História O vizinho do 502 - Capítulo 20


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Categorias Naruto
Personagens Chiyo, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Jiraiya, Karin, Kiba Inuzuka, Konohamaru, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Tsunade Senju
Tags Comedia, Itanaru, Narusasu, Naruto, Narutouzumaki, Romance, Sasunaru, Shiita, Vizinho
Visualizações 693
Palavras 4.929
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente adivinha quem está viva?
Aaaeewee
Primeiramente eu quero pedir desculpas. Passei uma fase difícil onde muita coisa aconteceu e eu simplesmente não conseguia escrever uma linha. O pouco que eu escrevia não estava bom e não queria entregar um capítulo de qualquer jeito, já que essa história é o meu baby.
Obrigada a quem esperou, peço desculpas a quem desistiu pela demora, mas agora me sinto renovada e pronta a continuar.
Quero dedicar esse capítulo a Raylanny que até dancinha da vitória eu ganhei ❤️ haha.
Esse capítulo é mais centrado no Itachi, mas ele é importante para o próximo.
Ahhh eu tô nervosa KKK vamos que vamos.

Capítulo 20 - Dia Seguinte


Fanfic / Fanfiction O vizinho do 502 - Capítulo 20 - Dia Seguinte

  Abriu os olhos e tentou focar a visão embaralhada na lâmpada presa ao teto do quarto.  Sentou-se na cama e sentiu como se o mundo girasse em sua órbita e o zumbido em seus ouvidos o deixava ainda mais zonzo. 

   Não sabia ao certo quanto tempo exatamente havia passado desde que Sasuke o levou para sua casa, a única coisa que conseguiu perceber é que ainda era madrugada.

   Levantou da cama a passos lentos,  sentindo a mente zonza e a visão turva - Ainda se sentia sob o efeito da heroína. Apertou os olhos com força e esperou que sua visão fosse voltando ao normal aos poucos.  Assim que conseguiu enxergar com mais clareza, pensou em pegar suas coisas e ir embora, mas o gosto da bile lhe subiu a garganta e o obrigou a correr para o banheiro e despejar toda a bebida do dia anterior. Maconha, heroína e vodka era uma combinação que ele se prometeu nunca mais fazer.

  Após tomar um banho gelado e vestir somente a calça jeans, resolveu caminhar até a varanda e colocar a mente em ordem. Não lembrava exatamente o que havia acontecido,  suas memórias estavam fragmentadas e ele precisava tomar um pouco de ar, talvez isso o ajudasse a pensar melhor nos últimos acontecimentos.

   A brisa fria trazida pela noite, jogou seus cabelos pra trás, estava começando a se sentir agitado outra vez, a tristeza preencheu seu peito como sempre fazia quando ele estava sozinho.

Droga, precisava apertar mais um baseado. Tinha maconha em algum dos bolsos da jaqueta, não tinha?

  Antes que pudesse mover o passo sua cabeça girou e ele se debruçou na sacada da varanda. Algumas pessoas ainda andavam nas ruas, alguns poucos carros iluminava o asfalto escuro com seus faróis e ele se sentiu pequeno. Vinha se sentindo pequeno com bastante frequência ultimamente.

  Voltou para a sala após se recuperar e achou um papelote de maconha dentro da jaqueta preta de couro que vestia horas atrás. Passou os olhos no apartamento afim de achar algum papel fino o suficiente para ser usado para enrolar o cigarro e após alguns minutos de busca, encontrou alguns guardanapos na gaveta da cozinha.

  Seus pensamentos o atingiram feito  a água torrente de uma cachoeira e ele apertou os braços com as mãos, como se precisasse se abraçar ou encontrar apoio. Tentou não pensar naquilo, não agora, não ali.

  Pegou dois guardanapos e o isqueiro em cima da mesinha de centro e voltou para a varanda. Péssima ideia arrumar uma arma, péssima idéia ter enchido a cara de droga, péssima idéia preocupar Sasuke, péssima ideia viver a vida inteira esperando o amor de Shisui, péssima ideia brigar com Deidara.


