E olha que somos mais do que um mundo de mulheres maravilhosas. 

  Carmen era morena clara, olhos castanhos e aparentava estar entre os trinta anos. Seu sorriso era fácil e tinha uma aura despachada como Nina e Kristen.

— Certo, agora chegamos ao ponto do quanto somos exóticas! — Nina revirou os olhos enquanto Carmen empurrou de leve a enteada. Ou seria o quê? Era uma família tão diferente!

  Ela me apresentou para as outras rainhas e depois para as outras mulheres que viviam ali, e de repente minha cabeça já nem guardava mais os nomes. Ela percebeu isso, porque em determinado momento pegou o meu braço e me afastou delas:

— Certo, chega por agora, meninas, Ell precisa descansar e já a estamos alugando por muito tempo. Agora vou levar nossa nova hóspede para descansar antes da reunião familiar. 

  Nina me levou para o corredor do canto enquanto eu olhava para trás vendo as mulheres voltarem ao que faziam. Aquele jardim era mesmo lindo e as rainhas muito legais. Nina abriu uma porta no fim do corredor e entramos, ela fechou a porta e encostou-se a ela de forma quase dramática, eu ri.

— Até que fim estamos sozinhas. Estava vendo a hora em que você ia cair de cansaço!

— É? 

  Eu estava cansada realmente, mas a relação familiar delas era tão fascinante que havia me esquecido.

— Lay me esganará se eu não a colocar em seu quarto para pelo menos descansar.

— Este é meu quarto?

— Por ora sim. Ainda é solteira, então está na ala de jovens perdidas e infelizes, como meu tio nos classifica. — Rimos juntas. — Temos algumas rotinas em casa e uma delas é que sempre à meia-noite toda a família se reúne na sala de reuniões. Na verdade, é um lugar amplo e gostoso onde nos encontramos todos para conversar e fazer várias coisas, é um momento família, sabe? Papai tem dessas coisas, até meia-noite ele resolve coisas do reino, depois ele deixa a fachada de rei e entra na de pai, é divertido. Ele quer conhecê-la também, tudo foi adiado e você não o conheceu primeiro porque era de extrema importância o assunto “tio Sfenzo”, mas agora as coisas voltarão ao normal.

— Seu tio fez algo muito grave, não foi?

— Foi. — Ela suspirou e se sentou na cama. — Temos regras em nossa sociedade, Ell. Sente ao meu lado, vem. — Ela bateu na cama e eu me sentei ao lado dela, que me olhou séria. — Uma das regras é não beber de inocentes, categoria em que estão enquadrados muitos, como crianças, mães com filhos, pessoas que nunca fizeram mal a ninguém, dentre outros. Em resumo, só podem virar comida os humanos que cometem crimes, sangue ruim é mais forte e saboroso, não há motivos para caçar outros. 

  Eu perdi por um momento o ar dos pulmões. Ela notou, porque me sacudiu de leve.

— Desculpe se não tenho muito tato, mas é essa a realidade.

— Não, tudo bem, eu já devia estar preparada.

— Quer parar por aqui?

— Não, pode continuar. — Fechei os olhos por um momento e depois me voltei a ela que continuou:

— Bem, vampiros não precisam beber todo os dias, quem faz isso é mais por gula do que outra coisa. Ainda que sangue humano seja mais gostoso, há outras possibilidades. Sangue doado, por exemplo.

— Como assim?

— Minha família é dona de duas grandes empresas de banco de sangue, com isso temos sempre sangue engarrafado retirado legalmente de doadores que recebem muito bem por isso, é sangue frio e conservado e é quase tão bom quando in natura, digamos assim. Eu diria que cinquenta por cento de todos os vampiros do mundo se utilizam dessa fonte fácil de sangue, os demais, tradicionais, têm que seguir as regras, e os que não seguem são rigorosamente penalizados. Nosso tio rompeu as regras e fugiu. Ele bebeu de uma criança e a matou, uma das piores ações de um vampiro. 

  Eu estremeci, ela suspirou.

— Só estou te contando para que entenda que somos muito sérios sobre essas coisas, sabe? Agora chega, né? — Ela se levantou e mexeu os braços tentando espalhar os pensamentos tristes. — Precisa descansar, em uma hora eu volto para buscar você, vamos todas juntas esta noite. Relaxe, Ell! 

