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História O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 25


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Capítulo 25 - Yin-Yang


Fanfic / Fanfiction O Verde Em Teus Olhos - Capítulo 25 - Yin-Yang

Você aceita o convite de amizade de Leandra Moreno?

 

Tudo começou com uma solicitação de amizade de uma garota que trabalhou com ela no atacado, Andressa abriu a página da outra e fuçou nas fotografias, viu as postagens e riu de algumas coisas.

Nos meses anteriores quando ainda estava no emprego temporário as duas mal conversaram. Leandra às vezes mexia com a Andressa, de certa maneira tentando fazê-la se enturmar com os demais, mas Andressa estava em uma fase totalmente anti-social e queria evitar conhecer novas pessoas.

Já Leandra não entendia o porquê de aquela mulher cheia de tatuagens pelo corpo com uma pose séria parecendo sempre ter raiva do mundo, lhe chamar a atenção e ela ansiava descobrir.

Leandra era uma mulher independente, decidira sair de casa ainda muito jovem e se casou com um rapaz que se dizia apaixonado, talvez pelo fato da imaturidade na época ela não tenha percebido a sua tamanha desilusão, embora ela tentasse fazer dar certo.

Existia algo no olhar de Andressa por trás de toda a raiva. Ternura ou medo? Não conseguia descrever o que exatamente via nele, porém que a atraía.

Quando Andressa foi demitida, os dias que se seguiram não tinham mais tanta graça, exceto pelos amigos que a distraiam, Leandra sentia um vazio enquanto andava pelos corredores da loja.

Decidiu que a procuraria e fuçando nas redes sociais encontrou o seu perfil, mandou a solicitação de amizade e assim que viu que a garota havia aceitado Leandra logo iniciou uma conversa, primeiro com uma provocação, depois confessou sentir saudades, trocaram alguns “elogios” e por fim desligou a internet.

Leandra percebeu que teria dificuldades em lidar com Andressa, porém o desafio somente a fez querer seguir adiante, ela não desistiria com o primeiro embate.

Esperou alguns dias para ver se Andressa a chamaria e como isso não aconteceu, Leandra mandou uma nova mensagem e após obter uma resposta ela mandou o seu numero de celular exigindo que a outra lhe chamasse, as duas combinaram que se falariam mais tarde e foi tomar um banho.

Horas seguiu em pleno silêncio, Leandra até pensou em cobrá-la por atenção, mas precisava ter paciência, coisa que só alimentava a sua ansiedade.

Leandra desligou o aparelho e se tocou, ao menos teria um pouco de prazer físico, mas a sua mente lhe pregava peças, inquieta, os seus toques ficaram mais grosseiros à medida que ela entrava em êxtase, o seu clitóris lubrificado pelos toques, Leandra fechou os olhos e suspirou com o corpo em combustão e a mente em Andressa.

No dia seguinte foi surpreendida por um oi no aparelho e sorriu, “agora posso seguir pro próximo nível!” pensou, conversaram um pouco quando ela saiu para almoçar, coisas em comum surgiram e isso a fez aprofundar mais alguns assuntos. À noite elas entraram em assuntos mais sérios, ambas com certa curiosidade, Andressa evasiva enquanto ela mais aberta.

Leandra jogou algumas indiretas e não soube dizer se Andressa entendia-as ou fingia que não, porém continuou o seu marketing, já Andressa apreciava o jogo de palavras trocadas e se viu ainda mais interessada, contudo decidiu não admitir nada e esperou que a outra prosseguisse.

Falaram de animais de estimação, de pessoas que trabalhavam no atacado e de suas qualidades, Leandra então lhe perguntou sobre a sua preferência sexual e Andressa só respondeu não ter nenhuma, o que gerou certa desconfiança, mas a verdade era que as cicatrizes de Andressa ainda estavam abertas, mesmo com o passar de alguns anos, as feridas sangravam de vez em quando.

