História O Vizinho - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Tags Gay, Original, Romance
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Palavras 4.528
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Nove


Com os dedos entrelaçados um no outro, os dois caminharam em direção a saída. 

A noite tinha sido maravilhosa, seria muito difícil que aquele sorriso bobo nos lábios de Mark fosse apagado. Tudo tinha sido tão perfeito. Os dois tinham feito compras em algumas lojas. Brincado naquelas barracas com jogos que geralmente ninguém ganha, mas que James tinha acertado todos os dardos, deixando o dono da barraca bem zangado. E o premio estava em baixo do braço de Mark, um urso enorme, na cor creme com uma gravata borboleta xadrez. 

Também tinham se beijado muitas e muitas vezes, e o menor estava nas nuvens. 

Só decidiram ir embora após jantarem em um restaurante mexicano, que ainda deixava Mark corado de vergonha ao se lembrar da cena ao enfiar na boca uma comida extremamente picante. Foi tão vergonhoso, mas fez James rir, e por mais que tivesse sido fofo, não aplacou o bico que se formou nos lábios de Mark. Bico esse que só foi embora após receber muitos beijos, talvez James estivesse descobrindo que Mark adorava ser mimado. 

- Esse urso esta chamando muita atenção – James reclamou.

- Deixa olharem, o J.J. gosta de atenção.

- Quem é J.J.? - Perguntou confuso.

- O urso, o James Junior – Informou sorrindo – e nós vamos dormir bem agarradinho essa noite.

James lhe dirigiu um meio sorriso estonteante, se divertindo com o quanto Mark era fofo. 

- Eu devo ficar com ciúme do James Junior

- Talvez. – O maior lhe lançou um olhar de queimar a alma, o desejo gritava na imensidão verde de suas íris, e por um longo momento ele nada disse. 

- Você esta fazendo minha imaginação tomar um rumo muito perigoso, pequeno – Aquele comentário estava carregado de luxuria.

- Que tipo de imaginação? - Perguntou em falsa inocência. Via nos olhos de James que seja o que fosse que passava por sua mente, não era nada casto. Podia não ter nenhuma experiência, mas sabia reconhecer o desejo quando o via. 

- Quer algodão doce? - Ofereceu James de repente, ao passarem por um vendedor. 

Mark suspirou. Se o maior queria mudar de assunto, que fosse então.

- Eu não posso.

- Não pode? - Perguntou sem entender.

- Tenho diabetes tipo 1 – Disse olhando para o carrinho de vendas – E eu já comi doce demais hoje, melhor não continuar testando a sorte. 

- Sinto muito, sei que a dieta é bem severa. – Os dedos dele se apertaram mais na mão do menino, fazendo um leve carinho com o polegar.

- Depois de um tempo você acostuma. – Um singelo sorriso apareceu nos lábios do menor com o carinho que estava recebendo – Convivo com a diabetes desde os dez anos.

- Você toma insulina?

- Sim, duas vezes por dia, mas tem dias que eu exagero no açúcar ou no carboidrato e dai tem que tomar mais de duas vezes.

- É bom saber, assim eu posso cuidar de você. – Ele levou a mão do menor aos lábios, beijando o dorso.

- Pelo amor de Deus, não vai ficar exagerando, já tenho minha mãe para fazer esse trabalho. – Disse rindo entre risos.

- Eu só quero cuidar de você, não posso? - Perguntou com uma cara triste.

- Eu estava brincando, eu gosto da ideia de você cuidando de mim – James apenas sorriu e continuou andando.

Juntos os dois caminharam para fora do festival. 

A iluminação do estacionamento era bem baixa, fazendo o menor se lembrar de filmes de terror, de quando os casais felizes são assassinados, sem motivo algum, por um maluco que passa na rua. Uma coisa bem inusitada para se estar pensando, mas Mark odiava o escuro, então grudou seu corpo bem pertinho de James. 

