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História O Veneno que Corrói a Alma - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Memorium Finite


Capítulo 10 - Memorium Finite

 

Harry chegou ao alto da torre com o coração na mão, ofegava e respirava com dificuldade. Seus olhos passaram por todo o ambiente reparando em cada pedra daquele lugar, tudo estava exatamente como da última vez, estava tudo igual e vazio, estava sozinho. Seu coração bateu mais forte e doloroso dentro do peito ao sentir a decepção e abandono o engolfando. Pensou que o encontraria ali, esperando-o para se despedirem, mas não estava. Pensou que agora estaria então muito sozinho e que jamais o encontraria novamente, foi então que sentiu o corpo gelado aproximar-se por trás do seu colocando uma mão em seu peito, a outra em sua cintura e inalando o perfume doce da pele de seu pescoço.

- Se acalme. – Pediu o homem passando o nariz pela sua pele deixando-o arrepiado.

- Pensei que não iria conseguir me despedir.

- Como assim? – Perguntou o homem parando o movimento em seu pescoço com a leve surpresa.

- Vou esquecê-lo. – Disse Harry com a voz embargada. - Minha memória será apagada. Eu não sei o que aconteceu, é loucura, é insano, mas sentir você aqui. – Disse apertando a mão do homem em seu peito. – É incrível. Eu sinto que poderia amá-lo.

- Você quer fazer? Perder suas memórias?

- Faço, pois tenho que fazer. Eu preciso.

- Está decidido? Tem certeza de que quer isso mesmo?

- Sim.

Harry sentiu as mãos apertarem seu corpo em um abraço apertado. Colocou a mão sobre a dele e entrelaçou os dedos.

- Então não se lembrará mais de mim.

- Não e talvez essa seja a pior parte de tudo. É tão difícil de enfrentar sozinho, não sei se consigo.

- Claro que consegue, sempre conseguiu tudo. Tenha força, lembre-se que você tem amigos que te amam.

- Você me ama?

Ninguém respondeu, o vento morno tornava o momento mais relaxado. Harry encostou a cabeça no ombro de Sev e fechou os olhos sentindo os lábios gelados beijarem seu pescoço subindo para o lóbulo de sua orelha dando uma mordida que deixou os pelos de Harry eriçados

- Quero que leve uma lembrança minha. – Disse o homem em seu ouvido.

- Mais uma rosa?

- Não, as rosas que te dei já são o suficiente. Quero lhe deixar algo mais singelo. Algo que ninguém nunca poderá te dar além de mim.

Sev virou Harry de frente para ele e mesmo estando cara a cara, Harry não conseguia ver seu rosto.

- Tira o feitiço de desilusão.

- Já lhe disse que as mais belas coisas vêm do mistério. Quando vistas pelos olhos tornam-se feias e grotescas.

- Não penso que você é assim. Sei que atrás desse feitiço e desta capa, você tem o mais belo rosto.

- Muita bondade sua me chamar de belo quando nem ao menos me conhece.

- Acho que te amo e isso é o suficiente para achá-lo belo, o mais belo de todos os diamantes, o mais belo para mim. - O suspiro de Harry saiu pesado, carregado de uma dor contagiante. – Sev?

- Sim.

- Eu não quero esquecê-lo.

- Então não esqueça. – Ele levou as mãos até o rosto de Harry e segurou firmemente, afagando suas quentes bochechas com os dedos gelados. Aproximou-se devagar. – Leve-me consigo, leve-me em seus lábios, guarde-me em seus sonhos.

Os olhos de Harry estavam fechados enquanto a voz sedosa de Sev entrava e invadia sua alma. Ele sentiu o corpo dele aproximar-se, a mão dele apertar sua cintura, o cheiro dele o inebriava.

- Espero. – Disse ele e Harry pôde sentir o hálito bem próximo de sua boca. – Que não se esqueça disso.

O coração de Harry disparou, estava de olhos fechados e quase tomou um susto quando lábios frios feito o gelo encostaram-se nos seus. Por alguns momentos suas bocas apenas ficaram juntas, experimentando a sensação do beijo casto. Mas o desespero do coração de Harry passou para seus lábios que sentiram a urgência de tomar a boca dele. Sev invadiu a boca de Harry com uma língua esfomeada, sedenta por explorar cada espaço, cada milímetro, sentir seu sabor. As mãos pálidas afagavam os cabelos espetados do menino e apertavam sua cintura fortemente. O levou levemente para a parede e o prensou com seu corpo. Suas bocas se afastaram quando o ar faltou. Harry arfava quando olhou para o homem sem ver seu rosto.

