História O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 19


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 19 - Solitária


Fanfic / Fanfiction O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 19 - Solitária

Vitor era gentil e aparentemente respeitava Andressa, apesar de não gostar do fato dela não querer transar com ele, as primeiras semanas do namoro eles pouco se viam, ele ficava o dia inteiro resolvendo assuntos sobre política enquanto ela trabalhava e nas folgas sempre tinham algo importante para decidir.

Algumas noites ele passava na casa dela e ficavam conversando enquanto d. Maria vigiava descaradamente o casal com receio de que algo a mais pudesse acontecer e não foi por falta de tentativa da parte dele, sempre uma mão boba, sempre um beijo em algum ponto sensível, sempre uma indireta que ela fingia não entender.

Tentar driblar os sentimentos dela não era uma tarefa fácil e nem quando ambos bebiam, ela se entregava.

No final de julho houve um festival de inverno na cidade vizinha e Andressa resolveu acompanhar algumas colegas do trabalho, pegaram o trem na estação e quando chegaram ao local, elas foram recebidas por uma multidão de jovens e musica tocada alta de uma cantora em ascensão de MPB, logo mais, uma das meninas se despediu da turma e foi ter-se com o namorado.

Andressa não pode deixar de pensar em Vitor, mas independente do rapaz gostar dela, ele amava muito mais a política e as drogas, coisas que faziam o seu estomago embrulhar de nojo.

Elas entraram naquele mar de gente e começaram a dançar e cantar junto e à medida que as horas iam passando cada garota arrumava um cara e sumia sem explicação, ficando somente Andressa que até aquele momento tentava permanecer sóbria, apesar de ter bebido quase a segunda garrafa de vinho e Beatriz, uma operadora de caixa que vivia desviando mercadorias e levando pra casa.

Quando escureceu as luzes foram acesas e o frio aumentou consideravelmente, sem a luz do sol para amenizar a temperatura, as garotas se juntaram perto da fogueira na outra extremidade, Andressa estendeu as mãos diante o fogo tentando aquecer as pontas dos dedos quando de repente ficou sem reação, do outro lado a observando estava Fabiano, um rapaz do partido que ela não via há muito tempo.

Os olhos de ambos se encontraram e um sorriso nos lábios dele fez com que ela tentasse desviar seu foco:

- Aquele cara está afim de você! – Beatriz afirmou.

- Não é isso – Andressa encarou a menina – A gente já se conhece.

- Um ex peguete seu? – Perguntou maliciosa.

- Não, ele é bi e nunca me deu bola.

- Acho que hoje esta dando.

- Deve estar bêbado!

Mas Fabiano não estava e se aproximou das garotas cumprimentando-as com um beijo nas bochechas de ambas, Andressa o apresentou a Beatriz que depois de alguns minutos saiu deixando os dois às sós:

- Como você está? – Ele perguntou levando a bebida aos lábios.

- Estou bem Fabiano e você? Como vão as coisas na política?

- Não sei, eu me afastei um pouco, estou mais focado em meu trabalho, daqui alguns dias vou abrir um estúdio de fotografia – Respondeu orgulhoso.

- Isso é ótimo... – Andressa disse feliz por ele – Parabéns!

- Obrigado – Fabiano calou-se por alguns segundos parecendo analisá-la, ele abriu a boca para dizer algo e de repente percebeu que as palavras não vieram, então tomou mais um gole da sua bebida.

- O que você está bebendo? - Quis saber.

- Ah... Isso – E ergueu o copo, o que a fez afirmar com um aceno – É apenas vinho.

- Posso experimentar?

- Claro – Ele disse tomando mais um gole e estendendo o copo a ela.

Andressa olhou para a mão dele e depois voltou sua atenção para os lábios do rapaz, avançando lentamente, o abraçou no pescoço:

- Eu quero provar dos seus lábios.

Dizendo isso o beijou, as línguas se entrelaçaram dançando juntas uma melodia de insanidade, a mão livre dele buscou-lhe um dos seios e o acariciou, Fabiano como os outros rapazes sabia da fama de Andressa quando ela estava bêbada, mas ali ela demonstrou-se sã, o que fez com que sua vontade aumentasse.

Quando se separaram, eles ficaram presos, um no olhar do outro até que uma figura menor e um pouco afastada despertou o interesse da garota, era Vitor.

Fabiano foi tentar cumprimentá-lo, mas Vitor deu as costas e começou a se desviar apressado dos demais que surgiam em seu caminho.

Andressa respirou profundamente e foi atrás de Vitor deixando Fabiano sozinho e sem entender nada.

Quase perdeu o namorado de vista duas vezes até conseguir alcançá-lo num trecho mais afastado da estrada, Vitor estava visivelmente perturbado:

- Vitor, espere – Ela o chamou.

- Me deixa.

- Não – Ela gritou – Espere.

- Esperar o que? – Ele esbravejou – Eu vi Andressa, eu vi tudo.

- Foi só um beijo Vitor, não aconteceu nada demais.

