História O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 18


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


CO-Autoria: S. Sant.

Capítulo 18 - Rasteiras


Fanfic / Fanfiction O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 18 - Rasteiras

Finalmente a sorte havia virado, Andressa sentia em seu intimo uma alegria que mal lhe cabia no peito, apesar de quase ter entrado em pânico na segunda entrevista, uma ligação no inicio daquela semana a encheu de entusiasmo, ainda mais vendo a sua mãe respirar aliviada. D. Maria não conseguia esconder o quanto estava satisfeita, os seus três filhos estavam bem e eles conseguiriam ajudá-la nas contas de casa.

Andressa pegou a sua bolsa e foi ao banco indicado pela empresa para abrir a conta corrente, depois foi até o lugar onde trabalharia e entregou os documentos solicitados, recebeu um papel com um endereço, o qual deveria comparecer em dois dias, ela voltou pra casa cheia de si.

Queria dar as boas novas para Camila, mas depois daquela noite na casa da amiga sentia que precisava se afastar dela, então simplesmente resolveu curtir o momento com os seus.

Naquela noite D. Maria fez um jantar caprichado para os filhos, apesar de Afonso e Andressa ainda estarem brigados o clima pesado foi substituído por outro, o de esperança.

No primeiro dia de trabalho, ela e mais cinco meninas se apresentaram no horário marcado, receberam os uniformes e a escala que seguiriam dali em diante, o serviço era bem simples, Andressa teria que abastecer mercadorias e fazer arrumação no deposito e seguindo as instruções que diariamente eram lhe dadas mal percebeu que o mês havia passado.

Eram 90 dias em experiência e ela se manteve neutra, sem muita conversa com os demais funcionários, apesar de ter passado os 30 dias, ela tinha plena consciência de que precisava se manter longe de distrações.

Carla, uma negra alta e desbocada e Sara, uma morena baixinha muito simpática eram as únicas garotas com quem Andressa se sentia a vontade de conversar, então as três almoçavam juntas e contavam um pouco de si.

Aos poucos a turma foi aumentando, Andressa começou a andar com mais algumas garotas de outros setores, fazendo com que Carla se distanciasse um pouco, isso não diminuiu a amizade entre as duas, pelo contrario, as duas estavam mais juntas que tudo, Andressa começou a freqüentar a casa de Carla nos finais de semana depois do trabalho, elas bebiam e ficavam falando sobre os companheiros de serviço, fofocas nos bastidores da loja, sobre alguns clientes e falavam de homens e sobre coisas que já viveram.

Carla era 5 anos mais velha que ela e certa vez contara situações humilhantes que passou, mas que não perdia a fé em dias melhores, confidenciando coisas profundas de seu passado, fazendo Andressa emudecer diante tais palavras. Era uma mulher vivida apesar da pouca idade.

Uma noite após se encherem de vinho, Carla pediu para Andressa dormir na casa dela, independente dos protestos, Andressa acabou cedendo depois de quase tropeçar em seus próprios pés, vendo-se bastante embriagada.

Tomou um banho quente e vestiu uma camiseta larga emprestada, deitando-se em seguida na cama sob os olhares de Carla e logo adormeceu.

A casa da garota era pequena, Carla morava sozinha em uma casa de aluguel. Era apenas quarto e cozinha, mas o ambiente era aconchegante.

No meio da noite Andressa acordou sobressaltada com mãos lhe acariciando as coxas, ela lentamente se virou e observou no olhar da outra algo que ela sabia muito bem o que era... Desejo.

Carla a abraçou e lhe deu um selinho nos lábios fazendo-a petrificar por alguns segundos sem reação, as mãos foram subindo entrando na camiseta seguindo a curvatura de sua cintura, a temperatura do quarto havia subido quase que instantaneamente.

Andressa sabia que era errado aquilo, todavia sentiu-se mexida permitindo os carinhos que recebia.

Carla subiu em cima dela e a puxou para um beijo mais guloso, o qual foi retribuído, lentamente foi acariciando sua intimidade roubando-lhe o ar, ouvindo-a suspirar baixinho.

