História Obliviate - Capítulo 10


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Categorias Harry Potter
Personagens Draco Malfoy, Fred Weasley, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Jorge Weasley, Lord Voldemort, Murta Que Geme, Narcissa Black Malfoy, Nymphadora Tonks, Pansy Parkinson, Personagens Originais, Remo Lupin, Ronald Weasley, Severo Snape, Sirius Black
Tags Comensais Da Morte, Corvinal, Draco Malfoy, Draco X Oc, Harry Potter, Harry X Gina, Hermione X Rony, Marca Negra, Obliviate, Sonserina, Voldermort
Visualizações 34
Palavras 3.655
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


boa leitura <3

Capítulo 10 - Capítulo 10 - I don't know if we should be alone together


Capítulo 10 - I don't know if we should be alone together


 

CAMILA SCHMIDT


 

    Eu corri desesperada, não iria admitir nem em um milhão de anos que a Professora Sibila Trelawney me dava medo, mas naquele momento eu estava mais do que assustada. Meu coração parecia querer socar as minhas costelas enquanto eu apoiava a minha coluna contra uma parede gelada, fechei os meus olhos como se aquele ato fosse me ajudar a respirar melhor.

    — Você enlouqueceu? Por que saiu correndo assim tão de repente? — Sabrina perguntou, mas eu apenas fiz um sinal com a cabeça de que não queria falar sobre aquilo, e contra vontade ela aceitou minha decisão, caminhando em silêncio para nossa próxima aula.

    Revirei os olhos quando percebi que a próxima era justamente com Dolores Umbridge, me arrastei lentamente pela sala de aula, me sentando bem no fundo. Apoiei meu rosto em minhas mãos, fazendo o possível para disfarçar o meu tédio, comecei a olhar para algum ponto aleatório na sala de aula.

    Uau, pensei, como não vi Cho Chang entrando na sala de aula com cara de choro? Seria por causa de Cedrico?

    Balancei minha cabeça, querendo afastar aqueles pensamentos aleatórios que só iriam me distrair, e tudo o que eu menos precisava no momento era me distrair em aulas importantes. Não que eu achasse que fosse aprender muita coisa naquele momento.

    Ergui meus olhos quando percebi que alguns alunos tinham murmurado boa tarde desanimados, a mulher exigiu um cumprimento decente e animado.

    — Boa tarde Professora Umbridge. — murmurei com o resto da turma, me sentindo enjoada ao ver o sorriso contente em seu rosto.

    — Guardem as varinhas e apanhem as penas. — ela disse se virando para o quadro negro, não pude deixar de olhar em volta confusa, os outros alunos também estavam confusos.

    Fiquei olhando para o quadro negro, enquanto o giz escrevia sozinho, sentindo uma certa saudade das aulas do Professor Moody. Mesmo que eu sentisse medo daquele homem (com toda razão), ao menos ele não tratava adolescentes de quinze anos como crianças de cinco anos.

— Todos têm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?

Depois de alguns alunos murmurarem, ela começou a tagarelar, querendo que quando ela fizesse uma pergunta a sala inteira respondesse com um “Sim (ou não), Professora Umbridge”

    — Abram na página cinco e leiam o capítulo um, não há a necessidade de conversarem.

    Senti um pouquinho de contentação quando vi que ela tinha se sentado em sua mesa, ao menos a sala ficaria em silêncio e eu não teria que ouvir aquela voz irritante. Contudo, minha alegria foi bem breve, porque assim que eu comecei a ler o capítulo acabava me perdendo várias vezes na leitura. Todos os parágrafos pareciam ser iguais e dizer a mesma coisa.

    Sentia a necessidade de balançar as minhas pernas, batucar as unhas na mesa, até mesmo roer as minhas próprias unhas. Aquela aula parecia mais com um teste de resistência ao tédio, mal podia esperar pelas próximas aulas, iria acabar aderindo as invenções dos Weasleys para poder matar aula na enfermaria.

