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História O vira-tempo - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Poções


Hogwarts 1995

 

— Estou errado, é? — gritou um garoto desconhecido a um outro garoto ruivo, que começava a perder a cor. – Você acredita naquela baboseira que ele contou sobre Você-Sabe-Quem, é, você acha que ele está dizendo a verdade?

Essa frase deixou James, Sirius e Lupin alertas na discução. Voldemort ainda não havia caído, mesmo depois de todo esse tempo?

— Acho sim! – respondeu o ruivo com raiva.

— Então você é doido também — disse o primeiro garoto com repugnância.

— Ah, é? Bom, infelizmente para você, companheiro, eu também sou monitor! — disse o ruivo, apontando para o peito. — Portanto, a não ser que você queira receber uma detenção, é melhor ter cuidado com o que diz!

O primeiro garoto ficou em silêncio, provavelmente ponderando se valia a pena continuar a discussão e levar uma detenção, mas por fim, apenas foi para a cama e puxou as cortinas com tanta força que elas romperam o dossel e caíram no chão. James não pode deixar de achar uma atitude infantil, porém, não havia pego o início da discussão e não saberia dizer qual dos dois garotos estavam certos. 

— Os pais de mais alguém têm alguma coisa contra o Harry? – perguntou o ruivo com certa  agressividade.

James, que estava concentrado na conversa, deixou sua atenção de lado quando Sirius cutucava seu braço frenéticamente. Ele olhou para seu amigo, com raiva e, sem dizer uma palavra, Sirius apontou para um garoto, com uma cara nada boa, sentado na cama com a varinha em mãos. James sentiu seu coração sair pela boca. Aquele rapaz era exatamente igual a ele, a não ser pelos olhos verdes vivos que tinham um brilho de raiva. James tinha a sensação de que já vira aqueles olhos antes, mas não se lembrava onde.

— Meus pais são trouxas, cara – disse um outro garoto, sacudindo os ombros. – Não sabem nada sobre mortes em Hogwarts, porque não sou idiota de contar a eles.

James, Sirius e Lupin se olharam chocados. Mortes em Hogwarts e a citação de Voldemort. Teria Voldemort atacado o castelo?

— Você não conhece a minha mãe, ela extrai qualquer coisa de qualquer um! – retrucou o primeiro garoto. O mesmo que James não havia  ido com a cara. – E, de qualquer forma, seus pais não recebem o Profeta Diário. Não sabem que o nosso diretor foi dispensado da Corte Suprema dos Bruxos e da Confederação Internacional dos Bruxos porque está ficando caduco...

— Minha avó diz que isso tudo é tolice – disse um outro menino, com a sua voz aguda. – Ela diz que o Profeta Diário é que está em decadência, e não Dumbledore. Ela cancelou a nossa assinatura. Acreditamos em Harry. Minha avó sempre disse que Você-Sabe-Quem voltaria um dia. Ela diz que se Dumbledore diz que ele voltou, então ele voltou.

James percebeu que o rapaz que era sua cópia olhou para o garoto que acabara de falar, como se o agradecesse. Guardou também que o nome dele era Harry. O garoto que, possivelmente, era algum parente dele se chamava Harry. 

Tentava assimilar as informações jogadas nesse final de discução, mas estava difícil, considerando que estava, pelo menos, vinte anos no futuro. Mas a coisa que mais intrigava James era a relação entre Harry e Voldemort. Não sabia ao certo o motivo, mas isso estava lhe trazendo uma sensação péssima.

No entanto, quando as emoções se acalmaram no dormitório. O garoto ruivo olhou para James, Sirius e Lupin com desconfiança. James, instintivamente, abaixou a cabeça. Dumbledore pediu descrição e, enquanto não sabia sobre a sua ligação com Harry, não queria que ninguém notasse a óbvia semelhança.

— E quem são vocês? — quem perguntou foi Harry e Sirius se surpreendeu ao ver que até a voz dele, lembrava a de James.

— Minerva transferiu a gente para esse dormitório... eu sou John. — Lupin respondeu rápido. Não estava mentindo, uma vez que seu nome do meio era, realmente, John. 

Harry olhou para eles, ainda desconfiado, mas deixou passar porque, de alguma maneira estranha, Harry sabia que podia confiar neles. Ia questionar mais os garotos, mas estava com tanta raiva que mal conseguia pensar nisso direito. Estava mais preocupado com a Umbridge em Hogwarts. O único pensamento, um tanto animador para Harry, era que um dia todos que estão o chamando de mentiroso iriam ver que ele estava certo. Assim, Rony apagou a última vela, Harry se permitiu dormir e parar de pensar em coisas assim.