O assunto se encerrou no exato momento que Leandra resolveu dar uma direta em Andressa, fazendo-a fugir de uma proximidade maior.

Depois de alguns minutos, Andressa ainda olhava para o telefone relendo a ultima mensagem que fez o seu coração acelerar, “Não tenha medo de se apaixonar” dizia, abriu pela vigésima vez a foto de perfil de Leandra, um rosto branco e cheio de sardas, sorridente, lábios rosados e bem desenhado, olhos castanhos que pouco brilhava no reflexo do flash, existia dor neles e Andressa notou isso quando os apreciou de fato.

Respirou fundo e mandou um texto a Leandra esperando não precisar dizer mais nada, pelo menos por um dia e se surpreendeu quando foi respondida.

Há algum tempo Leandra dormia mal e acordou com o barulho do celular, estava feliz por ter conseguido balançar aquela muralha que a separava daquela mulher.

Leandra decidiu que pararia de enrolar, depois de uma semana trocando mensagens ela desejava por mais, tentou fazer o assunto ficar mais picante e não conseguiu, um pudor moral bloqueava as palavras da outra e aquela indecisão de Andressa a irritava.

Determinado momento, Leandra chocou-se quando recebeu a proposta de um encontro, Andressa também lhe pareceu irritada e queria encerrar de vez aquilo, marcando com ela no centro da cidade no dia seguinte.

Ansiosa e temerosa com o que viria a seguir, teve novos problemas com o sono e depois de algumas horas revirando na cama, conseguiu apagar a mente os tantos conflitos que lhe atormentaram.

O primeiro encontro começou errado, Leandra fez a outra esperar por quase uma hora e depois foram para um restaurante, ela comeu alguns salgados e viu Andressa só tomar cerveja, deixou transparecer que ela agia igual a um homem tirando assim um sorriso daquele rosto sério e falou mais coisas sobre si já que a outra permanecia calada a observando.

Quando saíram do restaurante foram até um parque e caladas observaram as pessoas passando, alguns animais de rua brincando e alguns mendigos se enrolando em alguns cobertores surrados.

A medida que as horas passavam e o clima entre as duas ficou pesado, Leandra pediu que fossem embora e andaram até o terminal, Andressa a acompanhou até o seu ponto e ficou aguardando que o ônibus viesse, despediram-se como se fossem velhas amigas e mais tarde Leandra visualizou algumas mensagens novas da outra explicando as suas ações e sentimentos que pareceram surgir.

Trocaram mais algumas mensagens e quando se viram mais próximas Andressa sugeriu que ela viesse a sua casa no final de semana, as duas beberam vinho e comeram um almoço feito pela garota, d. Maria havia saído com Artur e alguns amigos da família deixando a casa só para as duas.

Não soube dizer quando ou como começou a transformação da tímida garota em alguém que a segurou entre os braços e roubou-lhe um beijo, Leandra havia ido até o quarto da outra para ver alguns livros e não percebeu as insinuações nas frases e no jeito de Andressa agir, por fim ela se deixou levar por seus desejos e foi guiada até a cama.

Andressa lhe puxou o vestido negro pra cima e arrancou a calcinha dela liberando o seu sexo úmido, tocou aquela região com delicadeza e avançou ao sentir que Leandra estava sedenta por mais, a chupou com vontade feroz, querendo engolir cada canto de sua pele, fazendo-a estremecer e procurar um contato maior.

Gemeu ludibriada com a sensação que lhe era proporcionada, sentindo que a qualquer instante poderia gozar, mas frustrou-se ao serem interrompidas por algumas batidas na porta.

As duas se distanciaram e enquanto Leandra se viu preocupada por terem sido descobertas, Andressa riu da situação.

Artur resolveu voltar antes para pegar as chaves do seu carro e alguns itens que levaria embora, assim que passou por ambas, cumprimentou Leandra, desconfiado, mas nada falou a irmã.