- Esta com medo? - Tinha divertimento na voz de James, que fez Mark corar envergonhado. 

- Não – Respondeu, mas não conseguia deixar de olhar para todos os lados, esperando a hora que o cara do filme pânico apareceria com uma faca.

- O carro ficou longe, se quiser esperar aqui enquanto eu busco.

- Nem pensar, eu vou junto – Podia não ser muito corajoso, mas também não o deixaria sair andando sozinho, poderia acontecer alguma coisa.

- Aqui esta bem iluminado e cheio de gente, você não ficaria sozinho, não precisa ficar com medo.

- Já disse que não estou com medo, em todo caso não vou te deixar ir sozinho - Rebateu decidido. 

- Então vem aqui – O maior passou o braço por seus ombros, trazendo seu corpo para bem junto do seu.

No fim não tinha nenhum assassino, os dois pegaram o carro e foram embora na maior segurança, ouvindo Gnash, e jogando conversa fora. As vezes o maior se debruçava para o lado, apenas para beijar os lábios do menor, ou passar o nariz pela pele de sua bochecha, o que o deixava mais vermelho que um tomate. Nem nos seus sonhos mais loucos, ele tinha imaginado que teria uma noite como aquela.

- Acho que estou viciado em você. – Comentou James, quando eles pararam na garagem do prédio – Não consigo manter minha mãos longes, nem parar de te beijar e sentir seu cheiro.

As palavras de James o deixou envergonhado, com as bochechas coradas e as mãos suadas. 

- Eu nunca imaginava que isso fosse acontecer. – Disse olhando nos olhos de James – Que você pudesse me notar, que pudesse querer algo comigo. Para mim, você me via apenas como amigo, ou vizinho. Na verdade eu ainda acho que eu vou acordar na minha cama e descobrir que isso foi apenas um sonho, para mim é inconcebível que alguém como você possa olhar para alguém como eu. 

James o olhou sem entender.

Alguém como você? Alguém como eu?

- O que você quer dizer com isso?

Mark desviou os olhos para o painel, enquanto cutucava nervosamente um pequenos rasgo na calça jeans. 

- Ah, você é um homem bonito e sexy – James deu um sorriso convencido e malicioso – com uma carreira de sucesso, pode ter qualquer pessoa que quiser, porque iria me querer?

- O que tem de errado em você? Não te entendo.

- Ah, fala serio! – Não queria olhar para o maior, fazia a diferença entre eles parecer um elefante sentado em cima dele, então preferiu olhar pela janela – Eu sou um moleque magrelo que ainda esta no colegial, sem nada especial.

- Olha para mim. – Não queria olhar, não queria se deparar com as diferenças que estavam batendo na cara dele, como um carrasco. – Pequeno, eu estou pedindo para você me olhar, então por favor me olhe.

Os dedos gelados de James tocaram em seu queixo, puxando para que seus olhos se encontrassem. Desprendeu ambos os cintos, e o puxou pela cintura para que se sentasse em seu colo. Mark não queria sair daquele aperto nunca mais, aquela sensação de aconchego era tudo que queria.

- Preste bem atenção no que eu vou te dizer. – Continuou, com ambas as mão segurando a cabeça do menor para que ele não pudesse desviar o olhar – Você é uma pessoa incrível, eu não queria te dizer isso, mas quando fiquei sabendo que você tocava, pela sua mãe, eu pesquisei sobre você, e assisti algumas apresentações suas. Então não diga que você não é especial, porque isso é mentira, você é muito talentoso. E se você não quer mais tocar, não toque, mas saiba que você estará desperdiçando um dom fantástico. Mas saiba também que independente de você não tocar mais para um publico, um dia você vai tocar para mim. Você é especial, e nunca deixe de pensar o contrario disso.

- Jamie – As lágrimas escorriam por sua face, e seu coração se enchia de amor e carinho pelas palavras daquele homem.

Como era possível em tão pouco tempo James conseguir o deixar tão desarmado, tão encanto com suas palavras e com seus carinhos. 