Então lhe invadiu com ferocidade fazendo-a se contorcer e gemer, aquela mulher a devorava sem um pingo de piedade e ela queria mais.

O seu corpo foi tomado em combustão enquanto as pernas tremiam, ela rebolava sentindo os dedos de Carla brincando com o seu interior e se deixou roubar mais beijos mordiscando cada centímetro de pele negra que lhe era exposta.

As duas ainda estavam bêbadas, o que só amplificou as sensações.

Carla sentiu seus dedos mais úmidos e uma leve pressão tentar expulsa-los daquele local que ela tanto maltratava e percebeu com isso que era à hora de aumentar o ritmo conduzindo a outra para a loucura.

Instantes depois, ela sentiu o gozo e calmamente retirou os dedos de Andressa lambendo-os em seguida, elas se beijaram novamente e mais caricias foram trocadas.

Carla abraçou a amiga sentindo o cheiro de seus cabelos molhados de suor e então finalmente cedeu ao cansaço indo dormir.

No dia seguinte Andressa acordou assustada e olhou para o lado, Carla dormia serenamente ao seu lado, porém virada de costas, uma duvida lhe surgiu à mente sobre as horas passadas, não tinha certeza se tudo aquilo havia sido um sonho ou se realmente havia acontecido e mesmo sentindo seu corpo vibrar ela negou com a cabeça e decidiu partir.

Trocou-se o mais rápido que conseguiu e ficou observando a outra dormir, respirou fundo buscando coragem e em fim chamou Carla, avisou que estava indo e ignorando os pedidos da amiga para que ficasse mais, Andressa se foi.

Não queria ir pra casa, seu interior ardia pedindo por algo que ela sabia o que era e enquanto tentava em vão suprimir tais necessidades vestiu a velha mascara que ela bem conhecia, a mascara da mentira.

 

...

 

Nenhuma das duas falou sobre aquela noite, Andressa evitava ir à casa de Carla inventando mil desculpas, o trabalho também favoreceu a distancia, Andressa continuou de manhã e Carla foi para o horário noturno.

Certa tarde Andressa foi visitar Camila na casa do pai dela e ficaram durante horas na frente do computador ouvindo musica e jogando, poucas foram às palavras trocadas até então. Camila sabia que Andressa estava trabalhando enquanto ela havia voltado a dar aulas de informática e assumido o namoro com Pedro, a amizade de ambas continuava mudando, o desejo existia, mas Camila tinha se comprometido a fazer o seu relacionamento dar certo.

Por outro lado, Andressa estava dividida, seus desejos e necessidades, ora por Camila, ora por Vitor que se demonstrava mais carinhoso com ela e por fim, por Carla que era um furacão louco e incerto:

- E o trabalho? Já fez amizades lá? – Camila perguntou ainda entretida com o jogo.

- Sim, algumas meninas lá são legais.

- E os rapazes? Tem algum bonito?

- Ah – Pensou antes de completar – Dois ou três, o resto é resto – Disse debochada tirando uma risada da outra.

- E você conheceu alguém especial lá?

- Especial como? – Sabia o que Camila queria dizer, mas fingiu ingenuidade.

- Bem – Camila a encarou, silenciosa, tinha que filtrar as suas palavras, já que Andressa era escorregadia – Você não se interessou por ninguém? Falo... Hum... Sexualmente?

- Não – Mentiu rápido demais.

- Tudo bem – Fingiu acreditar – Me fale de suas novas amigas... – Pediu dizendo as palavras “novas amigas”, com certo desdém.

Andressa começou a falar da rotina e de algumas meninas e inconscientemente citava várias vezes o nome Carla, o que não passou despercebido fazendo Camila sentir ciúmes.

Camila pressentiu que algo estava ocorrendo e Carla era o motivo, mas calou-se:

- Você está gostando de trabalhar lá, não é?