— O que tá fazendo acordado a essa hora?


 Se virou para trás e viu o rosto inchado e os olhos marejados do irmão.


— Perdi o sono.


 Sasuke se aproximou e parou ao seu lado. Não disse nada, ainda estava assustado pelo o que havia acontecido há horas atrás, então esperou que Itachi começasse a dizer alguma coisa.


— Guardanapos? - Franziu o cenho ao olhar a mão de Itachi.


— Precisava de seda.


  Sasuke engoliu a seco, mas nada disse. Manteve os olhos fixos no céu estrelado.


— O quarto de hóspedes está ruim? Quer tentar dormir no meu?


— Não, tá tranquilo. Eu só estava estressado, precisava apertar um.


 Sasuke acenou com a cabeça em afirmativa enquanto observava Itachi enrolar o cigarro improvisado com guardanapo, levá-lo a boca e acende-lo com o isqueiro.


— Shisui disse que você prometeu que pararia de usar essas merdas.


 Itachi soprou a fumaça para longe e sorriu triste antes de prosseguir.


— Shisui é o primo responsável, eu não.


— Você costumava ser.


— Eu costumava ser muita coisa antes de virar isso que eu sou agora.


— E o que você é agora?


— Alguém que quebra códigos com o irmão e promessas com o primo.- Sorriu amargo - Alguém que não vale a pena.


 Silêncio novamente. Sasuke o observava de soslaio e sentiu o coração apertar. Alguns minutos de atraso e poderia estar segurando o corpo sem vida de Itachi entre os braços. Deuses, seu peito doía só de pensar naquilo.


— Como você sabia onde eu estava? - Itachi quebrou o silêncio após longos minutos.


— Sei lá, eu só soube.


Silêncio de novo. Sasuke queria perguntar o porquê o irmão tentara tirar a própria vida, mas não sabia como, não fazia idéia de como entrar naquele assunto, então tentou ir devagar.


— Avisei a mãe que te trouxe pra cá, ela estava muito nervosa.


 Itachi tragou mais demoradamente e soltou a fumaça o mais lento que pode. Fez Mikoto chorar com certeza. Inferno.


— Contou pra ela?


— Não… não contei pra ninguém…


— Nem pro Shisui?


 Sasuke estalou a língua no céu da boca e coçou o rosto de forma nervosa. Não havia contado ainda, mas sabia que não poderia esconder aquilo do primo. Eram um time.


— Não contei ainda porque tu sabe como ele é linguarudo. Mas assim que nós conversamos com a mãe eu vou falar com ele.


— Ele vai surtar, tu sabe como ele é.


— É eu sei. Mas eu avisei que eu te achei e que tu estava bem. Ele estava surtando, só iria atrapalhar se viesse pra cá. Sabe como ele é…


— Tô ligado.


 Ficaram em silêncio por mais um período de tempo e assim que Itachi fez menção em entrar, Sasuke lhe segurou a mão.


— Itachi, precisamos conversar. - Respirou fundo antes de prosseguir. — Na verdade, já passou da hora.


    Itachi concordou com um aceno de cabeça e caminhou até perto do caçula. Apoiou-se ao seu lado na sacada e ouviu Sasuke respirar de forma mais pesada. O irmão estava assustado e apreensivo, Itachi sabia só pelo modo que Sasuke respirava e mordia o polegar. Conhecia tão bem o irmão caçula que não acreditava como pode ter sido capaz de feri-lo.


— Me perdoa… - A voz de Itachi escapou antes que ele mesmo se desse conta. — Me perdoa por tudo… Eu deveria te proteger e não ser o primeiro a te machucar...


Sasuke o encarou por um momento, os olhos de Itachi traziam culpa e ele sentiu o estômago gelar. Estava mesmo pronto para perdoá-lo ou  estava com remorso por se sentir culpado pelo irmão tentar suicídio? Seu coração ainda queria se vingar de Itachi?


