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História Obsession - Capítulo 62


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Capítulo 62 - 62


Fanfic / Fanfiction Obsession - Capítulo 62 - 62

Quando era pequena, Mi So ouvia a historia de como seus pais se conheceram com brilho nos olhos, e cresceu achando que aconteceria da mesma forma romântica com ela. Mas as coisas estavam bem distantes de serem românticas para ela e Sehun.

Primeiro, pela forma como se conheceram, onde ela claramente levou a pior e ganhou uma bela cicatriz na barriga. Segundo, pela forma em que eles se apaixonaram e ficaram juntos. Nada foi fácil para eles desde o inicio, e mesmo assim, Mi So imaginou que talvez no fim, ela pudesse contar para seus filhos um pouco de romance, assim como sua mãe.

E esse momento finalmente chegara, e ao invés dela sorrir e se jogar nos braços de Sehun, Mi So sentiu seu sangue congelar em suas veias e sua cabeça latejar. Não, pensou. Não podia surtar na frente de Sehun, não quando ele estava ali sorrindo para ela de forma tão delicada. Segurando um anel.

Seu coração se estilhaçou quando o sorriso de Sehun desmanchou. Mi So se levantou segurando a cabeça entre as mãos. O som ruidoso da cadeira encontrando o chão ecoou, e então ambos perceberam que a chuva voltara a cair do lado de fora.

- Mi... – Sehun começou, docemente, mas se interrompeu ao ver a primeira lágrima descer pelo rosto de Mi So. Tentou se aproximar dela, mas a mesma recuou um passo. Sehun ficou tenso. – O que está acontecendo?

Mi So precisava contar a ele, mas sua garganta estava fechada e dolorida devido à tentativa de conter o choro. A dor em sua cabeça doía cada vez mais, a voz de Sehun soava em algum ponto distante dela.

E então ela estava novamente nas mãos de Snow. Amarrada a uma cadeira, enquanto esperava por ser resgatada, ensanguentada e dolorida. E depois caída no chão, aos pés de Snow enquanto Sehun e os outros tinham as armas em mãos.

Mi So levou as mãos ao pescoço, tentando de alguma forma voltar a respirar. Sehun gritava por ela, seus olhos estavam arregalados e transbordavam uma mistura de preocupação e desespero. Mas Mi So estava absorta demais na lembrança da agonia que sentiu enquanto não sabia o que tinha acontecido à Junmyeon.

Suas costas nuas encontraram a pilastra fria do restaurante, e por um segundo ela achou que estava morrendo. Mas as mãos de Sehun estavam em volta de seus ombros. Ele a empurrara, e a balançava.

Sua visão clareou. Ela estava de volta ao restaurante. Com Sehun. E outros três pares de olhos a encarando como se ela fosse louca.

O silêncio durou mais tempo do que qualquer um ali gostara, mas ninguém parecia ter coragem para dizer algo.

- E-eu... sinto muito. – disse ela ao ver que as unhas estavam cravadas no braço de Jongdae, que em algum momento tomou-a em um abraço.

Sehun balançou a cabeça, parecendo desolado.

- O que aconteceu? – perguntou.

Mi So tomou fôlego e sentou-se no piso gélido antes de explicar. Começou dizendo que não havia motivos para que eles se preocupassem, o que resultou em olhares duvidosos e irônicos em cima dela. Depois falou de como estava passando mais tempo que o comum no trabalho, virando noites e mais noites, para não ter que ir para casa e lidar com os assombros que caiam sobre ela.

E de como tinha demorado em aceitar o pedido de Sun Hee e ir ao médico procurar ajuda. E não gostou nada do diagnóstico. Estresse Pós-Traumático, fora isso que o psicólogo lhe dissera. De inicio, ela negou, e tentou se curar sozinha. Quando Jongin se sentou na cadeira, jogando todo o peso de seu corpo de uma forma um tanto dramática, ela fez uma pausa. Apenas para ouvir Junmyeon praticamente ordenar que ela continuasse.

Mi So contou a eles que passou uma semana inteira fazendo pesquisas a respeito da doença, e pensou estar tendo progresso quando voltou a ganhar peso. Até ela acordar no parapeito de sua janela após ter um pesadelo. Mi So ocultou alguns outros surtos que teve enquanto estava sozinha, não achou relevante, mas contou que voltara com o tratamento e que não estava sozinha.

Bastou um olhar para Sehun, e Mi So soube que condenara o relacionamento dos dois. Mas não teve tempo para dizer nada antes que as balas quebrassem as vidraças do restaurante. Mi So não teve tempo de pensar, e se não fosse Jongdae, provavelmente ela teria sido abatida.

- SNOW! – Jongin gritou.

Mi So procurou pela criminosa, mas não conseguia ver nada além de vidros voando e chuva. Até que tudo ficou em silencioso, e alguns instantes depois, ela conseguiu ver a silhueta de Snow entrando no restaurante.

Jongin estava de pé, em posição de ataque, mesmo que estivesse desarmado. Sehun tentava se levantar, segurando o braço machucado enquanto Jongdae e Junmyeon faziam um cerco em volta de Mi So.

- Ora, ora. – Snow grunhiu, caminhando em direção ao grupo. – Devo informá-los que estou ofendida por não ter sido convidada para o showzinho.

- Como...? – Jongin tentou dizer, mas estava perplexo demais.

- Oh, querido, nem mesmo o SNI consegue me conter. – disse ela, cruzando as pernas sobre o joelho quando sentou. – Mi So, você me parece abatida.

