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História Obscure. - Capítulo 14


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Notas do Autor


Para os que sofrem de insônia.

Capítulo 14 - Capítulo 14


 

Os assassinos não são monstros, são homens. E essa é a coisa mais assustadora sobre eles.

(Alice Sebold) 

Existem  lugares que carregam uma atmosfera própria, sua energia emana das paredes de forma quase palpável e geralmente suas cores sombrias nos trazem primeiras impressões que não podem ser mudadas, e era justamente a cor desbotada do Departamento de homicídios juntamente com sua atmosfera pesada de onde as pessoas sempre saiam tristes e sem uma visão positiva que fazia você desejar estar em qualquer outro lugar do mundo. Para  a classe de Detetives estar naquele local significava muito trabalho a fazer ou o fracasso de algum trabalho sendo feito. Para Hank, Alex e Walter o que restava era a segunda opção. O setor de autópsia era de longe o mais odiado por polícias porque quando um corpo ficava sobre a mesa significava que eles haviam falhado.

Trajando tocas e aventais entraram na sala fria e luminosa, no centro da mesma foi posto o corpo de Olivia Rivera, o qual era examinado pelo Doutor Francis, um homem de altura mediana que já beirava os 60 anos.

- Chegaram bem a tempo, vou iniciar os exames agora. – disse sem se virar para eles.

Segurando uma seringa com uma comprida agulha o Dr. Francis se curvou levemente sobre o cadáver e sem se importar com o incomodo que poderia causar aos presentes perfurou o olho sugando lentamente  o líquido para dentro da seringa.

- Potássio vítreo, isso nos ajudará a determinar a hora da morte.

Walter sentiu seu estômago revirar, não fazia tanto tempo desde a última vez que viu aquela garota, seu rosto bonito agora estava inchado, o processo de decomposição avançava de forma rápida fluídos saiam pelo nariz e pela boca, o desprendimento da pele já dava os primeiros sinais, além abdômen extremamente inchado.

- Vamos começar com a incisão.

Com uma habilidade que somente muitos anos de prática podem oferecer Dr. Francis posicionou o bisturi, a pequena lâmina deslizou para dentro da carne abrindo as camadas uma a uma até que a barriga estivesse totalmente aberta. Quando o cheiro de órgãos em decomposição tomou conta da sala Walter sentiu seu café da manhã subir até a garganta.

- Contenha-se! – Alex disse baixinho segurando seu braço.

- Já pode nos dizer a causa da Morte, Doutor? – Hank indagou.

- Ao que tudo indica estrangulamento. Não se preocupe Detetive o laudo completo estará em sua mesa em 48 horas.

- Não podemos conseguir isso um pouco antes?

- Infelizmente não, ainda não coletei todo o material necessário. – a porta foi aberta e por ela passou uma mulher alta com uma bandeja em mãos.

- Doutor, posso iniciar a coleta vaginal?

- Sim, Lúcia. – respondeu pegando um pequeno pote sobre a bandeja.- Caso alguém tenha estômago fraco sugiro que se retire da sala. – falou olhando diretamente para Walter.

Quando o Dr Francis enfim terminou já passava da hora do almoço, mas ninguém ali tinha o mínimo apetite. Com uma prancheta em mãos ele relia algumas anotações, sua expressão tinha certo cansaço.

- O que posso adiantar por hora Detetive é que ela foi estrangulada, não há sinais de estupro apesar de encontrarmos sêmen.

- Suspeita de necrofilia?

- Não, o material não apresenta mobilidade.

- Hora da morte?

- Ainda estamos analisando, essa e as outras informações complementares serão enviadas no prazo que informei, mas já encaminhei as amostras de fibras para o seu pessoal.

- Obrigada Doutor.

Hank suspirou longamente ao sair da sala, sua frustração e irritação eram visíveis, Walter por sua vez ainda se sentia enjoado, suas mãos estavam suando, precisava urgentemente de ar puro.

- Você está bem? – Alex perguntou.

- Estou um pouco enjoado.

- É normal se sentir assim, não se preocupe.

- Vocês parecem bem.

- Não foi a primeira vez que vi algo como aquilo e duvido que seja a última. – Hank disse entrando no carro.

- Enquanto a você Alex, já viu isso antes?

- Sim, quem passa pela  autópsia sofre a maior perda de dignidade humana. Quando ficamos na posição de telespectadores o que nos resta é prometer a vítima  que ela será vingada.

Retornaram para o departamento de polícia, a investigação havia esquentado novamente o que exigiria mais reuniões e uma nova estratégia, as coisas não vinham dando certo evidenciando que estavam seguindo pela linha errada.