— ... Eu agi feito um babaca e fui um filha da puta com você. — Itachi virou o rosto em direção ao caçula e Sasuke o olhou com ansiedade. —  Nem tente dizer que tá tudo bem e que eu não fui.


— Ah você foi sim. - A voz de Sasuke o pegou de surpresa e Itachi arregalou os olhos. — O que? Achou que eu fosse aliviar sua barra? Tu foi um filha da puta, quero todas as desculpas que eu mereço.


Itachi ergueu o canto dos lábios em um meio sorriso e Sasuke espelhou o gesto. O caçula não estava mais tão chateado e isso aliviou um pouco o peso que Itachi carregava nos ombros nestas últimas semanas. Sentiu os olhos arderem e um nó se formar em sua garganta, mas se conteve. Odiava chorar.


— Já que é assim que deseja, me perdoe por ter sido um egoísta, um babaca, por ter te passado a perna, por ter quebrado o código…


— Mais de uma vez. - Sasuke pontuou em tom de acusação.


— Mais de uma vez. - Concordou. —  Me perdoa por não ter levado seus sentimentos em conta, me perdoa por ter jogado baixo e me perdoa por ter tentado sair com o Naruto mesmo depois de você me pedir pra não fazer e... - Pensou por um tempo, conferindo se nada mais faltava na lista. — Me perdoa por ter falado um monte de merda e sei lá, por ter sido um baita pau no cu.


 Sasuke sorriu e olhou para baixo. Não era remorso, não era culpa, ele só queria mesmo perdoar o irmão. Sentia falta de Itachi, muito mais do que queria admitir.


— Tá perdoado, de acordo que não tente fazer outra merda daquelas de novo… você me assustou…


 Agora os olhos negros encarava os olhos marejados de Itachi. Vê-lo daquele jeito, a um triz de pôr um fim na própria vida, havia sido um baque horrível.


— Me desculpa… eu só estava cansado… achei que já tivesse feito merda a um ponto que não desse mais pra consertar.


— Mas dá Itachi, sempre dá. Às vezes as coisas são difíceis mas nós amamos você. Família tem problemas mesmo, a vida é uma droga, mas temos que ser fortes e aguentar o tranco.


Itachi sorriu e ajeitou o cabelo molhado que dançava com o vento atrás da orelha. Sasuke estava certo, todo mundo tem problemas, fugir nunca foi a solução para ninguém e também não seria pra ele.


— Você tá certo, otouto. Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha.


— Itachi…


— Hum?


— Isso é do filme do Rocky Balboa.


 Itachi gargalhou e apoiou a cabeça no ombro do irmão que era alguns centímetros mais alto que ele.


— É, você me pegou.


— O pai adora esse filme. Lembra que tínhamos que assistir com ele todos os domingos?


— Pois é. E eu ainda tinha que aguentar o Shisui que queria treinar boxe sempre que o filme acabava.


A risada singela dos dois preencheu a varanda e Itachi sentiu o coração aquecer. Como sentiu falta do irmão. Se essa confusão lhe ensinou uma lição foi que família vem sempre em primeiro lugar, sempre. Tudo é pequeno se comparado a isso.


— Sasuke, tu acha que… tipo assim...- Sua voz saiu como um sussurro. — Acha que eu sou covarde? Acha que eu falo as pessoas infelizes porque sou infeliz?


— Tá falando em relação ao Shisui?


  Itachi tragou o cigarro uma última vez até lançar a ponta ao longe. Sabia que a depressão veio quando ele começou a fugir de seus sentimentos, a fugir da Yugito, a fugir do Shisui. Conheceu Naruto e começou a fugir de Sasuke. Quando deu por si estava sozinho, com a alma ferida e umas boas toneladas de culpa nas costas.


— To falando de tudo, do Shisui também, é claro, mas de você, da banda, de tudo.


  Sasuke não sabia o que dizer naquele momento então só se manteve em silêncio e esperou Itachi concluir.


— Ás vezes eu acho que ele sempre soube.


