História O Vigia - Capítulo 8


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Categorias Pentagon (PTG)
Personagens Yan An, Yeo One
Tags Bossceo, Yanone, Yeoan
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Palavras 2.662
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Canibalismo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - Perigo


Yanan se sentia tonto, confuso, e principalmente inclinado a encontrar Changgu. Havia bebido três ou quatro garrafinhas de cerveja e estava bem mais relaxado que em todo os dias da semana que se passou. Shinwon havia melhorado ao ponto de que seu ombro funcionava perfeitamente, afinal, a bala havia pego de raspão e mal o afetou. Contudo, Yanan ainda se preocupou bastante e se culpou em silêncio até que aquela carga emocional saisse de uma vez por toda de seus ombros. Quando isso aconteceu, Jinho se ocupou e por isso atrasou a investigação de Wooseok. Não foi bem um problema já que aquela semana foi livre de reclamações do mais novo, mas ainda assim, era insatisfatório.

 

Aparentemente um intruso havia invadido os muros da fortaleza, sabe-se lá como, e Jinho estava preocupado demais o interrogando. Yanan entendia completamente. Era realmente mais sério saber que alguém de fora poderia entrar e sair, assim como roubar suprimentos e ferir toda uma população. Ou até mesmo trazer outros consigo. Não diminuindo a terrível dor de Wooseok, mas e se fosse justamente desse jeito que os homens se sentiam seguros para extorquir as famílias e abusar dos habitantes? Sendo desconhecidos pela população, estavam praticamente seguros de que não seriam denunciados.

 

Contudo, agora, Yanan tinha a cabeça em outro lugar. De tempos em tempos, a liderança organizava algumas festas para reunir a pouca população e para aliviar a tensão de viver em, literalmente, um universo apocalíptico. Jinho era sempre quem dava a permissão, aprovando o fato de que seu povo precisava se divertir. Pão e vinho, como diriam antigamente. Mesmo assim, o próprio Jo nunca era visto em tais festividades e naquele dia o vigia chinês não poderia se importar menos com a ausência do líder da fortaleza.

 

Havia bebido com Seunghee e Yuto, ambos da ala hospitalar e por isso a sua vizinha o apresentou ao rapaz. Depois de um tempo, os dois pareciam querer um tempo a sós e Yanan resolveu aproveitar a ideia e foi atrás do seu parceiro. Encontrou Changgu na cozinha do grande salão usado para aqueles momentos. Antes era um lugar chique e requintado, mas agora era algo bem familiar e descontraído. Haviam crianças se jogando nas piscinas, idosos dançando ao som da música antiga nas vitrolas, já que usar energia sempre não era boa ideia se não quisessem um apagão. E claro, os jovens e adultos procurando uma boa cerveja ou qualquer bebida alcóolica. Da patente dos tenentes para cima, a bebida era liberada e gratuita.

 

Changgu estava ajudando alguém desconhecido a cortar alguns papeis coloridos para fazer algum tipo de brincadeira, mas logo perdeu o foco quando viu o parceiro entrando no local. Lhe deu um sorriso assim que bateu os olhos nele, largando papel e tesoura para abraçar Yanan. O chinês sorriu de volta enquanto se aconchegava no abraço gostoso do outro tenente, logo puxando um beijo saudoso. Não se viam há alguns dias, três no máximo, mas ainda assim sentia falta das piadas e cantadas ruins de Changgu.

 

— O que te trouxe aqui?

— Vim te procurar. Eu tava com a Seunghee e um outro cara do hospital, mas eles pareciam estar no próprio mundinho então eu só saí de fininho e resolvi deixar eles a sós. Acho que nem perceberam.

— Ela tá namorando?

— Não sei, eles pareciam bem tímidos.

— Tímidos tipo a gente há algumas semanas?

 

Yanan riu sem graça.

 

— Por ai. — Beijou novamente a boca alheia, dessa vez somente com um selar para poder matar a saudade sem atrapalhar a conversa. — O que você tá fazendo?

— Um pessoal quer brincar de Quem sou eu. Então eu vim ajudar a cortar os papéis e a anotar alguns nomes, mas acho que a Sujin continua daqui, não é?

— Oh? — A morena virou-se confusa, não esperando ser citada na conversa. — Tudo bem oppa, você já pode ir. — Sorriu pequeno e se curvou, agradecendo a ajuda.

