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História Oásis - Capítulo 10


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Notas do Autor


Boa madrugada, leitores!

Postando com pressa hoje. Espero que gostem do texto e que tenham uma boa leitura ^^
Ah! Só uma coisinha: eu amooo a imagem desse cap.!

Até semana que vem, com mais fanfic de quarentena 0/

Capítulo 10 - Vida


Fanfic / Fanfiction Oásis - Capítulo 10 - Vida

 

Medo, confusão e surpresa.

Nessa ordem, essas foram as primeiras três coisas que Yashamaru sentiu ao voltar a viver.

Assim que abriu os olhos, ele pôde ver duas silhuetas. Não reconheceu quem eram aquelas pessoas e nem onde estava. Depois, tentou escutar o que os dois conversavam, a fim de entender um pouco sobre sua atual situação, mas não conseguiu entender nada do que eles sussurravam. Quis erguer o corpo, na tentativa de fugir dali, de alguma maneira. E isso também foi em vão. No entanto, assim que sentiu o toque de uma daquelas pessoas – um toque gentil, amável e familiar – não teve mais dúvidas. Soube exatamente que um deles era Gaara.

Que tipo de conexão tão profunda eles tinham a ponto de Yashamaru ser capaz de reconhecer o sobrinho somente por um simples toque? Eu não saberia explicar.

— Gaara... – ele sussurrou o nome.

E obteve resposta imediatamente.

— Hai, oji-san... Sou eu!

E depois disso, Yashamaru fechou os olhos, outra vez.

Gaara suspirou, profundamente.

— Ele deve estar cansado... Não é? – perguntou a Shijima.

E ficou esperando a resposta, notoriamente tenso.

Na verdade, esse sentimento era unanime. Todos estavam afundados em ansiedade desde o início da tentativa de trazer Yashamaru de volta. E mesmo conseguindo, ainda sentiam-se tão tensos que era como se tudo a volta deles compreendesse essa sensação a ponto de serem contagiados, com a lua cheia e as estrelas assistindo sem nem piscar.

— Provavelmente, sim... – a ninja-médica finalmente respondeu, ajeitando os óculos no rosto. — O organismo dele deve estar reaprendendo a trabalhar...  É tudo muito novo, deveríamos tira-lo daqui e leva-lo para Suna o mais rápido possível. Eu gostaria de observa-lo nesses primeiros momentos.

— Claro, vamos fazer isso.

Nesse instante, Yashamaru voltou a abrir os olhos.

— Gaara... – sussurrou mais uma vez. — Como... Isso é...?

 O kazekage se levantou, com Shijima fazendo o mesmo.

— Vamos te explicar tudo mais tarde. Agora tente ficar calmo, tudo bem?

E o assistiram fechar os olhos de novo.

Mais um suspirou longo e angustiado por parte de Gaara.

Imediatamente, ele tirou areia de sua cabaça, o suficiente para formar um planador espaçoso o bastante para acomodar três pessoas. Com cuidado, pegou Yashamaru no colo e o colocou encima do meio de transporte que os levaria de volta a aldeia. Shijima saltou para cima do planador e antes de começarem a se locomover, Gaara destruiu todos os elementos do jutsu, triturando-os com areia cheia de chakra.

Lá do alto, já em uma velocidade considerável, a kunoichi apreciou pela última vez o Oásis Sora, que ficava cada vez mais distante à medida que o planador de Gaara voava cortando o céu já escuro do deserto Haku. Deu adeus a areia branca, as plantas, as árvores e ao lago de águas cristalinas.

 

Um adiantamento

Dar adeus nem era o caso, já que num futuro não muito distante, Shijima voltaria àquele lugar com nome de Céu. Aliás, todos voltariam.

Aí sim, alguém terá que dizer adeus.

Mesmo que contra a vontade.

 

***

Na Cúpula, pela manhã, Kankuro e Temari estavam a portas trancadas, diante de um livro grosso e envelhecido, aberto encima da mesa, em uma página especificamente selecionada.

