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História O Verão Que Mudou Minha Vida (adaptação N.U) - Capítulo 11


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Notas do Autor


Heyyyyy
Espero que gostem!

Capítulo 11 - Capítulo 11


Fanfic / Fanfiction O Verão Que Mudou Minha Vida (adaptação N.U) - Capítulo 11 - Capítulo 11

     

 

      Eu estava sentada em uma cadeira comendo torrada e lendo uma revista, quando minha mãe saiu e veio sentar-se ao meu lado. Ela estava com aquela expressão séria no rosto, aquela expressão de determinação, aquela de quando queria ter uma conversa de mãe para filha. Eu temia aquelas conversas tanto quanto temia a minha menstruação. 

       — O que vai fazer hoje? — perguntou ela, casualmente. Meti o resto da torrada na boca. 

       — Isso? 

      — Talvez possa começar sua leitura de verão para o curso de inglês avançado — disse ela, estendendo a mão e limpando algumas migalhas do meu queixo. 

       — É, eu estava pensando nisso — concordei, embora não tivesse pensado. 

       Minha mãe limpou a garganta. 

       — Josh está usando drogas? — indagou ela. 

       — Quê? 

       — Joshua está usando em drogas?- Eu quase engasguei. 

       — Não! Por que está me perguntando isso? Ele nem fala comigo. Pergunte a Bailey. 

       — Eu já perguntei. Ele não sabe. Ele não mentiria — disse ela, me olhando desconfiada. 

       — E eu também não!- Minha mãe suspirou. 

       — Eu sei. Mady está preocupada. Ele vem agindo de forma meio estranha ultimamente. Parou de jogar futebol... 

       — Eu parei de dançar — falei, revirando os olhos. — E você não me vê por aí fumando maconha. 

       Ela franziu os lábios. 

       — Promete que vai me contar se souber de alguma coisa? 

      — Não sei... — disse, para provocá-la. Eu não precisava prometer a ela. Sabia que Josh não estava usando drogas. Uma cerveja era uma coisa, mas ele jamais usara drogas. Eu apostaria minha vida nisso. 

       — Any. É sério. 

       — Mãe, calma. Ele não está usando drogas. E você, quando foi que começou a bancar a policial, hein? Olha quem fala. — E lhe dei uma cotovelada de leve, de brincadeira.

        Ela disfarçou um sorriso e balançou a cabeça. 

        — Não começa. 

 

    13 Anos
 

       Da primeira vez que elas fizeram isso, pensaram que não sabíamos. Aliás, foi burrice delas, porque foi em uma das raras noites em que tínhamos ficado todos em casa. Estávamos na sala de estar. Josh estava escutando música com fones de ouvido, Noah e Bailey estavam jogando videogame. Eu estava sentada na poltrona lendo Emma, principalmente porque achava que aquilo ia me fazer parecer esperta, não exatamente porque estivesse gostando. Se quisesse mesmo ler, teria me trancado no quarto e lido O jardim dos esquecidos, ou alguma coisa assim, não Jane Austen. 

       Acho que Bailey foi quem sentiu primeiro o cheiro. Ele olhou ao redor, farejando o ar como um cachorro e depois disse: 

       — Vocês estão sentindo esse cheiro? 

     — Eu disse para não comer feijão, Bailey — disse Noah, sem tirar os olhos da tela da televisão. Soltei uma risadinha. Só que o cheiro não era de pum,eu também estava sentindo. Era maconha. 

       — É maconha — falei, bem alto. Queria identificar o cheiro antes de todos, para provar como era experiente. 

       — De jeito nenhum — disse Noah. Josh tirou os fones e disse: 

       — Any tem razão. É mesmo maconha.- Bailey parou o jogo e virou para me olhar.  

       — Como você sabe como é o cheiro de maconha, Any? — indagou, desconfiado. 

       — Porque eu fico doidona o tempo todo, Bailey. Sou uma maconheira. Não sabia? — Eu detestava quando ele dava uma de irmão mais velho para cima de mim, principalmente na frente de Josh e Noah. Era como se estivesse tentando me fazer sentir uma criancinha de propósito. 

        Ele fingiu não ter ouvido a resposta. 

       — Está vindo lá de cima? 

       — É da minha mãe — disse Josh, recolocando os fones. — Ela usa por causa da quimioterapia. 

      Noah não sabia, pude perceber. Não disse nada, mas parecia confuso e até magoado, pelo modo como coçou a parte de trás do pescoço e olhou para um ponto indefinido por um instante. Bailey e eu nos entreolhamos. Ficávamos sem jeito toda vez que se falava no câncer da Úrsula, pois não éramos da família e tudo mais. Nunca sabíamos o que dizer, então não dizíamos nada. Durante a maior parte do tempo, fingíamos que nada daquilo estava acontecendo, como Noah. 

       Mas minha mãe não fingia. Ela era muito prática e agia tranquilamente, como sempre fazia com tudo. Úrsula dizia que minha mãe a fazia se sentir normal. Minha mãe era boa nisso, em fazer as pessoas se sentirem normais. Seguras. Como se, enquanto ela estivesse perto, nada de realmente mal pudesse ocorrer. 

