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História O vendedor de livros - Capítulo 8


Escrita por: Almafrenz

Notas do Autor


Olá, pessoas amadas! Chegou a hora de entender o significado dos códigos mostrados no capítulo anterior. Todo mundo Preparado? Então, boa leitura e compartilhem suas impressões comigo ao final! Beijos!

Capítulo 8 - Ao cair da noite


Fanfic / Fanfiction O vendedor de livros - Capítulo 8 - Ao cair da noite

John sentiu-se tonto com as deduções que sua mente o obrigava a chegar, então levantou-se da cadeira e foi para a cozinha preparar algo para ele e Sherlock comerem, afinal, ambos não haviam comido nada naquela manhã turbulenta.

Sherlock levantou-se da cadeira posta à mesa de leitura e foi para sua poltrona, cruzou as longas pernas e colocou as mãos diante dos lábios disposto a mergulhar por alguns minutos em seu palácio mental. Meia hora depois, John sentou-se em sua poltrona de frente para Sherlock pondo na mesinha ao centro uma bandeja com duas xícaras de chá, pão e geleia.

– Coma, Sherlock, você precisa por algo no estômago. – John mandou.

– Não quero, comer me deixa lento. – o detive reclamou.

– Não comer vai te matar, vamos, coma algo ou eu vou emburrar algo na sua boca. – disse o outro com cara séria.

            Sherlock o olhou com um brilho desafiador nos olhos.

– Empurrar o quê, por exemplo? – perguntou o detetive lambendo os lábios de um jeito que John considerou muito obscena.

– Pão com geleia – disse passando a pasta doce numa fatia de pão esticando-a na direção do moreno. – Ande, coma logo.

            Sherlock pegou a fatia de pão e levou à boca mordendo-a de forma lenta, fechando os olhos enquanto sentia o conflito entre os sabores azedo do morango e o doce do açúcar. Por alguns instantes, a tensão e o cansaço no corpo de Watson foi substituída por um calor que se formou em seu baixo ventre e se espalhou para o resto do corpo, fazendo-o fantasiar provando a geleia de morango sobre o peito nu do detetive, dando especial atenção aos mamilos macios que ele tanto apreciava acariciar.

            Quando o médico voltou do seu breve devaneio erótico, descobriu-se observado atentamente por Sherlock que parecia ler em seu corpo, cada imagem sacana que havia se desenhado em sua mente.

– Você realmente quer me sujar de geleia, John? – Sherlock perguntou vendo o médico  remexer-se na poltrona.

– A gente pode tentar qualquer dia desses, não pode? – John comentou desistindo de tentar esconder o que havia pensado.

– Não sei... – o detetive respondeu bebericando seu chá com um leve risinho nos lábios rosados. – vou pensar.

            Ficaram calados enquanto tomavam chá, o silêncio só era quebrado pelas gotas de chuva que começavam a riscar a vidraça das janelas da sala denotando mais um dia cinza e frio em Londres.

            Depois de terminar seu chá, Sherlock sacou o celular e começou a digitar, depois de alguns minutos o largou de lago e postou as mãos unidas na frente dos lábios comprimindo-os de forma ansiosa.

– Eu sei o que eram aquelas referências, Sherlock. – John falou pondo sua xícara de lado. – Mas acho que não compreendi a razão delas.

– Você compreendeu, John. Só não quer acreditar. – Sherlock rebateu.

– Mas aquilo é um absurdo!

– Não é um absurdo, meu caro. Descarte tudo que seja impossível e o que restar, por mais improvável que pareça, será a verdade. – Sherlock falou voltando a pegar o celular para digitar coisas.

– O que está fazendo?

– Chamando alguém que pode nos ser útil nesse momento.

 Lestrade estava discutindo a incompetência da sua divisão para cuidar de um determinado caso quando seu celular vibrou no bolso do paletó.  O inspetor remexeu-se para catar o aparelho dentro do bolso, deslizou o dedo na tela e leu algo que o fez arregalar os olhos e entreabrir a boca.

– O que foi? – Sargento Donovan perguntou achando muito estranha a expressão de Lestrade.

– Não posso explicar agora, tenho que sair! – disse pondo o celular no bolso, saindo às pressas, mas antes de atravessar a ampla sala da divisão, patinou num pequeno espaço do piso que estava úmido rescendendo a detergente.

 O inspetor farejou o ar e percebeu o perfume acentuado de erva-doce, olhou para o lado e constatou que o faxineiro estava realizando a limpeza de rotina e isso lhe deu vontade de sugerir algo:

– Você não poderia trocar o detergente de erva doce por um de eucalipto ou pinho?

