História O Visconde Que Me Amava - Capítulo 7


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Categorias Sou Luna
Personagens Benício, Delfina, Emília, Gaston, Jazmin, Juliana, Luna Valente, Miguel, Monica, Nico, Nina, Ramiro, Simón, Yam
Tags Drama, Romance
Visualizações 4
Palavras 2.200
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - She likes to leave you hanging on a word


Fanfic / Fanfiction O Visconde Que Me Amava - Capítulo 7 - She likes to leave you hanging on a word

A tarde seguinte foi como todas as outras depois de um grande baile. A sala de estar dos Sanchéz estava lotada com buquês de flores, cada um deles acompanhado de um cartão branco em que se lia o nome “Chiara Sanchéz”.

Um simples “Srta. Sanchéz” teria sido suficiente, Yam pensou com uma careta, mas imaginou que não podia culpar os admiradores de Chiara por quererem ter certeza de que as flores iriam para a Srta. Sanchéz correta.

Não que alguém fosse cometer tal engano. Em geral, os buquês que chegavam eram para Chiara. Na verdade, em geral não – no último mês, todos os arranjos entregues na residência dos Sanchéz tinham sido para a irmã mais nova.

Yam, porém, gostava de pensar que ria por último. A maioria das flores fazia Chiara espirrar, por isso, costumava terminar nos aposentos de Yam.

– Coisinha linda – falou, passando o dedo afetuosamente em uma orquídea delicada. – Acho que você ficará ótima na minha mesinha de cabeceira. E vocês – continou, inclinandose e cheirando um buquê de rosas brancas e perfeitas – ficarão adoráveis na minha penteadeira.

– Você sempre conversa com as flores?

Yam deu meia-volta ao ouvir uma voz masculina grave. Por Deus, era lorde Bridgerton, parecendo pecaminosamente belo em uma casaca azul. Que diabo ele estava fazendo ali? – Que diab... – Ela se controlou bem a tempo. Não permitiria que aquele homem a fizesse rebaixar-se a ponto de xingar em voz alta, por mais que ela estivesse fazendo isso em sua mente. – O que o senhor está fazendo aqui?

Ele ergueu uma sobrancelha ao ajeitar o imenso buquê de flores que trazia debaixo do braço. Rosas cor-de-rosa, observou ela. Botões perfeitos. Adoráveis. Simples e elegantes. Exatamente o tipo que ela escolheria para si mesma.

– Imagino que seja tradição os admiradores fazerem uma visita às jovens, não é? – murmurou ele. – Ou será que meu livro de etiqueta está errado?

– O que eu quis dizer foi: como o senhor entrou? – rosnou Yam. – Ninguém me avisou de sua chegada.

Ele inclinou a cabeça na direção do salão.

– Do modo que as pessoas entram nas casas. Bati à porta da frente.

O olhar de irritação de Yam diante de seu sarcasmo não impediu que ele continuasse:

– Por incrível que pareça, o mordomo atendeu. Em seguida, dei-lhe meu cartão, ele viu o que estava escrito e me levou até a sala de estar. Por mais que eu quisesse ter inventado algum tipo de subterfúgio tortuoso e clandestino – continuou, com arrogância –, na verdade foi muito direto e objetivo.

– Maldito mordomo – atalhou Yam. – Ele deveria ter visto se estávamos “em casa” antes de deixá-lo entrar.

– Talvez ele tenha recebido instruções de que vocês estariam “em casa” para me receber em quaisquer circunstâncias.

Ela agitou-se.

– Eu não lhe dei qualquer instrução nesse sentido.

– Não – concordou lorde Bridgerton com uma risadinha –, eu não teria pensado isso.

– E sei que Chiara não o fez.

Ele sorriu.

– Talvez sua mãe?

Claro.

– Mary – resmungou ela, com um mundo de acusações nessa única palavra.