 

No dia seguinte, os Marotos foram os primeiros a acordar. Lupin notou que ao pé da cama dele, de James e de Sirius, haviam vestes novas que poderiam usar e os materiais para as aulas. Depois que terminou de se vestir, James olhou para Harry, que ainda dormia, e mais uma vez ele se surpreendeu com a semelhança que tinha com o garoto. Notou também uma fina cicatriz na testa dele, em forma de raio e isso o deixou intrigado. O afeto que James sentiu por ele, em tão pouco tempo, chegava a ser estranho.

— Quer parar de ficar encarando ele? Você está parecendo um maníaco. — Sirius disse baixo e James assentiu, deixando o dormitório junto de seus dois melhores amigos.

— Ainda tinha esperanças que isso fosse só um sonho maluco. — Lupin falou baixinho, com um suspiro de cansaço.

Na sala comunal, a caminho do café da manhã, eles encontraram Lily, que estava sentada, conferindo seus materiais. Quase como se sentisse a presença dos três, Lily se vira para eles. Para a surpresa deles, Lily vai diretamente para perto de James, parecendo ansiosa por algo.

— Acho que você tem um filho. — ela disse, sem relações e James arregalou os olhos. Sua mente foi instantaneamente para Harry. 

Claro que Harry era seu filho, como pode ser tão lento? O garoto é a cópia dele e James não tem irmãos para poder ser sobrinho, tampouco tem tios, para ser algum primo. E, mesmo que tivesse, não faria sentido ter um primo tão parecido com ele. Estava mais do que óbvio que Harry era seu filho.

— Acho que vimos ele ontem. — Lupin disse e Lily olhou para ele, um tanto, ansiosa. — Nós estamos no mesmo dormitório que ele.

— Harry Potter? — ela perguntou e Lupin assentiu. — As garotas estavam falando dele ontem a noite. Parece que ano passado ele viu você-sabe-quem retornando, mas tem gente que acha que ele está mentindo. Bom, pelo menos é o que o Profeta Diário diz. Mas como ele é?

— E por que você quer saber, Evans? — James perguntou curioso. Ora, não é tendia o interesse de Lily em seu filho. Ou futuro filho. Lily corou e não respondeu. A verdade é que nem a sabia o motivo por estar interessada em saber sobre Harry Potter. Poderia ser apenas curiosidade, mas ela não sabia dizer.

— Ele é incrivelmente parecido com Pontas, menos os olhos... ele tem olhos verdes. — Sirius falou, ainda se perguntando de onde conhecia os olhos do garoto. — Já a personalidade, não sei dizer. Ele mal falou com a gente. Só perguntou quem eramos. 

— E vocês não contaram que vieram do passado, contaram? — Lily perguntou seriamente. 

Sabia que os três eram uns dos melhores, se não os melhores, alunos de Hogwarts no tempo deles e eles não seriam idiotas a ponto e colocar o futuro em risco. Mas também sabia que os três, principalmente James e Sirius, eram impulsivos. Talvez no momento queencontraram alguém interessante, tenham se esquecido da razão e deixado escapar essa pequena e importante informação.

— Não. Eu disse apenas que a Minerva transferiu a gente de dormitório. Achei que ele fosse fazer mais perguntas, mas ele não deu muita importância... E você, alguma garota desconfiou? — Lupin perguntou e Lily assentiu, com um suspiro.

— Uma delas, na verdade. Hermione Granger. Ela disse que não se lembrava de mim, então eu falei que fiquei o último ano em casa, por um caso grave de sarapintose. — Lily respondeu. Se sentia péssima. Odiava mentir, mas não tinha outra escolha. Era uma situação, realmente muito delicada. — Vamos descer? 

— Você vai andar com a gente? — James perguntou com descrença. Lily deu de ombros, não parecendo muito feliz com isso.

— Eu não tenho escolha. — ela disse e saiu andando. 

Os quatro desceram para o Salão Principal e, no caminho, alguns alunos olhavam James e murmuravam. James compreendeu o motivo disso. Ou pelo menos, achou que compreendeu. Na cabeça dele, os alunos não sabiam que ele era do passado, e sim, achavam que ele era Harry. Fazia muito sentido, porque os dois eram extremamente parecidos e Harry estava bem... polêmico, pelo que pode ver. 

Mas o que ainda intrigava James era saber qual a verdadeira relação de Harry e Voldemort. Ele sentia, de alguma forma, que era uma longa história entre os dois, mas como iria saber disso sem parecer um completo maluco ou sem irritar o garoto? Pelo pouco que viu, Harry parceria ser alguém que se irrita facilmente.