O mestre de marionetes encarava aquele objeto, sem ainda acreditar no que a irmã havia lhe contado; sua mente acelerada já podia enumerar um mundo de itens relacionados ao que Gaara fizera:

Primeiro, o irmão havia encontrado um jutsu de ressuscitação, e pelas notas entre as páginas feitas por ele mesmo, tratava-se de uma técnica antiga e proibida, criado pelos primeiros Iryo-nin de Sunagakure. Segundo, se o jutsu era mesmo efetivo, eles teriam acesso a uma enorme vantagem para seu povo se fosse usado a partir de então. Mesmo assim, isso poderia significar um novo e considerável perigo, caso outras aldeias shinobi tomassem conhecimento dele. Terceiro, supondo que tivessem conseguido, Shijima automaticamente ganharia status de médica-ninja mais poderosa de Suna, o que era bom, mas que poderia ser mais um risco. E quarto, Gaara teria problemas com os demais líderes ao explicar-lhes o que o levou a esconder não só o jutsu em si, mas também a decisão individual de ressuscitar Yashamaru.

Sobre esse último ponto, não foi difícil entender porque o irmão pediu segredo à Shijima: muito provavelmente, ninguém aprovaria a ressuscitação de alguém que era considerado um traidor do próprio clã, cujo crime foi tentar contra a vida de ninguém menos que o filho do Quarto kazekage. Claro que a maioria dos líderes sabia de todo o plano contra Gaara e que ele tinha sido arquitetado pelo próprio Rasa. Ainda assim, Yashamaru teve que arcar com as consequências e receber o peso de traidor.

— Será que ela foi capaz de realizar o jutsu? – foi a indagação de Kankuro, depois de vários minutos pensando a respeito.

A pergunta ficou ali, flutuando diante deles, esperando resposta.

Temari teve receio de opinar, mas depois escolheu fazê-lo, com voz pesada.

— Shijima é uma ótima ninja-médica – disse ela, cruzando os braços contra o peito. — Eu sempre soube que ela conhecia bem mais do que estava nos mostrando. E Gaara... Bom, Gaara é obstinado, quando coloca alguma coisa na cabeça, não tem quem o faça mudar de ideia.

— Tem razão – Kankuro suspirou. — Então, só nos resta esperar. Cedo ou tarde, eles...

A fala foi interrompida pelos toques de alguém à porta, pedindo que abrissem o mais rápido possível. Tratava-se de uma das sentinelas da aldeia, visivelmente alarmado.

De início, os irmãos não entenderam o que um ninja sentinela estaria querendo com eles, parecendo tão ansioso. Naquela hora, ele não deveria estar em outro lugar, senão em seu posto, em uma das torres de entrada de Suna.

Ficou claro no instante em que a informação foi entregue.

— Desculpem interromper, mas foram ordens vindas do próprio kazekage! Ele mesmo me mandou aqui, avisar a vocês que ele está esperando-os na Mansão. Eu o vi sobrevoando a entrada da aldeia, junto de...

— Já entendemos! – Kankuro exclamou.

Os dois deixaram a Cúpula, rumando para a Mansão Kazekage, o mais rápido possível. Já podiam dar a questão como certa: Gaara realmente ressuscitara Yashamaru.

 

***

Algum tempo antes disso:

Enquanto o kazekage de Suna estava de pé, pilotando seu planador de areia, Shijima mantinha-se abaixada cuidando de Yashamaru, que continuava indo e voltando. Ela não sabia dizer por que ele não conseguia manter a consciência, então permaneceu o tempo todo checando seus batimentos e tentando comunicar-se. Porém, tudo que Yashamaru fazia era abrir os olhos, observar em volta, chamar por Gaara e voltar a “dormir”.