- E mais. – Disse enxugando as lágrimas do menino com o polegar, fazendo carinho em sua face vermelha – Você não faz ideia do quanto você é sexy pequeno, nunca diga que você é menos do que é, e sua bunda é maravilhosa, – Apesar das lágrimas, o menor não pode evitar de rir – Você é muito, mas muito gostoso. Realmente tem outras pessoas que me querem, mas eu só quero você, e te desejo com cada fibra do meu corpo.

As bochechas vermelhas, olhos marejados e a respiração descompassada do menor causavam uma mistura de desejo de proteção e excitação, que James não sabia como reagir. O ar entre eles parecia faiscar, ele nunca se enjoaria de ter o corpo quente do menor contra o seu. Não imaginava como uma pessoa tão bonita e talentosa como ele, podia se menosprezar como tinha feito. Se ele pudesse se ver através de seus olhos, veria o quão incrível era.

- Você é quente, em todos os lugares. – Sua voz soou macia aos ouvidos de Mark, enquanto tocava a pele do menor por debaixo da camiseta. A respiração de Mark se tornou descompassada e seus olhos se fecharam em deleite. 

James suspirou longamente, retirando a touca de sua cabeça, puxando o cabelo para expor seu pescoço, deixando vários selares na pele, subindo até a orelha, então chupando o lóbulo, enquanto apertava sua cintura.

- Jamie – O menino gemeu seu nome. E que Deus o ajudasse, mas ele não aguentaria tanta tentação. Os dedos do menor grudaram em seu casaco, puxando seu corpo em direção a ele, enquanto gemidos baixinhos saiam de sua boca. Não resistiu mais, apenas o beijou, chupando seu lábios, explorando sua boca. Os lábios do menor eram tão doces, ele estava viciado em seu gosto. Os gemidos de prazer que saiam por entre seus lábios, navegavam através de seu corpo, causando uma fisgada em seu baixo ventre, deixando seu membro rígido.

Não pode resistir ao impulso de apertar a bunda durinha do menino, imaginando o quão vermelha ela poderia ficar quando ele a mordesse.

- A..ah J..Jamie – A voz manhosa de Mark clamando seu nome tão eroticamente o fez arremeter o quadril para cima, impulsionando sua ereção latejante contra a bunda do menor, que se encaixava com perfeição em cima de seu membro. 

- Jamei! – Chamou o menor.

- Diz. – Pediu, apertando seu quadril, enquanto puxava seu cabelo para traz, deixando selares molhados por toda a região do pescoço.

- A..acho que a gente esta indo rápido demais. 

Droga! O menino tinha total razão, mas não conseguia parar.

- Verdade. – Concordou. Subiu os beijos pelo pescoço, lambendo a linha do maxilar. Deu vários beijos pela face corada dele, e por ultimo deixou um beijo casto em seus lábios. Quando se afastou, os dois estavam com a respiração acelerada, cabelos bagunçados e lábios vermelhos. - Me desculpe, acho que me empolguei – Pediu, enquanto o menor o olhava com olhos brilhantes e pupilas dilatadas pela excitação.

- Você não fez nada que eu não permiti, então não tem nada para desculpar – Disse lhe dando um pequeno sorriso em seguida. Abaixou o olhar na direção do seu abdômen, enquanto fazia desenhos imaginários por cima de sua camiseta.  

- Acho melhor nós sairmos, se ficarmos desse jeito por mais tempo, vou começar a te agarrar de novo. – Não aguentava mais não poder fazer nada, enquanto aquele ser magnifico e corado, estava sentado em cima de seu membro.

- C..claro, é, hum. – Ele gaguejou enquanto saía, e foi a coisa mais fofa e ao mesmo tempo sexy que ele já tinha visto. Não tinha certeza, mas talvez tivesse adquirindo algum tipo estranho de fetiche, só sabia que aquele menino o estava enlouquecendo.