— Quer ir pra casa ou continuar por aqui? —Changgu questionou enquanto passava os dedos pelos puxadores da calça de Yanan, somente de forma brincalhona.

— Podemos ir pra casa? Eu já bebi o bastante e quero ficar com você hoje.

— Você quem manda. — O coreano bateu continência e Yanan soltou uma risada desacreditada com o humor esquisito do parceiro.

 

Andaram de mãos dadas e ignorando os questionamentos em voz alta de algumas pessoas. Não tinham do que ter medo ou vergonha, afinal, eram eles quem usavam uniformes no dia a dia para cuidar daquele mesmo povo que fazia comentários sarcásticos. Se fosse por Yanan, daria um beijo digno de filmes de cinema em Changgu ali mesmo, somente pelo benefício de ser irritante com aqueles que eram intolerantes. Mas não valia a pena e Changgu ficaria tão envergonhado que provavelmente se esconderia em um buraco por dias.

 

Resolveu só manter a calma e ir para casa, no caso, seu pequenino apartamento. As ruas não estavam vazias, afinal, o toque de recolher era apenas em algumas horas e nem todos gostavam de ir para as festas da liderança. Assim que chegaram no apartamento do chinês, Changgu soltou uma risada que deixou o mais novo um tanto confuso. Se virou para encarar o moreno depois de fechar a porta com suas chaves e o viu ainda risonho, aparentemente lembrando de alguma coisa que havia visto.

 

— O que foi?

— Hwitaek levou um bolo hoje.

— Não brinca?! — Yanan deixou o queixo cair. Hwitaek era o tipo de cara que fazia qualquer um ficar apaixonado. Até ele mesmo poderia se apaixonar se houvesse o conhecido antes de Changgu.

— De uma garota chamada… Ah, eu não sei, era uma garota morena que ajuda com as crianças.

— Não sabia que ele gostava de garotas também.

— Nem eu. Achei que o máximo que ele já havia tentado tinha sido a Seungyeon.

— Jesus amado, como?! — O chinês soltou uma risada. — Ele levou um fora dela também?

— Hm. Mas que eu saiba só delas. Hwitaek tem uma lábia absurda, quase todo mundo cai nela. Eu já caí.

— Ah, eu já descobri coisas demais por uma noite só. Por favor, cale a boca por um segundo antes que você conte mais alguma coisa chocante e me deixe em estado de pânico. — Brincou, apesar de realmente ter se chocado com essa última informação.

— Ciúmes?

— Não exatamente. Não ligo muito pra o que rolou no seu passado, só fiquei surpreso. Como aconteceu?

— Um tempo depois dele terminar com o Hyojong. Foi uma coisa de uma noite. — Changgu explicou gesticulando exageradamente os braços e acabou encolhendo os ombros. — Mas você me chamou aqui pra ficar com você, não foi? O que aconteceu?

— Nada? Eu só fiquei por duas horas vendo a Seunghee e o cara sendo um casalzinho perfeito juntos e resolvi que eu senti sua falta. Já tem uns três dias, por ai, que a gente não se vê.

— Justo.

 

Changgu se aproximou do namorado por conta própria e lhe deu um beijo demorado, sugando os lábios alheios e invadindo sua boca com a língua pouquíssimo tempo depois. Yanan adorava quando o parceiro lhe beijava daquele jeito, como se fosse o devorar de paixão, como se estivesse descontando tudo que sentia por si naqueles beijos. Gostava também de quando Changgu era mais doce e meigo, mas naquele dia estava mesmo precisando exagerar um pouquinho e extravasar.

 

Desceu suas mãos pelos braços do parceiro e acabou encontrando sua cintura. Changgu não tinha o local fino ou bem definido, mas Yanan gostava de passar suas mãos por ali, sentindo a textura da camisa contra suas mãos como se fossem um grande aviso de “perigo, não siga adiante”. Ele não se importou muito com grandes placas luminosas de perigo naquele dia. Apenas fundou suas mãos ali, apertando a carne conforme o coreano o empurrava contra a parede e cessava o beijo para uma rápida retomada de ar.

 

Rápida mesmo por que no momento seguinte já estavam se chocando outra vez, agora com os corpos mais colados e as mãos bem mais ousadas vagando por onde bem entendiam. Changgu arfou quando Yanan desceu um pouco mais suas palmas e afundou ambas as mãos em suas nádegas.

