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História O Vizinho Perfeito (Kim Taehyung) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 2 - Capítulo II


Fanfic / Fanfiction O Vizinho Perfeito (Kim Taehyung) - Capítulo 2 - Capítulo II

Estava com vinte e quatro anos, era solteríssima e era feliz por isso. Não que não pensasse em formar uma família algum dia. Como a maioria das garotas, queria ter uma casa confortável, com um jardim onde seus filhos pudessem brincar. Ah, e um cachorro... Sim, teria de haver um cachorro. Mas isso era coisa pro futuro. Gostava mesmo de sua vida no presente e não pensava em mudá-la. Não mesmo.

Mantendo os cotovelos sobre a mesa de desenho, apoiou o queixo sobre as mãos unidas e se permitiu olhar através da janela e divagar um pouco. Devia ser o ar da primavera, pensou, que a estava fazendo se sentir tão inquieta e cheia de energia.

Considerou a possibilidade de sair com Lisa e o bebê para se distrair um pouco, mas logo em seguida viu sua amiga já no portão do prédio, saindo para seu passeio. Suspirou. Bem, não estava mesmo com vontade de sair. "Então desenhe, Cybil Campbell", pensou consigo, voltando a se concentrar na mesa de trabalho, onde os primeiros esboços de sua tira de jornal aguardavam ser terminados.

Amigos e Vizinhos — leu o título em voz alta.

Tinha uma mão bastante firme e treinada para desenhar, por isso os traços seguintes foram surgindo naturalmente, sem grande esforço. Sua mãe era uma artista de sucesso, reconhecida internacionalmente. Seu pai, o gênio recluso por trás das famosas tiras de jornal do personagem "Macintosh". Juntos, haviam transmitido a ela e aos irmãos o amor pela arte, o senso do ridículo e uma sólida formação.

Mesmo depois de haver deixado a atmosfera da segurança da casa dos pais, em Maine, Cybil sabia que seria aceita de volta com todo o carinho, se Nova York a rejeitasse.

Mas, felizmente, não fora o que acontecera. Havia mais de três anos que vinha apresentado suas tiras cômicas em um famoso jornal local e seu trabalho estava ganhando cada vez mais reconhecimento. Sentia-se orgulhosa disso, orgulhosa da simplicidade,do contexto agradável e do humor que conseguia criar com seus personagens, em situações vívidas do dia-a-dia. Não tentava imitar a ironia de seu pai ou as sátiras políticas que ele costumava fazer. Seu estilo era outro. Para ela, a vida era uma fonte de risos. Entrar em uma fila quilométrica para ir ao cinema, encontrar um par de sapatos que combinasse com a roupa, sobreviver a outro almoço de negócios, esse tipo de coisa.

Enquanto muitos viam sua personagem, Emily, como uma criação autobiográfica, Cybil a via sempre como uma maravilhosa fonte de idéias, nunca como um reflexo de si mesma. Afinal, Emily era uma linda loira alta que vivia sempre com problemas para se manter nos empregos e para arranjar namorados.

Cybil, por outro lado, era morena, de estatura mediana, e tinha uma carreira bem-sucedida. Quanto aos homens, bem, eles não eram exatamente uma prioridade em sua vida para que ficasse se preocupando muito com isso.

Um ar de censura surgiu em sua expressão, fazendo-a estreitar os belos olhos verdes ao se flagrar tamborilando a caneta, em vez de estar usando-a para trabalhar. Não estava conseguindo se concentrar. Passou a mão nos cabelos castanhos-claros, mordeu o lábio bem delineado e deu de ombros. Talvez estivesse precisando mesmo parar um pouco e comer alguma coisa. Provavelmente um chocolate resolvesse seu problema.

Empurrou a cadeira para trás, colocando a caneta atrás da orelha, repetindo o gesto do qual vinha tentando se livrar desde a infância. Então deixou o estúdio ensolarado e desceu para o andar de baixo.

Seu apartamento dúplex era incrivelmente arejado e um pouco separado do seu local de trabalho. Aliás, fora justamente esse o motivo que a levará a ficar ali quando se mudara para Nova York. Um longo balcão separava a cozinha da sala, criando um espaço aberto e agradável para receber visitas. As janelas amplas permitiam que a luz do sol entrasse com vigor no ambiente, criando uma atmosfera saudável. Nos primeiros dias que se mudara para ali, o único problema que tiveram de enfrentar fora o barulho vindo da rua, que a mantinha acordada durante a maior parte da noite. Nova York nunca dormia, mas, aos poucos, ela acabara de acostumando com isso.

Com seu andar elegante, outra característica herdada de sua mãe, Cybil encaminhou-se descalça para a cozinha. Tinha pernas esguias, adquiridas na época em que implorara para fazer aulas de balé, só para, pouco depois, enjoar e abandonar o curso.

Cantarolando baixinho, abriu a geladeira e examinou seu interior. Poderia preparar alguma coisa para si. Também havia tido lições de culinária na adolescência, e só se cansara delas quando sua criatividade começara a sobrepujar à de sua instrutora.

Suspirou, quando começou a ouvir aquele som que já estava se tornando familiar. Atravessando as paredes do prédio e o corredor, a música lhe chegou aos ouvidos com a mesma suavidade dos últimos dias. Triste e sexy, pensou ela. Era assim que definia aquela espécie de lamento do sax alto. O sr. Misterioso do 3B não tocava todos os dias, mas Cybil gostaria que ele o fizesse.

Aquelas lânguidas notas prolongadas surtiam um efeito estranho em seu ser. Uma espécie de emoção que ela não sabia explicar. Bem, talvez por que a música era sempre tocada com muita emoção.

Seria ele um músico em começo de carreira, tentando encontrar seu lugar ao sol em Nova York? Sem dúvida, devia ter sofrido alguma desilusão amorosa para tocar daquele jeito, pensou ela, enquanto tirava alguns ingredientes dos armários. Devia haver uma mulher por trás de todo quelé sentimentalismo. Provavelmente uma ruiva deslumbrante que o enfeitiçara com seus encantos sedutores, fizera-o abrir o coração e depois pisara nele, ainda vivo, vulnerável e pulsante, com seu salto de sete sentímetros.

Poucos dias antes, havia inventado um contexto diferente para seu novo vizinho. Bele, o sr. Misterioso havia saído da casa de sua renomada família com dezesseis anos. Vivera nas ruas, tocando sax nas esquinas de Nova Orleans, uma de suas cidades preferidas, recebendo alguns trocados por isso. Depois seguirá em direção norte, enquanto aquela mesma família perseguidora, liderada por um tio insano, vasculha a o país à procura dele.

Não desenvolvera muito bem a idéia do motivo pelo qual eles eram perseguidores, mas isso também não importava muito. Ele estava buscando seu lugar ao sol no mundo, confortado apenas por sua música.

Também havia a possibilidade de ele ser um agente federal trabalhando disfarçado. Ou um ladrão de jóias internacional fugindo de um agente do governo. Ou, quem sabe, um serial killer à procura da próxima vítima.

Sorriu consigo, então olhou para os ingredientes que havia acabado de separar, sem prestar muita atenção. Quem quer que ele fosse, ponderou com outro sorriso, pelo visto estava prestes a ganhar biscoitos feitos por ela.


Notas Finais


Taehy não apareceu nesse capítulo, mas o próximo vai ser quase inteiramente dele, espero que tenham gostado :)


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