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História Obsession Jikook (abo) - Capítulo 10


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Capítulo 10 - 09


Eu não sabia o que pensar a respeito de Jeon Jungkook. Um alfa psicótico que havia me sequestrado e que me mantinha preso por um mês inteiro. Sem ligações. Sem noticiais dos meus amigos ou da minha irmã. Sem um vislumbre do sol do lado de fora. Ele deveria ser visto pelos meus olhos como um monstro sem coração algum. Uma pessoa horrenda que não merecia qualquer tipo de piedade de um outro ser humano. Que não merecia ser amado por ninguém. Afinal, seu ato  para me trazer até ali não havia sido um dos mais simpáticos ou sutis da minha vida. Ele me sequestrou. Me tirou da vida que eu conhecia. Me tirou dos meus amigos e de todas as pessoas que importavam para mim. Eu deveria o odiar. Era o correto a se fazer. 


Entretanto, eu não estava conseguindo. 


Não quando tudo que Jungkook fazia era para o meu bem estar. Para me agradar, seja por meio de conversas a noite quando ele chegava do trabalho — mesmo que ele estivesse cansado, ele vinha até o quarto e me contava como havia sido seu dia. Me dizia sobre as pessoas que havia visto no caminho de ida e volta e como que, ao observar um casal de mãos dadas totalmente feliz, sentira vontade de fazer a mesma coisa comigo. Ele conversava mesmo quando não se tinha algo para conversar. Era algo importante para ele, ao que eu percebi. E, bem, eu gostava de ouvi-lo de qualquer maneira e isso talvez fizesse de mim um retardado por pensar nele e aprecia-lo daquela maneira quando não deveria. Mas os meus instintos, e até eu mesmo, estavam começando a criar algo por Jungkook que me assustava terrível e completamente. 


Mas, por outro lado, tinha dias que ele apenas sentava ao meu lado e me observava com todo o carinho e atenção exposta em seu olhar. Era estranho o que aquilo me causava quando seus olhos arroxeados me analisavam como se eu fosse a coisa mais importante e preciosa do mundo. Como se eu fosse quebrar a um único toque. Meu coração sempre palpitava rapidamente quando ele me encarava daquela maneira. Minha pele se arrepiava e eu me tornava um bobo quando seus lábios eram preenchidos por um sorriso lindo e agradável. E quando aquilo acontecia, algo dentro de mim gritava para que eu parasse de ser tão mau com Jungkook e desse uma chance para ele por completo. 


Nesse dia, a princípio, Jungkook não havia ido para seu consultório médico. Ele me acordou cedinho ao  horário que eu costumava acordar diariamente, me desamarrou da cama e me levou até a cozinha onde preparou um café da manhã coreano reforçado. Não conversamos durante a refeição, mas pude perceber como as suas iris estavam agitadas e como havia ganhado uma nova cor: dourada. Toda aquela atitude de Jungkook estava me deixando um tanto quanto alerta, mas não de uma forma totalmente ruim. 


Isso deveria realmente me preocupar? 


— Onde está me levando? – Questionei receoso  quando sua mão agarrou meu pulso e me puxou em direção a porta do final do corredor. 


— Você vai vê. 


Ele respondeu me lançando um outro sorriso e um olhar carinhoso. Droga, ele não podia continuar fazendo aquilo. Meus instintos estavam indo para outro lado quando ele me lançava olhares como aquele. Assim que chegamos a porta, Jungkook largou  meu pulso e destrancou a mesma. Com suas costas viradas para mim, o pensamento de jogá-lo   no quartinho e o prender até que eu tivesse  a chance de fugir daquele lugar de uma vez por todas, recaia sobre mim.  Não seria difícil e eu finalmente poderia me vê longe de todo aquele pesadelo. Eu só precisava dar um passo e o empurrar. Só um passo e tudo estaria acabado. Encaro suas costas e minhas mãos suam com a vontade que tenho de fazer justamente o que penso. Mas, no entanto, assim que tomo um passo à frente, Jungkook se vira para mim novamente com um sorriso gigante em seus lábios e com seus olhos dourados brilhando, e meu coração para por um minuto, meus passos se cessam e eu esqueço do que queria fazer a princípio. 


— Vem. Quero te mostrar o que eu faço nos dias que não vou ao consultório.


Sua mão segura a  minha e eu sinto   um pequeno choque percorrer da ponta do meu dedo ao último fio de meu cabelo com aquele nosso contato. No entanto, não deixo transparecer que ele me fez sentir aquela reação, e Jungkook também parece não notar de qualquer maneira. Entretanto, assim  que adentro aquele cômodo que ele tanto queria me mostrar, minha boca se abre em completo choque e fascínio com o que meus olhos capturam, e eu esqueço completamente o que seu toque me fez  sentir quando me puxou para dentro dali. O cômodo  não é muito grande, cabendo apenas eu e Jungkook ali de uma maneira um tanto quanto difícil — o que torna perceptível que ele havia sido feito para uma só pessoa. Há  varais que cruzam o cômodo onde secam algumas fotografia que, obviamente, estão começando a ser reveladas. A luz do quarto é vermelha, o que deixa visível para  o que  serve aquele cômodo  e o que Jungkook tanto faz quando não se encontra em seu consultório médico. 


