1. Spirit Fanfics >
  2. Ocaso grego - Parte III >
  3. Puberdade

História Ocaso grego - Parte III - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Espero que gostem desse primeiro capítulo, suas lindas e a fan art da capa foi feita especialmente para a fic. Então se alguém quiser repostá-la, indique a fic para mais fã se divertirem ^^ Os personagens ali são exatamente do modo que imaginei ;)

Capítulo 2 - Puberdade


Fanfic / Fanfiction Ocaso grego - Parte III - Capítulo 2 - Puberdade

Após Gabrielle ter contado a Xena sobre a nova gravidez, a morena se emocionou e não conseguiu esperar muito para contar a novidade para todos. Assim que o sol nasceu, Xena convocou todos até o casarão e quando finalmente se reuniram, a notícia causou diversos tipos de reações.

Délia e Cyrene não conseguiram conter a emoção. As duas abraçaram forte o casal e Délia sendo a mais emotiva, chorou nos braços de Gabi. Rita que era a melhor amiga de Gabrielle ficou tão feliz que soltou um grito de alegria e agarrou a loira sem pensar duas vezes. Selene teve a mesma reação e parabenizou Xena com orgulho.

Solan e Lexa por outro lado, estavam com uma ressaca das bravas e se esforçarão ao máximo para vibrarem de alegria, no entanto, quando todos começaram a falar freneticamente, os dois aproveitaram para sair da sala e finalmente dormir.

Mas talvez, a pior reação de todas tenha sido de Ísis. A menina arregalou os olhos e falou “O QUE?” tão alto que todos pararam para encará-la. A menina ficou plantada no meio da sala olhando para o vazio como se aquilo fosse o fim do mundo e Eve ficou se perguntando o que era tão ruim ao ponto de Ísis não querer dar bola para suas provocações.

Xena novamente escondeu a gravidez das pessoas de Corinto e Gabrielle ficou o tempo todo no casarão, mas os cidadãos já tinham manjado essa estratégia e não demorou muito para ficar claro que mais um herdeiro estava chegando.

Pelo menos dessa vez Gabrielle conseguiu fazer repouso em paz, pois nenhum demônio apareceu para perturbá-la e quando a 9º lua de gestação chegou, Xena se descobriu mais apreensiva do que nunca. Gabrielle vinha acalmando ela quase o tempo todo e vira e mexe pegava sua mulher a encarando.

-Não, eu não estou sentindo nada de diferente, amor - Dizia Gabrielle ou então... –Não, o bebê ainda não está vindo, Xena. -

Aquelas respostas satisfaziam Xena por algumas marcas de velas e quando finalmente ela se acostumou com o fato do novo bebê ser preguiçoso, Gabrielle acordou numa madruga com dores devido a contração e o sono da casa inteira foi para o espaço.

Phergus que desta vez não foi substituído por mais ninguém, entrou no aposento da rainha com a maior calma do mundo e começou a preparar tudo, no entanto, Xena estava tão nervosa que conseguiu estressar o curandeiro.

-Majestade, ainda vai levar algumas marcas de velas para o bebê nascer. - Phergus disse com sua voz calma e fidalga, mas Xena não se convenceu.

-Como você pode ter certeza? - Disse Xena.

-Porque eu já fiz diversos partos ao longo da minha vida. - O homem falou mais ríspido que o normal e no fim das contas, Xena foi expulsa do quarto e ficou na cozinha tomando chá para acalmar com Ísis e Eve.

Ninguém mais estava dormindo, muito menos Solan que chegou bêbado da rua e pensou que todos estavam dando uma festa.

-EEiii. Por que ninguém me chamou? - Falou o rapaz ao ver Eve sentada na mesa de madeira, Ísis no chão, Xena andando de um lado para o outro e muito barulho vindo do segundo andar.

-O bebê está nascendo, seu cabeção. – Disse Ísis com uma mistura de nervosismo e aborrecimento.

-SÉRIO? - Disse Solan pegando chá da jarra. –Espera, vocês não parecem muito feliz com isso. – Ele fez aquela observação depois de receber um olhar severo de Xena e Ísis.

-Fique aqui com elas, Solan.- Falou Xena e se retirou da cozinha para tentar entrar no aposento novamente.