    Distraída, segurei o medalhão da minha família e fiquei brincando com o colar, o girando em meus próprios dedos analisando o tom de verde esmeralda da pedra em que o S de prata tinha sido colocado. Era incrivelmente bonito, e me recordava dos olhos da minha mãe.

    — Senhorita? — ouvi a voz da mulher, mas como tinha certeza de que não era comigo, continuei girando o colar em minhas mãos.

    Nunca tinha reparado que o medalhão tinha um tipo de fecho, talvez desse para abrir e colocar algo dentro…

    — Senhorita? — Umbridge parou na minha frente, colocando a varinha em cima de minha mesa.

    Ergui meus olhos assustada para a mulher que sorria para mim, um sorriso no mínimo macabro.

    — Creio que a senhorita já deve ter terminado o capítulo um.

    — Hm, claro senhora.

    — Então porque o seu livro está aberto na página cinco? O capítulo acaba na página vinte. — novamente o seu sorriso forçado me deu arrepios.

    Olhei para o livro, e tornei a erguer os olhos para a mulher a minha frente. Decidi que não iria mais abrir a minha boca, se não só iria piorar a minha situação. Vendo que eu não iria falar mais nada, Umbridge sorriu minimamente.

    — Sabe, Srta…

    — Schmidt. — respondi secamente.

    — Sabe, Srta Schmidt, eu não gosto de alunos mentirosos e muito menos de alunos distraídos. Também não gosto de alunos que debocham da minha autoridade, que gostam de se julgar mais espertos e superiores. Por isso, detenção, amanhã a tarde na minha sala. — sorriu dando um tapinha no meu ombro, retornando a sua mesa na frente da sala.

    Senti meu estômago se revirar enquanto ela sorria e o restante dos alunos me olhavam surpresos, aquela era a minha terceira detenção. Bufei, visivelmente descontente, não era como se eu tivesse feito nada de muito errado, só não estava prestando atenção. Nem sequer tinha atrapalhado a aula!

    Naquele momento eu realmente senti falta de todos os outros professores de Defesa Contra as Artes das Trevas, ao menos as aulas eram animadas, nos ensinavam alguma, e não nos colocavam para copiar e decorar algumas frases de livros.

    Tentei voltar a atenção para a leitura, mas estava muito nervosa para isso, então tornei a olhar para os alunos na sala de aula. Percebi que Cho Chang estava com sua mão levantada, e assim como eu, alguns outros alunos tinham desistido de ler e apenas a observavam.

    Quando praticamente a sala inteira estava olhando, Umbridge decidiu parar de ignorar a aluna.

    — Algum problema querida?

    — Ah sim senhora, — ela disse timidamente — eu gostaria de saber se essa aula constará com o aprendizado de feitiços defensivos.

    Umbridge fez uma careta, e logo depois deu uma risadinha.

    — Não há necessidade de aprenderem feitiços defensivos, não há nada para enfrentar lá fora. — ela sorriu, novamente falando como quem explica para um criança de quatro anos o que é certo e errado.

    — Mas nos outros anos utilizamos feitiços nessa matéria. — não pude evitar deixar as palavras de saltarem de minha boca, e logo me amaldiçoei assim que recebi um olhar cortante da professora.

    Um enorme burburinho começou na sala de aula assim que eu terminei de falar, furiosa, Umbridge parecia ter ficado com o rosto completamente vermelho.

    — SILÊNCIO! — exclamou, o que me deu calafrios —  Srta. Schmidt receio que terei de aumentar o tempo de sua detenção, alunos que conversam paralelamente na minha aula sem permissão devem ter sua devida punição. Se não quiserem se juntar a Srta. Schmidt, fiquem em silêncio lendo o livro como ordenado anteriormente!



 

(...)



 

    “Querida Camilla,

    Peço perdão por ter demorado tanto a te escrever, estive muito ocupada fora do país, e como não acho seguro o suficiente, não irei te dizer onde estou, apenas lhe garanto que estou segura.