- Eu te amo. – Falou baixinho o abraçando. – Agora eu sei, eu te amo.

Ele não respondeu. Deu um último beijo apaixonado e duradouro sentindo cada segundo.

- Vai. – Pediu se afastando. – Vai logo.

- Mas eu não quero.

- Vá me esquecer. Não me maltrate mais. Vá embora.

- Deixe-me vê-lo.

- Não! Não posso, não devo e não quero. Agora vá, ande logo, vá.

- Mas...

- Agora!

Harry sentiu um arrombo em seu coração. Queria tanto aquele homem, o desejou tanto, sonhou com ele, suspirou por ele e sentiu que futuramente o trairia, não porque queria, apenas porque precisava, era necessário, essencial. Mas se sentia dele, pertencente a ele, somente dele. Se entregaria ali mesmo, de corpo e alma. Mas ele se foi, ele o deixou naquela torre, o deixou no frio que somente o corpo dele espantava. Se deixou escorregar até o chão e ficou deixando o frio se espalhar pelo seu corpo.

 

 

 

O copo de firewisky equilibrava-se no joelho de Snape. Seus lábios crispados estavam vermelhos pelas mordidas que dera. Já estava tudo pronto e arrumado. Só falta uma coisa que estava atrasada. Snape abriu a porta antes mesmo que ele batesse e desviou o olhar dos olhos mortos do menino.

- Sente-se, Potter. – Disse Snape de costas. – A sua frente tem um cálice com uma poção rosa. Beba-o.

Ele não se virou, ficou contemplando a parede nua e ouvindo a bebida descer pela garganta do moreno.

- Agora beba a poção azul.

Snape virou somente quando a poção azul foi totalmente bebida. Sua expressão não melhorou ao vê-lo com aqueles olhos mortos, vazios, crus. Ele se aproximou e ajoelhou-se na frente do menino. Segurou em suas mãos e as sentiu geladas. Quando falou, sua voz não era mais do que um sussurro. Não havia veneno em suas palavras. Eram sedosas, doces, cuidadosas.

- Olhe para mim, Potter.

Apenas um morto. Era assim que ele estava, morto por dentro.

- O diretor já deve ter lhe explicado o que acontecerá, então não preciso explicar. Segure firmemente a minha mão e recite um feitiço junto comigo. Isso ajudará a me dar mais acesso as suas lembranças conseguindo tirá-las de você.

Harry engoliu em seco e viu as mãos de dedos cumpridos o aguardando. Devagar ergueu as suas e as postou em cima das dele sentindo a pele fria, os dedos do professor se fecharam e Harry desejou que não mais se abrissem. Snape começou a recitar o feitiço tentando ignorar as pequeninas mãos que apertavam as suas e acariciavam seus dedos.

- Professor? – Chamou Harry o olhando.

- Sr Potter, preciso me concentrar. – Disse sem o olhar.

- Se concentre depois. Minhas memórias serão apagadas e acho que o único momento que posso falar é agora.

- Então fale e seja rápido, senhor Potter, não temos o dia todo.

- Eu te amo.

- Eu não estou aqui para brincadeiras, Potter. – Ralhou Snape levantando-se e sentando na poltrona passando a mão na testa e afastando o olhar. Demorou alguns minutos para que voltasse a se ajoelhar na frente do menino. – Entenda que precisamos fazer isso o quanto antes, então concentre-se.

Snape pegou nas mãos do menino novamente. O viu abrir a boca, mas não ouviu as palavras, não havia som no beijo roubado pelo grifinório. Era atrevido e prepotente como a língua que tentava invadi-lo, mas era extremamente saborosa, doce, gentil. Traçava a linha de seus lábios com malícia enquanto acariciava o cabelo negro com suas pequeninas mãos.

Arrepios.

Carícias.

Malícias.

Amor.

Carinho.

Foi sem cuidado nenhum que puxou o menino para seu colo o apertando em um abraço desastroso, beijando-lhe a pequena boca com selvageria. Amando-o. Harry abriu os olhos devagar. Sua boca estava vermelha com os lábios inchados. Lambeu novamente os lábios dele.

- São tão gelados. Seus lábios, sua pele. - Encarou-o. Os olhos negros, perdidos de paixão. - Era você não era? – Perguntou sussurrando.

Snape secou a lágrima que caia no rosto do menino e lhe sorriu triste.

- Era você.

- Sinto muito. – Disse apontando a varinha para ele. – Memorium Finite.

Ele ainda pôde vislumbrar um leve sorriso no menino enquanto fios transparentes saiam de sua têmpora. Mas o sorriso terminou quando seus olhos fecharam.



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