      Quando elas desceram as escadas, algum tempo depois, estavam soltando risadinhas como duas adolescentes que tinham roubado uísque da despensa dos pais. Claramente, minha mãe também tinha fumado um pouco da erva de Úrsula. 

      Bailey e eu nos entreolhamos de novo, dessa vez horrorizados. Minha mãe era provavelmente a última pessoa do mundo que fumaria maconha, com exceção da nossa avó, mãe dela. 

       — Vocês comeram o Cheetos todo, crianças? — perguntou minha mãe, revistando um armário da cozinha. — Estou morrendo de fome. 

        — Comemos — disse Bailey. Nem mesmo conseguia olhar para ela.  

        — E aquele saco de Chips?

        - Pega esse — ordenou Úrsula, que veio para trás da minha poltrona. Ela tocou meus cabelos de leve, o que adorei. Ela era bem mais carinhosa que minha mãe, e vivia dizendo que era a filha que ela nunca teve. Ela adorava me dividir com a mamãe, e mamãe não se importava. Nem eu. — O que está achando de Emma até agora? — indagou ela, Úrsula tinha um jeito de se concentrar na gente já fazia qualquer um se sentir a pessoa mais interessante da sala. 

        Abri a boca para mentir, dizendo o quanto o livro era ótimo, mas antes que pudesse falar, Josh disse bem alto. 

      — Faz mais de uma hora que ela não sai dessa página.- Ele ainda estava de fones de ouvido. Olhei para ele furiosa, mas por dentro fiquei emocionada por ele ter notado. Afinal, ele estava me observando. Mas claro que sim, ele observava tudo. Josh notava se o cachorro do vizinho tinha mais remela no olho direito do que no esquerdo, ou se o entregador de pizza estava dirigindo um carro diferente. Não era exatamente lisonjeiro ser observada por ele. Era perfeitamente normal. 

       — Vai adorar depois que a leitura engrenar — garantiu-me Úrsula, ajeitando meu cabelo. 

     — Sempre leva um certo tempo para eu me concentrar em um livro — falei, de um jeito que deu a impressão de que estava me desculpando. Não queria que ela se sentisse mal, considerando que ela havia recomendado o livro para mim. 

     Então minha mãe entrou na sala com um pacote de Twizzlers e o saco de Chips pela metade. Jogou um Twizzler para Úrsula e disse, meio devagar: 

      — Pega!- Úrsula estendeu o braço, mas o doce caiu no chão e ela riu ao pegá-lo. 

    — Que desastrada, eu — falou, mastigando a ponta do canudo de alcaçuz como se fosse uma haste de palha e ela fosse uma caipira. — O que deu em mim? 

     — Mamãe, todos nós sabemos que vocês estavam fumando maconha lá em cima — disse Josh, balançando ligeiramente a cabeça ao ritmo da música que só ele podia ouvir.

     Úrsula levou uma das mãos à boca. Não disse nada, mas fez uma cara de quem estava realmente envergonhada. 

    — Opa! — disse mamãe. — Acho que agora não dá mais para esconder, Mady. Meninos, sua mãe anda fumando maconha para combater a náusea da quimioterapia. 

     Bailey não tirou os olhos da tela de TV ao dizer: 

   — E você, mãe? Está fumando por causa da quimioterapia, também?- Eu sabia que ele estava tentando melhorar o clima, e conseguiu. Bailey era bom nisso. 

     Úrsula prendeu o riso, e minha mãe jogou um Twizzler na nuca do Bailey. 

     — Engraçadinho. Estou dando apoio moral à minha melhor amiga neste mundo. Há coisas piores. 

     Bailey pegou o Twizzler e o limpou antes de colocá-lo na boca.  

     — Então acho que não tem problema se eu fumar também tem?  

    — Quando tiver câncer de mama, pode ficar à vontade — disse minha mãe, trocando sorrisos com Úrsula, sua melhor amiga neste mundo. 

    — Ou quando sua melhor amiga tiver — disse Úrsula. Durante todo esse tempo Noah continuou calado, ficava olhando para mãe e depois para a TV, como se estivesse com medo de que ela desaparecesse enquanto ela lhe desse as costas. 

 

   Nossas mães achavam que estávamos todos na praia naquela tarde. Não sabiam que Noah e eu tínhamos ficado de saco cheio e decidido voltar para casa e comer alguma coisa. Quando subimos os degraus da varanda, Ouvimos as duas conversando através da janela.      Noah parou quando ouviu Úrsula dizer:

    — Priscila, eu me odeio por pensar assim, mas quase penso que preferia morrer a perder o seio. — ele prendeu a respiração e só ficou ali parado, escutando. Depois se sentou, e fiz o mesmo. 

    Minha mãe respondeu: 

   — Sabe que não está falando sério.- Eu detestava quando minha mãe dizia isso, e achei que Úrsula também não tinha gostado, porque ela respondeu: 

   — Não venha me dizer se estou falando sério ou não. — Eu nunca tinha ouvido ela falar assim antes, de um jeito tão ríspido e raivoso. 