– As senhoritas a chamam pelo primeiro nome? – indagou ele de modo educado.

Ela assentiu.

– Na verdade, ela é minha madrasta, embora seja tudo o que conheci como mãe. Casou-se com meu pai quando eu tinha apenas 3 anos. Não sei por que ainda a chamo de Mary. – Ela balançou levemente a cabeça, dando de ombros. – Só chamo.

Ramiro fixou os olhos castanhos no rosto dela e Yam percebeu que acabara de deixar aquele homem – na verdade, seu oponente – entrar em um pequeno canto de sua vida. Sentiu as palavras “Desculpe-me” tomando forma em sua boca – um reflexo, imaginou, por ter falado de modo tão franco. Mas não queria desculpar-se por nada com aquele sujeito. Então, disse apenas:

– Lamento, mas Chiara não está, portanto, sua visita foi uma perda de tempo.

– Ah, eu não teria tanta certeza – retrucou ele.

Tirou o buquê de flores de baixo do braço e, quando o estendeu à frente de Yam, ela viu que não era um só, enorme, mas três pequenos.

– Este – falou, colocando um deles sobre uma mesa lateral – é para Chiara. E este – prosseguiu, fazendo o mesmo com outro – é para sua mãe.

Ficou com o último na mão. Yam estava paralisada pelo choque, incapaz de tirar os olhos dos botões cor-de-rosa perfeitos. Ela sabia que a única razão para incluí-la naquele gesto era impressionar Chiara, mas, como ninguém jamais lhe levara flores, ela não soubera, até aquele momento, como desejava que alguém o fizesse.

– E estas – concluiu ele, estendendo-lhe o último arranjo – são para a senhorita.

– Obrigada – disse ela, hesitante, segurando-as nos braços. – São lindas. Abaixou a cabeça para cheirá-las e suspirou de prazer ao sentir o perfume forte. Voltando a erguer os olhos para ele, acrescentou: – É muita consideração sua pensar em Mary e em mim.

Ele assentiu graciosamente.

– O prazer foi meu. Devo confessar que certa vez um admirador de minha irmã fez a mesma coisa por minha mãe e creio que jamais a vi tão encantada.

– Sua mãe ou sua irmã?

Ele sorriu ao ouvir a pergunta insolente.

– Ambas.

– E o que aconteceu ao admirador? – indagou Yam.

Ramiro deu seu sorriso mais diabólico.

– Casou-se com minha irmã.

– Humpf. Não creio que a história vá se repetir. Mas... – Yam tossiu, sem querer ser sincera demais com ele, porém incapaz de agir de outra maneira. – Mas as flores são realmente lindas, e... foi um gesto adorável de sua parte. – Ela engoliu em seco. Não era fácil dizer aquilo. – Gostei muito delas, de verdade.

Ele se curvou um pouco para a frente, com os olhos escuros enternecidos.

– Um elogio – observou. – E dirigido a mim. Então, não foi tão difícil, foi?

Yam estava inclinando a cabeça de modo adorável sobre as flores de novo, mas parou a meio caminho e preferiu empertigar-se.

– O senhor parece ter a habilidade de dizer sempre a coisa errada.

– Só quando diz respeito à senhorita, minha cara. Posso lhe garantir que as outras mulheres acreditam em cada uma de minhas palavras.

– Foi o que li – murmurou ela.

Os olhos dele se iluminaram.

– Foi assim que a senhorita formou sua opinião a meu respeito? Claro! A estimada Lady Felicity ForNow. Eu deveria ter adivinhado. Por Deus, como eu gostaria de estrangular aquela mulher.

– Eu a considero muito inteligente e objetiva – observou Yam com afetação.

– Imagino – retrucou ele.

– Lorde Bridgerton – disse Yam –, tenho certeza de que o senhor não veio nos visitar para me insultar. Posso transmitir algum recado seu a Chiara?

– Creio que não. Não tenho muita confiança de que ela o receberia sem que tivesse sofrido modificações.