  Ela saiu fechando a porta em silêncio, e eu fiquei pensando sobre tudo o que tinha ouvido desde que cheguei ali. Pareciam dias e não horas.

 

 

 

  Não consegui dormir de tão distraída com meus pensamentos. Deitada na cama eu me perguntava mais uma vez o que eu fazia ali. Como minha vida podia mudar tão radicalmente em tão pouco tempo? Não havia relógio naquele quarto e o calor era agradável, diferente do frio lá de fora, que não permitiria que eu me vestisse com um vestido tão leve quanto o que eu usava agora. Tomei banho e me troquei tão rápido que parecia que era outra pessoa, mas agora estava deitada, olhando para o teto cor gelo e tentando compreender o porquê de tudo aquilo! Eu achava que nunca iria entender. 

  Minha vida agora parecia um conto fantástico e irreal. Eu não conseguia acompanhar todas as mudanças, me sentia fora de contexto. O tempo passou e eu me senti meio leve, meio fora de mim. Quando uma batida suave na porta foi seguida pela entrada de Nina e Kristen, eu pensei realmente se poderia permanecer mais algumas horas enrolada na cama.

— Você está abatida, Ell! — A voz de Nina reverberou pelo quarto e eu me limitei a permanecer com os olhos no teto.

— Estou cansada.

— Isso é depressão! — Acusou Kristen que, em um pulo suave, mas certeiro, caiu sobre mim e depois me levantou como se eu fosse leve como pena. Segundos depois eu estava de pé, na frente dela. — Você precisa se distrair, isso sim, precisa dançar e se divertir, Ellora, e eu sei onde ir, nós iremos para a casa mais badalada e divertida de toda a Rússia, você vai se animar. Confie em mim e voltará novinha em folha!

— Temos de pedir autorização, lembra, prima? — Nina pegou meu braço e enganchou no dela, me arrastando para fora do quarto. — Os homens nos esperam, depois vemos isso!

  Havia uma leve euforia em sua voz que acendeu minha curiosidade, me vi rapidamente envolta pelas mulheres que nos esperavam no jardim. Era um grupo grande e eclético, nós saímos em uma quase procissão e só então notei realmente como era a construção. Os corredores eram bem mais largos do que eu pensava e o palácio era de fato enorme.

  A irmã de Lay e Kristen estavam diretamente ao meu lado e caminhávamos atrás das esposas do rei, todas muito próximas e altivas, eram rainhas, sem dúvida alguma. Entramos em um salão espaçoso onde finalmente pude ver outras pessoas. Todas se curvavam enquanto as mulheres atravessavam o salão, havia homens bonitos e alguns estranhos. Seguimos por outro corredor, mais parecido com um hall, e me deparei com uma imensa escada de mármore no meio dele, por onde subimos e na sequência entramos em outro ambiente que tinha uma porta imensa com duas folhas de metal prata. Dois homens estavam lá dispostos como se fossem seguranças, vestidos completamente de negro e mantendo seu olhar no vazio. Fizeram uma reverência a elas e abriram a porta. 

  Era uma sala bonita e ampla. Uma imensa lareira tomava quase toda a parede do fundo, onde também havia um piano e uma estante lotada de livros. Ali tinha sofás e divãs espalhados, uma estante mais pesada onde uma TV de tela plana tão grande quanto o móvel exibia um programa em russo, um aparelho moderno de som e outro de vídeo traziam-me de volta à realidade, tirando-me da fantasia de que ali era outra época. Tapetes e cortinas de bom gosto enfeitavam o ambiente, que ainda tinha uma mesa de jantar muito grande e já posta. Havia um tabuleiro de xadrez disposto em outra mesa e uma escrivaninha coberta de papéis e dois laptops, aquilo parecia ser um estúdio! 

  Senti as mãos de Nina tocar meu rosto e percebi que estava de olhos arregalados. Kristen falou rápida, passando por mim:

— Você se acostumará, vem! 

  Ela correu como uma criança e se jogou em um dos sofás. As rainhas se espalharam pelo local e uma delas veio até mim: 

— Venha conosco, deve estar com fome tanto quanto eu. — Ela me abraçou e me levou até a mesa de jantar, me fez sentar em um dos lugares e sentou-se à minha frente.

— Coma, criança, sirva-se à vontade. 