-Você quem tem que estar feliz. Não lembra que ficou me dizendo que ser irmã mais velha era incrível? Bom, eu descobri porque não estou achando nada incrível. - Falou Ísis levantando e parado ao lado de Solan.

-E porque não? - Perguntou o rapaz desinteressado enquanto tentava parecer sóbrio.

-Porque eu sou a do meio. - Ísis fechou a cara e não notou que aquilo fazia sentido só para ela.

-Uau... é verdade, você é a do meio. - Disse Solan tentando não rir.

Antes de Ísis argumentar, ela ouviu Gabrielle gritar e reconheceu na hora que o bebê estava nascendo. Selene desceu rapidamente com panos sujos e a menina saiu em disparada para o quarto.

-Ísis, não!!!!- Solan tentou pegar ela pelo braço pois sabia que a garota ia entrar lá, mas não conseguiu. Eve saiu correndo também e Solan começou a imaginar a cara de brava que sua mãe faria quando as meninas entrassem lá.

O príncipe saiu cambaleando da cozinha, mas era tarde demais, Ísis girou a maçaneta e abriu a porta com força, batendo nas costas de Cyrene. Solan segurou a respiração e logo em seguida Eve entrou atrás dela.

-É MENINO OU MENINA?- Ísis gritou quando viu sua mãe com uma criança suja e chorona no colo.

-Mas que Hades você está fazendo aqui?- Disse Xena brava. –SOLAN.-

Solan entrou no quarto com pressa e puxou Ísis pelo braço.

-Desculpa. - Disse ele, mas Ísis escapou.

-TIRA ELAS DAQUIII. - Gritou Gabrielle e Solan quase desmaiou ao ver aquela cena horrível.

-SAI. - Gritou Xena de volta, mas Ísis estava pouco se importando com o sangue e a cara de acabada de Gabrielle.

-É MENINO? - Ísis perguntou enquanto era arrastada pela perna com Eve.

-É MENINA, AGORA SAI DAQUI. - Xena fechou a porta.

-Outra menina?- Ísis repetiu com desgosto e um choro cheio de força saiu de seu pulmão. Eve que não sabia direito o que estava acontecendo abriu o berreiro junto com Ísis e as duas ficaram chorando no corredor até ouvir Gabrielle urrar de novo. –O QUE FOI?- Ísis entrou no quarto de novo depois de escapar mais uma vez de Solan. –ESTÁ NASCENDO OUTRO?- Ela berrou e Cyrene empurrou a menina do quarto e trancou a porta.

Aquele definitivamente tinha sido o pior parto possível. O quarto estava lotado, Ísis e Eve entraram lá duas vezes e Gabrielle começou a falar tantos palavrões que Xena percebeu que não conhecia metade deles. O primeiro bebê que era uma menina nasceu minutos antes do sol nascer e minutos depois, a rainha sentiu outra contração e mais um bebê surgiu. Xena não sabia o que estava acontecendo. Como assim Gabrielle estava dando à luz a dois bebês ao mesmo tempo?

Depois de ficarem a madrugada toda em claro e os bebês terem finalmente nascido, Xena se viu diante do momento em que todos se sentiram aliviados por Gabrielle estar bem e junto com as duas crianças. Eles eram tão pequenos que explicava o motivo de Gabi não ter ficado com a barriga tão grande quanto na gravidez anterior.

-Você está bem?- Disse Xena se sentando na cama com o primeiro bebê nos braços.

-Estou ótima.- Respondeu a rainha que recebeu o segundo. –Quem diria hein? – Disse ela com o rosto suado, mas o olhar derretido.

-Quem diria que teríamos gêmeos? - Xena perguntou com um riso de nervoso e Gabi disse que sim.

-Mãe, a gente pode entrar? - Perguntou Ísis do lado de fora.

-Pode! - Disse a imperatriz.

Ísis abriu a porta pesada e entrou no quarto com um biquinho de manha. Eve veio logo atrás com os olhos vermelhos e Solan seguiu as duas com medo da reação de sua mãe.

-São duas meninas, mamãe?- Perguntou Ísis chateada enquanto subia na cama do lado esquerdo.

-Dessa vez veio o irmãozinho que você queria. - Disse Gabi mostrando o rosto do bebê para Ísis.

A menina não estava acreditando, nos últimos segundos a vida sorriu para ela e deixou que tivesse um irmão. O mesmo irmãozinho que ela esperou a dois verões atrás e aquilo era bom demais para ser verdade.