Depois disso, o clima que existia se extinguiu e Leandra saiu, ligou pra Andressa do ônibus e ficaram se falando até ela chegar em casa, possuída por um desejo que a consumia lentamente, lembrando dos lábios em sua vagina e dos beijos quentes, tomou um banho frio que não resolveu nada, se tocou ao deitar, mas a masturbação não lhe parecia certo.

Andressa sorria com a recordação, olhava para a própria cama de forma triunfante, decidida a encarar o que a vida havia lhe presenteado, não pensou direito quando havia feito aquilo com Leandra, mas o poder de tê-la colocado a sua disposição para que lhe fizesse o que bem entendesse a agradava bastante. Ainda sozinha em casa, abriu uma nova garrafa de vinho e acendeu um cigarro, maravilhada com o que poderia acontecer a seguir.

Mais encontros vieram, mais contatos, aos poucos Leandra foi mudando a rotina de Andressa sem desconfiar da intensidade dos sentimentos que provocava na outra, duvidas começaram a surgir, medos... Amor? Não tinha como saber o que se passava com a mulher, então Leandra só desconfiava e continuava a relação, a principio seria um romance rápido e sem qualquer envolvimento profundo, uma caçada, uma transa e o adeus, mas com o tempo ela mesma se viu necessitada da outra, embevecida por tal presença

Em uma noite qualquer ela estava abraçada a Andressa na cama da mesma quando Camila ligou, uma chamada de vídeo, brincadeiras de péssimo gosto de Camila lembraram um cachorro marcando o território e despertou a raiva e os ciúmes em Leandra, “Quem era aquela mulher?”, “Qual era a relação entre as duas?”, “Porque Andressa deu atenção a ela e se esqueceu de mim?”, perguntas que vieram sem resposta.

Leandra não queria permitir que outra mulher tomasse o seu lugar, Andressa era dela e tinha que deixar isso claro pra todos, tomou a decisão de apressar algumas decisões que deveriam ser tomadas por Andressa e sem ser convidada foi até a casa dela com alguns pães e bolos para tomar café com a família, enrolou alguns minutos antes de declarar que a amava na frente de d. Maria que não acreditou que a filha também nutrisse o mesmo sentimento, se decepcionou vendo que Andressa ficou quieta diante da senhora mais velha.

Leandra não conseguia desistir de Andressa, mesmo decepcionada, mesmo tendo brigado com ela no ponto de ônibus, Leandra sonhava em construir algo além do que tinha conseguido, estava se apaixonando.

 

Uma noite no motel, uma tarde no parque, um almoço...

Um sussurro de “eu te amo” e o desejo depois de um abraço forte ou um beijo escondido...

Para Andressa, o amor de Leandra foi libertador, sentia raiva por ter sido atropelada pela menina, queria que Leandra respeitasse o seu tempo de agir, porém não podia enrolar mais e por causa disso revelou a mãe uma de suas muitas omissões, sim... Sua bissexualidade.

A d. Maria odiou ouvir isso e muitas vezes a censurou, ainda mais quando as garotas passaram a freqüentar motéis.

Depois de dois meses juntas, Leandra insistia em um compromisso mais formal, em algo recíproco e depois de conhecer Camila, a sua insistência beirava a insanidade.

Ela acreditou que Andressa não poderia lhe dar isso e não conseguia ver o quanto estava enganada. Mesmo mantendo-se presente Leandra não enxergou o quanto havia conquistado a namorada, cega de ciúmes e de medo.

Ainda assim insistiu e jogou várias indiretas para Andressa se casar com ela e ouviu da mulher que ela amava sempre um não, entendia que o tempo delas ficarem juntas estava se acabando, pois logo deveria voltar a sua cidade natal e desejou poder ir embora levando consigo a outra.

Leandra não conseguiu entendê-la, passou por cima de si mesma para admitir essa paixão e não compreendia o porquê de Andressa não fazer igual.