— Você.... é fotógrafo? – Questiono, me virando para encara-lo com a minha total surpresa expressa em meus olhos arregalados. 


Jungkook coloca suas mãos dentro do bolso da frente de sua calça e encolhe seus ombros levemente, enquanto me encara um tanto quanto receoso? 


— Sim.


Desvio meu olhar do seu e olho ao redor, encarando embasbacado  todas as fotos que estão reveladas e  estendidas no pequeno varal que cruza o quarto. A maioria que meus olhos conseguem distinguir são sobre a natureza. Uma delas Jungkook conseguiu tirar o exato momento em que um pequeno pássaro ao qual não sei identificar qual é, pula do seu ninho para a sua primeira experiência de voo. A imagem é clara e perfeita. Não está embaçada ou qualquer coisa do tipo que poderia prejudicar a fotografia. Os ângulos. A luz. Tudo é perfeito e se encaixa tão bem como se eles tivessem sido tiradas em um ensaio fotográfico e não ao ar livre como um mera coincidência. Olho para as outras fotos e todas são semelhantes, aparentemente. Há fotografias de árvores, de um parque, de um lago, do céu. A maneira que elas são tiradas deixam evidente que são de Jungkook. Não sei como explicar isso exatamente, mas todas as fotos carregam uma mesma semelhança, e isso parece ser o toque que marca como tendo sido tiradas por aquele alfa que me mantinha aprisionado em sua casa. 


— Você tem talento – Digo sem sequer lançar-lhe um olhar para comprovar o meu comentário. Jungkook já deveria saber sobre aquele fato. Era perceptível. 


— Obrigado. Quero dizer, não acho que os meus trabalhos sejam perfeitos, mas eu tento o meu melhor. 


— Não precisa ser modesto comigo, Jungkook. 


— Não estou sendo. Falo a verdade. 


Desvio meu olhar da foto que prendia minha atenção e encaro o rosto de Jungkook, percebendo como ele me encara sério em resposta e como o seu cenho se encontra franzido. É, talvez ele não soubesse do talento que tinha, afinal de contas. 


— Tudo bem, já entendi o ponto. 


— Que ponto? – Jungkook questiona. 


— Você é inseguro sobre isso. E eu realmente não sei o porquê disso – Falo, observando como Jungkook encolhe seus ombros e olha para os seus pés. Sua vulnerabilidade faz  coisas dentro de mim que eu realmente não gostei de sentir. E vê-lo cabisbaixo daquela maneira me deixou com um sentimento ruim no  estômago. — Você tem talento, Jungkook, acredite nisso quando eu digo. Você consegue achar o ângulo e a luz perfeita quando eu provavelmente não acharia. Posso dizer isso porque eu não sou muito bom com essas coisas de fotografias. As minhas com certeza sairiam todas sem foco algum. Você tem talento, então não diga o contrário. 


Dizer tudo aquilo era estranho, principalmente porque eu sabia que estava falando a verdade. Mas, mais do que isso, eu queria que Jungkook se sentisse melhor. Queria que  ele me lançasse aquele mesmo olhar de  quando eu acordei e tomamos café juntos. Queria que ele sorrisse para mim animadamente, que  que a cor dourada voltasse e fizesse presente em seus olhos enquanto ele me encarava. E, céus, o quão paranoico eu estava me tornando por sentir aquelas coisas por meu sequestrador? Será se isso tinha alguma coisa haver com síndrome de Estocolmo? Eu estava mesmo tendo essa merda? Não era de duvidar quando todos os meus sentimentos de  antes ódio haviam se transformado em algo totalmente diferente aquele ponto. Era tão estranho tudo aquilo.


Observo os lábios de Jungkook se erguerem em um sorriso e os seus olhos dourados me encararem junto a ele. Meu peito, no mesmo instante, acelera bobamente. 


— Obrigado, Jimin. É muito bom ouvir isso de você – Ele diz, e o brilho que vejo em seus olhos é forte demais para que eu permaneça a o encarar. 


Então, volto minha atenção para as fotos novamente. Tentando me focar nas imagens e não no meu coração batendo freneticamente contra o meu peito, como se fosse sair a qualquer momento. Observo cada uma das imagens, apreciando cada uma delas. No entanto, meu corpo paralisa quando meus olhos encaram uma a princípio. Não está focada como as outras, nem tão iluminada quanto  alguma delas, porém  é nítido quem é a pessoa que meus olhos observam. Sou eu. Estou usando um boné preto mas que não esconde meu rosto por completo, e Jungkook tirou a foto no exato momento em que meu rosto se ergueu para encarar o farol de trânsito. Jungkook tirou uma foto minha. Quando meus cabelos ainda estavam pretos. Quando a nossa ligação não havia acontecido! 


— Quando você tirou essa foto? – Pergunto, sem me virar para observar o seu rosto. Estava muito em pânico no momento. 