- Não esqueça o J.J. - Mark, que estava descendo do carro, parou o olhando sem entender, mas logo caiu em si, puxando o urso do banco de traz e o trazendo junto.  

Quando o menor disse que dormiria abraçado com o urso, sua mente pervertida não pode deixar de imagina-lo nu agarrado na pelúcia. E só de imaginar tal cena, seu membro queria despertar de alegria, e por Deus, estava parecendo um colegial virgem.

- Mark! – Chamou uma voz feminina, enquanto eles caminhavam em direção ao elevador, fazendo o menor soltar sua mão de maneira brusca.

- M..mãe! – 

Era a senhora Lakes, que vinha com algumas sacolas na mão, e um olhar desconfiado em direção a eles. Ela era uma mulher muito bonita, com olhos verdes escuro como os do filho, mas ao contrario do filho ela possuía cabelos cor de areia. Mas toda essa beleza, que podia ser vista se você parasse para analisa-la, estava escondida, por calças largas demais, cabelos bagunçados e olhos cansados.

- Boa noite, Sra. Lakes. – Cumprimentou.

- Já disse que você pode me chamar de Johana, se não fico me achando muito velha – Um sorriso pequeno despontando em seus lábios, muito parecido com o do filho.

- Claro Johana, me desculpe.

- Vocês estavam juntos? - Perguntou. 

O menor apenas olhava assustado, como se tivesse sido pego cometendo algum crime, e nenhuma palavra saía de sua boca.

- Estávamos, fomos na feira em prol do hospital infantil – Respondeu James, com um sorriso galante.  

Ele mantinha uma expressão neutra, sem dar nenhum sinal de que a poucos minutos os dois se agarravam no carro, ao contrario de Mark. Só esperava que Johana não notasse nada, não queria que Mark fosse obrigado a dar explicações que ainda não estava preparado. 

- Você não me disse que iria acompanhado, Mark. – Acusou, olhando para o menor, que parecia achar o chão muito interessante naquele momento. E James teve que conter um sorriso que teimava em querer aparecer, ao ver a vermelhidão que subia pela pele do menino.

- B..bem, é que, não achei que fosse necessário. – Falou baixinho. 

- Não era. – Ela ainda olhava desconfiada para o menino, que não ajudava em nada com aquela cara de culpado.

- Deixe que eu te ajudo com essas sacolas – Pediu James, tentando desviar a atenção da mulher.

- Obrigado. – Ela agradeceu enquanto entravam no elevador – Como estava a feira?

- Que? 

Um riso escapou por entre seus lábios de James ao ver o desespero do menino, que parecia muito atordoado com a cena cômica dos três dividindo o mesmo espaço, enquanto o pescoço do garoto estava cheio de marcas vermelhas, e os lábios ainda inchados de tanto serem mordidos.

- Você esta bem filho? Estou perguntando sobre a feira.

- Estou bem mãe, não se preocupe. – Respondeu dando uma cotovelada nas costelas do maior, por mais uma vez rir dele, mas o que podia fazer, aquilo estava hilario, e olha que a mãe do menino nem tinha reparado em seu pescoço – A feira estava ótima, foi muito divertido.

- Eu vejo, e parece que você compraram bastante coisa, estão cheio de sacolas.

- Devo ressaltar que a maioria são do seu filho. – Falou James, sorrindo com carinho, enquanto ganhava um bico emburrado mais fofo que ele já tinha visto – Ele não pode ver algo inútil que já quer comprar.

- Ele sempre foi assim, iguaizinhos o pai dele, – comentou saudosa – os dois sempre foram muito parecidos.

- Não são coisas inúteis, vocês que não sabem apreciar o valor das coisa. – Que Deus o ajudasse, mas queria fingir que a mãe do menino não estava ali com eles, e morder aquele bico.

- E esse urso enorme, não está um pouco velho para brincar com uma pelúcia. – Agora James não aguentou, teve que rir.