- Estou, apesar de às vezes ser cansativo, pelo menos estou trabalhando, não é? – Disse sorrindo.

- Sim – Retribuiu com um sorriso amarelo.

 

...

 

São Paulo, 28 de Junho de 2003

 

É estranho todo esse sentimento se misturando em dentro de mim, a incerteza daquela noite na casa de Carla, esse caso de Camila com Pedro e agora isso que esta rolando entre Vitor e eu, sim... Eu sei que somos amigos, mas às vezes penso que é algo mais, ontem a noite ele veio em casa e ficou horas conversando com a minha mãe, ela me pediu umas três vezes para mandá-lo embora, o problema é que eu não conseguia, eu queria mantê-lo ao meu lado, uma atitude egoísta? Sim, eu sei que é!

A Sara vai se casar em breve e convidou poucas pessoas do trabalho para ir à igreja e a festa, ela me pediu para levar a minha família, Artur está empolgado em ir, ainda mais depois que disse que mostrei as fotografias de alguns colegas que também irão.

Graças a Deus está tudo indo bem, finalmente posso descansar a minha cabeça sabendo que não vai mais faltar nada em casa, até que enfim as coisas estão correndo bem.

Camila esta distante, cada vez mais, eu fico triste com isso porque sinto a falta dela e acho que ela não sente a minha, namorando o Pedro, ela só tem olhos e ouvidos para ele e isso me aborrece muito.

Outro dia quando fui até a casa dela eu senti que em determinado momento ela desejava que eu fosse embora, não que me falasse, mas ela ficava olhando o relógio de parede e aquilo foi me deixando com raiva.

Então eu vim embora.

Acho que falei demais da Carla pra ela, isso não deveria ter acontecido.

No próximo domingo estarei de folga e chamei o casal para almoçar comigo e com o Artur, minha mãe vai viajar neste dia, acho que vou chamar o Vitor, estou pensando em fazer lasanha, já que todos gostam disso.

Vai ser legal.

Artur acha que Camila e eu temos um caso, pelo menos isso vai ajudar a desfazer essa imagem na cabeça do meu irmão, estou quase dando uma surra nele por causa das piadinhas fora de hora dele.

Agora acho que vou dormir, amanhã é sexta-feira, dia de movimento e preciso acordar cedo, então é isso!

 

...

 

Andressa serviu-se da segunda taça de vinho enquanto terminava de montar a lasanha, Artur lavava as saladas enquanto ninguém chegava. Os dois escutavam som auto e discutiam sobre o dia-a-dia nos seus empregos.

No domingo, ela havia comprado os ingredientes e ele feito a feira, limparam a casa juntos e planejaram o que iriam fazer depois do almoço. Artur iria sair a tarde e voltaria antes da mãe deles deixando a casa livre para Andressa e os seus amigos.

Assim que o cachorro latiu, Artur foi ver quem estava chamando e se deparou com o Vitor, os dois rapazes entraram e ficaram conversando sobre Andressa, pois não tinham mais nada em comum, dez minutos se passaram para que o casal chegasse e a lasanha foi levada ao forno.

Os cinco sentaram-se a mesa e se fartaram com a comida, Andressa pegou sua câmera e começou a fotografá-los, ela queria registrar aquele momento, Artur era bem diferente dela, se enturmava fácil, tinha um sorriso maroto e olhos brilhantes, contava coisas engraçadas e compartilhava opiniões.

Às quinze horas Artur saiu e Vitor pediu para falar à sós com Andressa, ela o acompanhou até o quintal e se sentaram num banquinho de madeira, Camila esperou um pouco antes de segui-los para tentar socorrer a amiga ou dar uma força, percebendo sobre o que ele queria falar:

- Eu sei que você não me ama – Vitor sussurrou.

- Do que você está falando Vitor?

- Eu estou falando a verdade Andressa – Ele a fitou nos olhos – Eu sei que você não me ama, mas eu te amo desde o dia em que nos conhecemos.

- Vitor, não – Pediu desviando o olhar.