            O faxineiro o encarou meio sem entender por que um detetive da Yard estava tão interessado na fragrância do detergente que era usado no piso daquele setor, Lestrade percebeu que levaria um tempo razoável para explicar o motivo do pedido, então simplesmente deu as costas e seguiu para o elevador. 

            Pouco tempo depois, Lestrade vencia o lance de escadas rumo à porta do apartamento 221B, dando a comum paradinha na soleira da porta para recuperar o fôlego. Ele precisava admitir que o cigarro e a falta de exercícios regulares, estavam reduzindo sua resistência física. Precisava fazer algo a respeito, e urgente.

            O inspetor deu três toques na porta e ouviu Sherlock convidá-lo a entrar.

– Você não devia estar de repouso? – Lestrade perguntou olhando para Sherlock enquanto retirava o grosso casaco úmido de chuva.

– Estou inteiro, isso é suficiente para ficar longe da cama por enquanto. – o detetive respondeu fazendo um gesto elegante com a mão esquerda no sentido de uma cadeira postada de frente à lareira que fora acesa para aquecer o ambiente.

            Lestrade entendeu a indicação e sentou-se.

– Então? Quais são as novidades? – o inspetor perguntou.

– Primeiro me conte as suas novidades, Lestrade. John me falou que você obteve imagens do homem que me empurrou nos trilhos.

– Ah, sim. – disse remexendo os bolsos do paletó. – Aqui, eu trouxe para mostrar. – completou esticando um papel para Sherlock. – Esse é o jardineiro que atendia pelo nome de Samuel Green. Infelizmente tanto ele quanto o Finley Jones não deixaram qualquer rastro de seus movimentos em Londres. É incrível como parecem duas sombras. Existem, mas não deixam marcas! – Lestrade comentou frustrado.

– Sombras... – Sherlock repetiu pensativo enquanto olhava a imagem de um homem ruivo no papel. – Provavelmente eles não estão mais usando as identidades de Samuel e Finley, não serão encontrados pelos nomes, mas sim por seus rostos.

– Como assim, Sherlock? – John perguntou.

– Muito simples – o detetive pontuou.  – a polícia metropolitana de Londres possui um vasto acervo de fotografias no banco de imagens forenses. Lestrade pode cruzar a fotografia dos jardineiros com as arquivadas no sistema, se houver algo lá, vai aparecer.

– Isso é possível. – Lestrade disse sentindo-se animado com a perspectiva de descobrir a identidade dos falsos Samuel e Finley. – Farei isso. Agora é a sua vez de contar novidades, Sherlock.

– Muito justo. – Sherlock respondeu.

            Resumidamente, o detetive contou sobre a matrioska, o microcard escondido na última réplica, o real motivo de terem ido à livraria na noite anterior e a descoberta de arquivos secretos, deixando Lestrade cada vez mais pasmo a cada nova informação que lhe era passada.

– E o que tinha nesses arquivos? – as mãos de Lestrade suavam em antecipação.

– Um plano. Bem orquestrado e muito letal. – o moreno respondeu com certa admiração na voz.

– Do que se trata o plano? – o inspetor inquiriu sentindo a boca secar.

– Caos total! – Sherlock respondeu de modo sombrio.

– Ok, seja mais claro, por favor. – Lestrade não aguentava mais tanto mistério, acreditava que Sherlock fazia isso de propósito.

– O vendedor de livros e os dois jardineiros estavam trabalhando para um grupo político assassino disposto a testar armas biológicas em Londres.

– Meu Deus! Mas com que finalidade? – Lestrade sentiu o corpo gelar.

– Desestabilizar política e economicamente o país, é óbvio. Uma pátria que não consegue proteger as pessoas dentro do seu território, decai no panorama político e financeiro global, inspetor, e isso abre mais espaço para outras soberanias que disputarão cada investimento e negócio que deixar de ser firmado com a Grã-Bretanha. – Sherlock explicou.

– Mas você descobriu os planos, isso quer dizer que sabe como impedir, não é mesmo? – Lestrade perguntou cheio de esperanças.

– Óbvio. – o detetive respondeu levantando-se da sua poltrona ao lado da lareira, indo em direção à mesa de leitura para pegar seu notebook que ainda estava ligado. – Veja, reconhece esse sistema de localização?

            Lestrade olhou por alguns segundos as dezenas de números e letras e depois respondeu:

– Localização GPS, seguramente.