     — Está bem, está bem. Não vou dizer.-Então Úrsula começou a chorar. E, embora não pudéssemos vê-las, eu sabia que minha mãe estava esfregando as costas da Úrsula, desenhando círculos amplos, da mesma forma que fazia comigo quando eu estava chateada. 

     Eu desejava poder fazer isso por Noah. Sabia que isso o faria se sentir melhor, mas não consegui. Em vez disso, peguei a mão dele e a apertei com força. Ele não me olhou, mas também não tirou a mão. Foi nesse momento que nos tornamos amigos mesmo, de verdade. 

      Então minha mãe disse, naquela sua voz seríssima, sem emoção: 

    — Os seus peitos são mesmo muito maneiros.- Úrsula desatou a dar gargalhadas que pareciam com gritos de focas, e depois começou a rir e a chorar ao mesmo tempo. Tudo ia dar certo. Se minha mãe estava falando besteira, se Úrsula estava rindo, tudo acabaria bem. 

    Soltei a mão do Noah e me levantei. Ele também se levantou. Fomos até a praia, calados. O que eu poderia dizer? “Sinto muito porque sua mãe tem câncer?” ou “Espero que ela não perca um dos peitos”? 

   Quando voltamos para nosso trecho da praia, Josh e Bailey tinham acabado de sair da água com as suas pranchas de bodyboarding. Nós continuávamos calados, e Bailey notou. Acho que Josh também, mas ele não disse nada. Foi meu irmão quem perguntou: 

      — Que houve com vocês? 

      — Nada — respondi, sentando e abraçando os joelhos. 

      — Você se beijaram pela primeira vez ou coisa assim? — disse ele, sacudindo a água da bermuda em cima dos meus joelhos. 

      — Cala a boca — disse-lhe eu. Senti vontade de puxar a bermuda dele para baixo só para mudar de assunto. 

    O verão anterior, os meninos estavam com mania de puxar o calção um do outro em público. Eu nunca tinha participado, mas naquele momento quis muito fazer isso. 

      — Ahhh! Eu sabia! — disse ele, dando um cutucão no meu ombro. Sacudi o corpo para me livrar dele, e lhe disse para se calar de novo. Ele começou a cantarolar: 

      — Amor de verão... Me diverti demais, amor de verão, passou tão rápido... 

      — Bailey, para de babaquice — disse eu, virando-me para balançar a cabeça e revirar os olhos para o Noah. 

      Mas aí o ele se levantou, sacudiu a areia da bermuda e começou a andar para a água e se afastar de nós e da casa. 

    — Noah, está de TPM ou alguma coisa assim? Eu só estava brincando, cara! — gritou Bailey para ele. Noah não se virou; só continuou andando pela praia. — Qual é! 

    — Deixa ele em paz — disse Josh. Os dois nunca tinham parecido ser particularmente próximos, mas havia horas em que eu via como eles se entendiam bem, e aquele foi um desses momentos. Ver Josh protegendo Noah me fez sentir um amor imenso por ele, parecia até uma onda subindo dentro do meu peito e se espalhando pelo meu corpo todo. E isso me fez sentir culpada, porque como podia estar alimentando uma paixão assim, enquanto Úrsula estava com câncer? 

   Eu sabia que Bailey tinha se mancado, e também que tinha ficado confuso. Noah não costumava se isolar de todos assim. Era sempre o primeiro a rir, a retribuir as brincadeiras. 

    E sentindo vontade de jogar sal na ferida, eu disse: 

    — Você é um babaca, Bailey.- ele me olhou, boquiaberto. 

   — Eu hein, o que eu fiz?- Ignorei o que ele tinha falado e caí na toalha de praia, fechando os olhos. Queria os fones de ouvido de Josh emprestados. Queria me esquecer de que aquele dia tinha acontecido. 

   Mais tarde, naquela noite quando Josh e Bailey decidiram ir pescar, Noah recusou o convite, muito embora pescar à noite fosse a coisa que ele mais adorava. Vivia tentando convencer os outros a irem com ele. Naquela noite, ele disse que não estava a fim. Então eles foram, e Noah ficou em casa, comigo. Assistimos à TV e jogamos cartas. Passamos a maior parte do verão fazendo isso, só nós dois. Solidificamos nosso relacionamento durante aquele verão. Ele me acordava bem cedo algumas manhãs, e íamos catar conchas ou caranguejos ou andar de bicicleta até a sorveteria a quatro quilômetros e meio de distância dali. Quando estávamos sozinhos, ele não brincava tanto, mas ainda era Noah. 

    Daquele verão em diante, me senti mais próxima do dele do que do meu próprio irmão. Noah era mais legal. Talvez porque também fosse o caçula de outra família, ou talvez porque era assim mesmo. Era legal com todo mundo. Tinha o dom de deixar as pessoas á vontade. 

 

 


Notas Finais


Momentos...
Provavelmente vai ter mais hoje, só não sei que horas kkk
Bjs 😘😘😘


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