Gaara fez o caminho o mais rápido que pôde, explicando que não optou pelo planador de areia durante a ida deles ao deserto porque não queria gastar energia desnecessária caso precisasse utilizar. Já que agora podia usar o quanto quisesse, estava indo a uma velocidade assustadora, a ponto de percorrer quilômetros e quilômetros dos três desertos em mais ou menos sete horas. Bom, comparado as mais de trinta e seis horas que levaram para fazer o percurso de ida, a volta estava sendo bem rápida. No entanto, ainda parecia uma eternidade para alguém que necessitava de cuidados mais refinados. Era por saber disso que Gaara não poupava energia, fazendo aquele planador cortar os céus já claros do País do Vento, como se fosse um raio.

Só diminuiu a velocidade no instante em que se colocou frente à última torre de vigia, antes dos portões de entrada da aldeia. Assim que fez isso, levantou a voz, chamando a atenção da dupla de sentinelas que estava de plantão àquela manhã, já alarmados por avistar seu kazekage ali encima.

— Imediatamente, avisem meus irmãos que eu espero por eles em casa!

— Kazekage-sama! O senhor está...?

— Eu disse imediatamente!

Os dois se entreolharam e um deles começou a descer as escadas da torre, com pressa.

Gaara rumou para dentro da aldeia.

Assim que chegaram diante da Mansão, Shijima saltou para a varanda do terceiro andar, com o kazekage logo atrás, tendo Yashamaru em seu colo.

Usando uma chave feita de sua própria areia, ele destrancou a porta do quarto e, cuidadosamente, colocou o tio deitado em sua cama, ajoelhando-se ao seu lado e segurando em sua mão.

— Não seria melhor o levarmos ao hospital, Gaara-sama?

— Infelizmente, não podemos. Isso tudo ainda é um segredo, não posso correr o risco de alguém lembrar dele, se o vir. Preciso ter tudo sob controle – ele pausou, apertando a mão do tio. — Ainda que isso seja arriscado...

— Certo, então eu vou até o hospital, buscar alguns itens que suponho serem necessários. Não demoro!

— Hai.

Shijima saiu do quarto, deixando-os a sós.

Foi só nesse momento que Gaara finalmente permitiu algumas lágrimas caírem de seus olhos. Lágrimas de pura felicidade. O abismo entre os dois finalmente se fechou.

Ele começou a chamar pelo nome do tio, que acordou mais uma vez.

— Onde... Onde estamos? – a voz fina e baixa perguntou.

— Estamos em casa. Quer dizer, minha casa, a Mansão... Você se lembra?

Yashamaru só fez que sim, sem esboçar nenhuma reação específica.

— Não se preocupe, você está seguro – Gaara pontuou, enxugando as lágrimas.

— Eu sei... – ele respondeu, ainda inexpressivo; piscava lentamente, parecia cansado.

— Por favor, tente ficar acordado, oji-san. Você quer alguma coisa?

— ... Água.

— Hai. Só um segundo.

Gaara buscou uma jarra de água e um copo, numa mesa ali ao lado.

— Consegue erguer o corpo, pelo menos um pouquinho?

— Acho que sim...

Com a ajuda do sobrinho, Yashamaru ergueu-se, sentando na cama e apoiando as costas na cabeceira. Daquele ângulo, pôde ver melhor onde estava.

— Eu conheço esse lugar... É o quarto dos seus...

— É o meu quarto, agora.

O ninja ressuscitado o encarou, e pela primeira vez tocou em seu rosto, notando o quanto Gaara havia crescido. Ainda assim, parecia o mesmo menininho do qual se lembrava. Foi só nesse momento que ele deixou a aparência apática de lado, dando lugar à um sorriso pequeno.

Estava decidido a permanecer acordado.

— Você está tão lindo... Itoshii.

O toque de Yashamaru – manso, gentil e paternal. Exatamente como Gaara lembrava também. E o apelido carinhoso de tantos anos atrás. Ele voltou a se sentir “querido” novamente.

— Eu vou te contar como tudo aconteceu – disse, levando o copo com água até a boca do tio. — Beba. Isso, devagar.