-Eu sabia que seria um menino. - Disse Ísis comemorando e Gabi riu.

-Afinal de contas, por que você quer tanto um irmãozinho? - Solan que ainda estava meio tonto perguntou. Ísis olhou para ele e descobriu que não sabia exatamente o porquê.

-Eu não faço ideia. - Respondeu ela e voltou a olhar o bebê.

-O que acha, Eve?- Xena se aproximou da menina que mirava o bebê em seu colo. –Você tem mais dois irmãos agora. - Continuou Xena.

Para o alívio de Gabrielle, Eve teve uma reação melhor que a de Ísis e quando a menina viu sua irmãzinha pela primeira vez, abriu um sorriso fofo e pegou na mãozinha dela.

-Qual o nome dela, mãe?- Perguntou Eve curiosa.

Xena olhou para Gabrielle e a loira assentiu com a cabeça como se dissesse “Sim, aquele nome mesmo que pensamos”.

-O nome dela é Lila.- Falou Xena e Eve pareceu gostar.

-E o nome dele, mamãe?- Ísis perguntou para Gabi.

-Vai ser Ulisses.- Disse Gabi também olhando para Xena e as duas finalmente haviam chegado num acordo sobre os nomes que tiveram pensando a luas.

**********************************************************************************

Seria lindo dizer que a partir do nascimento dos gêmeos Ísis deixaria de sentir ciúmes de Eve, mas não foi o que aconteceu. Conforme os verões passaram, as duas meninas continuavam a aborrecer uma a outra e Gabrielle preferiu acreditar que aquilo era uma espécie de diversão, pois na maior parte do tempo as meninas eram mais tranquilas com relação Lila e Ulisses, mas não se deixavam em paz sempre que podiam. Xena descrevia aquilo como amor, porque se elas se davam ao trabalho de ficar provocando é porque se gostavam muito.

Diferente do bebê que Eve foi, os gêmeos eram mais tranquilos e só acordavam uma vez na noite para mamar. Eles choravam pouco e conviviam bem juntos. Gabi passou a acreditar que Afrodite havia dado dois filhos calmos para ela, na tentativa de compensar as duas pestinhas que veio primeiro.

Solan que já estava mais maduro não se importou com o fato de ter tido um irmão dessa vez e apesar de achar os gêmeos fofos e tudo mais, não tinha o mesmo contato que Ísis e Eve possuia pela grande diferença de idade.

Assim que os gêmeos foram apresentados para o reino, a grande pergunta surgiu, “quem seria parecido com Xena e quem pareceria com Gabrielle?” Isso não levou muito tempo para ser respondido, pois logo ficou claro que Ulisses era a cópia fiel não só da cara de Xena, mas também do humor. O garoto conforme foi crescendo se apresentou mandão e extremamente protetor com Lila, que por sua vez lembrava muito Gabrielle até mesmo na cor do cabelo. Somente um fato sobre Lila tinha gerado curiosidade nos demais membros da família e isso era uma condição rara na qual seus olhos possuíam duas cores diferentes. O olho direito era verde e o esquerdo era azul e nem mesmo Phergus sabia explicar o porquê. Xena achava que era alguma coisa a ver com a concepção dela, mas no fim das contas Gabrielle não se preocupou nem um pouco com aquilo, afinal, Lila era linda daquele jeito.

*****************************************************************************************

Os verões passaram num piscar de olhos e de repente a Grécia se deparou com uma família imperial maior e muito mais promissora. Xena continuava a botar medo em muita gente e apresar de ser quase um cordeiro na presença de seus filhos, a imperatriz não perdia a oportunidade de mostrar que ela ainda mandava naquele país.

Solan e Lexa continuaram a progredir e depois de seis longos verões onde o príncipe agora possuía 28 anos, muitos reinos vizinhos começaram a propor com mais frequência uma aliança, pois viam em Solan uma continuação sólida da dinastia. Agora o príncipe quase não tinha tempo para as coisas banais que ocuparam sua adolescência e viajava com mais frequência na companhia de Lexa. Xena aprovava o fato de Lexa ser a pessoa mais próxima de Solan naqueles momentos, pois assim como Mioll era seu braço direito, Solan precisaria dela um dia.