- Eu não comprei, foi o James que ganhou em uma barraca de lançamento de dardos. – Rebateu indignado, fazendo os dois mais velhos rirem.

Apesar da mulher ter aparecido no finalzinho do encontro deles, tudo tinha sido muito bom. Estava feliz como não ficava fazia muito tempo. Só de relembrar os momentos que passou com o menor, já faziam seus lábios formigares com a sensação ainda recente de seus lábios juntos. Não podia acreditar em como tudo tinha mudado em apenas dois dias. Até dois dias atrás o menino não passava do vizinho tímido, que o fazia ter sonhos inapropriados. E em tão pouco tempo os dois já tinham adquirido uma intimidade inexplicável , já tinham experimentado do gosto um do outro, da sensação dos corpos juntos. E Deus sabe que ele só não tinha ido mais afundo naquela pegação, pois Mark era apenas um menino, então teria que ir mais devagar. Estava tão feliz, que não conseguia fazer um sorriso bobo sumir da sua face, enquanto discretamente tocava o dorso da mão do menino com a ponta dos dedos. 

Nada poderia estragar sua alegria, foi o que pensou até as portas do elevador se abrirem, revelando a ultima pessoa que ele queria ver naquele momento, fazendo seu sorriso sumir mais rápido que brigadeiro em festa infantil.  

- Mãe! - Exclamou surpreso. 

A mulher magra de porte elegante, estava parada em frente a sua porta. 

Assim como sempre foi, desde o momento que ele se entendia por gente, ela mantinha aquele olhar superior, como se todos a sua volta fossem meros insetos sujeitos a sua vontade, ele detestava aquele olhar.

- Já estava indo embora, achei que você não estivesse ou não queria me atender. – Nenhum cumprimento, nenhuma palavra de carinho, apenas conversas rápidas e certeiras. Ela não era uma mulher movida por emoções, nem com os filhos, sempre foi muito pratica em tudo que faz, sem nunca demonstrar afeto.  

- Tinha ido à uma feira. – Explicou.

- Não me importa, quero conversar com você, vai ser bem rápido. – Disse com rispidez. 

Ela ignorava completamente a presença de Johana e do filho, como se tivesse apenas os dois parados naquele corredor. 

- Esses são Johana e Mark Larkes. – Apresentou – E essa é minha mãe, Elorah Jhonson.

- Prazer em conhece-la, seu filho é um amor. – Disse Johana, simpática – Você o criou muito bem. 

- James está muito abaixo do que eu esperava do meu único filho homem, mas nem tudo sai como a gente espera. – Já estava acostumado o suficiente com os insultos da mãe, para não se assustar. Agora os vizinhos ficaram horrorizados, Mark olhava para a mulher como se ela fosse algo imundo que tinha atravessado seu caminho. 

- A senhora está muito enganada com relação ao seu filho. – Disse o menor, se pondo na frente do mais velho, com os olhos em fúria e bochechas infladas, ele não pode deixar de sorrir para seu pequeno, afinal, ele estava se pondo entre mãe e filho, como se o tivesse protegendo de um dragão sanguinário – Ele é a pessoa mais gentil e especial que eu já tive o prazer de conhecer, e também é um excelente profissional. Se a senhora não sabe reconhecer isso, então sinto muito, mas você não sabe o que esta perdendo. 

- Vamos James, eu tenho que ir embora. – disse, fingindo que Mark nada tinha dito. Apenas ficou para na porta os olhando dos pés a cabeça, como um falcão pronto para abater sua presa. As roupas casuais e a falta de maquiagem de Johana era algo gritante perto da elegância de sua mãe, e pela torcida de nariz que a mulher tinha dado, não estava gostando nada do que estava vendo.

- Desculpem por isso. – Pediu, sem graça pela falta de educação de sua progenitora. – Ela é uma mulher difícil - Fingindo que a mãe não estava a poucos passos, ouvindo todo o dialogo. 