– Isso mesmo. São quatro localizações GPS precisas. Basta jogar no mapa virtual de localização global e teremos quatro pontos. Observe, inspetor, após o título da operação “Bonfire Night”, segue a referência 15:00 PM (h dd° mm’ SS.s”) N51° 0’36.4” W 0° 8’ 4.8” que indica  claramente a localização do Piccadilly Circus, e uma ocorrência marcada para às três horas da tarde; a referência  16:00 PM (h dd° mm’ SS.s”) N51° 30’ 11.9” W 0° 7’ 13.5” (C.13), indica a cabine número treze do London Eye, a grande roda gigante às margens do Tâmisa, e uma ocorrência marcada para às quatro horas da tarde;  a referência  17:00 PM (h dd° mm’ SS.s”) N51° 30’ 11.4” W 0° 6’44.3”, diz respeito à Estação de trens Waterloo, a mais movimentada de Londres,  e uma ocorrência para às cinco horas da tarde, por fim  temos  18:00 PM (h dd° mm’ SS.s”) N51° 29’ 58.1” W 0° 7’ 29.3”, ou seja, o Parlamento britânico e algo para às dezoito horas,  isto é, ao cair da noite.

– Você está dizendo que haverá bombas em cada um desses locais?

– Bombas? Sim, inspetor, mas não será qualquer tipo de bomba, estamos lidando com um ataque sequenciado a base de bombas biológicas de alta letalidade. Pelo esquema pode-se ver que elas serão acionadas com um intervalo de uma hora a cada ativação.

– Mas por quê? Por que não estourá-las todas de uma vez?  – o inspetor quis saber.

– É um plano bem simples, mas muito eficiente quando se deseja desestruturar a capacidade de socorro e reação do alvo. Iludir quanto a real potência do golpe, é o segredo do sucesso de um ataque. O que acontecerá quando o Piccadilly Circus entrar em colapso com a ativação da primeira bomba biológica? – Sherlock perguntou a Lestrade.

– O que é de praxe, o maior número de ambulâncias, policiais e bombeiros seguirão para o local.

– Isso mesmo, por uma hora todo o sistema público de segurança e saúde de Londres irá pensar que o Piccadilly Circus é o seu único problema, desse modo o próximo alvo estará fragilizado, consegue compreender? – o detetive pontuou.

– Acho que sim...

– Uma hora depois dos socorristas terem empregado quase toda a sua energia no Piccadilly, será a vez do London Eye perecer e dessa vez o socorro vai ser bastante comprometido, mais sessenta minutos e a estação Waterloo mergulhará no caos e o socorro já será praticamente nulo de tão comprometido com outros ataques o que produzirá muitas baixas, aliás, será o ponto com maior número de baixas na operação toda, pois em média cinquenta e sete mil pessoas circulam na Waterloo às cinco da tarde, é o horário de pico e por isso mesmo perfeito para promover um significativo número de vítimas.

– Meu Deus... – Lestrade murmurou abismado.

– Por fim, um tapa no rosto do governo, o Parlamento recebe o último ataque e está feito o caos em Londres. Num total, a estimativa é de setenta mil infectados imediatos e uma projeção reflexa de cem a duzentos mil infecções nas horas seguintes pela aspiração dos agentes biológicos espalhados no ar, pelo menos oitenta por cento das vítimas num raio de quinhentos metros de cada explosão virão a óbito nas quarenta e oito horas seguintes. – Sherlock concluiu pressionando os lábios e encarando seriamente o inspetor.

            Lestrade sentiu o corpo petrificar de apreensão, aquilo era muito maior e mais dramático do que ele podia sonhar. Estava à beira de uma crise de pânico em razão do panorama desastroso que Sherlock havia desenhado para Londres com base nos dados que havia descoberto no microcard interceptado.

– Precisamos avisar os federais. – o inspetor disse num fôlego só.

– Claro. – Sherlock concordou puxando o microcard do leitor de cartões, jogando-o nas mãos trêmulas de Lestrade. – Pode passar todos os dados para os federais, mas duvido que eles consigam descobrir os exatos locais das bombas antes do entardecer de amanhã.

– O quê? – John e Lestrade indagaram em uníssono.

– Como... Como sabe que o ataque vai ser amanhã? Não havia nada sobre data nas coordenadas e nem em nenhum dos outros arquivos.  – John indagou surpreso.

– De fato, não existe data nas coordenadas, Sherlock. – Lestrade destacou.

