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História O Veneno que Corrói a Alma - Capítulo 9


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Capítulo 9 - A idéia de Dumbledore


Capítulo 9 – A idéia de Dumbledore

 

- Você já pode ir, Potter, o diretor o está esperando no escritório dele. – Disse a enfermeira após entregar as roupas de Harry. – E Potter. – Chamou a enfermeira fazendo Harry olhar para trás. Havia um brilho estranho e difuso nos olhos atentos de Madame Pomfrey, Harry jamais a viu assim. - Faça um favor para todos que se importam com você, não volte a fazer isso.

- Tentarei. – Respondeu Harry após alguns segundos em que ficara impressionado com o que a mulher lhe dissera. - Com licença.

O menino caminhou rápido pelos corredores sem prestar atenção a nada, não tinha a menor vontade de ver ninguém no meio do caminho e rumou diretamente para a gárgula de fênix que girou mostrando a escada em espiral logo após lhe dizer a senha passada por Madame Pomfrey. Ao chegar no alto, bateu três vezes na porta, mas ninguém lhe respondeu, então a empurrou e entrou no escritório vazio do diretor. Apenas Fawkes estava ali o olhando com um olhar triste como se pudesse ler seus pensamentos e sua alma. Harry ficou por um momento parado apenas observando a penugem linda da Fênix que estava agora em sua mais bela forma. Nem mesmo percebera que o Diretor o observava ao longe.

- Harry. – Chamou Dumbledore baixinho saindo de traz de uma prateleira e sentando-se em sua cadeira indicando a outra à Harry, porém sem olhar diretamente para seus olhos e sim para a belíssima ave que piou baixinho. – Que bom que melhorou, Harry. Nos deixou muito preocupados.

Dumbledore aguardou para ver se Harry diria alguma coisa, mas o grifinório não falava nada, não se mexia e apenas respirava fundo. Estava ali, mas ao mesmo tempo não estava.

- Harry, preciso que saiba que Madame Pomfrey o examinou e eu tive que ler sua mente par entender o que o levou a fazer o que fez. Ainda que eu goste que cada um tenha sua privacidade e a respeite muito, não tive outra escolha. – Dumbledore parou de falar quando Harry finalmente olhou para ele. Ainda que sentisse que deveria evitar o menino, naquele momento sabia que não poderia fugir dos olhos verdes. – Eu sei tudo que aconteceu com você aqui e na casa dos seus tios. Madame Pomfrey curou os seus ferimentos mais recentes, mas infelizmente alguns mais antigos não puderam ser curados, pois já foram tratados antes, ainda que de forma bem amadora.

- Não tinha o direito de se intrometer na minha vida desta maneira. – Disse Harry com raiva.

- Eu tinha e tenho todo o direito a partir do momento que um aluno meu tenta se matar. – Respondeu Dumbledore em tom calmo e baixo.

- Quem mais sabe?

- Somente eu. Nem mesmo Madame Promfrey ficou sabendo, ela apenas o tratou sem fazer perguntas. Seu segredo está seguro comigo, mas preciso pedir-lhe que se acontecer novamente venha me falar imediatamente. David Curtin fugiu da escola quando soube o que aconteceu e que eu descobrira o que ele havia te feito. – Parou de falar por um momento e o observou pelo canto do olho evitando seu contato direto. Esperava alguma reação do menino, mas Harry estava parecendo uma estátua. – Preciso que entenda que sou obrigado a tomar decisões difíceis para a proteção dos meus alunos.

- Por que o senhor não olhava para mim? Por que me evitou esse tempo todo? – Interrompeu Harry cansado de ver Dumbledore afastar os olhos evitando olhá-lo diretamente. – É medo não é? Sabe que Voldemort invade minha mente.

- Se sabe disso entende o risco que corremos caso ele invada sua mente nesse momento.

- Deixe-me adivinhar! Caso ele invada minha mente poderá vê-lo e assim saberá de todos os seus planos. Claro que eu não estou contando com o fato de ele tentar atacá-lo por meio do meu corpo e o senhor não poder me deter.

- Percebe, Harry, que essa raiva que sente vem de Voldemort?

- Talvez não venha de Voldemort, talvez venha de mim, só não tinha coragem de dizer.

- Harry sua raiva é sim algo acumulado dentro de você que está aflorando por intermédio de Voldemort e é por isso que fui forçado a tomar uma decisão que você provavelmente não irá gostar.

- Diga.

Harry queria ir logo embora, a voz de Dumbledore parecia um sino em sua cabeça soando alto. A irritação que os olhos azuis lhe causavam era algo inexplicável, algo irritante demais. A presença de Dumbledore, sua aura na sua sala o deixava tenso, nervoso. A vontade era de quebrar todos os objetos do lugar.