Aquilo era demais.

– Eu nunca me humilharia interferindo na correspondência de outra pessoa – conseguiu dizer Yam, de alguma forma. Todo o seu corpo tremia de raiva, e, se ela tivesse um pouco menos de autocontrole, com certeza suas mãos teriam apertado o pescoço dele. – Como o senhor ousa insinuar isso?

– As pessoas são capazes de tudo, Srta. Sanchéz – falou Ramiro com uma calma irritante. – Eu realmente não a conheço muito bem. O que sei sobre a senhorita se resume a suas ardentes declarações de que eu nunca deveria chegar a menos de 3 metros da presença sagrada de sua irmã. Diga-me: em meu lugar, a senhorita se sentiria confiante o suficiente para deixar uma mensagem?

– Se o senhor está tentando conquistar a simpatia de minha irmã através de mim – respondeu Yam com frieza –, não está fazendo um bom trabalho.

– Sei disso – retrucou ele. – De fato, eu não deveria provocá-la. Não é muito inteligente de minha parte, não é? O problema, porém, é que simplesmente não consigo evitar. – Ele sorriu com um ar lascivo e fez um gesto de impotência com as mãos. – O que posso dizer? A senhorita desperta algo em mim, Srta. Sanchéz.

O sorriso dele, Yam percebeu com desânimo, era avassalador. De repente, sentiu-se fraca. Uma cadeira... Sim, tudo de que precisava era sentar-se.

– Por favor, fique à vontade – falou, indicando-lhe o sofá de damasco azul enquanto caminhava aos tropeções pelo aposento, procurando uma cadeira.

Ela não tinha nenhum desejo especial de que ele se demorasse, mas não poderia sentar-se sem lhe oferecer um assento também, e suas pernas começavam a ficar terrivelmente instáveis.

Se o visconde considerou estranho o súbito ataque de gentileza, não disse nada. Em vez disso, retirou um estojo comprido e preto de cima do sofá, colocou-o sobre uma mesa e, em seguida, se sentou.

– É um instrumento musical? – indagou, apontando para o estojo.

Yam assentiu.

– Uma flauta.

– A senhorita toca?

Ela começou a balançar a cabeça em uma negativa, mas depois fez que sim.

– Estou tentando aprender. Comecei a estudar só este ano.

Ele assentiu e, aparentemente, encerrou o tema, pois em seguida perguntou com educação:

– Quando a senhorita acha que Chiara retornará?

– Daqui a não menos de uma hora, creio. O Sr. Berbrooke levou-a para passear de cabriolé.

– Tomás Berbrooke?

Ele quase engasgou ao repetir o nome.

– Sim. Por quê?

– Aquele homem tem mais cabelos que inteligência. Muito mais.

– Mas ele está ficando careca – disse ela, sem conseguir evitar.

Ele sorriu.

– Se isso não demonstrar meu ponto de vista, não sei o que o fará.

Yam chegara à mesma conclusão sobre a inteligência do Sr. Berbrooke (ou a falta de), mas disse:

– Não é considerado falta de educação insultar os outros admiradores?

Ramiro soltou um breve suspiro.

– Não foi um insulto, só a verdade. Ele cortejou minha irmã no ano passado. Ou tentou. Emília fez o que pôde para desencorajá-lo. Ele é um bom rapaz, posso lhe garantir, mas não é alguém com quem se queira construir um barco se estiver numa ilha deserta.

Yam pensou na imagem estranha e nem um pouco bem-vinda do visconde numa ilha deserta, com as roupas esfarrapadas e a pele queimada de sol. Isso a fez sentir um calor desconfortável.

Ramiro inclinou a cabeça, fitando-a com um olhar confuso.

– Está se sentindo bem, Srta. Sanchéz?

– Ótima! – Foi quase um latido. – Nunca me senti melhor. O que o senhor dizia?