— Shisui? - Sasuke sussurrou e apoiou a cabeça na cabeça do irmão.


—É. A Yugito sabia, deve ter comentado com ele.


— Shisui é burro e tão covarde quanto você.


— Então você me acha mesmo um covarde?


 Sasuke abriu e fechou a boca, como se procurasse as palavras certas para dizer. Se amaldiçoou por ser guiado pelo seu mal humor e falta de tato com sentimentos.


— Itachi… desculpa…


— Acha que eu devo falar com ele? Eu tô pensando nisso a semana inteira, mas a vaca lá tá grávida, não quero mais fuder com a vida de ninguém.


— Acho que você não deve pensar nisso agora, tá bom? Deixa como tá, nem desiste e nem insiste, só deixa como tá…


— Sasuke… tu tá me escondendo alguma coisa, não tá? Conheço esse tom de voz.


 “Itachi e o seu maldito poder de observação.” - pensou Sasuke, ao se ajeitar na grade e suspirar fundo antes de prosseguir.


— Vou te contar isso, mas tu fica na sua, vê se não vai contar pra ele.


— Contar o que?


  Sasuke revirou os olhos e estalou a língua no céu da boca. Havia esquecido como era transparente perante ao irmão.


— Shisui meio que deixou escapar que estava preocupado porque gosta de você.


— Não entendi, claro que ele gosta de mim, crescemos juntos, somos amigos.


  O vinco formado entre as sobrancelhas de Itachi e o olhar confuso, fazia Sasuke lembrar o porque já tinha desistido de juntar aqueles dois.


— Porra, e a mãe diz que você é o gênio da família.


 Itachi estreitou os olhos em ameaça e Sasuke lhe deu um sorriso mínimo. Como sentiu falta de momentos como esses.


— O que ele te disse?


— Não me disse… ele estava nervoso, falando sozinho, aí numa hora aí ele falou que o estava preocupado e que você é importante pra ele, esse tipo de coisas.


— Shisui é um desesperado.


— Itachi… eu tô falando que ele… ah esquece isso.


— Agora fala de uma vez!


Sasuke suspirou e coçou os cabelos.


— Acho que está na hora de você dizer o que sente pra ele.


— Me declarar? Você tá louco?


— Só tô te dando um conselho, segue se quiser. Agora vamos deitar, foi um dia cheio. Cata alguma roupa minha que caiba em você pra tu não dormir com esse jeans fedendo a álcool e vai dormir. Vem.


 Itachi franziu o cenho e o olhou desconfiado mas resolveu seguir o caçula até o quarto e pegar uma muda de roupa limpa.



                            *



  Ao acordar naquela manhã de sábado Itachi ainda ficou longos minutos na cama. A conversa com os seus pais havia sido bastante problemática. A imagem das lágrimas de sua mãe e a expressão de decepção de seu pai estavam gravadas a fogo em sua memória. Foi uma longa conversa, sua mãe queria que ele se internasse em uma clínica de reabilitação, mas Itachi não estava muito certo se aquilo era necessário.Ele poderia ficar  longe das drogas se quisesse, sabia disso. Pena que Sasuke e seus pais não tinham muita certeza daquilo. Pediu duas semanas para pensar a respeito e com muita dificuldade o seu pai cedeu. A condição, é claro que haveria uma, era que Sasuke fosse morar com ele nesse meio tempo.

“É só uma medida protetiva, Otouto. Me sinto sozinho naquele apartamento mesmo”

 Itachi não conseguiu dizer não a Sasuke, não depois de tudo aquilo que fizera. Resolveu então que aceitaria a companhia do irmão nesses dias, ao menos até conversar com Deidara e Sasori e é claro com Shisui.

  E era por isso que agora que finalmente resolveu levantar da cama e ir até a cozinha tomar café da manhã, se deparou com Sasuke cantarolando American Idiot do Green Day enquanto preparava as torradas. Itachi achou aquela cena realmente engraçada.