  Havia de tudo na mesa e os pães chamaram minha atenção como os doces decorados quase à minha frente. Eu sempre era atraída pelos doces e minha compulsão venceu minha sobriedade, a rainha sorriu quanto me viu atacar os doces.

— Gosta de doces, Ellora?

— Sou viciada neles, é quase tão bom quanto sorvete de chocolate. — Eu suspirei diante da lembrança. — Desde que saí de casa não vejo açúcar suficiente!

— Deixarei avisado para que levem doces para seu quarto quando quiser. 

  Freia, era o nome dessa rainha, tinha um sorriso suave e eu me senti grata.

— Terá minha devoção por isso.

— Acho que não é para mim que você deve dizer essas palavras, mas daremos tempo ao tempo. Bem, os homens chegarão em alguns instantes, poderá conhecer todos então, toda a família. 

  Eu a ouvia, mas minha atenção voltava aos doces de fruta como uma criança, até que senti um arrepio estranho e olhei para o lado. A porta se abria e a primeira coisa que vi foi um Lay deslumbrante entrar. Havia outros cinco junto com ele, mas era nele que meus olhos pararam. Já o tinha visto de modos diferentes, porém nunca em um terno tão formal, deixava-o mais atraente e lindo...! 

  Ele olhou para mim de uma forma estranha que não consegui decifrar, depois sorriu realmente divertido, e eu demorei a perceber que todas as mulheres tinham se levantado e eu continuava sentada com as duas mãos cheia de doces. Levantei-me rápida e sem jeito e, para minha vergonha absoluta, notei que todos me olhavam. Abandonei os doces na mesa e tentei manter a cabeça erguida, embora soubesse que devia estar vermelha como um tomate.

— Então és a jovem que meu filho e meu sobrinho trouxeram? — A voz grave e profunda atraiu meus olhos de imediato e então vi seu dono. O rei. Era o homem mais alto dentre eles, usava social e trazia uma corrente como a de Lay em seu pescoço. Era imponente, forte, de profundos olhos verdes e porte de líder. Os cabelos eram escuros, espalhados em seus ombros largos, a camisa branca com um colete vermelho o fazia parecer um lorde antigo, mas o corpo tão grande e forte me lembrava os vikings, ainda que ele fosse moreno como os espanhóis. 

  Era a versão mais velha, musculosa e quase intensa do Lay.

  Ele sorriu tão divertido quanto o homem que me trouxe até ali e pareceu não perceber que eu o olhava tão boba quanto havia feito com seu filho. Para meu espanto, veio até mim e, com cuidado, ergueu meu queixo, olhando-me por alguns instantes antes de me dar um abraço forte. Ele era frio como Lay e bem mais agressivo, apesar de que parecia não perceber. Quando se afastou, seu sorriso era afável:

— Bem-vinda à minha família.

— Obrigada, majestade. — Fiz uma leve mensura e então senti sua mão em meu braço:

— Não deve se curvar, dentro destas paredes somos todos iguais e mulher alguma em minha família me trata como rei, apenas como homem, salvo quando estamos longe de casa, o que não é o caso. Bem, deixe-me vê-la melhor... — Ele olhou para a mesa e depois se voltou para mim: — Doce como um doce, perfumada como açúcar! Não é à toa que Lay a trouxe para casa. Vamos, já te separei do seu desejo, estamos em uma sala familiar agora e este é um momento para usufruir. 

  Ele se afastou de mim e pegou Freia pelas mãos, indo à suas outras esposas. Nina correu para ele e o abraçou, Lay parou ao meu lado tão rápido quanto os segundos passados desde que seu pai saiu:

— Vejo que ainda está cansada. — Ele encostou seu rosto no meu e sussurrou: — Mas os doces estão melhorando seu espírito. Eles te deixam com um cheiro especial.

— É o açúcar. — Minha voz soou trêmula, ele se afastou um pouco.

— Deixe-me apresentá-la ao meu tio e meus irmãos. — Ele pegou minha mão e me levou até perto da lareira, onde um homem muito parecido com ele me encarou. Tinha um rosto mais formal e atento, não era tão suave como o irmão, mas tinha o mesmo brilho gentil que me fez saber que gostava dele.

— Yixing, esta é Ellora.