- Notícias do laboratório?

- Ainda não Senhor, haviam várias amostras de DNA no local o que já era esperado levando em consideração a profissão da vítima.

- Quanto tempo até me darem uma posição? – Hank disse sentando em sua cadeira.

- Temos alguns fios de cabelo, a maioria sem resquício para DNA, mas  recebemos as amostras de fibras do setor de autópsia, acredito que ainda teremos de esperar entre 2 a 3 dias para os primeiros resultados.

- Isso é muito tempo Will! – Hank disse batendo na mesa.

- A equipe está trabalhando o mais rápido que pode, Senhor. - Will era um homem alto que usava óculos arredondados, era chefe dos peritos um setor que estava tendo bastante trabalho ultimamente.

- Sei que pode conseguir isso em menos tempo. Preciso que cons... – foi interrompido pelo som do telefone. – Hank!.... Excelente! Pra quando?... Ótimo, ótimo! Excelente trabalho, Parker. – disse desligando em seguida. – Enfim uma boa notícia, Parker conseguiu que Piper fosse aceita no programa sem a segunda Avaliação.

- Isso, isso é maravilhoso! – Walter disse eufórico. – Vamos conseguir manter Piper em segurança.

- Não foi o que fizemos até agora? – Alex indagou visivelmente irritada.

- Quero vocês dois cuidando disso.- Hank disse recolhendo diversas folhas sobre a mesa – Em dois dias ela deve estar saindo da cidade, entenderam?

-Sim, senhor. – responderam em uníssono.

 

***

 

O  crepúsculo na opinião de Piper era uma obra de arte feita pela natureza, um período entre o entardecer e o anoitecer onde a escuridão avança lentamente sobre os últimos raios de luz criando desenhos nas nuvens, era basicamente como se um universo paralelo surgisse prometendo um intervalo de paz e harmonia antes que a escuridão tomasse conta. Quando viu o carro de Walter parar diante da casa sabia que o período harmônico havia acabado.

 Descendo as escadas notou os dois com expressões cansadas, Alex não havia voltado para casa na noite anterior, suas roupas estavam amassadas e embaixo dos olhos olheiras podiam ser vistas nada muito diferente do estado de Walter.

- Café ou chá? – a pergunta pegou os dois de surpresa, eles certamente estavam esperando uma outra indagação.

- Chá para mim, não aguento mais Café. – Walter respondeu.

- Chá. – Alex se limitou a dizer.

Os três seguiram para cozinha, Piper pós água para ferver enquanto olhava de relance para os dois.

- Talvez alguns biscoitos ?

- Por favor, estou faminto.

- E para você Alex?

- Apenas chá.

Alex havia voltado a sua velha postura de indiferença, as vezes Piper olhava para ela e se perguntava se em algum momento as duas realmente haviam se beijado ou aquele acontecimento fora apenas uma obra da sua imaginação pois por mais que tentasse não conseguia enxergar na Alex atual aquela mulher divertida que cozinhou para ela, não havia vestígios da jovem mulher sorridente capaz de dançar uma música qualquer vinda do rádio.

- Quer saber, acho que precisamos mais do que chá e biscoitos! – Walter disse ao notar o silêncio pesado que se instalou. – Vou pedir uma pizza, só preciso de um telefone estou sem bateria.

- O meu está na bancada. – Piper disse sem se virar.

- Não vai demorar, podemos tomar chá enquanto esperamos. – Walter disse enquanto discava o número.

- Tudo bem. – Pegou a vasilha com água quente. – Então como foi no trabalho hoje?

- O de sempre, problemas para resolver. – disse ao finalizar a ligação.

- Notei que vocês não tiveram uma boa noite de sono. – colocou três canecas sobre a bancada enchendo uma a uma com água quente.

- Acredito que nossa aparência não seja das melhores. -Walter tentava desconversar.

- Chega disso! – Alex disse impaciente. – Tivemos um outro assassinato e você vai sair da cidade em dois dias.

A surpresa de Piper foi tamanha que deixou a vasilha com água fervente cair.

- Piper, seu telefone! – Walter disse retirando o aparelho da poça d’água.

- Com.. Como assim outro assassinato?

- Um corpo foi encontrado dentro de uma lata de lixo, estamos com mais um problema em mãos, felizmente Parker conseguiu que você fosse aceita no programa sem a necessidade de uma segunda avaliação.- Alex falou de uma vez só.

- Bem, a boa notícia é que foram encontradas amostras de DNA, então temos uma pista. – Alex olhou com repreensão para Walter.

- Amostras de DNA? Então vocês tem um nome?