 

— Por que você faz isso comigo? — O coreano disse em tom de reclamação, surpreendendo Yanan.

— Huh?

— Começa a ir tão longe se vai parar no meio do caminho.

— Eu não disse que iria parar.

— Não? — Changgu piscou duas vezes com a surpresa. Yanan segurou uma das mãos do namorado, entrelaçando seus dedos.

 

De imediato Changgu se soltou do contato, surpreso ao sentir o pequenino comunicador em seu bolso vibrar. Yanan se surpreendeu com a resposta do namorado, mas logo ouviu o ruído que a vibração do aparelho emitia. Na mesma hora, Changgu bufou em sinal de estresse por não acreditar que entrariam em missão justo naquele horário. Normalmente os comunicadores de missões, que eram pequeninos aparelhos feitos somente para vibrar quando havia alguma missão a ser cumprida, não funcionam depois da nove. Era uma regra quase que sagrada dentro da fortaleza nunca, em hipótese alguma, sair zanzando por aí depois das nove, para evitar possíveis crimes entre a população, fugas e também para prevenir ataques de infectados que pudessem ter passado despercebidos pelos fortes.

 

Changgu tirou o aparelho do bolso e pressionou o pequeno botão, informando que havia captado a mensagem. Foi ai que ambos perceberam que a o ruído de vibração não parou, e Yanan pôde entender rápido que era o seu próprio aparelho vibrando, já que o de Changgu havia parado e estava nas mãos do mais velho. Não fazia sentido nenhum, pois mesmo que Jinho estivesse ciente de que estava saindo com os corredores, seu aparelho não iria vibrar. Os sinais eram distintos, e até onde Yanan sabia, o seu era de um vigia, nada além disso. Outros sinais não poderiam interferir no seu.

 

Além disso, seu turno não era naquele horário, portanto, havia outros vigias cuidando das torres durante noite e madrugada. Juntando os pontos, Yanan percebeu mais rápido do que Changgu do que aquela situação se tratava. Era um alarme de invasão. Era a única resposta lógica, já que há poucos dias Jinho estava tratando de interrogar o tal intruso. Ele deveria ter avisado, de alguma forma, que estava dentro da fortaleza. Não poderia ser simplesmente um ataque de infectados, pois os alarmes de dentro da fortaleza não estavam soando. A população não deveria ser alarmada, então não podiam deixar que ninguém notasse que estavam no meio de uma missão de combate.

 

Ao menos não por um momento. Yanan se afastou de Changgu para remover seus calçados e enfiar seus pés em suas botas de trabalho. Se havia alguma coisa acontecendo, eles precisavam estar lá em tempo recorde, e estarem vestidos de qualquer forma não ajudaria em um combate, muito menos em qualquer outra situação de perigo. Yanan correu pela sala para pegar sua arma de confiança. No meio do caminho parou para olhar um Changgu estático e resolveu agilizar as coisas lhe pedindo para agir também.

 

— Gu, pega meu comunicador. Tá na minha cama. Entre na linha 1 e fala direto com o Jinho.

— Eu?!

— É porra, anda logo que alguma merda séria deve estar acontecendo! — Esbravejou alto, fazendo Changgu quase bater continência com o tom de ordem.

 

Quando o parceiro sumiu de sua vista, Yanan colocou também o seu colete a prova de balas que poderia muito bem salvar sua vida mais tarde, seja lá o que estivesse acontecendo não parecia ser nada gentil. Pegou um outro, que ficava guardado no mesmo cabide ao lado da porta, de forma que pudesse vestir Changgu na peça e que ambos ficassem seguros. Não se preocupou em pegar uma arma para o outro, tendo total consciência de que ele não saia por ai sem estar armado, mesmo não concordando muito com isso. Eram ideologias distintas, mas, naquele momento, Yanan estava grato pela ideia maluca de Changgu. O coreano voltou com uma expressão preocupada e jogou o comunicador para Yanan, que pegou o aparelho de forma reflexa.

 

— Isso é pra mim? — Questionou ao ver o outro colete nas mãos do mais novo.

— Sim, o que aconteceu? Falou com ele?