Lily, James, Lupin e Sirius se sentaram na mesa da Grifinória para o café da manhã. James estava perdido em seus pensamentos, Sirius comia tranquilamente, como se estivesse em um dia normal e Lily e Remus chegavam o horário das aulas. O que chamou a atenção da garota foi o nome do professor de poções. Severo Snape. Isso a lembrou do que havia acontecido e a deixou profundamente magoada. Estavam anos no futuro, mas, para Lily, o que Severo havia feito foi apenas a algumas horas. 

— Fala sério... já viram as aulas de hoje? — Lupin perguntou com descrença. Não parecia nada animado.

— Não e não me importo muito. Já sabemos disso todo Aluado. — James disse dando de ombros, com certa arrogância e Lily revirou os olhos.

Não imaginava como poderia tolerar James até eles voltarem ao tempo deles. Ele era, realmente, muito antipático e sua arrogância a irritava profundamente. Sua mente se voltou para Harry Potter. Seria ele tão arrogante como o pai é? 

— Não seja presunçoso, Pontas. — Lily disse, séria e os Marotos levantaram o olhar para eles surpresos. James e Sirius se olharam boquiabertos. — O que é? Não posso te chamar de Potter... uma vez que você não é mais o único Potter no castelo.

Sirius riu divertido. Nunca imaginou Lily Evans chamando James pelo apelido de Maroto. Na verdade, se alguém dissesse a ele que um dia Lily sentaria com eles para tomar café, ele chamaria  a pessoa de louca. Mas, afinal, o que é mais louco do que viajar anos para o futuro?

A primeira aula do dia foi de História da Magia, com o professor Binns e James se amaldiçoou por não estar com sua capa da invisibilidade no momento em que viajaram no tempo, assim poderia matar a aula.

Como sempre, a aula estava causando nele, e nos demais alunos, uma sonolência enorme. Os únicos na aula que pareciam estar prestando a atenção e anotando as coisas que o professor falava, eram Lily, Lupin e uma garota próxima ao Harry. James observou o garoto por alguns minutos e quase sorriu ao ver que seu filho, assim como ele, não estava dando a mínima para a aula. Não era uma coisa boa para se orgulhar e ele sabia disso, mas ele estava empenhado em procurar semelhanças entre os dois.

— Maníaco. — sussurrou Sirius ao seu lado, assustando James.

— Você não estava dormindo? — sussurrou de volta e Sirius deu de ombros.

— Mais ou menos.

Quando a aula do professor Binns, os alunos deixaram a sala. Fora do Castelo, uma chuvinha fina e nevoenta caia preguiçosamente. James viu Harry e os amigos se isolar em um canto e chegou a uma conclusão. Iria se aproximar do garoto, tentar ser amigo do mesmo, afinal, era seu filho não é? James só não sabia como faria isso, uma vez não tinha ideia de como puxar assunto com ele é não podia só chegar nele e dizer "Ah, Harry, desculpe interromper, mas eu sou o seu pai que veio do passado e, agora, tenho sua idade. Então, quer jogar uma partida de quadribol ?". Não, isso seria ridículo. Fora que nem poderia falar disso com ele, Harry iria o chamar de louco e quem poderia culpa-lo? É tudo realmenre uma loucura.

Lily estava na mesma situação que James. Algo a chamava para Harry. Por algum motivo que ela não tinha ideia, desde que ouvira o nome dele no dormitório das garotas ontem, ela sentia que conhecia ele durante a vida toda e, vendo ele de longe, ela apenas queria se aproximar e saber mais sobre ele. Não sabia o que trazia essa sensação de familiaridade, talvez seja a semelhança entre Harry e James, Lily não sabia dizer, só sabia que tinha simpatizado muito com o garoto.

Quando a sineta tocou, os alunos andaram desanimados para a masmorra para poder ter aula de poções. Sirius, notando a cara de desânimo dos alunos da Grifinória, pegou, pela primeira vez, o pergaminho com o horário das aulas e, assim que viu quem seria o professor de poções, quase foi ao chão.

— Isso não pode ser verdade! — falou em tom alto e Lily o repreendeu com o olhar. — O Ranhoso é nosso professor de poções! O Ranhoso, Pontas!

Lily torceu o nariz pelo modo que Sirius falou de Snape, mas se manteve calada. Uma vez que ainda estava magoada com as palavras dele.

— Está de brincadeira? — James exclamou, puxando o pergaminho das mãos de Sirius e o olhando, para ter certeza. Uma carranca se formou no rosto de James. — Não achei que o veríamos tão cedo. Ainda não esqueci o que ele disse à Evans, quando eu ve-lo ou vou...