— Seja bem-vinda. — Ele me abraçou e depois me beijou a face. Quando se afastou, seu ar sério foi substituído por um sorriso divertido como o que eu tinha visto no rei e em Lay. — Tens o cheiro mais doce que já senti, é por isso que meu irmão está embriagado.

— Cala a boca, Xing! — Lay deu um murro suave no ombro do irmão e ambos riram. Tive de rir também, era tudo tão natural. 

  Outro homem se aproximou e me olhou com atenção enquanto pensava. Pareceu ter se decidido por algo, pois estacou à minha frente e ignorou os dois irmãos enquanto dava um beijo suave em meus lábios. Dei um passo para trás e vi o sorriso abrasador dele, que era loiro, jovem e quente. Me senti meio confusa enquanto o observava e seus olhos amendoados também me avaliavam. Em seguida riu de maneira natural e deu um tapa no braço de Lay:

— Guarde-a bem, pois ela ainda está insegura e é a mulher mais suave que já vi. Se não cuidar do seu prêmio pego para mim!

— Faça isso e verá que posso não ser tolerante. — A voz de Lay soou intensa aos meus ouvidos, o irmão estava brincando, mas ele levou a sério e o outro percebeu, porque relaxou e assentiu:

— Estou farreando contigo, irmão, é lógico que a vejo como irmã, sou cafajeste demais para donzelas desprotegidas, mas é claro que como família matarei por ela.  

  Percebi como aquelas palavras faziam sentido para eles, pois todos relaxaram e Lay voltou a sorrir. Para mim aquilo era meio assustador, no entanto para eles parecia um código. Lay ficou mais próximo, quase me enlaçando com seu corpo, e então falou com sua voz atraente e atenciosa:

— Este é meu outro irmão, Baek, ele é filho de Freia e um irritante arrasador de corações, mas eu gosto dele mesmo assim, infelizmente. 

— Bom, é um prazer conhecê-la, agora venha comigo Baek, deixe Lay respirar.

— Certo, estamos sobrando mesmo. — O loiro piscou para mim e depois seguiu Yixing para o outro lado da enorme sala. Lay abraçou minha cintura:

— Me desculpe por eles, minha família é muito irreverente para os padrões.

— Gosto deles — respondi de pronto. Era a mais pura verdade. — Eles me tratam como se eu pertencesse a este lugar.

— Não gosta disso? — Ele fez a pergunta um pouco inseguro e eu me perguntei o porquê. Será que pensavam que tínhamos algo sério? Ele deve ter visto meu alarme interior, porque me levou até um divã desocupado e me fez sentar diante dele:

— Eu a trouxe para ficar bem e não nervosa. Ainda confia em mim, Ellora? — Eu fiz que sim com a cabeça, ele me olhava como se quisesse me dizer algo mais, porém pensava melhor e então encostou seu rosto novamente no meu: — Diga-me, o que está sentindo? 

  Pensei em todos que estavam ali e que agora estavam envolvidos com outras coisas sem nos observar. Tínhamos certa privacidade e estávamos juntos. Eu estremeci, ele me afetava profundamente, mas eu não queria investigar. Tinha receio.

— Estou confusa. 

— Está com medo de mim agora que sabe quem eu realmente sou?

— Não dessa forma.

— De que forma me teme, Ellora? — Sua voz ficou ainda mais suave e eu estremeci mais uma vez. Eu já havia dormido com ele, dormido em seu colo, e mais nada, além disso. Como seria se ele me beijasse? 

  A ideia veio e passou e eu quase me engasguei com ela. Como podia pensar naquilo?

— Ellora. 

  Eu me virei para encontrar seu olhar, ele brilhava intenso, sua voz era quase nada e, no entanto, era tudo, Céus!

— Eu... — Não consegui falar, olhei para a boca dele tão próxima, o corpo tão forte, as mãos ao meu redor como se jamais fossem me largar, eu estava perdida. — Podemos ir para um lugar para conversarmos a sós? — Eu estava vacilante e minha reação fez que ele se preocupasse.

— Me espere aqui — sussurrou, e depois se levantou. Eu o segui com o olhar como se fosse incapaz de afastá-lo, e vi que ele chegou até o rei, falou umas poucas palavras, em seguida se virou para o homem que com certeza era seu tio, era branco como cera e tinha olhos negros e sombrios. Era o estereótipo de vampiro que eu imaginava, alto, magro, taciturno. Lay falou algo com ele que assentiu e então voltou, levantando-me. — Vamos. 