- É sério...  Andressa, eu amo você, mas... – Engoliu em seco – Você foi muito cruel comigo, você ficou com todos os caras da sede e do partido, menos comigo... Você ficou até com o Rubens!

- Eu nunca fiquei com o Rubens!

- Ficou sim, ele me contou – Vitor disse contendo as lagrimas.

- Ele mentiu – Andressa esbravejou.

- Não importa Andressa – Ele segurou-lhe as mãos a fazendo olhá-lo – Eu quero namorar você, diz que aceita?

- Você me chama de mentirosa e pede para ser meu namorado? – Perguntou incrédula.

- Não te chamei de mentirosa, eu te amo.

- Me chamou – Andressa falou ressentida e olhou para a entrada de sua casa, percebendo Camila com a sua câmera na mão – Camila – Gritou se levantando.

- Espera Andressa – Vitor pediu a segurando pelo pulso – Aceita namorar comigo?

Antes que Andressa viesse responder Camila se aproximou dos dois pulando feliz e exclamando que os dois faziam um belo casal e que os quatro deveriam sair para comemorar.

Vitor beijou Andressa, empolgado e ela retribuiu o beijo, algo nos lábios dele a fez ansiar por mais contato, ela não podia negar que gostava dele, contudo como ele mesmo lhe dissera aquilo não era amor!

Os três voltaram para dentro da casa dela e continuaram a conversa.

Quando a d. Maria chegou, Andressa avisou que iria sair, mas que também voltaria logo.

Os casais foram para um barzinho, compartilharam de outra garrafa de vinho e em seguida Camila e Pedro resolveram ir embora. Andressa também desejava ir, mas atendendo a um pedido de Vitor, ficou e bebeu mais um pouco de vinho.

Ela saiu tonta do barzinho com ele segurando a sua mão, andaram por alguns minutos e pararam num parque que naquela hora estava vazio, Vitor roubou outro beijo dela enquanto as suas mãos se atreviam a acariciar a sua pele.

As mãos de Vitor buscaram o zíper de sua calça e rapidamente baixou-o deixando parte daqui exposto, ele se abaixou e beijou a pele sensível, voltou a encará-la sorrindo e a beijou com ansiedade, uma de suas mãos desceu até a intimidade dela e seus dedos começaram a massageá-la.

Vitor era delicado e ao mesmo tempo, grosseiro em seus toques e por mais doloridos que fossem Andressa abriu um pouco as pernas permitindo que ele continuasse e Vitor foi. Ele a masturbou embriagado pelos sons que saia da boca dela, era gemidos de prazer e de dor, gemidos que o estimulava a fazer mais.

Então de repente Andressa o afastou, ela sabia que não conseguiria se satisfazer com aquilo, por mais que existisse algum sentimento nela, Andressa não estava bêbada o suficiente para se permitir chegar ao extremo, ainda mais com ele.

Pediu desculpas e inventou que aquele não era o momento certo para os dois e ignorando os protestos do rapaz fechou a calça e voltou a andar, ele pegou a sua mão e voltaram em silencio para a casa dela, no portão ela o abraçou, Vitor estava quente, eles ficaram perdidos, um nos braços do outro por um tempo.

Andressa se despediu de Vitor e entrou.

Insatisfeito com tudo aquilo, Vitor foi para o boteco e bebeu com alguns amigos, se entorpecendo em meio às drogas, buscando esquecer o desprezo da mulher que amava.

 

...

 

São Paulo, 30 de junho de 2003

 

Um dia de sol, uma noite de chuva... Pouco a dizer, pouco a fazer... Eu não queria fazer Vitor chorar, eu não queria fazê-lo sangrar... Eu só queria um domingo de paz!

E eu tive um domingo de paz até ele me pedir em namoro... Como ele pode querer algo comigo se ele não acredita em mim?

Eu o amo, isso é fato, mas eu o amo como ele é, como o meu amigo... Ele não percebe isso?

E por que Camila fez questão que namorássemos? Eu não sou uma ameaça a este namorico dela, não entendo...