— Não vai fazer nada, Pontas. — Lupin disse baixo e James o olhou com raiva — Não se esqueça que, agora, ele é nosso professor. Não queremos mais problemas do que já temos.

James se calou, a contra gosto, mas continuava com a cara irritada. Lily revirou os olhos, não queria que James a defendesse e não precisavassa disso.  Eles entraram na masmorra e se sentaram no fundo da Sala, tentando chamar o mínimo de atenção possível. Os outros alunos foram entrando e, aos poucos, a sala foi se enchendo. Sirius não escondia a cara de desgosto quando um aluno da Sonserina passava por ele e Lupin sempre batia no seu braço, discretamente, para ele se controlar. Não demorou muito para Snape entrasse na sala.

— Queitos. — disse friamente, fechando a porta 

James revirou os olhos. Não havia motivo para pedir silêncio, os alunos não estavam fazendo barulho algum. Lily, apesar de estar profundamente chateada, ouviu cada palavra dita por Snape, fez um breve discurso sobre os N.O.M.s, e algo sobre só aceitar os melhores na sua turma de poções. Lily riu sem humor diante a ironia. Era irônico que ele reclamasse da arrogância de James e, anos mais tarde, se tornasse tão arrogante quanto ele. 

Snape havia pedido a Poção da Paz e Lily se sentiu animada. Poções era uma matéria que ela, modéstia parte, se saia muito bem e a Poção da Paz era particularmente fácil. Ouviu um resmungo de Sirius e não conseguiu reprimir um riso. Não admitiria isso em voz alta, mas andar com eles não estava sendo tão ruim  assim. Dos quatro Marotos, o que Lily mais se identificava era Remus, não tinha nada contra Peter e não gostava muito de James e Sirius, mas não estava sendo tão ruim assim andar com eles.

— Potter, que é que você acha que é isso? — Snape perguntou friamente.

James, por instinto, olhou para o professor. Mas, na verdade, não era com James que Snape falava. Ele estava falando com Harry. James e Sirius se olharam, não tinham um pressentimento nada bom.

— A Poção da Paz? — Harry perguntou tenso. James se controlou para não rir diante  resposta do garoto. 

— Diga-me, Potter. Você sabe ler? 

Quando Snape disse isso, um garoto extremamente loiro, sem dúvidas um Malfoy, riu com gosto. Sirius olhou com raiva para o garoto, tal como James e Lily.

— Sei, sim senhor. — respondeu Harry.

Lily notou que os dedos do garoto seguravam com força a varinha. Ela sabia o que era isso. Ele estava tentando controlar a raiva, ela sabia, pois fazia a mesma coisa. Logo que esse pensamento passou por sua cabeça, ela tratou de o afastar. Não podia ficar se progentando em Harry.

— Você fez tudo que estava na terceira linha, Potter?

— Não, senhor – respondeu Harry baixinho.

— Como disse?

— Não — repetiu o garoto mais alto. — Esqueci o heléboro.

James não estava mais aguentando o que Snape estava fazendo com Harry, assim como Lily. Ambos estavam chegando no fim da paciência, uma vez que aquilo era completamente desnecessário.

— Eu sei que esqueceu, Potter, o que significa que essa porcaria não serve para nada. Evanesco!

James ia se levantar para confrontar Snape, mas Sirius o segurou pelo braço. James cruzou os braços, ainda com a expressão de repulsa no rosto. Agora, infelizmente, não poderia fazer nada, mas quando voltasse ao seu tempo, iria fazer o Ranhoso se arrepender de cada palavra dita ao seu filho.

— Os alunos que conseguiram ler as instruções encham um frasco com uma amostra de sua poção, colem uma etiqueta com o seu nome escrito com clareza e tragam-no à minha escrivaninha para verificação — disse Snape. — Dever de casa: trinta centímetros de pergaminho sobre as propriedades da pedra da lua e seus usos no preparo de poções, a ser entregue na terça-feira.

James, Lily, Sirius e Lupin encheram seus frascos com a Poção, assim como os outros alunos. Lily viu Harry guardar suas coisa com uma raiva perceptível e sentiu uma vontade enorme de conversar com ele, nem que fosse apenas para dizer "não ligue para isso". A garota, junto dos Marotos, deixou o frasco na escrivaninha de Snape e notou que James quase o jogou, sem se importar com o olhar feio de Snape em si. Lily suspirou, entendia a raiva dele, estava sentindo a mesma coisa. Deixando um pouco a velha richa deles de lado, Lily tocou o ombro de James, oferecendo a ele um sorriso reconfortante. James perdeu o fôlego, por alguns segundos, era a primeira vez que Lily sorria para ele e ele se sentiu extremamente agradecido por isso.



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