    Como foi a sua estadia com os Weasleys? Espero que não tenha ficado chateada por não ter passado o restante das férias em família, peço que entenda novamente que isto foi uma medida para te proteger.

    Como está indo sua primeira semana de aula? Fiquei sabendo que o Ministério da Magia irá começar a intervir em Hogwarts, espero que isso não seja um problema para você. Tente ficar longe de confusões.

    Por favor, me envie o seu medalhão junto com uma carta resposta, prometo que não irei demorar a devolvê-lo.

    Beijos,

    Mamãe.”



 

    Ainda estava insegura sobre o que fazia enquanto ia ao corujal com uma carta resposta e meu medalhão embrulhado. Ele era importante para mim, me sentia nada sem aquele colar, embora eu passasse boa parte do meu tempo tentando me convencer de que não precisava mais desperdiçar tempo querendo a atenção do meu pai, eu ainda sentia que aquele medalhão era a única coisa que me ligava a ele, que me tornava sangue do sangue dele. Não entendia porque a minha mãe o queria tanto assim, mas resolvi ceder, confiava nela.

    Quando finalmente enviei a carta, fiquei olhando para a coruja sumir no céu nublado enquanto passava os dedos pelo meu pescoço, me sentindo praticamente nua. Talvez eu devesse me desapegar daquele objeto, era só um colar.

    — Olha só quem está aqui. — a voz arrastada de Draco Malfoy me tirou de meus devaneios.

    Me virei para ele com uma expressão irritada em meu rosto.

    — Ouvi dizer que você mal teve sua primeira aula com a Umbridge e já pegou detenção, brilhante. — disse com um pequeno sorrisinho de deboche — O quê o seu pai vai achar disso, hein?

    Ergui a minha sobrancelha, não entendia porque ele estava tentando arranjar um diálogo comigo, quer dizer, eu era a garota que tinha dado um soco na cara dele dois anos atrás.

    — Meu pai não tem que achar nada Malfoy, — respondi desviando o olhar para a coruja, que agora era apenas um pontinho marrom no céu, não era uma mentira, meu pai nem se lembrava da minha existência ultimamente — ele não deve se importar de qualquer maneira. E o seu pai Draco, ele se importa? — perguntei com veneno na fala, não gostava de Lucius Malfoy.

    Ele fez uma expressão engraçada, parecia estar bravo por eu ter debochado de seu pai, mas por um motivo que eu não compreendi, ele ignorou o deboche.

    — Ainda não fui abandonado pelos meus pais que nem você. — respondeu irritado achando que aquela fala fosse me machucar, mas eu apenas dei de ombros e sorri minimamente.

    — O que você quer aqui Malfoy? — disse cruzando meus braços, esperando pacientemente que o loiro me respondesse.

    Draco ponderou, me encarando por alguns momentos, o que acabou ficando desconfortável.

    — Não é nada. — respondeu amargo, como se tivesse se arrependido de ter começado aquela conversa, virou as costas e começou a ir embora.

    — Espera. — resmunguei, e por impulso, segurei seu pulso o fazendo se virar para mim.

    Não sei explicar exatamente o que aconteceu naquele momento, mas quando meus olhos castanhos encontraram os olhos cinzas tempestuosos dele, senti algo se remexer no fundo da minha memória. Sem saber o porque, eu apertei seu pulso mais ainda, senti minha vista pesar, então fechei meus olhos e quando os abri novamente eu não estava mais no corujal.

    Estava sentada em um enorme divã, tentei olhar curiosa para onde eu estava, mas era um enorme breu, só existia eu e o divã. Logo ouvi o barulho do crepitar de uma lareira enquanto, surgiu um barulho de passos ficando cada vez mais próximo de onde eu estava.

    Tentei falar, mas nada saía da minha boca. E de alguma forma, eu sabia, sabia que tinha onze anos ali.

    Quando pisquei novamente meus olhos, eu estava diante de Lucius Malfoy que estava na minha frente enfurecido, ele apontava sua varinha na minha direção.

    — Fique longe do meu filho.