Por mais que soubesse que se tratava de uma provocação, Mi So não controlou o ímpeto de partir para cima de Snow. Por tudo o que ela fizera.

- Não, não. – Snow levou o dedo, irritantemente. – Não cometa esse erro, lindinha. Vocês estão desarmados, e eu não estou sozinha.

Como que em resposta a fala de Snow, lasers brilharam do lado de fora.

- O que você quer? – Sehun finalmente se pronunciou.

- Ah, sobre isso, pode esperar um pouquinho. – Snow disse, mexendo nos pratos sobre a mesa, provando um pouco do macarrão.

- Tira essa bunda fedida daqui. – Jongin disse irritado.

Snow revirou os olhos.

- Vocês são tão brutamontes. – falou, sacando a arma e girando-a entre os dedos. – Sabem, esse tempo que eu passei naquele lugar aconchegante me fez pensar em como eu vivi de forma errada por todo esse tempo. Perdi anos da minha vida dando ouvidos àquele tolo do In Pyo, que Deus o tenha. – ela fez uma pausa, fingindo uma dor sentimental. – Mas, devo dizer que aprendi uma coisa. Tempo, é dinheiro.

E assim, ela sacou a arma. E o primeiro tiro, acertou o grande lustre acima da cabeça de Jongin, o mais próximo de Snow, que precisou se esquivar dos cacos. Junmyeon correu para ajudá-lo quando Snow se voltou para Sehun, que continuava pressionando o próprio ferimento.

- Vocês deviam ter me deixado em paz. – trovejou Snow. – Eu poderia ter pensado em fazer o mesmo com vocês, mas não me deram outra opção a não ser matar cada um de vocês.

Mi So ainda estava processando tudo o que Snow dissera. O fato de Cho In Pyo estar morto, Snow ter fugido e eles estarem acabados.

- Querida, não fique com essa carinha. – o carinho forçado de Snow causou enjôo em Mi So. – Prometo lhe dar uma morte lenta e dolorosa.

Foi o cúmulo para Mi So. Quem Snow estava achando que era para ameaçar a ela e as pessoas que amava?

Num segundo, ela estava ao lado de Jongdae, no outro, lutando corpo a corpo com Snow.

Não era páreo, ela sabia disso, mas tinha que tentar. Esperava que os meninos não ficassem atônitos demais para sequer ajudarem, e quando já sentia o sangue escorrer pelo nariz, viu que eles estavam ocupados demais tentando continuarem vivos.

Os capangas que ainda estavam com Snow invadiram o restaurante, dificultando que ajudassem Mi So, e ela não ia aguentar muito tempo. Estava dolorida e cansada, seu vestido em frangalhos, seu cabelo desgrenhado e sua maquiagem borrada.

Até que ouviram o som de carros chegando. E Mi So percebeu que eram reforços quando viu Dong-sun, com um curativo na testa, uma arma em mãos e uma feição nem um pouco amigável.

Mi So se permitiu sorrir. E isso quase lhe custou a vida.

Snow deu-lhe um chute nas costelas, e Mi So caiu no chão sem conseguir respirar. Mas sentiu seu corpo ser erguido, e depois sentiu a boca fria da arma de Snow em pescoço.

- Para trás, todos vocês. – sua voz soou calma, mas Mi So sabia que ela estava irada por conta de sua respiração acelerada em seu pescoço. – Ou vossa princesinha encontrará a morte antes do tempo.

- Solta ela Snow. – ordenou Sehun, que parecia um pouco melhor depois de segurar sua UZI.

- Deixe-me pensar por um segundo. – Snow zombou. – Ops, não!

Snow mirou em Sehun, o que lhe distraiu de Mi So, que conseguiu se soltar e correr.

Sehun a pegou.

Por um segundo, não houve reações.

Até que ouviram o som de um disparo, e o corpo de Mi So fraquejou.

Dong-sun perdeu o fôlego, ira brilhou em seus olhos quando ergueu sua arma e mirou na cabeça de Snow. Ainda mais quando Jongdae o impediu de atirar, dando a Snow a chance de correr.

- O que pensa que está fazendo? – Dong-sun gritou.

- Prendam-na. – Jongdae ordenou ao outro grupo de agentes. – A quero viva.

Dong-sun desviou de Jongdae, seguindo os outros agentes. Iria matá-lo por impedi-lo de se vingar, mas não naquele momento.

Mi So estava deitada no chão, nos braços de Sehun, quase inconsciente.

- Você precisa ficar acordada. – ele pediu. – Precisa ficar viva, precisa ficar comigo.

Lágrimas caiam silenciosamente pelo rosto de Mi So. Apesar da dor, era reconfortante sentir Sehun a segurando e Junmyeon apertando sua mão. Os olhos de Jongin estavam marejados, mas nem ele nem Jongdae se aproximaram mais.

- Os médicos estão vindo. – foi tudo o que Jongdae disse antes de sair destruindo o que restara do restaurante.

Mi So queria gritar, mas não tinha forças. Sabia que quando a ajuda chegasse, seria tarde demais. Seu corpo estava inerte, quase não sentia mais dor. Queria dizer que estava grata aos meninos, por tudo o que fizeram por ela e por cada momento que passaram juntos.

Queria dizer à Sehun que o amava e o aceitava como seu marido, e pai dos seus filhos. Mas mal conseguia respirar. Até que não conseguiu manter seus olhos abertos, e percebeu o quão reconfortante era mantê-los fechados. 



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