— Você pode ter parado de usar lápis de olho e piercings na cara, mas continua o mesmo punkzinho de sempre. Tô com medo de ir na padaria e quando voltar minhas paredes estarem pichadas com o símbolo da anarquia.


 Sasuke virou o rosto pra trás e levantou o dedo do meio para o irmão.


— Por que você não vai se fuder?


  Itachi riu nasalado e se sentou à mesa.


— Shisui tá te ligando igual maluco. Tu não acha que tá na hora de parar de fugir não?


— Amanhã ele vem aí e eu vou falar com ele.


— Tudo?


— Tudo. Sasori tá certo, eu tô sendo um covarde de merda. Vou falar tudo e tirar esse peso todo de uma vez.


— Já era hora né? Já te expliquei que filho não segura casamento nenhum. Shisui pode ser um bom pai mesmo se ele se divorciar da Yugito.


O celular de Sasuke tocou e Itachi sorriu matreiro ao ver a foto de Naruto. Sasuke não disse nenhuma palavra e pegou o celular.


— Fala Naruto

— Fala Sas, queira saber se tá de pé o lance na casa dos meus pais amanhã. Eu quase não tô te vendo depois do lance que aconteceu com o Ita, então nem sei como a gente tá na verdade… você quase não me liga mais…

— Me desculpa por isso… eu tô meio atolado de coisas aqui, mas tá de pé, pode confirmar.

— Tá tudo bem entre a gente então né?

— E por que não estaria?

— Sei lá porra, tu sumiu.

Sasuke suspirou e caminhou até a sala pra ter mais privacidade pra falar com Naruto longe dos ouvidos de Itachi.

— Desculpa Naruto, eu estou preocupado com o Itachi, tô tentando convencer esse cabeça dura a procurar ajuda.  

— Ele ainda se recusa ir na clínica e no psicólogo?

— Essa porra só faz o que quer. Mas olha, a gente tá bem, pode confirmar com os seus pais e fica tranquilo com isso.

— Tá bom.

— Então tá.

— Hey… eu tô com saudades sabia?

— Eu também tô.

— Eu tô com muita saudade de verdade, tô doido pra você voltar pra cá.

 Sasuke sorriu com a manha de Naruto.

— Amanhã eu vou aí te ver.

— Não ri de mim, eu to falando sério. A gente criou um laço muito forte e estamos há um tempão sem nos ver.

— Nos vimos há quatro dias, Naruto. Você é muito dramático.

— E daí? A gente tava dormindo juntos todos os dias. Até sonhar com você hoje eu sonhei, sabia?

— Sonhou o quê?

— Que a gente estava deitado aqui no meu quarto e eu estava abraçado com você por trás. Aí eu começava a beijar seu pescoço, seu ombro, sua nuca… descia sua bermuda  e começava a acariciar essa sua bunda linda. Já disse o quanto eu amo a sua bunda?

Aí você começava a se esfregar no meu pau, roçando em mim. Aí eu abaixava o meu short e começava a enfiar meu pau em você, tu gemia tão gostoso Sas...

— Naruto…

— Caralho, meu pau tá duro só de ouvir tua voz me chamando assim. Eu tô louco pra te comer meu amor, você não sabe o quanto.

Sasuke olhou pra trás pra ver se Itachi estava perto e quando constatou que o irmão continuava na cozinha  prosseguiu a conversa.

— Não fala assim se não eu apareço aí agora…

— Você já imaginou eu entrando em você? Metendo em você enquanto beijo sua boca… você sussurrando o meu nome no meu ouvido, me pedindo pra ir mais fundo…

— Caralho Naruto eu tô duro pra caralho… desse jeito eu vou ter que ir até o banheiro.

— Tá duro é? E se eu te disser que tô tocando uma imaginando essa boca gostosa me chupando? Essa sua língua lambendo a cabeça do meu pau daquele jeitinho que só você faz.