O fato mais surpreendente sobre Lexa nesses seis verões, era que ela e Tulio haviam casado finalmente e viviam numa casa ao lado de Cyrene no centro da cidade. Tulio e Petro chegaram ao nível máximo da patente e faziam parte da escolta de Solan, mas nem mesmo com um trabalho tão honroso, o rapaz foi capaz de conquistar o coração da sogra. Cyrene insistia em todos os defeitos de Tulio e sempre rendia boas discussões nos almoços.

A Imperatriz agora tinha seus 58 verões e apesar da aparência mais jovem, ela sentia sua mente focada em outros assuntos. Solan estava governando com muita frequência, então a imperatriz ficava mais tempo com os demais filhos, o que permitia Gabrielle a se ocupar com suas tarefas de rainha.

As coisas andavam bem equilibradas dentro da família e aquilo satisfazia Xena de uma forma que nunca imaginou ser possível. Ter mais gente para ajudá-la era libertador e quando não estava em assuntos oficiais que somente ela poderia liderar, estava enfiada em seu gabinete fazendo suas pesquisas sobre a adaga.

Gabrielle por sua vez passou a visitar mais o centro de Corinto e realizava audiências quando Solan não estava presente. Ela também assinava documentos quando eram de cunho simples e mesmo não gostando dos almoços e passeios com as duquesas que vinham até a capital com seus maridos, ela acabava cedendo vez ou outra.

No fim das contas, as visitas até o casarão foram reduzidas, o que tornava o lugar o preferido das crianças. Eles adoravam o casarão da vovó Délia e quando finalmente chegava a hora de ir para lá, era uma explosão de ansiedade.

*******************************************************************************

Era primavera na Grécia e as flores ao redor da paisagem tornava a vista muito bela. Solan tinha partido para Atenas com Lexa e sua escolta, então Gabrielle teve de realizar algumas audiências antes de atender ao pedido das crianças de ir para o casarão. Para a rainha, a manhã em questão passou rápido, mas para Xena e as crianças era como a eternidade. Depois de tanto esperarem, a imperatriz saiu do palácio e ficou aguardando Gabrielle no pátio onde a carruagem estava pronta.

-Tia Rita vai junto, não é, mãe? - Perguntou Eve que agora tinha oito verões. A menina continuava com seu doce olhar que herdará de Gabrielle e dava um belo contraste com os cabelos escuros. Ela também estava trocando os dentes, o que fez Ísis achar uma bela fonte de zoação.

-Ela já está lá. - Disse Xena que estava do lado de fora da carruagem, olhando para a porta na esperança de ver Gabrielle.

-Mãe, porque os cavalos puxam as carroças? - Perguntou Ulisses que estava pendurado na janela pelas pernas.

-Porque eles são fortes. - Respondeu Xena ainda olhando para a porta e ignorando o fato do garoto estar quase caindo.

-Mãe, se o Ulisses cair de cabeça ele morre? - Lila que estava em pé no banco da carruagem perguntou e Xena olhou para trás.

-Qual seu problema? - Perguntou a imperatriz enquanto pegava o menino magricela de seis verões e colocava no chão. Ulisses era agitado e tinha muita energia. Ele detestava ficar no mesmo lugar por muito tempo, o que se assimilava muito com a impaciência de Xena.

-Mãe, cadê a Ísis? - Perguntou Eve que olhava para os cantos. –Se ela se atrasar vai levar bronca? - A última frase da menina possuía um tom de agrado. Eve não era tão agitada quanto Ulisses e era um pouco mais tímida que o normal com desconhecidos, porém ela era inteligente e tinha muito potencial em tirar proveito das coisas.

-Com certeza ela vai. - Falou Xena que tinha acabado de dar falta de Ísis.

-Estou indo, estou indo.- Disse a voz de Gabrielle saindo pela porta. A rainha era de longe a menina que chegou em Corinto. Ela agora tinha o rosto maduro e uma beleza de tirar o fôlego. Apesar da rainha ter dado à luz a quatro crianças, sendo três delas num espaço de tempo tão curto, fez com que Gabrielle se atentasse a cuidar de seu corpo. Ela voltou com a ideia de ter aulas de artes marciais e depois que conseguiu fazer os gêmeos se acostumarem com a criada, Gabi passou a obrigar Xena a ensiná-la a usar o cajado. As duas treinaram por um bom tempo quase todas as noites por pelo menos duas marcas de velas, o que resultou não somente em uma rainha bem protegida, mas num corpo esbelto.