- Apagaremos sua memória. Tiraremos as lembranças que alimentam a sede de Voldemort. A sua mente é um parque de diversões para ele, você tem sofrimentos em sua vida que muitos jamais saberão. Nós apagaremos essas lembranças para que você possa viver normalmente. Não queremos que o incidente desta semana volte a acontecer.

- O que vocês tirarão? – Perguntou Harry dessa vez com mais medo do que raiva.

- O que o deixa mais vulnerável. O seu trabalho nas férias, David Curtin, seu amor não correspondido e o tal cavalheiro negro.

- Tudo isso? – Questionou Harry sem nem mesmo perceber que Dumbledore dissera que sabia do amor que sentia e mais ainda sobre o cavalheiro negro que o visitava. – Por que não impede meus tios ao invés de tirar minha memória?

- Infelizmente não posso interferir na criação dos seus tios, Harry. Independente de como estão te criando e o que estão fazendo.

- Então se sabe do meu trabalho, sabe que não pode me tirar as lembranças dele. Não posso me livrar dele e assim não posso esquecê-lo.

- Entendo. Quanto ao seu trabalho nada será tirado, poderá fazê-lo como sempre fez, mas tudo o que te aborrece quanto a isso saíra de sua mente.

- São as minhas lembranças!

- É necessário.

- Então é assim? Uma pessoa vem, tira minhas memórias e fica por isso mesmo?

- Sem essas memórias evitaremos que você caia novamente na tentação da morte.

Harry olhava pela janela a paisagem chuvosa, valia a pena tentar? Valia a pena esquecer?

- Claro que não vou obrigá-lo a fazer isso nesse momento. O deixarei pensar um pouco. A noite o professor Snape o estará esperando para fazer todos os procedimentos.

Harry olhou assustado pra Dumbledore e este pareceu ler sua mente antes de dizer:

- Ele não sabe e não saberá.

- Então como ele poderá fazer isso?

- Severus é um exímio obliviador. Eu já dei indiquei o que ele tem que retirar e ele não procurará nada mais do que isso.

- Melhor assim. Posso ir?

- Pode.

Harry saiu sem pedir licença ou olhar novamente para o diretor. O salão já estava lotado quando entrou. Todos estavam entretidos conversando e apenas um pequeno grupo da grifinória virou a cabeça para vê-lo caminhar em sua direção. Hermione abriu um sorriso grande e se afastou para que Harry pudesse sentar. Apesar de toda a raiva que sentia não conseguia sentir nada mais que carinho quando os braços de Hermione o abraçaram. Harry pôde sentir as lágrimas molharem seu pescoço quando ela começou a falar baixinho em seu ouvido.

- Pensei que iria perder você, tive medo.

- Por que?

- Porque você é a droga de uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Hermione chorava descontroladamente enquanto Harry, ignorando os olhares de todos, abraçava a amiga e fazia carinho em seus cabelos volumosos.

- Não faz mais isso. – Chorou Hermione olhando nos olhos verdes do amigo.

Harry segurou o rosto de Hermione e secou suas lágrimas delicadamente.

- Não se preocupe, eu não farei mais isso.

- Obrigada

- Onde está Rony?

- No jardim

Harry deu um beijo na testa da amiga e saiu em direção ao jardim ignorando o falatório que se formava conforme passava. Rony estava sentado na beira do lago jogando pedras na água quando Harry se aproximou silenciosamente.

- Me disseram que existe uma lula gigante neste lago. – Disse Harry sentando-se ao lado do ruivo. – Não é muito bom mexer na água, as consequências podem ser terríveis.

- Nada mais do que eu mereço.

- Não diria assim.

- Harry eu quis matá-lo. Eu tentei matar o meu melhor amigo.

- Já passou, deixa pra lá.

- Não posso. – Rony jogou a última pedra com tanta força que Harry jurou ter visto a lula protestar. – Desculpe. – Pediu ele. – Eu perdi a razão.

- E desde quando você tem uma?

Rony olhou pra Harry e nenhum dos dois aguentou segurar o riso que saiu limpo, puro e belo.

- Vamos almoçar, aposto que não comeu e como te conheço bem, sei que irá resmungar a noite toda.

- Já estou resmungando. – Disse Rony apontando para a barriga. – Vamos logo antes que a comida acabe.

Os dois levantaram-se rindo no dia nublado e caminharam para dentro do castelo. Mas antes de chegar a escada, Harry viu no alto da torre mais alta um vulto negro que o observava.

- Vai almoçar que eu te encontro mais tarde.

- Onde vai? – Perguntou Rony, mas Harry já estava correndo pelos corredores do castelo indo em direção a talvez seu último encontro com Sev, seu cavalheiro negro.



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