— Obrigado. É melhor você mesmo falar com o Jinho. Vamos sair daqui, logo. Rápido, anda, a gente não tem muito tempo agora.

 

Changgu empurrou o corpo do outro homem, que abriu a porta as pressas e nenhum dos dois fez questão de fechá-la e muito menos de passar a chave na fechadura. Enquanto desciam as escadas com pressa e quase tropeçando em seus próprios pés, cada um se ocupava com uma tarefa diferente: Yanan em ligar para Jinho e Changgu em vestir o colete a prova de balas que o chinês havia lhe dado.

 

Agora o pouco álcool que Yanan havia consumido precia ter sido reduzido a zero, dando lugar a adrenalina e aos sentimentos desesperadores que sentia sempre que estava prestes a entrar em algum combate mais sério, mais perigoso. Yanan provavelmente seria usado como um atirador de elite, mas não entendia por que jsutamente ele e Changgu haviam sido selecionados. Se todos os soldados haviam sido escolhidos, então deveria ser realmente um assunto muito sério.

 

— Jinho? — Praticamente gritou para o aparelho.

— Finalmente! Porra, que merda de demora foi essa pra me contatar?

— Me desculpa, eu-

— Foda-se, não importa. — O líder da cidade calou Yanan rapidamente, cortando-o para explicar deu ma vez qual a razão de tanto caos. — Venham pro galpão 4. Aquele que fica próximo da região de onde o Wooseok mora. Levaram ele de novo, um dos meus caras conseguiu ver. A gente tá no meio do caminho pra ver que merda tá acontecendo.

— Como?! Alguém viu ele sendo levado e não fez porra nenhuma? Que merdade soldados você tem, Jinho?

— Vai se foder, a gente tinha a porra de um plano. Wooseok concordou com isso, e você deveria saber. Você tá com o Changgu?

— Sim. — Olhou para o parceiro, agora ambos na portaria do prédio, preocupados em não serem vistos daquela forma.

— Armados?

— Sempre. — Yanan confirmou e cutucou Changgu para que falasse também.

— Sim. — O coreano respondeu simples.

— Ótimo. Venham por cima, pelos limites da fortaleza, eu tô aqui junto com outros cinco, esperando. Tem gente nossa lá dentro pra descobrir o que tá acontecendo agora. Não podemos faer muito barulho, só acessem essa linha se for muito necessário ou quando estiverem perto. Não queremos acabar fuzilando vocês por chegarem desavizados. Câmbio desligo.

 

Yanan grunhiu. Seu sangue pareceu ferver enquanto seus membros pareciam ter congelado. Era uma sensação de estar a beira de um abismo que lhe dava calafrios. Finalmente estava acontecendo, mas ele tinha medo de estragar tudo. Wooseok estava lá dentro e poderia acabar o machucando ou não fazendo o suficiente pra protegê-lo e proteger sua família. Depois de semanas se preocupando, planejando e procurando como cuidar de um dos seus, era horrível saber que poderia falhar em um moemnto crítico e acabar machucando ainda mais a quem queria proteger. Era pura paranóia, mas não conseguiria sair dela se não fosse pelo Yeo.

 

Changgu conhecia bem Yanan e tinha consciência de que aquele era um tópico importante e delicado para ele, por isso, segurou em sua mão, lhe recordando do contato iniciado pouco mais cedo quando ainda estavam no apartamento do mais novo.

 

— São dez minutos até o galpão pelo caminho que o Jinho deu. A gente tem que correr.

— Eu sei.

— Vai dar tudo certo. — Tentou soar convincente, e até soou, mas Yanan não queria ser convencido de nada.

— Eu… Eu sei.

 

Yanan queria agir. E num impulso de adrenalina, puxou o parceiro enquanto iniciou uma corrida até o ponto de encontro dado por Jinho, o carregando consigo pelas mãos entrelaçadas. Ele não tinha um plano, sequer sabia se o Jo tinha um de verdade, mas estava pronto para se arriscr por Wooseok e paa enfiar uma bala no crânio dos degraçados que estavam machucando um dos seus soldados. Ele entendia Jinho agora. Ele entendia como era difícil não sentir fúria, ódio e sede por vingança ao sentir na pele alguém que ama e admira muito ser ferido.

 


Notas Finais


Dúvidas, perguntas? falem comigo no tt!
https://twitter.com/hyunjoonly


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