- Nada demais? Você acha que um beijo não é nada demais?

- Não – Ela respondeu-lhe sínica – Existem coisas piores do que um beijo.

- Não sou obrigado a ouvir isso – Ele deu as costas.

Andressa se sentiu culpada mais uma vez por ter feito aquilo com Vitor, mas o seu orgulho a impediu de pedir desculpas, afinal se ela estava errada em beijar Fabiano, Vitor também estava errado, pois mentira para ela dizendo que os dois não poderiam sair, pois ele estaria trabalhando:

- Porque você mentiu pra mim? – Ela o questionou.

- Eu menti? – Ele voltou a encará-la com os olhos vermelhos – Porque você não volta lá e faz com o Fabiano o que fez com todos os caras que conhecemos, menos comigo... O único cara que te respeitou!

- Eu não sou uma puta Vitor! – Ela avançou enraivecida.

- Mas sempre se comporta como uma! – Um cheiro forte que ela conhecia inundou o seu olfato fazendo-a recuar um passo.

- Você está chapado de novo? – Perguntou sabendo a resposta, decepcionada com a atitude do namorado.

- Não interessa – Ele a empurrou para que ela permanecesse longe – Me esquece!

Vitor saiu de perto dela indo ao encontro dos amigos enquanto Andressa resolveu voltar pra casa, aquele dia havia se complicado demais.

Duas semanas se passaram até que Vitor a procurasse, eles tentaram manter o namoro por pouco mais um mês, porém estavam mais distantes do que nunca, até que chegou um dia que ele simplesmente sumiu, não disse nada, apenas deixou de vê-la, Andressa no inicio se sentiu aliviada por não mais precisar ficar fingindo o tempo todo que gostava dele, “Vitor nunca foi homem para ela!” pensava.

 

...

 

A vida corria o seu ciclo natural, acabou o inverno e a primavera começou a dar o ar de graça, Camila tinha passado por alguns problemas, o curso que ela fazia havia terminado e junto do seu pai, ela fora para outra cidade, apesar da distancia continuava mantendo contato com Andressa, ainda compartilhavam alguns segredos, mas ela precisava decidir se continuaria em São Paulo ou iria atrás da mãe e dos irmãos, era algo difícil de escolher, pois de um lado tinha o pai, o namorado e a melhor amiga enquanto do outro a sua família.

Ela queria alcançar mais do que a vida lhe oferecia e de certa maneira, talvez não fosse em São Paulo que iria encontrar, por mais que amasse as três pessoas mais presentes em sua vida, ela morria de saudades da mãe, no fundo tinha consciência de que mãe é sempre mãe, independente do controle que exercia sobre ela, independente das diferenças que existiam.

Decidiu ter uma conversa séria com o Sr. Jaime e ambos perceberam que ela deveria partir.

Camila adiou o quanto pode pra contar a Andressa a sua decisão, isso partiria ainda mais o coração da amiga, Vitor estava em outro e Andressa negava sentir raiva dele, porém essa atitude do rapaz a quebrara um pouco.

Uma semana antes de partir chamou Andressa em sua casa e depois de um almoço e algumas rodadas de cerveja contou a novidade, a alegria se desfez instantaneamente, Andressa segurou o máximo que conseguiu as suas lágrimas e deixou que o seu humor negro tomasse conta dela.

Prometeram-se sempre estarem presentes uma na vida da outra e escreveriam cartas contando sobre tudo, Camila sabia que aquele laço era pra vida inteira enquanto Andressa duvidava disso.

 

...

 

O dia em que Camila foi embora começou nublado, o Sr. Jaime esperou junto da filha na estação de trem a chegada primeiro de Pedro e alguns minutos depois de Andressa, não havia contentamento em nenhum deles, Andressa se manteve distante enquanto Pedro se assegurava de dar apoio a namorada.

A viagem de trem foi quase silenciosa.

Ao chegarem ao terminal rodoviário, Camila pegou as malas das mãos do pai e do namorado e as pousou no chão, abraçou o pai com ternura, trocaram palavras que a fizeram chorar emocionada, tinha medo de ser a ultima vez que o veria, contudo algo nela dizia que não, o Sr. Jaime ficaria bem.

Então foi a vez de Pedro, o rapaz abraçou a namorada pela ultima vez, trocaram um beijo demorado, aquela sensação de perda terrível abalou o coração dela, como conseguiria seguir adiante deixando um sentimento tão forte como aquele pra trás? O medo do que lhe esperava e de suas incertezas. Camila se deixou perder por mais tempo naquele abraço.

Por fim olhou pra trás, um ponto calado e estático, um olhar frio e totalmente vazio, a expressão dura, uma carranca.

Elas precisavam daquele instante, Camila andou em direção a Andressa de forma lenta e calma, só ela sabia como o seu corpo reagia por dentro, se sentou no banco ao lado da outra e lhe fez um carinho na face, viu os olhos frios tremerem e logo se fecharem, percebeu que poderia em fim dizer tchau, a boca estava seca, o estomago embrulhado, lançou um sorriso fraco e levantou, abraçou a garota que fracamente retribuiu, Andressa tentou se fazer forte como sempre:

- Eu vou escrever, prometo – Sussurrou – Eu te amo.