-ALELUIA.- Disse Ulisses que agora tentava pôr os pés no teto da carruagem.

-Vamos rápido ou eles vão destruir a carruagem. - Falou Xena olhando para as crianças que não aguentavam mais esperar.

-Vamos. Desculpe pela demora. - Gabi entrou na carruagem e Lila foi em direção a ela para se sentar em seu colo. A menina era a mais calada de todos os filhos e era a que quase nunca estava envolvida em confusão, mas aquilo não queria dizer que ela fosse santa. Pois por mais que não aprontasse, ela sabia muito bem como guardar segredos e todas as vezes que seus irmãos aprontavam, ela era a última a dar com a língua nos dentes.

Um latido veio do lado esquerdo do pátio e Talos apareceu correndo com a língua para fora. O cão entrou correndo na carruagem e começou a lamber a cara de Ulisses que continuava deitado no banco. Até ali estava tudo certo, pois onde Talos estava, Ísis também estaria, mas não daquela vez.

-Ué?- Exclamou Eve que se pendurou na janela para ver se encontrava Ísis.

-Ela está aprontando. - Gabrielle franziu o cenho e não demorou muito para um estouro vir da mesma direção que Talos surgiu. Um relincho alto denunciou a menina que agora tinha 16 verões e lá apareceu ela em cima de sua égua Zyrael.

-Eu encontro vocês lá!- Gritou a princesa quando passou e Xena suspirou.  Ísis foi mais uma que herdara a beleza de Gabrielle. Ela agora estava com os cabelos dourados mais cumpridos e já estava mais alta que Gabrielle. O gênio forte e atrevido da princesa foi uma das poucas coisas que não mudaram com o tempo e era justamente aquilo que vinha causando problemas.

Ísis passou a toda velocidade montada na égua e quase derrubou dois guardas no portão. A partir dali a poeira que o animal deixou para trás desapareceu e Xena finalmente fechou a porta da carruagem.

-LEGAL...- Falou Eve ao ver aquela cena. Ela não achava legal a saída triunfal de sua irmã, mas sim o fato de que já já a tão esperada bronca viria.

-Não adianta falar. Ela não está nem aí. - Disse Xena irritada. Ela já tinha alertado Ísis um milhão de vezes para não sair sozinha sem guardas, mas de nada adiantava.

-Eu sei que não adianta. - Gabrielle torceu o nariz, mas não havia mais nada que pudessem fazer. A princesa ignorava a maior parte dos avisos que recebia.

-Ela me lembra muito alguém. - Falou Xena com os olhos espremidos e olhando para Gabrielle.

-O que? Não está pensando em mim, não é? - Falou Gabi com cara de sínica.

-Sim eu estou...- Xena riu e Gabrielle não deixou de lembrar das vezes que escapou dos guardas de Xena verões atrás.

*********************************************************************************************

Quando a família finalmente chegou no casarão, Talos pulou pela janela da carruagem e foi encontrar sua dona. A porta da carruagem faltou quebrar quando Ulisses saiu vazado dela e Lila se adiantou atrás dele.

-E você? Não vai sair correndo e destruir algo? - Perguntou Xena para Eve que continuava sentada no banco da carruagem com um sorriso maroto na cara.

-Não. Vou calmamente com vocês até lá dentro. - Respondeu a menina que recebeu um olhar de soslaio de Gabrielle.

Xena desceu da carruagem primeiro e esperou Gabi e Eve saírem de lá para fechar a porta. Quando a rainha passou, ela olhou bem para a cara dos soldados que estavam pertos para garantir que eles sequer virassem para sua mulher.

-Geralmente as pessoas sentem ciúmes no começo do relacionamento, Xena, não depois de muitos verões.- Gabi que estava de mão dada com Eve olhou para trás e riu baixinho.

-Hum...- Xena resmungou e continuou observando a sua volta até entrarem na casa.

Ao entrarem lá, foram direto para a sala de jantar onde Délia estava sentada na mesa e Ísis atrás dela. Délia já não era a mesma que costumava ser. Andava mais cansada ultimamente e a velhice não dava trégua.