    — Schmidt? — ouvia uma voz como que no fundo da minha mente.

    Tornei a olhar assustada para Lucius, mas antes que eu o ouvisse pronunciar um feitiço, me senti arrastada para fora daquele cenário.

    Estava sentada na escada do corujal, minha cabeça latejava e um par de olhos cinzentos me olhavam cheios de expectativa e curiosidade.

    Assustada, eu recuei e bati minha coluna em um degrau da escada.

    — Cammie, você está bem? — ele perguntou assustado enquanto me segurava pelos ombros, por sorte, estava tão atordoada que mal reparei que ele tinha me chamado pelo apelido que somente minha mãe e Charles usavam.

    — O que aconteceu? — perguntei levantando minha mão até a testa.

    — Você segurou o meu pulso, ficou me encarando por alguns momentos e depois caiu. — ele disse apressado, como se me ver naquele estado tinha o deixado nervoso e preocupado. — Você...viu alguma coisa? — perguntou com certa cautela.

    Segurei o ar e logo soltei aos pouquinhos.

    — Não. — menti descaradamente olhando no fundo dos olhos do garoto, não confiava nele, e ter visto o pai dele só me deixava mais assustada do que eu estava. A única coisa que eu tinha conseguido perceber com aquela situação era que querendo ou não, os Malfoys e a minha família estavam escondendo algo de mim, e esse algo envolvia Draco Malfoy.

    — Quer que eu te leve para a Madame Pomfrey? — ele perguntou atônito, contudo a única coisa que eu fiz foi erguer minhas sobrancelhas.

    — Com todo o respeito, qual o seu problema? Eu te dei um soco no terceiro ano. — soltei as palavras sem querer, e quase bati a minha mão na testa por ser tão imprudente.

    Malfoy apenas estreitou seus olhos.

    — Eu sou um monitor caso não tenha percebido, Schmidt. — disse apontando para o broche dos monitores em suas vestes — E é a minha obrigação zelar pelos alunos.

    O garoto dizia aquelas palavras de forma tão convincente que se eu não tivesse conhecimento da sua personalidade, teria até acreditado.

    — Certo, eu estou bem Malfoy. — respondi me levantando sem muita paciência e dando um jeito de sair dali, novamente, a presença de Draco Malfoy tinha me incomodado e daquela vez algo realmente bizarro tinha acontecido. Acho que nós não deveríamos ficar sozinhos novamente.





 

(...)




 

    — Boa tarde, Professora Umbridge. — disse tentando forçar alguma animação assim que entrei em sua sala. Quase soltei uma exclamação surpresa ao ver como a sala estava, era pintada por completo por rosa claro, e nas paredes haviam diversos porta-retratos com gatos estampados.

    — Boa tarde Srta. Schmidt, sente-se por favor. — me dirigiu um sorriso amável enquanto me apontou uma mesinha — A senhorita irá escrever um pouquinho para mim hoje, quero que escreva “Não irei me distrair”, a pena e o pergaminho estão sobre a mesa.

    Franzi o cenho ao perceber que não havia nenhum tinteiro, fiquei algum tempo em silêncio, tentando adivinhar qual era o objetivo daquela detenção ridícula.

    — Não irá precisar de tinteiro Srta. Schmidt, se apresse caso não queira ficar aqui por mais tempo. — disse dando uma risadinha, como se ela tivesse acabado de contar uma piada.

Comecei a escrever furiosamente a frase no pergaminho, sentindo vontade de enfiar a pena no meio da garganta daquela mulher. Assim que eu terminei a frase, senti uma enorme queimação em minha mão, como se uma lâmina afiada estivesse deslizando sutilmente pela minha pele, até que a lâmina finalmente começasse a perfurar. Olhei assustada e percebi que as costas da minha mão sangrava, e se olhasse mais de perto podia perceber a frase não irei me distrair gravada em formato de cicatriz.

Fiquei mais vinte minutos escrevendo, até que a mulher decidisse que já era o suficiente.

