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História Obsession - Capítulo 63


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Capítulo 63 - 63


Fanfic / Fanfiction Obsession - Capítulo 63 - 63

(Semanas depois)

O dia claro e fresco, perfeito para um piquenique ou algo do tipo, estava arruinando o humor de Sehun. Principalmente com os três Kim's caminhando ao seu lado, calados como a morte. Sehun grunhiu com a ironia do pensamento.

Ainda no caminho de pedras, os quatro podiam ver a lápide pálida de mármore que os esperavam no final. Jongdae dissera, da primeira vez que estiveram ali, que seria melhor na próxima. Que os sentimentos ruins e a dor passariam. Mas mesmo depois de meses desde que tudo acontecera, ele ainda se sentia o mesmo bichinho medroso e triste.

Junmyeon foi o primeiro a se ajoelhar diante da pedra, e depositar uma flor branca que Sehun não conhecia. Depois Jongin e Jongdae se abaixaram juntos, murmurando algo que Sehun não entendeu. E o coração dele acelerou quando percebeu que chagara sua vez. Sua primeira vez.

Os outros três iam ali com frequência, desabafavam quando algo os estressava ou apenas quando queriam. Era como se nada nunca tivesse mudado. Mas Sehun sabia que tudo havia mudado. E que ele não conseguira acompanhar as coisas, e por isso tinha fugido de tudo o que lutara para conquistar. Seu coração, sua alma. Como um covarde.

Como se percebessem o desconforto do amigo, os outros três deram tapinhas em suas costas e o deixaram sozinho. Sehun não sabia se devia se sentir agradecido ou envergonhado. Não conseguia pensar em nada para dizer. Sequer conseguia provar que estava respirando.

Seus joelhos começaram a doer devido ao tempo que passara ajoelhado, lendo e relendo as pequenas palavras entalhadas ali. Sehun permitiu que o peso do luto e da saudade lhe invadisse. Permitiu que as memórias tomassem conta de sua mente até que a primeira lagrima rolasse, e então desabasse de vez na grama fria.

Quando finalmente descobriu que tinha algo a dizer.

- Me desculpe. - sussurrou para o silêncio. - E obrigado.

E como um gesto de despedida, Sehun passou os dedos por sobre as letras, e sussurrou o nome de Dong-sun.

***


- Sabe que não precisa fazer isso, certo? – Jongdae falou para Sehun, pela milionésima vez.

Sehun suspirou, mas não respondeu e apenas balançou a cabeça em um aceno fraco. Suas mãos estavam escondidas nos bolsos, para evitar que os outros vissem o quanto ele tremia enquanto caminhava para a perdição.

O tribunal.

- Ela vai se sair bem. – Jongin bateu em seu ombro. – Sabe que ela é ótima nisso.

Mi So. Nos últimos três meses ele tentou não pensar na mulher que tinha seu coração nas mãos. E falhou em cada minuto. O cheiro dela ainda estava impregnado na memória dele, o som da risada de Mi So ainda era o som mais lindo que ele já ouvira em toda sua vida. E saber que ela estava viva e bem, mesmo que provavelmente odiando cada célula dele, era a única coisa que o mantinha são.

- Ela vai sim. – disse ele, esperando que não estivesse mentindo.

O grupo estava indo para a última audiência do ex promotor chefe, Lee Sung-min, e ao que tudo indicava, Mi So estava com a vantagem. Cada passo de Sehun fazia seu coração dar um estrondo dentro do peito, e quando ele finalmente se viu diante dela, não tinha certeza se lembrava como se respirava.

Mi So não o viu. Estava imersa demais em seu próprio mundo. Sehun esboçou um sorriso se dando conta de todas as vezes em que a vira fazer isso, morder o lábio inferior e se prender em algo dentro de sua mente.

- Ela está diferente. – Junmyeon observou.

E de fato estava. O cabelo, antes no ombro, agora estava quase chegando a metade das costas, e estavam mais escuros do que o normal. O rosto de Mi So estava mais fino, e Sehun se perguntou com que frequência ela se esquecia de comer.

Apesar de as bolsas roxas que já moraram debaixo dos olhos dela não estarem mais lá, Sehun percebeu o quão cansada ela parecia. O brilho nos olhos claros, que um dia foram o norte dele, estava apagado.

Ele engoliu em seco, e o juiz entrou. E então tudo começou. Os olhares hostis de Sung-min faziam Sehun querer arrancar a cabeça dele.

- Ela está nervosa. – Jongin sussurrou.

- Ela está com raiva. – Sehun corrigiu. – Está com raiva por estar de frente a pessoa que quase conseguiu acabar com sua carreira, e com medo de ele sair impune.