- Ainda não, mas teremos dentro de alguns dias.

-  Então isso significa que poderão encontrar o assassino muito em breve, não havendo assim a necessidade de uma mudança para mim.

- Piper as coisas não são bem assim...- Walter tentou argumentar.

- Vocês finamente terão um nome, finalmente poderão pegá-lo.

- O DNA pode não apresentar nada de imediato, Piper. – Foi a vez de Alex.

- Como não?

- A vítima era uma garota de programa, tinha inúmeros encontros em seu apartamento, até traçar um perfil, ligar cada pessoa a cena do crime pode levar bastante tempo. Por hora o melhor é que você saia da cidade como já havíamos combinado.

- Tenho mais razões para ficar, Alex!

- Razões para ficar? Você ouviu o que eu disse sobre um corpo na lata de Lixo? Se você ficar só nos trará mais trabalho, já falamos sobre isso temos que concentrar todos os agentes nessa investigação, isso significa que não podemos fazer sua proteção.

- Alex, calma! – Walter disse diante da irritação crescente da Detetive.

- Amanhã vamos resolver tudo que tiver para ser resolvido, comece a fazer as malas.

- Eu tenho o direito de escolha, sabia?

- Vou apresentar a você duas escolhas. Número Um  – disse levantado o dedo – você ingressa no programa e fica em segurança. Número 2, seu corpo ou o que sobrar dele sobre uma mesa fria na sala de autópsia.

- ALEX!! – Walter a repreendeu.

- Diga a ela o que vimos hoje, talvez ela enfim entenda com o que estamos lidando. – disse seguindo para o andar de cima.

 

Piper comia um pedaço de pizza lentamente enquanto observava Walter devorar sua terceira fatia, Alex havia se trancado no quarto e dificilmente seria vista até a manhã seguinte.

- Por que ela tem que ser assim?

- Alex é uma pessoa lógica, metódica, ela sabe os meios e os segue.

- Eu sei, fria, calculista, insensível...

- Eu diria dedicada.

- Você não precisa ser gentil o tempo todo. Ela é insuportável em determinados momentos. – Piper disse largando a fatia de pizza no prato.

- Não estou sendo gentil, só acredito que ela seja realmente dedicada ao trabalho que realiza, não podemos ser sensíveis nessa profissão, sei que ela tem mais pontos que eu no quesito policial linha dura.

- Você é um ótimo profissional.

- Obrigada. Mas ainda preciso aprender a pensar como os criminosos.

- Você acha que Alex faz isso? Pensa como os assassinos que tanto persegue?

- Não sei dizer, mas de uma coisa tenho certeza não são unicórnios fofinhos que dominam os pensamentos da Detetive.

Quando Walter foi embora Piper encontrou o silêncio necessário para refletir, estava exausta dos mesmos dilemas, mas ali estavam eles pulsando em sua cabeça, martelando seu cérebro com culpas e infinitas possibilidades de como teria sido se tivesse feito outras escolhas.

Não conseguiu fechar os olhos  um segundo sequer, viu os primeiros raios de sol entrarem pela sala,  mais uma vez o sofá foi seu refúgio. Ouviu os passos de Alex na escada, levantou e foi direto para a cozinha, sabia que olhos estavam vermelhos e inchados, lavou o rosto na pia e usou as magas da blusa como toalha. Sentiu a presença da Detetive logo atrás dela, usando a visão periférica notou que ela se aproximava, seu corpo ficou tenso. Ela estava com raiva, frustrada, magoada entre outras coisas, queria gritar com a Detetive e dizer inúmeras coisas.

- Piper? – suspirou - Gostaria que tudo fosse diferente. – a loira deu um sorriso nervoso.

- Só faça seu trabalho!

Esperou que ela revidasse, mas a Detetive nada disse, apenas saiu batendo a porta em seguida.

Aquele foi um dos piores dias para Piper, as horas passaram tão depressa que nem parecia ser real, por mais que tentasse se convencer de que aquela era uma escolha acertada seu sexto sentido parecia não concordar, uma angústia crescia dentro dela, alguma coisa parecia impedir que o ar chegasse corretamente em seus pulmões. Dois polícias a acompanharam até em casa para que recolhesse o restante de suas coisas, não quis alongar seu sofrimento, jogou as roupas de qualquer forma dentro de uma mala, evitou olhar para as camisas do marido ainda penduradas, evitou entrar no quarto do filho, não poderia levar nada além do que era seu, todo o resto deveria ficar a disposição da polícia. Desceu e notou que os policiais não estavam na sala, ouviu suas vozes no jardim. Sua respiração começou a ficar irregular, sabia que não deveria fazer aquilo, mas não aguentava mais se sentir vigiada, foi até a porta da cozinha ao abri-la viu o maldito caminho que levava ao bosque, movida pela raiva ela seguiu até sumir entre as árvores.