Me arrastei para o salão comunal da Corvinal sentindo minha cabeça latejar por causa do episódio no corujal e minha mão doer por conta da detenção. Aquele dia fora péssimo.

Felizmente a pergunta feita pela aldrava foi sobre algo que eu dominava, poções, então pude ir tranquilamente me deitar em minha cama e fingir que aquele dia não tinha existido. Quando deitei minha cabeça em meu travesseiro, não deixei de perceber que minha mente estava uma completa bagunça.

Era a segunda vez que eu tinha esta espécie de visão estranha, só que desta vez não tinha sido em sonho, não conseguia deixar de me sentir desconfortável. Alguém estava realmente escondendo algo de mim, algo estava acontecendo de verdade. Mas o que era? E o que isso tinha a ver com os Malfoy?

Não pude deixar de considerar que sempre me sentia estranha quando Draco Malfoy estava por perto, talvez fosse por isso que eu vivia tentando despistar a presença do garoto. Desde o terceiro ano eu tinha certa raiva dele, por ser extremamente intrometido e debochado, no meu quarto ano procurei me distanciar dele a todo custo e agora em meu quinto ano eu estava considerando a possibilidade de ele saber alguma coisa importante… Era estranho, sem dúvida, que Malfoy soubesse algo, já que meu pai e Lucius não se davam bem, então eu raramente os via junto, claro até o ano passado na Copa de Quadribol. Me perguntava o que deve ter feito eles brigarem, já que os dois eram tão amigos na adolescência. A única coisa que eu sabia era que de alguma maneira, o retorno de Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado fez com que eles tornassem a se comunicar novamente, mas por quê?

Acabei dormindo daquele jeito, com a minha cabeça cheia de coisas. E acabei sonhando novamente com Lucius Malfoy vestido de dementador me perseguindo.

Acordei com a minha respiração a mil, e quando percebi que estava em segurança em Hogwarts, soltei um suspiro de alívio e me deitei olhando para o teto do dormitório. Demorei algum tempo para conseguir me acalmar, tinha que parar de ter os mesmo pesadelos com o pai do Malfoy, era bizarro. Infelizmente, era exatamente isso que eu iria escrever no diário de sonhos da aula de Adivinhações.

Me sentei na cama, sendo recebida por meu gato Oreo, que pulou no meu colo.

    — Oi garoto. — sussurrei para o gato, fazendo carinho em sua cabeça, sorrindo enquanto ele ronronava. — Sua bola de pelo preguiçosa. — murmurei enquanto ele adormecia em meu colo.

    Tornei a ficar pensativa, e novamente me vi chegando a lugar algum, era como se estivesse lendo um livro com diversas páginas faltando. Não conseguia compreender o que estava acontecendo.

    Me banhei rapidamente e logo coloquei minhas vestes, assim que estava pronta fui em passos lentos até o Salão Principal para tomar o café da manhã. Ainda estava cedo, assim, não havia muitos alunos sentados na mesa da Corvinal o que me permitiria algum tempo para revisar a matéria que a Professora McGonagall tinha passado na aula anterior. Abri um livro enorme e o apoiei na mesa, enquanto bebericava suco de abóbora.

    — Bom dia. — foi surpreendida pela voz sonhadora de Luna, assim que percebi que a garota falava comigo, sorri para ela.

    — Bom dia Luna.

    — Você está melhor do que aquele dia, Camilla. — disse com um meio sorriso.

— Obrigada. — sorri para a garota, de fato ela tinha uma personalidade peculiar.

Voltei minha atenção ao livro, naquele ano pretendia estudar as matérias aos poucos para não ter que ficar com conteúdo acumulado no final do semestre é até então minha estratégia estava dando certo. Foi surpreendida com um jornal caindo em cima do livro, era o correio matinal. Deixei o livro de lado e abri o profeta diário me perguntando se minha mãe tinha escrito algo essa semana. Infelizmente eu logo desejei não ter aberto o jornal, porque bem na capa estava o rosto sorridente de Umbridge.