– A senhorita parecia um pouco corada.

Ele se curvou e olhou-a bem de perto. Ela realmente não parecia bem.

Yam abanou-se.

– Está um pouco quente aqui, não acha?

Ramiro balançou a cabeça devagar.

– Nem um pouco.

Ela olhou ansiosamente para a porta.

– Estou imaginando onde Mary pode estar.

– A senhorita a está esperando?

– Ela não costuma me deixar sozinha por tanto tempo – explicou.

Sozinha? As implicações dessa palavra eram assustadoras. Ramiro de repente se viu na posição de ser obrigado a se casar com a mais velha das irmãs Sanchéz, e isso o fez suar frio. Yam era tão diferente de qualquer debutante que ele já conhecera que até se esqueceu de que também precisava de uma dama de companhia.

– Talvez ela não saiba que estou aqui – falou depressa.

– Sim, deve ser isso. – Ela ficou de pé de um salto e cruzou o aposento até a campainha dos criados. Puxou a corda com firmeza e disse: – Vou chamar alguém e pedir-lhe que a avise. Tenho certeza de que ela gostaria de falar com o senhor.

– Ótimo. Talvez ela possa nos fazer companhia enquanto espero pelo retorno de sua irmã.

Yam parou a meio caminho da cadeira.

– O senhor planeja esperar Chiara?

Ele deu de ombros, divertido com o desconforto dela.

– Não tenho outros planos para a tarde.

– Mas talvez ela demore horas!

– Uma hora, no máximo, tenho certeza. Além do mais... – Então ele parou de falar, percebendo a chegada de uma empregada.

– A senhorita chamou? – indagou a criada.

– Sim, obrigada, Annie – respondeu Yam. – Você poderia informar à Sra. Sanchéz que temos uma visita?

A empregada fez uma reverência e saiu.

– Tenho certeza de que Mary descerá a qualquer momento – disse Yam, sem conseguir parar de bater o pé no chão. – A qualquer minuto. Tenho certeza.

Ele apenas sorriu daquele jeito irritante, parecendo totalmente relaxado e confortável no sofá.

Um silêncio constrangedor baixou sobre a sala. Yam lançou-lhe um sorriso constrangido. Em resposta, ele apenas ergueu uma sobrancelha.

– Tenho certeza de que ela estará aqui...

– A qualquer minuto – completou ele, em um tom divertido.

Ela afundou na cadeira, tentando não sorrir. Provavelmente, não conseguiu.

Nesse momento, um pequeno alvoroço irrompeu pelo corredor – alguns latidos seguidos de um grito agudo:

– Newton! Newton! Pare com isso!

– Newton? – perguntou o visconde.

– Meu cachorro – explicou Yam, suspirando ao se levantar. – Ele não...

– NEWTON!

–... se dá muito bem com Mary. Com licença. – Yam caminhou até a porta. – Mary? Mary?

Ramiro pôs-se de pé ao mesmo tempo que Yam, encolhendo-se quando o cão deu mais três latidos altos, que foram seguidos de outro grito apavorado de Mary.

– Qual é a raça dele? – murmurou. – Um Mastiff?

Só podia ser um Mastiff. A Srta. Sanchéz mais velha parecia exatamente o tipo que teria um cão dessa raça sempre faminto à disposição.

– Não – respondeu Yam, apressando-se para fora da sala enquanto Mary deixava escapar outro grito. – Ele é um...

Mas Ramiro não ouviu o que ela disse. De qualquer forma, não fazia diferença, pois, um segundo depois, entrou trotando o Corgi de aparência mais cordial que ele já vira, com pelo denso de cor caramelo e uma barriga que quase se arrastava no chão.

Ramiro ficou paralisado com a surpresa. Aquela era a terrível criatura no corredor?

– Bom dia, cão – falou com firmeza.

O cachorro parou, sentou-se imediatamente e...

Sorriu?



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