Andressa não conseguia falar, tentou responder, porém somente acenou em concordância e a deixou ir.

Camila pegou as malas e se encaminhou para o ônibus, olhou mais de uma vez pra trás querendo se dividir em duas e sabendo que isso não seria possível, entregou as malas para o motorista guardá-las e subiu as escadas.

Mais cinco minutos se arrastaram e finalmente o ônibus deu sinal de que iria partir em breve, Pedro e Sr. Jaime próximos do local de embarque e Andressa ainda paralisada, sentada no banco com o olhar fixo na condução.

Soltou o ar que prendia e sentiu as primeiras lágrimas caírem.

O ônibus deu marcha ré e o motorista manobrou para sair, foi ganhando a estrada para fora do terminal e então para fora de São Paulo.

Os dois homens apertaram as mãos e vieram de encontro a garota, Sr. Jaime afirmando que Camila ficaria bem e Pedro dizendo que ela voltaria pra eles, mas Andressa não ouvia-os.

Memórias de coisas que apenas elas viveram flutuavam em sua cabeça, sentimentos que eram confusos se tornaram certezas e ela não conseguiu falar nada.

Solitária em um universo repleto de pessoas.

Deixou que eles fossem embora antes mesmo de pensar direito e ir também, Andressa só queria ficar sozinha.

 

São Paulo, 05 de Novembro de 2003

 

Desculpe, não posso mais escrever, por um tempo nosso romance foi bom e nossas confidências únicas, mas esta é a ultima pagina deste diário... Acabou... Ela se foi pra sempre, eu sei, eu sinto... Ela nem imagina, mas levou com ela uma parte de mim... Porque eu sei que todos que eu amo se vão!

E só agora entendi que eu a amava e que é tarde demais para isso.

Ela nunca me amou!

Adeus.

 

...

 

- O que você quer? – Andressa perguntou insinuante para Henrique.

- Eu quero você – Respondeu ofegante, duro de puro êxtase.

- E acha que eu te quero? – Riu do rapaz se embebedando de mais uma taça do vinho que ele trouxera.

- Não seja má comigo Andressa, faz anos que eu espero por você

- Anos? Você... Eu... – Ela balançou a cabeça negativa – Somos tão jovens.

- Sim, mas eu quero sentir você – Ele a puxou pra si roubando-lhe um beijo, qual foi retribuído.

Andressa deixou que ele a despisse e quando ele puxou pra fora o pênis ela salivou pretensiosa.

Henrique deitou-se na cama e ela montou sobre ele, um sexo brutal, ambos medindo as próprias forças e alienações, ela buscando gozar tanto quanto ele:

- Me fode por trás – Pediu.

- Você tem certeza? – Henrique sentiu o quanto ela era apertada e receou machucá-la – É o que você quer?

- Cala a boca e me fode logo caralho – Ela gemeu e ficou de quatro na cama.

Henrique a penetrou com força e rapidez, um ato agressivo, praticamente animal fazendo-a soltar um grito abafado por uma de suas mãos, de dor e depois mais gemidos.

Suas mãos ásperas e grandes a apertavam deixando leves marcas em sua pele morena, suando e incansável, enquanto ela se tornava cada vez mais insaciável pedindo por mais dele e ele deu o que ela pedia.

Num momento, ele tentava segurar toda a força e em outro socando tudo pra dentro dela de forma ágil, deixando-a mais e mais molhada.

Quando ele gozou, Andressa se virou para encará-lo e a expressão fria em seus olhos se fez presente novamente, ela pediu que Henrique fosse embora, ele arrumou a sua roupa e esperou que ela fizesse o mesmo:

- Eu quero namorar você Andressa, eu te amo!

- Não Henrique, você só quer me comer e eu... – Riu – Bem, eu quero te dar às vezes, mas não se engane porque eu não vou me enganar nunca mais com ninguém.

- Mas Andressa... – Ela o interrompeu.

- Olha garoto, se quiser ficar comigo, venha na próxima semana, esta bem? Agora não fique chorando pra mim com esse papinho sem graça, você é gostoso e é só isso.

- Andressa...

- Agora vá embora antes que a minha mãe chegue, na próxima semana traga cerveja que eu vou te ensinar como tocar numa mulher de verdade garoto.

Assim que Henrique, seu amigo de infância saiu, Andressa foi para o banheiro tomar um banho, ela sentia-se suja.

Depois se sentou em sua cama com a ultima carta recebida de Camila, releu linha por linha, a saudade começando a arder em seus olhos, porém engoliu o choro.

Quase três meses separadas e o seu mundo permanecia incompleto, só duas coisas conseguiam preencher aquele vazio, as noites com Henrique ou com alguns desconhecidos e as colegas do trabalho quando saiam duas vezes por mês.



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