  Ele rodeou novamente minha cintura e saímos quase imperceptíveis. Ele me levou para um corredor paralelo que dava para outra escada, que subia em caracol e que levava a uma porta pequena. Era uma torre. Assim que ele abriu a porta para mim e eu entrei, notei que aquele era um quarto um pouco espartano, mas bonito. Havia várias janelas com cortinas pesadas, mas que agora estavam abertas para a neve lá fora. As janelas fechadas mantinham o calor interno, vi como se estivesse hipnotizada a cama larga no meio do quarto e o baú tão grande quanto ela aos seus pés. 

  Ali não tinha tecnologia e eu me senti voltando com toda força aos séculos passados. Ele me levou até uma grande almofada sobre um tapete a um canto e me fez sentar antes de sentar-se à minha frente. Pegou minhas mãos e começou a brincar com os dedos.

— Aqui estamos em total privacidade, ninguém entra em minha torre sem ser convidado.

— Este é seu quarto?

— Meu solar. — Ele me ofereceu um leve sorriso e então me cativou com o olhar:  — Diga-me o que lhe atormenta, Lora.

  Meu coração parou naquele segundo, ele me chamara de Lora, como intimamente eu sempre gostei. Apenas meu pai me chamava assim quando eu era muito criança e ele morreu antes que eu pudesse ouvir mais daquela forma carinhosa.

— Como sabia a forma com que meu pai me chamava? — Minha voz estava embargada pela lembrança, ele pareceu perdido.

— Eu não sabia, apenas achei que seria uma forma carinhosa de chamá-la e só não usei antes porque temi sua reação.

— Eu gosto — murmurei e ele acarinhou meus cabelos com cuidado.

— Então será sempre assim.

— O que quer de mim, Lay? Não entendo o real motivo de eu estar aqui.

— Eu não podia deixá-la lá, por isso a trouxe. — Ele parou e me olhou como se procurasse palavras. — Nunca desejei antes proteger alguém sem que essa pessoa tivesse laços familiares comigo, mas você me fez querer protegê-la e mantê-la segura, é mais forte que eu. Quando estava no julgamento do traidor eu pensava em você, passamos tanto tempo juntos desde que eu te encontrei que não consegui ficar longe nesta noite e te ver junto à minha família me deu mais perspectiva, principalmente me fazendo entender que existe mais do que o desejo de protegê-la. Eu te quis e por isso a trouxe. Mas temo seu medo, minha intensidade e tudo o que sou, sou responsável por você agora e não posso magoá-la.

— Você me deseja? — Tremi desta vez com todo o corpo, uma coisa era eu ter intenções malucas, mas ele, como podia, sendo eu quem era?

— Sim, mas não farei nada que não queira. — Ele tocou meus lábios com o polegar. — Esperarei o tempo que for necessário.

— Não faz sentido.

— Para mim faz todo o sentido do mundo. Lora, você é linda.

— Não sou.

— É claro que é linda. 

  Eu me vi encarando a boca dele como uma débil. Comecei a me lembrar de como foi maravilhoso estar enrodilhada nele quando dormimos juntos, a pele tão fria e macia em mim... Como se não dominasse meus desejos, toquei o peito dele com as mãos e segundos depois colei meus lábios nos deles. Nunca havia beijado ninguém, por isso toquei meus lábios suavemente nos dele e então me afastei. Ele me encarou por alguns segundos e depois falou como se entendesse tudo:

— Você nunca beijou ninguém?

— Nunca.

— Isso... Droga!

  Ele pareceu perdido quando me atraiu para seus braços novamente, mas ele respirava pesado e, de súbito, me beijou com leveza e determinação. Me fez abrir os lábios e, quando fui invadida pela língua dele, gemi inconsciente. Ele aprofundou o beijo e eu me perdi. Estava perdida porque meu corpo se tornou mole em seus braços, ele me deitou no tapete sem deixar minha boca, uma de suas mãos começou a percorrer meu corpo com suavidade, iniciando uma tortura que jamais imaginei sentir. 