Junmyeon, talvez a pessoa que conhecia Mi So tanto quanto Sehun, assentiu. O juiz convocou a promotoria, e Mi So se levantou, tomando seu lugar de frente ao juiz e todos as pessoas que estavam ali. E então seu olhar caiu sobre Sehun.

E o mundo dos dois parou.

O sangue de Mi So parou de correr em suas veias.

Ela não se importou com tantos olhares de murmúrios, tudo o que ela conseguia ver era o fantasma de sorriso no rosto dele.

- Promotora, por quanto tempo ainda vamos ter que esperar? - o juiz chamou sua atenção, soando um pouco rude.

Sehun desviou o olhar de Mi So para a bancada de juízes a frente, tentado a pedir para que eles não atrapalhassem o momento. Mas Mi So disse:

- Desculpe. - pediu, sem se incomodar em olhar para o meretíssimo.

As coisas estavam correndo bem, e de vez em quando Jongdae fazia algum comentário a respeito. Min-ah chegou depois de algum tempo, e o Kim se calou pelo resto da audiência.

Durante a pausa de 15 minutos que o juiz declamou, Mi So ficou sentada atrás de sua mesa, com as mãos entrelaçadas e suas costas recostadas na cadeira. Sem ousar virar a cabeça um centímetro. E Sehun também não ousou tirar o olhar de cima dela.

- A mãe dela deixou bem claro que quer você longe dela. - Junmyeon disse, e Sehun se sobressaltou um pouco com o susto.

- Eu sei. - ele respondeu, engolindo em seco.

Ele nunca seria capaz de esquecer as palavras da mãe de Mi So: "Não quero você perto da minha filha."

Mi So ainda estava desacordada quando tudo aconteceu. Quando sua mãe descobriu de alguma forma, que a culpa de ela quase perder a filha inúmeras vezes fora dele. E quando Mi So acordou, ele fora um idiota.

"- Não sei se consigo lidar com você e com sua doença agora."


O que ele dissera a ela, o que fizera... ainda o assombrava durante o sono.

- Você a ama tanto assim? - Junmyeon perguntou, e Sehun tentou não se sentir desconfortável com a pontada de dor que ele percebeu na voz do amigo.

Mas assentiu.

- Mais do que acho possível. - um sorriso triste surgiu em seus lábios. - Mas ela me odeia agora. Eu me certifiquei de que isso acontecesse.

Uma risada bufada foi a resposta do Kim, antes de o juiz voltar e proclamar a sentença.

Culpado.

Uma onda de alívio percorreu o corpo de Sehun, e dos outros também, ele imaginou. Mas os olhos de Mi So brilhavam. Ela poderia chorar ali mesmo, de felicidade ou de ódio, ele não sabia.

Min-ah se levantou para abraçar a amiga, mas Mi So já estava a caminho da saída, com pressa o bastante para que Sehun entendesse que ela estava fugindo. Dele.

- Vá falar com ela. - Junmyeon disse.

O silêncio e a testa franzida de Sehun foi a resposta dele.

- Ela não estava quase chorando por ter ganhado esse processo. Ela já sabia que ia ganhar. - continuou ele. - Ela estava quase chorando por sua causa. Porque ela sente tanta falta de você quando você dela. E mesmo com o possível ódio que sente por você, tenho certeza que esses últimos meses foram um inferno pra ela, porque você não estava lá.

Não estava lá quando ela sentiu dor. Não estava lá quando ela recebeu alta. Não estava lá quando ela estava fazendo acompanhamento, tentando se curar da doença que ele dissera não ser capaz de lidar.

Mi So sempre esteve lá para ele. Mas ele não estava lá quando ela mais precisou. E isso fazia dele o pior dos canalhas.

- Vai logo, seu idiota. - Jongin disse, revirando os olhos.

Sehun não precisou que dissessem outra vez. Ele se levantou e correu para encontra-la. Sem parar nem mesmo quando percebeu o olhar reprovado de Min-ah.

Ele correu. E correu. Até achar Mi So escorada em uma parede lateral ao prédio do tribunal, com a mão fechada em punho batendo sobre o peito, como se pudesse de alguma forma ajudar a respirar.

Sehun se obrigou a parar e se acalmar. Ele se aproximou devagarinho, sem fazer alarde, e soube que ela sabia de sua presença no momento em que parou diante dela.

Lentamente, Mi So abriu os olhos. Lentamente, ele tentou dar um sorriso, e falhou. E depois do que pareceu uma eternidade, com a voz fria e tão indiferente quanto possível, Mi So disse:

- O que você quer?

***



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