– Oh... – Sherlock revirou os olhos, enfadado. – Para variar, os dois deixaram o óbvio passar despercebido. O nome da operação não lhes diz nada? – o moreno olhou de um para o outro esperando que desmanchassem a cara de confusão. – Não? Nada mesmo? “Bonfire Night” – Sherlock enfatizou o título gesticulando com as mãos e arqueando as sobrancelhas.

– Bem... – John murmurou meio incerto. – É a “noite da fogueira”, não? Feriado comemorado todo cinco de novembro em alusão ao dia em que o oficial traidor Guy Fawkes planejou explodir o parlamento em 1605 sem obter êxito, é a vitória da nação contra o primeiro ataque terrorista que se tem notícia na Inglaterra... – o médico concluiu sentindo uma pontada de compreensão começar a surgir em sua mente.

– E qual será a coroa do plano dos terroristas? – Sherlock perguntou.

– Explodir uma bomba biológica no Parlamento. – Lestrade respondeu também sentindo as ideias clarearem.

– E que dia será amanhã? – o detetive inquiriu.

– Cinco de novembro... – John respondeu franzindo o cenho. – dia de comemorar a noite da fogueira! Não, você não pode está achando que...

– Eu tenho certeza, John. A operação será executada no dia cinco de novembro, portanto, amanhã às três horas da tarde, ocorrerá a primeira detonação. – Sherlock concluiu.

– Jesus! Há pouco tempo! O que faremos? – Lestrade estava ligeiramente transtornado.

– Falar com os federais. – disse John alarmado. – explicar tudo e pedir que isolem cada área para evitar as mortes e contaminação.

– Não vai adiantar John. – Sherlock cortou a fala do médico. – Cercar os locais não evitará a ativação das bombas antes que eles consigam descobrir onde estão. Certamente ao perceber a intervenção das forças de segurança, as detonações sairão do cronograma, serão detonadas sem intervalo, nos tirando o tempo necessário para descobri-las e desativá-las. Estamos lidando com material biológico letal de alta contaminação que viaja e se espalha no ar com incrível velocidade, qualquer erro, será fatal.

– Então o que você sugere. – John instigou.

– Sugiro que deixemos os terroristas terem a falsa ideia de que conseguiram me parar, que não sabemos de nada. Eles seguirão o cronograma, desse modo teremos uma hora de uma detonação à outra.

– Você vai esperar a primeira detonação? – Lestrade perguntou incrédulo.

– Tecnicamente, sim. – o moreno respondeu levantando a mão para impedir que John ou Lestrade falassem, e continuou. – Eu irei encontrar a primeira bomba a ser detonada antes das três horas da tarde, então a substituirei por uma bomba de brometo de benzila.

– Gás lacrimogêneo? – Lestrade indagou surpreso.

– Exatamente, inspetor. O efeito não letal, será semelhante aos efeitos esperados pelos terroristas, ou sejam, pessoas asfixiando, caindo, vomitando, procurando angustiantemente por ar! – o detetive descreveu o cenário com um brilho metálico no olhar. – estarão tão distraídos pelo caos que não se atentarão aos detalhes dos efeitos. – concluiu.

– Entendo. É um ótimo plano, mas você sabe onde estão cada uma das bombas biológicas? – o inspetor quis saber.

– Ainda não. – Sherlock respondeu indo em direção à janela da sala para observar a rua. – Mas vou descobrir até o amanhecer, pode contar com isso, inspetor. – disse observando a presença incomum de um homem do outro lado da rua olhando para sua janela.

– Céus, Sherlock! Como consegue dizer isso nessa calma toda? – Lestrade perguntou passando a mão nervosamente pelo rosto.

– Ficar nervoso não me ajudará a descobrir os locais exatos das bombas, portanto, não vejo lógica em não permanecer calmo. – o moreno respondeu voltando para sua poltrona ao lado da lareira.

– Eu queria poder pensar assim... – Lestrade desabafou.

– Certo, Sherlock, enquanto você pensa calmamente numa maneira de encontrar as bombas até o amanhecer, no que podemos ajudar? – John perguntou.

–  Ah, claro. – Sherlock mexeu-se na poltrona como se subitamente lembrasse de tarefas importantes para execução do seu plano. – Vou precisar de uma boa quantidade de cloro-acetona e bromo-acetona para as bombas substitutas. – disse escrevendo quantidades numa folha de papel repassando-a para John. – Sejam sutis na aquisição e transporte, acredito que estamos sendo observados.

– Estamos sendo vigiados? – John arregalou os olhos.

– Tem um homem estranho do outro lado da rua observando nossa janela com um estranho interesse há mais de uma hora. – Sherlock explicou. – Finja que está trazendo mantimentos, John.