***

O ambiente caótico do departamento de polícia exigia nervos fortes mesmo que todos os seus sentidos estivem exaustos. O sol começava a se pôr e a cafeína já não dava a mesma energia, o cansaço e as poucas horas dormidas começavam a cobrar seu preço.

- Tudo certo para amanhã, Parker?

- Sim, sairemos as 9hr. Acredito que possamos chegar em quatro horas.

- Isso é ótimo. Enquanto a Piper, ela aceitou bem a situação?

- Bem... – Walter se preparava pra responder quando foi interrompido.

- Senhor, recebemos um chamado da residência da Senhora Chapman.

- O que aconteceu?

- Ela desapareceu, Senhor.

- Como assim desapareceu? – disse exasperado.

- Na verdade, ela fugiu.

- Eu não precisava de mais essa! Quero o maior número possível de polícias nas ruas e...

- Não será necessário. – Alex disse ficando de pé. – Sei exatamente onde ela foi.

 

***

O vento frio batia em seu rosto, estava congelando, mas ela não se importava, seus olhos não tinham mais lágrimas para derramar, ajoelhou-se, os dedos contornaram novamente as letras bem feitas no mármore.

 

- Você sempre escolhe dificultar as coisas, não é?

- Resistir e lutar, esse é o meu lema.

- Combina com você. – disse se aproximando. – mas temos que saber a hora de recuar um pouco.

- Você recuou em algum momento quando fizeram aquilo com sua irmã?

- Sair da cidade não significa que esteja deixando de lutar pelos seus, Piper. Nós precisamos lutar com as armas que temos, já conversamos sobre não ser definitivo.

- Sinto que estou fazendo a coisa errada o tempo todo.

- Cometer erros é o que nos leva a acertar. Talvez ache que está sendo covarde, mas quando tudo se resolver espero que tenha a mesma opinião que eu.

- Qual sua opinião?

- Você é incrível. – disse parando ao seu lado. – Ele sabe que você não está desistindo. – estendeu a mão.

Olhou mais uma vez para o túmulo do filho prometendo voltar em breve. Encarou a mão que lhe era oferecida e por fim aceitou.

- Quer que ir a algum lugar? – Alex perguntou lhe o oferendo o capacete.

- Só não quero ter que voltar para sua casa.

- voltar pra casa não faz parte do plano, agora suba!

Quando aquele dia começou Piper não imaginou que atravessaria meia cidade de moto, agarrada em Alex ela desfrutava da rara sensação de liberdade, pela primeira vez nas últimas horas não se sentiu angustiada ou com medo.

- Está com fome? – Alex gritou para que ela a ouvisse.

- Não sei dizer. – percebeu a Detetive rindo.

- Então vamos descobrir.

Alex guiou a moto por mais alguns quilômetros até parar diante de uma lanchonete de beira de estrada, assim que retirou o capacete Piper pôde sentir o cheiro de comida frita.

- Sei que não é seu tipo de lugar, mas é o que temos pra hoje.

- Por que acha que não é meu tipo de lugar?

-Garotas da cidade não comem na beira da estrada.

- E isso que vamos descobrir. – brincou.

As duas seguiram para dentro, Alex a guiou ate a última mesa, não demorou até que a garçonete trouxesse um cardápio levemente engordurado.

- O que vai ser moças? – a garçonete perguntou em tom entediado, mas um leve brilho surgiu em seu olhar ao ver Alex.

- Quero hambúrguer, a maior porção de batatas que tiver e uma coca. – Alex disse sem se dar ao trabalho de ver as opções.

- Vou querer o mesmo. – Piper disse.

- Certo, não vai demorar. – disse encarando a Detetive.

- Acho que ela gostou de você. – Piper comentou.

- Talvez eu não pareça tão fria para ela. – sentiu o peso dos olhos verdes.

- Quem sabe esse seja um privilégio meu.

- Nunca foi minha intenção parecer uma insensível, eu estava apenas tentando fazer meu trabalho da melhor forma possível, quando não temos uma interação pessoal somos mais eficientes.

- Temos uma interação pessoal?

- Bem, nós fizemos compras juntas em um supermercado. – Piper não evitou o sorriso. – Então é assim?

- O que? – indagou confusa.

- Seu sorriso verdadeiro. Sempre me perguntei como seria.

- Eu... - Foi interrompida pela garçonete trazendo os pedidos.