-Finalmente vocês chegaram...- Disse Délia feliz ao ver seus netos e principalmente Gabrielle.

-Como a senhora está? - Gabi cumprimentou a senhora com um beijo na bochecha.

-Vou bem, muito bem...- Délia sorriu e com as mãos um pouco trêmulas da velhice tocou o rosto de Gabi.

-VOCÊ....-Xena apontou para Ísis e a menina parou de comer a maçã.

-Ora, deixe a menina em paz, Xena.- Délia já sabia o que estava por vir e começou a defender a menina.

-Você faz cagada e corre se esconder atrás da sua avó.- Xena ignorou Délia e Ísis fez cara de culpada. –Existem mais de 1000 soldados espalhados pelo palácio. O que custa você perguntar a pelo menos dois imbecis de farda roxa para irem atrás de você? - Xena falou firme.

Ísis ia responder, mas então viu a cara de alegria de Eve.

-Ta rindo do que, ranhosa? Ela está rindo, mãe. - Ísis apontou para a irmã.

-Quem vai rir são meus inimigos o dia em que eles te pegarem sozinha e cortarem seu pescocinho fino. - Xena deu mais alguns passos duros na direção da menina e Ísis deu um olhar feio para Eve.

-Eu sei lutar, mãe....- Ísis respondeu aborrecida.

-Oras, eu também sei lutar e ando com 10 soldados atrás de mim todo dia. - Xena estava começando a ficar com o rosto vermelho.

Enquanto ela e Ísis discutiam pela milésima vez sobre o mesmo assunto. Délia oferecia guloseimas para os gêmeos. Em seguida ela avisou que seus primos Estevan de agora 9 anos e Théo de 10 estavam brincando do lado de fora. As crianças saíram de lá, com exceção de Eve que estava adorando a briga. Gabrielle também tinha cansado daquela discussão e foi até a varanda para se encontrar com Rita e Selene.

-Você é exagerada. - Ísis respondeu brava e Eve fez som de ofensa para pôr pilha.

-Sou mesmo e sabe no que eu vou exagerar dessa vez? - A imperatriz continuou falando e nem notou quando Septmus e Agnes entraram pela porta. Os dois amigos de Ísis pararam abruptamente na porta e deram meia volta quando notaram que uma bela bronca vinha de lá. Desde que conheceu os dois filhos de uma empregada do casarão, Ísis nunca mais desgrudou deles. Tanto Septmus quando Agnes eram morenos por causa do sol da Grécia e tinham cabelos castanhos claro. O rapaz tinha 17 verões agora, enquanto sua irmã Agnes tinha 16 como Ísis.

-A coisa tá feia, melhor voltarem depois.- Disse Délia para os meninos e eles riram enquanto se afastavam.

-Não me diga que vai pôr correntes nas minhas portas e janelas...- Respondeu Ísis e a imperatriz sentiu seu sangue ferver.

-Você não vai mais andar naquele seu cavalo e em nenhum outro até criar juízo e aprender a me respeitar. - Xena virou as costas e saiu na direção do celeiro.

-E pretende fazer isso como? Vai acorrentar o pobre animal? - Ísis sentiu um leve desespero e saiu andando atrás de Xena. Eve correu atrás delas e só não conseguiu ir adiante porque Gabrielle a segurou.

-VOU!- Xena encarou Ísis que ainda não tinha sua altura e a menina sentiu medo de responder daquela vez. –É melhor você não vir atrás de mim, se não o seu final de semana vai ficar chato.- A imperatriz continuou com o olhar severo e Ísis deu as costas para ela sem dizer mais nada.

Mesmo de longe Eve escutou aquela fala e ficou satisfeita com a bronca de sua irmã. Ela jurou tirar o máximo de proveito daquilo, afinal, ela ainda queria se vingar por Ísis ter dito que ela parecia uma bacante depois que seus dois dentes centrais caíram.

No fim do dia Xena e Ísis não tinham voltado a se falar ainda. A morena exigiu que dois do seus maiores guardas ficassem de vigia na porta do celeiro e não permitissem que a princesa pegasse nenhum cavalo. A garota estava muito aborrecida com sua mãe e se recusou a jantar na mesma mesa que ela.

No fim da noite, todos se recolheram e torceram para que o dia seguinte no casarão fosse um pouco melhor.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...