Talvez um dia tudo tenha uma explicação, mas até lá, vou tentar... Quem sabe seja com Vitor que eu consiga ser feliz?

 

Os dias corriam feitos vento e Camila ela só pensava em Pedro, Andressa havia se afastado, andava ocupada com o seu novo emprego e novas amizades, Camila estava hipnotizada, os carinhos e atenção de Pedro lhe entorpecia feito droga, passava a semana na casa do pai trabalhando e quando chegava no final de semana, o estendia de sexta a noite e a segunda de manhã, tudo para se manter mais um pouquinho naquele mundo perfeito que criara de beijos, sexo, carinho, conversa, sorrisos... Ela sabia que isso não duraria a eternidade e por vezes se negava dormir ao lado de Pedro só pra ficar sentindo seu cheiro e gravando em sua mente cada detalhe daquele quarto, ela sabia que iria embora em breve, sua mãe jamais aceitaria que ela ficasse mais que um ano e logo o contrato do curso de informática acabaria então não teria mais jeito. Havia a opção casar ou ir embora, ela acreditava que Andressa estava bem, já tinha um emprego, uma amiga chamada Carla, que não saia de sua boca e um possível namorado que podia lhe substituir. Vitor não era o cara ideal pra ela, Camila o achava um mentiroso trapalhão, mas era o que havia no momento, apenas um elo entre elas, então apoiava incondicionalmente o namoro dos dois.

Pedro já parecia arrependido por ter se deixado levar pelos desejos, Camila o sufocava e o pior de tudo, cobrava um pedido de casamento ou algo assim, mas Pedro não queria casar, não queria se comprometer com tanta responsabilidade. Camila já deixara algumas roupas em sua casa, escova de dente, pente de cabelo, calcinhas e meias em suas gavetas e isso o afetava profundamente, não podia conceber tal loucura, casar e ter responsabilidade... Melhor era continuar sendo o filhinho da mamãe, curtindo a vida e o que ela tinha a oferecer, casar nunca foi uma opção.

Incomodava até mesmo o fato de Camila não querer tomar anticoncepcional, “Garota louca, não vou ter um filho com ela” ele pensava. E assim a fazia tomar a pílula do dia seguinte toda vez que algo errado acontecia com a camisinha, mas para Pedro, Camila era só uma paixão que o devorava por completo, que o fazia perder o raciocínio.

Então outro final de semana vinha e ele se perdia em meio seus cabelos, pernas e bunda.  Camila era um imã que nem ele conseguia explicar o que atraia tanto, contudo depois de um jantar com o pai de Camila, onde o mesmo fez algumas piadas sobre a sua falta de emprego e procrastinação amorosa decidiu abrir-se a ela:

- O que seu pai falou lá na mesa... Ele ta certo, eu não tenho nada a dar a você... É melhor terminarmos aqui.

- Pedro... Que isso? Não liga para o meu pai, ele esta com ciúmes, ele nunca me viu com ninguém.

- Eu não vou ficar aqui discutindo isso com você.

E assim Pedro sumiu na escuridão da noite, enquanto para Camila restou as lagrimas que brotavam em sua face como se ela tivesse sido cortada ao meio, sentia as suas pernas fraquejarem e ela só queria chorar e implorar a volta de Pedro. Camila passou mais alguns dias com crises de choros e vontade de morrer, seu pai nem se abalou dizia que era tudo verdade e se ele voltasse falaria de novo, logo não seria ali que ela encontraria apoio, Camila resolveu ligar para Andressa que logo atendeu, disse que ia vê-la em breve na próxima folga, então continuou a sofrer, chorou a semana toda até que decidiu dar a volta por cima. Afinal, perder uma sexta-feira não era do seu feitio! Quanto a companhia? Mas quem precisa de companhia quando se tem um rostinho bonito e pernas grossas?