Piper não sabia se era pela fome ou pelo dom do cozinheiro, mas sem dúvida aquele era o melhor hambúrguer que já havia provado na vida, não conseguia parar de comer, estava delicioso.

- Parece que você gostou.

- Isso é divino.

- Essa é a prova de que podemos encontrar boas surpresas onde menos se imagina.

- Você não é um hambúrguer, Alex. – a morena gargalhou. – Então é assim? Seu sorriso verdadeiro? - Alex desviou o olhar e Piper quis guardar aquele momento como uma pequena vitória.

Terminada a refeição as duas conversaram por várias horas, mas não era uma conversa sobre trabalho ou mesmo do campo pessoal, eram apenas palavras soltas, comentários seguros e períodos de silêncio confortável. No entanto ambas sabiam que não poderiam ficar por mais tempo, as questões que deixaram de lado por algumas horas estavam esperando para serem resolvidas. Alex olhou para o relógio e então pediu a conta.

- Você ganhou uma fixa, pode escolher a canção que quiser. – a garçonete apontou para uma Jukebox no canto.

- Obrigada. – disse devolvendo a ficha.

- É tradição, tem que escolher uma música.

- Sério?

- Quer ter sete anos de azar?

- Acho que não.

- Vamos lá, é só escolher uma canção que signifique alguma coisa pra você.

Piper observou Alex se aproximar da máquina e se curvar um pouco, demorou alguns minutos até que a acordes melancólicos começassem a ser ouvidos.

 

“Lembre-se de tudo que queríamos

Agora, todas as lembranças estão assombradas

Nós fomos feitos para dizer adeus

Mesmo com nossos rostos erguidos

Isso nunca teria funcionado do jeito certo

Nós nunca fomos feitos para fazer ou morrer

 

Eu não queria que nos consumíssemos, eu

Eu não vim aqui para te machucar, agora eu não consigo parar

 

Eu quero que você saiba

Não importa onde nós tomamos esta estrada

Mas alguém tem que ir”

 

Piper sentiu aquele velho aperto no peito, reconheceu a postura seria de Alex, a trégua havia acabado, era hora de voltar. Em silêncio refizeram o caminho, a madrugada estava se encerrando e o sol nascia entre as árvores a beleza daquele momento trouxe um conforto  passageiro para Piper antes que tudo ficasse cinza.

Parando diante da casa ambas viram os carros de Walter e Parker estacionados.

- Piper?

Não parou para ouvir a Detetive apenas seguiu para dentro aceitando o que haviam escolhido para ela. Tomou um banho, organizou seus pertences e por fim desceu.

- Pronta? – Parker indagou.

- Estou. – disse entregando a mala.

- Leve o tempo que precisar para se despedir, estarei esperando no carro.

- Obrigada, Sony.

Na sala restaram apenas ela, Walter e Alex. Notou o rapaz se aproximar com algo nas mãos.

- Sei que não teve tempo de comprar um celular novo. Então trouxe esse pra você. Não é muito moderno, instalei alguns jogos caso fique entediada.

- Obrigada. – sorriu colocando o pequeno aparelho no bolso da jaqueta. – Posso abraçar você ou ainda que parecer um policial linha dura?

- Posso ser um policial linha dura depois. – disse abraçando-a.

- Obrigada por tudo. – ele sorriu. – Agradeço a você também Detetive. – se voltou para Alex.

- Espero que faça uma boa viagem. – ofereceu a mão para um aperto.

- Eu também. – disse apertando a mão da Detetive, seus olhos travando uma batalha silenciosa.

Por fim seguiu até o carro, não olhou para trás, Parker e um outro policial aguardavam por ela. Entrou no veículo, a partida foi dada, seu coração novamente bateu apertado, o choro preso na garganta, mas ela não chorou.

 

***

Curvado sobre a mesa o homem corpulento tinha o no da gravata desfeito, sua camisa estava com  as mangas dobradas e seus olhos carregavam um tom avermelhado. Pilhas de papéis disputavam espaço e atenção, mas ele  só parecia ter olhos para o telefone em sua frente, o qual não demorou a tocar.

- Hank.

- Senhor, obtivemos resultados do DNA.

- Temos um nome?

- Nenhum dos nomes encontrados estavam no registro de procurados, Senhor.

- O que você tem pra mim, Will? – disse impaciente.

- Encontramos DNA de um dos agentes.

- QUEM? – ouviu a respiração pesada seguida de uma pequena pausa.

- Detetive Parker.


Notas Finais


Não revisei se estiver muito ruim me avisem, por favor.

Canção: Already Gone

https://youtu.be/3YlwArJLXf8


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