— Ah porra… - Sasuke apertou a ereção sob a bermuda e mordeu o lábio. — Tô duro pra caralho só de lembrar do teu gosto na minha boca. Eu tô indo até o banheiro, calma aí.

— Vai bater uma pra mim, amor? Vai imaginar eu metendo meu pau no seu…  Porra Konohamaru tu não sabe bater não caralho?

“Ah caralho eu tô cego, tô cego”

— Naruto?

 Sasuke parou antes de entrar no banheiro e tentou entender o falatório do outro lado da linha.

— A praga do meu irmão entrou aqui. Calma aí, rapidinho.

 Sasuke gargalhou e se apoiou na parede.

— Ninguém mandou dar a chave pro muleque.

— É… foi a pior ideia que eu pude ter na vida. - Naruto expulsou Konohamaru do quarto e ficou em silêncio com o celular no ouvido, só ouvindo Sasuke rir —  Gosto do som da sua risada sabia? eu estava com saudade.

— Achei que estava com saudade do meu pau.

— Tô com saudade de você inteiro, seu arrombado… É melhor você vir aqui amanhã bem cedo pra gente matar a saudade ou eu apareço aí.

— Relaxa que amanhã sem falta eu vou aí. Shisui vem pra cá passar o dia com o Itachi e eu vou aproveitar pra dar um jeito no meu apê e ir te ver.

— Então vou te esperar. A noite eu te ligo tá bom?

— Tá bom. Boa sorte aí com o teu irmão. Até a noite então.

— Até a noite, Sas.


 Sasuke voltou pra cozinha e encontrou o irmão o encarando com um sorriso cínico e um olhar provocativo.


— Nem começa.


— Eu não falei nada! - Itachi levantou os dois braços, como se estivesse rendido. — Nem comentei como você tá todo alegre depois de falar com o namoradinho.


  Sasuke o olhou com desdém e voltou a tomar o café da manhã. Ignorou os olhares provocativos de Itachi e o sorriso debochado que ele trazia no rosto.


— Vocês se resolveram, Naruto e você?


— Meio que a gente tá de rolo, sei lá.


 Itachi sorriu. Sabia que Naruto não queria compromisso e que não era o tipo de cara que se prendia a alguém, mas torceu sinceramente que desse certo seja lá o que ele e seu irmão tivesse. Sasuke merecia isso, era obrigado a admitir que havia percebido a química que os dois tinham desde o dia do show.


— Pela sua cara alegre parece que tá indo bem né?


— Tanto faz.


— Otouto, Naruto é um cara desapegado, então vai com calma. Não quero que você se magoe de novo.


— Onde tu tá querendo chegar?


— Só tô te alertando. Não espera muito, tipo mensagem de madrugada ou almoços em família, não quero que você se machuque.


— Vou conhecer a família dele nesse fim de semana, então relaxa.


Agora foi impossível para Itachi manter a expressão estóica no rosto e Sasuke riu com arrogância.


— Naruto quis namorar com você?

Olha… estou no mínimo surpreso. Ele tinha me dito que fugia de relacionamento igual o diabo foge da cruz.


— Surpreso por eu ter ganho de você, aniki?


  A voz debochada de Sasuke e o falso desdém fizeram Itachi sorrir. Sasuke jamais admitiria que estava apreensivo ou assustado com tudo aquilo, mas Itachi o conhecia, conhecia o tom da provocação e os motivos por trás dela.


— Na verdade não. - Sasuke o olhou confuso e Itachi sorriu matreiro antes de prosseguir. — Por que tu acha que eu fiquei com ciúme naquele dia aqui no teu apartamento? Eu sempre soube que ele escolheria você.


— Sempre… sempre soube?


Itachi deu um longo gole no café e fingiu ignorar o olhar de expectativa do irmão.


— Na primeira vez que dormi com o Naruto, ele estava tão chapado de maconha e álcool que me chamou de Sasuke umas duas vezes.


Sasuke arregalou os olhos e Itachi gargalhou.