Assim que contou que iria embora, Leandra não notou o abismo que havia cavado para a namorada, a idéia de perder Leandra deprimia Andressa, um precipício sem fim inundou a sua mente com vontades macabras, os pesadelos que haviam se cessado por um curto período voltaram a lhe atormentar e lágrimas que havia jurado não mais derramar molharam o seu rosto, noites de tormentas se passaram, roubando as suas horas preciosas de letargia.

Na ultima noite que passaram juntas em um quarto de motel, Andressa preparou algo romântico, comprou vinho tinto e tomaram algumas taças dele em dentro da hidromassagem, fez uma lista de todas as musicas que mandaram uma para a outra e tocou em meio ao silencio do quarto, serviu-se de morangos e chocolates...

Transaram até ficarem exaustas e se abraçaram sem nada dizer, alguns minutos se passaram naquela posição, cada qual com os seus pensamentos mais íntimos.

Andressa deixou que Leandra se afastasse dela assim que dormiu e admirou as costas nuas da menina pela ultima vez...

Quando amanheceu, o céu estava nublado e uma leve brisa fria adentrou ao quarto acordando ambas as mulheres, Andressa viu Leandra se levantar lentamente e ir ao banheiro tomar um banho quente, ela apanhou o celular na cabeceira da cama e viu as horas, pensou em tudo que elas viveram até ali e sentiu que poderia chorar e conteve tal fraqueza, quando Leandra voltou, ela foi ao banheiro sem se quer olhar pra trás.

Decidiram manter o relacionamento a distancia até que uma solução surgisse, contudo o tempo foi implacável e aos poucos as conversas foram ficando frias, as cobranças maiores e ao contrário de Andressa, os ciúmes de Leandra se tornaram possessivos e por mais que tentassem continuar, não tinham mais como se tocar ou deixarem de lado as diferenças.

Passados mais um mês Andressa terminou a relação, no dia seguinte voltou atrás... Duas semanas depois foi a vez de Leandra terminar e também voltou atrás.

Elas não conseguiam colocar o ponto final na história das duas porque tinham esperança que a vida as uniria novamente e com o passar dos dias Andressa apenas deixou Leandra ir, trancou o coração novamente se amaldiçoando por não ser capaz de pegar a sua moto e ir atrás da mulher que cobiçava.

Também foi a ultima vez que tentou se suicidar, quase se jogando de frente a um ônibus na avenida, mas a voz de d. Maria ecoou em sua mente gritando para ela parar.

E ela novamente parou no tempo...

 

...

 

Camila continuava a sua vida de casada e para completar a sua felicidade decidiu que queria ter filhos com o Wagner, ele também desejava ter um garoto do qual pudesse ensinar as coisas da vida como jogar bola, paquerar as garotas, se defender em uma briga e trabalhar.

Depois de inúmeras tentativas Camila se viu grávida de uma menina, os primeiros sintomas da gravidez logo apareceram, a vontade de comer era exagerada e poderosa, o amor por aquele serzinho tão esperado ainda maior.

Quando Nayara veio ao mundo, tudo nela era perfeito, os poucos cabelos castanhos eram da cor dos cabelos do pai e um rostinho tão branco quanto o dela, a mistura do melhor que havia nos dois estava ali, impregnado naquela criança abençoada.

A família comemorou o nascimento com um churrasco e chamou os mais íntimos.

Para as pessoas que estavam longe demais e não poderiam ir conhecer a criança, Camila mandava fotos de Nayara, no berçário, no berço, no colo de d. Hilda e em outras situações.

Camila entendia que a partir da vinda de Nayara tudo o que ela fizesse desde então deveria ser em prol da filha, não poderia mais cometer loucuras e erros que a levassem a se destruir.

As portas do inferno deveriam permanecer trancadas com todos os demônios que a seduzia, porque para ela tudo havia criado um novo sentido.



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