— Qual foto? – Ouço  a pergunta de Jungkook a minhas costas, mas não tive   força em meus membros para apontar de qual eu estava falando. – Ah, essa. Foi quatro semanas depois de ter te visto pela primeira vez. Eu sei que parece doentio eu ter tirado uma foto sua sem o seu consentimento, mas é que eu realmente precisava de alguma coisa sua  para sentir-me perto de você, Jimin. Eu não gosto do quão psicótico isso soa, mas é a verdade. 


— Meu cabelo ainda está preto. Isso foi antes da ligação acontecer. Você estava me perseguindo como um psicopata fodido? 


Minha raiva é clara, e encobre meu medo totalmente. Isso é tão assustador. Quero dizer, já era quando ele me bateu e me trouxe para a sua casa, mas tinha um motivo: a nossa ligação. Mas aquilo, Deus, aquilo era muito mais grave do que eu pensava. Como  eu nunca tinha o notado as minhas costas antes? Como eu deixei passar isso? Eu sempre era o mais cuidadoso possível. Nunca deixei com que ninguém passasse despercebido por mim. Então, como diabos aquilo aconteceu e eu não notei? 


— E-eu sei que é horrendo e me sinto muito mal por ter feito isso. Mas é algo que eu não consegui controlar. Eu estava obcecado por você, Jimin. 


Meu choque é grande o suficiente para que eu me vire e o encare com toda a minha fúria, medo e angústia. Seus ombros estão encolhidos, e seus olhos já não são mais dourados. Entretanto, eu não me importo com nada disso. Tudo que quero é o espancar até a morte. Por isso, sem pensar duas vezes, o ataco, dando socos em sua cara, sua barriga e em qualquer parte do seu corpo. Estou cego pela minha raiva. Memórias do passado me cercam e só de imaginar o que esse delinquente poderia e pode fazer comigo, são  combustíveis suficientes para que eu o ataque sem medidas. Sem pensar nas consequências que isso me traria depois que todos aqueles sentimentos passassem. Só a ideia de que eu estava começando a sentir coisas boas por ele me dar um embrulho no estômago. Eu sou um doente por um acaso? 


Mas, como era de se esperar, meus pulsos são agarrados e eu sou preso com as costas contra o seu peito. Tento lutar para me libertar, mas é impossível com a força e o domínio do alfa sobre mim. 


— Por favor, acalme-se, Jimin. Eu não quero que você se machuque – Escuto sua voz em meu ouvido, o que me dá mais gás para tentar me soltar do seu aperto. 


— Você é a porra de um psicopata! Porra! Eu te odeio! Eu te odeio! Te odeio! Eu te odeio! – Minha  tentativa de dar-lhe algum soco diminui no momento em que as lágrimas escorrem por minhas bochechas, e eu deixo que Jungkook me segure enquanto os soluços saem por minha garganta e eu perco as forças de meus músculos. 


— Eu vou deixar que você me bata o quanto quiser, mas não aqui. Esse cômodo é muito pequeno e você pode se machucar. Por favor, não o faça aqui. 


Escuto a sua voz, mas não dou atenção para as palavras que ele diz.  As memórias. Elas são fortes demais. Elas me assustam demais. Elas me derrubam. Quando Jungkook me disse que me perseguia, acionou um botão que eu não  queria que acionasse nunca mais. O terror me dominou. A fúria. O medo. A angústia. Todos os sentimentos que senti naquela noite recaíram sobre mim e eu despejei em Jungkook. Ele não era inocente— pois havia me sequestrado e estava me mantendo preso desde então— mas não era o culpado por todos aqueles meus sentimentos atordoados. Sinto meus joelhos encostarem  no chão junto ao corpo de Jungkook as minhas costas, que me aperta em seus braços — o aperto não  tão forte como antes. 


— Não deixe que ele venha. Me mantenha longe dele, Jungkook. Por favor – Peço em meio aos soluços. 


— De quem você está falando? 


— Não deixe ele se aproximar, por favor, não deixe. Prometa. Prometa que você não deixará, Jungkook. 


— Não deixarei, Jimin, não deixarei. 


E só naquela vez, eu deixo meus instintos falarem por mim e relaxo contra o seu peito, sentindo sua respiração contra o meu pescoço e o seu cheiro possuir o meu nariz. Meu ômega, em meio a todas aquelas memórias que vinheram a tona, relaxa junto ao meu corpo ao ter o meu alfa ali. Me protegendo de tudo de ruim que se passa em minha cabeça. E com sua respiração  próxima e seu calor me envolvendo, deixo com que todos os meus sistemas desliguem e eu adormeço em seus braços. Me sentindo seguro pela primeira vez ali. 


Me sentindo seguro pela primeira vez com Jungkook. 


Notas Finais


Sei que as coisas podem estar parecendo rápido demais, mas não estão. Lembre-se que o ômega do Jimin está ligado com o alfa do Jungkook, o que torna mais fácil a criação de sentimentos. E, bem, o próximo capítulo vocês entenderão o porquê do Jimin ter entrado em pânico depois da foto e do conhecimento de que Jungkook o perseguia por tanto tempo. Acho que a maioria já deve imaginar o motivo dele ter ficado tão apavorado. Tentarei voltar em breve, até mais.


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