— O que é? Por que você achou que eu fiquei tão competitivo? O cara enche o meu saco pra sair com ele e me chama pelo nome do meu irmão mais novo? Eu fiquei com raiva, eu tenho orgulho Uchiha correndo nas veias.


— Ele me chamou? Tipo, achou que você fosse eu?


Sasuke ainda parecia em transe e Itachi sorriu antes de bater com o dedo indicador e o médio levemente na testa do irmão.


— Vou indo nessa, vou lá conversar com o Deidara e com o Sasori. Vou consertar minhas merdas e um outro dia a gente conversa.


Ainda sorrindo Itachi pegou suas coisas e deixou o apartamento.



          


                          *



   Shisui desligou o celular quando a chamada caiu na caixa postal outra vez. Já havia passado uma semana inteira desde que Itachi sumira e o primo estava cada vez mais distante. Itachi mudava o assunto todas as vezes que Shisui perguntava o porquê do seu desaparecimento naquele dia ou o motivo de Sasuke estar passando a semana inteira grudado nele, mas Itachi  desconversava e dizia que o caçula só estava feliz por terem feito as pazes. Ele sabia que tanto Sasuke quanto Itachi estavam escondendo alguma coisa dele, mas nenhum dos dois pareciam dispostos a abrir o jogo.

  


— Shisui você tá me ouvindo? Shisui!


 Shisui olhou para o lado e viu a esposa parada com as mãos apoiadas nos quadris.


— Desculpa, Yugito. To com a mente longe hoje.


— Ah eu sei muito bem onde a sua mente anda e não está tão longe quanto eu gostaria não.


 Shisui bufou e passou a mão no rosto. Outra discussão começaria, talvez a segunda do dia.


— Não quero brigar de novo, chega disso. O que você dizia?


— Você estava ligando pra ele?


— Yugito…


— Você estava ligando pra ele de novo não tava? Por que você não pega as suas coisas e vai até lá? Vai lá chorando pra ele, eu vou ter o prazer de gargalhar na tua cara quando ele te rejeitar de novo.


— Para de falar merda pelo amor de Deus. Fala logo o que você tava dizendo.


— Eu só estava dizendo que tô indo no obstetra. Acho que dessa vez já dá pra ver o sexo do bebê.


Os olhos de Shisui se iluminaram e aquela notícia pareceu aquecer sua semana tempestuosa. Sempre sonhara em ser pai, aquele talvez fosse um de seus maiores sonhos.


— Jura? Já vai dar pra ver? Me espera um pouco, vou tomar um banho rápido  e vou ir com você.


— Ah não vai não. - Yugito colocou a bolsa sobre os ombros e o encarou decidida. — Não vai participar da minha vida e nem da vida do bebê enquanto não perceber que a sua família sou eu. Você tá a semana inteira falando de Itachi, pensando no Itachi, respirando o Itachi, nem sequer toca na minha barriga…


— Você não me deixa tocar em você, Yugito. - Seu rosto franzido e a tom áspero na voz mostrava todo seus descontentamento —  Estou dormindo na merda desse sofá há mais de um mês porque você não me deixa chegar nem perto de você. Como você espera que eu…


— Para de pensar naquele cara e tudo melhora. Estava tudo ótimo até você inventar de se aproximar de novo dele. Eu cansei de ser seu estepe, Shisui. Aposto que quando metia comigo era nele que sua mente estava.


— Para de falar merda… você não é o meu estepe, pelo amor de Deus mulher.


— Ah não? Então você me ama Shisui? Você pode olhar nos meus olhos e dizer que me ama? Que me ama mais do que ama aquele infeliz?


 Shisui abaixou o olhar e sentiu a culpa lhe consumir mais uma vez. Não amava, nunca amou e só Deus sabia o quanto se culpava por isso.


— Eu estou tentando, eu estou tentando com tudo que eu posso… eu… tô dando o meu melhor, Yugito.


— Tentar não é o bastante Shisui. Eu tenho tentado desde que éramos crianças, ninguém aqui tenta mais do que eu. Você não sabe tudo o que eu fiz pra que você pudesse me amar… eu… droga, Shisui.