- Não temos o que desculpar, você não fez nada. – A mulher lhe confortou, apertando seu ombro amigavelmente, enquanto pegava as sacolas de sua mão – Vamos Mark, e obrigado pela ajuda com as sacolas, James. 

- Não foi nada. – Johana entrou para dentro, deixando o filho para traz. E mesmo com sua mãe ainda no corredor, não pode evitar de encarar aqueles olhos brilhantes e bochechas vermelhas, que lançava olhares raivosos em direção a mulher, que fingia não notar.

- Você vai ficar bem? - Perguntou o menor baixinho.

- Ela é minha mãe, pode ser um pouco difícil, mas também não é nenhum monstro, – Disse rindo – e eu já estou acostumado.

- Tudo bem, então. – concordou resignado.

- Você não imagina o quanto eu quero te beijar nesse momento, – Era muita tentação vê-lo todo irritadinho, com um urso enorme nos braços, e não poder fazer nada – mas não podemos.

- Eu sei. – Suas bochechas ficaram vermelhas, mas foi de vergonha agora, e não de raiva como estava antes.

- Eu adorei nossa noite. – Beijou a testa dele, enquanto fazia um carinho singelo em seu pescoço, deixando a pele arrepiada – Durma bem, e sonhe comigo. 

- Sempre. – Aquele maldito sorriso pequeno apareceu novamente, enquanto ele entrava para dentro com sua sacolas, deixando o maior com um sorriso bobamente apaixonado nos lábios.

Foi despertado de seus devaneios com o pigarrear da mulher parada na porta. Ele suspirou cansado, sabia que qualquer conversa que tivesse com a mãe lhe daria indigestão, mas mesmo assim abriu a porta e a deixou entrar.  

Já dentro do apartamento a mulher analisava cada centímetro com olhares críticos por sua decoração excêntrica, apesar de já ter estado lá outras vezes. Conhecia ela muito bem para saber que ela podia vir em sua casa mil vezes, mas não deixaria a critica de lado. Também sabia que sua mãe nunca fazia uma visita a toa, se ela estava ali algum motivo tinha. 

- Você podia ter sido mais simpática, não custa nada, sabia?

O jeito da mulher tratar as pessoas a sua volta, sempre foi motivo de brigas na família.

- Não me peça para ser simpática com um tipo de gente como aquele. – O desdem se derramava por sua boca como uma cachoeira.

- A Johana é uma médica de alto requisito, e esposa do falecido violoncelista Martin Lakes. Você deveria para de julgar as pessoas só porque elas não estão de acordo com as suas expectativas.

- Não importa, não vim aqui para falar dos vizinhos.

- Veio aqui para que então?

- Como você não me atende, tive de vir pessoalmente te chamar para um jantar que vai ter lá em casa. – Mais um de seus convites inconvenientes.

- Não precisava ter vindo, já disse que não vou mais nas suas festas. – Já estava irritado, estava cansado de sua mãe lhe atrair para festas apenas para conhecer patricinhas irritantes.

A mãe o analisou por vários segundos, que pareceram durar uma eternidade sob aqueles olhos críticos e astuciosos. 

- É por causa daquele menino?

- Não sei do que você esta falando. – Fingiu desentendimento, as vezes era o melhor caminho.

- Quantos anos ele tem? - Perguntou.

- O que isso importa? Nem sei porque você esta falando sobre isso, estamos falando sobre sua mania de querer controlar minha vida. – Tentou fugir da pergunta, sabia por qual caminho sua mãe o estava levando, e não queria seguir em frente. 

- Ele me pareceu menor de idade, você sabe que se envolver com um menor nesse estado é crime, e ainda mais sendo homossexual, esta se envolvendo em algo muito perigoso se a mãe dele resolver prestar uma denuncia.

- Ela não faria isso. – Se arrependeu assim que fechou a boca, tinha caído como um idiota na conversa dela.