  Gemi mais uma vez sem conseguir encontrar meu equilíbrio e isso pareceu influenciá-lo, pois senti que era trazida mais para perto dele, até que um fio de linha não passasse entre nós dois. Eu estava perdida e me ancorava nele para poder não perder de vez a estrutura do meu corpo, e isso eu senti mais do que percebi, porque estava entorpecida por ele. Fui erguida em seu colo e depositada na cama, ele finalmente se afastou e eu consegui respirar, fechei os olhos e ouvi barulho de roupas, encarei aquele homem lindo alarmada, contudo ele me sorriu tranquilizador e, sem camisa nem sapatos, deitou ao meu lado abraçando minha cintura e encarando meus olhos confusos.

— Quero apenas repetir a experiência da sua casa, Ellora, quero dormir com você, ficaria comigo aqui até amanhã?

— Apenas dormir?

— Estamos cansados. — Ele sorriu, desta vez com todo o seu charme masculino. — Além disso, ainda não está pronta para mim, vamos aos poucos, se quiser é claro.

— Não estou raciocinando com clareza.

— Mais um motivo. — Ele beijou-me novamente, menos intenso e com mais carinho, fechei os olhos extasiada, ele mexia com meu equilíbrio. — Vem, está cansada. 

  Ele deitou de modo que eu pudesse colocar minha cabeça em seu peito e, sem saber como, eu me vi enrodilhada nele, como havia desejado pouco tempo antes. Com ele acariciando meus cabelos eu relaxei, era como se aquilo fosse certo e eu realmente estava cansada e não queria ir a lugar algum, somente estar ali. Como mágica eu me desconectei e dormi logo em seguida.

 

 

  Acordei imaginando o porquê eu sentia tão bem a pele fria do homem meio debaixo de mim, e levei alguns segundos para perceber que eu não estava com o vestido que usava ao ir dormir e que Lay não estava usando calças, pois minha perna sobre ele era contato pele a pele. Ainda de olhos fechados imaginei o que diabos havia acontecido, estremeci involuntariamente e então senti que meu corpo era afastado do dele e envolto por um lençol aquecido. Resmunguei sonolenta e abri os olhos, Lay me fitava meio sem graça:

— Me perdoe, sei que sou frio e não devia ter exposto seu corpo ao contato direto ao meu. 

  Ele pensava que eu havia estremecido de frio? Balancei a cabeça desanuviando a mente ao mesmo tempo que me voltava para ele de maneira atrevida como nunca fiz antes.

— Não é ruim, porém eu gostaria de saber como acabei sem o vestido e você sem toda a roupa. 

  É lógico que ele não estava sem tudo, uma peça abaixo do lençol ainda cobria a parte dele que eu queria evitar imaginar, sem muito sucesso. Ele riu suave e então voltou a sua face tranquila.

— Você estava se virando muito e imaginei que estivesse desconfortável, então retirei seu vestido e você logo dormiu o resto do dia como um anjo. No meu caso pensei que não se incomodaria, não durmo de roupa habitualmente.

  Ele dormia nu! 

  Ótimo, agora eu ficaria bem melhor imaginando que ele ainda estava parcialmente vestido em minha consideração. A parte rebelde em mim que começava a nascer reclamava desse cavalheirismo e era lógico que afoguei essa parte absurda e apenas assenti. 

  Ele repousou um dos braços sobre minha cintura e me arrastou sobre ele, arfei um pouco surpresa, mas ele apenas sorriu, havia um brilho intenso em seus olhos que me fez sentir zonza, ele continuou me olhando e finalmente rompeu o silêncio magnético:

— Em menos de meia hora anoitecerá e você deve estar com fome, o que deseja comer?

— Biscoitos? 

  Ele riu e eu o segui, era tão fácil estar com ele, tão natural que a parte de mim que gritava “Você está quase nua com um vampiro na cama dele” estava totalmente ignorada.

— O que acha de cereais? Precisa melhorar seus hábitos, Lora.

— E o que você entende de hábitos alimentares? 

  Fiquei corada de imediato e me senti idiota por começar aquele assunto. Ele sentiu meu desconforto, porque me abraçou terno antes de dizer:

— De fato nunca me alimentei de nada além de sangue, mas sei que humanos precisam de alimentação balanceada e convivo com várias mulheres humanas em casa para saber disso. Ellora, sente medo de mim por isso, sente... Repulsa?