– Não vou colocar uma garrafa de produto químico no meio de um pé de alface, se é isso que está sugerindo. – o médico reclamou.

– Seja mais criativo, por favor. – Sherlock respondeu pondo as mãos unidas na frente dos lábios.

– Não quero interferir na briga do casal, mas acho que é melhor a gente se apressar. – Lestrade interveio ganhando dois pares de olhos sérios em sua direção. – o que foi? Vocês são um casal, certo? – o inspetor perguntou meio sem jeito.

– Claro que somos, mas não estávamos discutindo, apenas debatendo um assunto doméstico. – John respondeu pegando seu casaco e indo em direção à porta.

– Está bem, se você diz... – Lestrade falou seguindo-o.

            Sherlock foi deixado sozinho na sala em meio ao silêncio quebrado apenas pelo crepitar das chamas na lareira. Sua mente trabalhava nas inúmeras possibilidades de localização estratégica das armas biológicas e o alcance de letalidade e contágio que cada um dos pontos imaginados poderia proporcionar. Foram dezenas de simulações mentais vívidas em sua mente, recriando o caos e o terror em cada mínimo detalhe para estudá-lo, dissecá-lo e compreendê-lo até a sua raiz para depois poder tocar e moldar o caos a sua maneira, brincar com a massa obscura do pânico e da desordem, puxando as cordas certas para produzir o efeito certo.

            Quando John voltou com o material químico pedido pelo detetive, o médico o encontrou sentado, na mesma posição que estivera quando saiu para fazer as compras e não foi difícil deduzir que Sherlock estava visitando alguns porões em seu palácio mental, desse modo, o médico não tentou puxar conversa, passou direto para a cozinha para preparar algo para o almoço, pois as horas do dia estavam avançando.

            Depois de passear incansavelmente por pilhas de corpos imóveis e pessoas em agonia sem salvação, Sherlock voltou ao plano real, percebendo que o dia havia cedido à escuridão da noite e que as luzes das chamas na lareira haviam sido reanimadas. O detetive olhou para a poltrona à sua frente e descobriu-se estar sendo observado por John.

– Que tal alimentar o corpo, Sr. Holmes? – o médico perguntou rindo de canto.

– Você comprou o material que eu pedi? – o moreno respondeu com outra pergunta, ajeitando o corpo na poltrona.

– Comprei, mas você precisa se alimentar antes de começar a fabricar suas bombas. – John insistiu.

– Claro, vou reabastecer as energias antes de começar. – ele respondeu dando uma piscadela de olho para o médico que ficou muito satisfeito.

            Sherlock se alimentou, depois dedicou algumas horas na elaboração de suas bombas não letais e lá pelo meio da madrugada, deu por concluída a sua tarefa. John havia permanecido sentado junto à mesa da cozinha acompanhando o trabalho do namorado, e a cada minuto que avançava na madrugada, seu peito apertava pela iminência do que estavam prestes a enfrentar.

– Já terminei, John, podemos descansar por algumas horas antes do amanhecer. – disse o detetive puxando-o pela mão e guiando-o ao quarto.

            Trocaram de roupa e deitaram-se na larga cama de casal, aninhando-se um nos braços do outro por baixo dos grossos cobertores. O coração do médico estava agitado e ele não conseguia dormir, em poucas horas Sherlock estaria procurando por bombas letais, correndo contra o tempo para desativá-las... E se algo desse errado? John apertou mais ainda os braços em torno do detetive querendo espantar qualquer pessimismo. Sherlock iria conseguir. Ele sempre consegue. Repetia essa frase como um mantra em sua mente tentando se acalmar. Mas não foi esse mantra que o acalmou, foi um afago gostoso que a mão do detetive iniciou em seus cabelos curtos, tentando acalmar a tensão que percebera no enrijecimento dos músculos do médico no abraço.

            John suspirou relaxando com a cabeça sobre o peito de Sherlock e em poucos minutos adormeceu. Mas Sherlock não o seguiu no sono, o detetive permaneceu acordado calculando as infinitas possibilidades para os eventos do dia seguinte e no meio dessas, tentava obter a mais eficiente para livrar John de qualquer dano.

            O dia da “A noite da fogueira” estava prestes a ser marcado por caos e morte em Londres.

Continua...


Notas Finais


Eita que o tempo vai fechar! Preparem-se para mais adrenalina no capítulo nono, pessoal! E lembrem-se de compartilhar suas impressões comigo, amo saber o que sentiram e pensaram ao ler. Beijos!


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