Sentir a sensação de água gelada descendo pela garganta foi algo tão maravilhoso como provar a bebida mais saborosa da Terra. E a partir dali, Gaara contou-lhe sobre tudo o que ele e Shijima haviam feito. Contou-lhe sobre o jutsu, a Fonte da Vida, a viagem até o deserto Haku e sobre os poderes de sua assistente.

Yashamaru ficou na posição de ouvinte durante vários minutos, sentindo-se bem melhor a cada instante, talvez por começar acreditar que aquilo não era apenas um sonho, que realmente estava de volta à vida ao lado de Gaara.

A única vida que teve durante muitos anos.

***

 

No momento em que retornou à Mansão, com uma bolsa cheia de suprimentos médicos, Shijima teve que encontrar Kankuro e Temari no portão de entrada, ambos com semblante sério; suspeitava que eles já estavam cientes do que havia acontecido. Ainda assim, ela tinha deveres mais urgentes com outras pessoas. Foi por isso que teve a ousadia de cruzar com eles e passar direto, sem dizer uma palavra. Isso só deixou os dois irmãos mais furiosos.

Shijima adentrou a Mansão, mas antes que pudesse subir as escadas para o terceiro andar, foi parada por um puxão no antebraço, dado por uma Temari notoriamente descontente.

As duas se encaravam, sem um pingo de hesitação. A seguir, uma pergunta e sua resposta direta:

— Como você pôde?

— Só cumpri as ordens do meu kazekage!

Dito isso, Shijima desvencilhou-se das mãos de Temari e voltou a subir os degraus, parando apenas por um segundo.

— Por favor – ela iniciou. — Eu preciso cuidar dele, mas depois volto aqui para explicar tudo a vocês – fez menção de continuar o caminho, mas teve que falar mais uma coisa, não conseguiu conter-se. — Vocês deviam estar felizes também... Então, porque não estão?

 E deixou os irmãos ali, boquiabertos e sem resposta.

***

Os ponteiros do relógio pareciam gostar de assistir Kankuro e Temari cansados de esperar, por isso não tinham pressa alguma em contar o tempo.

Anteriormente, quando Temari subiu alguns lances de escada um pouco depois de Shijima, foi barrada por ela, sendo informada de que Gaara não queria que nenhum dos irmãos subisse ainda, mas que depois ele mesmo os chamaria até o quarto. A kunoichi ainda tentou insistir, mas não pôde fazer nada, restando-lhe apenas sentar no sofá da sala ao lado de Kankuro e esperar, impacientemente.

Uma espera de horas e horas.

E paciência nunca foi uma das qualidades de Temari.

— Aaaargh! – ela rosnou, pondo-se de pé. — Eu não aguento mais! Eles estão conversando lá encima há quanto tempo? Quem aquele garoto pensa que é pra deixar a gente...

Parou por ali mesmo quando viu Shijima descendo as escadas. Fez questão de cruzar os braços e fechar o semblante o máximo que pôde. Se a ninja-médica não fosse uma aliada de Suna, Temari teria ficado muito feliz em acertar-lhe um soco bem dado na cara, quebrando aqueles óculos grosseiros da ninja-médica.

— E então? Podemos subir ou aquele garoto vai continuar nos impedindo?

Shijima não lhe respondeu. Apenas escolheu uma poltrona ali na sala (coincidentemente, a preferida de Gaara), pedindo aos irmãos que a escutassem atentamente. Com calma e tentando dar o máximo de detalhes possível, ela lhes contou a respeito do jutsu de Ressuscitação, explicando como ele funcionava, como conseguiram trazer Yashamaru de volta à vida e sua situação atual. À medida que fazia isso, Kankuro e Temari surpreendiam-se cada vez mais.

— Agora, ele já consegue manter-se acordado e está recebendo soro. Já colhi amostras de sangue e...

Shijima parou de falar por conta de uma ação de Temari, que no meio de sua fala, levantou-se, caminhou até a larga porta de entrada e a abriu.

