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História O vizinho - Capítulo 4


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Notas do Autor


Eu sou ansiosa e não consigo me aguentar, como tenho alguns capítulos adiantados, vou tentar postar por dia, um ou dois capítulos.
As conversas por mensagem estão entre aspas, em negrito é o Levi e em itálico é o Eren.

Capítulo 4 - Liberdade


Fanfic / Fanfiction O vizinho - Capítulo 4 - Liberdade

 

Estou ciente que passei os últimos dias fugindo, e sei que não foi de alguém e sim do que essa pessoa representa na minha vida e da atração reprimida que eu fugi durante toda a minha vida.

Eu lembro de dizer a minha mãe, tinha em torno de 7 anos, que queria fazer par com o meu colega de classe na apresentação de natal, também lembro do olhar decepcionado e do tom de voz desesperado que ela usou para tirar aquela ideia da minha cabeça, foi uma afirmação inocente, obviamente, eu não sabia nada sobre orientação sexual, mas a repreensão foi tão forte, que eu passei muitas noites me recriminando por ter chateado a pessoa que eu mais amava no mundo, então eu me recriminei por toda a minha infância e pré-adolescência. Garotos não olham para outros garotos, garotos não dançam com outros garotos. Quando os hormônios chegaram, eu já não sentia nada por ninguém, não houve namoradas no ensino médio, não houve encontros no dia dos namorados, eu apenas não olhava, porque no fundo, sabia que não sentiria nada se tentasse.

Quando meu pai perguntou que dia eu iria apresentar alguém a família, eu me forcei a estar com algumas garotas, e tão rápido como elas conheceram meus pais, terminaram, eu não era tão intenso quanto a idade pedia, elas precisam de mais e eu simplesmente não conseguia dar.

Eu lembro quando meu pai disse que já havia escolhido a universidade que eu cursaria, que medicina seria o que a família espera de mim, e é isso que eu faria. Mas naquela noite eu fui até Armin e Mikasa e chorei, eu chorei todos os anos reprimidos e chorei porque aquele não era o meu sonho e mesmo sabendo disso, meus pais não se importavam.

Armin e Mikasa moraram a vida inteira em um orfanato, cresceram juntos, dividiram tudo, quando foram para o primeiro ano da escola eu os conheci, e de uma dupla de irmãos, nos tornamos um trio, eles me aceitaram e era apenas com eles que eu me deixava sorrir e ser livre, eu fala o que queria, eu olhava para onde queria. Quando Armin começou a sofrer Bullying, eu soquei cada um dos idiotas que ousavam tentar tirar a liberdade dele, eles não podiam. Foi para eles que eu contei sobre a minha paixão por carros, foi com eles que arrumei meu primeiro bico em uma oficina pequena em um bairro mais distante, e com eles que eu juntei dinheiro, nunca falamos pra que seria o dinheiro, simplesmente começamos a juntar em um baú escondido no meu quarto.

Quando fizemos 18 anos, Armin e Mikasa tiveram que procurar um lugar, meus pais permitiram que ficassem alguns dias, e com as economias que juntamos, conseguiram alugar um pequeno apartamento e ter seu próprio lugar, me senti orgulhoso por eles, eram livres, afinal. Os três trabalhamos muito, meu pai me deu um ano para estudar para o vestibular, e eu usei meu tempo livre para trabalhar e guardar todo centavo que ganhava.

Um dia meu pai descobriu que eu havia criado uma conta no bando e acessou sem a minha permissão, descobrindo que eu tinha dinheiro o suficiente para ir embora.  Isso desencadeou uma discussão, meus pais disseram que já que eu tinha tanto dinheiro, então deveria pagar para continuar morando ali pois era adulto já. Eu entendi o que eles estavam fazendo, estavam me limitando, limitando a minha liberdade. Eu juntei as roupas que tinha, poucas coisas que realmente eram minhas e fui embora, minha mãe se recusou a me olhar e meu pai abriu a porta, dizendo que se eu saísse, não precisava mais voltar.

E então eu apareci na porta dos meus melhores amigos e irmãos, eles me confortaram e passamos o mês procurando um lugar para que eu abrisse meu negócio. Quando consegui, demorei para conseguir a confiança das pessoas, demorei para ter clientes, eu era um garoto novo e aparentemente sem jeito para a coisa. Mas eu amava aquele mundo e mesmo sendo inexperiente, consegui surpreender meu primeiro cliente.

Eu sabia o que estava fazendo, era o meu sonho, eu me empenhei pois fazia porque amava, era a minha liberdade.

 Estava sentado em frente o balcão da cozinha enquanto olhava o celular pela decima vez naquele dia, Armin havia chego da faculdade e já se encontrava na cozinha sem camisa e com o cabelo molhado, ele me olhou pelo canto do olho enquanto fazia café, o cheiro me despertou e eu sorri para meu amigo, aceitando a xicara cheia que ele me ofereceu.

-Obrigado

-Eu sei que o problema não é o vizinho

Levei um susto quando a voz de Armin preencheu o ambiente, olhei em sua direção, ele estava em pé apoiado no balcão me olhando de cima.

-Nós sabemos, Eren, o que seus pais fizeram com você – Ele se refere a Mikasa, abaixei a cabeça, não é um assunto que eu goste de falar tão abertamente, pois nem eu sei explicar exatamente.

-Eu só estou confuso

-Tudo bem

-Hm?

-Tudo bem estar confuso, Eren, tudo bem não entender o frio na barriga, tudo bem não entender o desejo, tudo bem, são seus sentimentos, certo? Não tem nada de errado em sentir eles, você não é sujo por sentir eles.

Arregalei os olhos encarando minhas mãos

-Eu ainda não sei

-Tudo bem, estamos aqui para qualquer decisão que você tomar e para qualquer sentimento que você sentir.

Armin passou um braço em meus ombros me olhando com a expressão calma, ele sempre estava certo, afinal.

-Menos se você quiser transar com o vizinho gostosão na cozinha, é nojento.

Ri empurrando seus ombros com os meus, peguei minha xícara e finalmente desfrutei do maravilhoso café que só meu querido amigo pode fazer.

Depois daquilo resolvi ter algum diálogo com Levi, talvez assim eu saberia que não só atração física eu talvez possa sentir por homens, mas a vontade de estar perto, conhecer, se havia a possibilidade de eu me apaixonar por alguém.

Depois daquela noite na varanda eu senti que podia mandar alguma mensagem e manter algum contato, então digitei um “oi, é o Eren” e enviei.

Ele demorou para responder, só a noite, provavelmente depois de fumar, naquele dia eu não fui até a varanda, ele respondeu.

“onde conseguiu meu número?”

“Hange deixou na oficina, não vi mal em guardar o contato”

“Aquela louca”

“É estranho que ela seja policial”

“É a melhor investigadora do nosso departamento, aquele cérebro de minhoca funciona para alguma coisa.”

“Quem diria que é tão inteligente”

“Ela foi a única que conseguiu tirar notas tão boas quanto as minhas na faculdade”

“Então você também é um nerd? Estou surpreso”

“Cadê o respeito pirralho?”

“Com essa aura de anão demônio realmente é difícil te imaginar sendo o mais inteligente”

“Quando foi que te dei liberdade seu merda?”

“Eu me dei “

“Pois então se prepare, moleque”

Um arrepio passou pelas minhas costas, vi que ficou offline e sai, fechando a rede social.

Naquela noite eu dormi imaginando o que o meu vizinho faria quando nos encontrássemos pessoalmente.


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui, não é uma estória com muito drama ou mistério, então alguns pontos da vida do Eren já foram expostos.


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