  Ele me encarava tão sério quanto eu, suas mãos firmes nas minhas passavam uma espécie de segurança que nunca senti, e eu neguei com a cabeça:

— Não. — Neguei confiante, não podia temê-lo, eu sentia com todo o meu ser e tinha certeza, absoluta certeza de que ele jamais me machucaria. 

— Obrigado, isso significa muito para mim. 

  Ele me beijou e por um tempo fiquei entregue a seus braços. O beijo foi se aprofundando até eu começar a arfar mais uma vez, ele me deitou e colocou minhas mãos acima de minha cabeça, meu corpo ainda coberto pelo lençol começou a se queixar do tecido, eu desejei que ele me libertasse para tirar o lençol de mim, mas não tive tempo para manter o desejo porque em um minuto estava debaixo dele e no outro atrás dele, escondida em suas costas largas enquanto seu corpo se virava para a porta que abriu um segundo depois.

— Finalmente! — Nina entrou no quarto sem nenhuma cerimônia e eu ouvi um ruído como se fosse um chiado de Lay. Ela deu um passo para trás e ergueu as mãos:

— Sei que não posso entrar aqui assim, mas eu precisava encontrar a Ell, eu a esperei a noite toda ontem, no entanto vocês não retornaram então tive que vir. Kristen está me enchendo e agora praticamente me arrancou da cama, por isso descarregue nela sua raiva!

— O que quer com Ellora, Nina? — A pergunta soou irritadamente cortante, Nina deu mais um passo para trás:

— Bem, Kristen conseguiu convencer papai a nos liberar para irmos ao Labirinto em Moscou. Pensamos em enturmar Ell, sabe como é, né? Uma noite entre meninas na balada, essas coisas. Nem vamos chegar muito tarde também e Kristen pode nos levar, já que descansou bastante nos últimos dias e assim não vamos precisar atravessar a Rússia de trem. Vai ser legal e contamos que não seja possessivo e libere a Ell também, lembre-se que papai deixou!

  Lay me encarou por um momento, depois mexeu em meu cabelo sorrindo aos poucos:

— Quer ir com elas?

— Acho que tudo isso é por minha causa.

— Não respondeu minha pergunta.

— Tudo bem? 

  Procurei a resposta nos olhos dele, que finalmente relaxou.

— Se quiser ir, tudo bem, desde que fique perto da minha irmã, o labirinto é um lugar seguro, mas é laico, então todos o frequentam. 

  Olhei para Nina, que sorria de orelha a orelha, e me perguntei o que o lugar tinha de tão bom para tirar tantos sorrisos dela.

— Certo. Estou curiosa. 

  Lay voltou-se para sua irmã, sério:

— Fique de olho nas duas, entendeu? Ellora ainda não é uma humana livre, o que significa que ela estará como sua convidada e sob sua tutela. 

— Certo, irmão, eu entendi. Agora poderia me dar Ellora para que ela se arrume? Vamos partir em menos de uma hora.

— Ela já irá, eu mesmo a levarei à ala das mulheres. 

— Muito bem. A gente se encontra lá, Ell! — Ela piscou para mim e depois saiu quase voando pela porta.

— Desculpe pela intromissão dela, minha irmã é a senhora impulso por aqui.

— Ela é um amor. 

  Eu acariciei o rosto de Lay e então me ergui levando o lençol junto, ele também se levantou e abriu o baú, retirando meu vestido de dentro. Ele se vestiu rápido e me deu um beijo suave antes de se afastar:

— Eu te espero lá fora e... Tenha cuidado no labirinto, não se afaste delas por nenhum motivo, estará com o meu celular para alguma eventualidade. Quando voltar, estarei à sua espera com uma surpresa, quero conversar sobre algumas coisas com você, portanto nada de se atrasar e chegar depois do amanhecer. Eu estarei te esperando, Lora. 

  Ele saiu e eu fiquei ainda algum tempo querendo saber o que diabos ele queria conversar comigo, mas sabia que ele não ia dizer até que eu retornasse de madrugada, então dispersei meu pensamento esperando que eu de fato gostasse do que elas gostavam. Nunca tinha saído para uma noitada então tive que admitir que estava realmente curiosa.

  Se eu apenas soubesse que nada seria como esperávamos...


Notas Finais


Preparados para a ação?😊😋😎
Beijinhos!!


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