— Já entendemos tudo – disse, com voz pesada e com um gesto exibindo a porta aberta. — Parece que você já fez tudo o que tinha pra fazer aqui. Se precisarmos de alguma coisa, mando te chamarem.

Como primeira reação, Shijima buscou o rosto de Kankuro: aquelas listras roxas em sua face e aquele ar de “não posso fazer nada”. Depois, olhou de volta para Temari, irredutível e insistindo em mostrar-lhe a saída.

Por fim, suspirou.

— Você tem razão... – ela respondeu tristemente, levantando-se e pondo-se a frente de Temari. — Por favor, não deixe de me chamar se precisarem de ajuda. A qualquer hora.

 Temari limitou-se a cruzar os braços e fechar ainda mais o semblante.

Foi Kankuro quem fez o favor de dizer qualquer coisa:

— Pode deixar, Shijima. Obrigado.

A assistente do kazekage fez que sim e saiu, com a porta batendo atrás de si.

Temari voltou até o irmão.

— Como ela pôde concordar com isso? E ainda teve coragem de nos julgar, como se estivéssemos contra o Gaara!

— E não estamos? – Kankuro questionou, abrindo os braços.

— Ie ! – exclamou. — É claro que não, garoto!

E depois disso, Temari suspirou, voltando a sentar ao lado do irmão. Jogou o corpo no sofá, visivelmente triste.

— Por mais que eu goste da ideia de ter nosso tio de volta... – ela recomeçou — Eu não consigo deixar de temer pelo que isso possa acarretar.

A primeira resposta de Kankuro foi aquela mão sobre o ombro da irmã, seguida de um sorriso.

— Não se preocupe, vai ficar tudo bem. E mesmo que aconteça alguma coisa, a gente vai dar um jeito. Como sempre!

Nessa hora, o terceiro irmão da Areia finalmente reapareceu, descendo as escadas. Colocou-se frente aos outros dois.

Se fosse outra pessoa, provavelmente haveria alguma explicação, ou até um pedido de desculpas por todo o mistério que estava fazendo. Mas como aquele ali era Gaara, nada disso foi cogitado. Ele pulou toda a parte da conversa e partiu para o que todos realmente estavam esperando, há quase três horas.

— Ele quer ver vocês – foi o que disse, simplista e com um sorriso no rosto.

Toda aquela naturalidade não caiu bem à Temari, que fez que não com a cabeça, dividida entre indignações e ansiedade.

Kankuro, por outro lado, já estava resolvido sobre aquela novidade repentina. Ele não descartava a possibilidade de isso gerar problemas para Gaara, no entanto, o que mais eles poderiam fazer? Tudo já estava feito. Yashamaru estava de volta, e bem ali no andar de cima. Se tivessem que arcar com as consequências, fariam isso juntos, como havia dito à irmã.

— Eu posso ir primeiro? – ele perguntou, sem fazer questão de esconder a expressão emotiva.

— Hai, nii-san – Gaara respondeu.

 Os dois começaram a subir as escadas, rumo ao terceiro andar. E Temari teve que assisti-los, confusa com seus próprios sentimentos.

 

***

Shijima caminhava aérea pelas ruas movimentadas de Suna.

Já que Gaara havia lhe dado o restante do dia de folga, finalmente teria um descanso merecido depois de uma viagem tão longa como a que tiveram, onde ela precisou usar uma quantidade enorme de poder realizando o jutsu proibido. Realmente, tinha que descansar, tomar um banho, comer alguma coisa e dormir bastante.

Mesmo assim, não conseguia deixar de relembrar tudo o que vivera nesses dias ao lado de Gaara, só os dois. A vida como assistente pessoal do kazekage, sem sombra de dúvidas, era cheia de emoções. Diferente de sua realidade anterior – quando ela era apenas mais um membro da tribo Hoiki – agora vivia experiências tão incríveis quanto à missão de ressuscitar alguém usando um jutsu proibido, além de cortar desertos e mais desertos ao lado do maior ninja do País do Vento e ser levada ao limite de seus poderes, a ponto de acessar reservas de energia nunca usadas até então.