Não podia deixar de sentir ódio da mulher, depois daquela detenção estava dando o meu máximo para entrar na linha, porque eu sabia que pessoas como ela gostavam de ter alguém para “se divertir”. Não sabia se era só comigo que ela tinha aplicado o método da pena, tenho que admitir que tinha receio de perguntar para os outros alunos e mais receio ainda de comunicar algum outro professor, novamente eu estava com medo de me envolver em encrenca, e certamente tudo que envolvia a sapa velha acabava em problema.

 

"MINISTÉRIO VISA REFORMA EDUCACIONAL
DOLORES UMBRIDGE APROVADA COMO GRANDE INVESTIGADORA"


 

Franzi o cenho mal acreditando no que lia, estava tão chocada com a coluna que quase derrubei suco de abóbora no meu livro. O Ministério da Magia tinha criado uma função exclusiva para Umbridge em Hogwarts, isso era ridículo, ela teria muito mais autoridade e poderia demitir professores se quisesse. Como era possível que a escola tivesse chegado a esse ponto? Quero dizer, eu preferia mil vezes ter aula com Gilderoy Lockhart ou com o Professor Quirrel do que com uma mulher louca que era manipulada pelo Ministério.

— Eu estou ferrada. — murmurei pensando nas detenções que ainda tinha para cumprir, aquilo realmente não era justo. O que Umbridge estava fazendo era tortura, e eu infelizmente não tinha coragem o suficiente para reportar aquilo para o diretor. Tinha a completa certeza de que se eu mencionasse isso ao meu pai, ele iria acabar concordando com os métodos do Ministério e de quebra diria que eu mereci a detenção.

Olhei para a cicatriz em minha mão me odiando por ser tão covarde e inútil por não conseguir parar essa situação. As vezes, só às vezes, eu queria ser como meus amigos da Grifinória, que não ficariam calados diante daquela injustiça.

— Camilla. — a voz de Ernie me tirou de meus pensamentos, o garoto tinha se sentado ao meu lado na mesa da Corvinal e me olhava curioso.

— Oi Ernie. — sorri, mas não pude deixar de me sentir envergonhada, era a segunda vez que ficávamos sozinhos depois do beijo no baile…

— Temos aula de Transfiguração juntos hoje, vamos? — ele ergueu as sobrancelhas enquanto eu aproveitei para comer um pedaço de bolo.

— Claro, eu já ia me esquecendo. — resmunguei me levantando da mesa pegando o livro e seguindo o lufano pela escola.

A aula de Transfiguração fora bem tranquila, apesar de eu ter uma dificuldade ou outra em realizar os feitiços de desaparição que a Profª McGonagall ensinava. Pude perceber que ela estava tensa durante a aula, porém raramente demonstrava, sempre mantendo sua postura imbatível.

A próxima aula foi Trato das Criaturas Mágicas, da mesma forma que a Profª McGonagall, a Profª Grubbly-Plank parecia estar bem ansiosa durante a aula, comentando que estava substituindo Hagrid por um certo tempo. Eu definitivamente não era a melhor aluna em Trato das Criaturas Mágicas, mas tinha fascinação pelas criaturas que nos eram apresentadas durante a aula, por isso prestei atenção em cada detalhe que a professora falava, anotando tudo fervorosamente.

Com o fim das aulas eu me sentei próximo ao lago, querendo apenas descansar e pegar o fim do sol da tarde. O céu estava um belo misto de laranja e amarelo, não pude de deixar dar um pequeno sorriso enquanto via aquela paisagem maravilhosa. Acho que aquele foi o meu primeiro momento de paz em tempos, já que eu vivia me preocupando com coisas que ia além da minha conta. Por fim, respirei fundo, olhando de longe um grupo de sonserinos conversando e rindo perto do Salgueiro Lutador. Não pude deixar de notar uma cabeça loura em particular, Malfoy olhava para longe distraído, olhar para ele me fez lembrar da cena no corujal.

    O que você está escondendo Malfoy?

 



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