— Eu sinto muito… Eu estou tentando eu juro. Eu estou sendo o melhor marido que eu consigo ser. Você é uma boa amiga Yugito, vamos ter um filho juntos, eu estou te dando tudo que eu posso te oferecer agora, mas eu não posso jurar pra você um amor que eu não sinto, eu nunca menti pra você.


  Yugito jogou a bolsa no sofá e colocou a mão sobre o rosto enquanto lágrimas de frustração lhe escorriam pela face. Sentou no sofá, respirou fundo e sentiu as palavras de Shisui rasgarem o seu coração.


— Sou uma boa amiga… nunca passei disso pra você não é?


Shisui sentou ao lado e sorriu triste antes de a olhar. Yugito limpou uma ou duas lágrimas com as costas das mãos e fungou o nariz, reprimindo a amargura do choro.


— Eu lutei tanto por você, Sui… quando eu descobri a gravidez eu achei que seria a solução de tudo, que o bebê preencheria a lacuna que falta no nosso casamento... mas aquele infeliz continua no seu coração… eu não sei mais o que fazer.


  Shisui sentiu o peito apertar e olhou para o chão. Quando aceitou se envolver com a amiga jurava em seu coração que poderia retribuir o seu amor. Yugito é linda, divertida, inteligente e sempre sabe o que dizer quando ele está triste. Qualquer cara do mundo seria feliz em tê-la ao seu lado, mas nem tudo isso foi capaz de fazê-lo esquecer o primo e ele bem que tentou.


— Me perdoa por te magoar. Eu não quero mais brigar com você… talvez eu nunca corresponda o amor que você quer e também não posso te prometer que algum dia eu te ame como você merece ser amada. Eu realmente acho que nossa relação não dá mais certo... mas eu te juro que serei um bom pai, o melhor pai do mundo. Não me priva disso, por favor.


  Yugito sentiu o coração apertar com aquilo e ficou em silêncio por um tempo.


— Não fale como se a gente não tivesse solução, Sui. Eu ainda não desisti da gente. Eu não vou desistir do meu primeiro amor. Eu sei que um dia você vai acordar e descobrir que me ama, que sempre me amou. Eu sei que um dia o Itachi vai seguir a vida dele e você vai perceber que sempre fui eu a única pra você, então eu espero Shisui, mesmo que isso leve mais quinze anos eu espero por você.


— Yugito eu não quero te magoar mais, não é justo com você… não é…


  Yugito inclinou seu corpo e encostou os lábios nos lábios do marido. Shisui sentiu o coração apertar em tristeza mas não a afastou, não podia machucá-la outra vez.


— Eu estou fazendo tudo errado, Shisui, muita coisa não tá dando certo por culpa minha. Eu estou te afastando ao invés de te aproximar. Mas eu vou consertar. Vai lá tomar seu banho, eu te espero.


— Como é?


— Ué? Você não me pediu pra ir junto descobrir o sexo do bebê? Vamos logo.


— Isso é sério? Você tá me deixando participar? Eu… sério?


— Anda logo garoto.


 Shisui lhe sorriu radiante daquele jeito tão típico dele e Yugito o observou  caminhar apressado em direção ao quarto.

Como ela não percebeu aquilo antes? Estava com a faca e o queijo na mão todo esse tempo - Era o sonho de Shisui ser pai e ela era abençoada em poder carregar em seu ventre um filho deles, um filho de Shisui e estava deixando aquela oportunidade de ouro passar por puro ciúme e orgulho.


— Nós temos uma vantagem enorme em relação ao Itachi, né bebê?

Sussurrou para a barriga redonda e sorriu ao perceber como viraria o jogo pra si outra vez.







  







Notas Finais


Obrigada por não desistirem, desculpa por esperarem.
A galera que chegou nesses últimos três meses sejam bem vindos, puxa uma cadeira e sintão-se a vontade ❤️
Beijinhos e até a próxima


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