Relembrar tudo isso a deixava empolgada, tanto que nem conseguia deixar de sorrir sozinha enquanto fazia o caminho de volta pra casa, cruzando com alguns passantes que a encaravam, confusos.

Também não podia deixar de pensar em um detalhe – ou melhor, uma pessoa – em especial: Yashamaru, o grande motivo de todos os últimos acontecimentos. Afinal, o que aquele homem significava para Gaara, a ponto de trazê-lo de volta à vida?

Mesmo a certa distância, apenas como observadora, Shijima pôde notar a incrível conexão entre os dois. Depois de mais de uma década separados, quando se reencontraram parecia que aquele vínculo nunca havia sido interrompido ou quebrado, como se ainda estivessem interligados de alguma forma, independente das circunstâncias. Refletindo sobre isso, ela questionou se o real motivo para o resultado positivo do jutsu fora justamente essa conexão tão forte entre Gaara e Yashamaru. Talvez aquela técnica de ressuscitação só conseguisse trazer de volta do passado pessoas cuja vida estivesse profundamente interligada a alguém do tempo presente.

Será?

Quanto a isso, não tinha certeza. Porém, algo que não há deixava com dúvidas era a crescente vontade de conhecer Yashamaru, mais um membro daquela família tão única. Quem sabe não se tornariam bons amigos?

Pouco antes de chegar em casa, Shijima surpreendeu-se ao avistar alguém que também poderia ser dado como outro integrante oficial da família de Gaara.

Aliás, foi bom tê-lo encontrado ali.

— Senhor Baki! – ela acenou para o ninja de meia idade e ele se aproximou.

Baki não havia mudado em nada, ainda era o mesmo shinobi sóbrio e focado de sempre. Quando Shijima o conheceu, pensou se tratar de um homem mau, justamente por conta daquela face decorada por uma seriedade constante. Porém, com o tempo ela percebeu que ele era apenas um típico ninja formado pelos antigos moldes de Sunagakure, em sua versão mais pura e simples: duro, pouco dado a afetividades e preocupado apenas com questões concernentes a sua aldeia, nada mais.

Na verdade, Shijima só considerou que Baki era uma boa pessoa quando percebeu a interação dele com Gaara, sempre bem respeitosa, mas ainda assim muito próxima e pessoal. Das vezes que pôde observar o kazekage interagindo com seu assistente pessoal mais antigo, ficou claro para ela que Baki era um bom homem. Mais ainda, ela notou que o shinobi era alguém que tinha laços com Gaara, a ponto de chama-lo pelo nome, sem necessidade de títulos, e de conversar com ele olhando nos olhos – duas coisas simples, mas que Shijima não conseguia fazer e nem se achava no direito.

— Pelo visto, já voltaram da tal viagem de última hora – disse o shinobi, cruzando os braços contra o peito largo. — Você saberia dizer se Gaara está na Cúpula?

— O kazekage-sama está em casa. Aliás, ele pediu para o senhor aparecer por lá, mas só à noite, não antes disso.

— Aconteceu alguma coisa? – Baki questionou, franzindo o cenho.

— Hai.

— O que?

— Tenho ordens para não contar nada. O senhor só vai saber se for até a casa dele, mas só à noite!

Shijima ajeitou os óculos na face e Baki rosnou.

— Isso está me parecendo problema!

— Apareça lá hoje à noite. É só o que posso dizer.

O típico ninja de Suna não fez questão de confirmar se ia ou não; limitou-se apenas a uma encarada sisuda pra cima da médica-nin e depois virou as costas, indo embora.

Shijima deu de ombros e voltou a caminhar para casa, fazendo questão de permanecer segurando aquele sorriso no rosto.

Cara de missão cumprida!

 

 

 



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