- Então você admite que tem alguma coisa com o garoto?

- Não admito nada, você esta colocando palavras na minha boca.

- Termine com ele. – Ordenou.

- Você está louca, eu não sou mais criança, você não pode mandar em mim. Não pode chegar aqui achando que pode me dar ordens, não quero que se meta na minha vida. E pare de ficar me empurrando para aquelas meninas sem cérebro que só pensam em compras e maquiagem, estou cansado, para mim chega. 

- Qualquer uma delas seria melhor que aquele moleque. – Seus olhos gélidos olhavam para o próprio filho com raiva e nojo. – Além se envolver com homens, que para mim não podia ficar pior, agora você se deita com um garoto. Um menino que só esta atras de alguém para banca-lo. Você é um HOMEM, então se comporte como tal. Como você espera apresentar aquilo para a sociedade? Com que cara você acha que eu vou ficar, quando as pessoas souberem que além do meu filho ser gay, ele ainda é um pedófilo.

- NÃO DIGA ISSO! – Estava tão cansado de discutir com ela. Como que podia ter algum grau de parentesco com aquela mulher? Parece que cada dia que passava ela ficava pior – Pelo amor de Deus mãe, ele não é uma criança, e não estamos fazendo nada de mais. Ele já tem dezessete anos, faz dezoito daqui alguns meses. Tudo que temos é consensual, se você realmente acha isso de mim, então faz favor de sair de dentro da minha casa.

- Se você insistir em ter algo com aquele garoto, eu mesma vou te denunciar, – ela ameaçou – e aquela mulher, por permitir que seu filho menor tenha um envolvimento sexual com um homem adulto.

James olhou para a mãe descrente. 

- Você enlouqueceu?! Agorinha estava com medo de eu ser denunciado, agora esta ameaçando me denunciar. - Deus, ele queria chorar - E outra, a senhora como advogada sabe muito bem, que essa denuncia não vai para frente, o Mark já esta quase fazendo dezoito.  

- Não preciso que vá para frente. - Ela teve a audácia de sorrir para ele, de sorrir como se seus sentimentos não valessem de nada - O que você acha que vai acontecer com sua carreira promissora, se for vitima de uma denuncia desse tipo? Acha que vai conseguir mais trabalho? No fim você vai ter que voltar para casa, vai ter que se submeter a minha vontade. Vai servir para você entrar na linha, parar de agir dessa forma, não criei filho para virar viado. 

- SAÍA DA MINHA CASA. – Gritou abrindo a porta – Você não seria louca de fazer isso com seu próprio filho - Sussurrou a ultima sentença, com a certeza de que a mãe faria qualquer coisa para conseguir o que queria. E se isso significasse ferrar o próprio filho, que assim fosse.   

- Pague para ver, então. – Com isso ela foi embora, sem olhar para traz, deixando o filho atordoado demais para ter alguma reação. Sabia que sua mãe faria o que fosse preciso para conseguir o que quer. Ela sempre foi assim, sempre moldando os outros conforme sua vontade. 

Naquela noite não conseguiu dormir, tudo que sua mãe tinha te dito ficava rondando sua cabeça. Mesmo que um processo não fosse adiante, sua carreira viraria pó diante do escândalo de uma denuncia como essa. Para se construir uma imagem idônea demorava anos, mas para destruí-la bastava um clique, e a internet roeria tudo.  

Sem contar o quando Mark sofreria, o doce e gentil menino que não merecia nada além de amor e carinho.   

As lembranças daquela noite também passavam por sua cabeça, não conseguia esquecer o gosto daquela boca, o cheiro da pele. Em como ele era quente, e em como ficava vermelho com tanta facilidade. A forma que Mark tinha se entregado aos seus toques, o desejo contido entre os dois, como um vulcão preste a explodir. 

E foi pensando no menino de olhos brilhantes, que já tinha passado por tanta coisa nessa vida e não merecia mais sofrer, que ele tomou uma decisão.



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