Assim caminhou até um bar, o qual o ex-namorado Pedro gostava de ir, logo avistou um rapaz sozinho na mesa a frente e começou a investir na primeira vitima da noite, os dois se entreolharam até que o rapaz criou coragem de ir conversar com ela na mesa, ficaram conversando por um tempo até que ela avistou entrando no bar o melhor amigo de Pedro, a partir dai não consegui mais dar atenção ao rapaz. Nem cinco minutos se passaram até ele se aproximar com seus cabelos negros e barba grossa, calca jeans e blusão desbotado.

Camila podia sentir de longe seu cheiro.

Ele se sentou de frente ao amigo, o que dava uma visão perfeita de Camila, ela queria que o cara que paquerava evaporasse dali, mas Pedro já havia entendido tudo, que Camila estava em outra.

O desespero foi tomando conta de Camila, o cara queria pegar em sua mão e fazer caricias e tudo mais enquanto ela se esquivava tentando inventar alguma coisa.

Antes que a situação piorasse, Angelina, uma amiga do laboratório de informática que para sua sorte era namorada do rapaz entrou no bar deixando-o sem chão quando a viu, logo conseguiu arrumar uma desculpa, disse que havia conhecido Camila em outro momento talvez perto de onde ela trabalhava e os dois aproveitaram a deixa para se livrarem um do outro:

- Finalmente Angelina chegou, aquele namorado dela é um chato! E ai meninos, eu posso tomar uma cerveja com vocês? – Camila perguntou se aproximando de Pedro.

- Você já sentou Camila – Disse Ronaldo, fazendo cara de negação a Pedro.

Como nem um e nem o outro a expulsou, ela continuou com o plano que inventou a poucos instantes, Pedro apesar de parecer insensível a separação deles, não era do tipo que deixasse uma dama sozinha e bêbada, jogada na rua, logo Camila tratou de beber o máximo que pode:

- Você poderia diminuir essas doses – Pedro tentou reprimi-la.

- Por quê? Estou comemorando.

- O que você esta comemorando? – Ele quis saber.

- Você não sabe? Comprei a minha passagem e vou embora a menos de 1 mês.

- Embora?

- Sim, vou visitar minha mãe e não sei se volto.

E assim ficaram conversando sobre os novos planos de Camila, isso no fundo alegrava Pedro, pois o mesmo não tinha certeza se a queria por perto, era perigoso demais, pois sentia falta daquela menina em seu colchão.

Quando o bar fechou os três se encaminharam para a estação rodoviária, Camila queria que Pedro a acompanha-se, mas Ronaldo disse que não, pois ele iria deixá-lo em casa e que ela também deveria ir pra casa, só que de ônibus, eles se despediram antes de passar a roleta e Pedro se deixou beijar no canto de sua boca, era tudo que Camila queria... Apenas um sinal.

Camila, sozinha na rodoviária, não pegou o ônibus que a levaria para casa e sim, o que a levaria ate a casa de Pedro.

Ela sentiu medo ao andar pelas ruas vazia e escuras perto da casa dele, mas a empolgação de estar em seus braços era ainda maior, ele iria demorar pra chegar, então teria tempo.

Ao chegar ao portão percebeu que o mesmo estava aberto e não pensou duas vezes, ela entrou e foi até o quarto dele e se deitou, nua, feito uma deusa ninfa, a espera de seu amor:

- O que você esta fazendo aqui, sua louca? – Pedro a questionou assim que a viu.

- Não gostou da surpresa? – Camila se fez de inocente - Vou embora então!

- Você sabe que horas são? – Ele a segurou irritado.

- Eu? Não! Mas você não gostou, então vou embora.

- Fica – Pedro sabia que não podia deixá-la ir e nem queria - Você comprou mesmo a passagem?

- Sim.

- Então vamos ficar juntos até o dia que você for embora, sinto sua falta – Confessou a abraçando.

- Eu também – Camila sorriu retribuindo o abraço.

E assim os dois passaram mais algumas semanas juntos, Camila não teve coragem de contar logo pra Andressa, mas esse dia chegaria e não se demoraria muito.



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